Pedir a meus amigos e leitores do blog para autorizarem o compartilhamento automático dos meus artigos em suas Linhas do Tempo do Facebook foi a medida mais ousada e de maiores e mais profundas conseqüências da história do Pensar Não Dói. 

Escritor-Mickey-500

Nos últimos três dias eu fiquei paralisado. Não consegui escrever, esmagado pelo peso da responsabilidade. Mas eu sabia que teria que dar logo o primeiro passo e nada melhor para fazer isso do que falar sobre o motivo desta paralisia. E o motivo é muito simples. 

Se você compartilha um artigo porque gostou dele, a responsabilidade pelo compartilhamento é inteiramente sua. O autor do artigo não tem nada a ver com o pastel se algum amigo seu não gostar do artigo. Compartilhar foi sua escolha, bem informada e autônoma, pela qual você foi o único responsável. 

Se você compartilha artigos automaticamente, porque o autor pediu que você ajude a divulgar o blog dele, a situação é bem diferente. O autor do blog pediu sua ajuda em confiança. Ele não pode dizer “você compartilhou porque quis”. Nada disso. Você compartilhou porque ele pediu. 

Quando eu consegui fazer os artigos do Pensar Não Dói aparecerem automaticamente na Linha do Tempo do Darwinito, que era o que eu estava testando com os artigos Teste e Teste 2, eu fiquei entusiasmadíssimo. Logo percebi que seria por esta via – com a ajuda dos amigos – que eu catapultaria o blog a outro nível de visibilidade, muito mais significativo e empolgante, e me lancei à empreitada de escrever e publicar o artigo “um pedido aos amigos e leitores“. 

Quando o artigo foi publicado e as primeiras quatro ou cinco pessoas deram as autorizações para o NetworkedBlogs publicar meus artigos em suas Linhas do Tempo, a noção do que eu tinha feito me atingiu em sua plenitude. Aquele artigo estabeleceu o fim de uma fase do blog e lançou o início de outra. Ele é um divisor de águas muito mais radical que o artigo “Basta! – Ou: a gota que faltava“.

A partir de agora, se eu for escrever um artigo criticando os malucos que comem (argh!) pizza de banana, eu terei que lembrar que algumas das pessoas que divulgam meus artigos têm amigos que são bananistas fanáticos, enquanto outras têm amigos que são anti-bananistas fanáticos, e eu pedi que todas divulgassem meus artigos. Que encrenca! 

Não existe a menor possibilidade, é claro, de agradar a todos. Aliás, você deve conhecer aquele ditado: “a fórmula para o sucesso garantido ninguém conhece, mas a fórmula para o fracasso garantido é tentar agradar a todos“. Sabendo disso, obviamente não vou tentar implementar uma fórmula de fracasso, assim como não vou ficar refém dos intolerantes, mas vou ter que dançar um tango em campo minado todos os dias para me expressar com liberdade ao mesmo tempo em que mantenho a razão a meu lado. 

Tentarei escrever de tal modo que, perante uma reclamação de um amigo de um amigo, o meu amigo leia meu artigo, leia a reclamação e possa dizer com convicção para o outro: “peraí, Fulano, o Arthur foi muito feliz (ou bem razoável) no que escreveu, você é que está viajando na maionese (ou sendo intolerante)”. Não espero conseguir fazer isso sempre, mas vou tentar fazer isso na maioria absoluta das vezes, mesmo tratando dos assuntos mais espinhosos. 

É o maior desafio que já enfrentei desde que conheci a internet. 

Vai ser divertido!

Escritor-Donald-500 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/02/2014  

 

10 thoughts on “O peso da responsabilidade

  1. Arthur, se eu concordei em compartilhar teus artigos de forma automatica foi na mesma sistemática de assumir a responsabilidade por cada um deles, como era quando os compartilhava um a um. Se fiz isso, foi porque li muito mais do que suficiente do que tu publica e, por isso, confio que quase certamente o que estou compartilhando reflete o que eu penso. Então, nem pense em mudar a tua “linha editorial” por conta da nova sistemática de compartilhamentos, pois certamente vou considerar isso uma traição!

    1. Amei isso. 🙂

      Mas não te preocupa, a linha editorial não tem como mudar. O diretor de redação continua o mesmo, só mudou o revisor, porque o antigo às vezes matava trabalho. 😉

  2. Meio como TG, até hoje, penso que raramente discordei de algo que li aqui e se o fiz, foi mais pela intensidade da escrita que pela qualidade.
    E não tenha dúvida, o chamarei pessoalmente para se defender, com muito mais propriedade, se for o caso. Da mesma forma que eventuais críticas, não me furtarei de fazer.
    No mais, sucesso!!

    1. Valeu! 🙂

      Mas é esse o ponto: não me proponho a mudar meu modo de pensar e sim a tomar mais cuidado com o modo de me expressar. A idéia é justamente evitar que a forma de transmitir o que penso prejudique o conteúdo transmitido.

  3. Pronto. Espero ter feito tudo certinho, tentei clicar certo em tudo.

    1. Contentíssimo aqui. 🙂

  4. Eu não tenho mais o cara de livro,rs.

    Escreves como se estivesses escrevendo nas asas do vento,tem gente que ama o vento e gente que o detesta.

    Faças o que gosta,fim!

    Sabendo que o mundo não vai mudar por isso.

    1. Escreves como se estivesses escrevendo nas asas do vento, tem gente que ama o vento e gente que o detesta.”

      Gostei dessa frase. 🙂

      Isso me lembrou como eu me sinto bem quando eu escrevo com fluidez, quando eu não tenho que parar e reler cada parágrafo tentando concatená-lo melhor com o texto, porque o texto simplesmente jorra naturalmente. É quando nascem os melhores artigos.

  5. Para de mimimi e posta logo seus artigos!

    1. Hehehehe… Estou reunindo coragem. 🙂

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