CNPND: Novo relatório deixa claro: estamos em perigo e precisamos parar o aquecimento global

Relatório de equipe de cientistas liderada por Prêmio Nobel alerta para a gravidade das mudanças climáticas e o preocupante desconhecimento do público sobre o problema. Redução urgente das emissões de carbono é a principal medida necessária para evitar catástrofe climática. 

Notícia do Hypescience:

Em 1995, Mario J. Molina, junto com seus colegas Paul J. Crutzen e F. Sherwood Rowland, ganharam o Prêmio Nobel de Química por seu pesquisa sobre a decomposição da camada de ozônio. 

Mário Molina

Agora, com 70 anos, o Dr. Molina está tentando alertar o público sobre um risco ambiental ainda maior. Ele liderou um comitê da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a maior sociedade científica geral do mundo, que divulgou um relatório na última terça-feira sobre o aquecimento global.

O texto adverte que os efeitos das emissões humanas de gases do efeito estufa já estão sendo sentidos. As consequências podem ser terríveis, e estamos ficando sem tempo para efetivamente fazer algo sobre isso.

“A evidência é esmagadora: níveis de gases de efeito estufa na atmosfera estão aumentando. As temperaturas estão subindo. Primaveras estão chegando mais cedo. Os mantos de gelo estão derretendo. O nível do mar está subindo. Os padrões de chuvas e secas estão mudando. As ondas de calor estão piorando, assim como as precipitações extremas. Os oceanos estão acidificando”, diz o relatório.

Em certo sentido, ele não contém nenhuma nova ciência. Tudo que é dito nele, nós já sabíamos há algum tempo.

O que mudou, então?

A linguagem do relatório, chamado “What we know” (em português, “O que sabemos”), é muito mais clara e acessível do que talvez qualquer outra coisa que a comunidade científica já tenha escrito sobre o fenômeno até hoje.

O grupo responsável por ele, com uma adesão de 121.200 cientistas e simpatizantes da ciência ao redor do globo, planeja uma ampla campanha de divulgação para colocar mais informações precisas em uma linguagem simples disponíveis para todo o mundo.

Isso porque os cientistas querem corrigir a confusão pública, em parte criada por eles mesmos, sobre esta questão.

Pesquisas mostram que a maioria dos americanos estão pelo menos um pouco preocupados com o aquecimento global. Mas as pessoas geralmente não entendem que o problema é urgente – que o destino das gerações futuras (não necessariamente tão longes no futuro) está sendo determinado pelos níveis de emissão de gases agora.

Além disso, o cidadão comum tende a pensar que há mais debate científico sobre os conceitos básicos do fenômeno do que realmente existe – o relatório enfatiza que os especialistas chegaram a um consenso: cerca de 97% dos cientistas acham que a mudança climática causada pelo homem está acontecendo.

Não temos todas as respostas. Na verdade, enormes questões permanecem um mistério, e a ciência do aquecimento global implica uma robusta discussão em evolução.

Mas o novo relatório indica, sem medo de ter certeza, que uma série de potenciais consequências do aquecimento planetário estão para acontecer, e é crucial que haja um debate público inteligente sobre o que fazer em seguida.

As previsões mais pessimistas incluem grave escassez de alimentos, já que o aquecimento da Terra faz com que seja mais difícil cultivá-los; uma subida acelerada do mar, que inundaria costas muito rapidamente para a humanidade se ajustar; ondas de calor extremas, secas e inundações, e uma extinção em grande escala de plantas e animais.

Agir ou não agir, eis a questão

Muitas pessoas são ótimas em gerenciar o risco em suas vidas pessoais. É pouco provável que a sua casa queime até o chão, mas você gasta centenas de reais por ano em seguro. A questão de quanto gastar na redução de gases de efeito estufa é, em essência, uma pergunta sobre quão seguros queremos estar contra os piores resultados possíveis.

Os cientistas não podem decidir por nós, mas deixam claro que a redução das emissões, por alguns meios, é a única maneira de reduzir os riscos.

Apenas algumas décadas atrás, a população soube que os clorofluorcarbonos, então comuns em geladeiras, ar condicionados, sprays de cabelo e desodorantes estavam se acumulando no atmosfera e causando buracos na camada de ozônio, gás que nos protege de níveis devastadores da radiação ultravioleta. Conforme a evidência científica desse risco aumentou, o público exigiu ação, e conseguiu um tratado de eliminação gradual dos compostos.

O novo relatório é um reconhecimento entre os cientistas de que suas tentativas bem-intencionadas de transmitir todas as nuances e as incertezas de um campo complexo como o aquecimento global podem ter obscurecido a mensagem central sobre seus riscos. Agora chegou a vez da população de exigir alguma ação, novamente.

Link:Novo relatório deixa claro: estamos em perigo e precisamos parar o aquecimento global.

AGL

Como eu disse no artigo anterior, há mais de 30 anos que eu sei de tudo isso. Tem alguma coisa muito errada com o mundo quando um conhecimento gravíssimo com mais de três décadas de divulgação é reapresentado como novidade e mesmo assim não desperta interesse. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/03/2014

9 thoughts on “CNPND: Novo relatório deixa claro: estamos em perigo e precisamos parar o aquecimento global

  1. Fabiano Golgo

    22/03/2014 — 11:20

    Quando eu entrevistei James Lovelock, pai da hipótese de Gaia, que passou anos chamando a atenção para o problema do aquecimento global, ele disse que já não havia mais o que fazer. Que de nada adianta reciclar, não usarmos mais DDTs e outras coisas que nos acalmam feito placebo. E, no jornal The Independent, ele disse: “o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver”. Ou seja, somente a ciência pode nos salvar. E esses cientistas com prêmio Nobel estão aproveitando para chover no molhado e ganhar viagens para seminários, dinheiro para pesquisas, etc.

    1. Infelizmente a solução para o problema não é técnica, é política. Tecnologia para resolver a bronca nós temos, o que não temos é um conjunto sadio de prioridades e capacidade de decisão e cooperação. Não passamos de um bando de macacos negligentes e egoístas com poder demais de modificar o ambiente nas mãos.

      No artigo “Medidas desesperadas para estabilizar o clima eu listei cinco medidas que, em conjunto, poderiam reverter o quadro. Mas nós ainda estamos discutindo se devemos ou não interferir para evitar genocídios (como no Sudão) e escravizações em massa (como na Coréia do Norte) ou se isso seria “interferir na autodeterminação dos povos” (que absurdo).

      Imagina, com esse quadro de prioridades e com culturas que acham que vaca é sagrada, que fazer charge do Profeta tem que ser punido com a morte e que combatem a isonomia de direitos em função de cor de pele, sexo, orientação sexual, religião e outras formas absurdas de discriminação, se vai haver inteligência, senso de realidade e boa vontade para cooperar e fazer grandes esforços pela “bagatela” de evitar que o planeta se torne inóspito e mate bilhões de pessoas.

      Basta ver o que está acontecendo no Ártico: os países da região já estão disputando a cota de cada um para explorar o petróleo que se tornará acessível em função do derretimento do gelo causado pelo aquecimento global. Que importa se é justamente o combustível fóssil que está causando a maior parte do problema? Enquanto der para lucrar com ele, a cleptocracia mundial vai fazer isso, mesmo que à custa de bilhões de vidas, do colapso da civilização e talvez da extinção da humanidade.

    2. Aliás, olha para o lixo de governo do Brasil e para o evento que está rolando hoje e tira uma base se dá pra contar com os brasileiros para tomar medidas sensatas que exijam a cooperação de todos.

  2. Vai rolar uma exterminação em massa do gado,o topo da piramide vai sobreviver,e quem estiver fora do sistema.

    Dá pra ver que os que sabem se cuidar são os índios e os milionários.

    1. Não existe ninguém “fora do sistema”.

  3. Existe os que estão despertos.

    1. E existem os que pensam que estão despertos.

  4. Esses também,rs.

  5. Fiquei pensando no que é estar desperto para mim.

    No sentido espiritual é saber que caminho seguir e se manter fiel a ele.

    No sentido terreno é saber onde as coisas acontecem,como acontecem,quando acontecem e porque acontecem.

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