Passei dois anos lapidando a configuração do meu computador até ela ficar exatamente do jeito que eu queria… E, quando eu estava realizando uma tarefa crítica de atualização do sistema, que só realizo mais ou menos uma vez a cada dois anos, deu pau no ÚNICO programa que não podia dar pau, justamente o programa que faz a atualização e os reparos no sistema.

PC DESTRUIDO
Dá vontade, mas não adianta nada…

O resultado deste azarão é que vou ter que reinstalar o sistema e provavelmente perder todo o trabalho de dois anos de acertos na configuração, que estava perfeita, com tudo funcionando direitinho, inclusive a acentuação do Esperanto e um driver-gambiarra necessário para controlar as impressoras HP no Linux.

Vou demorar mais de duas semanas para colocar tudo em ordem, porque vários programas terão que ser baixados de novo pela maravilhosa internet a lenha que eu tenho aqui. Calculo umas cinco noites de downloads, mais umas dez noites refazendo downloads quebrados – se tiver sorte. 

Mas vejam o valor da precaução: não perdi meus dados e não vou perder nem sequer um único dos meus arquivos para reinstalar o sistema. Eles estão em uma partição separada do HD, porque eu previ esta possibilidade rara quando instalei o sistema pela primeira vez e tomei as medidas necessárias para lidar com ela caso ela se concretizasse. 

Se eu não tivesse gasto algumas horas para ler a documentação do Linux e planejar uma instalação segura, agora estaria arrancando os cabelos e amaldiçoando injustamente o Linus Torvalds por ter perdido tudo que salvei ao longo de dois anos ao invés de ter que gastar somente algumas horas de trabalho para refazer a configuração perdida. 

Tudo na vida é assim: não é questão de “se” algo vai dar errado, mas de “quando”. Não adianta reclamar da sorte, não adianta ter um discurso preparado para colocar a culpa em alguém e não adianta ter razão. Nada disso altera o modo como o mundo funciona, nada disso altera os fatos.

Esteja preparado ao invés de estar certo. Isso é realista. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/04/2014 

15 thoughts on “O valor da precaução

  1. Por isso arquivos importantes somente na nuvem, pena que vão fechar o ubuntu one, esse maldito sistema sincroniza tudo automaticamente, só logar.

    1. Hmmm… Acho que aí é questão de filosofia pessoal. Eu me sinto mais seguro tendo uma cópia de segurança dos meus arquivos em um dispositivo físico que eu possa carregar para lá e para cá do que se eles estivessem na nuvem.

      O problema da nuvem é que ela também é composta de dispositivos físicos, só que não é minha, não está a meu alcance direto e há crackers do planeta inteiro que estão tentando arrebentar com ela 24/7.

      Ou seja, se por um lado a nuvem tem muito maior segurança que o meu computador pessoal ligado á internet, por outro lado a nuvem é muito mais visada pelo pior tipo de gente que tem acesso ao universo digital.

      Não me entenda mal: não estou dizendo que a nuvem é ruim, nada disso. Estou dizendo que eu me sinto mais seguro tendo cópias em dispositivos que eu guardo onde quero e que é importante ter cópias de segurança em mais de um dispositivo, qualquer que seja o dispositivo primário utilizado, seja a nuvem, o HD, o pen drive ou qualquer um outro.

      Eu vejo as coisas da seguinte maneira: não é questão de “se” um dia eu vou perder arquivos da nuvem ou do HD ou do pen drive, mas de “quando” eu vou perder estes arquivos. Então, é necessário ter cópias de segurança em mais de um meio.

    2. E, claro, a recomendação de precaução não vale apenas para a segurança dos dados digitais, ela vale para tudo na vida.

  2. Para mim, a nuvem é muito útil para manter material de trabalho, isto é, que uso com frequência, e não backup. Por isso, raramente chego a 1GB de espaço no Dropbox, na maior parte do tempo oscila entre 600 e 700 megas.
    Além da nuvem, mantenho uma atualização constante dessa mesma pasta dropbox no meu pendrive e faço uma atualização mensal em um DVD regravável.

    Falando de backup mesmo, Sinceramente, eu não confio muito em nada que “circule eletricidade”, como HD ou pendrive como principal backup. Prefiro os bons e velhos CDs e DVDs. Faço sempre 2 cópias, uma que eu chamo de “fixa” e outra de manuseio. A fixa eu nem mexo, e só uso para fazer outra cópia, quando a de manuseio já não está tão boa.

    No início, para fazer tudo isso, deu um trabalhão, principalmente organizar os dados de aaaaanos de uso de computador. Depois, é só manter, e fica tranqulo.

    1. E que tal um HD externo portátil? Não seria mais prático?

  3. Eu estava até pensando em colocar linux no meu note para ver se me acostumo. É tão complicado assim configurar?

    1. Não! O Linux é facílimo de configurar!

      Acontece que existem três tipos de distribuições Linux:

      – para desenvolvedores;
      – para testadores;
      – para usuários finais.

      As distros para desenvolvedores não são propriamente distribuições funcionais, são códigos-fonte não compilados que cada desenvolvedor copia, fuça, modifica, compila, testa e redistribui para outros desenvolvedores. Com estas não precisas te preocupar, porque elas não circulam na rede, nem ficam disponíveis para download nos mesmos lugares onde ficam as distribuições para usuários finais. Só estou contando que elas existem por curiosidade.

      As distros para testadores (ou “usuários-kamicase”) são distribuições instáveis, oferecidas para download para quem não tem conhecimento suficiente para desenvolver software mas quer ajudar a desenvolver assim mesmo e tem paciência para aturar travamentos, perdas de arquivos, explosões nucleares e outras catástrofes e enviar os relatórios de erro para os desenvolvedores. Às vezes elas estão nos mesmos repositórios das distribuições para usuários finais, mas sempre contém um aviso claro de que são distribuições de teste, só para quem tem nervos de aço.

      As distros para usuários finais em geral são estáveis, a maioria delas costuma detectar todo o hardware de modo automático e se auto-configuram automaticamente, sem complicações. Algumas delas têm umas frescuras e exigem que o usuário as configure “na unha” (exigem algum conhecimento), sendo usadas principalmente pelos técnicos em informática, mas a maioria das mais conhecidas é bastante amigável ao usuário leigo.

      A minha distro era uma destas últimas, mega-amigável para o usuário final, mas… (TINHA QUE ter um “mas”, né?)

      Acontece que eu decidi acrescentar diversos programas de distros de teste no meu notebook. Ou seja, eu peguei uma distro estável e instalei algumas minas terrestres, granadas, morteiros, lança-mísseis e lança-chamas nela, pelo simples prazer de brincar, testar e ás vezes mandar um relatório para os desenvolvedores para ajudar a desenvolver os softwares que eu uso. POR ISSO eu detonei a minha instalação anterior de modo irrecuperável.

      A atual é uma instalação padrão. Demorei para configurá-la porque fui instalando algumas coisinhas extras aqui, outras ali, instalando um programa que faz isso, outro que faz aquilo, depois desinstalando e instalando um programa alternativo para ver qual era o melhor, aí ás vezes voltei ao anterior… Coisa de quem gosta de fuçar, mesmo. O usuário médio não faz nem um vigésimo da bagunça que eu faço nos meus computadores.

      Atualmente eu recomendo usar a última Kubuntu LTS.

      A distro-base é a Ubuntu.

      A Kubuntu é a Ubuntu com o ambiente K ao invés do Unity, que é o padrão atual. Eu abandonei a Ubuntu quando eles trocaram o ambiente Gnome pelo Unity.

      LTS é a distro long-term-service, que é preparada para durar bastante no mercado e tem 4 anos de suporte. A última LTS é a 12-04. (Ano 2012 – mês de abril.)

      Põe ela em uma partição do HD (terás que criar a partição antes, mas isso o programa de instalação te ajudará a fazer) e testa. Qualquer coisa, pergunta. 🙂

  4. Ah, e claro: semana retrasada roubaram meu note (de dentro do estacionamento do Zaffari, muita atenção para quem deixa coisas dentro do carro achando que está seguro), e acendi três velas pro Santo Dropbox de 45 giga por ter salvado to-da minha documentação na véspera de auditoria na minha empresa…
    O servidor da nuvem ainda é menos fácil de perder do que qualquer coisa que eu confie à minha cabeça oca.

    1. Bom, cada um tem que usar a estratégia que for melhor para si. 🙂 Como minha internet é a lenha (3G), a nuvem para mim não é prática.

  5. Era a intenção colocar o Ubuntu numa partição, mas meu antigo noti (um ultrabook samsung) nao bootava nem a pau do pen drive com a instalação (e eu tentei de tudo q eh jeito apontar ele na bios). Quando eu comecei a fuçar para ver como contornar o problema, vi que esse boot acelerado que os ultrabooks tem sabota a instalação do linux, bla bla não entendi mais nada e desisti… Se tu souber contornar isso e tiver saco de explicar, te agradeço.

    1. Peraí, para que bootar do pen drive? Por que não pegar um Kubuntu, instala no HD, boota pelo GRUB e pronto? Querendo bootar pelo pen drive, aqui é só pressionar F2 ou F12 (depois vejo qual) durante o boot que ele pergunta se quer bootar por aqui ou por ali (desde que a mídia já esteja inserida). Isso não funciona aí?

  6. “Por que não pegar um Kubuntu, instala no HD, boota pelo GRUB e pronto” = 我明白了什麼, kkkk… explica para dummies!
    Como é um ultrabook, eu não vejo como instalar no hd sem ser por pen drive, e eu não sei fazer isso sem dar boot no pen drive! E, eu tentei sim inciar o ubuntu com o pen drive a partir do windows com o arquivo de instalação, mas é evidente que foi um fracasso..
    Ah, e do boot não funciona assim pra mim, ele nem pede opção pq cai direto no windows 8. Entro na bios e aponto o pen drive e ele insiste em cair no windows 8.
    Eu fiquei muito p da vida porque tive que comprar uma licença do windows pra firma. Por mim eu varria windows de lá, mas meu conhecimento técnico pra fazer isso é limitado.

    1. Pois é, estou vendo que um ultrabook não é simplesmente um modelo de notebook. 🙁 Não conheço as características desse bicho. Temo que terás que marchar com uma grana para um técnico te dizer o que pode ser feito.

  7. Me chamem de neurótica… aceito bem!
    Trabalho 85% do tempo via web.
    Preciso manter arquivos concisos de cada trabalho meu.
    E não dou chance pro azar:
    – Possuo em casa 1 servidor, tudo que é digitado nos laptops, é automaticamente salvo no servidor.
    – Faço backup a cada dois dias.
    – o backup é feito em duas midias distintas, uma fica no escritório, outra em local não divulgado.
    – diariamente, TODOS os arquivos sobem pra “nuvem”
    – semanalmente limpo a “nuvem”.
    – quinzenalmente limpo os arquivos físicos.
    – mensalmente checo se todo o necessário está salvo. O que virou lixo, é descartado.

    Dá um mega trabalho. Mas prefiro pagar alguém pra fazer outras coisas, e cuidar eu mesma disso.
    Se daqui 10 anos me envolvo em um processo, tenho TODA documentação, arquivada, separada e organizada.

    Não importa ONDE esteja guardado. Documento, é sempre documento.
    E cuido dos meus como se fossem ouro!!!!
    Neurótica??? SIM!!!

    1. Estou vendo. 🙂

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: