A única certeza da vida acaba de chegar para uma amiga minha. Ela foi sepultada ontem e eu não pude estar presente. Eu não a via há muito tempo. Tinha mal de Alzheimer. Não sei se me reconheceria nos últimos anos. E jamais descobrirei. 

saudade

Logo antes da minha última mudança, há pouco mais de um mês, encontrei um poema que ela havia me dedicado no final da década de 1980. Lembrança comovente de sua lucidez e perspicácia e também de nossa amizade. Coloquei-o em uma prancheta, protegido por diversas folhas em branco, para que não se rasgasse ou amassasse. 

Hoje, ao tomar conhecimento de seu falecimento, procurei o poema para reler. Não o encontrei. Encontrei a prancheta, as folhas em branco estão aqui, mas a folha com o poema sumiu. 

Nossas vidas são versos escritos na areia. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/05/2014 

7 thoughts on “O tempo é o vento

  1. Mateus Folador (Fola)

    09/05/2014 — 14:57

    Meus pêsames, Arthur.

    Meu avô também morreu de mal de Alzheimer, há uns quatro anos atrás, sei como é isso.

  2. Que triste, Arthur. Meus pêsames. A vida é assim, mas saber disso não ajuda muito.

  3. Meus sentimentos, Arthur.
    :/

  4. Força, Arthur.
    :/

  5. Fábio Leite

    14/05/2014 — 00:58

    Existe alguma pesquisa científica séria buscando a cura desse mal? Meu avô paterno teve Alzheimer e há chances de que eu padeça disso quando passar do Cabo da Boa Esperança.

    Sim, sou egoísta. 😛

    1. Pesquisa existe bastante. Progresso existe algum. Mas estamos longe de uma cura ainda.

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