A legalização de todas as drogas recreativas é um imperativo tanto sob o ponto de vista dos Direitos Humanos quanto da racionalidade administrativa. Primeiro, porque a proibição das drogas recreativas viola o direito à privacidade e à autodeterminação das pessoas. Segundo, porque se trata de uma intervenção indevida, autoritária e contraproducente (ou seja, provoca o efeito contrário a seus objetivos declarados): esta é hoje a principal causa de violência e o principal estímulo à criminalidade em todo o mundo ocidental. 

Alguém fumando maconha
Você e todo e qualquer cidadão devem ter acesso à informação técnica adequada e o direito de decidir de modo autônomo se o consumo de qualquer substância é do seu interesse ou não. Ninguém pode decidir por você, nem você por outrem.

Meu amigo Bruno Ferreira Porto postou no Facebook uma notícia sobre a provável legalização da maconha em oito países depois da iniciativa pioneira do Uruguai. Isso deu início ao seguinte diálogo: 

Helio Monteiro: O primeiro que levantar a bandeira da legalização da maconha traficante mete bala… 

Bruno Ferreira Porto: Traficantes são os de menos, afinal, se desse tanto dinheiro assim no varejo eles não ficariam nas favelas. Quem lucra mesmo são políticos, que controlam o atacado (caixa dois, campanha, destino típico do dinheiro do tráfico de álcool durante a lei seca americana) e policiais corruptos que negociam pontos de vendas e armas.

Inclusive, sempre acho suspeito um policial que é contra a legalização. Tudo bem ser a favor de se cumprir a lei, eu espero isso ele um bom policial, mas defender uma guerra onde ele tá na linha de frente então só pode estar ganhando um por fora.

Arthur Golgo Lucas: Ou isso é estupidez mesmo, Bruno. 

Arthur Golgo Lucas: Não existe medida mais importante para reduzir a violência no mundo ocidental hoje do que a legalização das drogas. De todas as drogas. 

Bruno Ferreira Porto: Pois é, e a maioria das pessoas ainda fica presa no discurso de que se faz mal pro indivíduo não pode legalizar…. Como se isso fosse argumento pra proibir qualquer coisa… É não adianta explicar que morre muito mais gente tentando impedir o comércio do que usando, que se gasta muito mais dinheiro assim…. Nada disso convence, mesmo pessoas que eu conheço e julgo inteligentes ficam patinando. O impacto na sociedade seria gigantesco pois vai tirar 300 bilhões por ano da mão de corruptos… O comércio ilegal apodrece todas as esferas da sociedade. Enquanto as drogas em si prejudicam meia dúzia de gatos pingados (uma fração dos que viciam, que são uma fração dos que abusam que são uma fração dos que usam…..).

Qualquer um sabe que se multiplicar três números muito pequenos (fração x fração x fração) no final se tem um número ridiculamente pequeno…. Que são os gatos pingados que a lei diz que tenta proteger…. Isso que não consigo entender: uma política que visa proteger meia dúzia de gatos pingados de ações que só prejudicam a eles mesmos.

No fim essa política caga a vida de um número incalculável de pessoas, custa uma montanha de dinheiro público, não tem impacto nenhum (como era de esperar pois tenta legislar sobre decisões individuais) e mesmo essas pessoas prejudicadas defendem a manutenção da mesma.

Não entendo…… 

Gerson Bouzin: Tenho dúvida quanto à legalização de “todas as drogas”. Não quanto à maconha. Ainda espero os argumentos do Sr Arthur Golgo Lucas pró “todas”. 

Bruno Ferreira Porto: Gerson, basicamente quanto mais perigosa uma substância maiores são as razões para se legalizar e controlar. Legalizar não implica em necessariamente liberar para uso recreativo. Os opiáceos por exemplo são legais, usados apenas na medicina pois o uso recreativo é realmente muito perigoso. Então tem sim que se CONTROLAR todas as drogas. Nas mãos de criminosos que controle que existe? Todo dia passam crianças na frente de casa fumando maconha, nunca vi eles portando álcool. Isso por que normalmente quem vende álcool é gente honesta e não criminosos.

Acha que algum traficante liga se a pessoa que tá comprando tem 8 anos? 

Arthur Golgo Lucas: Gerson e Bruno, eu sou mais liberal que o Bruno. Quando eu falo em legalizar, estou pensando em tornar acessível por meios legais, sem parecer de terceiros e sem muita burocracia. Meu objetivo é eliminar o tráfico – qualquer tipo de tráfico, inclusive o tráfico com receita, que é imenso.

O “controle” que tem que haver é SABER quanto de cada substância está sendo consumida por quem, quando, onde e como, para então pensarmos em estratégias de “combate” não repressivo, ou pelo menos não universalmente repressivo, direcionando o uso para tempos, locais e modos menos danosos.

Por exemplo, poderia ser proibido consumir em via pública, mas não em ambientes privados (é apenas um exemplo a ser estudado). Ou poderia ser permitido o uso em drogódromos dos quais o sujeito só pode sair sóbrio ou sob a responsabilidade de um tutor sóbrio. As possibilidades são muitas, deveríamos ser criativos, estudar e adotar um conjunto diverso e que permita a maior liberdade com a maior segurança.

O que não podemos fazer é proibir, porque proibir, além de violar um direito fundamental – o direito de o cidadão se ferrar do jeito que bem entender, desde que não carregue ninguém junto – simplesmente não funciona. É só olhar em volta. Hoje as drogas são quase todas ou proibidas ou controladas. O uso cessou, ou está sob controle? Nem uma coisa, nem outra. Nem aqui, nem nos EUA (país que gasta bilhões de dólares anuais em repressão), nem nos países onde o tráfico acarreta pena de morte. Como vamos aumentar ainda mais a repressão? Torturando os usuários flagrados consumindo drogas até a morte num reality show que passe na sessão da tarde?

Maconha no boteco, cocaína na farmácia. Sem receita, mas com controle estatístico. E aí, quando tivermos um perfil claro do uso destas substâncias no país, políticas de prevenção e de redução de danos. 

Arthur Golgo Lucas: (*) Destas e de todas as outras substâncias de uso recreativo. 

Gerson Bouzin: O Arthur Golgo Lucas arrumou outro chato que não consigo refutar. Me incomoda mas não encontro falhas. Grrrrrrrrrr! Agora tenho que aturar dois. Bem vindo, Bruno! 😛 

Arthur Golgo Lucas: De chato em chato o iluminismo enche o papo. 🙂 Mas temos que fazer uma macumba forte para atrair o Adonai Sant’Anna para a confraria. 🙂 

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Para quem estava esperando uma conclusão estruturada, desta vez não é o caso. O objetivo deste artigo é reacender este importante debate. 

A conversa no Facebook parou por ali, mas deixou no ar excelentes tópicos para aprofundamento. Comente aqui no blog para que tenhamos todos os argumentos em um mesmo local. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 28/05/2014 

Atualização a 13/08/2015

Preciso deixar algo bem claro para não haver más interpretações. Quando eu disse “O ‘controle’ que tem que haver é SABER quanto de cada substância está sendo consumida por quem, quando, onde e como, para então pensarmos em estratégias de ‘combate’ não repressivo, ou pelo menos não universalmente repressivo, direcionando o uso para tempos, locais e modos menos danosos.”, eu não estava pensando em nem me referindo a saber “quem” no sentido de saber a identidade de cada usuário, mas no sentido conhecer o perfil dos usuários: sexo, idade, estado civil, estrutura familiar, escolaridade, poder aquisitivo, região em que vive, essas coisas, para poder planejar políticas públicas com base na realidade e não em achismos e suposições. Já fui favorável a fazer um cadastro, em uma época de maior ingenuiodade, mas felizmente abri os olhos e mudei de posição em defesa da privacidade e da segurança perante o Estado. 

48 thoughts on “Diálogo sobre a legalização de todas as drogas

  1. Fabiano Golgo

    28/05/2014 — 12:53

    Em Portugal, TODAS as drogas são liberadas há 12 anos. Ninguém fala sobre isso aqui no Brasil. http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1837101

    1. E na República Tcheca, como é?

  2. Fabiano Golgo

    28/05/2014 — 13:02

    E não tem q ter controle algum sobre quanto ou quem consome! Desde quando o que eu coloco no meu corpo é questão de Estado? O q pode ser regulado é o q eu não posso fazer sob a influência, por exemplo, de um Lexotan ou álcool: dirigir e trabalhar, provavelmente nada mais. Pode-se exigir q sob influência de maconha ou heroína eu não dirija, mas assim como o Estado não tem o direito de “saber” ou regular quanta gordura ou açúcar eu consumo, o mesmo se aplica às drogas. Eu tenho o direito de ingerir Q-Boa se assim desejar. A balela de que os contribuintes pagam pelo tratamento das doenças e emergências dos drogados é ilógica, já que pagamos também para os que abusam de gordura, café, álcool, etc. Tem gente viciada em futebol, em sexo, em cerveja, em selos, em brigas, em maconha, em cocaína, crack, heroína, em novelas, em Justin Bieber. Tudo isso é problema de foro íntimo, não cabe aos meus conterrâneos decidirem o q eu faço com meu corpo. Diga-se de passagem, essa lógica reguladora de hábitos pessoais de adultos já levou à criminalização da minha liberdade de comer uma bunda e beijar um homem. Portanto, abaixo o direito de vocês de regularem meu corpo, inclusive os órgãos internos.

    1. Peraí… SABER o quanto é consumido e em que situações, desde que de modo estatístico e não personalizado, é BOM. Permite que o Estado promova ações de redução de danos que fazem bem para todo mundo.

  3. Fabiano Golgo

    28/05/2014 — 13:12

    Acho medieval essa ideia de que se possa proibir o consumo em público. Uma pessoa pode sentar com uma cerveja na beira da calçada, tomar uma pinga em bar aberto, mas fumar um baseado não? Ora, q hipocrisia. Uma pessoa pode tomar um calmante no ônibus ou fumar um cigarro na parada, mas eu não posso fumar um baseado? Q ridículo. E se o argumento for q, ao fumar maconha em público, estarei colocando pobres criancinhas em risco, cultivando um exemplo indesejável, esses mesmos argumentos eram e são usados para considerar indesejável q eu beije meu namorado ou ande de mãos dadas quando desejar. Só q nenhuma criancinha aprende ou resolve querer ser gay por ver um casal de bichas, bem como ninguém sai a fazer drogas porque viu nas ruas, senão todos os paulistas já estariam caídos no crack. O q a criança aprende, ao ver um casal gay desde sempre, é a não discriminar, pois considera normal. O mesmo acontece com as drogas, q apesar de todas as décadas de repressão, nunca deixaram de ser consumidas. Eis que é normal do ser humano buscar substâncias q mudem seu estado mental. Sempre foi assim, desde as cavernas.

    1. Bem… Existem coisas que se pode fazer em público e coisas que não se pode fazer em público – e ninguém contesta que haja legislação a este respeito para que certos abusos não ocorram. Então, não vejo problema na existência em si desta legislação, o problema é encontrar o equilíbrio correto.

  4. Opa! Que honra ver um dialogo meu por aqui 😀
    Pena que não aparece um contra aqui pra poder dichavar hahahaha.

    Bom pra enriquecer o debate eu recomendo este documento, que trata da maioria dos mitos imbecis usados como “argumentos” pelos que são contra:
    http://igarape.org.br/wp-content/themes/igarape_v2/penselivre/penselivre_mitos.pdf

    E queria sugerir olharem estes dois links:

    O Blog de Maringá (minha cidade natal) de um cara totalmente contra a maconha que vira e mexe eu pinto por lá pra falar umas verdades:
    http://blogs.odiario.com/edsonlima/2014/05/26/maconha-na-marcha/

    E essa noticia de Maringá onde junto com uma super operação pra prender um bando de varejista de bosta prenderam também dois estudantes com uma estufinha minuscula como se fossem traficantes:

    Nesse eu debato com o “famoso” Fahur, um PM que aparece em um video – BEM LOCO DE PÓ na minha opinião, depois de fazer uma grande apreensão de cocaína.
    http://maringa.odiario.com/policia/noticia/829378/policia-prende-8-acusados-de-trafico-e-acha-plantacao-de-maconha/#ad-image-0

    O vídeo que eu comento, veja se não parece que ele ta totalmente loco de pó de tão agitado que está?

    1. Bruno, valeu! Vou conferir todos os links! Teu comentário tinha ficado preso na fila de moderação por causa do número de links e só vi agora. Se isso acontecer de novo, avisa no Facebook ou no formulário de Contato.

  5. Bom, não entrei no debate pra concluir nada, mas apenas pra por mais lenha na fogueira para pensarmos mais.
    Nunca vi/ouvi falar de um maconheiro meter uma bala na cabeça de alguém pra comprar maconha. Também nunca vi/ouvi falar de um alcoólatra fazer o mesmo pra comprar pinga. Nem mesmo tabagistas ou viciados em “tarja preta” fazerem isso.
    Mas vejo/ouço isso, todos os dias com viciados em crack. A droga os torna doentes (se duvida, digite “apunhala a criança” no youtube).
    Mas….
    Também vejo, todos os dias pessoas levarem bala na cabeça por um celular, tênis, carro, 50 reais….
    E não tem desculpa de drogas pra “amenizar” o crime – como se amenizasse.
    Sou a favor da legalização das drogas, mas admito que tenho sérias preocupações em liberar drogas como o crack. Existe muita violência sem drogas, como o crack, serem legalizadas. Será que aumentaria ou diminuiria a violência?
    Honestamente, estou pouco me lixando pros usuários – cada um sabe o que faz.
    Me preocupo com a segurança e o bem estar da sociedade como um todo.
    Afinal, não temos que pagar com a vida por uma escolha de terceiros, certo?
    Como meu intuito é debater e não empurrar goela abaixo um ponto de vista, pergunto se alguém teria uma solução (cabivel, pé-no-chão, dentro de nossa realidade) pra esse ponto.

    1. Eu acho que seria uma ótima idéia adotar um programa semelhante ao da Holanda para a heroína. Ver artigo seguinte.

  6. Qualquer país do mundo possuem em suas farmácias um grupo de remédios que só podem ser vendidos com receitas assinadas por médicos registrados. São no Brasil os tarjas pretas. Aqui no Reino Unido há os prescription medicines, sem a “prescription” você não pode comprá-los. E o motivo para isso é óbvio, os danos colaterais à saúde. E os meus direitos humanos? Uma pessoa saudável não vai pedir para receber uma sessão que radio-terapia (usada no tratamento de câncer) só porque você tem o direito de tê-lo. Da mesma forma como existem remédios controlados, as drogas “recreativas” também devem ser controladas. Afinal de contas, ninguém poderá defender que heroína faz bem à saúde, ou que o crack pode curar câncer (ou qualquer outra enfermidade que seja).

    Eu concordo com a legalização de determinadas drogas, maconha, por exemplo, extasy, talvez. Assim como o álcool ou aspirina, em excesso elas provocam determinados danos, mas o usuário pode se controlar. Já as drogas mais pesadas deveriam ser tratadas como remédios de tarja preta e não podem ser vendidas abertamente ao público.

    Sociedade livre não significa que o indivíduo pode simplesmente se matar aos poucos à custa da sociedade. Aliás, o exercício de se matar aos poucos é oneroso e a sociedade como um todo tem de bancar a conta (hospitais, polícia, tratamento de drogados, etc…). Se você quiser se matar, tem todo meu apoio, mas se mate de uma vez que é para não dar trabalho aos que ficam. E não se mate no meu tapete, que lavanderia não é barata!

    Um outro ponto a se considerar é a consequência do drogado, ele pode causar dano a outros membros da sociedade, causar danos ao patrimônio público ou mesmo morte. Então, um indivíduo pode ser livre desde que ele não possua capacidade de causar danos a outro indivíduo. Por esse mesmo motivo eu sou contra a legalização de armas de fogo, drogas pesadas etc…

    1. Pega a foice, Emerson! 🙂 Ou o cutelo. 😛

      Sim, eu sei que existem medicamentos que só podem ser vendidos com receita. Isso está errado. Ninguém deve precisar da autorização de outrem para adquirir a substância que bem entender. A única exceção PARCIAL devem ser os antibióticos, dado que o consumo inadequado de antibióticos interfere na saúde de terceiros.

      Por que eu não poderia me arrebventar metendo quimioterápicos para dentro das minhas veias por puro prazer se eu assim o desejasse? Desde que eu não prejudicasse ninguém no processo, qual o problema?

      Analisando especificamente o argumento do custo, que é justo, o fato é que “a sociedade como um todo” paga uma conta muito mais cara em função da proibição do que pagaria em função da legalização ampla e bem regulamentada. Há estatísticas que demonstram isso de maneira farta.

      Para terminar, o indivíduo só pode ser livre se ele puder causar danos a si mesmo e aos demais e OPTAR por não fazer isso. Não há liberdade sem a possibilidade de fazer o mal, de cometer erros e de ser responsabilizado por suas ações. E justamente por isso é necessário que as pessoas honestas tenham a possibilidade de se defenderem de modo eficaz de eventuais infratores ou malucos – o que significa poder portar armas de fogo.

  7. Naty,

    Crack É COCAÍNA – Basicamente é a cocaína a um passo da purificação. Se a cocaína for legalizada quem que vai querer crack??? Hoje temos vinho, e temos álcool de posto – quantas pessoas você conhece que preferem álcool de posto ao vinho?

    O crack sempre existiu, mas nunca tinha sido um produto rentável aos traficantes – de acordo com a própria policia federal foi o sucesso na repressão dos produtos usados no refino final da cocaína que fizeram o crack ser um produto economicamente viável.

    E tem que ver o seguinte, mesmo entre os usuários de crack ainda é uma minoria os que viciam – os viciados que você vê representam uns 15% do total de usuários. E tem que entender também que não a droga que os colocou naquela condição e sim a condição deles que os colocou naquela droga. Um texto para se ler é esse, em quadrinhos, sobre um experimento sobre heroína:

    http://www.stuartmcmillen.com/comics_pt/ratolandia/

    Não era a heoroina que deixava os ratos naquele estado, e sim a gaiola.

    1. Bem lembrado. Vou postar a Ratolândia no Pensar Não Dói.

  8. Olá Bruno,
    Sim o crack tem como base a cocaína. Cocaína também deixa as pessoas completamente fora de si – apesar de nem tanto qto o crack.
    Me desculpe, mas esse argumento que o meio transformou a pessoa em viciado não me convence. E os 15% dos que viciam, podem sim se transformar em um problema se todas as drogas forem totalmente liberadas.
    Mas meu questionamento não é esse. Indiferente de qual droga pesada a pessoa se viciou, crack, heroína, cocaína, funk, etc., meu questionamento é: como lidar, com os recursos que temos hoje, com os indivíduos que se tornam um perigo pra socidade sem honerar a própria socidade e sem ferir os direitos do indivíduo?

    1. Naty, o meio não é 100% culpado, mas é muito culpado.

      Onde existe maior percentual de viciados em crack, entre os moradores de condomínios de luxo ou entre os moradores de favelas?

      Nos dois casos existem usuários, mas em um dos casos o percentual de usuários por habitante é maior.

    2. Quanto a “os 15% dos que viciam, podem sim se transformar em um problema se todas as drogas forem totalmente liberadas”, ei, olha em volta! Eles já são um problema. A legalização serve justamente para trazer o problema para um terreno em que ele é melhor gerenciável, o terreno da legalidade, da não-violência, da redução de danos e até mesmo dos programas de distribuição gratuita.

      Não existe um único modo de lidar com a questão das drogas que não exija gastar algum dinheiro. Mas a proibição é o pior de todos, o que nos faz gastar mais dinheiro.

    3. Arthur e Bruno,
      Obrigada pelo esclarecimento. Cometi um grande equívoco com relação ao termo “meio”. Assumi que se tratava do meio social, e não a situação do indivíduo, e entendo que o “meio social” apenas faz parte de Toda uma situação que, neste caso, pode sim facilitar, influenciar, “empurrar” para o uso. O crack, em comparação com as demais, é uma droga barata e de fácil acesso, o que piora ainda mais essa situação.
      Admito também que os “junkies” que conheci eram, em grande maioria, “filhinhos de papai” e seus únicos argumentos para o uso eram sua própria determinação (e, mesmo assim, causaram problemas imensos, desestruturaram a família e alguns, quando não mais bancados pela família, partiram pro crime – mesmo com papai se propondo a pagar a clínica).
      Enfim, uma situação completamente diferente da questão colocada por vocês.
      Sem mais meretíssimo! rsrsrs

  9. Aplicando as leis que já existem. Não porque você bebeu que não vai ter que arcar com os custos dos danos que causa. A lei só serve para punir depois que o fato já aconteceu e não consegue impedir ninguém de fazer nada. Eu mesmo poderia matar alguém AGORA pegando um estabilizador e esmagando um cranio qualquer – a lei não me impediria mas eu teria que arcar com as consequências depoos. Com drogas então achar que é a lei que impede as pessoas de usarem é uma ilusão.

    Se todas as drogas forem totalmente liberadas não haverá explosão de consumo: quem quer usar já usa. Quem não quer usar não vai magicamente se sentir atraído. Portugal descriminalizou todas as drogas a mais de dez anos e a consequência foi a redução do consumo – por mais contra intuitivo que possa parecer.

    A grande diferença é que se o consumo for a olhos vistos diminuem as chances de problemas. Por exemplo o álcool – quando um parente/amigo começa abusar fica evidente a todos – todos começam a conversar, fazer cara feia ao mal habito… o que for. Mas isso pode inibir um possível futuro viciado de causar problemas. Mas com as drogas ilegais as pessoas usam escondido – e quando chegam ao ponto de viciarem já é tarde demais.

    E sim, o meio é fator fundamental para desencadear o vício em pessoas que não tem predisposição genética – se o meio não pressiona somente os com predisposição irão viciar – e isso não significa que irão causar problemas. Pois é uma fração que vicia, desses é uma fração que tem problemas sociais (tem pessoas que viciam e não chegam a parar de trabalhar ou viver socialmente, dependendo da droga) e desses que tem problemas apenas uma fração é problemática e perigosa como você teme.

    Estes estão todos aí, independente da lei, quem quer usar já usa. Eu mesmo se quiser fumar maconha a vontade não preciso andar 15 metros da porta de casa, mais fácil que comprar pão ou cerveja.

    1. Naty e Bruno, pra conversarem assim usem o comando “Reply” e a conversa continua na mesma sequência, como estou fazendo com esse comentário do Bruno.

      E concordo com o Bruno, regular é muito melhor que mandar pra moita. Vai haver problemas com a legalização de drogas? Claro! A questão é se a situação geral vai melhorar. E me parece que vai.

      Vou responder aqui a questão da Naty sobre o crack pra não quebrar a conversa de vocês: acho que com as características dele, o melhor seria distribui-lo gratuitamente na rede pública mediante cadastramento e tratamento (visando a desintoxicação ou substituição pela maconha). No mínimo enfraqueceria o tráfico, diminuiria os danos aos viciados (pra crack eu não digo usuário) pela melhor qualidade do produto e acompanhamento médico e reduziria os crimes pra conseguir dinheiro pra droga.

      Não é um esquema perfeito, mas me parece mais funcional que o atual.

    2. Olá Gerson, Obrigada pela dica, não havia me atentado para o comando Reply disponível! 😉
      Voltando ao tópico, era exatemente disso que eu estava falando! Meus comentários podem fazer parecer que sou contra a legalização das drogas, mas não sou. Pelo contrário.
      Apenas gostaria de ouvir idéias sobre como legalizá-las de forma adequada à nossa situação atual. E fiquei satisfeita com a argumentação do Gerson B. Ao meu ver, da forma como foi explanado, ao invés de liberação, haveria uma espécie de regulamentação. O usuário/viciado terá a substância disponível para uso, mas mediante um certo controle. Pra mim fez muito sentido. Porque ele iria se voltar para o tráfico, se fosse legalmente distribuído?
      Bruno, entendo o que vc quer dizer. Concordo que não é apenas sob influência de drogas ilícitas que o crime ocorre. Inclusive, escrevi isso em um comentário anterior: existem pessoas que roubam e matam simplesmente porque estão dispostas a isso. Só não acredito que isso sirva de argumento para aumentar o risco.
      Bêbados dão problema. Cheiradores dão problema. Mas honestamente, nunca vi maconheiro dar problema… muito pelo contrário, geralmente são absolutamente tranquilos. Nunca vi tabagistas criarem problemas tb.
      Usei o crack como exemplo, porque sobre essa droga posso dizer que tenho maior conhecimento dos problemas que causam. Por convivência, e não por leituras ou pesquisas.
      Vc tb argumenta que o meio é fator determinante para o consumo, e disso eu discordo. Discordo porque convivi com maconheiros a vida inteira, e não sou adepta da cannabis. Convivi com viciados em crack por muitos anos, e nunca usei. Enfim, estive rodeada por viciados e isso nunca me influenciou em nada. Não sou exceção, existem outros como eu! rs
      Concordo quando vc diz que quem quer usar drogas, já usa: por isso o meio não é determinante, e sim a vontade da pessoa. Se ela quiser, ela irá para o meio e não o contrário.
      Enfim, depois de muito me prolongar, o que eu tentei explicar – e creio que não fui bem sucedida – é que existem drogas que não há problemas em liberar – é até melhor.
      Já outros tipo de drogas, na minha opinião, deveria haver controle sim. Controle, não proibição.

    3. Sobre as três mensagens anteriores: legalizar é necessário, regulamentar de modo inteligente é ainda mais necessário. Cada substância possui uma ação fisiológica diferente e está ligada a uma cultura de uso diferente. O usuário de crack não assiste futebol fumando pedra e o bêbado não bebe sozinho trancado em um motel. É necessário compreender não somente a fisiologia como também a cultura da droga para bem regulamentar a produção, distribuição e uso de cada substância.

  10. E cocaína deixa as pessoas fora de sí?? Olha eu nunca usei, mas ja vi muita gente usando e não é bem assim não – não tem nem como comparar com o álcool…. A única coisa que vi a cocaína fazer é o cara ficar a 10000 por hora mas fora de sí so quando enchia a cara junto que é bem comum.

    A cocaína e o crack deixam fora de si quando o cara já muito viciado tem uma crise de abstinência.

    1. A cocaína altera sim o comportamento. Num primeiro momento deixa a pessoa mais eufórica, mais “segura”, mais corajosa. Num estágio mais avançado, deixa a pessoa mais agressiva e com paranóias. não é a toa que o termo para pessoas no “barato” da cocaína é “trincado”.
      Aliás, como bem colocado por vc, o álcool tem um efeito semelhante, tanto que brincamos com os estágios da bebedeira: bêbado camarada, bêbado feliz, bêbado agressivo, e por fim, bêbado choroso… rsrs.
      Uma diferença, crucial, que vejo é que nunca ouvi falar de alguém que roubou a própria casa pra comprar pinga. Já com cocaína….
      Não tem nada pior do que presenciar uma crise de abstinência severa de drogas pesadas. É preocupante e assustador.
      Fico até feliz em saber que o número de pessoas que viciam a esse ponto é relativamente baixo. Desconhecia essa porcentagem (o que me leva a crer que estive muito mau acompanhada por alguns anos! kkkkk).

    2. Engraçado… Eu não me lembro de ver alguém cheirar cocaína sem beber também. Não que não exista consumo independente, claro, mas há um alto nível de associação entre estas duas drogas.

    3. Sim, Arthur, verdade.
      O consumo, usualmente, é dependente. Mas levando em consideração tudo que foi exposto, a cocaína não é um grande problema. O “cheirador” em crise de abstinência dá trabalho, assim como o alcoólatra, bêbado, também dá. Creio que, neste caso, os problemas e a agressividade partam mais do indivíduo que da substância em si.
      No outro post, consegui vislumbrar uma solução para uma das substâncias que acho mais prejudicial à sociedade (e a solução pode ser aplicada em outras drogas tão nocivas quanto).
      Por isso que gosto do seu blog: com comentários bem fundamentados e respeito, pode-se ampliar a visão e conceber novos pontos de vista.
      Abraços.

  11. Fábio Leite

    30/05/2014 — 10:33

    Eu sou a favor do libera geral. Das drogas, que fique claro. Quem quiser morrer doidão, que morra. Quem quiser começar uma CARREIRA, que comece.

    Só que tem um problemaço: quem, atualmente, são os grandes do mercado das drogas? Quem tem know-how, experiência e contatos, digamos assim, para adquirir insumos, “contratar” gente capacitada para produzir, refinar, distribuir as drogas, e se relacionar com os consumidores? Sim, traficantes barra-pesada infiltrados no governo e/ou participantes de grupos terroristas cheios de assassinos, sequestradores, vagabundos e estupradores como as FARC, o PCC, o CV e cacete a quatro.

    Então, legalizando as drogas, você automaticamente vai legalizar a atuação desses grandes produtores, que são quadrilhas de filhos da pluta que detêm a maior fatia do mercado e os maiores conhecimento e experiência.

    Esse é o meu único porém. Quem me ajudar a refutar consegue meu apoio 100% pra liberar tudo pro pessoal ficar doidão.

    1. Eu acredito que quem ta acostumado com o mercado negro não consegue se estabelecer direito no mercado legal. E se por ventura uma pessoa optar por deixar de ser criminosa e entrar no mercado legal, respeitando as normas e aberta a fiscalização – como isso pode ser ruim?

      Assim que tiver a via legal rapidamente pessoas honestas vão querer entrar no mercado – eu mesmo iria começar a cultivar maconha legalmente se regulamentassem o mercado. E quem usa e gosta não vai preferir comprar “mais barato” (duvido que fique) do traficante do que do honesto. Conhece alguém que gosta de comprar Whisky falsificado de contrabandista só pra pagar mais barato? O povo gosta de mostrar que pagou caro no original!

    2. E liberado geral é o que existe hoje… Vendida até por crianças para crianças dentro de escola – quer mais libera geral que isso?

    3. Eu ia responder ao Fábio Leite o mesmo que o Bruno respondeu. 🙂

  12. “Eu nunca vi ninguém roubar a própria casa para comprar pinga.”

    Eu também nunca vi dono de bar aceitar produtos roubados como forma de pagamento, é justamente o caráter ilegal que favorece esse tipo de comportamento. Traficante aceita!

    “Eu convivi entre drogados e não usei drogas.”
    Isso so mostra o porque o consumo não vai aumentar se regulamentar. Mas não é desse tipo de influência do meio que tô me referindo. Não leu sobre o experimento da ratolandia? Não é o uso do seu lado que te influência e sim a condição de vida de merda de alguém que favorece o ABUSO. Geralmente o abuso de drogas é um sintoma e não uma causa. Os que abusam estão em alguma condição pré existente de fragilidade (seja moral, social ou doença mental mesmo) que favorece o abuso. Por exemplo, se eu tivesse uma vida miserável, não tivesse oportunidades e ainda por cima minha mulher me largasse eu estaria mais propenso a encher a cara com frequência do que seu eu fosse um rico filhinho de papai passeando na Europa. Esse tipo de influência do meio e não a presença de outros drogados……

  13. Arthur, aqui entramos em um debate mais profundo. Você não deixa uma criança de 4 anos tomar uma garrafa de querosene. E o princípio da liberdade do indivíduo não se aplica quando sua filha de 6 anos insite para passar uma noite numa boate. Existe um limite, e esse é da capacidade da criança de discernir determinados valores e riscos. O mesmo se pode ser dito de adultos. É complicado fazer um matuto roceiro compreender os efeitos do prozac. E se ele quiser praticar seu direito de liberdade? Liberdade sem conhecimento ou discernimento dos riscos não é liberdade, é armadilha. Outro ponto relevante é a acessibilidade de menores de idade que, por motivos óbvios, não têm capacidade de ver claramente os riscos de suas ações (por isso são considerados menores de idade).

    1. Concordo contigo em linhas gerais… Mas se por um lado a gente não somente pode como deve proteger um irresponsável (uma criança, um perturbado mental) de sua incapacidade de discernir entre o certo e o errado, eu não vejo a menor possibilidade de fazer o mesmo em relação a quem OUSA exercer o direito de voto, o direito de dirigir um automóvel, o direito de ter um filho.

      Se o cara pode decidir sobre a vida de terceiros, meu camarada, então ele pode e deve decidir sobre a própria vida, sem que ninguém possa interferir, para o bem e para o mal, enquanto ele satisfizer os critérios de autodeterminação que eu costumo citar o tempo todo.

      “Ah, mas ele pode achar que entende de um assunto e não entender na verdade.”

      Sim, pode. Abençoada seleção natural.

      Para quem não gosta da idéia de seleção natural, eu sempre ofereço a idéia de CNHs. É simples: para algumas funções específicas, que o Estado considera ser muito arriscado permitir que os cidadãos tomem decisões desinformadas, porque podem causar muito mal a si mesmos (e portanto à previdência) ou a terceiros, basta exigir uma habilitação prévia para o exercício do direito, desburocratizada, acessível e objetiva.

      A minha idéia é sempre dar ao cidadão a maior liberdade possível, sem prejudicar terceiros.

  14. Oi Arthur!
    Olha só que interessante esse artigo da Superinteressante:

    http://super.abril.com.br/alimentacao/dieta-ciencia-726060.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=facebook&utm_campaign=redesabril_super

    E ainda tem gente que acha que esse discurso de que “se liberar todas as drogas a sociedade vai entrar em colapso” e blá blá blá!!
    Vocês que adoram comer no MacDonalds sempre quando podem,vão se tratar seus viciados!
    Vocês que adoram comer aquela comida da mamãe ou da vovó,avise pra elas que é ilegal traficar comida gostosa kkkkkkkkk

    Mediunidades da hipocrisia nossa de cada dia!

    1. Muito bom o artigo, Alisson! Adorei!

    2. Li e repostei na página do Pensar Não Dói no Facebook.

  15. Arthur,

    O que vc acha da liberação dos anabolizantes para aumento de rendimento nos esportes? de cada 4 atletas olímpicos 3 usam bomba, existem varias formas de burlar o exame, todo mundo sabe disso, e quem paga o pato são os que não usam. Vc acha que se liberasse para todo mundo não tornaria mais equilibrada a disputa.

    Lembrando que esteroides, é um medicamento e pode ser usado perfeitamente com acompanhamento médico. Foi desenvolvido pra pessoas fracas demais e para idosos. Já ouviram em reposição hormonal?

    1. Sou da opinião que deveria haver duas ligas para cada esporte: categoria natureba e categoria livre. E um acompanhamento cuidadoso de ex-atletas de cada liga. Seria muito esclarecedor dos reais efeitos destas substâncias a longo prazo.

      Eu sou totalmente contrário ao controle da venda e do uso de medicamentos ou de quaisquer substâncias, como todo mundo que acompanha o blog sabe. Mas também sou totalmente contrário à proibição de qualquer tipo de organização que tenha objetivos lícitos.

      Uma liga desportiva natureba é um objetivo lícito. Uma liga desportiva de bombadões também é um objetivo lícito. O que deve ser ilícito e super-ultra-mega-punido é declarar uma coisa e concorrer na outra. Aí é fraude. E fraude é crime. Tem que dar cadeia.

  16. Joaquim Salles

    06/08/2014 — 19:02

    Olá Arthur,

    Não sei se viu essa noticia http://blog.comshalom.org/carmadelio/37718-holanda-arrependida-liberacao-maconha-prostituicao-67-populacao-favor-medidas-liberais. Parece que é meio “antiga” contudo levanta alguns pontos que merecem uma analise.

    Abraços

    Joaquim Salles

    1. Joaquim Salles, é melhor ler a reportagem original na qual essa página se baseou:
      http://veja.abril.com.br/050308/p_098.shtml

      As coisas são mais complicadas, tem trechos que apontam as contradições da política “liberal” holandesa, como “A tolerância em relação à maconha, iniciada nos anos 70, criou dois paradoxos. O primeiro decorre do fato de que os bares podem vender até 5 gramas de maconha por consumidor, mas o plantio e a importação da droga continuam proibidos. Ou seja, foi um incentivo ao narcotráfico.”.

      Isso não é liberação com comércio regulado, é uma agenda meia-boca.

    2. Exato, é uma agenda meia-boca… Que está com o meio-de-campo embolado por causa do bloqueio legislativo exercido pela direita holandesa. Eles não admitem fazer a coisa do jeito certo – legalizar a produção – para poderem encher a boca com números falsos de “criminalidade”, chamando de “criminosos” os produtores de maconha para poderem alegar que o crime cresceu com uma política mais liberal, quando na verdade…

      Holanda fecha presídios por falta de presos!

  17. Joaquim Salles

    10/08/2014 — 20:16

    Olá Gerson B,

    Não tinha visto o link que indicou, grato.
    “Isso não é liberação com comércio regulado, é uma agenda meia-boca.” 🙂

  18. Um motivo para ter esperança?

    STF começa a julgar hoje descriminalização do porte de drogas

    (…)
    “Para o ministro Luís Roberto Barroso, além de decidir se é constitucional criminalizar o consumo de maconha, por exemplo, o julgamento poderá avançar na discussão sobre critérios objetivos para distinguir o que caracteriza tráfico e consumo. De acordo com o ministro, a definição não é “um debate juridicamente fácil nem moralmente barato, mas precisa ser feito”.

    “É um debate muito importante e que vai ter uma influência na definição da política de drogas no país. No Brasil, acho que a questão da droga tem que levar em conta, em primeiro lugar, o poder que o tráfico exerce sobre as comunidades carentes e o mal que isso representa, em segundo lugar, um altíssimo índice de encarceramento de pessoas não perigosas decorrente dessa criminalização e, em terceiro, a questão do usuário”, argumenta Barroso.”

    Notícia completa: http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/stf-começa-a-julgar-hoje-descriminalização-do-porte-de-drogas/ar-BBlHGo8?ocid=mailsignoutmd

    1. Acho que o debate já começou mal. O que menos interessa é a realidade do tráfico. Isso é um argumento secundário, que mostra apenas como se piora a situação quando não se respeita o direito fundamental de autodeterminação do indivíduo e se permite que o Estado interfira na vida privada por qualquer motivo que não seja socorro humanitário.

  19. Mais uma (aparentemente) boa notícia:

    México legaliza o uso e cultivo da maconha para fins recreativos

    O México rompeu com seu passado. A Suprema Corte de Justiça da Nação abriu as portas para a legalização da maconha para uso recreativo e sem fins lucrativos. A histórica decisão é um passo gigantesco para um país que durante anos combateu o tráfico de drogas a sangue e fogo. (…)

    http://brasil.elpais.com/brasil/2015/11/04/internacional/1446653691_530264.html

    1. Cada dia mais países vão se dando conta desta necessidade. Será legalizado no Brasil, também. Mais hora, menos hora. Eu só queria que fosse pela consciência de que o Estado não tem o direito de proscrever nada que o cidadão queira consumir, que fosse pela consciência sobre Direitos Humanos, e não pela simples constatação de que o proibicionismo é uma política estúpida que causa muito mais dano do que as drogas em si.

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