Basic English (British American Scientific International Commercial) é uma língua artificial construída por Charles Kay Ogden. Ela tem um núcleo de 850 palavras selecionadas do inglês padrão, que oferece uma grande capacidade de expressão, – a ponto de existir uma versão da Wikipédia em Basic English – e sugere que o domínio de pouco mais de 2.000 palavras é “tudo que o estudante precisa saber” para todas as necessidades práticas do cotidiano. 

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Em princípio as 850 palavras básicas me parecem uma boa seleção para um vocabulário inicial, estando todas elas incluídas nas 1.580 palavras básicas do Voice of America. (Se o Voice of America usa apenas 1.580 palavras, é porque dá pra dar nó em pingo d’água com um vocabulário deste tamanho.) 

Já em relação às regras gramaticais eu não posso opinar, pelo menos não sem primeiro precisar estudar de novo a gramática da língua inglesa por algumas semanas…

Ogden’s rules of grammar for Basic English help people use the 850 words to talk about things and events in a normal way.

  • Form plurals by appending an “S” on the end of the word. Where special rules are normally necessary, such as using “ES” or “IES”, use them.
  • There are two word endings to change each of the 150 adjectives: “-ER” and “-EST”.
  • There are two word endings to change the verb word endings, “-ING” and “-ED”.
  • Form adverbs from qualifiers by adding “-LY”.
  • Talk about amounts with “MORE” and “MOST”. Use and know “-ER” and “-EST”.
  • Give adjectives a negative meaning with “UN-“
  • Form questions with the opposite word order, and with “DO”.
  • Operators and pronouns conjugate as in normal English.
  • Make combined words (compounds) from two nouns (for example “milkman”) or a noun and a directive (“sundown”).
  • Measures, numbers, money, days, months, years, clock time, and international words are in English forms, e.g. Date/Time: 20 May 1972 at 21:00
  • Where necessary, technical expressions or other terms required for the task at hand may be used and take on their local form.

Por isso eu pergunto aos leitores, em especial aos professores de inglês, aos tradutores e aos amigos que moram em países de língua inglesa:

1) Vocês já conheciam este projeto? 

2) As regras acima descritas são um subconjunto das regras do inglês padrão ou apresentam divergências em relação ao inglês padrão?

3) Parece uma boa idéia estudar inglês a partir do Basic English? Por quê? 

A piadinha contida na tirinha, sempre é bom ressaltar, tem duplo sentido: ela tanto mostra a utilidade do Basic English quanto suas limitações. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/06/2014 

9 thoughts on “Pergunta ao Leitor: Basic English

  1. Pelo que eu sei os chinas e japas só precisam saber um número limitado de caracteres ideográficos(no caso do Japão é mais complicado, ainda existem 2 alfabetos lá). Mas acho que restringir o idioma limita muito a linguagem. É muito esquisito.

    Mas e o apoio ao Esperanto como língua simplificada unificadora? Você tá traindo o movimeInto, meu!

    1. Pode ser que pra ler um jornal bastem umas 2000 palavras. É o que ouvi dos idiomas orientais, muitos lá só aprendem isso. É muito difícil aprender ideogramas, e demanda um estudo contínuo. Não é pratico.

      Mas acho que isso impede uma discussão aprofundada sobre vários assuntos. O que tem que ser simples é o idioma, não o vocabulário.

    2. O Esperanto é um idioma simples, com um vocabulário que, se não é “simples”, é simplificado pelo uso dos prefixos e sufixos modificadores. E ainda tem fácil pronúncia e muita clareza. Continua sendo a melhor opção.

      Mas o mundo inteiro opta ativamente pelo inglês, que tem um vocabulário horrivelmente complicado, uma pronúncia enrolada e pouca clareza.

      Planeta dos Macacos.

      E não tem Federação Galáctica para onde emigrar…

  2. Gerson, São 3 alfabetos no Japão, Kanji, Katakana e Iragana.

    1. Danilo, eu escrevi “ainda”porque os Kanji se somam aos dois alfabetos na escrita, mas não são um sistema alfabético. São os caracteres ideográficos a que tinha me referido.

    2. Mais o alfabeto latino, que vai entrando aos poucos com a língua inglesa. Uma salada absurda.

  3. Na verdade o alfabeto latino entrou no japonês com os jesuitas muito tempo atrás, eles chamam de romaji, mas não é tãaaao usado assim.

    Os japoneses pegam os kanji diretamente da china um tempão atrás, Kan referese ao povo de kan(chineses) e ji é o termo que refere-se à escrita. Kanji é o mesmo que “escrita do povo de Kan”. O mesmo como romaji, que seria algo como “escrita dos romanos” ou seja, latino.

    O romaji não costuma se usado muito porque os japoneses gostam de escrever termos estrangeiros em katakana, embora o katakana seja limitado, eles acham que dá pra quebrar um bom galho, então fica por isso mesmo. Geralmente existe algo escrito em katakana significa um extrangeirismo e hiragana para termos em japonês, tudo misturado com muito kanji.

    Escritas japonesas são divididas, obras feitas para adolescentes são geralmente carregadas com somente hiragana(aquela escrita arredondada) e katakana, mas se é uma obra para adultos o número de kanji(tati) aumenta consideravelmente.

    Eu não sei se o inglês diminuído é bacana, minha aproximação do inglês foi leitura convencional, depois de umas cem mil páginas de livros ou coisa assim dá pra pegar um vocabulário razoável eu acho. Mas nunca pensei em estudar algo em forma diminutiva.

    Esperanto tem um problema, é artificial. Pode ser fácil e tudo mais, porém isso não adianta nada se ninguém usa, e sinceramente eu não perderia tempo estudando algo somente porque é simples.
    Complexity for the sake of complexity é ruim mas simplicity for the sake of simplicity não me parece muito útil também.

  4. Arthur, o inglês é extremamente complexo por ter acentuação fonética de 11 a 13%, o inglês é incrivelmente difícil de ser aprendido.

    Tendo dito essa verdade, isso não significa muita coisa quando a galera média, digo, os grandes intelectuais ban, ban ban brasileiros dizem que o inglês “é fácil porque não tem acentos”. Ou seja, por não ter normalmente acentuação gráfica.

    Ou seja, a grande maioria da galera intelectualizada brasileira insiste que o inglês é fácil(mesmo que eles não saibam falar) por motivos puramente ideológicos e que o português é muito mais difícil e “belo” simplesmente por antiamericanismo.

    Pra chegar no ponto de que outra língua é mais fácil como uma suposta língua mundial ainda iria mais 500 anos de debates, isso pra chegar em um ponto que tal debate seja possível. Hoje em dia tentar chegar neste debate é trabalho de Sísifo.

    Isso eu disse no Brasil, mas antiamericanismo é um fenômeno mundial que os soviéticos conseguiram impor.

  5. Puxa, suas perguntas dão uma dissertação de mestrado seguida de uma tese de doutorado, sério mesmo. Quando li o post no feed, pensei na evolução do português, saindo de um latim vulgar, utilizado pelos romanos que se encontravam afastados de Roma, passando pelo galego-português e evoluindo até o que a gente fala aqui hoje. Pelo caminho alguns “neologismos” foram sendo incorporados ao vocabulário sincronicamente, de acordo com as necessidades da sociedade como um todo; vem à cabeça o exemplo “avião”, um galicismo necessário se pensarmos em Santos Dumont etc., que no inglês fica airplane [só a título de curiosidade, em alemão fica Flugzeug – literalmente “coisa que voa”] e é uma aglutinação entre “air” e “plane“, que dá a ideia de, digamos, mexer-se com uma estabilidade relativa pelo ar. Esse exemplo do airplane, aliás, condiz um pouco com a regra de compound proposta na gramática citada no texto. De qualquer forma, esses “neologismos” são criados à medida que a sociedade como um todo evolui, então a todo momento novas palavras são criadas e incorporadas ao vocabulário. Mas creio que isso já é notícia velha.
    O ponto é que talvez – veja bem, talvez, já que é algo a ser provado empiricamente – seja possível, com 850 palavras, dar início ao aprendizado de inglês por meio do vocabulário do Basic English, pois isso daria ao aprendiz a noção necessária de linguística, estruturas morfológicas e algo de gramática para que possa se comunicar de modo mínimo em inglês. Também facilitaria e muito a compreensão de algumas coisas; é mais fácil explicar que um avião é um “ônibus com asas” – que, convenhamos, é o que basicamente é um avião – do que pegar toooooodo o conceito de engenharia por trás da capacidade daquele trambolhão pesado conseguir se manter estável no ar sem cair.

    Pensando em outra coisa aqui, há algo a se considerar também na sincronia das línguas: a questão semântica das palavras. O problema de se estabelecer uma “sublíngua” a partir de uma língua já estabelecida causaria alguns problemas semânticos. Escolher 850 palavras do inglês daria um bocado de trabalho se considerarmos exatamente a mudança semântica que as palavras sofrem ao longo dos anos. Então esse vocabulário teria que ser constantemente revisto e, se fosse o caso, renovado, para que a proposta do Basic English se mantenha.

    Acho que esse comentário ficou um pouco grande e confuso demais, mas como eu disse no começo, isso dá fácil um trabalho de pesquisa de anos, décadas, até.

    Abraços! 🙂

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