A educação no Brasil vista por uma das mais brilhantes mentes do século XX

Richard P. Feynman, nasceu no ano de 1918 no estado de Nova Iorque, nos EUA. Estudou física no M.I.T. e em Princeton, e lecionou em Cornell e no Instituto de Tecnologia da California. Deu importantes contribuições à Física e foi considerado uma das mentes mais criativas de seu tempo. Ganhou o prêmio Nobel em 1965 e faleceu em 1988. Na década de 50 ele viveu e lecionou por quase um ano na cidade do Rio de Janeiro. 

Richard-Feynman

O texto abaixo foi extraído do livro autobiográfico “Deve ser brincadeira, Sr. Feynman!” (título original: “Surely You’re Joking, Mr. Feynman!”), publicado originalmente em 1985, nos Estados Unidos. 

Em relação à educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante. Eu estava dando aulas para um grupo de estudantes que se tornariam professores, uma vez que àquela época não havia muitas oportunidades no Brasil para pessoal qualificado em ciências. Esses estudantes já tinham feito muitos cursos, e esse deveria ser o curso mais avançado em eletricidade e magnetismo – equações de Maxwell, e assim por diante.

Descobri um fenômeno muito estranho: eu podia fazer uma pergunta e os alunos respondiam imediatamente. Mas quando eu fizesse a pergunta de novo – o mesmo assunto e a mesma pergunta, até onde eu conseguia –, eles simplesmente não conseguiam responder! Por exemplo, uma vez eu estava falando sobre luz polarizada e dei a eles alguns filmes polaróide.

O polaróide só passa luz cujo vetor elétrico esteja em uma determinada direção; então expliquei como se pode dizer em qual direção a luz está polarizada, baseando-se em se o polaróide é escuro ou claro.

Primeiro pegamos duas filas de polaróide e giramos até que elas deixassem passar a maior parte da luz. A partir disso, podíamos dizer que as duas fitas estavam admitindo a luz polarizada na mesma direção – o que passou por um pedaço de polaróide também poderia passar pelo outro. Mas, então, perguntei como se poderia dizer a direção absoluta da polarização a partir de um único polaróide.

Eles não faziam a menor idéia.

Eu sabia que havia um pouco de ingenuidade; então dei uma pista: “Olhe a luz refletida da baía lá fora”.

Ninguém disse nada.

Então eu disse: “Vocês já ouviram falar do Ângulo de Brewster?”

– Sim, senhor! O Ângulo de Brewster é o ângulo no qual a luz refletida de um meio com um índice de refração é completamente polarizada.

– E em que direção a luz é polarizada quando é refletida?

– A luz é polarizada perpendicular ao plano de reflexão, senhor.

Mesmo hoje em dia, eu tenho de pensar; eles sabiam fácil! Eles sabiam até a tangente do ângulo igual ao índice!

Eu disse: “Bem?”

Nada ainda. Eles tinham simplesmente me dito que a luz refletida de um meio com um índice, tal como a baía lá fora, era polarizada: eles tinham me dito até em qual direção ela estava polarizada. 

Eu disse: “Olhem a baía lá fora, pelo polaróide. Agora virem o polaróide”.

– “Ah! Está polarizada”!, eles disseram.

Depois de muita investigação, finalmente descobri que os estudantes tinham decorado tudo, mas não sabiam o que queria dizer. Quando eles ouviram “luz que é refletida de um meio com um índice”, eles não sabiam que isso significava um material como a água. Eles não sabiam que a “direção da luz” é a direção na qual você vê alguma coisa quando está olhando, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada havia sido traduzido em palavras que fizessem sentido. Assim, se eu perguntasse: “O que é o Ângulo de Brewster?”, eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu digo: “Observe a água”, nada acontece – eles não têm nada sob o comando “Observe a água”.

Depois participei de uma palestra na faculdade de engenharia. A palestra foi assim: “Dois corpos… são considerados equivalentes… se torques iguais… produzirem… aceleração igual. Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Os estudantes estavam todos sentados lá fazendo anotações e, quando o professor repetia a frase, checavam para ter certeza de que haviam anotado certo. Então eles anotavam a próxima frase, e a outra, e a outra. Eu era o único que sabia que o professor estava falando sobre objetos com o mesmo momento de inércia e era difícil descobrir isso.

Eu não conseguia ver como eles aprenderiam qualquer coisa daquilo. Ele estava falando sobre momentos de inércia, mas não se discutia quão difícil é empurrar uma porta para abrir quando se coloca muito peso do lado de fora, em comparação quando você coloca perto da dobradiça – nada!

Depois da palestra, falei com um estudante: “Vocês fizeram uma porção de anotações – o que vão fazer com elas?”

– Ah, nós as estudamos, ele diz. Nós teremos uma prova.

– E como vai ser a prova?

– Muito fácil. Eu posso dizer agora uma das questões. Ele olha em seu caderno e diz: “Quando dois corpos são equivalentes?” E a resposta é: “Dois corpos são considerados equivalentes se torques iguais produzirem aceleração igual”. Então, você vê, eles podiam passar nas provas, “aprender” essa coisa toda e não saber nada, exceto o que eles tinham decorado.

Então fui a um exame de admissão para a faculdade de engenharia. Era uma prova oral e eu tinha permissão para ouvi-la. Um dos estudantes foi absolutamente fantástico: ele respondeu tudo certinho! Os examinadores perguntaram a ele o que era diamagnetismo e ele respondeu perfeitamente.

Depois eles perguntaram: “Quando a luz chega a um ângulo através de uma lâmina de material com uma determinada espessura, e um certo índice N, o que acontece com a luz?

– Ela aparece paralela a si própria, senhor – deslocada.

– E em quanto ela é deslocada?

– Eu não sei, senhor, mas posso calcular. Então, ele calculou. Ele era muito bom. Mas, a essa época, eu tinha minhas suspeitas.

Depois da prova, fui até esse brilhante jovem e expliquei que eu era dos Estados Unidos e que eu queria fazer algumas perguntas a ele que não afetariam, de forma alguma, os resultados da prova. A primeira pergunta que fiz foi: “Você pode me dar algum exemplo de uma substância diamagnética?” 

– Não.

Aí eu perguntei: “Se esse livro fosse feito de vidro e eu estivesse olhando através dele alguma coisa sobre a mesa, o que aconteceria com a imagem se eu inclinasse o livro?” 

– Ela seria defletida, senhor, em duas vezes o ângulo que o senhor tivesse virado o livro.

Eu disse: “Você não fez confusão com um espelho, fez?”

– Não senhor!

Ele havia acabado de me dizer na prova que a luz seria deslocada, paralela a si própria e, portanto, a imagem se moveria para um lado, mas não seria alterada por ângulo algum. Ele havia até mesmo calculado em quanto ela seria deslocada, mas não percebeu que um pedaço de vidro é um material com um índice e que o cálculo dele se aplicava à minha pergunta.

Dei um curso na faculdade de engenharia sobre métodos matemáticos na física, no qual tentei demonstrar como resolver os problemas por tentativa e erro. É algo que as pessoas geralmente não aprendem; então comecei com alguns exemplos simples para ilustrar o método. Fiquei surpreso porque apenas cerca de um entre cada dez alunos fez a tarefa. Então fiz uma grande preleção sobre realmente ter de tentar e não só ficar sentado me vendo fazer.

Depois da preleção, alguns estudantes formaram uma pequena delegação e vieram até mim, dizendo que eu não havia entendido os antecedentes deles, que eles podiam estudar sem resolver os problemas, que eles já haviam aprendido aritmética e que essa coisa toda estava abaixo do nível deles.

Então continuei a aula e, independente de quão complexo ou obviamente avançado o trabalho estivesse se tornando, eles nunca punham a mão na massa. É claro que eu já havia notado o que acontecia: eles não conseguiam fazer!

Uma outra coisa que nunca consegui que eles fizessem foi perguntas. Por fim, um estudante explicou-me: “Se eu fizer uma pergunta para o senhor durante a palestra, depois todo mundo vai ficar me dizendo: “Por que você está fazendo a gente perder tempo na aula? Nós estamos tentando aprender alguma coisa, e você o está interrompendo, fazendo perguntas”.

Era como um processo de tirar vantagens, no qual ninguém sabe o que está acontecendo e colocam os outros para baixo como se eles realmente soubessem. Eles todos fingem que sabem, e se um estudante faz uma pergunta, admitindo por um momento que as coisas estão confusas, os outros adotam uma atitude de superioridade, agindo como se nada fosse confuso, dizendo àquele estudante que ele está desperdiçando o tempo dos outros.

Expliquei a utilidade de se trabalhar em grupo, para discutir as dúvidas, analisá-las, mas eles também não faziam isso porque estariam deixando cair a máscara se tivessem de perguntar alguma coisa a outra pessoa. Era uma pena! Eles, pessoas inteligentes, faziam todo o trabalho, mas adotaram essa estranha forma de pensar, essa forma esquisita de autopropagar a “educação”, que é inútil, definitivamente inútil!

Ao final do ano acadêmico, os estudantes pediram-me para dar uma palestra sobre minhas experiências com o ensino no Brasil. Na palestra, haveria não só estudantes, mas também professores e oficiais do governo. Assim, prometi que diria o que quisesse. Eles disseram: “É claro. Esse é um país livre”.

Aí eu entrei, levando os livros de física elementar que eles usaram no primeiro ano de faculdade. Eles achavam esses livros bastante bons porque tinham diferentes tipos de letra – negrito para as coisas mais importantes para se decorar, mais claro para as coisas menos importantes, e assim por diante.

Imediatamente, alguém disse: “Você não vai falar sobre o livro, vai? O homem que o escreveu está aqui, e todo mundo acha que esse é um bom livro”.

– Você me prometeu que eu poderia dizer o que quisesse.

O auditório estava cheio. Comecei definindo ciência como um entendimento do comportamento da natureza. Então, perguntei: “Qual um bom motivo para lecionar ciência? É claro que país algum pode considerar-se civilizado a menos que… pá, pá, pá”. Eles estavam todos concordando, porque eu sei que é assim que eles pensam.

Aí eu disse: “Isso, é claro, é absurdo, porque qual o motivo pelo qual temos de nos sentir em pé de igualdade com outro país? Nós temos de fazer as coisas por um bom motivo, uma razão sensata; não apenas porque os outros países fazem”. Depois, falei sobre a utilidade da ciência e sua contribuição para a melhoria da condição humana, e toda essa coisa – eu realmente os provoquei um pouco.

Daí eu disse: “O principal propósito da minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil!”

Eu os vejo se agitar, pensando: “O quê? Nenhuma ciência? Isso é loucura! Nós temos todas essas aulas”.

Então eu digo que uma das primeiras coisas a me chocar quando cheguei ao Brasil foi ver garotos da escola elementar em livrarias, comprando livros de física. Havia tantas crianças aprendendo física no Brasil, começando muito mais cedo do que as crianças nos Estados Unidos, que era estranho que não houvesse muitos físicos no Brasil – por que isso acontece? Há tantas crianças dando duro e não há resultado.

Então eu fiz a analogia com um erudito grego que ama a língua grega, que sabe que em seu país não há muitas crianças estudando grego. Mas ele vem a outro país, onde fica feliz em ver todo mundo estudando grego – mesmo as menores crianças nas escolas elementares. Ele vai ao exame de um estudante que está se formando em grego e pergunta a ele: “Quais as idéias de Sócrates sobre a relação entre a Verdade e a Beleza?” – e o estudante não consegue responder. Então ele pergunta ao estudante: “O que Sócrates disse a Platão no Terceiro Simpósio?” O estudante fica feliz e prossegue: “Disse isso, aquilo, aquilo outro” – ele conta tudo o que Sócrates disse, palavra por palavra, em um grego muito bom. 

Mas, no Terceiro Simpósio, Sócrates estava falando exatamente sobre a relação entre a Verdade e a Beleza!

O que esse erudito grego descobre é que os estudantes em outro país aprendem grego aprendendo primeiro a pronunciar as letras, depois as palavras e então as sentenças e os parágrafos. Eles podem recitar, palavra por palavra, o que Sócrates disse, sem perceber que aquelas palavras gregas realmente significam algo. Para o estudante, elas não passam de sons artificiais. Ninguém jamais as traduziu em palavras que os estudantes possam entender.

Eu disse: “É assim que me parece quando vejo os senhores ensinarem ‘ciência’ para as crianças aqui no Brasil” (Uma pancada, certo?)

Então eu ergui o livro de física elementar que eles estavam usando. “Não são mencionados resultados experimentais em lugar algum desse livro, exceto em um lugar onde há uma bola, descendo um plano inclinado, onde ele diz a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos, e assim por diante. Os números têm erros – ou seja, se você olhar, você pensa que está vendo resultados experimentais, porque os números estão um pouco acima ou um pouco abaixo dos valores teóricos. O livro fala até sobre ter de corrigir os erros experimentais – muito bem. No entanto, uma bola descendo em um plano inclinado, se realmente for feito isso, tem uma inércia para entrar em rotação e, se você fizer a experiência, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária para a rotação da bola. Dessa forma, o único exemplo de ‘resultados’ experimentais é obtido de uma experiência falsa. Ninguém jogou tal bola, ou jamais teriam obtido tais resultados!”

“Descobri mais uma coisa”, eu continuei. “Ao folhear o livro aleatoriamente e ler uma sentença de uma página, posso mostrar qual é o problema – como não há ciência, mas memorização, em todos os casos. Então, tenho coragem o bastante para folhear as páginas agora em frente a este público, colocar meu dedo em uma página, ler e provar para os senhores.”

Eu fiz isso. Brrrrrrrup – coloquei meu dedo e comecei a ler: “Triboluminescência. Triboluminescência é a luz emitida quando os cristais são friccionados…”

Eu disse: “E aí, você teve alguma ciência? Não! Apenas disseram o que uma palavra significa em termos de outras palavras. Não foi dito nada sobre a natureza – quais cristais produzem luz quando você os fricciona, por que eles produzem luz. Alguém viu algum estudante ir para cada e experimentar isso? Ele não pode”. 

“Mas, se em vez disso, estivesse escrito: ‘Quando você pega um torrão de açúcar e o fricciona com um par de alicates no escuro, pode-se ver um clarão azulado. Alguns outros cristais também fazem isso. Ninguém sabe o motivo. O fenômeno é chamado triboluminescência’. Aí alguém vai para casa e tenta. Nesse caso, há uma experiência da natureza.”

Usei aquele exemplo para mostrar a eles, mas não faria qualquer diferença onde eu pusesse meu dedo no livro; era assim em quase toda parte.

Por fim, eu disse que não conseguia entender como alguém podia ser educado neste sistema de autopropagação, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada. “No entanto”, eu disse, “devo estar errado. Há dois estudantes na minha sala que se deram muito bem, e um dos físicos que eu sei que teve sua educação toda no Brasil. Assim, deve ser possível para algumas pessoas achar seu caminho no sistema, ruim como ele é.”

Bem, depois de eu dar minha palestra, o chefe do departamento de educação em ciências levantou e disse: “O Sr. Feynman nos falou algumas coisas que são difíceis de se ouvir, mas parece que ele realmente ama a ciência e foi sincero em suas críticas. Assim sendo, acho que devemos prestar atenção a ele. Eu vim aqui sabendo que temos algumas fraquezas em nosso sistema de educação; o que aprendi é que temos um câncer!” – e sentou-se. 

Isso deu liberdade a outras pessoas para falar, e houve uma grande agitação. Todo mundo estava se levantando e fazendo sugestões. Os estudantes reuniram um comitê para mimeografar as palestras, antecipadamente, e organizaram outros comitês para fazer isso e aquilo. 

Então aconteceu algo que eu não esperava de forma alguma. Um dos estudantes levantou-se e disse: “Eu sou um dos dois estudantes aos quais o Sr. Feynman se referiu ao fim de seu discurso. Eu não estudei no Brasil; eu estudei na Alemanha e acabo de chegar ao Brasil”.

O outro estudante que havia se saído bem em sala de aula tinha algo semelhante a dizer. O Professor que eu havia mencionado levantou-se e disse: “Estudei aqui no Brasil durante a guerra quando, felizmente, todos os professores haviam abandonado a universidade: então aprendi tudo lendo sozinho. Dessa forma, na verdade, não estudei no sistema brasileiro”.

Eu não esperava aquilo. Eu sabia que o sistema era ruim, mas 100 por cento – era terrível!

Uma vez que eu havia ido ao Brasil por um programa patrocinado pelo Governo dos Estados Unidos, o Departamento de Estado pediu-me que escrevesse um relatório sobre minhas experiências no Brasil, e escrevi os principais pontos do discurso que eu havia acabado de fazer.

Mais tarde descobri, por vias secretas, que a reação de alguém no Departamento de Estado foi: “Isso prova como é perigoso mandar alguém tão ingênuo para o Brasil. Pobre rapaz; ele só pode causar problemas. Ele não entendeu os problemas”. Bem pelo contrário! Acho que essa pessoa no Departamento de Estado era ingênua em pensar que, porque viu uma universidade com uma lista de cursos e descrições, era assim que era. 

AGL

Eu escrevi um comentário sobre este texto do Feynman, mas o conjunto ficou longo demais, então vamos primeiro discutir o que ele escreveu e depois postarei o meu comentário na forma de um artigo independente. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 02/07/2014 

40 thoughts on “A educação no Brasil vista por uma das mais brilhantes mentes do século XX

  1. Primeiro, eu não me considero um bom aluno – sou muito preguiçoso para tal. Mas me considero uma pessoa inteligente….

    Mas mesmo assim sempre tinha ido MUITO mal na escola, problemas de concentração, eu divagava demais, tirava muitos zeros (e muitos 10 quando a coisa apertava). Meu problema SEMPRE foi o decoreba…. Eu não consigo decorar nada que não me seja interessante ou de uso prático e todas as provas eram isso: decoreba. Percebi isso quando fiz o ENEM em 1999 (ou 98 não sei ao certo, o primeiro que teve) onde as perguntas eram diferentes de tudo que eu já tinha visto – elas faziam você pensar. Tirei 98!

    O problema se repetiu na universidade – muitos zeros, mas ao mesmo tempo muitos 10 em trabalhos e apresentações orais ou provas práticas. O problema era o mesmo – decorebas – tudo tinha que saber decorado, quem colava passava fácil. Minha realização foi no TCC onde tirei 10 em todos os quesitos e ouvi do diretor que foi meu orientador “Se todos fossem como você, não precisaríamos de provas.” Essa frase me marcou muito pois foi a primeira vez que vi que o problema realmente não era minha preguiça e sim o MÉTODO de ensino.

    A coroação dessa hipótese veio no meu mestrado, onde todos os professores eram russos, e os métodos de avaliação também. Vou explicar como funciona. Primeiro, o professor ficava muito bravo e ofendido se você tentasse decorar alguma coisa – eles repetiam muitas vezes que precisávamos “sentir” o motor, que tínhamos que saber as equações por “instinto” – eu adorei, minha cabeça FUNCIONA EXATAMENTE ASSIM. As provas eram muito interessantes e eram da seguinte forma: Primeiro o professor te dava uma lista extensa (bem mais de 100 questões) uns 15 dias antes da avaliação. Todo mundo resolvia essa lista da forma que quisesse e se quisesse. No dia da “prova” o professor sorteava três questões dessa lista para cada um dos alunos. Cada um tinha de 15 a 20 minutos para preparar folhas A4 com as anotações que quisesse, usando caderno, livros, o que fosse. Então o professor mandava todos saírem e chamava um a um para a sala, onde ele discutia as três questões que mais eram “tema” pra conversa e eles iam fundo! Se você dissesse que poderia usar a formula X para explicar o comportamento da válvula Y eles te pediam pra deduzir aquela equação a partir dos princípios básicos – e até te falavam quais eram. Eu me formei no mestrado com Louvor (o que não é fácil no ITA, com professores russos do MAI). Não que eu seja mais inteligente – apenas que o MÉTODO de avaliação e ensino realmente dizia se eu sabia ou não sobre o assunto e eu sabia bem pois sou apaixonado pelo tema. OS decoradores se deram mal no curso, inicialmente, mas com o tempo se adaptaram ao sistema pois realmente aprenderam. Todos se formaram com boas notas no final.

    1. Como é que se sente uma equação por instinto? 😛

  2. Crítica pesada, porém 100% verdadeira. Pobres universitários…

    1. E eu passei por isso em três cursos universiotários… (Não, não escrevi nada errado…)

  3. Não mudou uma vírgula desde então.

    1. Há pelo menos 40 anos. Ou melhor… Andou piorando, uma vez que já não estamos na primeira geração que faz isso e o aumento da entropia é inevitável quando a informação é apenas reproduzida sem entendimento.

  4. Espero estar lembrando corretamente do problema, faz muuuuito tempo. No 2° grau tive 10 num bimestre por resolver em segundos um problema simples. Uma pessoa e um peso caem (desprezando atrito com ar, vento, essas coisas- ou era no vácuo?). A pessoa dá um impulso e o peso cai a x metros de onde teria caído. Se a massa da pessoa é 1/10 vezes a do peso, a que distância a pessoa cairia? Foi uma conta simples de multiplicar x por 10 que fiz de cabeça. A turma ficou admirada. O problema pra mim não foi eu ter entendido, mas o fato de que se ninguem mais entendeu não tinham conseguido assimilar conceitos básicos da física. Ainda me assusto quando lembro disso. Isso foi em Copacabana, Zona Sul da 2a cidade do país.

    Quando penso que o ensino de lá pra cá só piorou me arrepio.

    1. Se algum físico vir um erro me refresque a memória, envolvia “quantidade de movimento” pelo que lembro.

    2. PÔ, os caras não sabiam multiplicar por dez de cabeça? 😮

    3. Não, eles não entenderam a essência do problema. A conta era simples, o problema era outro. Não entenderam como os dois objetos interagiam, ação e reação, essas coisas. Falta de lógica. Isso é de assustar.

  5. Eu tou tão chocada com esse texto que eu só vou conseguir dizer que provavelmente vou me ferrar numa matéria na faculdade porque não consegui apresentar um trabalho no qual eu regurgitava o que eu tinha lido. Essa é a palavra certa, regurgitar. O nível de decoreba chegou a um tal ponto que se eu não citar fulano de tal no que eu quero dizer eu não “entendi” o que o tal negócio é, mesmo que eu tenha passado o semestre inteiro pensando sozinha na droga do assunto!

    1. Bem-vinda ao clube.

  6. Fora a cultura americana que influencia muito a visão educacional do aluno,os americanos tem uma cultura de correr atrás das coisas e serem menos dependentes, por exemplo:

    São mais desapegados.

    Nos EUA moleque faz 18 anos os pais soltam rojão por ele ir embora de casa. Aqui os pais adoram qdo os filhos ficam o mais tempo possível morando com eles, debaixo da asa, não sendo incomum vermos trintões (ou quase) que ainda moram com os pais, o que nos EUA é absolutamente impensável. É só um exemplo.

    Outro exemplo: os velhos lá espontaneamente vão para asilos (ou os filhos os mandam pra lá, sem qq remorso), enquanto aqui a gente acaba, cedo ou tarde, acolhendo nossos pais/sogros em nossa casa qdo eles estão velhinhos…

    O americano ele faz dinheiro, o brasileiro ele ganha, o moleque nos EUA pra ter dinheiro ele é incentivado pelos país, vai limpar a casa, ele corta a grama do vizinho por 5 dólar. Aqui o moleque recebe mesada do papai sem fazer nada e sem cobrado. É por essa mentalidade do si virar sozinho que eles são uma potencia econômica e militar e tem fortes influencia da visão protestante do trabalho duro e da prosperidade.

    1. Trintões João? Vc foi bonzinho! rs
      Conheço quarentões que não saíram da casa dos pais, e não vão sair. Que ganham 10 vezes a aposentadoria dos pais (juntos), mas acham um absurdo pagar sozinhos a conta do telefone e da internet…
      Quando pergunto se não pensam em ter seu prórpio canto, sua própria vida, sua privacidade, a resposta é quase sempre a mesma: ” Eles precisam de mim” (o que na verdade quer dizer, “eu preciso deles”).
      Saiu uma reportagem na Veja há poucos anos sobre isso. Era algo como “geração parasita” (vou encontrar tempo para buscar o link). Entrevistaram um cara (quase 40 anos), que morava com os pais para não ter que gastar com o próprio sustento. Dessa forma ele comprou uma Harley, um carro excelente, tinha um apartamento alugado para renda e viajava 1 vez por ano para o exterior. Mas ainda era sustentado pelos pais!!!! Fácil né?
      Penso que aqui, de uma maneira geral, não somos criados para produzir, para batalhar, para conquistar. O mais comum, hoje em dia, é viver sempre na dependência de alguém (seja lá de quem / do que for).

    2. Más comparar aqui com Europa EUA não tem como, os imóveis estão em preços irreais, os salarios uma mixaria comparado com o primeiro mundo, além de tudo ser mais caro, internet, carros, alimentação, mais caros e de qualidade inferior, e não em comparação com os salarios, más o próprio preço absoluto final do produto, se convertido em dolares, saira mais caro do mesmo jeito. O que sobra pra quem não fizer concurso, empreender é dificilimo, e o proprio governo é um entrave. Fato é que o cidadão tem de por em uma balança quanto vale a suposta independencia, em alguns países o preço é justo, aqui no brasil ela é cara demais para ser paga. Quando eu chegar nos 40 espero estar assim, pois ai que esta a felicidade, trabalhar o quanto gosto, como os franceses, ja ter meu dinheiro aplicado, rendendo, pra mim, ficar jogando video game nas horas vagas ou lendo, trabalhar eu ja trabalho, não vou ser é trouxa de pagar 3 vezes mais por um produto ganhando um terço do salario, so pra falar que sou livre, más na verdade viver uma vida miseravel como burro de carga. O cara vai sair de casa cedo para que, para casar ou farrear, eu nao sou de farras, e hoje a mulher ja pode trabalhar, e tem até mais regalias que os homens, eu não vejo nada pior do que ser casado hoje em dia, ou pior do que trabalhar 12 horas por dia pra chegar nos 60 com 1 milhão arcando com todos os custos para sobreviver decentemente nesse país por si só, sendo que nem vai poder aproveitar direito nessa idade, se o cara não esta batendo nos pais, não da dores de cabeça, esta trabalhando, investindo e não roubando tem mais é que ser feliz mesmo.

    3. Ainda que “3 vezes mais caro”, alguém paga por isso. Se não for vc, e vc mora com os pais, quem paga então???

    4. Eu estou falando de carros, imoveis e cia, nos quais insistem em preços irreais, eu não compro carro a esse valor, se quisesse pagava a vista e ainda dava entrada num imovel, mas me recuso, os pais não precisam pagar esses tipos de bens, so ajuda com moradia, luz e agua, quem tem 300 mil sobrando pra comprar imovel, ou até mesmo 100 mil? Olhando o nivel de poupança do brasileiro, quantos sequer podem se endividar por 3 decadas, com essas entradas fora de cogitação? Muito poucos. Coisa que esse governo mais quer é o povo se endividar irresponsavelmente e não poupar um centavo, para falar que cresceu com a economia e o pobre agora tem carro. Sustentavel? Duvido muito.

    5. Desculpe Sr Destino, com todo o respeito, mas essa sentença “os pais não precisam pagar esses tipos de bens, so ajuda com moradia, luz e agua”, se o sujeito tem mais que 24 anos, ainda é parasitismo. Ao que demonstra, tens plenas condições de arcar com seu próprio sustento, mas joga nas costas dos seus pais, e com a exclusiva finalidade de juntar mais dinheiro para si próprio. Juntar seu 1º milhão jogando seu costas de outrem o seu sustento é, basicamente, trapacear.
      Existem casos em que, financeiramente, não faz a menor diferença para os pais (apesar de fazer toda diferença para maturidade do indivíduo). Mas a questão não é só financeira, tampouco apenas uma “suposta liberdade”. É responsabilidade com si próprio. Responsabilidade essa que não se aprende sem cuidar de si mesmo. Nos míííínimos detalhes.
      Mas, ser responsável por si é uma escolha, e cada um faz a sua. Há quem prefira vantagens, e há quem prefira batalhar.
      Pontos de vista distintos, apenas isso.

    6. Desculpe os erros, mas digitar no celular é HORRÍVEL!!!!
      Acho que deu pra entender, senão, digito novamente.

    7. Bom más quem define essa idade, 24 anos? Quem define as regras para ser uma trapaça? Pra mim trapaça é cobrar o valor que é cobrado em um veiculo de quinta por aqui, ou no IPVA por essas estradas. No fim são so conceitos meramente pessoais, e como fora citado, os pais geralmente adoram a presença dos filhos por aqui. Não há uma competição para ver quem é mais responsavel de acordo com conceitos de outrem, nem de quem consegue juntar 1 milhão primeiro da forma a sociedade com suas formulas prontas acha aceitavel, ou sequer de qualquer quantia que seja. Existem interesses e conveniencias muitas vezes comuns, claro é que os pais costumam achar bom a presença dos filhos, e de não irem para o asilo quando tem idade, e os filhos geralmente da mesma forma preferem os pais por perto quando mais velhos para não serem jogados num asilo, o homem hoje deve deixar esses conceitos arcaicos de lado.

      Isso tem a ver até com o texto, pois da mesma forma que o nosso ensino vende formulas prontas, a sociedade tambem vende formulas prontas de como se deve ser feliz, geralmente trabalhando 12 horas por dia, saindo de casa, casando e tendo filhos, e o homem acaba seguindo sem analisar se isso é bom para ele, ou como o ambiente é ou não propicio para essa cartilha. (Para mim, pessoalmente, não é, visto a extorsão que querem praticar em cima do meu trabalho, e visto que a mulher hoje pode se virar, e dadas opções de lazer e entretenimento que o mundo moderno tem a oferecer, em contradição com as exigencias e punições, inclusive legais, que um homem pode sofrer seguindo o caminho inverso).

      Muitos vão dizer que se o cara chegar a 1 milhão que é uma suposta felicidade pessoal de alguem, por exemplo, sem casar e ter filhos é um fracassado, pois não aceitam que o individuo chegue ao caminho da sua felicidade sem passar pelas mesmas experiencias e caminhos tortos que a a sociedade dita, e é o que geralmente ocorre…

      Agora, se tem gente que gosta de batalhar a toa, conheço canaviais pagando quase 1 salario, por 10 horas de trabalho ao dia, incluindo sabados, e voce ainda curte um sol e pega um belo bronzeado 🙂

      Joguem os diplomas fora, deixem as conveniencias e confortos de lado, se doar, muita gente esta precisando. Eu prefiro analisar mesmo, e tomar a decisao conforme for vantajoso perante o ambiente que me cerca, e conforme meus recursos e conhecimentos. Se todas as partes envolvidas concordam, então muito melhor, basta fechar o “contrato”. Besteira se preocupar em satisfazer o senso comum da sociedade, ou passar por mais dificuldades desnecessarias por puro capricho bobo.

    8. “Há quem prefira vantagens, e há quem prefira batalhar.”
      Eu não vejo nenhum problema de haver vantagens, que não sejam vantagens ilicitas.

      “Juntar seu 1º milhão jogando seu costas de outrem o seu sustento é, basicamente, trapacear”

      A trapaça é semelhante a de um americano receber o triplo do valor para realizar o mesmo trabalho que eu, ou de uma domestica la ganhar 10 vezes mais que uma domestica aqui. Podemos dizer que a domestica la ficou rica “trapaceando”. Ou que um filho que estudou nas melhores escolas particulares do pai doutor se tornou medico, trapaceou o filho da domestica que estudou em escola publica.

    9. Vou tentar responder de forma curta porque esse debate ficou muito grande e não está totalmente relacionado ao tema do artigo (talvez devessemos transferi-lo, rs).
      1) Coloquei 24 anos porque a maioria das pessoas nessa idade já encerrou sua primeira formação universitária, logo não vai trabalhar cortando cana – a menos que seja opção dela!
      2)Ninguém aqui está questionando que nossos impostos são altíssimos e nossos produtos e serviços são de péssima qualidade. Só não entendo porque os pais podem pagar por isso, mas os filhos não.
      3) Nem todos trabalham 12, 14, 16 horas por dia. Muitos trabalham menos. Muitos sentem prazer no que fazem – e muitos não. Só acho muito cômodo se colocar contra esse “sistema extorsivo” transferindo para outros suas responsabilidades.
      4) Vc insiste muito no ponto “a mulher pode se virar”. Vejo dois problemas aqui… o primeiro é que talvez vc ache que estamos em 1950, onde as mulheres tinham que ficar cuidando da casa e da família enquanto o marido, único responsável pelo sustento da família, ralava pra sustentar a todos e se sentia oprimido por essa “obrigação”. Tenho uma terrível notícia pra te dar: estamos em 2014, mulheres sabem se virar sim, e se viram muito bem! Trabalham tanto quanto qualquer homem e concluíram que não precisam de um marido pra ser sustentada. Algumas ainda sim, mas são minoria. O segundo problema é: onde que o fato de a mulher trabalhar o exime seu dever da responsabilidade pela sua vida? Isso não ficou muito claro pra mim.
      5) A questão da trapaça cai novamente no que coloquei antes: é difícil pra todo que mora aqui, não só pra vc. Vc coloca também que ter 1 milhão de dólares, casar e ter filhos, trabalhar 12 horas são convenções sociais que são empurradas goela abaixo. Não sei se eu não li essa cartilha social, ou se tenho uma compreensão diferente das coisas. Não preciso de 1 milhão pra ser feliz, tampouco casar e ter filhos, muito menos trabalhar 12 horas por dia e conheço muitos iguais a mim. Mas isso vai de cada um também. Cada um determina suas prioridades pra ser feliz.
      6) Nada do que foi colocado acima tem a ver com a questão fundamental de “sair da casa dos pais”. Ter sua própria vida é um rito de passagem para a vida adulta. Ser responsável pela sua vida, sua casa, suas contas, seus bens, seus cuidados básicos é o que te torna um adulto, e não a idade. A questão toda é responsabilidade por si mesmo.
      Não dá pra negar que é cômodo e prático viver na dependência. Claro que é! É mais barato, menos trabalhoso, mais confortável. Só que, o que se ganha em conforto e praticidade, se perde em aprendizado e amadurecimento.
      Mas é obvio que isso não é prioridade para muitos. Mais uma vez: pontos de vista. Cada um tem o seu.
      Por mais que eu ame meu filho e goste de tê-lo por perto, não gostaria que ele se tornasse um homem dependente dos pais.

    10. Más como foi dito que o o filho acha absurdo pagar sozinho, eu não disse que os pais devem pagar sozinhos, pode-se dividir numa boa, de acordo com a vontade dos pais, e muitos até insistem em pagar tudo. Porém quem define o que são “nosssas responsabilidades”, ou trapaça, ou que após a primeira formação universitária o sujeito tem de mudar de vida, quem definiu essas regras afinal?
      É como eu falei, muitos trabalham pouco e tem prazer, no que fazem, eu quero trabalhar como um frances, fiz essa colocação porque pra mim é tolice abrir mão de minhas vantagens que não ilicitas e de comum acordo, por causa de uma suposta dificuldade que não sei quem passa, ou uma responsabilidade que não sei quem transferiu a mim, com certeza não foram meus pais, nem vida, nem o governo.
      Eu falei da mulher, exatamente porque não estamos em 1950, exatamente pelo fato delas poderem se virar, e que não há motivos sérios para o sujeito sair de casa, que não seja casar, ou farrear, e tambem como um costume da sociedade, o que não precisa ser apenas o caso da mulher, mas como ter filhos como ja citei. São uma espécie de convenção, más que muitos seguem, sendo que poucos param para analisar se é algo vantajoso para eles, sem analisar as leis em vigor, entram de cabeça porque o resto da sociedade costuma seguir tambem. Seguem formulas prontas sem autorefletir, apenas para seguir um rito sem é nem cabeça. Podemos colocar a mulher perfeitamente nesse pote, ao qual muitas tem filhos ou postam fotos no facebook e ficam deprimidas quando a sociedade não da curtidas suficientes em suas fotos ou não tem filhos, ou seja não seguem essas formulas bobas (exceto pra mim no caso das leis do casamento que geralmente costumam beneficia-las, más esse é so um exemplo de como homem, ou mesmo a mulher, gostam de seguir formulas prontas sem parar para analisar. Citei a aversão ao casamento ou 1 milhão de reais apenas porque são projetos meus, como exemplo ilustrativo, muitos tem projetos diferentes, alguns alcançar 10 milhoes, para MIM o casamento não é vantajoso hoje, ou 1 milhão é uma quantia aceitavel, ou que seja, espero ter deixado claro essa linha).

      Eu não entendo, agora, se dizer que não é ou que não leu essa cartilha, más sair de casa é um rito para a vida adulta. Quem define esse rito afinal? Quem define essas responsabilidades ou essas regras? Voce sabe o que é um rito certo:
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Rito
      “Rito é aquilo que você faz todo dia, como escovar os dentes. Isso é um rito. Você não para e se pergunta porque está escovando os dentes, mas você sabe que aquilo é uma coisa que você sempre faz. A palavra “rito” pode também designar tipo de velocidade no ritual de processo jurídico.”

      E quem disse que ficando na casa dos pais, o camarada não vai ter suas contas, seus bens ou seus cuidados pessoais? Eu posso perfeitamente dizer que trabalhando num canavial voce irá ganhar muito em aprendizado e amadurecimento.

      O core da questão, porque não é aceitavel ficar na casa dos pais para atingir seus projetos pessoais, más é por questões de falta de condições para a sobrevivencia. Até agora, não houveram respostas que não remetem ao senso comum, ou desmascaram o carater anti-etico ou ilicito do estilo de vida. Ao contrário, o maximo que chegamos foi dizer, que se a maioria é forçada a compactuar com nossos preços impostos abusivos, salarios baixos e serviços ruins, é no minimo mal visto que o restante escolha se abster de entrar na ciranda.

    11. “FÁBULA: OS MACACOS E AS BANANAS”
      Numa experiência científica, um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

      Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e batiam muito nele.

      Mas um tempo depois, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

      Então os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira atitude do novo morador foi subir a escada. Mas foi retirado pelos outros, que o surraram.

      Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

      Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu – tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo da surra ao novato.

      Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e, afinal, o último dos veteranos foi substituído.

      Os cientistas, então, ficaram com o grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

      “Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.

      Os macacos se quiserem podem continuar pagando 3 vezes o valor de um carro, financiando em 35 anos, assim com certeza a situação deles vai mudar para melhor.

    12. Concordo com o Kent, ops… Sr Destino nessa.

    13. Não é uma questão de regras, não é uma obrigação. Seria uma questão natural. Os animais são alimentados e cuidados durante sua infância, aprendem a caçar/colher enquanto jovens e depois passam a se cuidar sozinhos.

      Entendi o que colocou com relação às convenções sociais e cabe exatamente na afirmação que coloquei: cada um tem seu ponto de vista. Pelo seu ponto de vista, tudo que colocou é aceitável. Mas isso não transforma as pessoas que optam pelas convenções em mentecaptos. Eles podem sim ter pensado, avaliado, e no fim desejado isso. Não é porque meus pais casaram e tiveram filhos que eu tenho que fazer o mesmo. Faço se assim o desejar (ainda bem que hoje temos escolha!). Agora, se algumas pessoas (acredite, não é só mulher que faz isso!!!!) postam fotos em redes sociais e se deprimem por falta de “curtidas”, nem vale a pena comentar porque isso é um problema de auto-aceitação, e não se encaixa no assunto.

      Sim, sei o que é rito. Tanto que usei o termo “rito de passagem” e não apenas “rito”. 😉 http://pt.wikipedia.org/wiki/Rito_de_passagem
      E ao contrário do que possa parecer, é muito agradável! É uma delícia escolher onde vc vai morar, como vc vai viver, decidir cada detalhe do seu cotidiano por conta própria. Mas não espero que entenda isso neste momento. Não tem como debater com alguém o quanto é saboroso determinado tipo de vinho, se a pessoa nunca tomou e nem interesse em tomar vinho.
      Em momento algum coloquei que seja anti-ético, imoral ou ilícito morar com os pais na fase adulta. O que afirmo em minhas colocações é que ser responsável por todo o seu sustento traz benefícios como maturidade e responsabilidade, que serão extremamente úteis no decorrer da vida. E benefícios que são alcançados de maneira plena quando se auto-sustenta (OK, antecipadamente, já admito que nem todo mundo que mora sozinho é responsável ou maduro, mas vamos trabalhar com a maioria!rs)

      Com toda certeza trabalhar em um canavial pode trazer aprendizado e amadurecimento, tanto pra mim quanto para qualquer um, e mais ainda: traz sustento para uma categoria que rala muito pra ter o mínimo necessário – o que é outro assunto que não vem ao caso.

      Pulo seu último parágrafo para responder junto com a fábula utilizada para ilustrar o comportamento de repetição. “Os macacos se quiserem podem continuar pagando 3 vezes o valor de um carro, financiando em 35 anos, assim com certeza a situação deles vai mudar para melhor.”
      Ok, vc colocou seu ponto. Não quer comprar carro porque acha um absurdo o preço. Fato, não há como negar.
      Ainda mais quando há outras opções como transporte público de qualidade, bicicleta, andar a pé, taxi, velocípede, etc.
      Vc tem todo o direito de se recusar a não compactuar com esse abuso. Assim como as pessoas que ficam espremidas em um ônibus/metrô/trem diariamente, por horas a fio, têm o direito de ter um carro, ainda que, lucidamente, pagando 3 vezes o valor real dele. Vai do que a pessoa considera importante.
      O que é, sim, um absurdo, um abuso, é se recusar a comprar um carro por achar o preço extorsivo, mas pedir pro pai ir buscar – de carro!!! – na balada/festa/aula/encontro de star trackers! Ou então, se recusar a comprar um carro porque o preço é extorsivo, mas pedir carona constantemente pro amigo “otário” que pagou por isso (entenda que nem tenho como saber se é o seu caso, é apenas um exemplo).
      Eu não pago, mas quem paga me beneficia. Incoerente…

      E, honestamente (na boa!), como o assunto, nessas alturas do campeonato, não tem NADA a ver com o artigo do blog, sugiro que levemos esse debate para outro meio/artigo para continuarmos. Não me leve a mal, mas não me sinto confortável em nos estendermos por linhas, e linhas, e linhas num debate pessoal em um tópico não relacionado. Atrapalha quem procura informação pertinente e não acrescenta nada ao assunto “A educação no Brasil vista por uma das mais brilhantes mentes do século XX”. Ambos não vamos nos convencer do contrário, mas podemos continuar a debater por semanas, sem problemas – afinal, não é porque não concordo que vou me abster de ler suas posições. Só vamos fazer isso em um “local” mais apropriado?

      Abçs

    14. Ei, pessoal, eu vi que o assunto saiu pela tangente, mas o debate está show, não se acanhem.

    15. Obrigada Arthur! Debater com respeito é sempre muito bom!
      Que tal procurarmos artigos sobre “parasitismo” no século 21? Ou sobre o neologismo “adultescência”? Estou meio enrolada atualmente, mas me proponho a ajudar na procura de artigos sérios a respeito.
      Já li algumas coisas e provavelmente o Sr Destino também. Pelo jeito, é um assunto que tem “pano pra manga”.
      Abraços e bom fim de semana!

  7. Nas ciências biológicas é um pouco pior.

    1. Na área de engenharia é bem ruim também. Vi colegas se formarem sem nunca sequer ter calculado uma viga, um pilar ou um momento de inércia de forma empírica. Apenas decorando as formas e aplicando de forma automatizada, sem nunca raciocinar sobre o que está sendo calculado. Assustador pensar nas consequências… Será que medicina é assim também? Ou a residência é capaz de suprir essa falha no método educacional? No caso dos advogados ao menos tem a prova da OAB para selecionar, mas e nos demais cursos?

    2. Eu posso falar um pouco sobre a medicina do ponto de vista de um paciente minimamente bem informado.

      Eu tive um problema de saúde lá em 2011/2012 e um médico quis me encaminhar para uma cirurgia de alto risco.

      Eu pensei cá comigo: “Cirurgia? Mas POR QUÊ? Qual a justificativa?” E perguntei exatamente isso.

      A resposta foi: “Porque sim, Zequinha!” (*)

      Aparentemente, em algum momento no curso de medicina, alguém tinha falado para aquele médico que determinado problema se resolvia com determinada cirurgia.

      Só que eu tinha uma pilha de exames em mãos e não via razão para uma cirurgia. E o médico não apresentou argumentos convincentes. Ele simplesmente disse “nesses casos é indicada a cirurgia”.

      Só que eu não sou “nesses casos”. Eu sou “neste caso”. É a minha vida específica que está em jogo, não vou aceitar uma resposta genérica.

      E fui a outro médico. E tudo se repetiu.

      E fui a um terceiro médico.

      E a um quarto.

      E a um quinto.

      Este quinto era professor e estava com dois residentes sob sua orientação. Pegou a pilha de exames que eu tinha, abriu tudo em cima da mesa, leu, analisou, comentou, fundamentou, colocou as imagens no negatoscópio, olhou, analisou, comentou, fundamentou… E disse que não havia indicação para cirurgia. Como eu tinha convicção desde o princípio.

      Ou seja… O único médico que leu atentamente os exames, analisou e fundamentou cada detalhe foi justamente o que compreendeu os DADOS e concordou com a LÓGICA com que eu estava analisando a situação. Os outros quatro me mandaram para a faca porque “nesses casos é indicada a cirurgia”. Só que não.

      Mas o médico que fez isso tem mais de 70 anos e ainda estuda diariamente os avanços em sua área de especialização. Os outros tinham entre 30 e 50 anos e agiram exatamente como o Feynman denuncia neste texto: os laudos dos exames continham uma determinada palavra, então eles reagiam recitando o trecho correspondente da própria cartilha, exatamente como no caso do livro de vidro ser um material com um índice de refração. Eles não tinham nenhum procedimento a executar em resposta ao comando “fundamente seu parecer com base nas imagens dos exames”.

      Agora imaginem quantas cirurgias desnecessárias foram e serão feitas por aqueles caras e quantas vidas foram e serão tornadas limitadas ou simplesmente perdidas devido a esta dinâmica.

      .
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      .

      (*) Se você nunca assistiu Castelo Rá-Tim-Bum, não vai reconhecer a referência.

    3. Ou seja…. rs. “Tamo na roça!”
      Fui submetida a uma cirurgia recentemente. Tenho plena convicção que é um problema genético, sem solução. Mas, pode-se conviver perfeitamente com ele (meu ponto de vista).
      Porém, depois do terceiro médico, entrei na faca…. deveria ter sido mais persistente! kkkkk
      Esse é meu “medo”. Médicos, sem conhecimento. Engenheiros sem conhecimento (essa é minha área, e posso dizer que VI absurdos imensos! pensem muito bem antes de comprar apartamentos….), advogados sem conhecimentos, professores sem formação necessária….
      Se eu fosse religiosa, diria “Deus nos proteja”… mas nem isso posso dizer. Prefiro dizer: Sejam sábios em suas escolhas. Não confiem em um diploma pendurado na parede!!

  8. Área de humanas nem precisa comentar né pra que serve.

    1. Segundo o figurão Fulano de Tal, blá-blá-blá. Fundamentação empírica raríssima. Científica, inexistente.

    2. Tô eu aqui pra provar, num curso de Letras, me f*****o porque eu gosto de pensar no que eu tou fazendo, e não só ficar repetindo o que meia dúzia de macacos disse antes de mim…

  9. Mateus Folador (Fola)

    06/07/2014 — 08:32

    Não sei se isso não foge um pouco ao tema do artigo, mas enfim…

    Eu me formei em Direito em janeiro deste ano, e percebi o como a faculdade de Direito faz uma espécie de “lavagem cerebral” nos alunos. Gente que se diz contra o racismo dizendo que “cotas raciais são justas”, gente que se diz defensora da igualdade entre os sexos dizendo que “os homens não prescisam ser protegids pela lei Maria da Penha”, gente que se diz defensora dos Direitos Humanos querendo justificar o inanticídio indigena, o apedrejamento de adúlteras e outras atrociades com base no “respeito à cultura”, e uma série de outros absurdos que fazem ferver o sangue de quealquer um com um mínimo de vergonha na cara.

    Ainda bem que eu conheci os Direitos Humanos ANTES de entrar para a faculdade de Direito, senão acho que eu não teria escapado da lavagem cerebral que eles fazem nos alunos.

    1. Parabéns atrasado pela formatura, Mateus!

      E por estar antenado nas contradições dos discursos!

  10. É, complicado…
    Agora, minha faculdade, sobremaneira, não pecou em me fazer entender a utilidade e aplicação do que eu estava aprendendo. Porque eu penso assim?
    Lembro que em Cálculo I, a profe trouxe a casca de meia laranja (sobremesa do RU) para explicar integral em coordenadas polares. O povo tirou sarro afu dela, bem como do meu professor de física II que ficava girando na cadeira com as pernas esticadas ou encolhidas para explicar momento de inércia em rotação. Da nerd que ficou faceirita da vida quando entendeu como as motos fazem curva inclinando para o lado, ou o porquê de quando o sal cai no fogão brilha laranja, também.
    A experiência pode ser diferente para quem quer, mas é duro aguentar a “pressão social”, sim.
    Mas, outras abordagens também estão disponíveis dentro desse mesmo sistema de educação que estamos tratando. Não creio que eu tenha sido uma rara exceção, as faculdade, as cadeiras e os professores que me ensinaram isso estiveram e ainda estão aí para todos.

    1. Passei anos sugerindo a professores de biologia que construíssemos formigueiros de vidro, que criássemos peixes coloridos ou mesmo diferentes fenótipos de Drosophila melanogaster para as aulas de genética, que cultivássemos as famosas ervilhas de Mendel… Inútil.

      “Perda de tempo”, diziam. “É uma experiência simples demais, desnecessária.”

      Aí eu sugeria trabalhar com grandes populações de Drosophila melanogaster ao longo de várias gerações para ilustrar princípios como competição, deriva genética, efeito do fundador, etc.

      “Não dá”, diziam. “É uma experiência complicada demais, desnecessária.”

      Arrãm.

  11. Fui uma criança “problema”,nunca aceitava ” porque sim ” como resposta.

    Não aceito.

    Amo ler,minha porta mágica.

    Pensar em nosso país, é um grande problema.

    Me chamam de “metida” porque procuro minimizar minha ignorância.

    Sou uma ignorantona,escrevo com cinco dicionários em minha mesa,fora o dicionário online.

    Li,e reli,os 32 volumes da História Universal de Césare Cantu,porque a história da humanidade é minha própria história,rs.

    Li também pela história de via deste belo homem.

    Césare Cantu foi:
    Polígrafo
    Historiador
    Político
    Educador
    Publicista
    Prisioneiro político
    Romancista
    Revolucionário(cinque Giornate)
    Exilado
    Foragido político
    Deputado
    Trabalhou enquanto viveu,morreu em 1895 com 90 anos.
    Deixou mais de 514 trabalhos,dentre eles a História Universal.

    Quando peguei o primeiro livro na Biblioteca Pública a Bibliotecária disse que NINGUÉM procurava aqueles livros “mofados”,rs.

    Sorte a minha!

    O próprio prazer de ler não é valorizado,imaginem o resto.

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