Poucas coisas me soam mais estúpidas ou mal intencionadas do que a exigência de que o Estado de Israel use diplomacia para lidar com a organização terrorista Hamas (“Movimento de Resistência Islâmica”). 

Míssil palestino é destruído no ar por sistema de defesa israelense.
Míssil palestino é destruído no ar por sistema de defesa israelense.

O que quer o Estado de Israel? Deixar de sofrer atentados aleatórios contra a população civil. 

O que quer o Hamas? A aniquilação do Estado de Israel, a morte de todos os malditos judeus e a implantação da Sharia não somente em Gaza mas em toda a Palestina Histórica, em nome de Allah, o misericordioso. 

A assimetria destas intenções torna pornográfica a exigência de que o Estado de Israel use diplomacia para lidar com o Hamas. 

O simples fato de sugerir tal aberração já constitui uma ofensa a Israel, porque confere legitimidade aos terroristas que diariamente cometem dezenas de tentativas de homicídio aleatórias contra o povo israelense. 

“Ah, mas o conflito é “desproporcional”, porque Israel está matando “um número excessivo” de mulheres e crianças palestinas”, dizem. 

Como é que é? Sério que estão usando um argumento numérico de contagem de vítimas para classificar as ações de Israel? 

Então os partidários deste argumento indecente respondam aí: quantas mulheres e crianças palestinas vocês autorizam Israel a matar por dia para que o conflito se torne “proporcional”? 

Ou talvez vocês prefiram que Israel intercepte menos foguetes do Hamas, para aumentar o número de civis israelenses mortos e assim justificar um número maior de mortes entre os civis palestinos? 

Não se trata de proporcionalidade, mas de legitimidade. 

De um lado, há um grupo terrorista que armazena armamento e posiciona dispositivos lança-mísseis dentro de creches, escolas, hospitais, mesquitas e bairros residenciais e ameaça de morte os civis que desejam fugir das proximidades destes locais – porque o Hamas quer que eles sejam vitimados para poder promover a guerra de propaganda contra o infiel a ser aniquilado, não importa o preço. 

Do outro lado, há um Estado Nacional que tem que se defender diariamente de dezenas de mísseis lançados com o objetivo de assassinar e mutilar aleatoriamente seus cidadãos e provocar medo, pânico, terror. 

Clamar por diplomacia nestas condições é uma perversão. É conferir legitimidade aos terroristas e a seus métodos, ao mesmo tempo que condena a vítima do terrorismo a ceder às exigências de seus algozes fundamentalistas – que nunca ficarão satisfeitos, porque seu objetivo insano é aniquilar o Estado de Israel inteiro. 

“Ah, mas o Estado de Israel também não tem legitimidade, porque foi construído sobre o lar dos palestinos e blá-blá-blá”, dizem.  

Certo, certo… Então os que pensam assim tenham coragem e questionem na ONU a própria existência do Estado de Israel. 

Ou vão querer que o Estado de Israel exista mas esteja sempre errado pelo simples fato de existir? Muito conveniente, não? 

Certos discursos tornam evidente que para alguns há muito tempo a questão israelense-palestina não se trata de um conflito que deve ser resolvido para evitar a morte de inocentes, mas de um conflito que deve ser mantido e agravado para que se possa explorar politicamente a morte de inocentes. 

Fazem mais condenações ao Estado de Israel, que é vítima de dezenas de atentados terroristas diários, do que ao Hamas, que pratica tentativas de homicídio aleatórias todos os dias. Fazem muito mais exigências de que Israel use diplomacia do que exigências de que o Hamas pare de cometer crimes. 

São discursos convenientes e hipócritas

Ao mesmo tempo que tentam amarrar as mãos do Estado de Israel, exigindo dele o uso de blá-blá-blá notoriamente inútil, nada fazem para que o agressor terrorista cesse seus ataques. Isso é querer a manutenção do conflito. Isso é não se importar com mulheres e crianças mortas. Isso é usar estas mortes politicamente para os mais abjetos propósitos. 

A estes que querem resolver o conflito através da diplomacia eu convido a ir a Israel exigir das autoridades israelenses o uso de diplomacia e depois ir aos redutos do Hamas e exigir dos terroristas o uso de diplomacia. Mostrem que acreditam no que falam. Vão até lá e façam isso! E LOGO, porque tem gente inocente morrendo. O que estão esperando? 

Ah, não querem ir porque “esse é um conflito que deve ser resolvido entre as partes”? Bem, então calem a boca e não se metam a dizer para somente uma das partes – sempre a mesma – o que ela deve ou não deve fazer para não ser vítima de atentados e homicídios aleatórios diariamente. 

Vamos deixar isso bem claro: as opções que Israel tem não são usar a diplomacia ou usar a força. As opções que Israel tem são ou permitir que o Hamas continue assassinando civis israelenses aleatoriamente ou levar a culpa pela morte dos civis palestinos que o Hamas usa como escudos humanos para seu armamento e seus lança-mísseis. 

Entre uma e outra destas alternativas, qualquer Estado soberano ou grupo de combatentes no planeta faria exatamente o mesmo que o Estado de Israel faz: proteger os seus, mesmo que isso implique multiplicar as baixas do outro lado, seja de combatentes, seja de inocentes. 

Portanto, leitor do Pensar Não Dói, muita atenção perante estes discursos “pró-diplomacia”. Muitos deles – a maioria – são apenas discursos anti-Israel, anti-EUA, anti-“imperialismo”, anti-sociedade-ocidental, anti-“tudo-isso-que-está-aí”, etc.

Uma boa dica para detectar a orientação ideológica e ética desses discursos: verifique se quem exige que Israel use diplomacia também exige que o Hamas use diplomacia; verifique se as críticas aos abusos de Israel também se estendem ao uso de inocentes como escudos humanos por parte do Hamas; e principalmente verifique se a preocupação humanitária para com as vítimas dos bombardeios de Israel também se estende às vitimas dos bombardeios do Hamas. 

Se qualquer uma das respostas for “não”, você já sabe com certeza que não está diante de um defensor sincero da diplomacia. Isso para dizer o mínimo. 

 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 26/07/2014

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AAA: Não há uma única palavra de apoio à morte de civis no texto acima. Se você acha que eu defendi que Israel mate palestinos inocentes porque o Hamas mata israelenses inocentes, então você entendeu tudo errado. Neste caso, leia o artigo de novo. 

16 thoughts on “Quando a diplomacia é um agente do mal

  1. Fabiano Golgo

    26/07/2014 — 21:20

    O Hamas se alimenta desse eterno conflito e manipula a educação e mídia palestinas para demonizar os judeus. Israel tem todo o direito de se defender. Mas os palestinos também. Dizer que é blá-blá-blá o fato dos palestinos serem vítimas de uma invasão bélica ao seu território (eles não expulsaram o povo da Judeia, começaram a habitar a região mais de mil anos depois da saída dos judeus e já moravam ali há 7 séculos!) é bolsonarismo, não é argumento, mas sim uma posição fascistoide, que considera válido ignorar o contexto, a história dos envolvidos, como um policial e juiz de ditadura que não permite o lado da defesa, proferindo sentença ao bel sabor. Os israelenses não são pobres coitados que nada fazem contra os palestinos. Eles constroem assentamentos sem parar, coisa que até seu eterno aliado americano critica e opõe e bloquearam a vida de Gaza, que só tem água por 1 hora a cada dois dias, 41% de desemprego, falta de remédios, comida, etc. Óbvio que os palestinos não são santinhos, mas acusar uma pessoa teve sua casa invadida, viu seus avós serem expulsos por razões meramente étnicas e continua sendo torturada de terem virado terrorista por esporte é pura burrice. Se eles são capazes de se matar é porque o horror ao qual são condenados leva ao desespero total. Essa briga é como as de marido e mulher – o cara é criticado de senta a mão na mulher, mas ela deu um tapa na cara dele antes. No final, os dois estão errados, agiram com violência desnecessária. Escolher um lado entre os judeus e palestinos é como escolher entre Hitler e Stálin.

    1. Primeiro: o “blá-blá-blá” a que o texto se refere é a diplomacia, que não pode ser usada com terroristas. Aliás, “com terrorista não se negocia” é a posição mais razoável no longo prazo. Negociar com terroristas pode fazer com que um caso específico tenha um desfecho favorável, mas aumenta e muito a probabilidade de continuidade das ações terroristas.

      A melhor coisa que Israel tem a fazer em relação ao Hamas é cortar completa e totalmente o diálogo enquanto o Hamas continuar lançando foguetes. Quando o Hamas se cansar de falar sozinho, sem receber qualquer espaço na diplomacia, na ONU e na imprensa (exceto talvez a Al Jazeera) e tentar estabelecer um diálogo razoável, deve receber uma única informação: “assim que se completarem 100 dias sem que seja lançado um único foguete em direção a Israel, no 101° dia o diálogo será restabelecido”.

      Segundo: xingar minha opinião de bolsonarismo e de posição fascistóide é que não é argumento.

      Terceiro: se “ignorar a história” for assumir a posição extremamente realista equivalente a ignorar a Guerra do Paraguai ao fazer compras em Ciudad del Este, então ignorar a história é uma ótima idéia. Eu não tenho responsabilidade alguma nem interesse algum se o meu tatatatatataravô e o tatatatatataravô do meu vizinho eram amigos ou se odiavam. Passou. Meu papo agora é só com o meu vizinho, sem a interferência de fantasmas.

      Quarto: a solução para o cerco de Gaza não é lançar foguetes aleatoriamente para matar inocentes em Israel. Se o teu vizinho atira pedras na tua janela porque quer que tu tenhas mais boa vontade com ele e empreste uma grana para ele, acho pouco provável que tu gostes da idéia e empreste a grana para deixar de ter a janela quebrada. Eu aposto que tu atirarias ainda mais pedras nas janelas dele, certo?

      Quinto: é claro que ambos os lados estão errados. Mas existe uma IMENSA diferença entre construir casas para ocupar território e atirar foguetes para matar inocentes aleatoriamente.

      Sexto: disseste que “Se eles [os palestinos] são capazes de se matar é porque o horror ao qual são condenados leva ao desespero total.”

      Quero saber se a mesma frase permanece válida caso “eles” sejam os israelenses: “Se eles [os israelenses] são capazes de se matar é porque o horror ao qual são condenados leva ao desespero total.”

      Se não houver a equivalência, então ou a primeira frase não é válida, ou eu estou diante de uma escolha entre Hitler e Stalin. Certo?

  2. Joaquim Salles

    26/07/2014 — 22:32

    Só lembrando, o Estado de Israel não foi criado pela ONU? (A Criação do Estado de Israel
    Em 1947, a ONU aprovou o plano de Partilha da Palestina. Com isso, o território palestino foi dividido em dois Estados, um judeu e outro árabe. Em maio de 1948, a criação do Estado de Israel foi oficialmente instituída. )

    1. E por acaso a ONU perguntou a opinião dos Palestinos?

    2. Não, não foi bem isso: foram criados o Estado de Israel e o Território da Palestina. Se tivessem sido criados de cara o Estado de Israel e o Estado da Palestina, ambos membros da ONU, a situação hoje poderia ser bem diferente.

  3. Joaquim Salles

    26/07/2014 — 22:38

    veja esse vídeo ( se já não viu ) “POR QUE A ESQUERDA ODEIA ISRAEL” https://www.youtube.com/watch?v=fI0esAVfw3U&feature=youtube_gdata_player&app=desktop (veja o final principalmente 🙂 )

    1. Vou baixar para assistir.

  4. A inoperância da ONU nesse caso é gritante. Não entendo por que raios não entra com a tropa no lado da faixa de Gaza, procurando os tais mísseis que o Hamas lança contra Israel e ao mesmo tempo fique do lado de Israel monitorando também a vinda desses mesmo?
    Diplomacia nesse caso, é gastar saliva à toa. O Hamas não está nem aí, quer e quer a eliminação de Israel e ponto final.
    Uma coisa é certa a criação de Israel foi um erro histórico.

    1. A ONU não é inoperante – ela simplesmente não tem os objetivos que diz ter. Lê os estatutos da ONU e os poderes que o Conselho de Segurança tem, comparados aos poderes da Assembléia Geral, e pensa bem no que significa essa distribuição de poderes e a manutenção de cinco membros fixos no Conselho de Segurança.

  5. Enquanto por aqui, o pessoal se esperneia o fato de ser chamado de anão diplomático. Aliás, todos os diplomatas são anões, já que não resolvem bulufas nenhuma.
    Enquanto isso me pergunto, dá onde é que vem essas armas, quem está financiando isso? O local é uma miséria, o serviço público é minguado, e pelo que soube o Hamas como chefe burocrático remunera muito mal os funcionários públicos, logo a quantidade de civis mortos vai aumentar, o local é um verdadeiro formigueiro, já que a concentração demográfica é alta. É atirar para o gigante e ser massacrado como formiga.

  6. Aos que citaram a criação do Estado de Israel pela ONU, como se existisse ali um estado palestino antes, uma dúvida: se é pra voltar no tempo e ficar de mimimi, de “ah, eles estavam ali antes de 1948, os israelenses não”, pq não fazem direito? Aquele território era britânico, e os próprios judeus se defenderam do controle britânico muito antes de 1948 – não deu certo, e a Inglaterra manteve seu domínio. Ou seja, se é pra falar do que era antes de 1948, então não era um estado coisíssima nenhuma: era um território inglês.

    Os territórios onde Israel construiu colônias foram tomados pq Israel acordou e decidiu ampliar suas fronteiras? Nãããão, claro que não. Israel foi atacado. Inclusive, já devolveu territórios para o Egito DUAS vezes, após tê-lo vencido. Mesmo assim, se dispôs váááárias vezes a devolver os territórios ocupados – aliás, o fez em 2005, quando deixou a Faixa de Gaza. Qual foi o resultado disso? O Hamas venceu as “eleições” na Palestina, substituindo o Fatah. E cadê o Fatah na faixa de Gaza? Está na “oposição” (o que seria natural se aquilo fosse uma democracia)? Não: o Hamas passou fogo em todo mundo do Fatah. Ou seja, o Hamas não está, nem nunca esteve preocupado com os palestinos. Eles querem a destruição do estado de Israel. Se eles estivessem preocupados com os palestinos, não teriam botado armas em escolas – da ONU, ainda por cima. Se estivessem preocupados com os palestinos, não usariam escudos humanos – o próprio líder do Hamas disse que os palestinos devem mesmo morrer em nome da “causa”, que são mártires. Aliás, se estivessem preocupados com os palestinos, bem, eles próprios não teriam matado os palestinos, como fizeram com os membros do Fatah, não é mesmo?

    Curiosidade: antes destes ataques, 2 jovens israelenses haviam sido capturados por um grupo de palestinos, e foram mortos na porrada. Em represália, um grupo de israelenses pegaram um jovem palestino e fizeram o mesmo, mataram-no na porrada. Adivinhem: qual desses grupos foi preso pelo seu governo? Os palestinos foram presos pelo seu crime, cometido na Palestina, ou os israelenses, em Israel? E qual dos grupos foi ovacionado pelo seu governo?

    1. É, cara, a coisa tá feia por lá.

  7. Paulo Ricardo Rossi

    26/08/2014 — 10:18

    Quantas crianças israelenses (nem todas são judias, bom relembrar) seriam necessárias morrer em ataques do HAMAS para que o conflito deixasse de ser considerado desproporcional e passasse a ser considerado com equilibrado e justo???? Este argumento é o mais INSANO que ouvi até hoje, coisa de dementes genocidas.

  8. Pra entender os objetivos dos terroristas é mister ler o Estatuto do Hamas:
    http://www.beth-shalom.tv.br/artigos/estatuto_hamas.html

    Um trecho: “Art. 13 As iniciativas, as assim chamadas soluções pacíficas, e conferências internacionais para resolver o problema palestino se acham em contradição com os princípios do Movimento de Resistência Islâmica, pois ceder uma parte da Palestina é negligenciar parte da fé islâmica. O nacionalismo do Movimento de Resistência Islâmica é parte da fé (islâmica). É à luz desse princípio que seus membros são educados e lutam a jihad (Guerra Santa) a fim de erguer a bandeira de Alá sobre a pátria.

    “E Alá tem total controle sobre Seus feitos; mas muita gente não sabe.” (Alcorão 12-21)

    De tempos em tempos surge uma convocação de uma conferência internacional a fim de buscar uma solução para o problema (palestino). Alguns aceitam (a proposta), outros a rejeitam, por uma razão ou outra, exigindo o cumprimento de alguma condição ou de condições prévias antes da concordância com a conferência ou para dela participar. Entretanto, o Movimento de Resistência Islâmica – estando familiarizado com as partes intervenientes na conferência, e com suas posições no passado e no presente, em matérias que dizem respeito aos muçulmanos – não acredita que tais conferências possam satisfazer as suas demandas ou restaurar os direitos (dos palestinos), ou trazer benefício para os oprimidos. Tais conferências não passam de um meio para dar poder aos hereges para se instituírem como árbitros sobre terras muçulmanas, e quando foi que infiéis, hereges, tiveram posições equilibradas para com os fiéis observantes?.”

    É algo incompreensível e absurdo para quem não pauta todo seu raciocínio pela religião.

    1. Aí eu pergunto: que diferença existe entre gente que pensa assim e os marcianos da Guerra dos Mundos? Adiantou tentar dialogar com os marcianos? Qual era o único pensamento e o único comportamento dos marcianos, mesmo quando eles aceitaram participar de uma conferência (na refilmagem moderna)? Adiantou mostrar respeito e tentar encontrar algum compromisso entre os interesses dos humanos e dos marcianos? Qual foi a ÚNICA coisa que fez os marcianos pararem de matar inocentes?

      Maldita época que confunde bondade com covardia.

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