Os leitores habituais do Pensar Não Dói perceberão a ausência da imagem com o link para o Manifesto da Revolução Iluminista na coluna da direita. Esta pequena mudança no blog reflete uma grande mudança em minha postura política. 

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Naquele artigo eu expressei algumas de minhas mais profundas convicções políticas e chamei todos os leitores e visitantes do blog para discutir um projeto de ação política. De 20/06/2013 a 13/08/2014, exatas 119.119 pessoas visualizaram aquele chamado. Entre estas e algumas outras que foram chamadas pessoalmente, 84 ingressaram no Grupo Revolução Iluminista

0,07% 

Menos de uma em cada mil deu um clique para entrar no grupo. Somente uma a cada cinco dias em todo este período, em média. Como a maioria entrou logo no início, a média verdadeira nos últimos doze meses é muito menor que isso, provavelmente menos que uma a cada dez dias. E a última postagem de outra pessoa fora eu foi há 90 dias. 

Obviamente a iniciativa não atraiu interesse. 

Já uma certa página de humor criada este ano já ultrapassou as 320.000 curtidas no Facebook e recebe por dia mais comentários do que o Grupo Revolução Iluminista recebeu em toda sua existência. 

E uma outra página de humor criada anos depois do Pensar Não Dói já tem quase 7.000.000 de curtidas no Facebook, enquanto que a página deste blog tem menos de 400 curtidas. 

Mas isso não é tudo. 

Eu sondei diversas pessoas que me conhecem pessoalmente há muitos anos sobre o papel que poderiam ter em um movimento iluminista ou em um partido iluminista. Gente rica e gente pobre, gente com nível superior e com ensino fundamental incompleto, gente que vive bem e gente que vive mal. 

Ninguém recebeu a idéia com entusiasmo. Ninguém. Alguns se dispuseram a colaborar “na medida do possível”, ou seja, desde que isso não lhes perturbe muito a rotina e não exija grandes esforços. Não dá para encher duas mãos com o número de pessoas que assumiria um compromisso sério e se dedicaria intensamente a este projeto. 

Isso me fez pensar muito.

Por quem eu estou lutando? Pelos 99,93% que nem sequer tiveram o interesse de dar um clique para participar dos debates do grupo? Pelas pessoas que acham desinteressante, chato ou inoportuno assumir qualquer responsabilidade ou fazer qualquer esforço para gerir o país em que vivem, preferindo deixar tudo nas mãos dos outros? E que ainda por cima torcem o nariz para mim e me chamam de sonhador e de chato e se afastam de mim porque eu quero lutar para construir um país melhor para todos nós? 

Sinto muito, pessoal, mas assim eu não brinco mais. 

Eu não mudei meus ideais, mas eu os estou continuamente questionando, revisando, aperfeiçoando. E cheguei a uma conclusão dolorosa, mas que pretendo colocar em prática daqui por diante: 

Ninguém deve se preocupar com outra pessoa ou se esforçar por outra pessoa mais do que ela se preocupa consigo mesmo e se esforça por si mesmo. 

Não se trata da velha discussão sobre dar o peixe ou ensinar a pescar. Trata-se de não fazer nenhum dos dois para quem não se esforçar por aprender a pescar. Trata-se de poupar esforços para aplicá-los somente com quem faz por merecer. 

Eu ainda gostaria muito de criar um partido iluminista, claro, e de mudar a maneira de fazer política neste país, mas preciso ser realista e me rendo ao desinteresse geral. Espero que num futuro não muito distante haja maior interesse e este projeto se torne viável. 

Por enquanto, volto à prancheta para repensar as conseqüências desta mudança de postura política… Ao blog, que vai ajudar nesta tarefa e não deve sofrer alterações, como prometido aos amigos… E aos projetos com parceiros interessados, comprometidos, proativos, esforçados. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 14/08/2014 

4 thoughts on “Racionalizando esforços

  1. Jonas Kravo

    14/08/2014 — 11:43

    Estou muito cansado de viver aqui no Brasil e ser roubado pelo Governo, se for para viver assim … penso seriamente em mudar de país e ir morar nos Estados Unidos a terra do capitalismo. O que você acha disso Arthur?

    1. Se puderes, vai. Sério. O Brasil é um pântano. A América Latina inteira está se tornando um imenso pântano, com exceção de Costa Rica.

      Mesmo que haja corrupção nos países mais desenvolvidos… Eles são mais desenvolvidos, e o nível da corrupção lá não chega nem perto ao que tem aqui. Isso pra não falar da burocracia, dos impostos, da qualidade dos serviços públicos e da segurança.

      Para quem puder emigrar do pântano, é o que eu aconselho.

  2. Fabiano Golgo

    14/08/2014 — 12:39

    Jonas, nos EUA, bem como na Europa e no mundo inteiro, há muuuuuuita corrupção na política. Na terra do Tio Sam, o lobby dos remédios, por exemplo, permite que a população receba uma enxurrada de drogas (no mau sentido) legais, que tornam dependentes de químicos receitados por médicos cerca de 58% da população adulta. Fora a prática super comum de receitar Ritalin e outros medicamentos para crianças supostamente hiperativas (como se hiperatividade não fosse natural na tenra idade). Os alimentos americanos estão entre os menos saudáveis do mundo, também graças a ação de lobby. Na Europa, onde morei por duas décadas e atuei como Editor-chefe de jornal e revistas de notícias, cobríamos diariamente escândalos tão escabrosos quanto os brasileiros. Inclusive na Suécia, tida como exemplo de democracia (o caso Julian Assange mostra q isso não é verdade). Portanto, política iluminista só existe na cabeça das pessoas de bem, mas não nos governos do mundo. Sair do Brasil em busca de sociedades onde não haja corrupção na política é placebo, pois os seres humanos compartilham uma característica: o poder corrompe.

    1. O poder não corrompe. O poder só mostra o caráter de quem o exerce. Implemente-se leis e tribunais que afastem os corruptos definitivamente da vida pública e deixe-se a seleção natural agir. É tudo que é necessário fazer.

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