Sabem aquele papo de que “quem não aprende pelo amor aprende pela dor”? Esqueçam. É mentira. 

Stupid
Acho que é isso que acontece com a cabeça do Macaco Masoquista quando ele tenta pensar… Só pode.

Isso não deveria ser nenhuma novidade, mas eu não me canso de ficar surpreso com o quanto o macaco que se acha sapiens é incapaz de aprender mesmo perante as mais óbvias evidências. Vamos a alguns exemplos.

Cadeia

Quando eu era moderador de uma grande comunidade de Direitos Humanos no Orkut, uma das frases que eu mais lia era “cadeia tem que ser ruim, para quem passar por lá nunca mais querer voltar”. Quem dizia isso, obviamente, não acreditava nisso de verdade, só estava destilando ódio. Caso contrário, teria que concordar com o raciocínio que eu apresentava em seguida. 

Eu perguntava “Tu não achas que todas as pessoas devem ser tratadas com dignidade?”. 

E normalmente a resposta era algo como “Vagabundo não tem dignidade.” 

Então eu dizia “Pois é, eu vou te ensinar o contrário. Vou te prender em uma cela escura e úmida de 2m x 2m e te encher de porrada o dia inteiro até nunca mais quereres repetir que vagabundo não tem dignidade. Quanto tempo achas que vais demorar para aprender isso?”. 

A resposta em geral era algo como “Nunca!” 

Mas eles continuavam a dizer que “cadeia tem que ser ruim, para quem passar por lá nunca mais querer voltar”. 

O Macaco Masoquista não aprende nem com privação de liberdade, nem tomando pau. 

Enchente

Eu já contei em algum lugar do blog que assisti um repórter entrevistar uma pessoa cuja casa tinha sido atingida por umas quatro ou cinco enchentes e que em todas as vezes tinha perdido tudo que tinha dentro de casa. 

Essa pessoa estava indignada, perguntando “E agora, quem é que vai pagar por tudo que eu perdi?”. E eu estou grato por não ser aquele repórter, ou eu teria dado com o microfone nos cornos daquela quadrúpede falante.

Gente… A criatura perde tudo que tem quatro vezes, não aprende que isso pode acontecer de novo, não faz nada para se proteger e ainda acha que “alguém” tem que pagar pelo que ela deixou a água destruir?

Primeiro que eu não moraria em um lugar inundável. Segundo que, se tivesse que morar em um lugar assim, eu construiria uma estrutura para onde pudesse içar meus bens mais valiosos e necessários em caso de enchente.

O Macaco Masoquista não aprende nem perdendo tudo o que tem. 

Hospital

Volta e meia nós vemos reportagens na grande mídia com denúncias embasbacantes e revoltantes sobre gente que morre ou fica aleijado na fila da emergência, de gente que é atendida em macas espalhadas pelos corredores, ou de gente que tem que dormir no chão dentro do hospital, às vezes sem ter nem sequer um colchão, sobre trapos. E todo mundo reclama e diz que é um absurdo.

Porém, o que as pessoas que passam por isso fazem quando escapam do SUS com vida?

Elas passam a assistir o noticiário e ler os jornais para compreender melhor o funcionamento e a situação do país, ou elas trocam de canal quando começa o noticiário e vão assistir as fofocas dos famosos?

Elas passam a lutar por uma saúde pública melhor, organizando-se em ONGs, filiando-se a partidos políticos para exercer pressão, promovendo campanhas de conscientização, ou só ficam reclamando?

O Macaco Masoquista não aprende nem sob muita dor, risco de seqüela grave ou morte. 

Conclusão

O Macaco Masoquista também não vai aprender nada com este artigo… 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 16/08/2014 

7 thoughts on “O Macaco Masoquista

  1. Na questão da cadeia há dois macacos. O de dentro e o de fora. As realidades dos dois estão em universos desencontrados. A única coisa que os dois têm em comum é a falta de definições sobre dignidade. Na questão da enchente o conceito de dignidade também entra. A falta de dignidade e a falta de opção imediata costumam desagregar a memória. Homo sapiens? Vá acreditando! E, quanto aos hospitais, não vejo problemas! Depois que essa coisa distante ficou sanada com o Programa Mais Médicos só nos resta a masturbação visual da vida dos famosos. Não há mais problemas! O macaco está feliz! A banana foi enfiada na ponta errada, mas isso é só um detalhe.

    1. Às vezes escapa por acidente uma expressão como “o macaco que se acha sapiens” e eu passo a utilizá-la. Esta em especial será vista mais vezes no blog, ou alguma versão melhor lapidada.

      Mas, se o macaco está feliz, por que ele reclama tanto?

  2. Estou com saudade de debater….rs
    Só fico pensando na real situação de quem usa o SUS (não vou nem entrar nas outras duas situações). Existem exceções para os dois lados, os absulatemente alienados e os absolutamente necessitados. Vou tomar partidos dos extremamente necessitados. Imagine um assistente de pedreiro, ganhando uma miséria, mais da metade vai no aluguel de um barraco no “bairro que dá”, o restante tenta sustentar mulher e filhos. Trabalha 50 horas por semana (sei que a legislação só permite 44, mas vai explicar isso pros empreiteiros…). Vc realmente acha que ele tem tempo de fazer algo para mudar isso? Algo como vc colocou, participar de ONG’s, filiar-se a partidos, etc? O coitado mal tem tempo de dormir e tomar banho!
    Quem REALMENTE precisa, não tem um mínimo de dignidade no atendimento. E nem tem poder nenhum pra mudar isso. São coitados que vivem pra sub-existir. O que esses necessitados podem fazer, além de reclamar e se decepcionar? Nada!
    A história de “votar certo” não cola mais, cada vez mais acho isso uma grande falácia. Mudam os nomes dos partidos, mas o conteúdo deles, fede igual.

    1. O problema é que esse mesmo cara que trabalha 50 horas por semana e ganha uma miséria arranja tempo e dinheiro para ir ao estádio assistir uma partida de futebol, para compra fantasia e ir à escola de samba treinar para o carnaval e para encher a cara com os amigos no final de semana sem falar um “ai” de política. E, se alguém quiser falar de política com ele, ele corta o assunto, chama de chato, manda o outro pra @#$%&*@$&%…

      Se não fosse por isso, eu concordaria contigo.

  3. Mas não são todos Arthur… Tem muitos que o único lazer é um churrasco de asa de frango queimada, com acém de 5ª, que ir a um jogo é uma grana tão grande, que eles não tem.
    Não estou falando dos alienados, e sim dos realmente necessitados. Num ponto, concordo contigo: se tem $$ pra jogo de futebol e pra fantasia de carnaval, tem tempo e $$ pra progredir. Mas e os que não tem isso???? E aqueles que carnaval é somente na tv (se tiver)?
    É desses que estou falando…E se for pensar… é muita gente….

    1. Naty, eu costumava pensar – influenciado pelo esquerdismo cultural abjeto que domina nosso país – que o pobre tinha uma determinada cultura porque era pobre. Conhecendo e convivendo muito de perto com dezenas de pessoas de todas as classes sociais, eu descobri que a regra é que o pobre é pobre porque tem uma determinada cultura.

      Já leste o artigo A Síndrome do Cupim? Lê que vais entender por que penso assim.

  4. A conclusão é terrível. Mas eu ri.

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