Você é empreendedor? Empresário? Trabalhador assalariado? Dependente de trabalhadores assalariados? Pois então deveria ler com atenção este editorial da RBS, publicado em Zero Hora e no Diário Catarinense em 15/09/2014. Os meus comentários seguem mais abaixo. 

devil

A satanização do setor privado

Os ataques à livre-iniciativa, como se os interesses de quem produz não convergissem com os da sociedade, apenas confundem o debate de ideias na campanha eleitoral.

Na tentativa de atacar ideias e propostas dos adversários, parte da propaganda eleitoral vem apresentando, de forma depreciativa, o que seria a representação de executivos, empresários e banqueiros contrários aos interesses do país. São ataques articulados pela campanha do PT, que provocam natural desconforto entre quem empreende. O setor empresarial não é, no Brasil e em lugar algum em que prevaleça a livre competição, inimigo da população. É uma visão não só equivocada, mas eticamente condenável, sob qualquer aspecto, por tentar induzir ao erro de que a iniciativa privada estaria em desacordo com demandas e expectativas da sociedade.

Esperava-se que tal visão estivesse há muito superada. O setor produtivo se submete, nas democracias, às regras da competição e, se cometer desvios de conduta, é penalizado por leis e normas reguladoras presentes em todas as atividades. Atribuir aos empresários uma antipatia por programas sociais, como insinua a propaganda petista, é um desserviço ao esclarecimento das propostas dos candidatos e uma contribuição aos que apostam na confusão como tática de campanha.

É no mínimo estranho que, em uma das propagandas, crítica à proposta do PSB para um Banco Central independente, apareçam pessoas que seriam banqueiros sorrindo, ao mesmo tempo em que um locutor afirma que a ideia representa uma ameaça aos trabalhadores. Em outro comercial, sobre a controvérsia em torno do pré-sal, executivos apertam-se as mãos, porque isso representaria corte de R$ 1,3 trilhão da área da saúde.

Acusações sem base na racionalidade repetem-se a cada eleição, mas não podem ser vistas com naturalidade. Não é razoável que um partido insinue, sem contestação, que pessoas ligadas ao setor produtivo e mesmo à área financeira tenham interesses desconectados do contexto nacional. É óbvio que cada atividade tem suas peculiaridades e que empreender significa almejar resultados econômicos. Se não fosse assim, não haveria produção, emprego, renda, impostos e compartilhamento de ganhos sociais.

A tentativa de satanizar o lucro é tão anacrônica quanto a que, em décadas passadas, defendia o fim da concorrência pela estatização da produção e dos serviços. A evolução da democracia brasileira poderia dispensar esse tipo de argumento, especialmente num momento em que o governo se esforça para acalmar os empresários, diante da queda do nível de confiança dos setores industrial e do comércio e da frustração de expectativas. 

Fonte: Zero Hora, Diário Catarinense(Os grifos são meus.)

AGL

O editorial da RBS é “polticamente correto” em demasia e acaba não deixando claro aquilo que deveria: o PT, finalmente ameaçado por um adversário com chances eleitorais após uma década enfrentando apenas picolés de chuchu, está finalmente voltando a mostrar verdadeira cara, botando suas garras socialistas/comunistas para fora e declarando seu ódio ideológico à livre iniciativa e ao empreendedorismo, como era no princípio, agora e sempre. 

Um país cujo governo demoniza o setor privado é um país destinado à miséria. Miséria cultural, porque o povo se torna inimigo dos geradores de riquezas; miséria econômica, porque sob tal cultura somente os piores tubarões se mantém no mercado; miséria moral, porque “em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão”; e miséria política, que reforça o ciclo de degradação geral, porque, para controlar uma população em franca decadência cultural, econômica e moral, é necessário cada vez mais mentiras e abusos. 

O processo pelo qual o Brasil está passando é muito semelhante ao que aconteceu na Venezuela. Tanto Hugo Chávez quanto Lula se elegeram com um discurso populista, demonizaram o setor privado e implementaram políticas econômicas coitadistas e cleptocráticas. E tanto Nicolas Maduro quanto Dilma se elegeram à sombra do “grande líder” e viram o resultado real das políticas desastrosas implementadas por seus partidos produzirem seus legítimos frutos – verdadeiros desastres.

Venezuela e Brasil enfrentam recessão econômica, redução da produção, aumento do desemprego e aumento da inflação. Lá e aqui os governos debocharam das manifestações populares de descontentamento e seus asseclas fizeram todo o possível para deslegitimar os manifestantes. A única diferença é que o Brasil é muito maior que a Venezuela e portanto tem uma inércia econômica muito maior antes que a corrosão das bases da economia e a corrupção endêmica produzam aqui os mesmos efeitos que produziram lá, onde faltam até mesmo papel higiênico e margarina nos supermercados. 

O governo da Venezuela, depois de demonizar, sobretaxar, obstaculizar, super-regulamentar e ofender de todos os modos possíveis e imagináveis o setor privado da economia, agora reclama que há desabastecimento e impõe controle de consumo, proibindo que o mesmo cidadão compre as quantidades que deseja dos produtos que estão desaparecendo das prateleiras. Mas quem haveria de querer empreender em um ambiente político tão francamente hostil ao empreendedor? 

O governo do Brasil, amigo do governo da Venezuela, amigo de todas as ditaduras do planeta, coligado com partidos socialistas e comunistas e abrigo de toda pseudo-intelectualidade marxista que acha lindo dizer que odeia a classe média, está agora mostrando, na campanha eleitoral, que possui a mesma matiz ideológica de seus amigos e que odeia igualmente a iniciativa privada, geradora de riquezas e de empregos. Quem age do mesmo modo pretende obter resultados diferentes? 

É óbvio que o setor privado precisa ser regulamentado e que a instituição legítima para promover esta regulamentação é o Estado, que representa o conjunto de todos os cidadãos de uma jurisdição territorial. Porém, quando um governo demoniza abertamente o setor privado, como faz o governo do PT, podemos ter certeza de que toda regulamentação que esse governo venha a produzir não terá por objetivo promover o desenvolvimento e o progresso, mas a submissão a seus delírios ideológicos e desmandos cleptocráticos. 

Manter o PT no governo é uma garantia de fracasso para o Brasil. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 16/09/2014 

11 thoughts on “A satanização do setor privado

  1. Você também está vendo escassez e hiperinflação chegando por aqui no próximo mandato presidencial?
    Eu acho que a cagada já está feita, se o PT ganhar o cargo vão continuar maquiando estatísticas até quando puderem (o que não vai durar muito tempo), se algum outro ganhar vai ter o azar de pegar uma bomba prestes a explodir.

    1. Sim, a coisa está feia. Não vai ser mole reverter todo o desmantelamento das bases da economia promovido pelo PT, ainda mais com o esquerdismo cultural debilitante que tem tomado conta do país.

  2. Socialismo é só uma serie de pretextos pra um grupo de pessoas doentes poder matar, roubar e estuprar, mandar nos outros, esquerdistas vivem de destruição, eles arrastam tudo que vai pela frente, se você entregar uma país rico com IDH de alto nível pra esquerda em 10 anos a economia já vai está ruin, banditismo em alta, degradação moral e etc. Incrível como tudo que esquerda toca apodrece e morro. O Chile que já é um país de segundo mundo, subiu uma socialista amiga da Dilma, a economia já vai mal.

  3. Incrível como tudo que esquerda toca apodrece e morre. De um país rico e com idh alto pra esquerda, não vai demorar muito pro país está quebrado.

    1. O Brasil é a prova de que o IDH não é um bom indicador. Ele é baseado na quantidade de anos de estudo formal, não na qualidade do ensino. Para manipular o índice basta proibir os professores de rodar as crianças, oferecer merenda gratuita e passe escolar subsidiado e aumentar em um ano a duração do ensino fundamental e pronto, o índice dispara. Mas isso obviamente não reflete a qualidade do ensino e muito menos a capacitação que ele provê para a vida.

  4. Quem sataniza a iniciativa privada não é capaz de administrar uma quitanda. Da onde vem o dinheiro do estado?

  5. É verdade que o PT sataniza o setor privado no discurso, embora no dia-a-dia crie programas para beneficiar os empresários. Mas esse tipo de discurso político não cria em mim ódio ao setor privado, isso quem faz é o Itaú quando me fez cobranças indevidas a juros abusivos referentes a um cartão de crédito, é a Vivo com suas práticas típicas de grupos criminosos, são as seguradoras que estabelecem regras absurdas para suas “coberturas”, são as montadoras com seus cartéis, etc.

    1. Olha bem as empresas que citaste: são todas megaempresas. O PT, eu digo isso há tempos, economicamente se tornou um partido lúmpen-burguês: oferece migalhas ao lúmpen, grandes lucros ao burguês e uma banana à classe média, que é a única que tem valores que o ameaçam. Já não escrevi um artigo sobre isso? Depois de mais de 700 artigos fica difícil lembrar…

  6. Andre, se você quiser morrer de amor pelo Itaú, mude para CEF.

    Outra coisa,todos essas empresas que citaste tem um órgão regulador,se elas fazem isso é porque estão sendo mal fiscalizadas ou mal reguladas.

    1. Se a lógica do mercado é do tipo “Se o dono ver eu tô brincando, se não ver eu tô roubando.” Então temos mais é que satanizá-lo mesmo.

    2. Quem rouba não é “o mercado”, que é uma mera metáfora para um grande número de agentes econômicos que interagem, e sim alguns destes agentes. Para isso existe todo um sistema de fiscalização, polícia e judiciário. (Que por sua vez atuam segundo o caráter de seus próprios agentes. No fim é sempre o caráter do ser humano o que realmente conta.)

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