Nossa visão política é biologicamente determinada?

A BBC Brasil publicou em 20/05/2014 a reportagem “A estrutura do cérebro determina nossa visão política?”, cujo texto reproduzo e analiso abaixo. Mas adianto a resposta: sim, é claro que sim. E muito. Mas vou além: nossa biologia também determina quais são os sistemas políticos, econômicos e sociais adequados e inadequados para nossa espécie. 

Cérebro - biologia e política

Vejamos primeiro o texto da BBC, depois eu volto. 

A estrutura do cérebro determina nossa visão política?

Timandra Harkness

Neurocientistas e psicólogos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha estão pesquisando como atitudes políticas podem estar ligadas ao cérebro.

“Ao analisar como o cérebro processa os fenômenos políticos, podemos entender um pouco melhor porque tomamos certas decisões sobre este assunto”, disse Darren Schreiber, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.

O cientista analisou padrões de atividade no cérebro por meio de exames de ressonância magnética funcional enquanto era feita a tomada de decisões, especialmente aquelas que envolvem riscos.

Schreiber observou variações nas partes do cérebro que ficaram mais ativas entre aqueles que se declaravam conservadores e aqueles que se descreviam como liberais, apesar das decisões tomadas por eles nem sempre serem diferentes.

Segundo o cientista, o estudo sugere que perspectivas políticas refletem divergências profundas na forma como compreendemos o mundo.

Ceticismo

O neurocientista Read Montague, do University College de Londres e da Virginia Tech, dos Estados Unidos, recebeu com ceticismo um pedido para ajudar cientistas políticos em suas pesquisas.

Mas, quando John Hibbing e sua equipe da Universidade de Nebraska mostraram a Montague os dados que já tinham levantado, ele mudou de opinião.

Estudos realizados por Hibbing entre gêmeos sugere que a opinião política pode ser, em parte, genética.

Este pode não ser um traço tão forte como a altura, por exemplo, mas é o bastante para sugerir que algumas pessoas realmente podem ser conservadoras graças ao DNA.

A questão é como exatamente as diferenças genéticas podem ser expressas como diferenças políticas no mundo real.

Hibbing e Montague queriam descobrir se estas predisposições inatas poderiam ser observadas no cérebro.

Então, eles testaram as respostas instintivas a imagens que visavam provocar nojo (como, por exemplo, alguém comendo vermes ou larvas) e medo e descobriram uma ligação entre a força da resposta a estas imagens e o quanto as opiniões de uma pessoa podem ser conservadoras em termos sociais.

“Precisamos deixar clara a distinção entre conservadorismo econônomico e conservadorismo social”, disse Hibbing.

“Pessoas que têm atitudes mais protetoras em relação a assuntos como imigração, que estão mais dispostas a punir criminosos, pessoas que são contra o aborto… estes são indivíduos que parecem ter uma reação muito mais forte a imagens repugnantes.”

Estas reações são medidas em termos biológicos, então, os estudos ligam as opiniões explícitas e conscientes a respostas subconscientes.

Na pesquisa realizada até o momento, as atitudes em relação ao risco, nojo e medo mostram ter ligações mais fortes com as opiniões políticas.

Mudança de região para região

As dificuldades começam quando os cientistas tentam aplicar estas percepções em uma situação ou local específico.
Nenhum dos pesquisadores envolvidos nesta pesquisa alega que nossas opiniões políticas são completamente inatas.

Americanos socialmente conservadores são a favor de um Estado menos abrangente e um mercado mais livre.

Em países que faziam parte do antigo bloco comunista, na Europa Oriental, o conservadorismo social pode levar ao desejo pelos velhos tempos do comunismo.

O economista comportamental Liam Delaney está estudando a psicologia envolvida na campanha do referendo pela independência da Escócia e alerta que não é possível dizer que nossos instintos subconscientes podem servir de guia para o debate.

“Determinismo biológico é um pouco complicado nestas situações, pois há muita variação nos diferentes sistemas políticos. Então, acho que você pode simplificar as coisas ao falar que existe algo fixo que determina o resultado”, disse.

Schreiber afirma que a política humana é “extraordinariamente complexa”. “Não está reduzida apenas ao cérebro, e quero deixar muito claro que não sou um determinista biológico”, acrescentou Schreiber.

Experiência e implicações

O cérebro humano muda durante a vida, então, os neurocientistas tomam muito cuidado ao afirmar que nossas experiências, assim como nossos genes, moldaram o cérebro que eles estão examinando.

John Hibbing acredita que nossos ímpetos subconscientes, que evoluíram em resposta a riscos físicos urgentes, comandam nossas mentes políticas mais do que pensamos.

“As pessoas acreditam que suas crenças políticas são racionais, uma resposta sensata ao mundo que as cerca. Então, não gostam quando dizemos que talvez existam predisposições que são não totalmente conscientes”, disse.

O cientista compara nossas tendências ideológicas inatas com a mão que preferimos usar. Pensava-se que isto era um hábito que poderia ser mudado, mas hoje sabe-se que é algo “profundamente incorporado à biologia”.

Isto pode ter implicações profundas na vida política.

Se alguém ser de esquerda é algo tão inato quanto ser canhoto, não poderíamos apenas fazer um exame no cérebro de todos e deduzir o que as pessoas pensarão sempre e simplesmente parar de tentar mudar sua opinião?

Hibbing não concorda.

“Não acho que as pessoas deveriam aceitar que alguns são simplesmente diferentes, mas deveríamos entender que é muito difícil mudar a opinião de algumas pessoas e que gritar com não contribui para nada”, disse.

AGL

Voltei.

Ando com a impressão que há grandes problemas de vocabulário envolvidos nesta questão. Vejamos:

Em primeiro lugar, o que significa ser “conservador”?

Se o significado for “ter aversão a riscos”, então o estudo faz sentido e toda e qualquer posição política e econômica de baixo risco será preferida às de alto risco (sendo que o sujeito tem que ter capacidade de discernir o que representa risco – o mesmo conservadorismo pode levar à proteção ambiental porque alguém bem informado sabe que ameaçar o equilíbrio climático é um risco enorme e pode levar à destruição ambiental porque alguém mal informado acha que ameaçar o que ele chama de desenvolvimento econômico é que é um risco enorme).

Se o significado for “ser partidário da ideologia tal”, então podemos parar por aqui, porque isso é bobagem. O máximo que pode acontecer é que a genética leve os indivíduos a terem ou mais ou menos empatia (ou aversão a risco, ou combatividade, ou outra característica biológica) e que os indivíduos – levando em consideração aqui também a capacidade cognitiva e a educação recebida – considerem esta ou aquela ideologia mais atraente por lhe parecer mais empática ou menos empática (ou arriscada, ou combativa, ou alguma outra característica biológica).

Essa provavelmente é a razão pela qual muitos jovens ingênuos são atraídos por ideologias esquerdistas, que se apresentam como protetoras dos pobres e oprimidos, mas quando atingem mais maturidade e discernimento percebem que o diagnóstico da injustiça estava correto, mas a solução proposta é radicalmente errada – e ao assumir uma posição mais razoável passam a ser chamados de traidores da causa, retrógrados, coxinhas ou neoconservadores. 

Em segundo lugar, É ÓBVIO que a estrutura do cérebro determina nossa visão política, social e econômica.

Um destes exemplos expus logo acima, quando falei de empatia. E, como a estrutura do cérebro é determinada em parte pela genética, sim, é claro que uma parte da posição de cada um em qualquer um destes temas é parcialmente determinada pela genética. Mas não do jeito que a reportagem faz parecer, ou não haveria as diferenças de região para região que eles mesmos citam.

Em terceiro lugar, quem “não gosta da idéia de que existam predisposições inatas” ignora completamente o que é a biologia e se torna um iludido em psicologia, antropologia, sociologia, economia e política em geral.

Só pensamos como pensamos porque pertencemos à espécie que pertencemos. 

Fôssemos insetos sociais, como os cupins, pensaríamos de modo completamente diferente, teríamos valores completamente diferentes. Insetos sociais são regidos pela máxima de que o bem estar da colônia é prioridade em relação ao bem estar de qualquer indivíduo e que os indivíduos podem ser sacrificados pelo bem da colônia – exatamente a visão dos esquerdistas.

Fôssemos predadores solitários, como os leopardos, também pensaríamos de modo completamente diferente, teríamos valores completamente diferentes. Predadores solitários são regidos pela máxima de que o bem estar próprio e de sua prole é a única coisa que importa e não possuem responsabilidade alguma com mais ninguém – exatamente a visão dos direitistas.

Mas somos primatas caçadores-coletores, não cupins, nem leopardos. Por isso o tipo de política, de economia e de sociedade adequado para nós é, sim, biologicamente determinado – e não corresponde nem ao que prega a esquerda, nem ao que prega a direita.

Os iluministas originais não tinham este conhecimento a seu dispor, por isso não puderam depurar suas idéias da contaminação esquerdista ou direitista. Mas nós temos, e não devemos cometer os mesmos erros. Precisamos de uma política e de uma economia adequadas à realidade biológica do primata caçador-coletor tribal que o ser humano é. Ou melhor: precisamos da política e da economia mais adequadas à realidade biológica do primata caçador-coletor tribal que o ser humano é. Isso é a visão iluminista moderna. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 31/10/2014 

Como a Claro trata o cliente – parte 4: cliente é lixo

Se você é cliente da Claro ou da NET, deveria ler este artigo para saber como a Claro me tratou depois de mais de uma década como cliente. Um dia talvez chegue a sua vez de ser tratado do mesmo modo. 

Claro02

Eu passei por várias mudanças de endereço nos últmos meses. Mudança é uma coisa que bagunça a rotina. No meio da última mudança, entre inúmeras preocupações e coisas por fazer, eu esqueci de pagar a fatura da internet. Descobri isso quando a internet foi cortada, claro.

Alguns dias depois fui à loja da Claro pegar uma segunda via da conta para colocar tudo em dia. Cheguei no caixa, falei que queria uma segunda via da conta e a Claro, pelo funcionário do caixa, pediu o meu CPF e imprimiu uma nova conta.

Eu ia pagar a conta em uma lotérica, mas a Claro me disse que eu poderia pagar ali no caixa mesmo. Para não ter que pegar outra fila, paguei ali mesmo. E a Claro me disse que no máximo em 24 horas, provavelmente muito antes, minha internet estaria no ar.

Passaram-se 24 horas e nada.

Então liguei para o atendimento da Claro, aquele mesmo do qual já falei aqui, aqui e aqui. A Claro me disse, por sua atendente, que o pagamento não havia entrado no sistema ainda.

“- Mas eu fiz o pagamento dentro da própria loja da Claro! Quer dizer que a Claro não informou para si mesma que já recebeu o pagamento?” 

“- Senhor, não há nenhum procedimento que possamos estar realizando para religar a sua internet agora. O senhor terá que esperar o pagamento entrar no sistema.” 

Passaram-se 36 horas e nada. 

Liguei de novo. 

“- Senhor, o seu pagamento ainda não entrou no sistema.” 

Passaram-se 48 horas e nada.

E aí voltei à loja da Claro.

Lá eu descobri que o pagamento que eu havia efetuado, cujo comprovante estava em minhas mãos, não havia sido o da fatura em atraso, mas um suposto resíduo de uma banda larga que eu tinha em 2012 – exatamente aquele caso que me deixou quatro horas e meia sendo enrolado e gerou os três primeiros artigos da série que se encerra com o presente artigo. 

Ou seja, eu pedi uma segunda via da fatura atual e a Claro me deu uma fatura referente a uma falha de processamento dela no cancelamento de uma banda larga de anos atrás. 

Aí eu disse para a Claro: OK, então, agora que vocês já sabem qual foi o erro que cometeram, estornem esse valor cobrado indevidamente, utilizem este valor para pagar a minha fatura atrasada e religuem minha internet imediatamente. 

O que a Claro me disse? Que naquele momento não poderia fazer isso. Que teria que relatar o problema para um comitê sei lá eu de onde e que em cinco dias úteis eu teria uma resposta. Enquanto isso, eu que me dane se eu estou sem internet por causa da incompetência dela. 

Surpreendentemente, ao invés de ter que esperar cinco dias úteis, eu recebi a resposta no dia seguinte – hoje. A Claro me ligou no sábado de manhã, me acordando num dos dois únicos dias da semana em que eu posso dormir até mais tarde, de um número confidencial, sem fornecer um número de protocolo, e eu ainda sonolento atendi a chamada, violando sem querer minha própria regra de nunca atender números confidenciais. 

E o que a Claro me informou? Que não tem registro do cancelamento daquela banda larga de 2012, portanto não tem como estornar o valor pago. 

Eu tentei argumentar: 

“- Peraí, eu continuei cliente da Claro por mais dois anos, não havia nenhuma pendência!” 

“- Senhor, nós não encontramos nenhum registro de cancelamento da sua banda larga de 2012, portanto não há como estornar aquele pagamento.” 

“- Bom, se vocês não encontraram o registro do que foi feito dentro do quiosque de vocês mesmos, então vocês cometeram dois erros!” 

“- Senhor, eu já informei o que tinha que informar. A Claro agradece a sua atenção, tenha um bom dia!” 

E a Claro desligou o telefone na minha cara

Ou seja, a Claro me tomou um dinheiro que eu não lhe devia, através de um ardil maldoso, pouco me interessa se por incompetência ou por má fé, usou de uma alegação que eu não tenho como conferir e que na verdade não passa ou de um segundo erro, ou de má fé, e bateu o telefone na minha cara enquanto eu tentava argumentar, me tratando como lixo. 

E eu que vá me queixar para o bispo, claro

Se a Claro fosse uma empresa decente – e não é – ela poderia ter simplesmente dito o seguinte: 

“- Senhor, nós lamentamos o inconveniente. O senhor é nosso cliente há mais de uma década e nós temos o máximo interesse em mantê-lo como cliente. Nós já religamos a sua internet, corrigimos o problema em nosso sistema e geramos uma nova fatura, que pode ser paga dentro dos próximos dez dias.” 

Se a Claro tivesse agido com esta decência, eu continuaria sendo um cliente satisfeito por muitos anos, dando lucro à operadora por muitos anos, falando bem da operadora por muitos anos. Mas não… A Claro fez questão de ser chinelona. Os R$ 94 (noventa e quatro reais) que ela me tomou cobrando indevidamente uma fatura de 2012 que jamais deveria ter existido foram o atestado de chinelagem mais vergonhoso que uma empresa de grande porte poderia emitir. Graças a sua visão medíocre e a essa conduta porca e mal educada, a Claro perdeu um cliente e tem agora um inimigo que jamais a perdoará. 

Diz uma antiga pesquisa feita pelo ramo hoteleiro que um cliente satisfeito conta em média para quatro pessoas que foi bem atendido e que um cliente insatisfeito conta em média para onze pessoas que foi mal atendido. Pois aqui estou eu contando para quatrocentos leitores por dia que a Claro me atendeu muito, muito, muito mal. 

Mas isso não é tudo. 

Eu não vou me contentar em fazer progaganda contra para mais onze ou quatrocentas pessoas. 

Eu vou é tirar pelo menos mais onze clientes da Claro. 

PROMOÇÃO “ESCURO” 

Estou oferecendo de graça onze chips pré-pagos de outras operadoras, um para cada uma das primeiras onze pessoas que quebrarem os seus chips pré-pagos da Claro na minha frente e prometerem nunca mais usar os serviços da Claro. 

Está vendo isso, Claro maldita? Não é pela migalha dos R$ 94, seus chinelões. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/10/2014 

MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA

Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários de Economia, ligados a diversas instituições no Brasil e no exterior. O nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral.

1) Não há, no momento, uma crise internacional generalizada.

Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica.

Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%. (1)

No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%. (1)

Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão. (2)

Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns.

É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014. (1) 

2) Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada. E os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.

3) O atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional. Entretanto, como a realidade dos fatos mostra que não há crise internacional generalizada, a explicação só pode ser outra.

4) Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo.

5) O atual governo ressuscitou os fantasmas da inflação e da instabilidade macroeconômica.

Uma política monetária inadequada gerou a suspeita de intervenções de cunho político no Banco Central, que foi fatal para sua credibilidade.

A utilização recorrente de truques contábeis destruiu a confiança na política fiscal.

Esta combinação de políticas monetária e fiscal opacas e inadequadas gerou um cenário macroeconômico extremamente adverso, com inflação alta e crescimento baixo.

6) O governo Dilma amedrontou os investimentos.

Houve mudanças constantes e inesperadas de regras, como alterações arbitrárias de alíquotas de impostos.
Diante desta instabilidade das regras do jogo, a desconfiança aumentou e o horizonte dos empresários encurtou.
O acesso privilegiado aos órgãos governamentais passou a ser uma atividade mais lucrativa que o planejamento e investimento de longo prazo.

7) A mudança das regras do jogo não afetou apenas a iniciativa privada.

O excesso de intervencionismo nas empresas estatais, como o represamento artificial dos preços de energia e gasolina, minou a capacidade de investimento dessas empresas.

Por conta de empreendimentos questionáveis do ponto de vista econômico, a capacidade de investimento da Petrobrás foi comprometida.

8) O atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável.

A distribuição arbitrária de crédito subsidiado produz distorções na alocação de recursos do país e contribui para o baixo crescimento econômico.

Os subsídios envolvidos geram altos custos fiscais que o atual governo tenta esconder com malabarismos e truques contábeis. Estes expedientes destruíram a confiança nas estatísticas fiscais do país.

Os recursos gastos na forma de subsídios injustificados poderiam ser utilizados para ampliar programas sociais e investimentos públicos em educação, saúde e infra-estrutura.

O Brasil precisa continuar avançando na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, com melhor distribuição de renda.

Além de deletéria para o desenvolvimento do país, a política de distribuição arbitrária de crédito subsidiado para grandes grupos econômicos é concentradora de renda.

No ambiente econômico do Brasil de hoje, os frutos de um novo empreendimento podem ser facilmente corroídos por mudanças inesperadas nas regras do jogo, pela alta inflação e pelo baixo crescimento econômico. Portanto, não é surpreendente que o investimento tenha colapsado. Sem investimento, o Brasil jamais retomará o seu caminho para o desenvolvimento. E sem desenvolvimento, os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas sofrerão retrocessos.

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

 

14 de outubro de 2014

 

Fontes:

(1) Dados retirados do World Economic Outlook, FMI, Outubro de 2014.

(2) Dados retirados do sítio da OCDE (http://stats.oecd.org/). Recessão definida como variação negativa do PIB real dessazonalizado nos últimos 2 trimestres com dados disponíveis.

Assinam (em ordem alfabética) os professores abaixo:

Nome Titulação, Instituição Afiliação atual

(1) Ademar Romeiro PhD, EHESS Unicamp
(2) Adriana Bruscato Bortoluzzo Doutor, IME/USP Insper
(3) Afonso Henriques Borges Ferreira PhD, New School Ibmec MG
(4) Alan André Borges da Costa Mestre, UFMG UFOP
(5) Alan Moreira PhD, Chicago Yale University
(6) Alberto Salvo PhD, LSE National University of Singapore
(7) Alesandra de Araújo Benevides Mestre, CAEN/UFC UFC
(8) Ana Beatriz Galvão PhD, Warwick University of Warwick
(9) Anderson Mutter Teixeira Doutor, UnB FACE/UFG
(10) André Carraro Doutor, PPGE/UFRGS PPGOM/UFPel
(11) André da Cunha Bastos Mestre, USP UFG
(12) André Portela Souza PhD, Cornell EESP/FGV
(13) Antonio F. Galvao PhD, Illinois University of Iowa
(14) Antônio Márcio Buainain Doutor, Unicamp Unicamp
(15) Ari Francisco de Araujo Junior Mestre, UFMG Ibmec MG
(16) Arilda Teixeira Doutor, UFRJ Fucape
(17) Arilton Teixeira PhD, Minnesota Fucape
(18) Armando Gomes PhD, Harvard Washington University in St Louis
(19) Aureo de Paula PhD, Princeton University College London e EESP/FGV
(20) Bernardo de Vasconcellos Guimarães PhD, Yale EESP/FGV
(21) Bernardo Soares Blum PhD, UCLA University of Toronto
(22) Braz Ministério de Camargo PhD, UPenn EESP/FGV
(23) Bruno Cara Giovannetti PhD, Columbia FEA/USP
(24) Bruno Cesar Aurichio Ledo Doutor, EPGE/FGV FEA/USP-RP
(25) Bruno Ferman PhD, MIT EESP/FGV
(26) Bruno Funchal Doutor, EPGE/FGV Fucape
(27) Camila F. S. Campos PhD, Yale Insper
(28) Carolina Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(29) Carlos Eduardo Goncalves Doutor, USP FEA/USP
(30) Carlos Eugênio Ellery Lustosa da Costa PhD, Chicago EPGE/FGV
(31) Carlos Viana de Carvalho PhD, Princeton PUC-Rio
(32) Cecilia Machado PhD, Columbia EPGE/FGV
(33) Cézar Augusto Ramos Santos PhD, UPenn EPGE/FGV
(34) Cristian Huse PhD, LSE Stockholm School of Economics
(35) Christiano Arrigoni Coelho Doutor, PUC-Rio Ibmec RJ
(36) Christiano Modesto Penna Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(37) Cristina Terra PhD, Princeton Université de Cergy-Pontoise
(38) Claudio Djissey Shikida Doutor, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(39) Claudio Ferraz PhD, Berkeley PUC-Rio
(40) Claudio Ribeiro de Lucinda Doutor, EAESP/FGV FEA/USP-RP
(41) Cleyzer Adrian da Cunha Doutor, UFV FACE/UFG
(42) Daniel Barboza Guimarães Doutor, CAEN/UFC UFC
(43) Daniel Bernardo Soares Ferreira PhD, Chicago London School of Economics
(44) Daniel de Abreu Pereira Uhr Doutor, UnB UFPel
(45) Daniel Gottlieb PhD, MIT University of Pennsylvania
(46) Daniel Monte PhD, Yale EESP/FGV
(47) Daniel Oliveira Cajueiro Doutor, ITA UnB
(48) Daniel Ribeiro Carvalho PhD, Harvard University of Southern California
(49) David Turchick Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(50) Eduardo Augusto de Souza-Rodrigues PhD, Yale University of Toronto
(51) Eduardo Correia de Souza Doutor, UFRJ Insper
(52) Eduardo Faingold PhD, UPenn Yale University
(53) Eduardo Fonseca Mendes PhD, Northwestern University of New South Wales
(54) Eduardo Zilberman PhD, NYU PUC-Rio
(55) Elano Ferreira Arruda Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(56) Emanuel Ornelas PhD, Wisconsin-Madison London School of Economics e EESP/FGV
(57) Emerson Marinho Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(58) Emilson Caputo Delfino Silva PhD, Illinois University of Alberta
(59) Fábio Massaúd Caetano Doutor, PPGE/UFRGS UFPel
(60) Fabio Miessi PhD, LSE FEA/USP
(61) Fabio Orfali Mestre, USP Insper
(62) Felipe Garcia Ribeiro Doutor, EESP/FGV UFPel
(63) Fernando Botelho PhD, Princeton FEA/USP
(64) Fernando Vendramel Ferreira PhD, Berkeley University of Pennsylvania
(65) Flávia Lúcia Chein Feres Doutor, Cedeplar/UFMG PPGEA/UFJF
(66) Francisco Junqueira Moreira da Costa PhD, LSE EPGE/FGV
(67) Gabriel de Abreu Madeira PhD, Chicago FEA/USP
(68) George Henrique de Moura Cunha Doutor, UnB UCB
(69) Geraldo Biasoto Jr Doutor, IE/Unicamp IE/Unicamp
(70) Gil Riella PhD, NYU UnB
(71) Gisele Ferreira Tiryaki  PhD, George Mason UFBA
(72) Gregorio Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(73) Guilherme Hamdan Gontijo Mestre, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(74) Guilherme Irffi Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(75) Gustavo Manso PhD, Stanford University of California, Berkeley
(76) Gustavo Mauricio Gonzaga PhD, Berkeley PUC-Rio
(77) Gustavo Ramos Sampaio PhD, Illinois UFPE
(78) Heitor Almeida PhD, Chicago University of Illinois at Urbana-Champaign
(79) Helder Ferreira de Mendonça Doutor, UFRJ UFF
(80) Jair Andrade Araujo Doutor, CAEN/UFC MAER/UFC
(81) João Manoel Pinho de Mello PhD, Stanford Insper
(82) João Victor Issler PhD, San Diego EPGE/FGV
(83) José A. Rodrigues-Neto PhD, Wisconsin Australian National University
(84) José Coelho Matos Filho Doutor, UnB UFC
(85) José Guilherme de Lara Resende PhD, Chicago UnB
(86) José Maria Ferreira Jardim da Silveira Doutor, Unicamp Unicamp
(87) Juliana Inhasz Doutor, FEA/USP Insper
(88) Juliana Terreiro Salomao PhD, Stanford University of Minessota
(89) Juliano Junqueira Assunção Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(90) Klenio de Souza Barbosa PhD, Toulouse EESP/FGV
(91) Leandro Rocco PhD, Illinois UFC
(92) Leonardo Rezende PhD, Stanford PUC-Rio
(93) Lucas Maestri PhD, Yale EPGE/FGV
(94) Luciana Yeung Luk Tai Doutor, EESP/FGV Insper
(95) Luciano I. de Castro Doutor, IMPA University of Iowa
(96) Luis Henrique Bertolino Braido PhD, Chicago EPGE/FGV
(97) Marcel Scharth PhD, VU University Amsterdam University of New South Wales
(98) Marcelo Arbex  PhD, Illinois University of Windsor
(99) Marcelo Cunha Medeiros Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(100) Marcelo de Albuquerque e Mello PhD, Illinois Ibmec RJ
(101) Marcelo de Castro Callado PhD, University of Cologne UFC
(102) Marcelo de Oliveira Passos Doutor, UFPR UFPel
(103) Marcelo Eduardo Alves da Silva PhD, UNC Chapel Hill UFPE
(104) Marcelo Fernandes PhD, Université Libre de Bruxelles EESP/FGV e Queen Mary University of London
(105) Marcelo Rodrigues dos Santos Doutor, EPGE/FGV Insper
(106) Marcelo Savino Portugal PhD, Warwick UFRGS
(107) Marcio Gomes Pinto Garcia PhD, Stanford PUC-Rio
(108) Márcio Veras Corrêa Doutor, Universidade Técnica de Lisboa CAEN/UFC
(109) Marco Bonomo PhD, Princeton Insper
(110) Marcos Costa Holanda PhD, Illinois CAEN/UFC
(111) Marina Mendes Tavares PhD, Minnesota ITAM, Mexico
(112) Mauricio Benegas Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(113) Maurício Soares Bugarin PhD, Illinois UnB
(114) Mauro Rodrigues Doutor, UCLA FEA/USP
(115) Marco Aurélio Bittencourt Doutor, UnB UCB
(116) Naercio Aquino Menezes Filho PhD, University of London Insper e FEA/USP
(117) Natalia Piqueira PhD, Princeton University of Houston
(118) Nathalie Gimenes Sanches PhD, Queen Mary University of London FEA/USP
(119) Nelson Camanho da Costa Neto PhD, LSE Catolica Lisbon School of Business & Economics
(120) Nelson Seixas dos Santos Doutor, USP PPGE/UFRGS
(121) Osvaldo Candido da Silva Filho Doutor, UFRGS UCB
(122) Paulo Natenzon PhD, Princeton Washington University in St Louis
(123) Paulo Rogério Faustino Matos Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(124) Pedro A. C. Saffi PhD, London Business School University of Cambridge
(125) Pedro Cavalcanti Ferreira PhD, UPenn EPGE/FGV
(126) Pedro H. Albuquerque PhD, Wisconsin-Madison KEDGE Business School
(127) Pedro Hemsley PhD, Toulouse UERJ
(128) Peri Agostinho da Silva Junior PhD, Illinois Kansas State University
(129) Pery Francisco Assis Shikida Doutor, ESALQ/USP Unioeste
(130) Pricila Maziero PhD, Minnesota University of Pennsylvania
(131) Priscila Casari Doutor, ESALQ/USP UFG
(132) Rafael B. Barbosa Doutor, CAEN/UFC Sobral/UFC
(133) Rafael de Vasconcelos Xavier Ferreira Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(134) Rafael Dix Carneiro PhD, Princeton Duke University
(135) Rafael Lopes de Melo PhD, Yale University of Chicago
(136) Regis Augusto Ely Doutor, UnB UFPel
(137) Renata Narita PhD, UCL FEA/USP
(138) Renato Dias de Brito Gomes PhD, Northwestern Université de Toulouse
(139) Renato Fragelli Cardoso Doutor, EPGE/FGV EPGE/FGV
(140) Ricardo A. de Castro Pereira Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(141) Ricardo D. O. Brito Doutor, EPGE/FGV Insper
(142) Ricardo de Abreu Madeira PhD, BU FEA/USP
(143) Rinaldo Barcia Fonseca Doutor, Unicamp Unicamp
(144) Roberto Ellery Jr Doutor, UnB UnB
(145) Rodrigo de Losso da Silveira Bueno PhD, Chicago FEA/USP
(146) Rodrigo Lanna Franco da Silveira Doutor, USP IE/Unicamp
(147) Rodrigo Moita PhD, Illinois Insper
(148) Rodrigo Nobre Fernandez Doutor, UFRGS UFPel
(149) Rodrigo R. Soares PhD, Chicago EESP/FGV
(150) Rogério Mazali PhD, Tulane University UCB
(151) Rogério Moreira de Siqueira Mestre, CAEN/UFC UFC
(152) Romero Cavalcanti Barreto da Rocha Doutor, PUC-Rio UFRJ
(153) Ronald Otto Hillbrecht PhD, Illinois PPGE/UFRGS
(154) Rozane Bezerra de Siqueira PhD, UCL UFPE
(155) Ruy Monteiro Ribeiro PhD, Chicago PUC-Rio
(156) Sabino da Silva Porto Júnior Doutor, PPGE/UFRGS UFRGS
(157) Thiago de Oliveira Souza PhD, University of London Southern Denmark University
(158) Tiago V. de V. Cavalcanti PhD, Illinois University of Cambridge
(159) Tiago Couto Berriel PhD, Princeton PUC-Rio
(160) Vander Mendes Lucas PhD, Université Catholique de Louvain UnB
(161) Vinicius Carrasco PhD, Stanford PUC-Rio
(162) Vitor Borges Monteiro Doutor, CAEN/UFC FEAAC/UFC
(163) Vitor Hugo Miro Couto Silva Mestre, CAEN/UFC UFC
(164) Walter Novaes Filho PhD, MIT PUC-Rio

O prazo para aderir a este manifesto se encerrou às 16h do dia 14 de outubro de 2014. Agradecemos as manifestações de apoio e encorajamos a divulgação deste manifesto.

Contato: manifestoprofecon@gmail.com 

Original: https://sites.google.com/site/manifestoeconomistas/

Transporte individual ou transporte coletivo?

Meu amigo Emerson Amélio compartilhou no Facebook a imagem que ilustra este artigo. Eu já escrevi sobre isso antes, mas acho que cabe voltar ao tema. Eu ABOMINO o transporte coletivo no Brasil. Por quê? Porque é um lixo.

Transporte coletivo

Com meu carro eu saio de casa na hora que eu bem entendo, vou para onde eu bem entendo e volto quando eu quiser. Com o transporte coletivo eu só posso sair de casa na hora que passa o coletivo, só posso ir para onde o coletivo me leva e tenho hora para voltar.

Com meu carro eu viajo sentado, com a temperatura interna que eu escolher para meu veículo, no maior conforto, em silêncio ou ouvindo a música que eu escolher. Com o transporte coletivo eu posso ter que viajar em pé, apertado como uma sardinha numa lata, com algum fedorento tocando funk num celular esganiçado a meu lado.

Com meu carro eu posso ir ao supermercado, encher o porta-malas, trazer as compras em segurança para casa e descarregar tudo com calma e segurança. Com o transporte coletivo eu só posso comprar aquilo que puder carregar com as mãos, tenho que levar tudo no colo e atravessar o coletivo com tudo na mão, com dificuldade e incomodando os outros, podendo ainda ter algum item furtado no processo.

Liberdade, conforto, praticidade e segurança. Em todos estes itens o automóvel particular supera o transporte coletivo. Por isso as pessoas preferem ter um carro.

E como os governos no Brasil tratam essa questão? Para forçar o uso de transporte coletivo, ao invés de melhorar o transporte coletivo, eles tratam de encarecer e dificultar o transporte individual. Ou seja, ao invés de oferecer uma solução melhor, para que o cidadão passe a preferir o transporte coletivo, os governos tratam de piorar a solução que o cidadão prefere para que ela se torne insuportável e insustentável.

Se os governos implantassem bons sistemas de transporte coletivo, não seria necessário inventar pedágios, áreas de estacionamento rotativo pagas em vias públicas, rodízio de placas e tantas outras gambiarras para tomar dinheiro do cidadão e infernizar sua vida. A escolha pelo melhor método de transporte é natural. O fato de todo mundo preferir o automóvel particular somente atesta como nossos governos são incompetentes – ou safados, porque quase todas as “soluções” passam por encarecer artificialmente o transporte individual. 

Então, a julgar especificamente pelo sistema de transporte preferido, país desenvolvido não é aquele onde quem quer que seja usa o transporte coletivo. País desenvolvido é aquele em que o governo oferece soluções tão boas de transporte que o cidadão não enfrenta problemas de transporte, nem precisa ficar discutindo “o que as pessoas deveriam fazer”, por terem diversas opções que lhes garantem liberdade, conforto, praticidade e segurança sem criar problemas para terceiros ou para o funcionamento do sistema de transporte como um todo. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/10/2014 

O que um indivíduo bom pode produzir em associação com um grupo mau?

Este esclarecimento foi postado originalmente no Facebook, como metáfora para “um bom candidato em um mau partido”. Todo mundo que “vota na pessoa, não no partido” deveria ler. 

A ovelha branca

Você sabe como é que o tráfico de drogas e armas domina uma favela? Às vezes é pela sedução, às vezes é pela persuasão, às vezes é pela ameaça, às vezes é pela força. Quando os chefes são uns brucutus, eles vão direto pela força. Quando os chefes são um pouco mais esclarecidos, eles vão tentando dominar usando estas estratégias na ordem em que eu as citei. Custa muito menos pagar uns medicamentos pro filho asmático da Dona Maria do que gastar latim explicando pra Dona Maria a geopolítica do morro. Custa muito menos explicar a geopolítica do morro do que deixar claro pra Dona Maria que bugio que muito ronca está pedindo chumbo. E custa muito menos esclarecer esta realidade “ecológica” do que meter porrada ou tiro na Dona Maria. 

Quando uma quadrilha que domina um território possui alguns elementos que fazem “relações públicas” para seduzir as Donas Marias, os conflitos com os moradores diminuem, deixam de ocorrer crimes contra os moradores, a polícia aparece menos, os clientes circulam sem medo, as crianças podem jogar bola na rua até de noite sem correr risco algum… E a população chega a ter a mais profunda convicção de que o tráfico é uma força benigna, que lhes trouxe segurança, respeito e amor-próprio. 

Quanto mais “honestos” e “confiáveis” são os relações-públicas da quadrilha, melhor ela se estabelece. Ingenuidade é acreditar que um sujeito que faz isso, por mais bem intencionado que seja, e de fato o sujeito pode ser ele próprio um ingênuo bem intencionado, esteja fazendo algum benefício real e de longo prazo para a população que não integra a quadrilha. Muito antes pelo contrário, ele só está reforçando o sucesso dos verdadeiros objetivos do grupo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 06/10/2014 

Publique o Pensar Não Dói em sua Linha do Tempo

As orientações deste artigo não funcionam mais. O NetworkedBlogs bloqueou novos compartilhamentos automáticos. Quem já tem continua funcionando, quem não tem precisa adquirir o novo produto deles, o Simphony. Quem desfizer qualquer compartilhamento automático já existente não conseguirá refazê-lo. Se eu descobrir alguma outra alternativa eu editarei este artigo para informar. 

Você gostaria de ajudar o Pensar Não Dói a crescer? É muito simples e fácil! Publique os artigos do blog em sua Linha do Tempo, para que todos os seus amigos os vejam, mesmo que você esteja offline quando os artigos forem publicados. Basta seguir os passos abaixo. Não pule nenhum deles. 

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Primeira parte: dentro do Facebook

1. Clique aqui para abrir a página do Pensar Não Dói no Facebook em outra janela ou aba. (Se necessário, clique em “entrar” e faça seu login.)

2. Clique no botão branco de “Curtir”.

3. Mova o mouse pela tela, aponte-o novamente para o botão “curtir”, espere carregar as opções e clique em “receber notificações”.

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4. Deixe essa janela aberta e volte aqui.

Segunda parte: dentro do NetworkedBlogs

5. Clique aqui para abrir a página do Pensar Não Dói no NetworkedBlogs em outra janela ou aba.

6. Clique no botão verde de “Follow”. 

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7. Clique no link “Syndication” na coluna da esquerda.

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O NetworkedBlogs pode pedir algumas permissões ou pode pular direto para o passo 9. Se aparecer “grant permissions” vá para o passo 8 e se aparecer “choose a blog to syndicate” vá direto para o passo 9. 

8. Clique em “Grant Permissions” e depois dê OK para tudo que ele pedir.

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Depois de dar as permissões, você tem que mandar o NetworkedBlogs fazer o que você acabou de permitir que ele faça. Ignore quando ele disser “Done” (“pronto”). Ele diz isso antes da hora. Siga as instruções até o fim, ou não vai funcionar. 

9. Selecione o Pensar Não Dói na caixa de diálogo “Choose a blog to syndicate”. 

10. Clique em “Add Facebook Target”. 

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O NetworkedBlogs ainda vai pedir mais uma confirmação. 

11. Clique em “Add”

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Agora sim está pronto!

12. Verifique se deu tudo certo. Clique em “Close”, depois clique em “Publish Test Post” e finalmente clique em “Click to View” para ver o resultado em sua Linha do Tempo. Se não aparecer uma postagem com o link para o blog em sua Linha do Tempo, é porque alguma coisa deu errado e é necessário refazer todo o percurso.  

Muito obrigado por divulgar o Pensar Não Dói! 

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Avisos:

1) Ninguém concorda com 100% do que outra pessoa pensa. É 100% certo que às vezes eu vou escrever algo de que você discorda. Quando isso acontecer, você pode simplesmente comentar “desta vez eu discordo do Arthur” ou pode deletar o artigo de sua Linha do Tempo. Por mim, tudo bem. Mesmo. 

2) Se alguém em sua Linha do Tempo reclamar dos meus artigos, você pode dizer que os divulga automaticamente porque é meu amigo, ou porque em geral os considera interessantes, ainda que discorde de vários deles, e que quem não quiser ler os meus artigos só precisa não clicar neles. 

3) Se você quiser deixar de compartilhar automaticamente os artigos do Pensar Não Dói, tudo o que precisa fazer é abrir seu Facebook em uma outra janela ou aba, depois voltar e clicar aqui e então clicar em “Remove” na janela ou aba que será aberta. É muito mais fácil desfazer do que fazer. 

4) Divulgar Não Dói. 😉

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 06/10/2014 

Breve divagação sobre a confiabilidade do conhecimento no discurso não acadêmico

Se para toda afirmação tivéssemos que trazer citações revisadas por pares da academia, mal sobraria 0,001% da blogosfera e de todas as conversações imagináveis. Esse não é o nível de rigor padrão, esse é o nível de rigor da academia, que tem propósitos bem específicos e que representa (ou deveria representar) a vanguarda do conhecimento válido. 

Jesus Cristo citação

Uma vez que o conhecimento de vanguarda tenha sido validado, ele é assimilado pelo senso comum, em cascata, das classes intelectualmente mais refinadas para baixo, eventualmente sofrendo distorções pelo caminho. Por isso a confiabilidade do conhecimento no discurso – e não somente a clareza – costuma ter uma forte correlação com a articulação do interlocutor, desde que haja honestidade intelectual. 

Em um círculo de interlocutores com um bom grau de articulação, a confiabilidade do conhecimento costuma ser aferida diagonalmente, através da avaliação da coerência do discurso, sendo eventualmente reforçada com citações quando a coerência do discurso não é percebida como suficiente para a confirmação do conteúdo, o que ocorre com freqüência quando alguém apresenta alegações estranhas ao senso comum daquele círculo de interlocutores. Este processo costuma funcionar bem, dado que em geral existe uma grande intersecção entre os conhecimentos de diversos interlocutores que compartilham de uma cultura comum. Repetindo: desde que haja honestidade intelectual. 

Normalmente está disponível um passo anterior à busca de citações que resolve a maioria das divergências conceituais: o próprio diálogo sobre os conceitos, ou o estabelecimento de uma fonte fiável para ambos os interlocutores para sincronizar os conceitos – papel em geral muito bem exercido pelos dicionários melhor conceituados, ou, no mundo da internet, eventualmente pela Wikipédia, por um site de universidade famosa ou por um site de um portal de notícias de grande porte. Na maioria das vezes isso é suficiente. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/10/2014

Nova mudança

Toda vez que eu me mudo eu deixo o blog uma semana ou duas parado. Não gosto de fazer isso, mas é natural, eu preciso de um tempo de aclimatação para voltar a escrever. O notebook acaba sendo a última coisa que sai das caixas. Desta vez não foi diferente, mas tudo já está de volta ao normal. 

ACME

Mudei de cidade de novo porque o projeto que fui desenvolver não deu certo. Estava tudo muito bem planejado, eu devia estar produzindo mariscos na Enseada de Brito, mas as limitações que me foram impostas eram inaceitáveis. Depois de ter vivido acampado por dois anos, de ter me estressado a níveis estratosféricos, de ter sido hospitalizado em função de problemas de saúde decorrentes do stress e de ter desistido do meu emprego para ir produzir mariscos, ter que ou morar em uma barraca ou alugar uma casa a três quilômetros do local de produção e arrebentar o carro todos os dias em uma estrada ruim eram condições intoleráveis. 

Eu planejei e acalentei este sonho por sete anos, abandonei toda uma vida e minha única fonte de renda para tocar este projeto e em três ocasiões distintas meu sócio me disse que eu “queria as coisas rápido demais” e que “primeiro a gente toca a produção, depois, conforme os resultados, a gente vê como fica a tua situação aqui”. Peraí! No mínimo mais um ano acampado e vivendo mal para então “quem sabe”  poder começar a viver sem desconforto??? Não, sinto muito, mas eu mereço mais do que isso. Depois a gente vê como fica esse acordo, vê o que dá pra repactuar, mas eu não larguei toda a minha vida para viver pior do que estava, nem mesmo por um único dia. 

O lugar onde eu morei durante este ano e meio não era onde eu queria estar, portanto. Nunca foi. Este tempo foi suportável apenas porque estava morando com meus pais e tinha uns poucos bons amigos em volta. Mas não era um ambiente estimulante e não oferecia quaisquer oportunidades econômicas. Um mini-pântano, um lugar estagnado. Não dava para ficar lá. 

Se eu não podia estar onde eu queria estar e tinha que ficar onde não queria ficar, era hora de mudar de rumo de novo. Uma nova mudança, um novo local de trabalho, um novo projeto de vida.

Milagres não existem, nós é que temos que fazer as coisas acontecerem. E isso requer ousadia e determinação. Não se pode ter medo de se livrar do que não está funcionando e de enfrentar novos desafios. E foi isso que eu decidi fazer.

De volta à vida. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 1°/10/2014