Toda vez que eu me mudo eu deixo o blog uma semana ou duas parado. Não gosto de fazer isso, mas é natural, eu preciso de um tempo de aclimatação para voltar a escrever. O notebook acaba sendo a última coisa que sai das caixas. Desta vez não foi diferente, mas tudo já está de volta ao normal. 

ACME

Mudei de cidade de novo porque o projeto que fui desenvolver não deu certo. Estava tudo muito bem planejado, eu devia estar produzindo mariscos na Enseada de Brito, mas as limitações que me foram impostas eram inaceitáveis. Depois de ter vivido acampado por dois anos, de ter me estressado a níveis estratosféricos, de ter sido hospitalizado em função de problemas de saúde decorrentes do stress e de ter desistido do meu emprego para ir produzir mariscos, ter que ou morar em uma barraca ou alugar uma casa a três quilômetros do local de produção e arrebentar o carro todos os dias em uma estrada ruim eram condições intoleráveis. 

Eu planejei e acalentei este sonho por sete anos, abandonei toda uma vida e minha única fonte de renda para tocar este projeto e em três ocasiões distintas meu sócio me disse que eu “queria as coisas rápido demais” e que “primeiro a gente toca a produção, depois, conforme os resultados, a gente vê como fica a tua situação aqui”. Peraí! No mínimo mais um ano acampado e vivendo mal para então “quem sabe”  poder começar a viver sem desconforto??? Não, sinto muito, mas eu mereço mais do que isso. Depois a gente vê como fica esse acordo, vê o que dá pra repactuar, mas eu não larguei toda a minha vida para viver pior do que estava, nem mesmo por um único dia. 

O lugar onde eu morei durante este ano e meio não era onde eu queria estar, portanto. Nunca foi. Este tempo foi suportável apenas porque estava morando com meus pais e tinha uns poucos bons amigos em volta. Mas não era um ambiente estimulante e não oferecia quaisquer oportunidades econômicas. Um mini-pântano, um lugar estagnado. Não dava para ficar lá. 

Se eu não podia estar onde eu queria estar e tinha que ficar onde não queria ficar, era hora de mudar de rumo de novo. Uma nova mudança, um novo local de trabalho, um novo projeto de vida.

Milagres não existem, nós é que temos que fazer as coisas acontecerem. E isso requer ousadia e determinação. Não se pode ter medo de se livrar do que não está funcionando e de enfrentar novos desafios. E foi isso que eu decidi fazer.

De volta à vida. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 1°/10/2014 

8 thoughts on “Nova mudança

  1. Depois eu responderei os comentários dos últimos dias.

  2. Bem-vindo de volta, Arthur. =)

    1. Ibidem. Sinta-se em casa hehehe!

  3. Força, Arthur!

  4. Mateus Folador (Fola)

    02/10/2014 — 09:49

    Já estava com saudade de seus artigos.

  5. Parabéns Arthur. É preciso muita coragem e determinação para se tomar atitudes como essa.
    E é com coragem e determinação que alcançamos nossos objetivos – ainda que com muitos solavancos, pedras e muros a galgar.
    Vai com fé em si (e determinação!).

  6. Valeu, pessoal!

    Melhor ainda é poder morar em qualquer lugar do mundo e ainda assim continuar este bate-papo legal com vocês! 🙂

  7. Só os que estão vivos podem mudar.
    Só pode mudar o rumo quem for inteligente.
    Infelizmente,nem todos estão despertos ou são inteligentes.

    Parabéns!
    Ventilaste a vida.
    Encheste os dias de aventuras.

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