Durante vários anos eu tentei expressar meu pensamento político utilizando o vocabulário e as referências mais aceitos na atualidade. Isso dificultou muito minha expressão e acabou gerando o desastroso efeito “não pense em um elefante”. Decidi, então, assumir minha independência como ideólogo. 

sapere aude - faz uso de tua própria razão - este é o lema iluminista

Os leitores mais freqüentes do blog já devem estar bem familiarizados com a famosa definição de iluminismo de Immanuel Kant:

“O iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem.

É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem.

Sapere aude! – Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do iluminismo.” 

A decisão de hoje nada mais é, portanto, que um ato de coerência. Não fazia mais sentido insistir em apresentar um pensamento político em termos que não refletiam as idéias que proponho e que defendo e muito menos debater política usando conceitos que refletem a lógica pervertida das ideologias que abomino e combato. Há muito tempo era necessário abandonar aquele pântano de conceitos equivocados e erigir um quadro conceitual próprio, coerente e consistente

Trato também de desfazer uma confusão que causou um certo mal entendido: o iluminismo não é uma política específica, é antes uma postura política, mas é uma postura política que exige seguir algumas diretrizes políticas e afastar-se de outras. Este é um excerto da Wikipédia: 

O iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um lugar melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. 

Esta é uma ótima definição, porque deixa claro o objetivo e os métodos básicos aos quais um indivíduo deve aderir para se considerar um iluminista: ele deve querer tornar este mundo um lugar melhor, deve ser questionador, deve defender a liberdade e a capacitação do ser humano e deve ser politicamente ativo. 

Mas isso é apenas o alicerce da minha política. Eu vou muito além disso. 

Os iluministas pioneiros, lá no século XVII e XVIII, não tiveram acesso a uma imensa gama de descobertas científicas e aprendizados históricos que temos hoje no século XXI. Isso exige do iluminista moderno, para ser fiel aos princípios do iluminismo, uma visão política diferente daquela dos iluministas pioneiros, atualizada pelas descobertas científicas e pelo aprendizado histórico decorrente do transcurso de três séculos.

Os iluministas pioneiros não conheciam o Big-Bang, o átomo, o DNA, a biologia evolutiva, a etologia (com “t”), a Teoria Geral de Sistemas, a Teoria do Caos, os monstros socialista e capitalista, a globalização econômica, o aquecimento global antrópico e a internet e não podiam imaginar que alguns de seus mais belos ideais seriam distorcidos e pervertidos para legitimar a ascensão e a manutenção das mais abjetas tiranias.

Eu tenho acesso a tudo isso. E proponho uma nova síntese.

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Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2014 

12 thoughts on “Mudança de rota política

  1. ESTÁ VIVO!

    1. Sim. Cada vez mais. 😉

  2. Um retorno agradável e produtivo!

    1. Vou fazer força para isso.

  3. boa… como já disse antes, o pensamento propositivo, que se move, que tem ação, é o caminho para o momento em que vivemos… principalmente pq estamos nos debatendo contra um sistema que caminha seguro para o totalitarismo, e quem domina este sistema, não está nem aí para a crítica. Se não se incomodam nem com provas explícitas, imagine críticas.

    1. Não acredito mais nem no pensamento propositivo. Vou desenvolver a minha ideologia só porque acho que é o certo a fazer. Mas não tenho mais esperança no Brasil para meu tempo de vida.

  4. Não tente fazer tudo sozinho. Suba nos ombros de gigantes. Leia filosofia política analítica atual. Tem vários periódicos revisados pelos pares para isso.

    1. Estás me sugerindo Karl Popper em um momento Thomas Kuhn. 😉

    2. Você não vai ser revolucionário se não derrubar o que já está posto. É preciso que estude o pensamento atual se você quer ter relevância. A não ser que eu esteja te interpretando mal e você só tenha interesse em fazer um blog lido por amigos e curiosos.

    3. Aí é que está. Não se faz uma revolução usando os conceitos e o vocabulário do status quo. Eu pretendo escrever bastante nesta categoria do blog, mas usando os meus conceitos, sem citar terceiros. Isso farei noutras categorias, comentando o que rola ideologicamente por aí.

  5. Eu adoraria saber que o mundo se transformaria,num lugar melhor,pela força das leis,da filosofia,da ética,do comprometimento humano.

    Mas sei que nada disso resolve quando se trata do coletivo.

    Querendo ou não,existe um componente espiritual nisso tudo.
    Poucos estão aptos a entender esse lado da “coisa”.

    Todos nós podemos fazer diferença na vida dos que nos rodeiam,só!

    Eu tento ser esse 1 do exército de Brancaleone,do exército daqueles que despertaram.

    Uma engrenagem foi posta em movimento,só o poder da luz pode pará-la, mas onde estão os que acreditam na força do bem?

    O mal engrossa suas hostes.

    O que me salva é que acredito que este planeta não passa de uma estação,uma escola.

    1. O fato de um governo corrupto com uma ideologia porca estar levando o país inteiro para o buraco, com degradação moral, miséria econômica, opressão política e violência crescente, mostra que é possível fazer a diferença politicamente.

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