As orientações contidas neste artigo seguem a mesma numeração das orientações da “dieta para matar diabéticos” e corrigem item a item aquela aberração. O objetivo é informar aos diabéticos e a quem quer evitar a diabetes quais são as orientações corretas para cuidar de sua saúde. 

piramide paleo
Dieta para prevenir, reverter ou pelo menos controlar a diabetes
Correção das orientações absurdas do artigo anterior:
  1. Diabéticos e não-diabéticos devem seguir uma dieta saudável se quiserem manter a saúde. Por “dieta saudável” eu quero dizer uma dieta uma dieta low carb paleo (dieta paleolítica de baixo carboidrato) para os não diabéticos e very low carb paleo (dieta paleolítica de baixíssimo carboidrato) para os diabéticos. Os não diabéticos podem dar uma escapadinha de vez em quando. Os diabéticos precisam ser mais disciplinados. 
  2. Se você estiver com fome e for comer, coma até ficar satisfeito. Se não estiver com fome, não coma só porque está na hora da refeição. Não se esforce para comer pouco em cada refeição, nem para comer de três em três horas. A fome não é um fenômeno psicológico, é um fenômeno metabólico. Seu organismo é mais inteligente do que teorias malucas totalmente dissociadas da realidade evolutiva do ser humano
  3. Coma até ficar satisfeito e depois fique o maior tempo que puder sem comer. Uma ou duas refeições por dia está ótimo. Três é o máximo, não o mínimo. Seu organismo é o de um primata caçador-coletor que ao longo de toda a evolução se saciou quando teve sucesso na caçada e comeu vegetais como quebra-galho quando não teve sucesso na caçada. Você não é um herbívoro ruminante que tem que passar o dia inteiro pastando. Se você comer como uma vaca, vai acabar gordo e estúpido como uma vaca. 
  4. Coma na hora que bem entender e puder, variando o cardápio o quanto quiser, sem qualquer regularidade. O ser humano evoluiu sem jamais saber quando teria uma refeição disponível e o que teria para comer, comendo aquilo que conseguia caçar ou coletar, segundo a variação das estações do ano. Muitas vezes nossos ancestrais passaram fome por dias, e aqui estamos nós. 
  5. Varie seu cardápio o quanto quiser, desde que coma somente aquilo que faz bem à saúde: os alimentos com os quais a espécie humana evoluiu comendo e umas poucas exceções comprovadamente saudáveis, tais como carnes, aves, ovos, peixes, frutos do mar, nozes, castanhas, amêndoas, avelãs, folhas verdes (especialmente crucíferas como alface, espinafre, brócolis, couve-flor), frutas silvestres da estação (e não estas bombas de açúcar populares produzidas pelo agronegócio que hoje são chamadas de frutas), laticínios fermentados ou curados sem adição de açúcar, temperos de horta, óleo de oliva, um pouquinho de vinho tinto seco aqui, um pouquinho de chocolate com no mínimo 85% de cacau ali (entenda que estas duas últimas opções exigem bom senso e moderação). Coma comida de verdade
  6. Não belisque entre as refeições, nem para esperar refeições. Se estiver com fome, faça uma refeição completa, ou não coma nada. Você precisa alternar entre os estados “alimentado” e “em jejum” e permanecer várias horas em jejum entre as refeições para não tornar suas células resistentes à insulina, que é o que causa a diabetes tipo 2. Quando você regular seu metabolismo seguindo uma dieta paleolítica de baixo ou baixíssimo carboidrato você poderá passar muitas horas em jejum sem sentir fome
  7. Se você regular seu metabolismo corretamente através de uma dieta paleolítica de baixo ou baixíssimo carboidrato e da atividade física adequada, você jamais terá hipoglicemia por ficar algum tempo em jejum. Você não precisa comer carboidratos. Seu fígado produzirá toda a glicose de que você precisa através de um mecanismo chamado gliconeogênese. 
  8. Se você é diabético, esqueça as frutas. Todas elas contém açúcar, e as mais populares são as que contém mais açúcar (por exemplo: laranja e banana são verdadeiras bombas de açúcar). Se você for muito disciplinado, pesquise quais são as frutas de mais baixo índice glicêmico disponíveis em sua região (por exemplo: abacate e frutas vermelhas) e coma só um pouquinho, de vez em quando. Quando você reverter sua diabetes ou controlá-la com a dieta correta e a atividade física correta, poderá reintroduzir as frutas na sua dieta, embora com muita moderação. 
  9. Não tome suco de frutas, seja você diabético ou não. Suco de fruta é tão ruim para a glicemia quanto refrigerante. Aliás, não tom e refrigerante, nem chá com açúcar, nem café com açúcar, nem qualquer coisa com açúcar. Não use adoçantes. Beba água, chimarrão, chá sem açúcar, café preto puro ou “blindado” (com nata ou manteiga). O leite também contém açúcar, seja ele integral, desnatado ou “sem lactose”. 
  10. Não coma cereais. (Trigo, soja, cevada, centeio, arroz e outros grãos.) Durante pelo menos três milhões e duzentos mil anos, desde a época em que viveu a Australopithecus afarensis conhecida como Lucy, até apenas há dez mil anos atrás, quando foi inventada a agricultura, a espécie humana não ingeriu cereais. A conseqüência evolutiva óbvia disto é que o ser humano não está biologicamente adaptado para ingerir cereais. Eles podem ter permitido o surgimento de civilizações, mas cereais fazem mal à saúde dos indivíduos, especialmente o trigo e seus derivados. Também não coma legumes, especialmente a batata inglesa. Legumes contém açúcar na forma de amido (os chamados “carboidratos complexos”, que são apenas longas cadeias de glicose, aquilo que torna você diabético). Para os legumes vale o mesmo raciocínio que para as frutas.  
  11. Cereais integrais são tão ruins quanto cereais refinados. Fuja de todos eles. Além de anti-nutrientes e toxinas, os cereais contém muito carboidrato. Se quiser comer fibras, coma crucíferas: alface, espinafre, brócolis, couve-flor e outras folhas verdes. 
  12. Não coma pão. Nem pão francês, nem pão integral, nem pão de centeio, nem pão preto, nem pão nenhum. Não coma bolos. 
  13. Não coma nada com glúten (qualquer coisa com trigo, centeio, cevada, triticale ou suas farinhas, integrais ou refinadas). Em primeiro lugar, porque é altamente provável que o glúten desencadeie doenças auto-imunes, inclusive a diabetes tipo 1 e já existe pelo menos um caso relatado de remissão de diabetes tipo 1 através da eliminação do glúten na dieta. Em segundo lugar, porque não importa se você não tem doença celíaca, não importa se você não é reagente ao glúten, de qualquer modo o glúten faz mal à sua saúde. O glúten tem uma proteína chamada gliadina. O seu intestino tem uma proteína chamada zonulina. Quando a gliadina se encontra com a zonulina, isso aumenta a permeabilidade do seu intestino e diversas toxinas que não deveriam passar para a corrente sanguínea começam a circular em seu sangue. Ao longo do tempo isso causa um estado de inflamação crônica que aumenta suas chances de ter doenças cardíacas e vasculares, demências e outras doenças graves. 
  14. Coma gordura à vontadeprincipalmente se você estiver com excesso de peso ou tiver alterações de colesterol e triglicérides. O que engorda, eleva excessivamente o colesterol e os triglicerídeos não é a gordura, são os carboidratos. Para evitar ficar diabético (tipo 2) e para reverter ou pelo menos controlar a diabetes, você deve limitar ao máximo a sua ingestão de carboidratos, não de gordura. 
  15. Prefira gorduras de origem animal – carne gorda, peixes gordos, ovos com gema, manteiga, queijos gordos – porque estas são as gorduras mais saudáveis. Mas coma também oleaginosas como nozes, castanhas, amêndoas e avelãs, que são as mais saudáveis gorduras vegetais, além do óleo de oliva. 
  16. Coma queijos gordos e prefira sempre os mais amarelos. Evite queijos brancos como a ricota.
  17. Não use margarina. Use manteiga. 
  18. Não use óleos vegetais (de milho, de soja, de girassol, de canola), estas porcarias fazem mal à saúde e aumentam o risco de diversas doenças graves. Os únicos óleos vegetais saudáveis são os óleos de oliva e de coco. Use e abuse da banha de porco para fazer frituras. 
  19. Coma carne vermelha gorda sem tirar a gordura, assada, cozida ou frita. Coma galinha com a pele, se você gostar. E coma os ovos com a gema, na quantidade que você quiser – você pode comer uma dúzia de ovos fritos na banha de porco por dia, todos os dias. (Sério. Não é exagero.) Mas coma peixes também, de preferência peixes pescados e não de piscicultura, porque eles são a principal fonte de ômega-3, um nutriente importante para a saúde. Tudo que você já ouviu sobre o colesterol está errado: o LDL não é “colesterol ruim”, o colesterol total é um péssimo preditor de risco cardíaco e só o que importa é que o seu HDL seja o mais alto possível, mesmo que o seu colesterol total suba junto. 
  20. Coma o quanto quiser de carne vermelha ou branca, o ser humano não é e não deve tentar ser vegetariano e muito menos vegano. Mas não coma produtos processados e embutidos, tais como presuntos, linguiças, salsichas e salsichões. E, já que estamos falando em evitar o que faz mal, especialmente para os diabéticos, esqueça a pizza, a lasagna, a macarronada e as massas em geral. Sorry
  21. Dica extra: não faça exercícios aeróbicos ou anaeróbicos de baixa intensidade e longa duração – faça sprints e malhação para hipertrofia. É isso que melhora sua saúde para valer, especialmente a sua sensibilidade à insulina

ATENÇÃO: 

No início de uma dieta de baixo carboidrato você vai sentir vontade de comer carboidratos, mas isso só acontece nas primeiras duas ou três semanas. Coma os alimentos indicados no item 5 até ficar saciado.

Muito importante: é necessário reduzir ou até mesmo eliminar a administração insulina para quem começa uma dieta de baixo ou baixíssimo carboidrato, para não correr o risco de uma hipoglicemia grave

Durante o primeiro mês desta dieta, não faça exercícios físicos. Você precisa dar um tempo para seu metabolismo se adaptar para não ter uma hipoglicemia durante os exercícios.. 

A fonte das informações

Se você chegou até aqui, deve ter percebido que a única coisa com a qual eu concordo do artigo da tal clínica de endocrinologia e diabetes é que não se deve beber suco de frutas, ou seja, na real eu afirmo e recomendo exatamente o contrário de tudo que a ortodoxia da medicina e da nutrição diz na atualidade sobre o que é a dieta adequada para prevenir e para tratar da diabetes. 

O “detalhe” é que não sou eu quem diz isso. Eu apenas descobri tudo isso pesquisando e lendo muito porque eu queria melhorar a minha própria saúde. Ou seja, eu fiz o dever de casa e hoje estou muito melhor informado sobre a relação entre dieta e diabetes e entre dieta e emagrecimento do que a maioria dos médicos, nutricionistas e educadores físicos. E eu não vou pedir desculpas por isso. 

Se você quiser pesquisar por você mesmo e descobrir o que eu descobri – se quiser fazer o dever de casa – tudo o que precisa fazer é seguir os links que eu incluí no artigo e ler inteiros os blogs que os contém. Eles estão cheios de referências científicas da mais alta qualidade e foi a partir deles (especialmente o primeiro, que eu li inteiro) que eu comecei a estudar este assunto. 

São estes os blogs recomendados: 

Dieta Low-Carb e Paleolítica

Paleodiário

Primal Brasil

Faça o teste com segurança

Se você quiser testar por si mesmo as orientações corrigidas e seguir uma dieta paleolítica de baixo carboidrato, faça os exames adequados antes de começar qualquer mudança em sua dieta, faça as mudanças de modo radical e consistente e repita os mesmos exames noventa dias depois de ter cortado os carboidratos para valer. 

Os exames necessários são os seguintes:

  1. Glicemia em jejum (ou “glicose em jejum”). 
  2. Insulinemia em jejum (ou “insulina em jejum”). 
  3. Hemoglobina glicada. 
  4. Triglicerídeos. 
  5. Perfil lipidico (no mínimo colesterol HDL e colesterol total). 
  6. Proteína C Reativa ou PCR. 
  7. Homocisteína. 

Seu médico saberá lhe explicar para que serve cada um destes exames (caso contrário, saia correndo do consultório e mude de médico com urgência), mas faça o dever de casa e leia primeiro sobre cada uma destas coisas na Wikipédia para não ficar dizendo “arrãm” sem entender nada. 

Se o seu médico ou nutricionista for contrário à adoção de uma dieta paleolítica de baixo carboidrato, até mesmo para fazer um simples teste de noventa a cem dias dias, troque de médico ou de nutricionista. Sério. 

Você precisa trabalhar em conjunto com um profissional em quem você confie e que tenha mente aberta e seja suficientemente esclarecido para entender que, embora as orientações do presente artigo tenham total embasamento científico e uma magnitude de risco ínfima, eventualmente algumas pessoas podem ter reações inesperadas, provavelmente devido aos estragos já produzidos pela má alimentação prévia. Você não quer ter que lidar com alguém lhe apontando um dedo na cara e dizendo que “você não devia ter feito esta loucura” quando na verdade os estudos científicos confirmam a eficácia de cortar carboidratos tanto para o emagrecimento quanto para a reversão ou o controle da diabetes. 

Algumas evidências científicas

Para encerrar as correções à dieta para matar diabéticos, eis os links para quatro estudos clínicos randomizados sobre o efeito de dietas de baixo carboidrato em diabéticos e suas conclusões:

Uma dieta de baixo carboidrato é mais efetiva na redução do peso corporal que a “alimentação saudável” em ambos, indivíduos diabéticos e não diabéticos. (Nota: a ortodoxia chama de “alimentação saudável” a porcaria da dieta para matar diabéticos e tornar as pessoas diabéticas, por isso eu coloquei a expressão entre aspas.)

Conclusão do estudo: “a dieta foi igualmente efetiva naqueles (indivíduos) com e sem diabetes”. (Ou seja, a dieta de baixo carboidrato também é segura para diabéticos e é mais efetiva para redução de peso que a dieta hoje chamada de “alimentação saudável”.) 

Restrição de carboidratos tem um impacto mais favorável na síndrome metabólica que uma dieta de baixa gordura. (Síndrome metabólica é uma condição clínica de alto risco para infarto do miocárdio, acidentes vasculares cerebrais (“derrames”), doença gordurosa não alcoólica do fígado, transtornos psiquiátricos e outras doenças graves e está intimamente associada à obesidade, à diabetes e à hipertensão.) 

Conclusão do estudo: “Os resultados dão suporte ao uso da restrição de carboidratos na dieta como um método efetivo para melhorar aspectos da síndrome metabólica e do risco cardiovascular”.

Efeitos de curto prazo do aconselhamento de restrição severa de carboidratos na dieta na diabetes tipo 2 – um estudo clínico randomizado com grupo de controle. (Este é o tipo de estudo considerado como de mais alta evidência científica. O estudo durou três meses, exatamente o prazo que eu estou sugerindo que você teste uma “severa restrição de carboidratos” sob supervisão de seu médico.) 

Conclusão do estudo: “A restrição de carboidratos foi um método efetivo para obter perda de peso no curto prazo comparado com o aconselhamento padrão, mas isso foi (obtido) às expensas de um aumento no consumo relativo de gordura saturada”. (Nota: esse “mas” mostra que esta equipe considera o aumento de consumo de gordura saturada ruim, mas mesmo assim relatou os resultados. O que faltou dizer nas conclusões e que no entanto aparece nos resultados é que a razão entre o colesterol total e o HDL melhorou muito mais com a restrição de carboidratos do que com o aconselhamento padrão. Esta omissão, junto com a ressalva da conclusão, evidencia que a equipe não se convenceu de que a dieta de restrição de carboidratos é realmente melhor que o aconselhamento padrão apesar de seus próprios resultados e da evidente melhora no perfil lipídico de seus pacientes. Este é o poder do dogma: ele cega as pessoas, até mesmo aquelas suficientemente honestas para relatar resultados que as incomodam, como foi o caso desta equipe.)

O efeito de uma dieta de baixo carboidrato, cetogênica, versus uma dieta de baixo índice glicêmico no controle da diabetes mellitus tipo 2.

Conclusão do estudo: “Modificações na dieta conduzem à melhoria no controle glicêmico e à redução ou eliminação da medicação em voluntários motivados com diabetes tipo 2. A dieta com menor quantidade de carboidratos conduz a maior melhoria no controle glicêmico e mais freqüente redução ou eliminação da medicação que a dieta de baixo índice glicêmico. Modificações no estilo de vida usando intervenções de baixo carboidrato são efetivas para melhorar e reverter a diabetes tipo 2.”

Eu já fiz a minha parte, trazendo a você a melhor informação disponível. Agora você escolhe se prefere a dieta para matar diabéticos e engordar como uma vaca ou se prefere aquilo que a ciência diz que é o melhor para a sua saúde

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 02/03/2015 

55 thoughts on “Corrigindo a dieta para matar diabéticos

  1. Estou analisando mais detalhadamente minha dieta. Também não como nada de bolos/broas. Só bolo um de cenoura a cada 6 meses… nada de adoçante. Nada de beliscar entre as refeições. Nunca mais que uma colher de arroz nas refeições. Pouca massa. Preciso diminuir o açúcar. Como muita carne e ovo. Como gordura animal normalmente e gosto. Quanto a fritura vou ficar com os azeites de oliva extra virgem mesmo… nada/nunca, margarina, só manteiga. Quero introduzir óleo de coco e água de coco, além do mel… quanto aos exercícios exatamente assim: sprints e hipertrofia.

    1. Não esquece que mel é na maior parte açúcar.

  2. Pensar Não Dói » Meta-análise comprova: dieta paleolítica é a mais saudável

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