Volta e meia alguma ouço ou leio alguma feminista reclamar que “a sociedade machista” (sic) “deseja tutelar o corpo das mulheres” blá-blá-blá mimimi encheção de saco. Não, gente. Isso non ecziste. O que existe é a famosa perversão esquerdista de querer que a liberdade alheia seja tolhida para garantir aos irresponsáveis e pervertidos a “liberdade” de não arcar com as conseqüências de suas escolhas e seus atos. 

Saia curta demais

A moça aí em cima (que talvez alguém identifique) tem todo o direito de andar desse jeito por aí. Tecnicamente isso não é ato obsceno, então ela está no direito dela. E ela tem todo o direito de se vestir assim, de andar pela rua assim e de não ser tocada sem permissão ou contra sua vontade. E é só. Ponto. 

Entretanto, ela não vive sozinha num deserto na face oculta da lua. Ela vive em uma sociedade que tem uma cultura, um conjunto de costumes e um conjunto de direitos que não podem ser negados a terceiros ou pervertidos só porque ela quer exercer sua vontade sem levar em consideração os direitos dos outros. 

Vamos dar uma olhadinha no que diz a Constituição Federal de 1988: 

TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 

§ 1º – As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

§ 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

Tudo certo? Verificaram se o artigo, os incisos e parágrafos aqui extraídos da CF/88 correspondem aos reais, para que eu não seja acusado de estar inventando coisas? Pois então vamos ver como cada um deles se aplica (ou aplicaria, se o país fosse sério) à “tutela do corpo da mulher” ou ao “caso da microssaia”.

Item a item: 

  • Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 

O caput do artigo quinto é bem claro: TODOS são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Isso inclui os homens e as mulheres, os brancos e os negros, os heterossexuais e os homossexuais, os religiosos e os ateus, os burgueses e os proletários, os que tem uma mentalidade saudável e as feministas, bem como quaisquer outros. 

  • I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; 

O inciso I é redundante. Ele apenas reafirma algo que já havia sido afirmado de modo claro no caput. 

  • II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

Sempre lembrando que a lei não pode ter natureza inconstitucional, ou seja, não pode estabelecer nenhuma disposição contrária ao estabelecido na Constituição.

Ora, a moça ali em cima não está violando nenhuma lei. É direito dela vestir-se como bem entender, desde que isso não constitua obscenidade. (Eu, que sou naturista, não considero obscena nenhuma vestimenta ou falta de vestimenta, mas divago.) 

Por outro lado, qualquer pessoa que manifeste qualquer opinião sobre o modo de vestir da moça também não está violando nenhuma lei. Observe o inciso IV, logo abaixo: a livre expressão do pensamento é uma garantia constitucional

  • III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;

Bem, quem escolheu vestir-se daquele modo foi ela mesma. Então, ela não foi submetida a tratamento desumano ou degradante. E ouvir besteira não é desumano, nem degradante… É no máximo desagradável. 

E não se pode dizer que ver alguém vestida assim, por mais baranga que seja a infeliz, também não chega a ser desumano ou degradante… É no máximo desagradável. 

  • IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

Esta moça e as feministas podem pensar e dizer o que quiserem dos imbecis que assobiarem, passarem cantadas, gritarem “gostosa” ou “vadia”. 

Os imbecis que assobiam, passam cantadas, gritam “gostosa” ou “vadia” podem pensar e dizer o que quiserem desta moça e das feministas.

Eu posso chamar todos eles de macacos estúpidos.

E qualquer macaco estúpido é livre para me xingar o quanto quiser, mas não use palavrões na caixa de comentários do Pensar Não Dói, porque dizer besteira no seu próprio blog ou rede social é seu direito, mas no meu espaço é um privilégio que eu só concedo a quem souber me espinafrar (e até ofender) com um mínimo de compostura.

  • V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

Ou seja, a moça pode xingar de volta quem assobiar, passar cantada, gritar “gostosa” ou “vadia”. Mas é só. Se ela quiser indenização por dano moral ou à imagem, terá que processar a si mesma, porque foi ela quem decidiu se expor. 

E os imbecis que assobiam, passam cantada, gritam “gostosa” ou “vadia” não podem pretender indenização por dano moral se uma baranga capaz de apavorar o próprio Satanás sair de minissaia e jogar beijinho para eles. 

  • VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Como o feminismo é uma “condição filosófica ou política”, não dá para apedrejar as feministas por isso. Mas o lado bom é que o machismo também é uma “condição filosófica ou política”, então, é igualmente protegido pela Constituição Federal. Como as feministas alegam “lutar por direitos iguais”, elas devem defender o machismo como “condição filosófica ou política” constitucionalmente protegida e jamais tolerar a privação de direitos de um machista apenas por ser machista. 

  • IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

Ou seja, eu posso escrever este artigo (atividade intelectual) e publicá-lo (atividade de comunicação) sem que ninguém possa questionar isso. Talvez por isso a esquerda queira tanto fazer uma constituinte, já que isso é cláusula pétrea da Constituição Federal de 1988 e só pode ser alterada por uma nova Assembléia Constituinte ou por um golpe explícito. E golpe explícito, sabem como é, “não pega bem” para quem passou a vida inteira dizendo que lutava pela democracia e pela liberdade… 

  • X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

Este artigo eu citei antes que alguém o fizesse, porque era previsível que alguém alegaria que a honra e a imagem das pessoas são invioláveis, garantia dada pela mesma Constituição Federal que eu citei para fazer a análise acima. Ora, está correto! Mas violação é algo feito por terceiros. Se uma pessoa exibe a própria intimidade, age publicamente de maneira desonrada ou se expõe de modo ridículo, vexatório ou mesmo pornográfico, isso não constitui violação – isso é apenas estupidez pessoal. Opinar sobre aquilo que a própria pessoa tornou público público não é violação de privacidade, é direito de opinião. 

  • XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; 

Ou seja, não tente impedir a moça de sair vestida de vadia, nem tente impedir os imbecis de assobiarem, passarem cantadas, gritar “gostosa” ou “vadia”, só porque ela é vadia e eles imbecis. Vadias e imbecis não podem ser discriminados de modo atentatório a seus direitos e liberdades individuais.

Mas você pode chamar uma vadia de vadia e um imbecil de imbecil e afastar-se deles, se quiser. Lembre-se do inciso II logo acima: “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Não existe lei que obrigue você a gostar de vadias ou de imbecis, nem que obrigue você a não ofendê-los (isso violaria os incisos VIII e IX logo acima, sobre liberdade de pensamento e de expressão), nem que obrigue você a fazer ou deixar de fazer qualquer coisa que não viole um direito deles. E ninguém tem o direito de não ser ofendido. 

  • § 1º – As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.

Estão valendo desde 1988. Benditas Cláusulas Pétreas que a esquerda não queria incluir e não assinou. 

  • § 2º – Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.

Os quais, é sempre bom lembrar, não podem contradizer as disposições constitucionais. 

Conclusão

Sim, a saia dela é curta demais. Mas ela está no direito dela. E você está no seu direito de pensar o que quiser sobre isso e de externar livremente a sua opinião sem pedir licença a ninguém e sem sofrer qualquer sanção, administrativa, cível ou penal. Tudo isso é garantido pela Constituição Federal de 1988. E são estas garantias, entre outras, que quem quer uma nova Assembléia Constituinte pretende destruir.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/03/2015 

31 thoughts on “Será que a minha saia está curta demais?

  1. O sonho de todo esquerdista que se preze é calar aqueles que não concordam com eles. As feministas estão secas pra cercear a liberdade de expressão alheia. E com um governo que tem um “ministério de políticas para as mulheres” (descaradamente sexista) eu não duvido que consigam.

    As feministas vivem dizendo que o feminismo é um movimento que “luta pela igualdade de direitos” (o que discordo) e que o machismo é a “opressão da mulher pelo homem e pela sociedade patriarcal falocêntrica, blablabla mimimi” (termo, aliás, cunhado por elas próprias), mas o “machismo” não é um movimento organizado, me parece mais um espantalho criado por esquerdistas para justficar a guerra de sexos.
    Aí temos, por exemplo, o masculinismo, que apesar de nunca ter sido um movimento realmente organizado politicamente, pode ser uma convicção “filosófica ou política” que elas querem loucamente calar. Muitas querem enquadrar “masculinismo” (como se fosse um grupo homogêneo de ideias) em leis contra discurso de ódio (Teje preso por “maculinismo!”).

    1. O masculinismo ainda não vingou por aqui, mas na Europa há um movimento organizado. Começou com a constatação de que mais de 95% das ações de disputa de guarda de crianças eram vencidas pelas mulheres, mesmo quando havia evidências claras de que não seria a melhor opção para as crianças, além de uma série de abusos cometidos por estas mulheres, que impediam os pais de terem livre e tranquilo acesso às crianças e os demonizavam permanentemente para que as crianças se afastassem deles. Quem tem seis dias de convívio contra um dia de convívio do outro certamente consegue exercer muito maior influência.

      Ou seja, o masculinismo surgiu pelo mesmíssimo motivo que o feminismo: por causa dos abusos cometidos por um dos sexos contra o outro. Mas é óbvio que as feministas não podem admitir um “absurdo” desses, imagina achar que uma mulher poderia fazer algo errado ou abusivo, a culpa é sempre do homem e do machismo da sociedade patriarcal blá-blá-blá…

      Enfim, já estou divagando de novo, não é bem esse o foco do artigo…

    2. Eu não acho que o machismo seja apenas um espantalho. Ele existe e prejudica as mulheres, seja em suas relações sociais, trabalhistas, etc. O problema é que o machismo não é exercido apenas por homens e nem sempre em proveito dos homens. Por isso, países mais avançados preferem o termo sexismo. A grande maioria das feministas que eu conheço luta apenas por mais direitos para as mulheres (o que é razoável numa sociedade como a brasileira). Isso acaba gerando atritos até entre as próprias feministas, principalmente quando envolvem radfems e mulheres trans. Acho que o grande problema é que boa parte dos homens que se dizem masculinistas são tão imbecis que se torna impossível qualquer tipo de associação com eles, muitas vezes até o diálogo é impossível.

    3. Duas coisas, André:

      Primeira, que “os homens que se dizem masculinistas” no Brasil são apenas aqueles caras “da real” que polarizam com a Lola Aronovich – porque a própria Lola foi muito esperta em polarizar com aqueles imbecis com o objetivo de desacreditar o masculinismo, num golpe político-cultural premeditado e muito bem arquitetado. Feminazis são canalhas, mas não necessariamente burras.

      Segunda, que desde a CF/88 e do novo Código Civil (10/01/2002) não havia apenas duas distinções de direitos entre homens e mulheres no Brasil, ambas em favor das mulheres, ambas ainda vigentes: uma é que o alistamento militar é obrigatório apenas para os homens, sendo facultativo para as mulheres, e a outra é que a licença maternidade é muito maior que a licença paternidade, além de garantir estabilidade para a mulher e não para o homem.

      Então, não existe essa história de as mulheres precisarem de “mais direitos”. Isso é pura e simplesmente uma imensa mentira e todo mundo engole essa bobagem. Aliás, eu já escrevi a respeito antes: Os movimentos sociais feminista, negro e gay não defendem Direitos Humanos.

      A ideologia feminazi é tão pervertida, mas tão pervertida, que a lei criada para combater a violência doméstica – a malfadada Lei Maria da Penha – poderia ter protegido 100% dos brasileiros, mas foi escrita em termos sexistas vergonhosos, protegendo apenas as mulheres e deixando os homens sem proteção contra a violência doméstica. Alguns juízes aplicam partes da lei em favor de homens usando de analogia, mas isso não é possível para todos os dispositivos, o que torna o homem um cidadão de segunda classe.

      Em função de alguns casos destes, o que não faltou foi feminazi dizendo que essa lei não tinha que proteger os homens mesmo, como a Maria do Rosário e a Iriny, aquela ex-ministra com a cara do Laerte. E os argumentos não poderiam ser mais canalhas: “homem não precisa de lei que o defenda de violência doméstica porque ele é mais forte”, por exemplo. Sim, claro que em geral o homem é mais forte… Mas nem sempre. E, se o homem usar a força para se defender de uma agressão, é crime. Além disso, como ficam os homossexuais masculinos em caso de violência doméstica? Totalmente desamparados. Isso para nem dizer do fato de que, se um maluco chegar bêbado em casa e espancar seu filho menino de quatro anos a Lei Maria da Penha não se aplica, embora se aplique se ele espancar a filha de 17 anos. Cadê o pressuposto de que o homem é mais forte e pode se defender?

      Em resumo: é uma perversão atrás da outra. Pára de levar a sério o que estas pervertidas falam e pensa em termos humanistas: os mesmos direitos, as mesmas garantias, as mesmas liberdades e os mesmos deveres devem se aplicar a todo mundo de modo igual.

      Eu já fui a favor de algumas diferenças mínimas, como por exemplo em relação às gestantes. Hoje não sou mais. A CF/88 diz que todos são iguais perante a lei, então isso inclui crianças, gestantes e idosos. Não tem que haver assento especial para ninguém – tem que haver assento para todos. Não tem que haver fila preferencial no banco – tem que haver atendimento célere para todos. Enquanto aceitarmos a suposta necessidade de cotas para desgraçados, miseráveis, combalidos, retardados, fragilizados, deficientes, marginalizados, excluídos, demonizados ou raioqueopartizados, estaremos focando na distribuição da miséria e da ineficiência e de migalhas de direitos ao invés de focar em direitos, garantias, liberdades e cidadania inequívoca e ilimitada para todos, sem exceção.

      De resto, em casos especialíssimos, como o famoso caso de todo mundo cair dormindo quando chega uma grávida em um ônibus lotado, se resolve com mais educação, boa vontade e vergonha na cara, não com brechas legais na igualdade.

    4. Arthur, concordo quanto à LMP e radfems, tanto que sempre fui a favor que a LMP fosse unissex e sempre fui contra as delegacias de mulheres (as delegacias deveriam ter estrutura para acolher qualquer vítima e os servidores deveriam ser treinados para atender todas elas com acolhimento e educação). Mas o machismo existe e prejudica mais as mulheres, não estou dizendo que deve haver mais leis que as favoreçam porque em termos legais elas já tem mais direitos que os homens. Mas o que a lei dá os costumes tiram, as mulheres são preteridas em promoções, os chefes morrem de medo que suas funcionárias engravidem sendo que o futebol de fim de semana é muito pior que a gravidez, tá cheio de professores e mães criando reizinhos em detrimento das meninas, etc. São problemas culturais e devem ser combatidos com campanhas educativas e discussões nas escolas, nos jornais, etc. Não concordo que a solução para as ofensas seja apenas criar casca grossa. Tá cheio de homem maduro falando merda para meninas de 12 anos. Além disso, sempre existe o risco de que uma injúria respondida acabe sendo retrucada com agressão física. E dado nossos índices de violência eu estou bem menos preocupado com uma sociedade mimimi que com uma sociedade de bárbaros. Para mim o direito à tranquilidade é tão importante quanto o direito à livre expressão, e nenhum dos dois deve ser absoluto. Não vejo porque coibir a injúria limitaria a liberdade de expressão, já que o normal é que os seres humanos consigam se comunicar sem agressões verbais gratuitas e nos poucos casos onde isso não for possível sempre se poderá fazer uma retratação ou pedir a exceção da verdade.
      Quanto aos masculinistas, não estou me limitando aos malucos que perseguem a Lola, mas seja no Papo de Homem, no Facebook ou na Universidade onde eu dou aula, a imbecilidade média é a mesma. Já tentei fazer parte de grupos assim, mas não dá.
      A maioria das feministas que eu conheço são favoráveis ao fim do serviço militar obrigatório e ao aumento da licença paternidade. Não acho que esses pontos sejam relevantes, o que eu acho significativo e altamente injusto é a diferença no tempo para aposentadoria.

    5. André, se o problema é cultural, é na esfera da cultura que ele tem que ser resolvido. Não faz sentido falar em “mais direitos para contrabalançar a cultura”, até porque, se alguém não quiser contratar uma mulher, não vai contratar uma mulher. Se for obrigado a contratar uma cota de mulheres, não vai tratar bem as mulheres. E aí não tem lei que consiga obrigar o sujeito a tratar bem alguém. E muito menos a promover alguém. Aí vai o legislador e obriga o sujeito a ter um percentual de mulheres em cada escalão. Aí as empresas começam a colocar nas funções de mesmo escalão mas sem poder ou responsabilidade. E o tratamento continua hostil, o ambiente piora e o lucro vai embora. E fica pior para todo mundo. É uma escalada previsível… Para baixo, em direção ao conflito e ao fracasso.

      A *única* solução para ofensas é criar casca grossa. Ofensas de um homem de 40 anos para uma menina de 12 anos são apenas ofensas. Ela vai ouvir isso de algum garoto de 10 anos também. A educação tem que preparar as pessoas para saberem lidar com ofensas.

      O direito de liberdade de expressão deve ser total, absoluto, infinito e ilimitado. Caso contrário, alguém vai definir quem pode ofender quem e como. Tipo hoje o PT definindo que chamar um negro de negro é crime, mas um branco de coxinha reaça opressor blá-blá-blá Whiskas Sachê é a coisa mais verdadeira e natural do mundo, elogiável e estimulável. Deixa estes FDPs conseguirem mexer nas cláusulas pétreas da Constituição que eles se negaram a assinar para veres o que é bom para a tosse.

      Ofensa ou contra-ofensa respondida com agressão física é fato já legislado. Não precisa mexer nisso. É só cumprir a lei. Não adianta criar mais leis antes de cumprir as que já existem, porque as novas também não serão cumpridas e será necessário criar as novíssimas para fazer cumprir as novas, as super-novas para fazer cumprir as novíssimas, as super-novíssimas para fazer cumprir as super-novas…

      E o feminismo é um pacote, André. Não é porque tem um ou outro exemplo que supostamente presta lá dentro que o pacote vai passar a prestar. Há algumas feministas que são a favor de aumentar a licença-paternidade para o mesmo patamar da licença-maternidade? Não importa. É como um cara que não gosta de matar mas que continua sendo membro do PCC. Não argumenta que o PCC é melhor do que é porque esse cara está lá dentro, porque não é verdade. 😉

  2. Roberto Tramarim

    28/03/2015 — 23:55

    A única coisa controversa do artigo é sobre o direito de chamar vadias de vadias e imbecis de imbecis não incorra nos crimes de injúria ou difamação. O resto é uma aula do que vem a ser direitos um mundo livre.
    O sujeito tem o direito de pendurar uma melancia no pescoço, os outros tem direito de não gostar que ele pendure uma melancia, e o sujeito tem o direito de não gostar de quem não gostou dele pendurar a melancia.
    O que o sujeito não pode fazer é obrigar outros a pendurar uma melancia, os outros não podem impedir sujeito de pendurar uma melancia no próprio pescoço e sujeito não pode impedir que outros não gostem dele ter pendurado uma melancia.
    Tão simples mas vadias e imbecis não conseguem entender.
    Não podem ou não querem, ou ambas.

    1. Creio que retrucar uma ofensa com outra não seja crime. Mas chamar a moça de vadia é injúria. E ainda tem a questão do molestamento e perturbação da tranquilidade, que são contravenções. De qualquer forma, seria bom que toda a sociedade reprovasse comportamentos abusivos seja de que lado for.

    2. Não. Se tem uma coisa que me enche o saco é a viadagem mimimizenta de que não dá pra ouvir um xingamento que se torna necessário recorrer ao judiciário. As vadias, gordas, feias e o raio que as parta que vão criar casca grossa, porque dar atenção a estas viadas mimimizentas no judiciário é uma vergonha. Isso está destruindo a possibilidade de conviver em harmonia, porque qualquer imbecil que se sinta ofendido pode abrir um processo de indenização por danos morais. E se eu me sentir ofendido por ser chamado de machista ou de reaça? Vão me indenizar por danos morais? Não, né? Então, fica bem claro que isso não é feito para proteger ninguém, isso é instrumento ideológico para fazer terrorismo social contra as classes odiadas pela esquerda.

      Ou ninguém tem o direito de ser ofendido, ou todo mundo tem – e aí ninguém mais tem o direito de abrir a boca.

    3. Ah, sim: injúria tem que ser retirada do Código Penal. É frescura. Os frescos mimimizentos que criem casca grossa. Aliás, se alguém chega a se ofender com isso, é porque tem muito o que trabalhar em termos de auto-estima. Quem entra com um processo por ser chamada de vadia tem que passar a ser chamada de verme.

  3. Penso que essa ideia de que tenho direito de expressar minha opinião, e os outros que se virem para aceitá-la, é ingênua. No século XVIII, talvez ousada (de um jeito bom). Hoje, ingênua. Isso porque sabemos que ostracismo e rejeição trazem prejuízos para a saúde das pessoas. Sabemos que “Vem chupar meu pau, gostosa!” pode afetar negativamente a visão que uma mulher tem da sociedade em que vive. Entendo que possa parecer autoritário dizer que expressar uma opinião pode ser errado. Mas também acho errado dizer a alguém que acha que ela é uma “vadia”. Nossa sexualidade é muito influenciada pelo nosso passado evolutivo, mas também é muito influenciada por fatores culturais. “Quem escolheu se vestir como uma vadia foi ela” me ofende. Não existe um sentido objetivo para “vestir-se como uma vadia”. Isso é muito superficial. As convenções sobre roupas (o que as pessoas vêem como “vestir-se como uma vadia”), nos últimos duzentos anos (quase nada, numa escala geológica) na sociedade ocidental variaram muito.

    Acho degradante e desumano ofender alguém na rua assim por causa de roupas. E pessoalmente, acho mais importante defender o “direito de não ser chamada de vadia” do que o “direito de falar o que pensa” nesse caso (não sou o primeiro a notar que a narrativa dos “direitos” a isso e àquilo pode ser usada para dar ares de legitimidade a ideias arbitrárias).

    1. Leia o que escrevi acima, para o Roberto e o André.

      Somos humanos, não vermes. Quem derrete com um pouquinho de sal é lesma. As pessoas precisam criar um pouco de casca grossa para viver neste mundo. Proteger os vermes calando todo mundo que tem uma crítica ou mesmo um xingamento é o caminho certo para criar uma sociedade de vermes.

      Acabo de lembrar dquela história de ensinar os meninos a fazer xixi sentados para não ofender as meninas, que precisam sentar – coisa de verme.

  4. Um lado meu, mais frio e racional, que prefere julgar com a fria lâmina da justiça, diz que você está parcialmente certo em teus argumentos.
    Outro lado meu, mais humano e flexível, que busca um mundo mais gostosinho de se viver, diz que você está parcialmente errado em teus argumentos.

    Creio que não haja uma solução satisfatória para todos num impasse desses. Mas, particularmente, não creio que seja o mais agradável viver em um mundo onde homens se sintam a vontade para agredir verbalmente mulheres por suas vestimentas. No geral, eu gosto muito de mulheres e creio que elas mereçam respeito, e respeito redobrado quanto menor for sua vestimenta.

    1. Não existe “agressão verbal”. Temos que ter cuidado com a ideologia por trás de certas expressões. Xingar das piores ofensas possíveis não é “violência”. E o que tem que ser procurado é ensinar as pessoas a ter uma boa auto-estima, o que é libertador, e não tentar fazer com que as ofensas não aconteçam, o que é sufocante.

      Imagine que alguém me chame de “xxxxxxxxx”. Se eu olhar com desprezo e ignorar o insulto, pronto, acabou. O idiota que me insultou pode passar o resto da vida berrando “xxxxxxxxx” e estará perdendo seu tempo, enquanto eu estarei rindo do baixo nível dele. Mas, se eu tentasse me ressarcir na justiça por ter sido chamado de “xxxxxxxxx”, eu estaria sobrecarregando o judiciário com uma causa estúpida em detrimento de outras tantas muito mais importantes, correndo o risco de gerar jurisprudência de censura, limitando a liberdade de todos e colocando em insegurança jurídica de qualquer pessoa que tiver uma simples discussão.

      E lembre-se: nunca pára. Hoje é indenização por chamar de “vadia”, amanhã é indenização por NÃO chamar de “sua majestade imperial de beleza, ética e compostura”. Nunca subestime a capacidade dos pervertidos forçarem além de todos os limites imagináveis aquilo que no início parecia uma causa justa e boa.

  5. “Mas, particularmente, não creio que seja o mais agradável viver em um mundo onde homens se sintam a vontade para agredir verbalmente mulheres por suas vestimentas. No geral, eu gosto muito de mulheres e creio que elas mereçam respeito, e respeito redobrado quanto menor for sua vestimenta.”

    Já ao homem é aceito que sofra agressão verbal, psicológica (quem nunca foi, ou viu alguém ser, apontado na escola por que estava usando roupa velha, feia, ou porque estava “parecendo mendigo”) ou discriminação (travesti, crosdresser) por sua vestimenta.
    Ninguém tem o direito de discriminar ou impedir alguém (homem ou mulher) de usar as roupas que quiser, mas ninguém tem o direito de impedir (através de coerção) quem acha ridículo de expressar isso. Acredito que a ijúria só existe a partir do momento em que há uma campanha de agressão verbal ou psicológica que beire o assédio, e não por um simples comentário ou “xingamento”.

    1. Sim. Assédio moral é outra coisa. O chefe chamar o funcionário de “sua besta quadrada, burro dos infernos” num momento de fúria não é assédio moral. O chefe dizer em público que prefere oferecer uma tarefa a Fulano ao invés de Beltrano “porque eu preciso de alguém inteligente para realizar esta tarefa” é assédio moral. Mas, no mundo do maldito macaco falante, o bom senso requerido para fazer as devidas distinções parece que é tão raro quanto os unicórnios…

    2. Mano, eu citei ELAS por causa do caso específico utilizado como exemplo.
      Se fosse para abranger tudo, eu poderia corrigir para “onde humanos se sintam a vontade para agredir verbalmente outros humanos”, mas daí haveriam tantas variáveis e teríamos que levar em consideração tantos fatores que discutir aqui daria uma obra muito grande.
      Agora já me falaram que não existe “agressão verbal”. Certo, então existe assédio moral que também é “outra coisa”. Ficar irritado e sair mandando tomar no c* não é assédio moral, é falta de controle emocional. Eu não sei se quero um chefe assim.
      Concordo que é preciso estimular a ter uma boa auto-estima. Mas também penso ser interessante desestimular um comportamento agressivo como reação a um ponto de vista diferente daquele do agressor.
      Oras, uma criança não tem como se defender quando é chamada de palavrões durante seu desenvolvimento. Muitas pessoas adultas também ainda não tem uma boa auto-estima para se defender da maneira super-eficiente que é deixar o outro rastejando no seu nível de desenvolvimento moral inferior. Muitas pessoas são mal intencionadas para abusar da ignorância alheia também. Não sei quem é mais imoral: quem agride ou quem se aproveita do fato de ser agredido. Depende. São muitos casos, muitas variáveis, muitas tudo. O ser humano é uma criatura muito abrangente. De forma geral, é questão de educação eficiente (em vários sentidos). E a lei nunca vai dar conta de tudo.
      É complexo, muito complexo. Muito complexo.

    3. “Concordo que é preciso estimular a ter uma boa auto-estima. Mas também penso ser interessante desestimular um comportamento agressivo como reação a um ponto de vista diferente daquele do agressor.”

      Estimular, com certeza, mas não cerceando a liberdade de expressão no campo jurídico ou legal, mas sim através da transformação da mentalidade das pessoas. Filhos da puta sempre vão existir, com lei ou sem lei, infelizmente.

  6. A UNICA coisa que eu posso dizer é: uma pessoa não deveria ser rotulada de vadia pela sua vestimenta, ou falta dela.
    Nem um cara de imbecil, por chamar uma vadia de vadia. Imbecil é quem rotula uma mulher de vadia por causa de uma saia curta. Vadia = rodada, pega geral, sem amante fixo, rs

    1. Na verdade, de acordo com o dicionário Michaelis, vadio(a): 1 Que não tem ocupação ou que não faz nada. 2 Que vagueia; vagabundo, ocioso, tunante. 3 Próprio de gente ociosa. 4 Diz-se do estudante pouco aplicado.

      Me veio uma dúvida engraçada agora, será que na mente dos “caladores” o Belo (pagodeiro) ia poder processar aqueles que o deram esse apelido? Afinal de belo ele não tem nada e o apelido foi, obviamente, uma ironia, rs.

    2. Na tua opinião não deveria, Bruna. Na opinião de outros, deveria. Opinião é como nariz, cada um tem o seu. (Sim, o ditado original não cita nariz, mas este é um blog familiar…) E ninguém pode ter o direito de decidir que opinião é certa ou errada, ou que opinião pode ser expressa ou deve ser calada.

    3. Chamar o Belo de belo deveria ser difamação. 😛

  7. Sério?
    Hm… pensando melhor a respeito, só o dono da absoluta verdade poderia dizer que opinião é certa ou errada, logo todos temos o direito de nos expressar.
    Seja chamando uma moça de família que gosta de mostrar as pernas de vadia, ou um blogueiro semi careca que gosta de polemicas de imbecil – hahaha – (não que eu ache, pois eu não acho, mas pra exemplificar), de nada sabemos, por isso podemos sair por ai dizendo qualquer coisa mesmo.
    PS.: adoro ler como você expressa de forma clara sua opinião sobre tudo

  8. EU odeio meu avatar nesse blog ;/ quero uma foto minha, como faz??

  9. Obrigada Gerson 🙂

  10. Mas e depois de cadastrar, ativar o cadastro e fazer o upload do avatar?? (Eu já fiz isso, mas ainda estou com esse monstrinho :P)

    1. Você tem que colocar o teu email aqui, o mesmo que você cadastrou no Gravatar. Preencha o espaço logo abaixo do nome com ele.

      E use o comando “Reply” pra continuar a conversa na mesma sequência, como eu fiz no começo, respondendo ao teu comentário. Assim a conversa permanece unida.

    2. Aqui não apareceu o “reply” do ladinho do teu nome, apenas do meu comentário. Mas testando.

    3. O Reply só aparece no início de cada conversa, Bruna. Às vezes tem que subir a página. quando você clica no Reply os comentários descem, menos o 1°. Mas na publicação teu comentário vai pro final.

  11. Acharam vida inteligente por aqui?

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