Sim, todo mundo conhece e reconhece o legado positivo de Mahatma Gandhi, o grande arauto da não-violência, que estava disposto a morrer mas não a matar por uma causa. Lindo… Mas tremendamente limitado a uma situação específica, em um momento histórico específico, perante um adversário específico, que tinha um senso de honra específico. 

gandhi

Depois de Gandhi, a não-violência passou a ser a justificativa moral fácil para a covardia, para a poltronice, para a inação e principalmente para a sabotagem das causas justas pelos hipócritas que fingem defender o diálogo, a não-violência e os métodos pacíficos com o objetivo de inviabilizar a defesa perante agressores injustos e a conquista de espaços onde injustiças estão sendo cometidas por criminosos e toda espécie de canalhas que não hesitam em utilizar a mentira, a traição, a manipulação e a própria violência para atingir seus objetivos. O próprio Gandhi teria vergonha disso e se afastaria com veemência desta perversão de suas idéias. 

Gandhi só poderia ter “vencido” com seu método a Inglaterra ou outra nação tão avançada quanto a Inglaterra. Por quê? Porque a Inglaterra era o centro de um império que se pretendia um exemplo de moralidade, honra e civilização. E a não-violência somente pode “vencer” quem possui um forte senso de moralidade, honra e civilização. Isso porque a não-violência não “vence” coisa alguma, ela somente convence quem já possui um forte senso de moralidade, honra e civilização a rever suas práticas para alinhar-se de fato com seus conceitos. A repetição destes conceitos neste artigo é proposital, para que fiquem bem marcados. 

Perceba: a Inglaterra não foi “vencida” por Gandhi, ela foi elevada por Gandhi à sua verdadeira estatura, que é o que faz a não-violência. E a estatura da Inglaterra era muito maior do que a estatura de um centro imperial que se impunha pela violência sobre inocentes. A Inglaterra perdeu o domínio de um império para ganhar o status que seu próprio senso de moralidade, honra e civilização exigiam que ela tivesse: o status de uma nação justa.

Gandhi teria fracassado retumbantemente contra Hitler, Stalin, Mao, Pol Pot, os Castro, Maduro, Ceaucescu, Franco, Ströessner, Pinochet, Médici e os tampinhas-kung-fu da Coréia cujos nomes eu nem me lembro. Por quê? Porque nenhum destes regimes jamais teve uma sólida base de moralidade, honra e civilização. A não-violência os rebaixaria à sua verdadeira estatura, que é ainda menor que a que conhecemos. 

Entenda: não se pode convencer um corrupto a agir com decência, um mau caráter a agir com ética, um brucutu a se portar como um lorde. Há adversários e há inimigos. Os que são sensíveis ao diálogo e aos argumentos alheios, capazes de fazer uma auto-crítica verdadeira, reconhecer seus erros e mudar seu proceder para alinhar-se a seu próprio discurso, mostrando assim que possuem os sensos de moralidade, honra e civilização que alegam, estes são no máximo adversários e podem ser bons parceiros no jogo democrático. Os que não o fazem e ainda tergiversam alegando algum tipo de superioridade são inimigos não apenas seus, mas de toda moralidade, honra e civilização. E, para lidar com estes, só o que funciona é tiro, porrada e bomba. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/05/2015 

71 thoughts on “A herança maldita de Mahatma Gandhi

  1. já me arrependí de ter falado aquilo, não por mudar de idéia mas por ser impossível tentar explicar em poucas palavras… falei q a esquerda aproveitou o nazismo para associar a cultura ocidental, nunca q a argumentação é direta, como vc sugeriu. é preciso ser indireta para q não-nazistas se sintam culpados o suficiente para aceitar a degradação dos valores tradicionais, só culpados e desmoralizados cedem e a minorias ditas oprimidas. os culpados sempre são os brancos, héteros, não-feministas, não-gayzistas, pais que criam seus filhos, etc, ou seja, a família ocidental ela era nos anos 40 e 50 e por extensão, a própria cultura ocidental. racismo hoje significa simplesmente anti-branco, multiculturalismo, significa valorizar e promover toda cultura e pessoas q não sejam ocidentais (entre estes os mais bábaros vão prevalecer naturalmente, dispensando os ocidentais de fazer a triagem para q o suicídio cultural seja mais rápido). estamos em 2015, não há no mundo todo (7,31 bi) mais do q algumas dezenas de pessoas q podem ser culpadas de algo na 2ª guerra, mas se fala em nazismo todos os dias, graças a esquerda. ninguém pode ser culpado por algo q seu pai fez, a menos, é claro q este alguém tenha aparência branca européia, neste caso já nasceu culpado e será sempre culpado, sem chance de perdão ou forma de pagar por seus crimes, conforme pregação da esquerda. seu blablablá usou exemplos diversionistas, oh tédio: bancos e telefônicas serem ruins é uma questão de mercado, de procurar o serviço q melhor lhe atende (ou abrir um banco/empresa de serviços de comunicação vc mesmo, caso tenha uma idéia original sobre como explorar estes serviços q lhe deem uma vantagem competitiva frente a concorrência, certamente não vão faltar interessados em sociedade para ficar ricos junto com vc). o estado fomentar a concorrência e fazer cumprir os contrato, já está bom demais. quanto a educação pública pré-faculdade degradada, saúde pública insatisfatória em relação ao nível de impostos pagos, a corrupção policial e e o aumento da criminalidade, estes são consequencias das políticas da esquerda, as políticas parcialemnte apoiadas no nazismo, como mencionei. são fatos q apóiam a minha argumentação e não a refutam, como vc, prefere acreditar. não entendi e nem quero tentar entender a frase em q vc falou q o capitalismo superou o comunismo (…)o q foi fruto da ação do estado. (!?). para todos os efeitos doravante desconsiderem minha frase, faz de conta q não falei. um abraço

    1. Você faz uma declaração daquelas e agora fica de mimimi? Eu listei vários itens que a esquerda usa muuuuuito mais comumente em suas narrativas (pseudo ou não) do que o nazismo, não entrei no mérito da responsabilidade sobre eles.
      Não precisamos no nazismo para falar sobre racismo. Abolimos a escravidão há pouquíssimo tempo e a exclusão e o racismo ainda persistem. Não precisamos do nazismo para falar sobre multiculturalismo. Ainda hoje culturas como a nordestina e a de ascendência africana enfrentam obstáculos que a “ocidental” não enfrenta.
      E é bom lembrar que contra o uso indiscriminado do nazismo nós já temos a Lei de Godwin.

    2. Gente, afiem suas foices e vamos nos trucidar numa boa. 😛 O espaço está aberto para o debate, como sempre esteve.

  2. sobre a resposta de 12 pontos de Arthur ao Victor, pretendo fazer alguns comentários, em um tópico dedicado ao tema (caso surja) ou aqui neste espaço, caso contrário.

    1. Aguardo também as suas considerações!

    2. Pode escrever aqui, Luís. Só não quero entrar em debate sobre o aborto agora, porque pretendo escrever sobre isso em breve.

  3. Vou ser franca… Não li todos os posts… Mas percebi uma polêmica… e gosto disso.
    Tenho uma frase fantástica roubada de um filme:
    “Como que vc quer que as pessoas sejam responsáveis por seus filhos, se elas nem os quiseram?”
    “O Primeiro princípio da liberdade é a escolha. Esses seres não foram quistos. Se eles nascerem, o que serão dele?”
    (Cider House Rules)

    Nada a acrescentar…apenas…
    CONSCIÊNCIA

    ………………………….use camisinha!…………………………………..
    ………………………….e tenha sorte……………………………..

  4. Estou lendo “Uma breve história do Século XX”, de Geoffrey Blainey, e em um trecho do livro ele diz quase a mesma coisa que você diz neste texto:

    “A resistência passiva somente é possível diante de um governo que possua certo nível de paciência e tolerância. Gandhi pouco teria conseguido se um frio ditador estivesse no comando da Índia. Stálin e Hitler teriam ordenado sua prisão ou execução. Aquela face risonha e a tranquila voz da razão não mais apareceriam nos jornais nem nos noticiários.”

  5. Não faz sentido inserir Gandhi em qualquer outro contexto que não onde ele foi criado. Gandhi nasceu na India estudou na Inglaterra e não se encaixaria em nenhum outro contexto diferente.No Brasil da ditadura ele simplesmente seria colocado a bordo de um avião (como muitos o foram) e seria arremessado em automar de uma altura de pelo menos 1000 metros só por garantia de que nunca mais voltaria a importunar. Gandhi só cabe na India da primeira metade do século passado. Nem a Inglaterra de hoje nem a India reproduziriam aqueles embates. Falar em esquerda e direita só serve para lembrar: Casado, aliança na esquerda, noivo, aliança na direita, quem não usa aliança, paciência.

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