Eu andava com uma certa dificuldade de escrever, mas eu não sabia bem por quê… Até que na última semana eu assisti diversos debates do Bill Nye, do Richard Dawkins, do Christopher Hitchens e de outros cientistas e céticos contra gente incapaz de mudar sua visão de mundo com base nas evidências, ou que as distorce e tenta meter em um molde como um alfaiate que tenta esticar o braço e cortar a perna do freguês quando a roupa não serve. 

Burros

Percebam que eu não estou falando sobre religiões, apesar de ter citado três exemplos nesta área, mas sobre um modo de pensamento: aquele que impede a pessoa de admitir evidências em contrário a suas crenças, porque ela não está interessada em encontrar a verdade e sim em se manter convicta de que aquilo em que ela já acredita é a verdade – e de preferência tentar convencer mais gente disso. 

É o caso, por exemplo, de quem ainda acredita que o atual governo federal é honesto ou que está fazendo bem ao país, apesar de todas as evidências em contrário. Discutir com estas pessoas costuma ser tão produtivo quanto discutir com um criacionista da Terra jovem que alega que a contagem das idades dos personagens da Bíblia é mais precisa para determinar a idade da Terra do que as ciências físicas. Chega uma hora em que simplesmente se percebe que é estupidez argumentar racionalmente (ou de qualquer modo) com quem pensa assim, qualquer que seja o assunto.

Um dia desses eu estava discutindo sobre o desarmamento com uma pessoa que vomitou o velho chavão de que “quem tem arma ou é polícia ou é bandido”. Eu parei… Olhei bem… Respirei fundo… Perguntei: “você realmente acha que o cidadão honesto que tem uma arma para defender sua própria vida, a de sua família e a sua propriedade contra uma agressão injusta em um mundo cada dia mais dominado pela violência e pelo crime é também um criminoso?”. E a resposta dela foi: “não existe cidadão honesto armado, arma é só para polícia ou para bandido”.

Bem, eu interrompi a conversa ali e fui embora. Não pretendo voltar a falar com aquela pessoa.

Noutra ocasião uma amiga minha postou uma propaganda de uma picaretagem chamada “reflexologia”, segundo a qual existe um mapa do corpo inteiro na sola do pé e fazer uma massagenzinha no ponto específico do pé supostamente correspondente a um determinado órgão promove benefícios à saúde ou mesmo cura doenças que estejam prejudicando aquele órgão. Eu avisei que era picaretagem, ela teve um ataque de estupidez dizendo que eu a tinha ofendido, eu mostrei evidências de que aquilo era picaretagem, ela disse que não queria saber e acabou me bloqueando.

É uma pena, era uma boa amiga, mas eu não vou pedir desculpas por alertá-la sobre uma picaretagem óbvia. 

Quando eu tentei explicar minha dieta e os fundamentos dela a uma pessoa próxima da minha família, ela ridicularizou o que eu estava explicando, disse que não era um troglodita para seguir uma dieta paleolítica, que não vivia nas cavernas, que preferia comer e beber o que gosta e se tiver algum problema ir a um médico, porque é para isso que servem os avanços da medicina. Eu disse que não é assim que funciona, que há danos que são irreversíveis, que o velho ditado que diz que “prevenir é melhor que remediar” é bastante sábio e que há fortes evidências em favor da minha dieta. Ela respondeu que todo mundo vai morrer um dia, então prefere viver bem até lá.

Ela acaba de passar por uma cirurgia, remover uma parte do intestino e garantir que terá seqüelas pelo resto da vida.

Enfim, eu poderia passar horas citando exemplos divertidos ou trágicos de gente que não é capaz de observar evidências, raciocinar com uma lógica razoável e mudar de opinião com base nisso. O que me incomoda, como blogueiro, é que, se na vida privada ainda é razoavelmente possível evitar uma exposição muito intensa a isso, na internet é absolutamente impossível. Sempre tem um boi corneta que ou não consegue ou não quer juntar dois e dois e obter quatro, e isso a cada dia mais me torra a paciência.

Mas o pior mesmo é que todas as evidências são de que isso continuará assim por toda minha vida.

Os leitores e comentaristas do Pensar Não Dói, felizmente, me brindam com uma ilha de sanidade no meio de um mar de comportamentos deste tipo na internet. Mas não deixa de ter conseqüências saber que, para quem é capaz de avaliar evidências de modo lógico e racional, muito do que eu escrevo é chover no molhado, enquanto que, para quem não é capaz, é inútil. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/05/2015 

14 thoughts on “Por que eu tenho escrito pouco

  1. É triste notar como as pessoas precisam manter suas crenças mesmo diante de evidências cabais em sentido contrário. Pior ainda é quando a crença vira pretexto para discriminar alguém. Particularmente no caso da religião, eu às vezes tenho vergonha de dizer que sou cristão, porque vira e mexe eu vejo na internet algum “cristão” dizendo que “o Cristianismo é a única religião verdadeira e nenhuma outra religião deve ser respeitada” e outras estupidezes do gênero.

    Parece que este fenômeno vale para qualquer coisa: religião, ideologia política, filosofia, etc. No meu círculo de convivência (não no de amizades, porque minha consciência não me deixa fazer amizade com tais pessoas) existem sujeitos que defendem ideologias absolutamente prejudiciais e até admiram pessoas que supostamente seguem estas ideologias, como ditadores. Não se convencem que o que estão defendendo é uma monstruosidade, mesmo que lhes sejam mostradas fotografias das atrocidades cometidas por tais pessoas.

    Acho que o que ocorre nestes casos, principalmente em se tratando de religião e política, é que as pessoas são doutrinadas desde pequenas para acreditar em tais conceitos e os outros em volta dela também o são. Assim como os pais ensinam valores (éticos, morais, etc) a criança, eles também ensinam tais preconceitos e crenças absurdas (mesmo que com a melhor das intenções) e, como a criança ainda não tem maturidade para diferenciar o que é verdade do que é uma óbvia estupidez, ela acredita em tudo o que lhe é transmitido, e cresce com tais conceitos enraizados em sua consciência. É doloroso quando alguém diz que aquilo que acreditamos durante toda a vida não é uma verdade universal e pode inclusive estar errado.

    1. Exato. Isso também mostra que essas pessoas, quando dizem que têm amor à verdade, não têm realmente amor à verdade, mas àquilo que elas receberam como verdade em um primeiro momento, não tendo capacidade crítica para buscar a verdade através de qualquer método confiável, baseado em evidências e lógica.

  2. Esse modo de pensamento a que você se refere é a norma. Tem alguns estudos clássicos de psico cognitiva mostrando que:
    a) as pessoas tendem a interpretar as evidências como se corroborassem suas crenças
    b) construir uma crença requer menos evidências do que destruir uma crença (ou seja, as pessoas são crédulas)
    c) em particular, ser cético demanda esforço cognitivo, requer que façamos força e gastemos energia (Pensar Dói Sim!)

    Se interessar a alguém, procuro e posto alguns papers específicos com essas conclusões (mas prefiro não ter o trabalho, só estou dizendo isso para tentar manter a integridade intelectual).

    E eu e você, Arthur, não estamos isentos de nos comportarmos assim. Nós tomamos decisões sub-ótimas todos os dias, e cremos em coisas sub-ótimas todos os dias. Isso é natural, pois nosso cérebro usa heurísticas.

    Na minha vida pessoal, procuro me associar com pessoas que tenham mais ou menos o meu nível de inteligência e cultura. Gente muito acima tem menos interesse em se relacionar comigo, e me faz sentir-me insatisfeito comigo mesmo em alguns casos. Gente muito abaixo não pode acompanhar meu raciocínio e se torna entediante. (Só uma nota: nem todos a gente escolhe na nossa vida. Procuro ter um bom relacionamento com vizinhos e familiares independente dos livros que eles lêem ou de qual é seu score num teste de QI. E eles são importantes na minha vida).

    Na nossa sociedade, existe gente mais ou menos cética. Gente que se aproxima mais ou menos do ideal de raciocínio correto. Gente que implementa mais e menos a capacidade de seguir os preceitos da racionalidade. Uma boa parte dessa variação está além do controle das pessoas. Claro, podemos nos esforçar para sermos mais céticos. Mas nosso tempo e energia são escassos, e temos muito o que fazer. No tradeoff entre investir no próprio ceticismo ou em outras coisas, para muita gente, o ceticismo não vale a pena. Eu, você, e muitos outros gostamos de passar horas lendo. Para algumas pessoas isso é um porre, e traz quase nada de benefícios.

    A ciência e a racionalidade são só uma faceta da nossa sociedade, e da nossa espécie.

    Esse é o meu pensamento.

    1. Esse comentário que eu escrevi é minha resposta somente para uma parte do seu artigo, e não para ele todo.

      Eu sinto o que você sente muitas vezes. Eu sinto simpatia pela sua situação, de achar que outras pessoas estão sendo irracionais.

      O meu comentário foi dirigido para a emoção que eu depreendi do seu texto. Pareceu para mim que você realmente se incomodou muito, a ponto de ficar irritado, frustrado e decepcionado. Foi para isso que me dirigi. Quero dizer que, como você sabe, somos primatas, e pelo menos por um tempo não vamos poder contornar isso… E que a sociedade não existe para a ciência, mas a ciência para a sociedade. Pessoas podem não ter interesse em ser racionais. Tem muitos motivos para se ter uma crença além de estar certo.

    2. A propósito, como acompanho esse blog há anos, eu poderia colocar uma foto pessoal aqui. Já pensei nisso. Gosto de associar minha imagem com o que escrevo, me parece honesto. Mas já sinto carinho por esse monstrinho que é meu avatar!! Desenvolvi afeto por ele haha http://en.wikipedia.org/wiki/Mere-exposure_effect

    3. Elvis, eu estou pensando em escrever sobre este modo de pensamento desde 31/10/2013. A data é precisa e está indelevelmente registrada em minha memória, onde vai permanecer até minha morte, porque naquela noite eu tive uma sacada muito importante e dolorosa: eu percebi em toda profundidade e em que extensão o ser humano é estúpido, supersticioso e impermeável à razão e às evidências. Aquilo também me fez perceber que a ação política neste mundo não pode ser do tipo que os iluministas originais pensavam. Aquilo não tem como funcionar para o Homo sapiens. Será necessário redefinir toda a minha visão iluminista de mundo, uma vez que a minha própria concepção de “ser humano” foi drasticamente alterada naquela noite.

      Eu sei que todo cérebro humano usa heurísticas indutivas com viés para falso-positivo, isso é bem conhecido da biologia evolutiva, e sei que isso afeta o meu cérebro também, mas este é apenas o primeiro passo envolvido na detecção de padrões. É o passo de achar que a cobra está morta porque alguém disse que acertou uma paulada na cabeça dela. O segundo passo é questionar “tem certeza?” e dar uma cutucada com uma vareta comprida para ver se a cobra está mesmo morta. Nenhum ancestral humano insistiria que a cobra está mesmo morta quando ela saísse em disparada após a cutucada, mas os macacos falantes contemporâneos assistem a cobra dançar um tango fumando cachimbo e afirmam resolutamente que a cobra está morta porque o pastor, o aiatolá, o rabino, o padre, o ideólogo radical, o político corrupto e charlatão, o maluco engajado ou qualquer um que seja conveniente para sua psiquê perturbada afirme que a cobra está morta, mesmo contra todas as evidências. E ainda vão usar para envenenar o poço a capacidade intelectual que não usam para analisar as evidências, dizendo que a análise racional das evidência é coisa de quem não conheceu Jesus no coração, que não foi tocado pelo Espírito Santo, que é um burguês alienado, que é alguém que não quer perder privilégios, que é um infiel que deve ser eliminado porque blasfema, que não faz parte do povo escolhido, que é revisionista da história, que sei lá o quê mais entre tantas outras perversões nojentas da razão e da ética.

      UM exemplo do quanto a razão e a inteligência podem ser pervertidas e depravadas para tentar justificar um fanatismo estúpido pode ser facilmente encontrado pesquisando “calvinismo versus arminianismo” no Google. Eis aqui o artigo correspondente na Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_debate_calvinista%E2%80%93arminiano Eu recomendo fortemente a leitura. É um exemplo clássico de como milhares de pessoas supostamente inteligentes e esclarecidas podem desperdiçar centenas de milhares de horas em um debate estúpido, estéril, sem nenhum tipo de evidência, do mesmo exato tipo que seria discutir se quem está certo são os adeptos do unicórnio invisível cor-de-rosa ou os adeptos do monstro de espaguete voador. Isso é ridículo e enojante, é uma total afronta contra uma mente lúcida e racional. Mas não vai faltar uma besta que vai exigir respeito a esta estupidez só porque ele acredita nesta estupidez e acha que merece respeito apenas por acreditar em uma estupidez.

      O pensamento coerente baseado em evidências e balizado pela ética é a mais importante faceta da nossa espécie. Sem isso, não somos humanos, somos sub-humanos, pervertidos, depravados, certamente perigosos, provavelmente daninhos. Esse é o meu pensamento.

    4. Eu tenho amigos irracionais. A maioria deles é irracional. Na minha família, a maioria absoluta é irracional. Na minha volta tem gente que acredita que mandalas de crochet costuradas dentro de círculos formados por raízes de árvores torcidas são “filtros dos sonhos” que as protegem durante o sono. Na minha volta tem gente que acha que um judeu morto há dois mil anos atrás vai voltar do céu a cavalo com mais quatro cavaleiros que vão causar terremotos tocando trombetas e ressuscitar bilhões de cadáveres decompostos para levar 144.000 deles para o paraíso e jogar ou demais bilhões vivos num lago de fogo eterno para que sejam torturados com as dores de queimaduras insuportáveis por toda a eternidade em nome do Amor de Deus. Na minha volta tem gente que acha que o Lula é um grande homem, que a Dilma é uma pessoa honesta, que o PT é um partido sério que não tolera a corrupção e que o socialismo é um regime político maravilhoso. Ou seja, o que mais tem na minha volta é débil mental incapaz de somar dois mais dois – e mesmo assim eu continuo amigo deles. Eu só não lhes do o tratamento condescendente de fingir na frente deles que eu respeito este monte de estupidez. Eu os alerto: “se você quiser falar sobre o que você acredita, então eu vou falar o que eu acredito sobre o que você acredita”. Isso mantém a maior parte do besteirol longe dos meus ouvidos, o que já está de bom tamanho para mim. O que me estressa mesmo é que estas pessoas decidem minha vida através do voto.

    5. Bastante informação, vou ler mais duas vezes em momentos distintos para processar.

      Gostei disso: O que me estressa mesmo é que estas pessoas decidem minha vida através do voto.

      Não que eu defenda não-democracia. Mas acho que as políticas públicas deveriam ser discutidas com base em evidências. Porque afetam muito a vida de muita gente, e (suponho que) diferencialmente mais justamente a das pessoas mais vulneráveis da sociedade.

      Falando assim dá impressão que tem um Jeito Certo [TM] de fazer as coisas, e um jeito errado. E que eu saberia dizer qual é qual só de olhar de relance. A realidade é mais complicada, eu acredito. O que eu quero dizer é que eu gostaria que as políticas públicas fossem decididas mais com base em evidências do que parecem ser. Quero dizer, que as pessoas pelo menos entendessem que confiar nas suas intuições para tomar decisões que podem terminar vidas alheias não é uma boa ideia. Que evidências experimentais e correlacionais publicamente verificáveis, baseadas em estatística sólida, e revisada por pesquisadores independentes, são melhores. Que as pessoas pelo menos aspirassem a esse ideal. Que pelo menos reconhecessem sua idealidade.

      Não que isso seja uma panaceia para todos os males. Às vezes, o homem no jaleco é um picareta.

    6. Eu adoraria saber por que você está pensando nisso desde aquele dia. Por influência da minha irmã, estou assistindo o seriado Sherlock. Mas estou sem nenhuma vontade de me tornar um detetive fodalhão e tentar deduzir as coisas. E descobrir sozinho o que foi que te aconteceu 😀

      Você diz que

      O pensamento coerente baseado em evidências e balizado pela ética é a mais importante faceta da nossa espécie. Sem isso, não somos humanos, somos sub-humanos, pervertidos, depravados, certamente perigosos, provavelmente daninhos.

      Minha intuição é diferente, como falei. Mas apesar disso, ontem, depois de ler um certo comentário em um blog, senti uma simpatia profunda pela bíblica Eva, que trocou o jardim de Éden pelo fruto do conhecimento.

    7. Sobre a democracia: eu não sou um democrata. Por dois motivos.

      Primeiro, porque a democracia funciona como vinte pessoas em uma sala com uma bomba com o cronômetro regressivo fazendo tic-tac na qual há dois sujeitos dizendo que sabem qual é o fio que tem que ser cortado: um diz que é o fio vermelho, o outro diz que é o fio azul, e os vinte votam em quem vai cortar o fio não com base em algum conhecimento sobre bombas, nem com base na análise cuidadosa do currículo de bombas desativadas de cada um, mas com base na simpatia pelo sujeito que pegou no colo a filhinha de um dos presentes e disse pra ela não se preocupar porque o titio vai resolver tudo, enquanto o outro disse pra parar com a frescura porque o assunto é sério.

      Segundo, porque na democracia é absolutamente inútil o sujeito que sabe como desativar a bomba dar uma explicação completa sobre a estrutura do mecanismo detonador, os esquemas de redundância que permitem que a bomba detone mesmo quando o fio certo é cortado – e que por isso exigem o corte de dois ou três fios simultaneamente – ou sobre quaisquer características técnicas que exigem que mais alguém além dele mesma faça alguma coisa e a faça do jeito correto e bem feito, pois o que todo macacao falante quer realmente é um salvador que diga para ele não se preocupar porque ele, o pretenso salvador, vai resolver tudo do jeito certo sem incomodar ninguém, basta confiar nele.

      Um sistema assim só tem como funcionar se todo mundo ou pelo menos a maioria ali presente for técnico em desativação de bombas, ou seja, ele só funciona quando é absolutamente desnecessário. Em qualquer outra situação a democracia é um sistema que tende fortemente a colocar no poder corruptos e safados cuja maior habilidade é enganar trouxas que gostam de ser enganados e preguiçosos que querem que alguém pense mais neles do que em si mesmos e façam todo o trabalho por eles sem incomodá-los.

    8. Sobre o modo padrão de pensamento humano:

      Eu percebi em um nível muito profundo, no dia 31/10/2013, que, dos 7 bilhões de seres humanos vivos no planeta, 2,5 bilhões acreditam que um judeu morto há dois mil anos vai voltar do céu a cavalo, acompanhado de quatro cavaleiros que vão causar terremotos tocando trombetas, para ressuscitar bilhões de cadáveres decompostos, mandar 144.000 deles para o paraíso e condenar os outros 7 ou 10 ou 30 ou sei lá quantos bilhões a serem lançados em um lago de fogo eterno para sofrerem a tortura crudelíssima de serem queimados vivos sem um único segundo de descanso por toda a eternidade em nome do Amor de Deus, enquanto outros 1,5 bilhões acreditam que ficar de quatro batendo com a cabeça no chão cinco vezes por dia, vestir as mulheres como sacos de batatas e explodir ônibus cheios de crianças vai lhes trazer o paraíso, que é composto por 72 virgens para estuprar todos os dias e comer apenas mel e ambrosia por toda a eternidade. Só entre estes dois grupos de malucos, temos mais de 4 bilhões de pessoas, o que dá mais de metade da humanidade. Se somarmos os imbecis que acreditam em outras religiões igualmente estúpidas, como o comunismo, o socialismo ou qualquer forma de fascismo, temos certamente mais de 80% da humanidade.

      Tem como dar certo um mundo assim? Só se alguém com miolo tomar o poder, contra a vontade da maioria dos malucos, seja pela força, seja pelo ardil, fazendo-os crer que estão no comando, contando com a natural tendência da maioria de seguir um líder conveniente para sua própria loucura. Ou seja, precisa ser um ditador benevolente ou um manipulador benevolente. Qual a chance de aparecer alguém assim e de fato estabelecer o tipo de governo necessário? Eu acho que é zero.

      Isso só tem como mudar se “o pensamento coerente baseado em evidências e balizado pela ética” se tornar o padrão da espécie. E em um mundo onde a Coréia do Norte e o Estado Islâmico existem sem serem incomodados pela comunidade internacional e onde os países mais avançados já estão disputando o direito de explorar o petróleo do subsolo ártico após o derretimento do gelo causado pelo próprio consumo de combustíveis fósseis, sem dar a mínima atenção para o futuro de seus próprios filhos e netos, a chance de “o pensamento coerente baseado em evidências e balizado pela ética” se tornar o padrão só virá, se vier, após uma catástrofe climática que elimine a maior parte da humanidade – isso se a pressão seletiva após a catástrofe depender de inteligência, ética e cooperação.

    9. Numa daquelas eu transformo isso em um artigo. 🙂

  3. Não adianta discutir com pessoas que tem um apego desgraçado em relação as suas verdades. Não existe verdade absoluta.
    E aí essa mesma pessoa descobre que era ilusão, o que ela vai fazer? Vai assumir a desilusão ou vai culpar os outros.
    O engraçado é que mesmo as pessoas com alto nível de esclarecimento, são facilmente ludibriadas por ideologias que sinceramente estão mais que caducas.
    Se tem uma coisa que eu aprendi nesses últimos anos, é considerar, no entanto sem levar muita seriedade no assunto. E se noto falácia nos argumentos, eu tiro é onda. E se não gostar, viro a costas e deixo a pessoa falando. Começou o ar de hostilidade porque a pessoa se ofendeu. Dou no pé. Brigar pra quê?

    1. Alexandre, salvo raras e honrosas exceções, as pessoas não descobrem nunca que suas “verdades” são ilusões. Elas morrem afirmando a ilusão. Lê o que eu escrevi sobre o judeu morto e as 72 virgens numa resposta mais acima para o Elvis que tu vais entender o motivo.

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