A série original de O Planeta dos Macacos é talvez o filme de Hollywood que nos brindou com as melhores metáforas de análise da psiquê humana e das mazelas sociais e políticas de nosso planeta. As personalidades dos macacos dos filmes são na verdade arquétipos humanos muito refinados. E, lamento dizer, o General Urko é o representante supremo da mentalidade predominante na Terra. 

urko
“Humano bom é humano morto!” – frase mais famosa do General Urko.

No filme original, o nome deste personagem era Ursus, porém, como ele é um macaco e como “Ursus” parece com “urso”, na tradução o nome dele foi mudado para Urko. O que corrobora a minha tese do parágrafo de abertura. 

Se o filme original continha excelentes metáforas, entretanto, a realidade é um tanto mais cruel que o filme. Você sabe, #SomosTodosMacacos. Isso não é uma metáfora. Somos Todos Macacos mesmo. Macacos falantes, mas macacos. Literalmente. Somos todos macacos e somos a espécie dominante do planeta. Então, este é o planeta dos macacos. Também literalmente. 

Assim sendo, como podemos ignorar nossa própria natureza biológica em praticamente todos os assuntos da mais alta relevância psicológica, social, política, econômica e sanitária? Bem, você já sabe: é mais uma urkice entre tantas outras. De agora em diante provavelmente você vai ler esta expressão mais vezes aqui no Pensar Não Dói. 

Minha tese é que a humanidade não tem jeito enquanto não jogar na lata do lixo da história todas as ditas “humanidades”, da psicologia à política, da sociologia à economia, de Adam Smith a Freud, de Marx a Focault, de Rosseau a Maquiavel, de Olavão à grande pensadora Valesca Popozuda, e construir tudo de novo com o alicerce solidamente fundamentado na biologia evolutiva, na ecologia, na etologia, na primatologia e na ética, em Darwin, em Popper e em Kant. Os macacos iluministas modernos provavelmente concordarão. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 12/07/2015 

15 thoughts on “O planeta dos macacos não é uma metáfora

  1. Cadê as atualidades?

    1. Exato! Hehehehehe!

    2. Calma. Eu estou aquecendo os motores. E também estou de mudança esta semana, para outra cidade. Tudo a seu tempo.

  2. Achei injusta a inclusão da Valesca nessa lista. O pensamento dela não é danoso. E ela apresenta algumas qualidades que os outros citados não tem.

    Mas falando sério, tenho dúvidas sobre a completa inutilidade das Humanidades. Acho que talvez de uns 80 a 90% do produzido poderiam ser descartados sem perdas pro conhecimento, mas há coisas úteis.

    E você continua muito implicante com a Psicologia. Tem muita coisa nela com base científica, e muito conhecimento empírico útil.

  3. Somos todos primatas, posso estar errado mas os macacos são de outro galho evolutivo…. Mas tô falando da boca pra fora e por favor me corrija se estiver enganado!

    E concordo plenamente com o texto!

    1. Eu tive que pesquisar para responder esta. Mas o dicionário Priberam e a Wikipédia me salvaram:

      http://www.priberam.pt/dlpo/macaco

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Primatas

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Simiiformes

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Pross%C3%ADmio

      Se ambos estiverem corretos, todos os bichos ali citados podem ser chamados de macacos.

  4. Pongo, Arthur, não gosta muito de ser rotulado no mesmo balaio com os humanos, embora tenha que concordar com a ordem comum. Ele me disse que a síntese das soluções está na banana. Se você a come sem descascá-a-la, avaliando as possíveis alternativas, cria a ciência. Se você a joga pra cima e afirma que ela não vai cair, cria a religião. Se você a compartilha, cria a humanidade. Ele também me disse que, sobre essa terceira possibilidade, anda perdendo as esperanças.

    1. Não é só o Pongo que anda com poucas esperanças…

  5. Desculpe o soluço ao descascar a banana…

    1. [Mode Shererazade ON] É compreensível. [Mode Shererazade OFF]

  6. Excelente Arthur!

    Aquele documentário Brainwash do Harald Eia que eu te indiquei salienta bem isso, o BIOLÓGICO como um fator importantíssimo nos comportamentos humanos, um fator que definitivamente (e a contragosto de muitos por aí) não pode ser ignorado.

    Estava estudando a respeito, e muito do comportamento social dos humanos, muito do que dizem ser “status quo” na verdade é um reflexo do comportamento biológico condicionado humano em anos e anos de evolução.Também tem um documentário chamado Going Ape, acredito que do Discovery que é também bem interessante a esse respeito.

    Muito me surpreende pessoas que acreditam que hormônios podem causar diferenças tão marcantes e evidentes em nossos corpos, mas não em nossos cérebros.

    Fico no aguardo de textos com esse tipo de conteúdo aqui no blog!

    Att,
    Gelson

    1. Legal, Gelson. 🙂 Estou cada vez mais pensando como biólogo, me livrando do condicionamento imposto por décadas de exposição às ditas “humanidades” que dominam a cena ideológica no planeta inteiro, pouco importa em que parte do espectro ideológico nos situemos (inclusive ao centro, lamentavelmente). Para mim finalmente está mais do que evidente que somos macacos com um verniz cultural e não seres culturais com um fundo biológico. Mas vais ver que vou levar muita pedrada por causa disso…

  7. Jogar tudo isso fora? Mesmo, mesmo? Reduzir tudo ao biologicismo, no duro? Boa sorte então @_@ Concordo que somos primatas, com uma cultura esquisita que nos faz marcar território com manchas de tinta em papel depois de manchar o solo com sangue. Mais como chimpanzés do que como bonobos, conforme os recentes estudos da psicologia evolutiva mostram. Acho que reduzir tudo somente a fatores puramente biológicos é meio forçado. Ainda fico com a visão biopsicossocial. Tudo junto mesmo. Minha opinião.

    1. Marcos, eu não falei em jogar tudo fora e ficar só com a biologia, eu falei em jogar fora todas estas porcarias sem fundamento e reconstruir tudo com uma base sólida, que não ignore a biologia evolutiva e não viole seus preceitos. Aliás, além de Darwin, eu citei Popper e Kant, viste isso?

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