Política e ética profissional do funcionalismo público

O servidor público concursado é um cidadão como qualquer outro e tem todo o direito de ter uma posição política e de expressá-la livremente, mas ao exercer suas funções ele deve obediência ao gestor escolhido por seu patrão – o povo cujos impostos pagam o seu salário – independentemente de sua concordância ou discordância quanto às políticas implementadas pelo gestor legitimamente eleito. Quem não tem esta capacidade não deveria ser funcionário público. 

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Observe que este artigo não está na categoria “política” e sim na categoria “cidadania”. Ele surgiu a partir de uma pergunta que recebi ontem: “como você pode trabalhar para o sucesso de um partido do qual você discorda?”

Bem… Esta é a maneira errada de ver esta questão. O servidor público concursado não trabalha para o sucesso de um partido, mas para o sucesso da administração. Não desta ou daquela administração, mas da administração. E é assim que tem que ser, porque é para isso que o seu patrão paga o seu salário. O patrão do funcionário público não é o atual governo de sua cidade, estado ou país, é o povo. O governo é apenas o gestor que o povo escolhe para administrar o Estado – seja em nível municipal, estadual ou federal.

Ressalvado o caso óbvio da ordem ilegal, não faz o menor sentido, não é ético e não promove a cidadania desobedecer o gestor legitimamente eleito e muito menos sabotá-lo. Ao agir assim, o servidor público está privando o seu patrão, o povo, de avaliar corretamente as políticas do gestor que escolheu. Isso pode ser interessante para quem não está realmente interessado em cidadania, mas este é o blog de um iluminista – e um iluminista jamais pode tutelar a consciência de terceiros, sob pena de aniquilar a razão de ser de sua própria filosofia.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/08/2015 

3 thoughts on “Política e ética profissional do funcionalismo público

  1. Sabe, Arthur, essa imagem aqui: http://1.bp.blogspot.com/-MnzzMcuw7YA/Tz6cHQ_Y32I/AAAAAAAAAoY/rB-XkY0CXuc/s1600/socrates.jpg , conceitualmente e artísticamente, me lembra muito você. O dedo pra cima e a defesa incondicional das suas ideias, hahaha.

    1. Mas o Arthur nunca beberia cicuta voluntariamente, acho. Ia morrer brigando e levava uns com ele!

    2. Os dois estão certos. 🙂

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