Volta e meia eu ouço algum defensor da energia atômica dizer que “a chance de acontecer algum acidente grave com uma usina nuclear é de uma em um milhão”. Será?

chernobyl

Tivemos um acidente grave em Three Mile Island, um acidente grave em Chernobyl e um acidente grave em Fukushima. Onde estão as outras dois milhões, novecentos e noventa e nove mil, novecentas e noventa e sete usinas nuclares? 

Cansa ouvir esse besteirol sobre “tecnologia segura” e “chances mínimas de problemas”, viu?

Se na mão dos estadunidenses e dos japoneses aconteceram aqueles acidentes, imagine o perigo que representa ter  usinas nucleares nas mãos de povos com culturas em que a responsabilidade não é tão valorizada.

Fechem Angra.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/09/2015

16 thoughts on “Uma chance em um milhão?

  1. Tecnologia segura uma ova! E até hoje não está resolvida a questão do lixo! O que fazemos com ele? O que farão os tataranetos dos nossos tataranetos (se ainda houver humanidade daqui a duzentos anos) com ele? Porque investir na energia mais cara – pois é, preço de venda ao consumidor não é tudo, tem que computar a parte dos impostos nisso, os danos colaterais, acidentes, recuperação de plantas obsoletas e assim vai… O pior é o cinismo com que os tecnocratas que mandam no assunto tratam o resto da população. Na França onde fui adolescente nos anos 70, o governo Giscard d’Estaing falava: “Temos escolha: energia nuclear ou luz da vela”. Hoje a França tem mais ou menos 80% de nuclear na sua matriz energética, exporta energia em vários países vizinhos, continua enrolando a questão do lixo e fica décadas atrasada em relação às energias renováveis.

    1. A questão do lixo nuclear é simplesmente impossível de resolver com segurança. Daqui a algumas décadas, quando dezenas de usinas nucleares tiverem que ser desativadas e lacradas em concreto para esperar séculos ou milênios até que aconteça a descontaminação naturalmente, pelo decaimento da radiação incrustrada nos seus equipamentos, é que o mundo vai se dar conta da estupidez que é apostar em usinas nucleares. E os depósitos de lixo radiativo apresentarão o mesmo problema. Daqui a séculos continuarão representando perigo, deixando o mundo de cabelos em pé se acontecer algum terremoto imprevisto, por exemplo. Isso para nem falar de ataques terroristas a instalações nucleares…

  2. Nicolau II da Rússia (Nikolai Romanov)

    30/09/2015 — 06:34

    Apenas como curiosidade, lembro-me certa vez de ter visto na Revista Superinteressante uma reportagem sobre as consequências do desastre de Chernobyl chamada “o macabro expressionismo da era nuclear”, onde haviam duas fotos: uma de um bezerro de duas cabeças e outra, que me impressionou mais, de um feto humano totalmente deformado. Procurei a reportagem na internet e achei, mas sem as fotografias. O link: http: //super.abril.com.br/historia/o-macabro-expressionismo-da-era-nuclear

    Depois de tantos acidentes, concordo que é irresponsabilidade explorar a energia nuclear. Mas, se o ser humano não se importa com o consumo de combustíveis fósseis, que está destruindo a biosfera, iria se importar com os perigos da energia atômica? É assustador falar isso, mas acho que o ser humano só vai aprender a cuidar do planeta e deixar sua ambição de lado quando acontecer uma tragédia. Mas aí já será tarde demais…

    1. Nicolau II da Rússia (Nikolai Romanov)

      30/09/2015 — 14:09

      Desculpe, o link saiu errado.

      http://super.abril.com.br/historia/o-macabro-expressionismo-da-era-nuclear

      Como eu disse, infelizmente não tem as fotografias. Procurei elas no Google e não achei.

    2. Pois é, Romanov, acho que um parente teu anda aaqui pelo blog, o Romacof… 🙂

      E, de fato, a tendência é não aprender, não ser proativo, só ser reativo. Um inferno.

    3. E é comum certos sites não exibirem imagens fortes.

  3. Nicolau II da Rússia (Nikolai Romanov)

    01/10/2015 — 09:24

    Aqui a foto do feto morto pela radiação. É a segunda foto. Lembra vagamente a expressão do quadro “O grito” de Eduard Munch:

    http://illuminartes.blogspot.com.br/2013/03/o-expressionismo-arte-caricatura-o.html

    1. Horrível isso.

  4. Sim. A energia nuclear não é segura. Mas Angra é mais segura que Fukushima.

    1. É mesmo? Tem mais rotas de fuga para as populações vizinhas, em caso de desastre? Tem mais transparência nos procedimentos de controle, no dia a dia do funcionamento da planta? Já sei: tem mais ética na cabeças dos responsáveis pela segurança. Aqui, por exemplo, nunca seriam sobrecarregados os tanques de contenção do material radioativo. Nunca seriam falsificados os relatórios de segurança. Nunca seriam aceitas propinas. E claro, todos nós sabemos da convivência mais estreita do povo brasileiro com os perigos do átomo do que a do povo japonês.

    2. Aqui a água de refrigeração de emergência não precisa das bombas à diesel cujos tanques estão desabrigados, ela flui por gravidade.

    3. Mesmo que aqui seja de fato mais seguro… Será seguro o suficiente? Temos como ter garantia? Não, né?

    4. Sim. Sou a favor de abolir por que já podemos trocá-las por eólicas ou térmicas solar ou fotovoltaica. Minha observação é porque eu já vi muitos comentários do tipo “Viu o que aconteceu em Fukushima? Imagina se fosse no Brasil!” Temos muitos problemas, mas achar que tudo aqui é pior do que nos países ricos não é correto.

    5. Sou favorável a aboli-las porque os perigos que elas representam são incontornáveis. Não possuem solução técnic. E nunca possuirão.

  5. A questão não são as possibilidades, o problema maior são as consequências e as contingências dos fatos.
    Um acidente nuclear as consequências são terríveis e de longo prazo. Uma vez ocorrida não tem remédio que dê um jeito nisso.

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