O que significa o recuo de Temer no caso MinC?

Resuminho: o Brasil por muito tempo teve o MEC, Ministério da Educação e Cultura; as pastas foram separadas no governo de José Sarney; o presidente Michel Temer refundiu as pastas; os artistas tiveram um piripaque e saíram difamando o Brasil pelo mundo; Temer recuou e recriou o Ministério da Cultura. A pergunta sobre a qual #PensarNãoDói é: o que significa isso no atual cenário político?

Ocupa MinC

A resposta não é óbvia. Por um lado, isso pode indicar fraqueza de Temer; por outro lado, isso pode indicar uma avaliação estratégica para evitar desgaste comprando uma briga de longo prazo com uma classe artística ideologicamente comprometida com seus adversários políticos, com alta visibilidade e grande capacidade de mobilizar multidões contra o governo.

Se o recuo foi mera demonstração de fraqueza, estamos ferrados. Um governante que já na primeira semana recuasse em medidas anunciadas sob holofotes internacionais por não querer se incomodar com cantores, atores e cineastas em meio a um déficit orçamentário de R$ 170.000.000.000,00 e onze milhões de desempregados não chegaria ao final do primeiro ano de governo. Eu prefiro acreditar que não seja assim. Espero não estar me enganando.

Se o recuo foi estratégico, ótimo! Um governante capaz de se adaptar rapidamente e de tomar decisões estratégicas difíceis em pouco tempo será muito bem-vindo ao país. Se Temer optou pelo recuo numa questão pouco relevante para poder se concentrar naquilo que realmente importa, é sinal de que teremos finalmente um governo que saberá atuar com prioridades claras. Esperemos que seja assim na maior parte das vezes.

Em qualquer dos casos, a medida terá um efeito colateral negativo para o qual Temer terá que se preparar. O PT e a esquerda em geral certamente não vão elogiar o presidente por sua sensatez e disposição democrática, eles vão aproveitar o recuo de Temer para criticá-lo ainda mais e para mobilizar suas bases alegando que “basta pressionar que o golpista cede” e coisas do tipo.

Este episódio pode vir a nos mostrar uma característica positiva do presidente da República, mas de qualquer modo terá sido um erro que custará ao governo críticas, desgaste e acirramento de ânimos e obstinação de seus adversários. Temer precisa de uma assessoria para assuntos estratégicos melhor.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 21/04/2016 

Textos recomendados de outras fontes:

Temer decide recriar Ministério da Cultura; ministro assume na terça

Ter Ministério da Cultura é fruto de mentalidade patriarcal, burocrática e centralizadora, diz ex-diretor do Masp

Menos da metade dos países desenvolvidos do mundo têm Ministério da Cultura específico

6 thoughts on “O que significa o recuo de Temer no caso MinC?

  1. Mal sapão!

    Ele conseguiu desagradar quem o estava defendendo e não vai conseguir reduzir os ataques do outro lado com isso.

    Realmente precisa de uma assessoria melhor. De marketing tambem.

  2. Não gostei, ou ele é um gênio da estratégia,ou minha percepção das coisas é deveras sílfide. Não era o momento de Temer recuar, o povo entendeu e apoiou a medida do Governo, se ele recuou em um assunto secundário como esse, que dirá das pautas bombas. Temer deveria ter mantido o Minc, feito uma auditoria nas contas do ministério, relatar as irregularidades encontradas e reduzido seu orçamento, seria uma forma de minar o Minc tendo respaldo pra fazê-lo. Não consigo visualizar nenhuma estratégia nesse caso, e sim uma covardia de um Governo que conta com forte apoio popular, e que se não foi capaz de aguentar a pressão de meia dúzia de artistas, fico imaginando se aguentará de um Congresso Nacional.

  3. Desculpa aí, Arthur, mas ele é presidente interino da República. Você sabe que eu tô me lixando pra quem é que ocupa o cargo, mas até a decisão final do Senado ele é interino. ?

    1. Ué… O que tem a ver ele ser interino?

    2. Nome aos bois. Só isso. Hehehehe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *