Vivemos em um mundo de estúpidos. Em um mundo de estúpidos, eu defendo radicalmente o direito de ser estúpido. É justo e é razoável. Afinal, não se pode legislar contra as tendências humanas e esperar que o resultado seja positivo. Portanto, como corolário óbvio do respeito à estupidez, é necessário proibir a estupidez de tentar proibir a estupidez.

Sorvete na testa

Eu estava aqui ouvindo ópera no Youtube quando ouvi o Fantástico berrando lá na sala que a marinha sei lá eu de onde tinha proibido um sujeito de se lançar ao mar “porque a embarcação dele seria insegura”. Ora, o cara tem todo o direito de se lançar ao mar com a porcaria da embarcação que ele bem entender. A vida é dele. Ele não está prejudicando nem ameaçando ninguém. Então, o problema é dele. Ninguém tem o direito de se meter. A marinha alega que o sujeito está cometendo uma estupidez, mas ela só aumenta os custos dele para ter um barco acompanhante, ou o obriga a agir de modo clandestino, e seus próprios gastos com fiscalização, sem produzir nenhum benefício. É a maldita estupidez de tentar proibir a estupidez.

Pouco depois a TV berrou de novo lá da sala que o STF proibiu a distribuição da fosfoetanolamina “porque ela pode fazer mal à saúde por não ter sido adequadamente testada”. Ora, nem vou entrar no mérito da estupidez que é alegar riscos a longo prazo para um paciente que tem uma doença cruel e fatal a curto ou médio prazo. A questão é outra. Já foi provado que a fosfoetanolamina não é tóxica nem interfere na quimioterapia. Então, qual o problema de liberar o consumo? Os médicos e o STF alegam que é estupidez usar uma substância que não foi adequadamente testada, mas ninguém será prejudicado pela substância e muitas pessoas que estão tendo melhoras de uma doença fatal e que causa muito sofrimento assistirão desesperadas a doença voltar a se desenvolver e matá-las. É a maldita estupidez de tentar proibir a estupidez.

Finalmente eu pulei da ópera para o TED Talks e assisti a palestra de uma prostituta fazendo uma excelente avaliação do resultado de todas as políticas que costumam ser usadas para lidar com a prostituição: proibição total, proibição da oferta do serviço, proibição da procura do serviço, proibição de atividades do entorno do serviço e legalização com normatização restritiva, todas elas com resultados negativos. Ora, tudo o que as prostitutas do mundo inteiro querem é descriminalização e possibilidade de exercício da profissão como um vendedor comum. Mas ninguém as ouve. Alegam todo tipo de teoria absurda ou princípios que não são relevantes para nenhum dos envolvidos e continuam implantando políticas que pioram a situação e promovem sofrimento. Mas qual o problema de atender as demandas delas? Quem não se prostitui nem paga os serviços de quem se prostitui só tem a ganhar com a regulamentação da profissão, devido à redução de insegurança, violência e gastos públicos. É a maldita estupidez de tentar proibir a estupidez.

Estou com uma dúvida terrível se eu tomei uma boa decisão reativando o blog. Não deixa de ser uma estupidez voltar a escrever sobre coisas que me incomodam sabendo que isso não vai mudar o mundo. Talvez alguma alma caridosa queira me poupar deste sofrimento me proibindo de escrever…

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/05/2016

10 thoughts on “A estupidez de proibir a estupidez

  1. Como eu também sou uma defensora ferrenha do direito das pessoas de serem o que elas quiserem, inclusive blogueiros que consideram estar fazendo uma estupidez quando escrevem, então não vou te proibir de escrever. Muito antes pelo contrário, eu serei a primeira a te encorajar. Mesmo que você esteja escrevendo uma estupidez sem tamanho.

    1. Eu poderia escrever, mas seria meio estúpido. O melhor é ver isto aqui : https://www.youtube.com/watch?v=ZY2z12ORYJI

      Não pare de escrever, Arthur. E que a dança continue!

    2. Pô, se eu estiver escrevendo uma besteira sem tamanho, eu prefiro que me avisem! 😉

  2. CADE O DISQUS ARTHUR!!!

    Ps. ficou ótimo o novo leiaute.

    1. Tanta gente falou mal do DISQUS que eu acabei arrepiando.

  3. Arthur, poderia deixar o link pra essa palestra da TED?

    E você muda sim o mundo. Pouco, mas muda. E vivemos num mundo caótico, lembre-se. Pequenas mudanças às vezes tem grandes efeitos. Não desanime!

    1. À noite verificarei no histórico do notebook.

    2. Obrigado!

  4. Acho que sabes que as mudanças nunca,ou quase nunca,partem do exterior.
    Graças a Deus,não temos o PODER de mudar ninguém.
    Vais pirar se tentares.
    Muda a ti mesmo naquilo que achares que deves e estarás mudando muita coisa ao teu redor.
    Se os problemas estão em nós mesmos,as soluções também,e se não for assim grite HELP !

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