Muita gente discute política usando definições as mais esdrúxulas de esquerda, direita e centro, normalmente com base em características não essenciais de grupos específicos que se identificam com este ou aquele ponto do espectro ideológico, como as posições sobre temas como legislação trabalhista, tributária ou certos direitos, mas isso tudo é confete e serpentina. O que define a posição de uma ideologia no espectro ideológico é sua disposição e sua justificativa para dar certo tratamento aos indivíduos

Esquerda - Direita - Centro

Esquerda é coletivismo. Coletivismo é poder sacrificar o indivíduo em benefício do grupo. Poder sacrificar o indivíduo em benefício do grupo só é adequado para organismos não reprodutores como abelhas operárias, cupins e formigas. Esquerda é ideologia de insetos. Não é adequada a seres humanos. 

Direita é egoísmo. Egoísmo é poder sacrificar o outro indivíduo por desinteresse ou negligência. Poder sacrificar o outro indivíduo por desinteresse ou negligência só é adequado para organismos cuja estratégia de sobrevivência é violenta e excludente, vivam eles isolados ou em grupos, como leopardos e leões. Direita é ideologia de feras. Não é adequada a seres humanos. 

Centro é individualismo. Individualismo é a valorização do indivíduo, ou seja, é não poder sacrificar o indivíduo. Não poder sacrificar o indivíduo só é adequado para organismos com capacidade de desenvolver empatia, como golfinhos, elefantes e os grandes primatas. É, portanto, adequada aos macacos falantes, os seres humanos.

Não há dúvida de que o coletivismo – “pensar antes na comunidade” – é desumano. Se você pode sacrificar o indivíduo em prol da comunidade, então cada indivíduo pode a qualquer momento ser sacrificado em prol da comunidade, e o resultado é que absolutamente ninguém tem valor algum. Todos são descartáveis, todos são sacrificáveis. Quem fala em “bem comum” não sabe o que está dizendo. Não existe bem comum. Só o que existe é o meu bem, o seu bem, o bem de cada um e de todos os indivíduos, sem exceção.

Um erro comum é considerar individualismo e egoísmo sinônimos. Não são. No egoísmo o indivíduo que importa sou eu, no individualismo os indivíduos que importam sou eu e também o outro, pois o outro também é um indivíduo. Se você não é solidário, você defende somente a si mesmo, então você é egoísta. Se você é solidário, você defende todo e qualquer indivíduo, então você é individualista. Ou solidarista. O verdadeiro sinônimo de individualismo é solidarismo. 

O espectro ideológico, portanto, é simples assim: quanto mais à esquerda, mais perto você está dos insetos; quanto mais à direita, mais perto você está das feras; quanto mais ao centro, mais perto você está dos seres humanos, suas necessidades, suas limitações, seus sonhos, seus medos, suas sensibilidades e suas verdadeiras e adequadas possibilidades de organização politica, econômica e social com harmonia e sustentabilidade a longo prazo. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/06/2016 

10 thoughts on “A esquerda, a direita e o centro

  1. Arthur voltando aos seus grandes momentos.
    Sabe que este post parece estar começando uma interessante abordagem de base biológica?

    1. Tem uma categoria chamada “Política do Arthur” que eu lancei antes das “férias” de seis meses e que daqui a um tempo vai começar a receber artigos nesse sentido. 😉

  2. O único parágrafo nesse texto que diz algo real é o primeiro, todo o resto parece mais malabarismo intelectual para convencer incautos.
    Sua ideia começa a cair por terra quando você define a direita como “egoísmo”, uma definição vaga e tosca, quando na verdade a direita política é, também, mero coletivismo. E você faz isso propositadamente para depois poder rotular o seu lado, o centro, como individualismo. Isso começa a passar do limite do intelectualmente honesto.

    “Egoísmo é poder sacrificar o outro indivíduo por desinteresse ou negligência”.
    Isso nada mais é do que livre arbítrio. Não há “sacrifício” de outro indivíduo por desinteresse ou negligência, existe a penas a natureza seguindo seu curso e indivíduos auto-proprietários agindo ou não, em benefício de outros ou não.

    Tão coletivista é essa tua ideia que legitima que um grupo de indivíduos use de violência contra um ou um grupo de indivíduos para forçar que estes últimos disponibilizem sua energia (e no fim TUDO se resume a gasto de energia) em prol de um outro grupo de indivíduos, o qual, de acordo com o teu superior julgamento, é mais merecedor da energia alheia. Mas ora o que é isso se não um “descarado coletivismo muito bem disfarçado”?

    “Individualismo é a valorização do indivíduo, ou seja, é não poder sacrificar o indivíduo.”
    Como você não consegue notar uma contradição tão óbvia? Não existe, e nem tem que existir, “valorização” do indivíduo. Ou há liberdade ou há escravidão e forçar um indivíduo a dispor da sua própria energia em prol de qualquer outro indivíduo contra a sua vontade, é colocá-lo em escravidão.

    “Não há dúvida de que o coletivismo – ‘pensar antes na comunidade’ – é desumano.”
    Tão desumano quanto sacrificar um indivíduo ou grupo de indivíduos não-disposto em prol de outro indivíduo ou grupo de indivíduos contra sua vontade.

    “Se você pode sacrificar o indivíduo em prol da comunidade, então cada indivíduo pode a qualquer momento ser sacrificado em prol da comunidade. Todos são descartáveis, todos são sacrificáveis
    e o resultado é que absolutamente ninguém tem valor algum.”
    Se você pode sacrificar o indívíduo em prol de outro indivíduo, então cada indivíduo pode a qualquer momento ser sacrificado em prol de outros indívíduos.Todos são descartáveis, todos são sacrificáveis
    e o resultado é que absolutamente ninguém tem valor algum. Dá no mesmo. O que é isso se não coletivismo? Você apenas mudou os termos para tentar parecer diferente mas a sua proposta é apenas mais da mesma tirania.

    “Não existe bem comum. Só o que existe é o meu bem, o seu bem, o bem de cada um e de todos os indivíduos, sem exceção.”
    What? Entrei em loop infinito agora. Não coaduna.

    “Se você não é solidário, você defende somente a si mesmo, então você é egoísta.”
    Foda-se. Ser egoísta é um direito de cada indivíduo auto-proprietário. E se você acha que tem o direito de forçar outros indivíduos a serem “solidários” porque você acha que é o certo o que é você se não um grande egoísta?

    O último parágrafo é tão argumentum ad passiones que não vale essa linha de comentário.

    O que poucos param para pensar é que numa sociedade genuinamente livre a maioria dos indivíduos se organizaria de forma a maximizar a soluidariedade entre os indivíduos, só que voluntariamente e não coercivamente, sendo livre para associar-se e desassociar-se quando bem entender . A experiência empírica prova isso. “O ser humano é um animal social” e isso nunca deixou de ser uma verdade.

    “Se você é solidário, você defende todo e qualquer indivíduo, então você é individualista. ”
    Como dizia um grande filósofo: Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
    Solidariedade é uma prática. Um esquerdista que distribui cobertores para mendigos nos dias de frio é mais solidário do que um blogueiro ou um comentarista que não tiram a bunda da cadeira para fazer o mesmo, ainda que o primeiro esteja em contradição ideológica por sua ideologia não ter absolutamente nada de solidária.

    1. Relendo o comentário, eu devo pedir desculpas, Arthur, pela agressividade desnecessária. Ando bastante ocupado e ansioso aí acabo ficando sem paciência pra debater de forma mais amena. Desculpa aí!

    2. Relaxa. Pode bater firme que eu sei que é acima da linha da cintura. Está tudo bem. ?

  3. Amanhã responderei teu comentário maior.

    1. E a resposta nunca veio :T

    2. Quando minha cabeça oca fizer isso acontecer, é só me lembrar. Responderei. 😉

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