Caminhões matam pessoas. Armas salvam vidas

Quando dizemos que veículos automotores matam muito mais do que armas de fogo, os desarmamentistas dizem que veículos automotores não devem ser proibidos porque não foram feitos para matar e armas de fogo devem ser proibidas porque foram feitas para matar. Desta vez, porém, um terrorista matou dezenas de pessoas e feriu centenas atropelando-as com um caminhão e foi parado a tiros com armas de fogo. O que dizem os desarmamentistas a respeito? Nada. Estão calados, fingindo que sua tese estúpida não foi pulverizada por aquele terrorista. Mas ela foi pulverizada. 

Caminhão crivado de balas

O terrorista do caminhão nos fez o favor de demonstrar – ao custo de algumas centenas de vidas destruídas – aquilo que, se não houvesse tanto macaco falante retardado no mundo, já deveria ser óbvio há muito tempo: não existe esse maniqueísmo ridículo inventado pelos desarmamentistas para sustentar sua tese estúpida. O uso de objetos não se prende a supostas finalidades definidas. Gente má usa veículos automotores para matar inocentes e gente boa usa armas de fogo para meter bala na cara de gente má que mata inocentes. E muito menos gente teria morrido se uma massa crítica de cidadãos honestos e adequadamente treinados estivesse armada naquele dia e metesse bala no caminhão assim que ele começasse a atropelar as pessoas.

Eu precisava fazer um registro do óbvio, para não deixar passar e em branco, e estava com saudade de chamar a tese desarmamentista de estúpida. Ambos os objetivos foram cumpridos. Have a nice day. Bang.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2016 

OBS: é, eu não ando com muita paciência para me repetir.

Política meritocrática e democracia negativa

Entre todas as propostas de reforma política possíveis para o Brasil, há uma que eu considero que seria a mais produtiva, eficaz e indolor para a nossa realidade. Não vai acontecer, porque mudaria completamente o perfil dos políticos eleitos e portanto os atuais políticos jamais aprovariam esta proposta, mas vou descrevê-la para nos divertirmos com o debate.

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A coisa toda é extremamente simples. Seriam necessárias apenas duas pequenas mudanças na legislação e toda a dinâmica política do país seria alterada profundamente em um intenso efeito borboleta.

Filtros meritocráticos

Haveria dois filtros distintos, um filtro fraco para o Poder Legislativo e um filtro forte para o poder Executivo.

O filtro do Poder Legislativo seria meramente um filtro de experiência: todo interessado em construir uma carreira política teria que começar como vereador. Para poder disputar um mandato de deputado estadual, teria que ter concluído no mínimo um mandato de vereador primeiro. Para poder disputar um mandato de deputado federal, teria que ter concluído no mínimo um mandato de deputado estadual primeiro. E, para poder disputar um mandato de senador, teria que ter concluído no mínimo um mandato como deputado federal E um mandato como prefeito de uma cidade com segundo turno ou dois mandatos quaisquer no poder executivo.

O filtro do Poder Executivo seria um filtro mais meritocrático: todo interessado em concorrer a um mandato de prefeito teria que ter concluído no mínimo um mandato como vereador. Para poder concorrer a um mandato de governador, teria que se destacar como um dos 10% melhores prefeitos de seu estado no último mandato de prefeitos (sendo garantida a participação dos três melhores prefeitos de cada estado no caso dos estados com menos de trinta municípios). E, para concorrer a um mandato de presidente da República, teria que se destacar como um dos cinco melhores governadores no último mandato de governadores.

Como definiríamos quem são os 10% melhores prefeitos e os 5 melhores governadores? Com critérios objetivos implacáveis. Teria que ser construído um índice numérico, como por exemplo o crescimento relativo da média harmônica dos índices normalizados dos indicadores de saúde, educação, moradia, saneamento, transporte e segurança dos municípios de duas categorias, com e sem segundo turno, sendo garantidos 5% das vagas para cada categoria. Ou algum outro critério igualmente mensurável e auditável, segundo os interesses do país. O índice também poderia ser aprimorado ao longo do tempo, conforme as necessidades do país mudem. O fundamental é que o índice seja igual para todos os prefeitos e governadores do país.

Pareceu complicado? Não é: concorreria a um cargo mais alto no Poder Legislativo só quem já tivesse experiência e no Poder Executivo só quem já tivesse demonstrado ter a mais alta competência administrativa comparada com seus pares. Entre os qualificados, o povo continuaria a ter ampla liberdade de escolha. O método apenas reduziria o ímpeto dos aventureiros puxadores de voto nas eleições proporcionais e tiraria do caminho os populistas mais convincentes porém menos capazes nas eleições majoritárias.

Democracia negativa

Esta parte é ainda mais simples: todo membro do Poder Executivo pode ser deposto a qualquer momento pela maioria absoluta (50% + 1) de qualquer casa parlamentar da mesma esfera, ou por recall obrigatório realizado de dois em dois anos juntamente com as eleições ordinárias, pelo simples motivo de “insatisfação”, obviamente sem perda de direitos políticos neste caso. Se o Brasil tivesse esta regra, o estelionato eleitoral praticado nas eleições de 2014 teria feito com que a candidata reeleita nem sequer assumisse o segundo mandato, tendo sido deposta duas semanas após as eleições. O Brasil teria sido poupado do sangramento de muitos bilhões de dólares e já estaria em franca recuperação.

Uma alternativa extra de democracia negativa seria a possibilidade de a população civil exigir um recall com um número razoável de assinaturas, nem tão baixo que tivéssemos um recall a cada seis meses, nem tão alto que fosse necessário a coordenação de um movimento político de escala nacional e um ano de coleta de assinaturas para conseguir chamar o recall.

Obviamente, os parlamentos não precisariam e não deveriam ter limites de tempo para chamar votações para depor o chefe do Poder Executivo: uma votação destas poderia ocorrer até mesmo diariamente e demoraria só um minuto, não seria nada que atrapalhasse a rotina dos parlamentos. Para não haver surpresas a la Brexit, tudo o que seria necessário seria exigir a validação da deposição numa segunda votação após uma semana de debates.

Observe que em qualquer dos casos pode haver um período de debates prévio mas não é necessário haver um fato jurídico para a deposição do chefe do Poder Executivo. Basta a insatisfação da maioria absoluta (50% + 1) de uma casa parlamentar ou da população.

Simplicidade e praticidade

Esta proposta poderia ser implementada com uma única lei com meia dúzia de artigos, sem alterar absolutamente mais nada na legislação nacional, na estrutura dos partidos, no funcionamento ou no relacionamento entre os Poderes da União, enfim, sem trauma algum. Só daria trabalho definir o índice numérico para filtrar as candidaturas ao Poder Executivo. A fiscalização e auditoria do índice seria livre para os partidos políticos e para a sociedade civil organizada, o que significa que partidos, sindicatos e federações de indústria e comércio fiscalizariam e auditariam vorazmente cada detalhe, garantindo o bom funcionamento do sistema e impulsionando uma disputa verdadeiramente meritocrática que catapultaria a política brasileira a um patamar de qualidade inédito.

Como eu disse no início, não vai acontecer, mas eu escrevi o artigo porque acho que será divertido debater a idéia.

Opine.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/07/2016

Um único parágrafo sobre o Brexit

O Brexit é tão bom, mas tão bom, que, quando o resultado do plebiscito foi anunciado, Boris Johnson, o prefeito de Londres, ícone da campanha vitoriosa pelo Brexit, desistiu de concorrer ao cargo de primeiro-ministro. Pois hoje, para completar o fiasco, Nigel Farade, o agressivo líder do Partido pela Independência do Reino Unido, totalmente pró-Brexit, abandonou o cargo. Os ratos furaram o fundo do casco e agora estão abandonando o navio. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/07/2016

Qualidade Suficiente

Todo mundo sabe que a burocracia e a corrupção são dois grandes entraves para a criação de um ambiente de sucesso sócio-econômico, mas pouca gente leva em consideração o quanto é daninha a falta daquele tanto de qualidade que obviamente poderia ser melhorado, mas que não o é porque o consumidor compra o produto assim mesmo, do jeito que está, porque tem “qualidade suficiente”. 

Pipoca

A qualidade suficiente tem exemplos por todo o lado. Ninguém deixa de comprar um automóvel porque não há um lugar para colocar o guarda-chuva molhado em dias de chuva – e a indústria automobilística não se preocupa em resolver este problema porque o consumidor sempre compra algum carro assim mesmo. Ninguém deixa de comprar pipoca na praça porque não são oferecidos guardanapos para tirar o óleo das mãos depois do consumo – e os pipoqueiros não se preocupam em resolver este problema porque o consumidor sempre compra pipoca assim mesmo. Há exemplos para todos os bolsos.

A má notícia é que este problema veio para ficar. Ou pelo menos para ficar por muito tempo, porque o macaco falante médio se contenta com a qualidade suficiente. Se ele tiver que pagar R$ 200,00 de diferença entre dois carros iguais em tudo menos na presença de uma incrivelmente bem bolada solução para o guarda-chuva molhado, o macaco falante médio em geral irá “economizar” menos de 1% do valor do veículo e comprar a versão mais barata. Se ele tiver que pagar R$ 0,25 de diferença entre o saco de pipocas com guardanapos e sem guardanapos, o macaco falante médio em geral vai pedir o troco, lamber as mãos e secar na roupa.

É natural que seja assim. O macaco falante médio é um beta ou um ômega. O ômega dificilmente compra carro, mas compra pipoca, pega ônibus comendo pipoca e deixa tudo melecado com a gordura da pipoca. E o outro ômega não deixa de pegar ônibus melecado com gordura de pipoca, nem reclama disso, porque ônibus melecado com gordura de pipoca tem qualidade suficiente para o ômega. Quem reclama ou pega o lotação em busca de higiene é o beta. O alfa vai de carro. Sem meleca de gordura de pipoca e sem reclamação.

Aceitar a qualidade suficiente é o que leva o macaco falante médio a resolver tudo com gambiarras. O hoje extinto Bom-Bril na antena da televisão é um ícone da qualidade suficiente. Seu sucessor não tão óbvio é o computador com programa antivírus. Pense bem: um sistema operacional tem que ser seguro de fábrica. Ter que instalar um segundo programa para evitar que o primeiro programa não seja invadido por um terceiro programa é uma baita gambiarra. (Aposto que você não tinha percebido isso. E aposto que você não vai trocar seu Windows por um Linux por isso, nem sequer passar a rodar seu Windows como uma máquina virtual dentro de um Linux. Na verdade, eu aposto que você nem sabe o que é isso. É natural. Todo mundo se contenta com qualidade suficiente em alguma área.)

O grande problema da qualidade suficiente é a sinergia. O pneu tem qualidade suficiente. A suspensão do carro tem qualidade suficiente. O asfalto tem qualidade suficiente. E o resultado é que o seu carro volta e meia acaba numa borracharia ou mecânica de beira de estrada. Nem vou falar da pipoca. (Argh.) Já o seu computador volta e meia trava e de vez em quando você perde uma parte do que estava fazendo.

O custo disso? Bilhões e bilhões de dólares, muito tempo de vida desperdiçado, muito sofrimento e até mortes. Afinal, o cinto de segurança tem qualidade suficiente, o atendimento hospitalar tem qualidade suficiente, a fiscalização do poder público tem qualidade suficiente, a vida tem qualidade suficiente.

E vai continuar assim, porque a cidadania do macaco falante também tem qualidade suficiente.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 03/07/2016

Mimimi? Nem sonhando!

Hoje eu sonhei com uma cena que poderia virar piada em um filme.

Wolverine

Eu estava em uma casa onde havia algum perigo indefinido (essas coisas doidas que só fazem sentido durante o sonho) e encontrei um martelo. Peguei o martelo na mão para usar como arma e segui explorando o terreno. Aí surgiu, no outro extremo do corredor, uma figura caminhando em minha direção. Era o Wolverine.

Quando eu o reconheci, eu olhei para ele, olhei para o martelo, olhei para ele de novo e pensei: “Pfff… Já era!” 😛 

Por sorte o Wolverine é um dos meus heróis favoritos. Passou por mim e disse “se quiser vir atrás de mim, não enche o saco”. Ô delicadeza. Mas, considerando as alternativas, aquilo foi música para os meus ouvidos. 

Segui o sujeito sem fazer barulho…

Arthur Golgo Lucas  – www.arthur.bio.br – 1º/07/2016