O Ministério da Saúde lançou uma campanha que vai adoecer, mutilar e matar milhões de pessoas. Ele está oferecendo informações nutricionais ERRADAS que vão causar o aumento da prevalência da obesidade, da diabetes, da depressão, das doenças vasculares, dos infartos, dos AVCs, das cardiopatias, das neuropatias e de outras doenças degenerativas. É um completo absurdo, que contraria totalmente a melhor evidência científica produzida no planeta sobre a proporção adequada de macronutrientes na dieta humana. 

Carboidrato Faz Bem - Campanha Criminosa do Ministério da SaúdeFonte

Em primeiro lugar, “a energia que o corpo precisa para funcionar bem” não deve vir de carboidratos, deve vir da gordura. O ser humano não evoluiu comendo grandes quantidades de carboidratos, não tem capacidade metabólica para lidar com quantidades muito superiores a 150 g de carboidratos por dia e sofre danos metabólicos quando exposto a grandes quantidades de carboidratos por períodos prolongados. A alimentação que faz bem impõe restrições. É o excesso de consumo de carboidratos que nos deixa gordos e é o excesso de consumo de carboidratos que nos torna diabéticos. Além disso, o excesso de consumo de carboidratos está associado a doenças vasculares e neurodegenerativas.

A base evolutiva disso é óbvia: o ser humanos foi caçador-coletor por mais de 3.200.000 anos, que é a idade de  Lucy, a Australopithecus afarensis homenageada na música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds e que durante muitas décadas foi considerada o mais antigo fóssil humano encontrado. A tribo de Lucy já era caçadora-coletora. E caçadores-coletores evoluem comendo principalmente o produto da caça, ou seja, proteína animal e gordura animal, e secundariamente ou complementarmente o produto da coleta, ou seja, vegetais folhosos verdes, frutinhas silvestres com baixo teor de açúcar, nozes e castanhas. Raízes e tubérculos devem necessariamente ser raros na dieta de um organismo originalmente arborícola como o ser humano.

Em segundo lugar, além de “estimular a energia vital” ser um vocabulário de alquimista e não de cientista, se essa informação divulgada pelo Ministério da Saúde estivesse correta, uma pessoa que não comesse carboidratos deveria passar mal ou até morrer por falta de energia ou pelo mal funcionamento do sistema nervoso central, e aqui estou eu – que não como carboidratos desde dezembro de 2014 – a cada dia mais saudável e bem disposto. Mas não sou somente eu quem ficou mais saudável com uma dieta com pouco carboidrato e muita gordura, que é a proporção adequada de ingestão destes nutrientes para a espécie humana. Os pacientes de todos os estudos clínicos de alto nível citados abaixo também.

  1. Shai I, et al. Weight loss with a low-carbohydrate, mediterranean, or low-fat diet. N Engl J Med 2008;359(3);229–41.
  2. Gardner CD, et al. Comparison of the Atkins, Zone, Ornish, and learn Diets for Change in Weight and Related Risk Factors Among Overweight Premenopausal Women. The a to z Weight Loss Study: A Randomized Trial. JAMA. 2007;297:969–977.
  3. Brehm BJ, et al. A Randomized Trial Comparing a Very Low Carbohydrate Diet and a Calorie-Restricted Low Fat Diet on Body Weight and Cardiovascular Risk Factors in Healthy Women. J Clin Endocrinol Metab 2003;88:1617–1623.
  4. Samaha FF, et al. A Low-Carbohydrate as Compared with a Low-Fat Diet in Severe Obesity. N Engl J Med 2003;348:2074–81.
  5. Sondike SB, et al. Effects of a low-carbohydrate diet on weight loss and cardiovascular risk factor in overweight adolescents. J Pediatr. 2003 Mar;142(3):253–8.
  6. Aude YW, et al. The National Cholesterol Education Program Diet vs a Diet Lower in Carbohydrates and Higher in Protein and Monounsaturated Fat. A Randomized Trial. Arch Intern Med. 2004;164:2141–2146.
  7. Volek JS, et al. Comparison of energy-restricted very low-carbohydrate and low-fat diets on weight loss and body composition in overweight men and women. Nutrition & Metabolism 2004, 1:13.
  8. Yancy WS Jr, et al. A Low-Carbohydrate, Ketogenic Diet versus a Low-Fat Diet To Treat Obesity and Hyperlipidemia. A Randomized, Controlled Trial. Ann Intern Med. 2004;140:769–777.
  9. Nichols-Richardsson SM, et al. Perceived Hunger Is Lower and Weight Loss Is Greater in Overweight Premenopausal Women Consuming a Low-Carbohydrate/High- Protein vs High-Carbohydrate/Low-Fat Diet. J Am Diet Assoc. 2005;105:1433–1437.
  10. Krebs NF, et al. Efficacy and Safety of a High Protein, Low Carbohydrate Diet for Weight Loss in Severely Obese Adolescents. J Pediatr 2010;157:252-8.
  11. Summer SS, et al. Adiponectin Changes in Relation to the Macronutrient Composition of a Weight-Loss Diet. Obesity (Silver Spring). 2011 Mar 31. [Epub ahead of print]
  12. Halyburton AK, et al. Low- and high-carbohydrate weight-loss diets have similar effects on mood but not cognitive performance. Am J Clin Nutr 2007;86:580–7.
  13. Dyson PA, et al. A low-carbohydrate diet is more effective in reducing body weight than healthy eating in both diabetic and non-diabetic subjects. Diabet Med. 2007 Dec;24(12):1430-5.
  14. Keogh JB, et al. Effects of weight loss from a very-low-carbohydrate diet on endothelial function and markers of cardiovascular disease risk in subjects with abdominal obesity. Am J Clin Nutr 2008;87:567–76.
  15. Volek JS, et al. Carbohydrate Restriction has a More Favorable Impact on the Metabolic Syndrome than a Low Fat Diet. Lipids 2009;44:297–309.
  16. Partsalaki I, et al. Metabolic impact of a ketogenic diet compared to a hypocaloric diet in obese children and adolescents. J Pediatr Endocrinol Metab. 2012;25(7-8):697-704.
  17. Daly ME, et al. Short-term effects of severe dietary carbohydrate-restriction advice in Type 2 diabetes–a randomized controlled trial. Diabet Med. 2006 Jan;23(1):15–20.
  18. Westman EC, et al. The effect of a low-carbohydrate, ketogenic diet versus a low- glycemic index diet on glycemic control in type 2 diabetes mellitus. Nutr. Metab (Lond.)2008 Dec 19;5:36.

Se você quiser ficar saudável e reduzir as chances de desenvolver qualquer uma das doenças citadas neste artigo, você não pode comer de acordo com a erradíssima e totalmente anti-científica “pirâmide alimentar”. Não confie em argumentos de autoridade de qualquer profissional ou instituição, consulte diretamente as fontes científicas de melhor qualidade e faça aquilo que diz a ciência com mais alto nível de evidência disponível. Comece pelos dezoito artigos listados acima.

O Ministério da Saúde deveria fazer o dever de casa e estudar aquilo que a melhor ciência do planeta diz antes de lançar uma campanha daninha dessas. A “pirâmide alimentar” é cientificamente errada e isso já é sabido há muito tempo por quem conhece a biologia evolutiva humana e/ou acompanha as publicações científicas com seriedade e responsabilidade. Sugerir o consumo de carboidratos para uma população que já tem uma alta prevalência de obesidade, diabetes, doenças vasculares, cardiopatias, neuropatias e outras doenças degenerativas como a população brasileira tem é pior do que uma irresponsabilidade, é uma terrível maldade.

A dieta mais adequada para a saúde humana ficou conhecida como dieta paleolítica de baixo carboidrato. É isso que faz bem à saúde humana e é deste modo que você deve se alimentar. Há toda uma “blogosfera paleo” que habitualmente divulga as informações científicas adequadas já selecionadas segundo os melhores critérios de qualidade e nível de evidência científica e muita informação disponível gratuitamente na PUBMED para quem souber o que é ciência de alto nível de evidência e quiser fazer sua própria busca.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/09/2016 

2 thoughts on “Ministério da Saúde lança campanha cientificamente ERRADA

  1. Quando vejo que “os donos do mundo” defendem abertamente o que estão fazendo,fico imaginando onde está o “achismo” dos que denunciam essas ações.
    Faz tempo que venho coletando informações sobre como os alimentos,o ar, a água, e os remédios são usados para matar uma grande parcela da população mundial.

    1. Os illuminati trabalhando duro para nos eliminar.

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