Vi no Fantástico a passeata de criminosos comemorando a paz entre quadrilhas no Ceará, o que já fez despencar a taxa de homicídios em 38% na comparação entre agosto de 2015 e agosto de 2016. No Brasil, as quadrilhas criminosas até tem suas rusgas, como vimos recentemente no caso do impeachment, mas acabam se entendendo para poder continuar esfolando o cidadão honesto. E o cidadão honesto não faz nada. Põe na mão dos criminosos o poder para comandar o país e fica de mimimi porque os criminosos não fazem o que cidadãos honestos deveriam fazer.

mutley

O governo do Ceará e a PM do Ceará, obviamente, dizem que a redução do número de homicídios não tem nada a ver com  o pacto entre os criminosos, mas até aí morreu o Neves, era óbvio que o governo não ia assumir a própria incompetência e muito menos a cumplicidade com o crime organizado. É a mesma coisa em relação ao caos econômico do Brasil: a culpa é sempre dos outros, nós só fizemos coisas certas, somos quase anjos, só não deu certo porque alguém não fez o que deveria.

Isso me lembra o Dick Vigarista berrando “Mutley, faça alguma coisa!” sempre que estava se ferrando por causa de sua própria incompetência em fazer o que deveria fazer para vencer a Corrida Maluca honestamente. E ele sempre se dava mal, porque o Mutley nunca arriscava a própria pele para salvá-lo, nem se importava de fato que ele se arrebentasse.

Eu passei anos dizendo para todo mundo ao meu redor VAMOS FAZER ALGUMA COISA e as respostas que obtive em geral foram alguma versão de “aqui é Brasil, não tem jeito”, de “eu não posso, tenho outras responsabilidades” e de “faz que quando começar a dar certo eu participo”. Três versões mimimizentas da “Síndrome de Mutley”: o Brasil não dá certo porque o brasileiro não quer fazer o que é necessário fazer para o Brasil dar certo. A responsabilidade é sempre dos outros. Alguém deveria fazer alguma coisa.

De preferência o Mutley.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/09/2016

4 thoughts on “A Síndrome de Mutley

  1. Um dos motivos pra se hesitar em participar da política é não saber a direção a se tomar. Acontece com quem já tentou fazer algo e descobriu estar do lado errado e /ou ter sido manipulado. Esse é um graaaande problema.

    1. O quesito número um para participar da política deveria ser honestidade. Qualquer pessoa que tenha em mente que não basta ser honesto, sendo necessário controlar também a honestidade de quem está fazendo política em seu partido, deveria participar da política. Quem é honesto também tem que ter honestidade intelectual. Naturalmente isso leva ao descarte do que não funciona para o bem do povo. Afinal, há exemplos no mundo inteiro do que funciona e do que não funciona.

      Por exemplo: sendo intelectualmente honesto, existe algum lugar no planeta que possa ser usado como exemplo de que o socialismo deu certo para o povo? NÃO. Basta ter honestidade intelectual e dois neurônios funcionais para entender isso. Mas não é o que vemos o macaco falante fazer.

  2. Eu faço o que posso,não voto mais.
    Resgatei da rua dez gatos e um cachorro,e alguns pássaros doentes que ficaram bons,mas outros não.
    Varro minha calçada e a dos vizinhos. E quando vejo um animalzinho morto jogado no meio fio,vou lá e embrulho para que o lixeiro leve,infelizmente.
    Tento mudar a sociedade começando por mim,nas pequenas coisas que posso fazer.

    1. Isso não basta. Isso não muda a gestão da sociedade. Não muda as leis. Não muda as políticas públicas. É necessário mais do que isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *