O macaco falante e a política

Este artigo ainda não é sobre política. É mais um anúncio, uma declaração de intenções, sobre um tema que eu pretendo abordar a partir de hoje: o exercício correto do poder, ou ortocracia, tendo em vista a natureza do macaco falante (eu e você), os princípios iluministas e as experiências políticas mais bem sucedidas no planeta.

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Com o tempo vamos ver como a biologia foi profundamente ignorada e mesmo ativamente rejeitada pela quase totalidade dos pensadores políticos, o que fez com que todas – todas – suas teorias e as ideologias baseadas nelas se demonstrassem infundadas e falhas, a não ser talvez uma delas, e mesmo assim por mero acaso.

Acima de tudo eu quero que, ao ler esta série, que vou publicar na categoria “Política do Arthur” aqui no blog, você se lembre que o ser humano é um macaco falante, todo ele um macaco falante, nada além de um macaco falante, e que a principal característica biológica do macaco falante é a capacidade de adaptação – tanto que com ela dominou o planeta.

Quero também que você se lembre que a maioria das pessoas não gosta de discutir política e que a maioria dos que o fazem não entende quase nada sobre política, tendendo a aceitar pacotes ideológicos prontos, acabados, indivisíveis, como se fossem a expressão da verdade, e a seguir lideranças que obviamente não estão atuando segundo o melhor interesse do povo.

Vou surpreender algumas pessoas apontando o maior erro que os iluministas cometeram e atribuindo esse erro à incrível inteligência e senso de ética dos primeiros iluministas. E espero deixar você curioso ao afirmar que, se aqueles primeiros iluministas tivessem tido um perfil no Orkut, isso não teria acontecido.

Mas eu acho que todo mundo vai se surpreender mesmo é com o quanto o ser humano é simultaneamente supersticioso e incapaz de aprender a partir das evidências, em especial a respeito de modelos político-econômicos, mesmo que elas sejam extremamente óbvias e esfregadas no seu nariz. E, obviamente, com as consequências desta característica para a conquista, para o exercício e para a manutenção do poder.

Convido você para acompanhar o blog nos próximos dias e participar do debate aqui nestas páginas.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/10/2016

Como conciliar o serviço público com uma posição política forte?

Pois houve quem me perguntasse: “Arthur, todo mundo conhece a tua posição política e a intensidade com que a expressas. Tu és um técnico do estado que atende diversos municípios na tua atividade profissional. Como é isso de atender um município que é administrado por um partido sobre o qual tu tens uma opinião muito negativa?” Uma ótima pergunta.

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A resposta é muito mais simples e objetiva do que você pode imaginar: eu não estou nem aí para qual é o partido do gestor com quem eu tenho que lidar. Não me faz a menor diferença se eu estou lidando com o partido que eu mais critico ou com o que eu menos critico, com o partido que está mais distante da minha ideologia pessoal ou com o que está mais próximo. E isso vale tanto para o partido do gestor do estado do qual sou funcionário quanto para o partido do gestor do município que eu devo atender.

Eu não sou funcionário desta administração ou daquela administração. Eu sou funcionário da administração. O gestor do estado não é o meu patrão, é o gerente escolhido pelo meu patrão para administrar temporariamente o estado. E o gestor do município que eu atendo não é o dono do município, é o gerente escolhido pelos donos do município. Nosso objetivo é trabalhar para promover o melhor interesse dos nossos patrões, não importa nossa opinião um sobre o outro. Quem não sabe agir assim não deveria ser nem gestor, nem funcionário público.

Se o meu relacionamento com o gestor municipal puder ser amigável, ótimo! É melhor para mim, é melhor para ele, é melhor para o desenvolvimento de nossas atividades e é melhor para os nossos patrões, o povo do estado e o povo do município. Se o gestor não pensar assim, então ele terá de mim apenas o melhor atendimento profissional possível, que é o mínimo exigível de um funcionário público, e minha boa vontade, que é um brinde que eu ofereço até mesmo para o gestor que eu mais critico no mundo. Por que isso? Porque eu sou um cara legal, ora! 😆 

Como profissional, não me cabe fazer um serviço mal feito, não me cabe ser negligente, não me cabe ser irresponsável, não me cabe fazer corpo mole, não me cabe questionar a escolha soberana do meu patrão, o povo, que escolheu este ou aquele gestor para executar esta ou aquela política. O que me cabe é atuar dentro da lei, da ética e da melhor técnica disponível.

Como cidadão é claro que eu posso criticar as escolhas dos demais cidadãos e botar a boca no trombone – mas não em horário de expediente, nem fazendo uso de qualquer recurso oficial. Isso eu faço no meu blog, no meu Facebook, no meu Twitter pessoal, no meu e-mail pessoal, no meu tempo livre. E em relação a isso não cabe reclamação alguma de quem eu atendo profissionalmente.

É claro que não há uma separação entre o profissional e o cidadão, eu sou ambos o tempo todo, mas deve haver ética, bom senso, coerência e cuidado com a qualidade na realização de qualquer atividade profissional, neste ou naquele momento, neste ou naquele contexto. E eu posso garantir a vocês: não é difícil. Eu, pelo menos, não tenho o menor problema com isso, nem nunca tive, mesmo quando estive sob as ordens de um gestor francamente hostil. O gestor passa, minha consciência fica.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 21/10/2016

Quadrilhas criminosas especializadas em teatro político

Uma das coisas que eu considero mais fantásticas nas análises políticas que eu vejo tanto na grande mídia (“séria”, “oficial”)  quanto nas redes sociais (passionais, voluntariosas) é o absurdo pacto de hipocrisia com que são tratados indivíduos e organizações que continuam a ser tratados como se sérios e respeitáveis fossem, quando todas as evidências apontam de modo massivo e cabal na direção oposta, revelando-se um cenário de criminalidade institucionalizada para qualquer um que não insista em viver no conto de fadas da Roupa Nova do Rei.

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Vejam bem: não estou falando de ninguém em especial, nem de qualquer organização em especial, empresa, partido político, instituição pública ou ONG. Estou falando da ridícula mania de fingir que alguém é honesto e respeitável até sentença penal transitada em julgado, quando todos sabemos que é impossível que certos indivíduos, pelas coisas que dizem, pelos bens que amealham em curto espaço de tempo e por suas atitudes em geral, ou certas organizações, pelas decisões que tomam, pela maneira que agem e pelo recorrente envolvimento de inúmeras de suas lideranças em escândalos de corrupção, sejam minimamente honestos ou honrados.

Dentre todas as possibilidades, a que mais me incomoda é a figura do partido político que com grande freqüência têm membros de seu alto escalão condenados pela justiça por crimes diversos e cuja militância, ao invés de condenar os ilícitos e expulsar sumariamente os infratores, realiza atos de desagravo a criminosos, faz vaquinhas para pagar suas despesas, discursa apaixonadamente em defesa de diversos condenados por diversos crimes em diversas instâncias e acusa a Justiça em si de estar “perseguindo injustamente” seus correligionários, “criminalizando o partido” e se comportando ela própria de modo criminoso, devendo os juízes que condenam criminosos eles mesmos serem punidos e irem para a cadeia.

Entretanto, lá vejo eu na grande mídia e nas redes sociais os partidos que possuem esta prática serem tratados como partidos políticos e não como as grandes quadrilhas criminosas especializadas em teatro político que de fato são. Nós os vemos criando um programa “importantíssimo para a cidadania” ontem, quando detinham o orçamento em suas mão, e os vemos obstruindo votações e votando contra o financiamento destes programas hoje, quando o orçamento está em mãos de terceiros. Nós os vemos primeiro elogiando um parceiro para auferir o tempo de TV que aquele aporta à campanha e depois enxovalhando o parceiro que se afastou porque foi posto para escanteio depois das eleições. Nós os vemos desprezar o diálogo e impor sua agenda quando estão no poder e apelar para o sentimentalismo pueril elogiando o diálogo e a negociação quando perdem o poder.

E continuamos, após todas as evidências acachapantes de que tais partidos só se interessam pela justiça quando ela atinge os outros e só se interessam pelo diálogo quando não têm outra opção, a chamar estes farsantes de legítimos. E continuamos, após todas as evidências acachapantes de que tais partidos tomaram de assalto as instituições do Estado, aparelharam os órgãos públicos, rapinaram os cofres das administrações que detiveram e cometeram todo tipo de manobra escusa possível para evitarem que a verdade viesse à tona e a justiça fosse feita, a chamar estes criminosos de políticos.

Se um bicho pesa seis toneladas, é cinza, tem tromba preênsil, presas de marfim e vive na savana é um elefante. Não chamamos este bicho de baleia porque é pesado, de anta porque tem tromba, de lobo porque tem presas, de leão porque vive na savana ou de peixe-boi porque é cinza. Não tentamos nos enganar quanto à natureza do bicho porque uma ou outra de suas características é compatível com a descrição de um outro bicho. E não negamos que se trata do bicho que realmente é só porque uma de suas características menos relevantes eventualmente não combina com a descrição habitual do bicho – afinal de contas, um elefante albino ainda é um elefante.

Já em relação aos partidos políticos, só porque eles possuem um registro que diz que é isso que eles são, nós consideramos “excessivo” ou até mesmo “ofensivo” se alguém “generalizar” dizendo que um ou outro deles se trata na verdade de uma organização criminosa que finge ser uma instituição legítima para se apoderar do controle do Estado e de seus recursos. Nós olhamos todo o conjunto das características que eles apresentam, em especial seus crimes, incoerências, falácias e bravatas, e no entanto dizemos que eles são instituições legítimas apenas porque tecnicamente organizações criminosas não possuem CNPJ, como se fosse possível dizer que o elefante albino não é um elefante apenas porque tecnicamente os elefantes não são brancos.

Precisamos aprender a interpretar as evidências como elas são, não como os criminosos querem que interpretemos seu teatrinho.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/10/2016

Hoje é meu aniversário

Hoje, 18/10/2016, completo 48 anos. E escrevi este artigo para contar para você (como faço em todo meu aniversário) que presentes eu gostaria de ganhar neste mundo virtual no qual sou blogueiro há pouco mais de sete anos.

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Em primeiro lugar, independentemente de você me conhecer ou não, especialmente se você está lendo porque um amigo ou conhecido seu compartilhou o link, eu gostaria que você compartilhasse este artigo nas redes sociais nas quais você tem um perfil. Isso seria um presente legal para mim. Por quê? Por vários motivos: porque todo blogueiro gosta de visibilidade, porque assim algumas pessoas vão descobrir a existência do meu blog, porque talvez assim eu conheça novos amigos, porque eu estou solteiro e neste caso visibilidade é muito bem vinda… Enfim. 🙂

Em segundo lugar, dê uma lidinha em qualquer coisa aqui no blog. Há coisas que você vai gostar, há outras que você não vai gostar – eu mesmo ainda gosto da maior parte do que escrevi, mas não gosto mais de algumas coisas que escrevi, especialmente em uma fase em que eu estava muito estressado. É normal. Mas, se você gostar mais do que desgostar, considere a possibilidade de favoritar este blog no seu navegador e de curtir a página do Pensar Não Dói no Facebook. Se você gostar muito e quiser bater um papo (e compartilhar algumas das coisas que eu escrevo), considere a possibilidade de me adicionar no Facebook ou de me seguir no Twitter.

Em terceiro lugar, se você trabalha na área da saúde, especialmente se o seu trabalho tem alguma relação com Vigilância Ambiental em Saúde, Vigilância Epidemiológica, Atenção Básica, se você trabalha em algum Centro de Vigilância em Saúde, em alguma Coordenadoria Regional de Saúde, se você é técnico na área, ou Agente de Combate a Endemias, ou Agente Comunitário de Saúde, considere a possibilidade de me seguir no meu perfil profissional no Twitter, onde eu posto ou retuíto muita informação útil e respondo perguntas sobre estas atividades. Se você não tem perfil no Twitter, crie um só para isso e insista com seus colegas para que façam o mesmo. É um aplicativo bem leve.

Antes de tudo, porém, compartilhe este artigo e peça que seus amigos o compartilhem também. Mesmo que você não me adicione nem me siga, estará me apresentando novas pessoas que se tornarão talvez meus leitores, talvez meus amigos, talvez muito, muito especiais (já falei que estou solteiro?). 🙂 Estas são as maiores riquezas desta vida e estão muitas vezes à distância de um simples clique do mouse. Valem muito e não custam nada. Nos trazem alegria e nos dão ânimo para enfrentar as dificuldades da vida. Assim como você, neste momento, me deixa muito feliz com sua atenção.

Muito obrigado. 🙂

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/10/2016

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Reorganização

Estou depurando os plugins do blog e fazendo uma série de testes nos bastidores. Provavelmente vou instalar um plugin do Twitter ao final destes testes, mas só se não ficar pesado. Se alguma coisa pirar, por favor, me avisem pelo Facebook ou pelo Twitter. Agradeço antecipadamente.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/10/2016