Caixa 2: um bom acordo é um acordo possível

A possibilidade de os parlamentares de nosso Congresso Nacional fazerem um grande acordo e votarem uma anistia para os crimes associados à prática de Caixa 2 nas eleições dos últimos anos está fazendo surgir análises muito interessantes sobre as possíveis linhas de ação que se abrem para tentarmos corrigir os rumos políticos e econômicos de nosso país. Uma delas é esta aqui, que recebi há alguns dias:

Tem uma regra, quando a gente aprende sobre negociação e teoria dos jogos, que diz o seguinte: numa negociação, por mais forte que seja sua posição, você precisa dar ao outro lado a alternativa de uma saída honrosa. Na prática significa que, se você pressionar demais, existe o risco iminente do outro lado simplesmente tomar uma atitude desesperada que, no final, pode não ser do seu interesse.

Tenho pensado sobre isso quando leio sobre a anistia do Caixa 2. Se a gente se distanciar um pouco e tirar a paixão da mesa, o problema não tem solução simples.

Pense: a maioria absoluta dos políticos se elegeu com Caixa 2. Outros tempos, onde essa contravenção recebia vista grossa de todos. Inclusive de nós, cidadãos. Naqueles tempos, ninguém esperava uma Lava Jato da vida. Então, se não houver anistia, não é um ou outro que cairá. Vai ser um desmanche do Congresso.

Veja, não estou dizendo que não é correta a punição. Óbvio que é. Mas do nosso lado, do lado de quem espera um país melhor, vale a pena pensar o que vai representar esse rapa. Interessa para a nação que o país mergulhe num caos institucional onde a esmagadora maioria dos políticos será acusada de uma prática criminosa? Acho que não.

Só que também não acho que a solução seja uma anistia.

Então, acho que é a hora de surgirem propostas alternativas.

Uma ideia poderia ser um programa de admissão de culpa.

Funciona assim:

Os políticos que admitirem a prática de Caixa 2 no passado, poderão terminar seus mandatos e a única punição que receberão é a inelegibilidade por oito anos.

Imagine o quanto isso economizaria em tempo e dinheiro na coleta de provas, por exemplo. Com isso, seria estabelecida uma nova ética. O próximo Congresso não teria eleitos com Caixa 2 e, em troca, não pararíamos o país numa caça às bruxas. Apenas os políticos que não aderissem ao programa estariam expostos à Lava Jato. Tenho certeza que uma meia dúzia de punições exemplares convenceriam os outros a admitirem a culpa para fugir das consequências. Porque, convenhamos, além de canalhas, são covardes.

Minha resposta inicial a esta possibilidade foi a seguinte:

É uma idéia bem interessante. Não vai rolar, porque por um lado os bandidos têm a faca e o queijo na mão e pretendem continuar livres e roubando e por outro lado os “moralizadores” estão envenenados e babando de ódio. Mas seria bem interessante analisar um compromisso desse tipo, que nos livrasse da camarilha de ladrões no Congresso e permitisse que os esforços da Polícia Federal e do Judiciário se concentrassem nos restantes. Só acho que os caras tinham que nem terminar os mandatos. Deviam cair fora imediatamente e permanecer inelegíveis até as eleições de 2026 (inclusive). Aí eu toparia totalmente.

Vamos analisar tudo isso com mais cuidado.

Caixa 2: qual o tamanho do problema?

Em primeiro lugar, vamos retomar a razoabilidade: o Congresso Nacional não vai promulgar leis que coloquem os próprios deputados e senadores na cadeia. Pelo contrário, apesar de toda a pantomima que assistimos na declaração conjunta de Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia de que não haveria a menor possibilidade de promulgar uma lei que concedesse uma anistia, o óbvio continua sendo que nenhum parlamentar que tenha cometido crimes associados a Caixa 2 de campanha vai votar qualquer coisa que possa colocá-lo na cadeia. Combinar o contrário é um acordo impossível.

Em segundo lugar, vamos relembrar que não é necessário promulgar lei alguma para que os crimes associados sejam punidos, porque lavagem de dinheiro, corrupção passiva e outros ilícitos comumente associados à prática de Caixa 2 já são crimes.

O problema que temos em mãos é justamente um Congresso Nacional com uma grande quantidade de parlamentares que praticaram Caixa 2 e outros ilícitos associados em uma época em que ninguém dava muita bola para isso. Estes parlamentares obviamente estão se sentindo ameaçados, pressionados muito além do que podem tolerar, e farão tudo o que estiver a seu alcance para evitar passar alguns anos na cadeia. Este interesse comum é muito maior do que qualquer fidelidade ideológica ou partidária. Não é algo sobre o que eles possam dizer “ah, paciência, desta vez me dei mal”. Nada disso. É algo em relação ao que eles farão todos os esforços possíveis, o que certamente não será bom para o país.

Punir alguns é mais importante que salvar milhões?

Eu acho que seria melhor para todo mundo – para nós e para eles – se concedêssemos, sim, uma anistia condicional a quem tiver praticado algum destes crimes. A minha proposta seria alguma coisa mais ou menos assim:

  1. Qualquer parlamentar ou governante ou filiado em partido político do país, de qualquer esfera, tem um prazo de noventa dias para, voluntariamente, abdicar imediatamente de seu mandato e de qualquer ligação com partido político, confessando ter praticado crimes associados à prática de Caixa 2 e dando detalhes de todas as operações.
  2. O parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão ficará inelegível e proibido de participar de quaisquer atividades ou eventos político-partidários até as eleições de 2026, inclusive.
  3. Nenhum parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão será julgado por qualquer dos crimes associados à prática de Caixa 2 que confessar, mesmo que já esteja sendo investigado.
  4. A contagem do prazo prescricional dos ilícitos confessados ficará suspensa até o dia das eleições de 2026, quando serão considerados prescritos todos os ilícitos, de modo condicional ao não cometimento de novos ilícitos no período.
  5. O cometimento de qualquer irregularidade de natureza penal, associada ou não à atividade política, desde a assinatura da confissão até o dia das eleições de 2026, revogará esta anistia, inclusive retroativamente.
  6. Não haverá reedição desta lei até pelo menos o ano de 2050.

Traduzindo: quem pisou na bola sai de cena e não incomoda mais até 2026. Quem se emendar se deu bem. Quem pisar na bola de novo vai em cana tanto pelo novo crime cometido quanto pelo antigo já confessado.

Isso nos daria um pouco mais de uma década para consertar o país sem a influência de qualquer infrator, geraria um volume de dados considerável sobre os meandros da corrupção nacional, bem maior do que a Operação Lava-Jato será capaz de produzir, com muito menos esforço, e nos pouparia de muitas manobras políticas e muitas pizzas.

Após mais de uma década fora da política, muito poucos destes infratores retornariam. O país já teria uma nova safra de políticos que teria preenchido o vácuo da atual geração. E aqueles que arriscassem, permanecessem na ativa e fossem condenados pegariam uma cana braba e serviriam de exemplo para que a nova geração não se ariscasse a cometer ilícitos.

Eu acho que isso seria um preço razoável a pagar para nos livrarmos da velha guarda corrupta e acelerar a volta do país para os trilhos do desenvolvimento econômico. O que você acha? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/11/2016

Eu não gosto de macacas de salto alto

Eu sou um macaco. Você é um macaco. Somos todos macacos. Nossa espécie é um macaco falante que há cerca de três milhões e setecentos mil anos atrás realizou uma interessante transição do quadrumanismo arborícola para o bipedismo terrestre. Sim, nós éramos quadrúmanos, como nosso primo mais próximo, o chimpanzé. Mas precisamos transformar duas de nossas mãos em pés para podermos manter o equilíbrio, percorrer grandes distâncias e carregar pesos consideráveis.

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Caminhar apoiado em mãos é algo muito instável, como podemos observar em nossos primos chimpanzés quando se deslocam eretos sobre as duas mãos traseiras. As necessidades de manter o equilíbrio e percorrer um grande território em busca de caça foram selecionando aqueles dentre nós com uma conformação corporal cada vez mais adequada para percorrer grandes distâncias e carregar o produto da caça e da coleta de volta para o local de acampamento do grupo tribal.

Ao longo da evolução, os corpos com maior eficiência para se manterem equilibrados na posição bípede foram sendo selecionados, nossas ossaturas e musculaturas se tornaram cada vez mais adaptadas para caminharmos eretos sobre os membros posteriores e podemos dizer que nossos braços posteriores se tornaram pernas e nossas mãos posteriores se tornaram pés. Pés que precisavam ter cada vez mais área de contato com o solo, tanto para manter o equilíbrio quanto para proporcionar tração.

Ora, se há duas coisas que são absolutamente prejudicadas com o uso de saltos altos são o equilíbrio e a tração. O salto alto  posiciona as articulações de modo antinatural, exige esforços também antinaturais da musculatura de todo o membro inferior e  modifica nosso centro de gravidade, o que prejudica nosso equilíbrio, e reduz a área de contato da planta do pé com o solo, o que reduz a tração. Trata-se de um aparato de propósito estético questionável que prejudica inquestionavelmente a função.

As macacas falantes podem achar seus saltos altos lindos e deslumbrantes, podem achar que eles “valorizam” suas pernas, mas a verdade é que este é um mero efeito de alongamento, que é o que é ilusoriamente interpretado por nosso cérebro da idade da pedra como belo. Porém, macacaquinhas queridas, vocês não precisam disso. Nós macacos falantes machos pertencemos à mesma espécie de vocês e apreciamos os corpos de nossas fêmeas como a natureza os fez.

Eu mesmo não gosto nem da periclitância, nem da estética do salto alto. Prefiro que vocês preservem a saúde de suas articulações e fiquem mais seguras e confortáveis usando saltos baixos no dia-a-dia, reservando o salto alto somente para raras ocasiões festivas, se tanto. Até porque, caríssimas símias, vocês ficam lindas até mesmo ou principalmente descalças, assim como a bela macaca da foto que ilustra este artigo. Tenham consciência disso.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/11/2016

Eu quero igualdade de direitos para valer

Se um grupo ideológico divide a sociedade em termos de sexo, cor e orientação sexual, criando uma situação que me coloca em risco por ser homem, branco e heterossexual, e eu não vejo a maioria das mulheres, não-brancos e homossexuais rejeitando as posições intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda, o mais razoável é que eu me deprima e aceite as teses supremacistas que me violentam ou que eu me defenda em busca de sobrevivência com todos os recursos que estiverem a meu alcance, sem me importar nem com quem está me prejudicando, nem com quem está me negligenciando?

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Este tipo de raciocínio, de modo ou mais ou menos refinado, ou mais ou menos agressivo e ou mais ou menos consciente está se tornando rapidamente cada vez mais forte entre a população masculina branca heterossexual, tanto mais intensamente quanto mais a esquerda insiste em afirmar que “os homens brancos heterossexuais estão com medo de perder seus privilégios” e as mulheres, não-brancos e homossexuais se omitem em rejeitar as teses intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda.

Se não houver uma ampla e imediata tomada de consciência de que a esquerda plantou – vou repetir – teses sexistas, racistas e heterofóbicas entre nós, com o objetivo de cindir a sociedade para dominá-la, a esquerda terá conseguido criar exatamente o conflito que ela afirmava querer eliminar, atingindo com êxito o objetivo de criar uma antes inexistente luta de classes para poder se vender como solução esmagando todo um grupo de pessoas acusadas de nascer do sexo errado, da cor errada e da orientação sexual errada.

Quem me acompanha no blog e nas redes sociais já deve estar de saco cheio de tanto me ver falar em embrutecimento, mas este é precisamente o ponto novamente. Estamos assistindo uma guinada à direita que tem uma grande chance de sair do controle e provocar a mera reversão do tipo de apreciação injusta que o homem branco heterossexual não pertencente à esquerda sofreu nas últimas décadas. Isso seria uma catástrofe e nos lançaria num deplorável conflito fratricida.

Este é um fenômeno que atinge não somente o Brasil, mas todo o continente americano e todo o continente europeu. Uma geração injustiçada está irrompendo em revolta contra acusações abomináveis que lhe rendeu perda de direitos e humilhações quando reclamou por igualdade de fato. A situação é tão grave que eu mesmo, que sou o sujeito que denuncia isso com maior frequência que eu conheço, tenho encontrado dificuldade em escrever sobre isso em termos mais amenos. Ou o mundo ocidental procura um equilíbrio neste momento, ou poderão ser cometidos excessos que acabarão por trazer de volta daqui a alguns anos o monstro que acabamos de derrotar. É um momento que exige profunda reflexão e muito discernimento. É um momento em que temos que retomar o discurso de igualdade das mãos sujas da esquerda e impedir que a direita busque vingança promovendo retaliações ao invés de reequiparações.

Eu gostaria que a reação do homem branco heterossexual que foi tão duramente vilipendiado pelos pervertidos da esquerda nas últimas décadas fosse magnânima e provasse de maneira cabal o quanto a esquerda sempre esteve não apenas errada como profundamente mal intencionada. E gostaria de ver todas as mulheres, não-brancos e homossexuais compreenderem que a situação do homem branco heterossexual de hoje é a de quem sofreu injustiças inomináveis, tendo sua honra e seus direitos como cidadãos atacados no decorrer das últimas décadas, pois é necessário trabalharmos em conjunto para reverter os abusos e promover igualdade de fato entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, cor ou orientação sexual.

O primeiro e mais importante passo a ser tomado é remover de toda e qualquer legislação qualquer referência a sexo, raça ou orientação sexual. Toda e qualquer legislação deve simplesmente garantir direitos iguais para todos os cidadãos, não importa se são homens ou mulheres, se são brancos, pardos, negros, indígenas ou amarelos, se são heterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais, pansexuais ou assexuais. Estas coisas todas deveriam ser irrelevantes. Não poderiam jamais ter sido usadas para estabelecer direitos diferentes entre os cidadãos.

Este é um momento perfeito para promover uma grande união entre as pessoas de todos os sexos, raças e orientações sexuais para restabelecer a igualdade perante a lei em temas onde foi destruída pela esquerda e estabelecer a igualdade perante a lei em temas onde historicamente nunca houve igualdade, como o serviço militar obrigatório, a licença maternidade ou paternidade, o casamento ou união estável, a eliminação de cotas sexistas e racistas, o nível de investimento em campanhas de saúde, entre outros.

Eu sou homem, branco e heterossexual e não quero assistir uma revanche mesmo tendo sido permanentemente atacado e ofendido nas últimas duas décadas pela perversão esquerdista. Não quero que sejam restabelecidos privilégios, nem quero que conquistas sociais sejam perdidas, mas quero que os novos privilégios de “sinal invertido” sejam eliminados e quero que todas as conquistas sociais sejam universalizadas de modo absolutamente equânime entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, raça ou orientação sexual.

Quero que a Lei Maria da Penha seja revogada e substituída por uma lei de proteção universal contra a violência doméstica que proteja igualmente qualquer pessoa de qualquer agressão cometida por qualquer pessoa, porque um menininho ou adolescente ou adulto ou idoso agredido pela mãe ou pela namorada ou pela esposa ou pela filha é tão vítima quanto uma menininha agredida pela mãe ou pelo pai ou pelo irmão ou pelo namorado ou pelo marido. Não há diferença entre as vítimas e não há diferença entre os agressores. Não há razão para que uns sejam condenados de modo diferente que outros em função do sexo com que nasceram ou que adotaram nem para que uns sejam desprotegidos pela lei em função do sexo com que nasceram ou que adotaram.

Quero que a licença maternidade e a licença paternidade sejam tornadas e idênticas e que qualquer pessoa que tenha um filho tenha exatamente as mesmas garantias pelo mesmo período, isso para quem é mãe, para quem é pai e para quem adota uma criança, simplesmente porque isso é o que é justo e não se pode mais manter a barbárie de considerar a maternidade mais valiosa do que paternidade, ou a adoção por uma mulher mais valiosa do que a adoção por um homem.

Quero que o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas racistas sejam completamente revogados e jamais restabelecidos para quem quer que seja, porque não é aceitável que pessoas sejam discriminadas pela cor da pele, muito menos que a discriminação seja apresentada como uma coisa boa pelo argumento falacioso e pervertido da “discriminação positiva”, como se fosse possível discriminar alguém positivamente sem ao mesmo tempo necessariamente discriminar alguém negativamente. Basta desta hipocrisia racista.

Quero que o serviço militar seja transformado numa prestação de serviço cidadã obrigatória para todo mundo ou opcional para todo mundo, sem discriminação por sexo e também sem uma cota mínima ou máxima para preencher as vagas com gente deste ou daquele sexo. Direitos iguais não significa interesses iguais e é óbvio, muito óbvio, que sempre haverá mais interesse pelo serviço militar entre os homens do que entre as mulheres. Qual é o problema com isso? Nenhum. Os sexos devem ter direitos iguais, não devem ser forçados a ter interesses iguais.

Quero que a política reflita o real interesse dos candidatos e dos eleitores, para o que é necessário eliminar as cotas na política. Se as mulheres quiserem participar da política, elas têm todo o direito, não é necessário nem razoável que haja uma cota mínima a ser preenchida com candidatos deste ou daquele sexo. Mais uma vez, ter direitos iguais não significa ter interesses iguais, e é notório que em todas as sociedades humanas do planeta, em todas as épocas, o interesse de homens e de mulheres pela política nunca foi, não é e nunca será exatamente igual.

Quero que a lei proteja qualquer pessoa de uma violação de direitos em função de sexo, raça ou orientação sexual, não interessa se em função de homfobia, heterofobia, transfobia ou qualquer outra “fobia” (péssimo sufixo), sem que no entanto isso redunde em criminalização de opinião ou de liberdade de expressão, por mais preconceituosa e ofensiva que seja, porque o direito de pensar como se bem entende é sagrado, assim como o direito de expressar o próprio pensamento, não importa o quanto alguém não goste ou odeie isso. Esta é o fundamento mais importante de uma sociedade livre.

Quero que a lei estabeleça com todas as letras que ninguém tem o direito de não ser ofendido, sob pena de todos termos que viver calados – ou de termos que escolher “vítimas certas” e “vítimas erradas” para o exercício da ofensa e da humilhação, como a esquerda adorava fazer, chamado de “coxinha” e outras expressões ofensivas e depreciativas quem lhe interessava enfraquecer e humilhar.

Quero que a injúria deixe de ser crime, não importa qual seja a qualificadora, porque já passou da hora de deixar de cultivar a frescura. Ninguém é feito de açúcar e xingamento algum tira pedaço ou nega direitos. As pessoas precisam ser ensinadas a ter amor-próprio ao invés de se derreter em manifestações patéticas de coitadismo e retaliação judicial quando ouvem algo que não gostam ou que as ofende. Somente um verme moral derrete perante uma observação excessivamente ácida. Precisamos que as pessoas cultivem a auto-estima de modo positivo, de modo que ofensas sejam inúteis e inócuas, pouco importa se tiverem conteúdo racista, sexista, de intolerância religiosa ou o que for. A ofensa só atinge quem se importa com a opinião do ofensor. Temos que eliminar o poder de quem ofende ignorando completamente qualquer provocação ou ataque injurioso.

Quero uma sociedade de cidadãos sem privilégios de qualquer tipo, nem sociais, nem políticos, nem econômicos, nem de qualquer natureza possível ou imaginável com exceção exclusivamente da perda de direitos advinda de condenação penal. Uma sociedade de pessoas iguais perante a lei, perante umas às outras e perante o espelho, onde ninguém seja favorecido injustamente ou penalizado injustamente, sob qualquer tipo de alegação, porque a dignidade humana é igual para todos, devendo cada um arcar apenas tão somente com as consequências de suas escolhas pessoais.

Igualdade não admite discriminação perante a lei. Esta é uma obviedade que foi obscurecida nas últimas décadas, mas que precisa ser resgatada com urgência em nome tanto da justiça quanto da decência. E é uma necessidade absoluta se quisermos construir um país livre da abjeta exploração política das diferenças entre os sexos, as raças e as orientações sexuais.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/11/2016

Drogas não são problema de saúde pública. São questão de cidadania

Estou aqui assistindo (15/11) um canalha de voz melíflua falar com a maior cara de pau que a droga no Brasil não pode ser legalizada porque temos milhões de desempregados e se liberarmos as drogas esse público desesperado vai se afundar no vício. Ele também diz que é necessário um debate melhor, mais estudos e mais educação antes que se possa dar um passo tão perigoso que pode colocar em risco a saúde pública. Eu vejo estas declarações mal intencionadas travestidas de afetada razoabilidade e me ferve o sangue. 

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Em primeiro lugar, qualquer desempregado que quiser comprar maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD e anfetaminas hoje tem fácil acesso a qualquer uma destas drogas. Tente você comprar um simples antibiótico ou uma caixa de ritalina. O tal cara sabe disso e esta declaração dele demonstra claramente a que ele vem e retira completamente a legitimidade e a credibilidade de qualquer coisa que ele diga sobre o assunto.

Em segundo lugar, este tipo de terrorismo pornográfico só funciona para justificar os alucinados que já babam de ódio contra a possibilidade de alguém ter a liberdade de fazer algo que eles querem que seja proibido não interessa a justificativa. Drogas não são um problema de saúde pública, são uma questão de cidadania. Até existe um componente de saúde pública envolvido, mas não é este o ponto central desta discussão. O que o tal cara quer fazer é decidir segundo seus próprios padrões ideológicos o que os outros podem ou não fazer, independentemente das consequências para os outros.

Em terceiro lugar, a verdade é que não existe debate a respeito deste assunto. Eu discuto isso há duas décadas e é muito se 1% dos proibicionistas mudaram de idéia mesmo perante todos os argumentos do mundo que mostram claramente que não existe nenhuma vantagem na proibição e que existem inúmeras vantagens na legalização e na mais ampla liberalização possível.

Em quarto lugar, são justamente os caras que dizem que é necessário mais educação que fazem todos os esforço possíveis para que não haja educação nenhuma a respeito deste assunto, mas simplesmente doutrinação para “dizer não às drogas”. Eles chamam qualquer informação útil sobre o assunto de “apologia” e dizem que isso é caso de polícia. Ou seja, para eles, “educar” é obrigar todo mundo a propagar a idéia deles, sem adquirir nenhum conhecimento, sem a possibilidade de divergir ou ou fazer escolhas próprias bem informadas.

Em quinto e último lugar, perigoso é manter o proibicionismo estúpido que faz o preço de todas as drogas subirem até a estratosfera, tornando este mercado extremamente atraente para quadrilhas criminosas cada vez mais violentas e mais capazes de corromper o poder público ou de plantar seus membros em todos os poderes da República.

Todos os países que adotaram medidas liberalizantes assistiram o consumo cair, a criminalidade cair e o custo para lidar com o problema das drogas cair. E a queda é tanto maior quanto mais liberalizante a medida. Mais estudos o K@$#%#, o que nós precisamos é parar de ouvir estes canalhas intolerantes amigos da onça que atravancam a liberdade, o progresso e a segurança e com isso promovem muito mais sofrimento, violência, corrupção e morte do que o consumo pacífico de qualquer substância poderia trazer!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/11/2016

A minha proposta de reforma do ensino

Escrevo este artigo antes de ler a MP sobre a reforma do ensino, porque ao buscá-la na internet descobri que ela recebeu mais de quinhentas emendas, ou seja, virou um monstrengo deformado com câncer a respeito do qual não dá para afirmar nada, nem se vai sobreviver, quanto mais se haverá de se tornar saudável. Pelo que tudo indica, mais uma vez o Brasil perderá uma ótima oportunidade de sair da lama. E não precisaria ser assim. A minha proposta é MUITO simples e eficaz.

O que eu faria com o ensino fundamental e médio? O seguinte:

  1. O governo define uma carga horária razoável para cada nível de ensino, igual para todo o país.
  2. O MEC define metade do currículo segundo seus especialistas e consultas a quem quiser.
  3. Cada escola define de modo 100% livre e independente a outra metade do currículo.

Pronto. Este é o texto completo da minha reforma do ensino.

Não vou entrar no mérito se tem que ter língua estrangeira ou não no currículo, se artes e filosofia devem ser obrigatórias ou opcionais, se tem que ter educação física ou se tem que ter matérias optativas. Nada disso me importa.

O governo que defina a carga horária e o MEC que decida o que bem entender e estabeleça como obrigatórias ou optativas as disciplinas que quiser, com o conteúdo que quiser, segundo os critérios que quiser, inclusive reservando um percentual de carga horária para que as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais definam currículos de natureza regional, exclusivamente na metade do currículo sobre a qual cabe ao governo tomar decisões.

Quanto à outra metade do currículo, que seja integralmente definida em cada escola, de acordo com o critério que cada escola quiser utilizar. A escola que quiser pode consultar a comunidade, a escola que quiser pode simplesmente dispensar seus alunos, a escola que quiser pode oferecer um curso obrigatório de mecatrônica avançada, sem que absolutamente ninguém possa questionar a decisão tomada pela escola, nem interferir no currículo, de modo algum. A escolha que cabe aos pais em relação às escolas que não quiserem consultar ninguém para definir seus currículos é matricular ou não o filho naquela escola. Mais nada.

Sabem o que vai acontecer?

A metade do currículo definida pelo MEC será igual para todo mundo. Ou seja, o básico definido pelos especialistas como indispensável para a formação do cidadão será oferecido a todos. Provavelmente vai incluir língua portuguesa, língua inglesa, artes, música, filosofia, sociologia, educação física, história, geografia, matemática, física, química e uma ou outra que eu posso ter esquecido. Grosso modo, a mesma porcaria de sempre, que não serve para nada, mas que é considerada “indispensável” pelo MEC e pelos “especialistas” em educação. Teremos que conviver com esse peso inútil porque é politicamente impossível se livrar deste atraso de vida sem que escolas sejam invadidas, ruas sejam obstruídas, greves sejam lançadas e a vanguarda do atraso inviabilize o país novamente.

Já a outra metade do currículo será diferente para todo mundo – e isso vai deixar bem claro quais escolas estão formando alunos para o sucesso na vida e quais estão apenas servindo para sustentar gente incompetente, agitadores políticos e outros arautos do atraso. E, ficando claro qual currículo produz gente de sucesso e qual currículo produz fracassados, cada pai e cada mãe no país terá a opção de escolher se quer que seu filho seja uma pessoa de sucesso ou um fracassado na vida, bastando para isso escolher matriculá-lo na escola A ou na escola B.

O que tem que ficar claro que as escolas que não tiverem alunos suficientes para funcionarem não receberão incentivos financeiros do governo. Se forem privadas, elas vão falir. Se forem públicas, elas serão fechadas e seus diretores e professores serão demitidos a bem do serviço público. Não precisamos de incompetentes que levam escolas à falência recebendo salário para destruir a educação no país. Se houver necessidade na região, serão abertos novos concursos públicos para reabrir a escola no ano seguinte, sendo vedada a recontratação dos demitidos antes de cinco anos no serviço público.

Obviamente, as escolas de maior sucesso acabarão recebendo uma quantidade de pedidos de matrícula cada vez maior. Para que elas não se tornem elitistas e excludentes, basta estabelecer a regra de que nenhuma escola pode rejeitar nenhum pedido de matrícula. Se uma escola receber mais pedidos de matrícula do que é capaz de atender, o governo fica automaticamente obrigado a financiar a expansão daquela unidade escolar, em regime de emergência, segundo os mesmos exatos critérios de estrutura e funcionamento daquela unidade escolar no ano anterior – ou seja, a escola não fica limitada a atender um determinado número de alunos em função de não ter capacidade de investimento para ampliar suas instalações. É óbvio que a unidade 2 de uma escola não necessariamente terá a mesma qualidade da unidade 1, porque não é possível clonar professores, mas ainda assim esta é a melhor solução disponível.

Cada professor tem o direito de dar aula como quiser? Tem. Cada direção de escola tem o direito de administrar sua escola como quiser? Tem. Cada pai e mãe de aluno tem o direito de matricular seu filho na escola que bem entender? Tem. Cada Gestor público tem o direito de demitir funcionários que não realizam suas obrigações com a mínima competência necessária para o cargo? Tem. Ninguém tem seus direitos prejudicados nesta proposta – só tem que arcar com as consequências de suas próprias decisões e ser competente para não ficar sendo pago para arrebentar com o futuro de nossos filhos, o que é muito razoável. E nossos filhos ganham finalmente o direito a uma educação de qualidade.

Que comece o mimimi.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 17/11/2016

SOMOS TODOS MACACOS!

Acho patético esse mimimi de quem acha que tem o direito de não ser ofendido e tem a pretensão totalitária de calar o outro. Quem tenta calar quem o considera inferior dá razão a quem pensa assim, porque só um verme derrete perante um comentário ácido. Que me xinguem à vontade. Alguém acha que eu vou ficar com dodói na autoestima? Que vou me importar com a opinião do imbecil que tentar me ofender e conferir a algum otário o poder de fazê-lo?

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Chamaram a primeira-dama dos EUA de “macaca de salto alto”. O que deu nela para se ofender? Ela não sabe que somos todos macacos? O que ela pensa que é, um réptil? Alguém acha que uma pessoa que passou oito anos sendo alvo de todo tipo de boato venenoso e insinuação pervertida, de críticas virulentas e de comentários muito mais ofensivos está realmente com dodói porque foi chamada de macaca? Ah, tenham santa paciência, é ridículo demais para meu pobre fígado!

Eu sou um macaco. Você é um macaco. Cada ser humano que já houve, há ou haverá neste mundo é um macaco. Não faz o menor sentido ofender-se com a simples enunciação de nossa óbvia, evidente, explícita, inegável natureza! Quem tem vergonha de ser um macaco ou é um coitado com graves problemas de autoaceitação, ou está fazendo um jogo político absolutamente hipócrita para se empoderar manipulando o sentimento de pena e coitadismo dos politicamente corretos e dos bocós que caem nessa esparrela.

E vamos que me chamassem de outra coisa ofensiva. O que seria? Veado, tentando me ofender me atribuindo uma suposta homossexualidade? Como poderiam fazer isso, se eu considero lícita e respeitável qualquer sexualidade exercida sem violação de direitos de terceiros? Gordo, tentando me ofender porque eu já estive obeso e ainda estou um pouco acima do peso? Como poderiam fazer isso, se eu era gordo mesmo e sou o primeiro a reconhecer? Feio, tentando me ofender atacando minha aparência? Como poderiam fazer isso, se eu tenho espelho em casa? Mau caráter, tentando me ofender com o enxovalhamento da mais sagrada estrutura do meu ser, que eu cultivo com retidão e convicção desde sempre? Como poderiam fazer isso, se eu sei que sou um ser humano íntegro e honrado?

Não consigo imaginar como alguém possa me ofender. Deixando de confiar em mim, sabendo o valor que dou a minha palavra? Quem fizer isso é que é um idiota. Lançando acusações falsas? Por que eu me afetaria moralmente por acusações falsas? Lançando acusações verdadeiras? Por que eu me afetaria moralmente pela verdade? Simplesmente não há como ofender, humilhar ou fazer dodói moral em quem tem uma autoestima sólida e não abre espaço para se sentir atingido pela estupidez ou para a perversão de caráter de terceiros. Eu simplesmente não bebo o veneno alheio!

Se você pensa horrores de mim, o problema é seu. Se você diz horrores de mim, o direito é seu. Talvez eu meta um soco na sua cara se você fizer isso de modo particularmente indignante e ao alcance da minha mão. Talvez eu faça até mesmo algo muito pior, no momento em que me ferver o sangue. Afinal, eu sou um macaco, e não é seguro fazer palhaçada perto demais de um macaco que pode reagir com fúria. Você, que é outro macaco, deveria saber disso. Mas processar alguém por dizer besteira pela internet? Aí não é a reação de um macaco, é a reação de um verme mimimizento que precisa que os outros protejam sua “dignidade” de açúcar que derrete com qualquer cuspida, inclusive uma virtual. Ou de um canalha hipócrita tentando tirar vantagem de uma legislação intolerante e degradante.

Não seja um verme mimimizento. Se você é um ser humano, tenha dignidade e erga a cabeça perante qualquer tentativa de ofensa. Não dê poder à ideologia de criminalização do pensamento. Ninguém tem o direito de não ser ofendido, nem pode ter este direito. Isso é uma monstruosa ferramenta de opressão que tem que ser completamente desativada em qualquer sociedade civilizada. Somente os vermes e os mal intencionados se beneficiam de uma aberração destas. Não podemos permitir jamais que este tipo de perversão degradante se torne o norte de toda a sociedade.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2016

A escola não tem que formar cidadãos. A escola tem que ensinar a matéria

Hoje às 11:00 deve entrar em debate no Senado Federal o Projeto de Lei 193/2016, que que inclui na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o programa Escola sem Partido. Em tempos de sequestro do ensino em todas as esferas – fundamental, médio e superior – por militantes políticos que chamam doutrinação ideológica de pensamento crítico e cooptação partidária de vulneráveis exercício da cidadania, este projeto de lei é extremamente bem-vindo. 

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A escola não tem que “formar cidadãos”. Isso é uma balela criada por doutrinadores marxistas para justificar a cooptação de nossos jovens para as ideologias políticas que destruíram nosso país ao longo dos últimos treze anos e que acabaram de ser amplamente rejeitadas pelas urnas em nosso país, nos EUA e em grande parte da Europa.

A escola tem que ensinar a matéria de cada disciplina: ler, escrever, falar uma língua estrangeira, desenvolver o pensamento lógico-matemático, somar, subtrair, multiplicar, dividir, fazer regra-de-três, saber calcular os juros de um cartão de crédito, o que é uma alimentação saudável, exercícios físicos saudáveis, tocar um instrumento musical, noções de história e geografia, uso de ferramentas, manutenção de uma residência, construção de um móvel, conserto de um chuveiro, cálculo de um circuito com a espessura correta dos fios e aterramento, programação de computadores, procedimento para recorrer ao tribunal especial cível, economia doméstica com finalidade de investimento, abrir uma empresa, investir na bolsa de valores a longo prazo, etc. Coisas úteis de fato para a vida prática do indivíduo na realidade presente, não segundo a ideologia de gênero, a luta de classes ou a teoria esquerdopata do raio que o parta.

OBS: para quem achar que estou com um “viés à direita” ao dizer o que eu disse no parágrafo anterior, afirmo desde já que a doutrinação de besteirol direitopata aos moldes de “quem não tem competência não se estabeleça”, “objetivismo moral”, “princípio da não agressão”, “imposto é roubo” e outros lixos é igualmente inaceitável, mas que em toda minha vida acadêmica não vi um único caso de doutrinação deste tipo em sala de aula para menores de idade. A tática de lavagem cerebral de vulneráveis, até onde pude constatar, tem sido tipicamente usada pelos marxistas e outros esquerdistas. Perguntem a Luís Felipe Pondé, filósofo de direita assumido, se ele tem notícia de escolas ou departamentos universitários que apresentem um quadro balanceado de filósofos ou sociólogos de todos os matizes ideológicos em sala de aula, ou se o que ele recebe são milhares de notícias de gente sendo perseguida em sala de aula por não concordar com os dogmas da esquerda.

A formação da cidadania não se dá pela doutrinação ideológica do aluno, mas pela sua capacitação intelectual e operacional no mundo moderno. Tornar-se cidadão não é decorar uma cartilha política e passar a impor um padrão de pensamento e ação política em busca de um ideal de sociedade, é saber se virar com sagacidade, ética e competência no mundo real, construindo na sua vida cotidiana um ambiente de sucesso.

De tudo isso que afirmo decorre naturalmente que é imprescindível realizar uma reforma profunda nos currículos escolares. Disciplinas que parecem ser engrandecedoras e cuja presença nos currículos parece razoável – como filosofia e sociologia – há muito se tornaram meros espaços de doutrinação ideológica. Disciplinas que deveriam servir para que os alunos compreendam como nossa civilização se desenvolveu e qual a estrutura e funcionamento do mundo atual – como história e geografia – há muito se tornaram ferramentas de distorção da realidade. Só há uma visão de mundo sendo apresentada para todos os nossos jovens em sala de aula e é a visão de mundo que leva grupelhos aparelhados a invadirem escolas e prejudicarem quem quer estudar, quem quer trabalhar, quem quer votar e quem quer ver o país avançar. É preciso eliminar este viés para podermos nos concentrar novamente na questão curricular, que é essencial.

O projeto não é perfeito. Esta é a descrição apresentada pela Agência Senado

O projeto defende a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; o pluralismo de ideias no ambiente acadêmico; a liberdade de aprender e de ensinar; a liberdade de consciência e de crença; o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; a educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; e o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.

O projeto estabelece que o  poder público não se imiscuirá na opção sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação da teoria ou ideologia de gênero. (…)

Também deve ficar explícita a proibição de propaganda político-partidária em sala de aula e a incitação a manifestações. O projeto estabelece ainda prevê que o professor – ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas – apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

Estou extremamente preocupado com este absurdo de impor um desenvolvimento de personalidade vinculado à identidade biológica de gênero, porque isso é uma violência contra os gays, lésbicas e transexuais, mas concordo totalmente que não se deve tolerar a malfadada teoria de gênero que considera o gênero uma “construção social”. É fundamental eliminar o ranço intolerante que permite a violência psicológica contra o aluno homossexual ou transexual para que o projeto possa cumprir sua finalidade de nos livrar do ranço esquerdista sem nos fazer retroceder na garantia dos direitos e liberdades individuais que devem pautar um país civilizado que respeita todos os seus cidadãos. Este item precisa ser erradicado, porque consiste exatamente no mesmo abuso autoritário e intolerante que a esquerda sempre cometeu. Não é razoável que simplesmente passemos a cometer os abusos opostos.

Se queremos uma escola sem partido, que seja uma escola sem partido de esquerda e sem partido de direita. Que seja uma escola voltada para o engrandecimento intelectual e a capacitação técnica do cidadão. Que seja uma escola que respeite cada indivíduo em sua essência, sem tentar impor este ou aquele princípio de moralidade ou postura política, que são coisas que cabem ao desenvolvimento cultural de uma sociedade, não à doutrinação em sala de aula. Que a sala de aula ensine o respeito a todo o indivíduo que não causa mal a terceiros e pronto, sem impor nem proibir este ou aquele tipo de pensamento político, religioso ou sexual. Se não é papel da escola impor uma direção, também não é papel da escola impor a outra.

Também não se pode permitir que o projeto sirva de porta de entrada para a introdução de pseudo-ciências no currículo escolar em função da necessidade de apresentar “as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes” e com isso trazer o criacionismo, a astrologia, a terapia quântica ou alguma outra balela pseudo-científica para a sala de aula. Isso não está em foco agora, mas é 100% garantido que algum safado vá tentar fazer isso caso o projeto seja aprovado.

Vivemos em tempos difíceis. Os principais grupos em luta pelo poder e pela hegemonia cultural em nossa sociedade não são ingênuos e se aproveitam de qualquer oportunidade para forçar a expansão de suas agendas ideológicas. Se quisermos garantir um mínimo de sanidade para nosso futuro próximo, precisamos ficar muito atentos e fazer toda a pressão que for possível fazer para que a razoabilidade e o bom senso prevaleçam.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2016

Por uma escola sem partido político ou ideologia degenerada!

Rápido, pessoal! Compartilhem e votem a favor, porque a esquerda se mobilizou para obter votos contra e passou à frente tentando defender o “direito” de doutrinar nossos filhos com sua cartilha pervertida marxista feminazi racista politicamente correta coitadista mimimizenta! 

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Clique aqui para votar a favor da Escola Sem Partido!

E, por favor, use os botões abaixo e compartilhe este artigo nas redes sociais! No momento em que estou postando, precisamos de 15.715 votos para reverter esta enquete distorcida pela mobilização esquerdista totalmente contrária à opinião majoritária da população brasileira!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2016

Devemos à esquerda pervertida a ascensão da direita raivosa

No Brasil e no mundo estamos assistindo a ascensão da direita. Isso não se deve aos méritos da direita, que são nulos, mas aos defeitos da esquerda, que são muitos. Mais uma vez estamos assistindo o pêndulo da política oscilar de um extremo ao outro, como uma reação intolerante à intolerância do outro extremo, sem que ninguém se importe em procurar um ponto de equilíbrio harmônico e produtivo.

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Eu estou bastante incomodado com este fenômeno. Há pouco tempo atrás não era possível dizer que se era contra as cotas racistas, sexistas e coitadistas impostas pela esquerda sem que um cretino nos chamasse de racista, sexista e elitista. Hoje está ficando difícil dizer que é necessário proteger os direitos à saúde e educação universais, gratuitos e de boa qualidade sem que um cretino nos chame de esquerdista, socialista ou comunista. Só trocamos de fanatismo.

Não tenho a menor dúvida de que era imprescindível derrubar a esquerda em nosso país.

O Brasil estava se tornando uma Venezuela em um ritmo assustador nos últimos anos. Se não tivéssemos aprovado a “PEC da bengala” e chutado a guerrilheira da presidência, ela teria indicado para o STF Ministros que estariam fazendo no Brasil o que a Suprema Corte da Venezuela está fazendo por lá: anulando absolutamente tudo o que o Parlamento aprova, descaradamente, num claro jogo de cartas marcadas para sustentar a ditadura socialista de Nicolas Maduro.

O golpe branco dado contras as instituições na Venezuela pelo ditador Nicolas Maduro, sua Suprema Corte de títeres do regime e a garantia pela força da continuidade de um governo que está matando a população de fome com comandantes do exército politicamente alinhados ao ditador é uma vitrine excelente do que a esquerda faz quando chega de fato ao poder. E não pensem que basta esperar as eleições de 2019 para que Maduro seja expulso do poder pelas urnas: até lá ele e sua gangue irão inventar algum jogo de palavras para defender la revolución contra a vontade popular.

O problema é que o processo de derrubada da esquerda foi uma reação espasmódica e não uma tomada de consciência.

Sendo alvo do mesmo tipo de acusação esquerdista no Brasil, nos EUA, na Venezuela ou em qualquer lugar do mundo, é óbvio que as pessoas olham para o pior dos exemplos, percebem a caminho de quê estão se dirigindo e reagem em defesa da própria sobrevivência. Num contexto assim, qualquer inimigo da esquerda tem imensa chance de crescer em aprovação popular. Quanto mais inimigo da esquerda, melhor. E ninguém se vende mais como inimigo da esquerda do que a ala oposta do espectro ideológico, a direita, que no entanto partilha dos mesmos defeitos da esquerda em termos de falta de razoabilidade, estupidez de propostas, descaso pelo bem estar da população e intolerância ao diálogo.

Eu não canso de ficar pasmo com a facilidade com que as mesmas pessoas que acusam a esquerda de intolerância se posicionam de maneira totalmente intolerante, por exemplo em praticamente qualquer conversa nas redes sociais. No último domingo eu bloqueei um cara que se diz liberal porque, apenas porque eu disse que uma posição que ele defende está tecnicamente equivocada e que isso foi matematicamente provado pelo Prêmio Nobel John Forbes Nash Jr., o sujeito disse que eu não sou liberal, me chamou de socialista e disse que eu quero implantar uma economia planejada aos moldes de Nicolas Maduro, coisa em que, segundo ele, nem o PSOL acredita mais. Sendo que o sujeito sabe que eu defendo o ordoliberalismo!

Está ficando chato isso. A esquerda esticou tanto a corda, ofendendo e humilhando qualquer um que dissesse qualquer coisa que não fosse adesão total e incondicional a todas as suas pretensões, que a corda arrebentou e agora está todo mundo caindo no conto da direita raivosa, ignorando que a própria esquerda teve o impulso que teve nas últimas décadas graças à ascensão da direita neoliberal radical após a queda do Muro de Berlim. Pior ainda, o monstro que está surgindo desta vez é ainda pior que os neoliberais, é o monstro libertariano que prega que a simples existência do Estado é um mal e que abomina o Estado de Bem Estar Social, que é a única coisa ao redor do mundo que garantiu suficiente harmonia social para que a criminalidade fosse reduzida e o povo se sentisse seguro. Se estes depravados tomarem o poder, podemos esperar um desmonte generalizado da proteção social no mundo inteiro, com um provável retorno retumbante da esquerda ainda dentro do meu período de vida (tenho 48 anos no momento em que escrevo isso).

O inimigo não é “a esquerda”. O inimigo não é “a direita”. O inimigo é o embrutecimento que estes dois conjuntos de ideologias depravadas promovem para expandir seu domínio, jogando o tempo todo uma população desesperada por paz, segurança e qualidade de vida no colo um do outro, em fuga, porque o monstro que não está no poder sempre parece menor pior do que o monstro que está no poder.

Precisamos de paz. Precisamos de razoabilidade. Precisamos de modelos que funcionem e que já tenham sido testados, para deixar de cair nos contos de fadas e demônios que a esquerda e a direita nos empurram goela abaixo. E, para obter isso, precisamos estabelecer com clareza quem é o inimigo: a intolerância é o inimigo; o embrutecimento é o inimigo; o extremismo é o inimigo. Precisamos combater a intolerância com metatolerância. Precisamos combater o embrutecimento com ponderação. Precisamos combater o extremismo com moderação. Se falharmos em fazer isso, pode ser que um dia o pêndulo penda tanto para um dos lados que não haja mais volta.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2016