O comentário ridículo abaixo sobre os “coxinhas” mostra, para quem tiver o trabalho de pensar um pouco a respeito, o esgotamento completo de uma visão de mundo anacrônica, equivocada e sobretudo maldosa. Nem mesmo um completo débil mental é capaz de acreditar a sério que alguém vai protestar contra si mesmo. Para dizer ou concordar com uma coisa assim, há que ter uma grande dose de corrupção moral.

protestar-contra-si-mesmo

A esquerda há três décadas e meia vem dizendo que o Brasil passou 500 anos sendo explorado pela “direita”, atualmente identificada com os “coxinhas”. Obviamente, “direita” ou “coxinhas” para a esquerda é “tudo que não sou eu”, mas tanto faz. Vamos dar de barbada que fosse. Pois bem, em 500 anos o Brasil nunca teve três anos seguidos de recessão, exceto quando a esquerda assumiu o poder. Nunca perdemos tantas empresas, tantos postos de trabalho, tanto dinheiro e tanto prestígio internacional quanto nos 13 anos do PT na presidência da República.

A calamidade das contas públicas chegou a tal ponto que até mesmo o PMDB, parceiro do PT nas duas últimas eleições, percebeu que o país estava indo para um buraco tão grande, tão rápido, que não seria possível esperar até 2018 para chutar a bunda da esquerda e começar a recuperar o país. O parasita precisa que o hospedeiro sobreviva para poder continuar sugando seu sangue, mas a esquerda chafurdou no sangue do hospedeiro como um vampiro sedento que não se alimentava há séculos. E os “coxinhas” foram para a rua exigir o impeachment e o fim da corrupção.

Veio o impeachment, abençoado impeachment. Veio o episódio vergonhoso do conchavo do presidente do Senado com o presidente do STF para evitar a perda dos direitos políticos da presidente da República deposta. Vieram as eleições e o povo virou “coxinhas” e deixou claro que não quer saber de nada que venha do PT, impondo-lhe uma derrota acachapante e um encolhimento de cerca de 60% nas urnas. E vieram então à tona muitas das falcatruas do período de corrupção do país pelo PT – ou talvez eu deva inventar o neologismo “corruptização” para deixar mais claro que corrupção é uma atuação transformadora.

A esquerda não se limitou a roubar como fizeram todos os outros que o precederam. Não. Todos os partidos de esquerda possuem um fetichismo pelo autoritarismo absoluto, travestido de alguma ideologia porca que é usada para enganar os incautos de que a esquerda necessita para chegar ao poder. Uma vez atingido o poder, entretanto, o que vemos é o que aconteceu em Cuba, com mais de meio século de ditadura e milhares de fuzilamentos por divergência de opinião, ou na Venezuela, com a população morrendo de fome, comendo lixo, sem itens básicos de higiene, sem medicamentos, elegendo um Congresso de oposição e tendo sua vontade negada por um ditador que se aliou a um tribunal farsesco que anula todos os atos do Poder Legislativo, ou na Coréia do Norte, com uma quadrilha sanguinária de comando hereditário que perpetra os mais abomináveis crimes contra a humanidade sem que ninguém interfira. Graças a Deus, portanto, pelos corruptos de hoje, que nos livraram de destino muito pior.

Só que eles demoraram demais.

Se a cacarecada partidária toda que virou casaca tivesse peitado a esquerda quando perceberam que ela estava indo com sede demais ao pote, se os ladrões mais experientes tivessem avisado que “não é assim que se rouba”, o país não teria sido desmanchado ao ponto que foi, não teria sido necessário cortar tão fundo para o parasita evitar a morte do hospedeiro, não teria havido tanta revolta e tanta mobilização. Por isso a mobilização continua. Por isso o povo está indo às ruas hoje.

Não se trata, portanto, de “coxinhas” protestando contra si mesmos, afirmação ridícula e despropositada que nem mesmo um quadrúpede levaria a sério. Trata-se de uma revolta legítima contra a traição a que o povo foi submetido pela esquerda e por seus aliados, que gostaram tanto do novo nível de roubalheira inaugurado pela esquerda que se lançaram a ele e se lambuzaram como nunca antes na história deste país. Trata-se do mesmíssimo sentimento que levou os “coxinhas” a realizarem a maior manifestação da história do Brasil contra o PT, da mesmíssima revolta e da mesmíssima impaciência perante o escárnio com que a classe política tem tratado a honestidade, a decência, a competência administrativa e a qualidade de vida do povo brasileiro. E contra os mesmíssimos atores.

Eu tenho cá minhas ressalvas quanto aos objetivos das manifestações de hoje, penso que é uma armadilha perigosa confiar no mesmo Judiciário que não fez nada contra a corrupção nas últimas décadas, mas compreendo sua lógica e os sentimentos por trás dela. Os “coxinhas” não piraram, o povo está simplesmente exausto de viver mal e ainda ser feito de palhaço.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/12/2016

4 thoughts on “Os “coxinhas” não piraram

  1. Tem muita distorção quanto às manifestações. Mas é tão dissociado da realidade que não convence ninguem que esteja com a mente funcionando. É só ver a sequência de mentiras nesta imagem:
    https://scontent-gru2-1.xx.fbcdn.net/v/t1.0-9/15241210_1126414974142964_5565206767464779855_n.jpg?oh=35899acb0d7078416672e35a7fdae5fa&oe=58C3FD47
    Desde quando apoiaram Cunha? O Aécio mesmo e o PSDB sempre foram criticados e atacados nas manifestações.

    1. Eu digo e repito e todo mundo acha que é metáfora: QUADRILHA CRIMINOSA. Não adianta eu repetir mil vezes, não adianta colocar em letras vermelhas berrantes, não adianta pedir para as pessoas prestarem atenção e repetirem depois… Se elas conseguirem fazer isso, é do mesmo modo que um papagaio o faria. Simplesmente ninguém entende que uma imensa QUADRILHA CRIMINOSA está gerenciando o país. A pior facção foi apeada pela menos pior facção e o jogo continua. Tipo assim substituímos o PCC pelo CV ou algo do gênero. Mas eu digo e passo por exagerado, por histriônico, por paranoico, por sei lá mais o quê.

  2. Triste, viu. Quando a gente pensa que os petistas já tinham falado todas as merdas possíveis, eles me vêm com essa.

    Mas não chega a ser surpreendente, afinal, não é nenhuma surpresa ver o pervertido defender a perversão.

    1. É como perguntar para o peixe se ele gosta d’água.

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