Um programa de TV para concorrer com o BBB!

Tive uma idéia genial! Será um sucesso! Vou ficar rico! Vou lançar um programa de TV para concorrer com o BBB que vai estourar a boca do balão, roubar toda a audiência da Globo e me deixar milionário! Não tem pra mais ninguém, o programa vai se chamar PPP e será o maior sucesso da TV brasileira! 

PPP significa Programa Para Pensadores. Será um talk show com dicas de economia doméstica, poupança, empreendedorismo e investimento. Terá entrevistados de alto nível, gente de sucesso no mundo dos negócios e que ensinará como desenvolver a disciplina necessária para poupar dinheiro ao invés de gastar com bobagens e dará dicas de como tornar pequenas empresas melhor gerenciadas e mais lucrativas, além de comentar as oportunidades de investimento na Bolsa de Valores e como funciona o home broker (comércio de ações feito a partir de casa).

Para diversificar, teremos entrevistados que orientarão os telespectadores quanto à nutrição paleolítica, os exercícios de alta intensidade mais eficazes para o desenvolvimento muscular e o condicionamento cardiorrespiratório, as ervas que possuem estudos científicos que comprovam que possuem benefícios à saúde na forma de chás ou temperos e as técnicas de leitura e exercícios matemáticos que mais contribuem para a agilidade mental e a memorização a longo prazo. Sem esquecer, é claro, de um quadro interessantíssimo de divulgação de ciência e tecnologia, que ninguém é de ferro e um pouco de diversão sempre faz bem.

Era o programa que faltava na TV brasileira! Basta de falta de oportunidades de aprendizado do que é realmente útil para o nosso bolso, a nossa saúde e o nosso desenvolvimento intelectual! Não será nem necessário fazer propaganda! O povo vai comentar o programa na parada do ônibus, na fila do banco e nos corredores do supermercado:

– Menina, você viu que fantástica aquela dica de portfólio com ações do setor de transmissão de energia?

– Maravilhosa! Vou vender meu carro para converter tudo em ações do setor elétrico! Aquela planilha de custo de oportunidade de aquisição de um automóvel e seus custos de manutenção versus o custo de transporte terceirizado com aplicação do excedente no mercado mobiliário foi incrível! Vou anunciar o carro esta semana mesmo!

– Sério? E o que você vai fazer com com a sua garagem, que você acabou de ampliar?

– Vou implantar uma estufa aquapônica, querida! Um consórcio de produção de hortaliças e peixes herbívoros para produzir alimento de alta qualidade biológica, a um custo ínfimo, é uma oportunidade que não dá para deixar passar!

– Pois eu dou o maior apoio! A minha estufa aquapônica já está madura e a produção está excelente. Depois que passei a comer peixes toda a semana, aumentando minha ingestâo de ômega-3 natural, nunca mais tomei anti-inflamatórios e estou sentindo melhorias sensíveis na minha memória.

– E o seu Protocolo Tabata, você já está conseguindo fazer os oito sprints completos?

– Não, mas estou quase! Já consigo chegar no sétimo sprint! Faço duas vezes por semana, sempre lembrando que as fibras musculares tipo 1 consomem muito menos energia que as fibras 2a, 2b e 2x, portanto é necessário promover um stress miofibrilar profundo com depleção de glicogênio para promover o desenvolvimento destas fibras.

– Você tem toda razão. Está no caminho certo. Mas veja, querida, o gerente de conta chamou a sua ficha.

– Beijos, querida! Vou lá encerrar minha conta de poupança e transferir tudo para a conta de investimentos.

Sem dúvida alguma, o PPP será um sucesso total! Mal vejo a hora de começar as gravações! Alguém aí se candidata a ajudar a ler as milhares de cartas e e-mail que chegarão com dúvidas e sugestões de pauta? Certamente vou precisar de ajuda. A Globo que se cuide. O BBB está com as horas contadas. Um povo prafrentex como o brasileiro jamais vai deixar passar uma oportunidade tão boa!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/01/2017

A solução para o problema dos presídios brasileiros

Acho que você sabe qual é a solução para o problema dos presídios brasileiros. Pelo menos para mim, a solução é tão óbvia, mas tão óbvia, mas tão óbvia, que eu fiquei em dúvida se deveria escrever este artigo. Afinal, só vou poder dizer o óbvio. Mas vamos lá, que neste país o óbvio precisa ser dito e mesmo assim dificilmente é entendido… 

Em primeiro lugar, um presídio planejado para receber no máximo 250 presos tem que receber no máximo 250 presos, não pode receber 600. Não é óbvio? Quem na face da Terra não sabe que a superlotação é a mãe de todos os problemas de qualquer presídio?

Em segundo lugar, não tem que haver presídios com capacidade para mais do que uns 250 presos. Não é um número absoluto, é um número razoável. Quanto maior a unidade prisional, mais difícil é de gerenciar seus sistemas de segurança e mais grave é qualquer problema que aconteça.

Em terceiro lugar, o Código Penal brasileiro prevê detenção para alguns crimes e reclusão para outros crimes. Os critérios para esta diferenciação são técnicos: dizem respeito à gravidade dos crimes cometidos e de certo modo à periculosidade do preso. Portanto, os presos precisam ser divididos em detentos e reclusos e precisam ser fisicamente separados segundo esta classificação e segundo outras sub-classificações que já vou explicar. E “separados” significa “em presídios separados”, não podem ficar na mesma unidade.

Em quarto lugar, novatos e reincidentes não devem ser colocados no mesmo presídio. Os presídios precisam ser locais não somente de cumprimento de pena mas de redução da probabilidade de que o preso volte a cometer crimes quando sair de lá. Uma sociedade que não se importa com a qualidade de vida dos presidiários, dos serviços prisionais e das estratégias de ressocialização e preparação para o reingresso do preso no mercado de trabalho está literalmente promovendo uma escola do crime em cada um de seus presídios. 

Em quinto lugar, membros de facções rivais não podem ser colocados nos mesmos presídios. Só um alienígena não sabe que a principal causa de massacres nos presídios hoje em dia é guerra entre facções rivais. Não se pode confiar em uns poucos muros ou grades para evitar estas carnificinas, é necessário uma distância que inviabilize o conflito completamente.

Em sexto lugar, as celas devem ser individuais. Cada preso tem que ter a tranquilidade de poder dormir sem medo de ser esfaqueado durante a noite por não ter se unido a uma das facções que permanentemente tentam assumir o controle dos presídios e crescer cooptando novos presos – muitos dos quais se unem às facções pelo simples medo de morrer de um modo bem ruim.Além disso, celas individuais deixam o sujeito que não quer estudar nem trabalhar sozinho o dia inteiro, o que é um forte estímulo para que o preso se engaje nestas atividades.

Em sétimo lugar, todo preso deve ter a oportunidade de estudar e de trabalhar dentro dos presídios. Não somente a oportunidade, mas um estímulo bem razoável. Por exemplo, certas regalias no que diz respeito ao conforto da cela, ao tempo de banho de sol, à prática de esportes, à diversidade na alimentação, ao acesso a oportunidades de lazer e outros podem ser condicionados ao bom comportamento, estudo e trabalho nos presídios. Obviamente, isso não significa que os presos que se negarem a estudar e a trabalhar devam ser maltratados. Nada disso. Simplesmente devem ter um “kit básico” decente de prisão, mas sem as regalias reservadas a quem se esforçar por ter bom comportamento, estudar e trabalhar.

Em oitavo lugar, e aqui eu finalmente começo a dizer coisas que não são tão óbvias, os presos não devem confraternizar entre si sem supervisão. Cada detento ou recluso deve ter privacidade nos presídios para dormir e para usar o banheiro sozinho e em paz, mas nunca conviver com os demais presos de sua unidade sem supervisão. Essa supervisão pode ser pessoal ou eletrônica, mas tem que ser permanente e muito eficaz. Por exemplo, pode ser feita com câmeras ambientais e colares com gravadores que só precisariam ser vestidos nos momentos de interação com os outros presos. Não quer se submeter ao uso do colar durante o banho de sol ou o futebol? Tudo bem, camarada, fica na tua cela. Sozinho.

Em nono lugar, o preso tem que receber um bom exemplo por parte do corpo funcional dos presídios. Não é qualquer pessoa que pode ser agente prisional. É necessário que sejam pessoas comprometidas de fato com a ressocialização dos presos, que os tratem com educação e formalidade sem ser artificiais, que saibam ser disciplinadas antes de tentar disciplinar os presos, que tenham o tempo todo em mente que sua função não é punir os presos – isso é feito pela privação de liberdade – e sim reduzir as chances de que eles voltem a cometer crimes quando não estiverem mais presos.

Em décimo e último lugar, os presídios precisam ser comparados com outros presídios do mesmo país e de outros países para avaliar suas condições físicas, suas características de funcionamento, seus graus de reincidência, suas taxas de incidentes e outros parâmetros importantes para o sucesso da missão dos presídios – afastar o preso da sociedade por um tempo e prepará-lo para retornar à sociedade de modo que não cometa novos delitos e se torne um cidadão respeitável e produtivo.

Acho que falei somente o óbvio nos sete primeiros itens e o quase óbvio nos últimos três itens. Gerenciar presídios não é um assunto complicado. Não é nem sequer um assunto difícil. Basta ter os objetivos corretos e pensar com bom senso. Não se reduz a criminalidade com truculência, violência, humilhações ou maus tratos. Pelo contrário, isso estimula o agravamento da criminalidade, vitimando não somente os presos, mas a toda a sociedade.

Os presídios pioram com a superlotação. Os presos precisam ser adequadamente separados. Os novatos pioram em contato com os reincidentes. Os independentes pioram em contato com as facções. Os inofensivos pioram em contato com os violentos. As facções pioram em contato umas com as outras. O sistema todo piora se gerenciado por pessoas que não se importam em oferecer um bom exemplo para os presos, dos diretores dos presídios aos agentes penitenciários da linha-de-frente. Os presídios precisam ser bons centros educacionais, porque deles depende nossa segurança depois que os presos cumprem suas penas e retornam à sociedade. São princípios bem simples e fáceis de implementar se os gestores públicos quiserem e decidirem fazer a coisa certa do jeito certo. E aí entra a sua parte neste assunto.

O que você está dizendo nas redes sociais ou nos almoços em família sobre os massacres ocorridos nos presídios do norte do país? Você está ajudando a reduzir a histeria e a trazer esclarecimento e entendimento sobre a questão dos presídios? Em que tipo de candidato você está votando? Você já escreveu alguma coisa sobre a questão dos presídios para algum político em que você tenha votado? Sua contribuição pode ser pequena, mas que seja positiva.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/01/2017

Você quer Sérgio Moro no STF?

A campanha “Moro no STF” foi lançada imediatamente após a morte do ministro do STF Teori Zavascki e muita gente gostou da idéia e saiu compartilhando e fazendo abaixo-assinado. Mas será que alguém parou para pensar no que acontecerá se o presidente Michel Temer fizer essa indicação?

Em primeiro lugar, Sérgio Moro aceitará a indicação e o Senado o confirmará. Nenhum juiz deixaria de aceitar, mesmo que o resultado disso fosse a queda de um novo meteoro que extinguisse a espécie humana. E o Senado jamais perderia a oportunidade de retirar da Lava-Jato sua principal força motriz. Além disso, se não aceitasse, Moro seria enxovalhado na imprensa, na blogosfera suja e nas redes sociais, seria chamado de covarde e omisso e perderia grande parte de sua popularidade e influência. Portanto, havendo a indicação, Moro no STF são favas contadas.

Em segundo lugar, Michel Temer virará herói nacional. Ele, que foi o vice de Dilma e do PT, que também foi citado em delações premiadas da Lava-Jato e que está se tornando conhecido como o presidente iô-iô: toma uma decisão, recua, toma outra decisão, recua, toma mais uma decisão, recua. Com Moro no STF por indicação sua ele “afastará todas as suspeitas” sobre si e no mínimo atrasará muito as investigações sobre si que correm na Lava-Jato. Talvez consiga sustá-las.

Em terceiro lugar, a Lava-Jato será muito enfraquecida. Sem a presença de Sérgio Moro, assuma quem assumir, mesmo que seja um clone do Moro, a Lava-Jato perderá continuidade, perderá ímpeto, perderá conhecimento agregado, perderá integração de equipe, perderá articulação. Trocar um juiz no meio de um processo imenso como a Lava-Jato é como pedir para um escritor ou um músico terminar um livro ou uma sinfonia começado por outro autor – não funciona direito.

Em quarto lugar, Sérgio Moro no STF não poderá ser relator da Lava-Jato, nem confirmar, nem revisar nenhuma das sentenças que tiver emitido na primeira instância, sendo obviamente obrigado a declarar-se impedido: não é possível que a mesma pessoa revise em última instância a decisão que proferiu em primeira instância. Quem acha que o novo ministro do STF deve automaticamente assumir os processos do ministro que sai (ou que morre) esquece disso.

E aí? Você ainda quer Sérgio Moro no STF?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/01/2017

Teori Zavascki foi assassinado?

Eu não sei, você não sabe e se foi o caso ninguém jamais saberá. Mas é possível e foi muito conveniente para uma grande quantidade de corruptos poderosos. Como é que esse otário se mete num teco-teco? Teori Zavascki tinha a Lava-Jato nas mãos, não podia ter dado um mole desses. Ou vocês acham que não existe assassinato político no Brasil? Que só o que se assassina aqui são reputações?

Vou repetir para ter certeza de que você entendeu: eu não sei, você não sabe se foi o caso ninguém jamais saberá. Haverá luto oficial. O mandante, se houver, vai discursar sobre como o ministro Teori Zavascki era honesto, íntegro, capaz, defensor da democracia e do Estado de direito. Seus colegas do STF farão loas ao falecido independentemente de sua real opinião sobre ele. Os peritos serão “sutilmente” lembrados do caso Celso Daniel e vão dar um laudo de que o avião em que estava o Teori Zavascki sofreu uma pane mecânica, teve uma dor de barriga ou foi atingido por um disco voador, e a grande mídia inteira dirá “amém”, enquanto inúmeros corruptos dirão “aleluia”.

Jamais saberemos a verdade. Que até pode ter sido, sim, uma falha mecânica. Mas também pode ter sido um assassinato político. Você é perito em acidentes aeronáuticos e está lá para analisar? Não, né? Pois bem, quero apenas que você tenha bem claro em mente que a história oficial é previsível, mas não necessariamente realista, e que deve haver muita coisa que juramos que foi de um jeito e que na verdade foi de outro jeito. Ou não.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/01/2017

Atualização dia 20/01/2017: dados interessantes surgiram.

Passando a régua

Foram sete anos e meio de blog, com uma parada de sete meses no primeiro semestre do ano passado, porque eu teria um infarto ou um derrame se blogasse durante o impeachment, mas a verdade é que desde o artigo “O Brasil é um pântano” o blog estava agonizando. Todas as tentativas de reanimar o blog de lá para cá perderam o fôlego rapidamente. Eu simplesmente não estava mais no pique. É hora de passar a régua, fazer um balanço e me lançar em outros projetos.

Eu não decidi matar o blog, mas também não devo alimentá-lo com muita frequência por um tempo. Eu fiz amizades maravilhosas através do blog e não pretendo destruir estas lembranças nem me desfazer deste espaço, o Pensar Não Dói vai continuar no ar e eventualmente eu vou publicar algum artigo, mas eu estou mudando muito minha cabeça e o blog vai acompanhar esta mudança – que eu ainda não sei bem para que lado será. O que eu sei é que como está não pode ficar.

Eu perguntei em duas redes sociais – Twitter e Facebook – se as pessoas salvariam uma criança de um estupro se pudessem ou se deixariam a criança ser estuprada alegando que o estuprador tem livre arbítrio. Várias pessoas respondem e se estabelece uma discussão sobre moralidade. Aí alguém se dá conta de que a pergunta é absurda e pergunta qual é o coelho na cartola. Então eu explico que todo mundo que respondeu sabe que um estupro de criança é um imenso absurdo e que é uma imoralidade permitir que isso aconteça, mas que quando se questiona a moralidade deste suposto Deus Todo Poderoso e Todo Bondade ninguém admite que ou o suposto Deus não é poderoso ou não é nem bom nem decente, porque supostamente ele pode evitar o estupro de crianças mas evidentemente não o faz. E o que acontece? Começam a falar em respeito às crenças, em fé, em sei lá mais o quê, mas não são capazes de entender ou de admitir que o que tinham acabado de reconhecer implica necessariamente que este suposto Deus não é como eles dizem que é. O macaco falante simplesmente não tem a menor lógica, a menor coerência, o menor compromisso com a verdade, nem mesmo entende o assunto ou enfrenta diretamente o problema que se apresenta.

No Facebook eu fui expulso dos três maiores grupos de discussão sobre diabetes porque comecei a divulgar o que diz a melhor ciência do mundo a respeito da fisiologia envolvida – e o que essa ciência diz é que as atuais orientações sobre diabetes estão completamente erradas, como aliás todas as orientações nutricionais tradicionais que você conhece. Pouca gente pode entender o quanto aquilo me fez mal, o desespero que eu senti por ter meu acesso às pessoas que poderiam se beneficiar do meu conhecimento bloqueado por um imbecil sem nenhum conhecimento científico nem qualquer disposição para se alfabetizar em ciência, nutrição e fisiologia. Teve uma cretina dez ou quinze anos mais jovem que eu que postou uma foto mordendo um chocolate antes de me expulsar. Eu sei que ela será enterrada antes de mim, mas isso não é um consolo, é a própria razão do meu sofrimento, porque eu sei como evitar isso e não consigo fazer a própria beneficiária entender isso, aquela besta irracional.

No trabalho eu estou vendo claramente que as epidemias de zika, dengue e chikungunya estão avançando sobre o país, disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti. Existia um programa chamado PNCD (Programa Nacional de Controle da Dengue) que foi substituído pelo PNEM (Programa Nacional de Enfrentamento à Microcefalia) por causa do surto de microcefalia que acometeu o Brasil. O PEVCA (Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes) reflete as orientações destes programas e orienta e supervisiona os municípios para implantarem as diretrizes do programa. O problema é que o método não funciona, a população não está nem aí, não colabora e não adianta questionar isso com os gestores e os técnicos, mostrar as falhas, apresentar sugestões técnicas, escrever para meio mundo, queimar meu filme totalmente em tudo quanto é reunião… Nada muda. Essa adesão acrítica às orientações do Ministério da Saúde está me deixando doente. Eu tenho pesadelos com gente morrendo sangrando por todos os poros e com crianças com microcefalia, sei o que precisa ser feito para conter estas epidemias e não tenho poder para isso nem encontro eco nos interlocutores que têm ou deveriam ter.

Eu poderia citar mais alguns exemplos, como ter sido bloqueado num destes aplicativos de relacionamentos por uma garota cuja aparência eu elogiei, que não tinha nenhum texto no perfil, somente fotos, e que teve uma crise de estupidez dizendo que está cansada de ser julgada apenas pela aparência. Não me entendam mal, eu não me senti rejeitado, eu ri demais da estupidez dela, mas no contexto em que estou escrevendo espero que fique claro que isso foi mais uma mostra do quanto tem sido difícil e desagradável lidar com o macaco falante. Eu preciso proteger minha saúde física e mental.

Então, no último dia 08/01/2017, eu baixei os dois livros que citei no artigo anterior. Não me lembro como foi que eu tropecei de novo no assunto Bolsa de Valores, sobre o qual eu já havia me interessado em 2015 e que não pude estudar em 2016 porque precisava me dedicar a estudar outras coisas devido a uma mudança radical na minha atividade profissional. Comecei a ler artigos de revistas e de portais de investimento, a assistir aulas, palestras e depoimentos no YouTube, até que me decidi: vou me dedicar a isso, por dois bons motivos.

O primeiro é que eu não estou suficientemente recuperado e forte para me dedicar a uma segunda atividade profissional. Eu não somente não tenho nem idéia do que eu poderia tentar fazer neste momento de crise econômica, mas eu teria que abrir uma empresa, enfrentar uma burocracia enorme, lidar com fiscais, alugar um local, contratar gente, adquirir equipamentos, fazer propaganda, trabalhar um turno extra inteiro e correr todos os riscos de um empreendimento novo em época de crise, sendo que eu não poderia estar presente durante um turno inteiro para colocar a empresa nos trilhos do jeito que eu quero. Isso seria muito pesado para mim neste momento e eu não posso arriscar ter um colapso de saúde no meio do processo.

O segundo é que eu não preciso depender de nenhum macaco falante para me dedicar a investir na Bolsa de Valores. Eu não preciso explicar nada para ninguém. Eu não preciso pedir nada para ninguém. Eu não preciso ouvir a opinião de ninguém. Eu não preciso justificar decisão nenhuma para ninguém. Eu não preciso contar com a colaboração de ninguém. Eu não preciso me estressar com o macaco falante. Posso fazer tudo sozinho e ninguém precisa ficar sabendo se eu estou indo bem ou me ferrando, se ganhei dinheiro ou se perdi dinheiro, se escolhi um investimento certo ou se dei uma mancada enorme, se os critérios que usei foram razoáveis ou se foram uma aposta alucinada. Nada. Nenhuma aporrinhação. Depende só de mim.

A necessidade, a oportunidade e o alívio conspiraram na mesma direção. E eu vou dar uma guinada na minha vida.

Meu primeiro artigo de 2017 havia sido sobre radicalizar princípios e ações. Estou cumprindo.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/01/2017

Investir na Bolsa de Valores

Investir, especular e poupar são três coisas muito diferentes entre si. Este artigo inaugura a categoria “investir” do blog Pensar Não Dói, esclarece a diferença entre os três conceitos e introduz os conceitos mais básicos sobre investir na Bolsa de Valores.

Poupar não é investir. Poupança é a mera evitação de desperdício ou retenção de alguma coisa que se tem para que se possa usá-la mais tarde. Você poupa a gasolina que tem no tanque para conseguir chegar no posto de gasolina. Você poupa o dinheiro que gastaria no cinema à tarde para poder ir a uma churrascaria à noite. Você poupa uma grana depositando um certo valor todos os meses numa caderneta de poupança para ter uma reserva financeira com alta liquidez ou para adquirir um bem daqui a algum tempo.

Especular não é investir. Especulação é a aquisição de algum bem para revender com lucro depois. Você compra um imóvel achando que ele vai subir de preço. Você compra ações na Bolsa de Valores achando que elas vão subir de preço. Você compra opções de compra de ações achando que uma ação vai subir de valor e no futuro você poderá comprá-la por um preço inferior ao do mercado e revendê-la ao preço do mercado.

Investir é colocar esforços ou recursos em uma atividade para produzir alguma coisa. Você investe horas e horas lendo para seu filho. Você investe tempo e esforço físico na academia para ficar mais forte, mais saudável, com um corpo mais bonito. Você investe uma grana comprando um carrinho de pipoca para trabalhar e sustentar sua família. E você investe na compra de ações na Bolsa de Valores, também. A diferença disso para a especulação é que você não compra para revender por um preço maior, você compra para se tornar sócio de empresas produtivas que vão dividir seus lucros com você.

O nome da parcela de lucro que as empresas das quais você se tornou sócio por ter comprado participação acionária é “dividendo”. Por isso você vai encontrar muito a expressão “investir em dividendos” entre as pessoas que compram ações na Bolsa de Valores para investir. Entre as pessoas que compram ações para especular, o valor dos dividendos pagos acaba se tornando muito mais um elemento para a análise de como especular do que um objetivo em si – mais ou menos como o cara que compra um carro usado para revender analisando somente a lataria, sabendo que há uma boa chance de revenda se o carro tiver uma boa aparência.

Perceba, entretanto, que um carro serve para nos levar de um lugar ao outro com conforto e segurança. Se você comprar um carro olhando apenas a lataria, poderá não ter problemas, mas poderá ter. E, se o carro tiver algum problema e você tentar passar a bomba adiante, poderá encontrar algum otário que o compre somente pela aparência da lataria, como você fez, ou poderá não conseguir revendê-lo, ou pelo menos não pelo mesmo preço, porque os possíveis compradores provavelmente vão examinar melhor o veículo do que você.

Investir na Bolsa de Valores é parecido.

Se você escolher bem o que comprar, será sócio de uma empresa com gestão de alta qualidade, lutando para obter lucro, que dividirá este lucro com você na proporção do número de ações que você comprar. Além disso, se a empresa se mostrar lucrativa, o preço das ações poderá subir e você estará na confortável situação de quem comprou um carro por dez e agora pode vendê-lo por doze porque apareceu mais gente querendo comprá-lo.

Se você escolher mal o que comprar, será sócio de uma empresa que terá prejuízo e perderá valor no mercado, não tendo condições de pagar dividendos a você. Além disso, o preço das ações vai cair e você estará na desconfortável situação de quem comprou um carro com uma bela lataria e que começou a queimar óleo na frente de todo mundo quando saiu a rodar.

Obviamente, esta é uma metáfora muito simplista, feita para você entender a lógica básica da coisa. Investir na Bolsa de Valores é um pouco mais complexo que isso, mas não tanto como você sempre ouviu falar. E, principalmente, investir na Bolsa de Valores é muito menos arriscado do que você em geral ouve falar.

Eu comecei a ler a respeito no último dia 09/01/2017. Hoje é 13/01/2017. Eu li durante três dias e estou escrevendo este artigo no quarto dia, antes de começar minha jornada diária de estudo da Bolsa de Valores durante as minhas férias. Nestes meros três dias, eu já entendi o funcionamento geral da Bolsa de Valores, já conheço os conceitos e o vocabulário básico, já entendi a grande diferença entre os investidores e os especuladores e já vi quem é que mais se quebra na Bolsa de Valores – quase sempre o novato que entra achando que vai ficar rico com uma fórmula mágica ou uma dica quente ou o especulador que tenta fazer uma “jogada genial” para ganhar uma bolada de uma vez só. Investidores sóbrios e consistentes, por outro lado, na média obtém um retorno bastante superior às demais aplicações disponíveis no mercado financeiro.

Apenas três dias de estudo, entretanto, com certeza não são suficientes para conhecer o assunto com a profundidade necessária para tomar a decisão de investir na Bolsa de Valores como estratégia de investimento para a vida. Eu pretendo estudar muito mais e vou apresentar a você os dois livros que eu pretendo ler muito atentamente antes de sequer chegar perto deste mercado.

O primeiro é “Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro“, elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários e disponível no Portal do Investidor. Ele contém todos os conceitos básicos para você entender o vocabulário usado na BOVESPA.

O segundo é “O investidor inteligente“, de Benjamin Graham, um investidor famoso que deu a volta por cima após a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e que é o principal guru de Warren Buffet, o investidor que frequentemente disputa com Bill Gates (dono da Microsoft) e com Carlos Slim (dono da Claro) o posto de homem mais rico do mundo.

Convido você a ler estes dois livros e vir bater um papo sobre investir na Bolsa de Valores.

Ou comente aí por que o melhor investimento do mercado não interessa a você, que eu quero entender isso.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/01/2017

OBS: não me entenda mal. Há muito o que aprender. Para quem quiser ter uma idéia da complexidade possível do tema, clique aqui e assista este vídeo. Mas saber tudo isso não é necessário para um investidor defensivo conservador (que não tenha pretensões de “superar o mercado”) com estratégia “buy & hold” (comprar e reter).

Conjuntura

O esporte nacional não é o futebol, é reclamar e achar que “alguém” tem que fazer alguma coisa. O povo ou vai aceitar passivamente que os caras que os roubaram tomem seus direitos e seu dinheiro para tapar o rombo que criaram, ou em algum momento vai explodir em violência uns contra os outros, sem focar em quem deveria ser o verdadeiro alvo.

O tragicômico nessa história é que isso estava evidente desde a época do Mensalão. Se tivessem metido o Lula na cadeia em 2005, junto com toda a corja de bandidos que se vendeu, e anulado todos os atos legislativos da época, como era o certo a fazer, o Brasil teria tomado outro rumo de desenvolvimento. Porém, temos aqui a cultura de que “a justiça tem que ser sóbria, não pode ser exagerada”…

Quanto ao rumo econômico do Brasil, só poderia ser pior se continuasse na mão do PT. A receita de recuperação escolhida é tão desastrosa que até o FMI não a defende mais. Ela faz a recuperação demorar mais e torna mais difícil e sofrida a vida do povo neste período. Sendo que existe um método *muito* melhor, muito bem testado, muito rápido e eficaz para promover o desenvolvimento econômico: bastaria imitar o que a Alemanha fez logo após a Segunda Guerra Mundial. Pesquise “ordoliberalismo” e “economia social de mercado”.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/01/2017

Uma dica para quem precisa preparar um curso

Um belo dia você precisa preparar um curso em seu trabalho. Digamos que com uma carga horária de vinte horas, um turno por semana, avaliação no último dia. E agora? Por onde começar? O que incluir? Que recursos audiovisuais utilizar? Como avaliar?

Se você fizer como quase todo mundo faz, eu sei o que vai acontecer. Você vai começar do que acha que é o começo, escolhendo sobre o que vai falar, vai procurar alguns recursos audiovisuais para ter o que mostrar e ao final vai ficar em dúvida sobre o que exatamente avaliar, limitando-se a fazer algumas perguntas simples para evitar um mar de baixas avaliações, ou vai acabar exigindo a mera memorização de algumas informações específicas. E o resultado disso é que você vai preparar um curso bem fraquinho, com muito pouca utilidade, como quase sempre acontece.

Eu já vi isso acontecer muitas vezes. Já vi um profissional preparar um curso de aperfeiçoamento que mal continha o básico de sua atividade, já vi um professor preparar um curso sobre didática em que ninguém aprendeu nenhuma técnica ou desenvolveu qualquer habilidade nova, vi um aluno de pós-graduação preparar um curso de qualificação cheio de erros grosseiros, vi um departamento inteiro de um órgão público preparar um curso que se tornou uma grande colcha de retalhos sem nenhuma ligação entre si, vi um técnico em uma área muito específica do conhecimento preparar um curso cheio de lacunas em sua própria área de especialização, entre outros. Em comum, todos eles tiveram pouca utilidade prática.

Pois bem… Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar, porque a minha dica é tão simples e fácil de memorizar quanto poderosa para auxiliar tanto na seleção dos conteúdos quanto na organização de suas apresentações.

Eis a dica: a primeira coisa que você tem que preparar é a prova final. Ponto.

Quando você prepara um curso começando pela prova final, tudo fica muito claro. Ao começar pela prova final, a primeira coisa que você tem que decidir é quais são os conhecimentos que os seus alunos terão que mostrar que aprenderam e quais são as habilidades que eles terão que demonstrar que desenvolveram. Tendo em mente o que seus alunos precisarão saber ao final, sua seleção de conteúdos se tornará muito mais objetiva e sua seleção de recursos tenderá a ser muito mais dirigida. Tendo a prova final em mente, você terá um critério muito claro para dar ênfase no que é mais importante e terá uma tendência muito menor de usar os recursos audiovisuais como confete e purpurina.

Não repita aquela bobagem de quem diz que “prova não avalia”. Provas são um excelente método de avaliação. Na maioria absoluta dos casos, quem acha que prova não avalia é justamente quem não sabe preparar uma prova. E não sabe preparar uma prova porque só pensa em fazer isso depois de já terem dado um curso inteiro sem objetivo, sem método e sem consistência. É um erro comum, mas é fácil de ser corrigido – especialmente agora que você já sabe o que deve ser feito.

Você não vai preparar uma prova para avaliar o curso que você preparou, você vai preparar um curso para capacitar seus alunos a corresponder às exigências que você estabeleceu na prova. Você terá um roteiro de desenvolvimento. Você terá um mapa para corrigir sua rota on the fly. Você terá um padrão ouro para checar a qualidade do que está fazendo. E você terá, no resultado geral dos seus alunos, uma avaliação da sua capacidade de preparar um curso adequadamente para transmitir determinados conhecimentos e desenvolver determinadas habilidades. Um bônus inestimável.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/01/2017

Da estupidez ao mau caráter

Assim que escrevi o artigo de ontem sobre a estupidez, eu descobri esta treta aqui, que também ilustra muito bem o que eu disse naquele texto, mas que é muito melhor compreendido se atentarmos para o mau caráter de muitos comentaristas.

O guri da foto fez uma piadinha idiota: colocou na tela do computador a imagem de uma criancinha negra com cara de coitadinha estendendo a mão para pegar algo, tirou uma selfie bebendo um copo de água gelada e postou a foto com a legenda “sai fora, essa é minha”. Uma banalidade, merecia quando muito um “afff… :-P” e mais nada.

Pois bem… Até o presente momento são novecentos e noventa compartilhamentos e cinco mil, duzentos e tantos comentários xingando e ameaçando e aquela hipocrisia toda de quem nunca deu a menor bola para crianças necessitadas e nunca fez porcaria nenhuma para ajudar alguém de fato.

Peraí… Quem comete ofensas e ameaças por causa de uma piadinha não está fazendo algo muito pior do que a suposta ofenso original contida na piadinha? Isso não parece “ligeiramente” mau caráter, não? 

Como isso pode ser deletado a qualquer momento, resolvi copiar uma pequena amostra dos já mais de cinco mil e duzentos comentários.

Os comentários mais frequentes, obviamente, eram ofensas e desejos de maldades:

Idiota!! Um dia Deus vai te mostra o verdadeiro caminho e vai parar de querer aparecer para os outros e receber muitas curtidas!!! Hoje você é um verme!!!.

Essa merda ai tem mãe ???pq se tiver quem merece o xingamento é ela por nao educar esse mlk ??

Queria saber até que ponto chega a ignorância e a imbecilidade de uma pessoa retardada assim!

Nojento seboso

IDIOTA, como todos q compartilharam e curtiram… morram de sede seus vermes filhinhos de papai!

Não podia faltar, é claro, o mau caráter de quem quer calar o que não quer ouvir:

gente, é tao fácil resolver isso, é so denunciar a página, quanto mais denúncias mais rápido ela é excluída, então vamos la derrubar essa página!!!

E não podiam faltar, obviamente, as ameaças:

Brincadeira idiota bunda mole arranca tua cabeça isso sim idiota quero vê se fosse tu la

Filhu da puta merece levar um quebra na rua verme imundo ah se eu foase de tua cidade eu ia tira uma foto tu chorando pedindo perdao mizeravel desprezivel

Felizmente, para não perdermos totalmente a fé na humanidade, havia também alguns comentários de bom senso:

Isso mesmo cambada de cretinos, CHOREEMM MAIS! Pior que esse post ridículo é a falsa indignação de vocês, por uma situação da qual, na realidade, VOCÊS não dão a MÍNIMA! Demonstram falsa indignação coletiva através do ódio, para assim se sobressair com seu ego inchado! Falsos Justiceiros Hipócritas Sociais!

E, para avacalhar de vez os milhares de vermes mimimizentos de mau caráter que o ofenderam e ameaçaram, o guri mostrou que não está nem aí com a palhaçada e fez piada em cima da própria piada, sendo que esta postagem já está com três mil, quatrocentos e poucos compartilhamentos e seis mil e poucos comentários:

Tipo… Fez alguma diferença na vida de alguém que de fato estivesse passando sede? Não. E os vermes mimimizentos, uma vez desembestados na sua sede (com trocadilho) de sangue, continuaram o ataque:

Se quer vitalizar sai correndo pelado na rua (sic)

Era para ser viralizar, óbvio.

Ofensas… 

Lixo lixo lixo..vai fica pior q ele seu merda……estora essa cra de lixo

Ameaças…

Ridículo…Toma cuidado quando sair …Se te pegarem vão te quebrar na porrada vagabundo.

Vai aprodesce.se te vejo te encho de chumbo troxa

Pensa que isso vai muda alguma coisa seu lixo de merda, isso so piora sua situação seu Hipócrita, não sei como ainda tem gente seguindo esse lixo, Si cada um lascasse um processo vc ia vê se fez certo!

E, obviamente, sempre tem um com bom senso:

Ele ja tiro essa foto com consciência dos comentários dos otarios que chinga pra da risada deles kkkkkkkkkk

Enfim…

Um guri faz uma piadinha boba – uma simples piadinha boba – e milhares de imbecis se lançam em fúria contra a piadinha, cometendo no processo um sem número de ofensas e ameaças, muitas das quais certamente passíveis de processo criminal. Estes são os guerreiros da justiça social demonstrando sua verdadeira índole, seu mau caráter e sua completa incoerência e intolerância.

Alguns meses atrás eu estaria esbravejando e espumando de raiva por causa disso.

Hoje eu aproveito para escrever um artigo na boa e sinto um levíssimo, reconfortante e delicioso desprezo!

Por Tutatis! Estou adquirindo imunidade! 🙂 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/01/2017

A estupidez é cansativa

A estupidez alheia é deletéria aos indivíduos razoáveis. A gente (blogueiros, jornalistas, colunistas) detecta uma questão interessante sobre a qual falar, analisa a questão por diversos ângulos, se posiciona, defende uma posição com argumentos lógicos… E aí vem um quadrúpede e deixa pelo texto aquilo que os quadrúpedes costumam deixar pelo chão.

O Túlio Milman, repórter de Zero Hora, escreveu um artigo sóbrio, politicamente correto e com um enorme aviso sobre o que estava e o que não estava dizendo ao pé do texto, bem no estilo “atenção, retardados, não falem besteira” – só que bem educadinho. Mas não adianta. Nunca adianta.

O artigo do Túlio Milman é este:

A maconha será um dos mais lucrativos mercados regulamentados do mundo

A maconha será um dos mais lucrativos mercados regulamentados do mundo no futuro próximo. Não precisa ser guru de marketing para ter certeza. É só olhar o que acontece, entre nuvens de fumaça, nos Estados Unidos.

A liberação do chamado consumo recreativo em uma dezena de Estados é um exemplo de como um tecido econômico saudável se forma. Como a droga ainda é proibida pela lei federal, toda a produção é local. Não há espaço para monopólios e cartéis. Há hoje centenas de pequenos plantadores, pesquisadores e vendedores. Mas, se alguém cruzar a divisa do seu Estado com a planta, corre o risco de ser preso. Isso acaba estimulando o crescimento de uma base plural e democrática.

É lindo ver essa capilaridade, essa inteligência de mercado. Não sejamos ingênuos. As gigantes farmacêuticas e de alimentos estão de olho nesses bilhões de dólares. Só que é mais barato e rápido esperar que as startups da Cannabis nasçam e se engalfinhem na disputa pela sobrevivência. As que crescerem, mais cedo ou mais tarde, serão compradas pelas grandes. É mais barato do que investir diretamente no desenvolvimento de novos produtos. É só assinar o cheque. Com menos riscos e menos custos.

Enquanto isso, sem concentração ou regras viciadas que favoreçam os mais fortes, a economia colhe benefícios.
Além da planta, há acessórios, xampus, cremes, remédios, alimentos, sucos. Marley Natural é a primeira marca global desse mercado. Confira: www.marleynatural.com.

Maconha é uma droga que pode viciar. É proibida no Brasil e em nenhum momento meu texto pretendeu estimular o consumo ou a compra de qualquer produto vinculado a ela. Quero apenas mostrar como uma lógica democrática de mercado faz bem à sociedade. Seja na maconha ou na construção de obras públicas. Monopólios e cartéis, isso sim é uma droga.

Aí vem um quadrúpede logo abaixo e deixa esta resposta:

Essa conversa me lembra aquela frase: “antigamente era feio dar o C e era bonito fumar, hoje é feio fumar e bonito dar o C” (sqn).. Uma campanha mundial e permanente contra o tabagismo e na contramão do interesse de saúde pública essa discussão com a maconha.. Porr.. Quer fumar esta droga fuma carvalho, como eu mesmo já fiz quando era um guri idiota.. Mas não peçam que os outros achem isso bom ou normal.. Ou os retardados acham que os traficantes vão virar padres porque perderão o “emprego”?? Óbvio que não, vão continuar com os mesmos clientes, vendendo outras drogas, ou migrando de crime.. Vai burro, noiado esquizofrênico, assassino de neurônios, fuma tua maconha escondido e não enche o saco..

E outro quadrúpede acrescenta isso:

A de cocaína então… seremos primeiro mundo.

A estupidez destas criaturas é tão grande que não entendo como conseguiram fugir da carrocinha. 

O assunto do artigo do Túlio nem de longe é a maconha. O próprio Túlio diz que considera a maconha uma droga ilegal que pode viciar (vou deixar essa controvérsia de lado neste artigo) e afirma explicitamente que não pretende estimular o consumo de nenhum produto relacionado à maconha e que que seu artigo só pretende “mostrar como uma lógica democrática de mercado faz bem à sociedade”. Está lá, literalmente como citado, muito bem ressalvado e esclarecido. Mas não adianta. A estupidez dos quadrúpedes é feita de um material adamantino à prova de alertas, ressalvas e esclarecimentos.

O quadrúpede lê uma palavra que serve como gatilho para sua estupidez assumir o controle e sai despejando besteira como se tivesse lido outro texto, que só existe na cabeça alucinada dele. E fala como se tivesse grande entendimento sobre o que leu e grande conhecimento sobre o tema, quando obviamente não é o caso nem de uma, nem de outra. E outros quadrúpedes ecoam a estupidez do primeiro, ou acrescentam as suas próprias, até que o debate se perde coice abaixo. Irrecuperavelmente.

Céus, como a estupidez me cansa.

A estupidez me cansa tanto que eu já tentei todo tipo de estratégia possível para lidar com ela: desde explicar as coisas várias vezes, com toda a paciência, uma vez por um ângulo, outra vez por outro ângulo, tentando fazer o quadrúpede entender que pantufa não é ferradura, até simplesmente escoicear de volta, de saco cheio, passando por todo o espectro possível e imaginável entre uma coisa e outra. Nunca adiantou.

Chegou um momento em que eu tive que desenvolver uma estratégia que eu sempre abominei: eu tive que parar de me importar com a estupidez. O problema é que isso requer perder o respeito pelo estúpido, uma coisa que eu, como defensor aguerrido dos Direitos Humanos, nunca consegui tolerar, muito menos aceitar, muitíssimo menos praticar. Porém, após esgotar todas as alternativas, eu finalmente me rendi à necessidade, em nome de minha própria sanidade mental, e parei de me importar no mais alto grau que estava a meu alcance.

De modo não muito eficaz, diga-se. Porque, apesar de todos os esforços, e embora muito menos do que num passado recente, a estupidez ainda me cansa.

Como diria o Hardy: “Oh, céus! Oh, vida!” 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/01/2017