Este artigo tem por objetivo servir como ponto de inflexão não apenas para a trajetória do blog Pensar Não Dói, mas para toda a minha trajetória na internet. Eu fiz muitas tentativas de corrigir a rota em meio a um grande stress pessoal e uma crescente insatisfação com a qualidade das interações que tenho obtido no meio virtual e nenhuma deu certo. Mais de uma vez eu achei que tinha encontrado um equilíbrio e no entanto saí do prumo. Minha saúde está em risco, então medidas drásticas são necessárias.

No dia 27/02/2016 eu escrevi o seguinte no Facebook:

DESABAFO

Tá difícil. Tá muito difícil.

Eu participo de uns poucos grupos de debates no Facebook. Um deles é a recriação de uma antiga comunidade do Orkut em que rola um bate-boca constante e ácido entre esquerdistas e direitistas. Como eu compartilhava os artigos do blog com frequência por lá, um ou outro se tornou leitor do meu blog.

Pois eu compartilhei lá o status em que eu questionava a estupidez da nova “lei anti-terrorismo” que define que o *mesmíssimo* ato é terrorismo se o perpetrador for ligado à Al Qaeda e não é terrorismo se o perpetrador for ligado ao MST.

Nisso veio um esquerdopata com aquele mimimi pervertido dizendo que “o MST não invade, o MST ocupa” e outras canalhices. E eu perdi a paciência e entrei com os dois pés na garganta do sujeito. Chumbo trocado: canalha pra lá, imbecil pra cá, palhaço pra lá.

Só algumas horas depois eu fui perceber que era um antigo leitor do blog que fazia tempo que não dava as caras por lá. Chato isso.

Tudo bem, o sujeito já havia abandonado o blog faz tempo, com certeza viu inúmeras postagens minhas no grupo, nunca comentou e nunca me adicionou. Na primeira vez que comentou algo, foi para exaltar o exército ilegal do PT. Não perdi nada.

O problema real foi eu ter perdido a paciência. Está difícil lidar com tanta perversão ideológica ultimamente.

O que me incomoda, obviamente, não é a divergência de idéias. É a perversão das idéias e dos argumentos. É o asco que dá ao ver a indecência virar tanto objetivo quanto método.

É uma besta defendendo a Dilma aqui e me chamando de coxinha se eu questiono, é outra besta defendendo Bolsonaro ali e me chamando de comunista se eu questiono…

É uma besta defendendo o Sakamoto, dizendo que ostentação deveria ser crime, é outra besta defendendo o Olavão, dizendo que o Obama é comunista…

É tanto retardamento e tanta polarização entre duas quadrupedices pseudo-antagônicas que se retroalimentam mutuamente como num moto-perpétuo que eu não tenho mais prazer em lançar bons debates, sabendo que tudo será arrastado para a lama da ignorância e da intolerância por essas mentes obliteradas.

O pior de tudo é que tenho amigos de longa data, pessoas que eu prezo, entre as amebas lobotomizadas dos dois lados. Gente que tem um lado bom e honesto e que no entanto defende causas que transformam meu mundo num inferno e que produziriam atrocidades se não fossem combatidas.

E são impermeáveis à razão e me acusam exatamente do que são.

Eu ainda não sei bem o que fazer, mas já entrei no processo de avaliação para tomar alguma decisão – que provavelmente terá que ser drástica e brutal, já que não é uma opção dialogar com racionalidade e razoabilidade e muito menos permitir a estes intolerantes e defensores do indefensável que continuem me embrutecendo.

Estou chegando ao limite.

–//–

Ontem, 27/02/2017, eu escrevi o seguinte no Facebook:

DECISÃO

Bem, eu cheguei ao limite. Passei mais um ano me estressando depois de escrever isso, até que num momento de raiva bloqueei justamente uma pessoa que me ajudava a divulgar meu blog por causa de um comentário estúpido.

Foi ótimo ter relido isso justo hoje. Minha decisão está tomada. Vou manter o “recesso parcial” que decidi fazer por um tempo (já definido) e então voltarei a postar com maior intensidade. E não vai haver espaço para defesas da direita e da esquerda na minha linha do tempo.

Nada de marxismo. Nada de feminismo. Nada de anarco-capitalismo. Nada de defesa do Lula. Nada de defesa do Bolsonaro. Nada de defesa do Olavo de Carvalho. Nada de falar em socialismo democrático. Nada de falar em intervenção militar constitucional.

Não quero saber destas bobagens na minha linha do tempo. Não comentem isso aqui.

Se quiserem falar sobre isso comigo em suas linhas do tempo ou em algum grupo de discussão, então me chamem com uma mensagem, não na postagem principal, que aparece na minha linha do tempo. Não vou aprovar a postagem destas coisas no meu espaço pessoal.

SE eu aceitar discutir isso noutro lugar, não vou poder reclamar. Na minha linha do tempo estes assuntos não entram mais. Minha saúde está acima de quaisquer outras considerações.

–//–

VISÃO DE MUNDO

No dia 31/10/2013, depois de muitos anos de análise, eu cheguei a uma terrível conclusão: só existem três tipos de pessoas quanto à estrutura de pensamento lógico.

O primeiro tipo são as pessoas que partem das evidências, usam o raciocínio lógico e chegam a conclusões coerentes com as evidências e com a lógica. 

O segundo tipo são as pessoas que partem das conclusões que desejam estabelecer e então selecionam somente os fatos que lhe interessam e distorcem a lógica o quanto for necessário para sustentar suas afirmações. Este tipo de pessoa é indistinguível do mau caráter.

O terceiro tipo são as pessoas que partem de qualquer lugar e não chegam a lugar nenhum, ou porque são incapazes de reconhecer evidências, ou porque possuem falhas incapacitantes na estrutura de raciocínio lógico, ou ambos. Este tipo de pessoa é indistinguível do estúpido.

E o terrível é que muitas vezes o segundo tipo é indistinguível do terceiro.

Eu não sei se as todas as pessoas do segundo tipo são mesmo gente de mau caráter, nem sei se todas as pessoas do terceiro tipo são mesmo gente estúpida, nem pretendo torturar mais meus pobres neurônios tentando distinguir o segundo tipo do terceiro tipo.

O que me interessa a partir de hoje é dedicar meu tempo e minhas energias exclusivamente a pessoas do primeiro tipo. Mas tem mais uma coisa muito, muito, muito importante.

Eu não sou um juiz de direito penal em atividade 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eu não sou obrigado a conferir presunção de inocência a ninguém. Eu estou tentando superar um stress imenso, pretendo proteger minha saúde de modo implacável e isso está muito acima de levar em consideração que a intenção de alguém que postou no meu Facebook ou no meu blog algo que parece uma provocação ou um ataque ou qualquer coisa que pareça mal intencionada talvez não seja má.

Se eu postei isso aqui para você ler, você já sabe que está desarmando uma bomba-relógio.

Eu não quero e não vou me estressar.

Grato pela compreensão.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/02/2017

7 thoughts on “Um desabafo, uma decisão, um olhar para o futuro

  1. Primeiro acesso? Clique aqui. • Pensar Não Dói
  2. Como eu disse no Facebook, às vezes é necessário tomarmos medidas mais drásticas para evitar uma stress enorme a longo prazo. Acho que você tomou a decisão certa.

    1. Tambem acho. É hora de dar uma pausa.

    2. É o que estou fazendo.

  3. No mundo virtual aprendi muito,especialmente em relaçao a mim. Não posso mudar os outros,mas posso mudar coisas ao meu redor. Adotei 10 gatos de rua, 1 cachorro,dou comida
    para os pombos e alguns gatos que ficam perto da minha casa,varro metade da minha rua,ajudo as pessoas
    quando posso,escuto quando alguém precisa falar. Fiz um blog para mostrar minha cidade,como eu a vejo,e o resto?Fica tudo dentro dos meus limites humanos.
    Não posso mudar o mundo,mas posso tentar ser a mudança que gostaria de ver.
    FÁCIL ? Nunca!
    Tem gente que me odeia porque dou comida para os gatos abandonados.
    Tem gente que me xinga por causa dos pombos.
    Tem gente que me chama de GARI.
    Tem gente que me acha idiota por ser agente comunitária.
    E tem os vizinhos que implicam com o cão que late e com os gatos que miam,quando
    tem outros gatos por perto.
    Sem esquecer que virei coxinha…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *