Volta e meia eu passo pelo macaco falante e lá está ele esfaqueando a própria perna, gemendo de dor e reclamando de como a vida é ruim para ele.

Então eu chego para o macaco falante e digo:

– Urko, para deixar de sentir dor, basta deixar de esfaquear a própria perna!

E o macaco falante responde contrariado:

– Quem você pensa que é para dizer o que eu devo ou não devo fazer?

Ou:

– Isso é a sua opinião! Você não pode querer impor sua opinião sobre os outros!

Ou:

– Isso é coisa coisa de quem odeia preto e pobre andando de avião!

Ou:

– Imposto é roubo!

E continua esfaqueando a própria perna.

No dia seguinte, lá está o macaco falante, mancando, com uma ferida infeccionada na perna, gemendo de dor.

Então eu digo:

– Eu te disse! Eu te disse! Eu te disse!

E o macaco falante responde:

– Tá vendo?! Isso é culpa sua! Você botou mau olhado! 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/03/2017

6 thoughts on “Eu e o macaco falante

  1. É triste isso, mas você quase nunca pode salvar as pessoas de sua própria estupidez.

    1. É triste e é desesperador.

  2. Hehehehehehe (eu não deveria rir, é uma tragédia, mas a descrição da situação foi hilária), é assim mesmo.

    1. Todo santo dia.

  3. Bem-vindo ao mundo real! Sofrer pela idiotice alheia é sinal de evolução espiritual.
    Quem não liga pra nada não muda nada.

    Ignore o bicho após a terceira tentativa.

    Tudo é um direito, até agir como ameba.

    1. É, mas também é um direito se afastar de quem age assim.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: