Michel Temer e Gilmar Mendes foram burros

Ao invés de perpetrar aquela farsa pornográfica no TSE, Michel Temer e Gilmar Mendes tinham a sua disposição uma estratégia muito melhor para exorcizar de vez o fantasma da aliança com o PT, cassar os direitos políticos da Dilma, evitar a desmoralização do ministro do STF, livrar a cara do presidente da República e ainda mantê-lo no cargo com legitimidade redobrada.

A solução era muito simples: cassar a chapa Dilma-Temer no TSE, cassando os direitos políticos de Dilma mas não o de Temer, e então, na eleição indireta que necessariamente seria chamada para escolher o novo presidente da República para um mandato-tampão até o final de 2018, reconduzir Michel Temer ao cargo. Acordão por acordão, este teria sido uma manobra de alta categoria.

Michel Temer lançaria “uma pá de cal oficial” no discurso do golpe, imputando a queda da chapa exclusivamente à corrupção do PT, conferiria total legitimidade ao restante de seu mandato e se reempoderaria como presidente da República, consolidando sua aliança com o Congresso Nacional e abrindo caminho para a aprovação de todas as reformas que seu governo deseja fazer.

Gilmar Mendes, por sua vez, não precisaria bancar o jagunço para defender o mandato de Temer, não se desmoralizaria daquele modo vergonhoso e não queimaria desnecessariamente aquele imenso cartucho, podendo defender o sinhozinho mordomo de filme de terror por mais algum tempo com alguma credibilidade.

O Brasil teria a arena política pacificada, a economia estabilizada e metade da mídia dando piti, metade dando risada.

Nada mal, né? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/06/2017

Oito anos de blog

Hoje, 24/06/2017, o Pensar Não Dói completa oito anos. Foram seis anos e meio muito ativos seguidos de uns meses de parada e depois um retorno tímido, mas o projeto não está morto e ainda vai se reinventar. Meu muito obrigado a todos os leitores que me acompanharam nesta jornada e muito em especial aos que se tornaram meus amigos ao longo do caminho. Um abraço a todos! 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/06/2017

Vermilândia – um país de covardes

Aqui não é a Macacolândia, é a Vermilândia – um país de covardes. Meu pai foi assaltado hoje à tarde. No centro de Porto Alegre, com CENTENAS de pessoas ao redor. Ele estava olhando a vitrine de uma loja com minha mãe quando um canalha o agrediu pelas costas e outro enfiou a mão no bolso dele e roubou todo o dinheiro que ele carregava. Ambos tem mais de setenta anos. VÁRIAS pessoas viram tudo o que aconteceu e NINGUÉM esboçou qualquer reação. Eram apenas DOIS covardes agredindo pessoas de idade no meio de centenas de pessoas que se ACHAM cidadãs e não fizeram NADA. Os vermes que se omitiram são ainda mais covardes do que os ladrões.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/06/2017

Delação premiada homologada não pode ser revista

Uma vez que o Estado tenha fechado um acordo, inclusive de delação premiada, não pode rever o acordo, a não ser que a outra parte não cumpra suas obrigações. De outro modo, a segurança jurídica e também a credibilidade do Estado para outros acordos restam desmoralizados e perde o Estado a possibilidade de aplicar os mesmos institutos no futuro.

Traduzindo: o que Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes querem é justamente desmoralizar o instituto da delação premiada. Ou vocês acham que estes três opinariam igualzinho em alguma coisa se não fosse uma baita sacanagem com interesses escusos por trás?

Felizmente, desta vez eles não vão levar. Mesmo não tendo acabado ainda, o julgamento já está decidido.

Leia os detalhes na Folha de São Paulo e no Diário de Pernambuco

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/07/2017

Provas não constantes na petição inicial

Du-vi-do que a aberração alegada pelos jagunços de Temer no TSE seja sequer imaginável sem lautas gargalhadas no meio jurídico de qualquer país sério. Apresentarei uma descrição sucinta do que significa excluir as provas não constantes na petição inicial. 

O Ministério Público propõe uma ação criminal por homicídio contra um fulano. Na inicial, apresenta uma faca suja de sangue da vítima, um motivo bastante plausível para o assassinato, meia dúzia de depoimentos incriminadores e um laudo técnico indicando que a faca foi empunhada por um canhoto no momento em que desferiu os ferimentos fatais na vítima, sendo que o suspeito é canhoto.

O processo é aberto, é ouvida a acusação, são ouvidas as alegações da defesa, depoimentos são tomados. Lá pelas tantas, surge um vídeo em full HD com imagem nítida e cristalina e áudio alto e claro que mostra o assassino esfaqueando a vítima com requintes de violência e crueldade enquanto gargalha, conta vantagem e se certifica da morte da vítima com visível satisfação.

Então, quatro dos sete juízes, com a visível intenção de absolver o réu obviamente culpado, em franca contradição com as fundamentações por eles mesmo utilizadas em outros julgamentos recentes, alegam que não se pode apreciar provas não constantes na petição inicial e que os demais indícios não são suficientes para condenar o réu.

É isso o que está rolando no TSE no julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/06/2017