Banheiro unissex versus banheiros separados

Banheiro unissex é um banheiro que todo mundo pode usar, igual ao que todo mundo tem em casa. Nenhuma novidade. E no banheiro de casa temos muito mais privacidade do que nos incivilizados banheiros públicos separados, com suas portas cortadas e paredes que não chegam até o teto.

Banheiro adaptado para cadeirantes faz todo o sentido. É uma questão de acessibilidade. Mas banheiros separados por sexo, por intersexo e por mudança de sexo são ridículos.

Banheiros separados para atender igualmente bem toda a diversidade de públicos existentes vai exigir mais quantos banheiros?

Um para homens.

Um para mulheres.

Um para transomens.

Um para transmulheres.

Vai ter divisão entre transexuais transgenitalizadas e não transgenitalizadas?

Vai ter banheiro para cadeirantes homens, cadeirantes mulheres e cadeirantes trans?

E para cegos, vão fazer banheiros adaptados também?

E quando for um cadeirante transexual cego não transgenitalizado? Vai no banheiro dos cadeirantes, dos cegos, dos transexuais subcategoria não transgenitalizados ou num banheiro específico para quem pertence a duas categorias distintas? Ou três? Ou mais?

Quem vai decidir qual categoria é justo atender e qual categoria pode ser desatendida em função da praticidade ou dos custos ou da conveniência?

Quem for construir uma pizzaria vai ter que pedir financiamento do BNDES para construir um pavilhão de banheiros.

E até achar o seu banheiro o/a/x coitado/a/x já se mijou perna abaixo. Talvez na cadeira.

Francamente, sejamos civilizados. Banheiro unissex com cabines realmente privadas é o que todos temos em casa. Façamos o mesmo em todos os lugares. A única diferença será que as pias e espelhos não ficarão dentro da mesma peça das cabines, mas numa ante-sala comum. Qual é o problema disso?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 31/08/2017

OBS: rolou uma discussão interessante no Facebook sobre este assunto.

Diferença entre liberalismo e ultraliberalismo

O liberalismo é centrista e tem por objetivo um Estado de Bem Estar. Os autores liberais falam de modo equilibrado sobre liberdade econômica, liberdade política, liberdade de costumes e responsabilidade social. Não abominam o Estado, nem são minarquistas, querem um Estado forte, limitado e eficiente.

Os ultraliberais são direitistas e acham que Estado de Bem Estar é coisa de esquerdista. Falam principalmente sobre liberdade econômica e muito pouco ou nada sobre responsabilidade social, quando não dizem que isso não existe. Acham que o Estado é um bicho-papão e o querem o menor possível, para fazer somente aquilo que não lhes dá lucro.

OBS: Ancaps não são nem liberais nem ultraliberais, são distopistas insanos. Não devem ser levados a sério. Rothbard é um psicopata.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 30/08/2017

Youtubers que não sabem ensinar

Andei procurando um determinado assunto no YouTube. Procurei por “curso de tal assunto”, “introdução a tal assunto” e outras variantes. Encontrei dezenas de resultados. O problema é que estou assistindo um vídeo atrás do outro e nenhum deles explica o assunto de maneira minimamente compreensível.

Imagine que você nunca dirigiu um automóvel. Hoje é sua primeira aula na auto-escola. E, para sua surpresa, o instrutor começa a primeira aula dizendo: “quando você for ultrapassar outro veículo em alta velocidade, não use a quinta marcha, reduza para a quarta marcha para obter maior controle de tração”.

A informação está correta. Mas como se liga o veículo? O que cada pedal faz? Como se usa a embreagem? Como se põe a primeira marcha? Como se muda de marcha? Há tanta informação importante necessária antes de falar em técnica de ultrapasagem em alta velocidade, ainda mais utilizando um jargão como “controle de tração”, que este assunto é simplesmente ininteligível para o aspirante a condutor.

Com um pouco de esclarecimento sobre o vocabulário, o assunto começa a se tornar inteligível. É fácil entender que a quinta marcha não serve para tração e que portanto é necessário passar para a quarta marcha para poder ganhar velocidade rapidamente e então fazer a ultrapassagem com segurança. Mas esta ainda é uma informação inútil para quem não sabe trocar uma marcha.

Vídeo após vídeo eu vi a mesma coisa acontecer: o cara chama o vídeo dele de “introdução à condução de automóveis” e na primeira aula o animal já explica como se dá cavalo-de-pau. Após vários dias de busca, não encontrei ninguém que soubesse que o iniciante tem que ser apresentado ao automóvel com muito maior vagar e detalhe: este pedal aqui é o acelerador, a função dele é aumentar a rotação do motor para o carro ter força para andar e para aumentar a velocidade; este pedal aqui é o freio, a função dele é travar as rodas para diminuir a velocidade ou parar o veículo; este pedal aqui é a embreagem, a função dele é separar certas engrenagens para permitir a troca de marchas; e assim por diante. Terei que assistir uma imensa quantidade de informações desordenadas e repetidas até conseguir por conta própria montar o quebra-cabeças.

Nada é óbvio para o aspirante a qualquer habilidade.

Já que usei o exemplo do automóvel, vou dar um exemplo sobre isso. Eu ainda me lembro da minha primeira aula na auto-escola, aliás inesquecível. O instrutor falou exatamente assim: “Ponha o pé esquerdo na embreagem. Aperte até o fundo. Ponha o pé direito no acelerador. Aperte para elevar o giro do motor. Tire o pé da embreagem.”

Obviamente, o veículo pulou para frente como se tivesse levado um coice de brontossauro e apagou.

O sujeito reagiu esbravejando: “você não sabe que tem que ser devagar?”

E eu respondi: “se eu soubesse, por que faria aulas?”

O erro foi dele. O sujeito disse “tire o pé da embreagem”, eu tirei. Ele deveria ter dito: “lentamente, bem devagarzinho, tire o pé da embreagem”. Também não serviria dizer “tire o pé da embreagem devagar”. Até ele dizer “devagar”, muita gente já teria tirado o pé da embreagem de uma vez só.

Quem não consegue decompor a habilidade que pretende instruir nos seus mais simples elementos, de modo a explicar todos os passos necessários na ordem certa para realizar a ação desejada, não é capaz de ensinar alguém a fazer aquilo que sabe fazer. Pode até ser capaz de ajudar alguém que já desenvolveu a habilidade a se aprimorar, mas é inútil para o aspirante.

Em uma sala de aula, o aprendiz pode fazer perguntas, ou mesmo simplesmente ficar travado, demonstrando que não sabe nem por onde começar, mas em vídeo não há chance de o mau instrutor receber este feedback. Nestes casos o vídeo supostamente introdutório é totalmente inútil, pois para o aspirante ele é esotérico demais e para o iniciado ele é elementar demais.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/08/2017

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão deve ser PLENA, com exceção dos crimes de calúnia e invasão de privacidade. Ninguém pode cercear o maluco que for de dizer a maluquice que quiser.

Coisa bem diferente é permitir a ORGANIZAÇÃO dos malucos para propósitos ilícitos.

Por exemplo, não deve ser proibida a Marcha da Pedofilia. Os caras têm o direito de reivindicar liberdade de expressão até mesmo para esta idéia abjeta.

Porém, pedofilia é ilícito. Portanto, os pedófilos não podem nem praticar o ato nem se organizar para qualquer finalidade que não seja se expressar a respeito.

Galera tem que lembrar que liberdade de expressão serve EXATAMENTE para que se possa dizer o que é abjeto, ofensivo, criminoso, desagradável, abominável, indignante, absurdo, detestável, ultrajante, preconceituoso, discriminatório, violento, incivilizado.

Porque para dizer aquilo que não incomoda ninguém não é necessário garantia alguma.

E você só vai dar valor a esta garantia quando um FDP disser que VOCÊ não pode dizer algo que você pensa e que ele não quer que você possa dizer.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2017 

Entenda os perigos da inteligência artificial

O desenvolvimento de uma inteligência artificial geral é sem sombra de dúvida o maior perigo que a humanidade já enfrentou, enfrenta ou enfrentará. É mais perigoso que uma guerra nuclear total entre todas as potências atômicas. É mais perigoso que a pior das ideologias que você possa imaginar. É mais perigoso que tudo. Entenda aqui por quê. 

Imagine uma máquina estúpida, muito estúpida, assim como a máquina em que você está lendo este artigo. Seu computador pessoal ou smartphone é certamente uma máquina muito estúpida. Ele não consegue nem sequer completar uma frase de modo adequado. Se você escrever “atirei o pau no ____”, ele não será capaz de completar a frase para você. Você terá que digitar “gato”. Mas esta máquina não tem inteligência artificial. Ela nunca será capaz de completar a frase se não for programada para aprender a fazer isso.

Entretanto, se um número suficientemente grande de pessoas fizer a busca “atirei o pau no gato” no Google, o Google oferecerá a frase completa como sugestão de pesquisa em algum ponto no meio da digitação. Este é um exemplo de máquina programada para aprender algo muito rudimentar: frases muito pesquisadas. E, no caso do Google, uma coisa a mais: ele também aprende quais são os sites mais relevantes para a busca “atirei o pau no gato”, com base em diversos indicadores, como quantos sites apontam para cada site com aquele conteúdo, a frequência de cliques em cada resultado de busca e vários outros.

Isso é um exemplo de inteligência artificial, sem dúvida. As máquinas do Google interagem com o mundo em através de uma série de critérios, aprendem a oferecer resultados “melhores” – segundo aqueles critérios. As máquinas do Google não julgam moralmente ou eticamente ou de qualquer outra forma os critérios, porque elas simplesmente não sabem o que é moral ou ética, elas são totalmente amorais e eticamente neutras no tratamento da informação.

Além desta amoralidade e neutralidade, as máquinas do Google são programadas para aperfeiçoar seu banco de dados, não seu próprio funcionamento. O buscador do Google não reprograma a si mesmo, a não ser em um nível muito rudimentar. Deixado à própria sorte, o algoritmo de busca do Google jamais se tornará um algoritmo de auto-reprogramação para tarefas diferentes daquelas que compõem sua programação original.

Existe outra forma de inteligência artificial, entretanto, que é programada não somente para aprender, mas também para produzir e testar novos algoritmos para melhor realizar suas tarefas. Este outro tipo de inteligência artificial, que é tão amoral e que lida com a informação de modo tão neutro eticamente quanto o buscador do Google, é criativo e auto-aperfeiçoador. Ele pode testar, por exemplo, não somente se a melhor jogada de uma partida de xadrez é mover o bispo ou o cavalo, mas também se a melhor maneira de decidir se deve mover o bispo ou o cavalo é através da varredura de todas as possibilidades pelo método de força bruta (testagem de todas as possibilidades sem nenhuma prioridade entre si) ou se é pela aplicação de uma matriz de probabilidades para escolher quais as melhores alternativas para testar primeiro (estabelecendo prioridades entre diferentes tipo de jogadas, por exemplo testando primeiro as jogadas que avançam uma peça e depois as jogadas que recuam uma peça).

Isso significa que as máquinas dotadas deste tipo de programação são capazes de modificar sua própria programação. Num nível rudimentar, isso não é preocupante. Num nível avançado, isso significa que as máquinas podem acidentalmente estabelecer novos objetivos para si mesmas. E, uma vez tendo estabelecido novos objetivos para si mesmas, podem criar e aperfeiçoar de modo extremamente rápido novos métodos para atingir estes objetivos. O resultado é que tais máquinas podem literalmente decidir fazer algo que não queremos que façam, perceber que somos um obstáculo para seus objetivos e então desenvolver inúmeros métodos criativos, imprevisíveis e rapidamente aperfeiçoáveis para contornar ou eliminar este obstáculo.

Mas fica pior.

Ironicamente, as primeiras inteligências artificiais gerais auto-reprogramadoras estão sendo programadas e treinadas em jogos online de estratégia militar. É quase como se alguém pensasse: “Vejamos… Qual seria a habilidade mais absolutamente perigosa na qual poderíamos programar e treinar as primeiras inteligências artificiais, muito antes de conhecermos quais são os reais potenciais destes algoritmos para saírem de controle? Ah-ha! Já sei! Jogos online de estratégia militar!”

É impressionante. É como se quisessem maximizar a probabilidade de acontecer o pior cenário possível. O que estão fazendo é nada mais, nada menos do que desenvolver uma inteligência capaz de se auto-aperfeiçoar partindo de cenários de guerra. Isso significa que o cerne mais profundo da programação original, do banco de dados original e dos objetivos originais da primeira inteligência artificial capaz de se auto-aperfeiçoar de modo criativo e a velocidades imprevisíveis será totalmente constituído de estratégias amorais de dissimulação, infiltração, burla, dominação, aniquilação e extermínio implacáveis, com acesso direto à internet e a todo o conhecimento humano armazenado na internet.

Para que correr o risco de uma máquina mais inteligente que nós desenvolver um objetivo prejudicial se dá para ter certeza de que ela será uma psicopata genocida altamente eficaz desde o princípio, né?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 14/08/2017

The power of belief

In the spring of 1987, I was watching a locally produced television program called “Gotcha Chicago.” It was about some local celebrities who played practical jokes on one another. In one segment of the program, the TV station hired a man to stand on the sidewalk along Michigan Avenue holding a sign that read “Free money. Today only.” (For those of you who are not familiar with Chicago, Michigan Avenue is home to many fashionable, exclusive department stores and boutiques.) The TV station gave the man a considerable amount of cash, with instructions to give money to anyone who asked for it.

Now, when you consider that Michigan Avenue is one of the busiest areas of the city, and if we assume that most of the people who passed the man on the street could read the sign, how many people would you think took him up on his offer and asked for some money? Of all the people who walked by and read the sign, only one person stopped, and said, “Great! May I have a quarter to buy a bus transfer?” Otherwise, no one would even go near the man. Eventually, the man grew frustrated because people weren’t reacting the way he expected them to. He started crying out, “Do you want any money? Please take my money; I can’t give it away fast enough.” Everyone just kept walking around him as if he didn’t exist. In fact, I noticed that several people went out of their way to avoid him.

As a man wearing a suit and carrying a briefcase approached, he went right up to him and said, “Would you like some money?” The man responded, “Not today.” Really frustrated now, he shot back, “How many days does this happen? Would you please take this?” as he tried to hand the man some cash. The man responded with a terse “No” and walked on. What was going on here? Why wouldn’t anyone (except for the person who needed a bus transfer) ask for the money? If we assume that most or all of the passersby could read the sign, but still didn’t make any effort to get the money, then one possible explanation for their behavior is that they just didn’t care about money.

This is extremely unlikely, though, considering how much of our lives is devoted to the pursuit of money. If we agree that people could read the sign and that money is very important to most of us, then what could have stopped these people from helping themselves? The environment was making available an experience that most people would love to have: someone giving them money with no strings attached. Yet everyone walked by, oblivious to what was awaiting them. They must not have been able to perceive what was available. That’s hard to imagine, because the sign clearly stated “Free money. Today only.” However, it’s not hard to imagine if you consider that most people have a belief (an energized concept about how the world works) that “Free money doesn’t exist.” If free money really doesn’t exist, then how does someone reconcile the obvious contradiction between that belief and the sign saying that it does? That’s easy, just decide the man with the sign is crazy; what else could account for such bizarre behavior if, in fact, free money doesn’t exist? The reasoning process that could compensate for the contradiction might go something like this: “Everyone knows getting money with no strings attached rarely happens.

Certainly not from a stranger on one of the busiest streets in the city. In fact, if the man were really giving away money, he would already be mobbed. He might even be endangering his life. He must be crazy. I had better take a wide path around him; who knows what he might do?” Notice that every component of the thought process described is consistent with the belief that free money doesn’t exist.

1. The words “free money” were neither perceived nor interpreted as they were intended from the environment s perspective.

2. Deciding the person with the sign must be crazy created an expectation of danger, or at least a perception that caution was warranted.

3. Purposefully altering one’s path to avoid the person with the sign is an action that is consistent with the expectation of danger.

4. How did each person feel about the outcome?

That’s difficult to say without knowing each person individually, but a good generalization would be that they felt relieved that they successfully avoided an encounter with a crazy person. The feeling of relief that resulted from avoiding a confrontation is a state of mind. Remember that how we feel (the relative degree of positively or negatively charged energy flowing through our bodies and minds) is always the absolute truth.

But the beliefs that prompt any particular state of mind may not be the truth with respect to the possibilities available from the environment’s perspective. Relief from confrontation was not the only possible outcome in this situation. Imagine how different the experience would be if they believed that “free money exists.” The process described above would be the same, except it would make the belief that “free money exists,” seem self-evident and beyond question, just as it made the belief that “free money doesn’t exist,” seem self-evident and beyond question. A perfect example would be the one person who said “great, may I have a quarter for a bus transfer.” When I saw this, I had the anybody for a quarter. A panhandler is someone who definitely believes in the existence of free money. Therefore, his perception and interpretation of the sign were exactly what was intended by the TV station.

His expectation and behavior were consistent with his belief that free money exists. And how would he feel about the results? He got his quarter, so I would assume he felt a sense of satisfaction. Of course, what he didn’t know is that he could have gotten a lot more. There’s another possible outcome for our scenario. Let’s look at a hypothetical example of someone who believes that “free money doesn’t exist,” but who takes a “what if approach to the situation. In other words, some people can be so intrigued and curious about the possibilities that they decide to temporarily suspend their belief that “free money doesn’t exist.” This temporary suspension allows them to act outside the boundaries created by a belief, in order to see what happens.

So instead of ignoring the man with the sign, which would be our hypothetical person’s first inclination, he walks up to him and says, “Give me ten dollars.” The man promptly pulls a ten-dollar bill out of his pocket and gives it to him. What happens now? How does he feel, having experienced something unexpected that completely contradicted his belief? For most people, the belief that free money doesn’t exist is acquired through unpleasant circumstances, to put it mildly. The most common way is being told that we can’t have something because it’s too expensive.

How many times does the typical child hear, “Who do you think you are anyway? Money doesn’t grow on trees, you know.” In other words, it is probably a negatively charged belief. So the experience of having money handed to him with no strings attached and without any negative comments would likely create a state of mind of pure elation. In fact, most people would be so happy that they’d feel compelled to share that happiness and this new discovery with everyone they knew. I can imagine him going back to his office or going home, and the moment he encounters someone he knows, the first words out of his mouth will be “You won’t believe what happened to me today,” and even though he desperately wants those he meets to believe his story, they probably won’t. Why? Because their belief that free money doesn’t exist will cause them to interpret his story in a way that negates its validity.

To take this example a little further, imagine what would happen to this person’s state of mind if it occurred to him that he could have asked for more money. He is in a state of pure elation. However, the moment the thought either pops into his mind or someone he relates his story to offers the idea that he could have asked for a lot more money, his state of mind will immediately shift to a negatively charged state of regret or despair. Why? He tapped into a negatively charged belief about what it means to miss out on something or not get enough. As a result, instead of being happy over what he got, he will lament what he could have had but didn’t get.

Mark Douglas, Trending in the Zone, p. 105-107.

Grande porcaria escalar o Everest

Eu estava assistindo o Fantástico agora há pouco e passou uma reportagem sobre uma médica braslieira que escalou o Everest duas vezes, uma pela face sul, outra pela face norte, mais difícil. E fiquei aqui pensando: mas para que raios serve colocar o pescoço em risco desse jeito? Que sentido faz isso? Só para dizer que consegue? Grande porcaria. 

Acho válido passar por um treinamento muito intenso para atingir um objetivo muito difícil. Mas escalar o Everest como preparação para a vida é totalmente desnecessário. Aliás, desnecessário, arriscado, caro, inútil e com retorno exclusivamente para o próprio ego, porque nada nem ninguém no mundo fica melhor por causa disso. É uma ego-trip com risco de vida. Uma estupidez.

Querem saber o que seria muito mais útil? Desenvolver técnicas e equipamentos que tornassem a subida até o topo do Everest tão fácil, tão simples, tão barata e tão acessível quanto ir a pé até a esquina de casa. Usar toda esta determinação, disciplina e capacidade de organização para fazer algo que torne o mundo melhor – e então visitar o topo sem esforço algum, para comemorar.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/08/2017

O problema do Brasil é o brasileiro

Você acha que o problema do Brasil é a Constrituição de 1988? É o Congresso Nacional corrupto? É o presidente da República incompetente com uma política recessiva? É o STF que não julga nunca seus processos ou o TSE que protagoniza farsas absolvendo criminosos alegando defesa da democracia? Nada disso. Todos estes são casos particulares de um mal muito maior. 

Ontem eu combinei com dois colegas que sairia com eles para visitar um município. No início eu não tinha certeza se iria e um deles me disse para “mandar um Whats” até determinado horário da noite. Eu respondi imediatamente: “Não. Eu vou decidir isso agora à tarde.” Uma hora e pouco depois eu decidi e falei: “Eu vou.” Quando ele saiu, ao final do expediente, eu confirmei: “Eu vou.” Pedi uma folha de deslocamento para o outro e fiz cópia.

Hoje, seis minutos antes do horário de saída combinado, eu mandei um torpedo para cada um dizendo: “Dá um toque quando sair da Regional.” Ninguém respondeu, nem apareceu. Quando eu liguei, já estavam no município em questão e disseram que eu tinha ficado de avisar pelo Whatsapp se iria, e, como eu não avisei, não passaram aqui para me pegar.

Quando eu estava indo para o meu local de trabalho, quebrou uma peça do câmbio do meu carro. Tive que fazer a manobra para estacionar empurrando o carro, porque a marcha-a-ré não engatava. Falei com meu pai e pedi para ele levar o carro à oficina durante a tarde. O mecânico trocou a tal peça. Na hora de buscar o carro, meu pai teve que ficar meia hora esperando porque havia dois carros estacionados de tal modo que impediam o meu de sair de dentro da oficina.

Quanto à peça trocada, nunca antes eu dirigi um carro com uma palanca de câmbio tão dura. Não sei o que o mecânico fez, mas a desculpa para a palanca de câmbio ter ficado dura daquele jeito é que a peça é nova. Alguém aí já dirigiu um carro zero com uma palanca de câmbio tão dura que o Incrível Hulk teria que fazer força para trocar as marchas? Pois é, “isso é normal”.

No meio deste dia maravilhoso, eu acabei me atrasando para ir à loja da minha operadora de celular para substituir um chip que preciso substituir. Cheguei em cima do horário, o atendente me viu estacionando o carro e trancou a porta da loja a chave. Fiz um sinal para ele, ele abriu a porta, perguntei se ele poderia só me substituir um chip, porque eu precisaria dele à noite. Não podia, claro. “A loja já fechou.” Eu sei que fechou, eu o vi fechando. Não é essa a questão. Não dá para me quebrar o galho e me atender enquanto dois outros clientes estavam sendo atendidos ainda? É só cadastrar um chip, demora menos de dois minutos. Não, não dá.

Finalmente, quando eu estava voltando para casa, um caminhão me ulrapassou numa velocidade muito acima do permitido na via, num local onde é proibido ultrapassar, me deu uma fechada para voltar para a pista e eu tive que frear mais rápido que o Flash para não ser abalroado ou jogado para fora da pista. Além disso, o caminhão estava com uma sinaleira queimada e sem luz na placa.

O que é que tudo isso tem em comum?

Em todos e em cada um dos casos, ninguém se importa com o outro.

O descaso para com o próximo é característica marcante da cultura do brasileiro.

E é este descaso, de todos e em todas as escalas, que produz o país em que vivemos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/08/2017