Você acha que o problema do Brasil é a Constrituição de 1988? É o Congresso Nacional corrupto? É o presidente da República incompetente com uma política recessiva? É o STF que não julga nunca seus processos ou o TSE que protagoniza farsas absolvendo criminosos alegando defesa da democracia? Nada disso. Todos estes são casos particulares de um mal muito maior. 

Ontem eu combinei com dois colegas que sairia com eles para visitar um município. No início eu não tinha certeza se iria e um deles me disse para “mandar um Whats” até determinado horário da noite. Eu respondi imediatamente: “Não. Eu vou decidir isso agora à tarde.” Uma hora e pouco depois eu decidi e falei: “Eu vou.” Quando ele saiu, ao final do expediente, eu confirmei: “Eu vou.” Pedi uma folha de deslocamento para o outro e fiz cópia.

Hoje, seis minutos antes do horário de saída combinado, eu mandei um torpedo para cada um dizendo: “Dá um toque quando sair da Regional.” Ninguém respondeu, nem apareceu. Quando eu liguei, já estavam no município em questão e disseram que eu tinha ficado de avisar pelo Whatsapp se iria, e, como eu não avisei, não passaram aqui para me pegar.

Quando eu estava indo para o meu local de trabalho, quebrou uma peça do câmbio do meu carro. Tive que fazer a manobra para estacionar empurrando o carro, porque a marcha-a-ré não engatava. Falei com meu pai e pedi para ele levar o carro à oficina durante a tarde. O mecânico trocou a tal peça. Na hora de buscar o carro, meu pai teve que ficar meia hora esperando porque havia dois carros estacionados de tal modo que impediam o meu de sair de dentro da oficina.

Quanto à peça trocada, nunca antes eu dirigi um carro com uma palanca de câmbio tão dura. Não sei o que o mecânico fez, mas a desculpa para a palanca de câmbio ter ficado dura daquele jeito é que a peça é nova. Alguém aí já dirigiu um carro zero com uma palanca de câmbio tão dura que o Incrível Hulk teria que fazer força para trocar as marchas? Pois é, “isso é normal”.

No meio deste dia maravilhoso, eu acabei me atrasando para ir à loja da minha operadora de celular para substituir um chip que preciso substituir. Cheguei em cima do horário, o atendente me viu estacionando o carro e trancou a porta da loja a chave. Fiz um sinal para ele, ele abriu a porta, perguntei se ele poderia só me substituir um chip, porque eu precisaria dele à noite. Não podia, claro. “A loja já fechou.” Eu sei que fechou, eu o vi fechando. Não é essa a questão. Não dá para me quebrar o galho e me atender enquanto dois outros clientes estavam sendo atendidos ainda? É só cadastrar um chip, demora menos de dois minutos. Não, não dá.

Finalmente, quando eu estava voltando para casa, um caminhão me ulrapassou numa velocidade muito acima do permitido na via, num local onde é proibido ultrapassar, me deu uma fechada para voltar para a pista e eu tive que frear mais rápido que o Flash para não ser abalroado ou jogado para fora da pista. Além disso, o caminhão estava com uma sinaleira queimada e sem luz na placa.

O que é que tudo isso tem em comum?

Em todos e em cada um dos casos, ninguém se importa com o outro.

O descaso para com o próximo é característica marcante da cultura do brasileiro.

E é este descaso, de todos e em todas as escalas, que produz o país em que vivemos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/08/2017 

7 thoughts on “O problema do Brasil é o brasileiro

  1. Concordo em gênero, número e grau, não exite povo mais FDP do que brasileiro meu caro Arthur.

    1. Olha, existe. Mas isso não nos redime.

  2. Ola,
    Sou Frances. Quando cheguei no Brasil, há quase 10 anos, depois de 6 meses eu disse à minha esposa: o Brasil não é um país de 200 milhões de pessoas. O Brasil é 200 milhões de países com 1 habitante cada. Sem trabalho em equipe e com uma enorme individualismo. Mas o nosso mundo nos coloca na frente de problemas que não podem ser resolvidos sem equipe. E aqui, como as pessoas não trabalham juntos, nada acontece.
    Alguns anos depois, a derrota 7-1 contra a Alemanha foi uma demonstração : de um lado uma equipe de 11 alemães. No outro lado, 11 equipes brasileiros de 1 jogador cada. Quando vc bate a equipe de 11 alemães, ela se reforça. Quando vc bate as 11 “equipes” de brasileiro, eles se dispersam.

    1. O brasileiro é um egoísta que gosta de políticas coletivistas. É de fundir a cabeça da gringalhada. 😛

  3. Artigo desagradável. Doloroso.

    Mas acho que infelizmente há muito de verdade nele. Acho que a proporção de cidadãos entre os habitantes é baixa. Não é inexistente, mas é muito baixa.

    1. Sim. Nós não levamos a solidariedade a sério. Não temos exemplos de solidariedade real na política, nem no mercado. Não educamos para a solidariedade e ainda debochamos de quem mantém a convicção nos ensinamentos “para crianças”.

  4. Tudo que vc falou é verdade,lamentavelmente. Cidadania zero,educação zero,gentileza zero.

    EU não quero estar deste lado da força.

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