Conjuntura

O esporte nacional não é o futebol, é reclamar e achar que “alguém” tem que fazer alguma coisa. O povo ou vai aceitar passivamente que os caras que os roubaram tomem seus direitos e seu dinheiro para tapar o rombo que criaram, ou em algum momento vai explodir em violência uns contra os outros, sem focar em quem deveria ser o verdadeiro alvo.

O tragicômico nessa história é que isso estava evidente desde a época do Mensalão. Se tivessem metido o Lula na cadeia em 2005, junto com toda a corja de bandidos que se vendeu, e anulado todos os atos legislativos da época, como era o certo a fazer, o Brasil teria tomado outro rumo de desenvolvimento. Porém, temos aqui a cultura de que “a justiça tem que ser sóbria, não pode ser exagerada”…

Quanto ao rumo econômico do Brasil, só poderia ser pior se continuasse na mão do PT. A receita de recuperação escolhida é tão desastrosa que até o FMI não a defende mais. Ela faz a recuperação demorar mais e torna mais difícil e sofrida a vida do povo neste período. Sendo que existe um método *muito* melhor, muito bem testado, muito rápido e eficaz para promover o desenvolvimento econômico: bastaria imitar o que a Alemanha fez logo após a Segunda Guerra Mundial. Pesquise “ordoliberalismo” e “economia social de mercado”.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/01/2017

Eu quero igualdade de direitos para valer

Se um grupo ideológico divide a sociedade em termos de sexo, cor e orientação sexual, criando uma situação que me coloca em risco por ser homem, branco e heterossexual, e eu não vejo a maioria das mulheres, não-brancos e homossexuais rejeitando as posições intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda, o mais razoável é que eu me deprima e aceite as teses supremacistas que me violentam ou que eu me defenda em busca de sobrevivência com todos os recursos que estiverem a meu alcance, sem me importar nem com quem está me prejudicando, nem com quem está me negligenciando?

macacos-falantes

Este tipo de raciocínio, de modo ou mais ou menos refinado, ou mais ou menos agressivo e ou mais ou menos consciente está se tornando rapidamente cada vez mais forte entre a população masculina branca heterossexual, tanto mais intensamente quanto mais a esquerda insiste em afirmar que “os homens brancos heterossexuais estão com medo de perder seus privilégios” e as mulheres, não-brancos e homossexuais se omitem em rejeitar as teses intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda.

Se não houver uma ampla e imediata tomada de consciência de que a esquerda plantou – vou repetir – teses sexistas, racistas e heterofóbicas entre nós, com o objetivo de cindir a sociedade para dominá-la, a esquerda terá conseguido criar exatamente o conflito que ela afirmava querer eliminar, atingindo com êxito o objetivo de criar uma antes inexistente luta de classes para poder se vender como solução esmagando todo um grupo de pessoas acusadas de nascer do sexo errado, da cor errada e da orientação sexual errada.

Quem me acompanha no blog e nas redes sociais já deve estar de saco cheio de tanto me ver falar em embrutecimento, mas este é precisamente o ponto novamente. Estamos assistindo uma guinada à direita que tem uma grande chance de sair do controle e provocar a mera reversão do tipo de apreciação injusta que o homem branco heterossexual não pertencente à esquerda sofreu nas últimas décadas. Isso seria uma catástrofe e nos lançaria num deplorável conflito fratricida.

Este é um fenômeno que atinge não somente o Brasil, mas todo o continente americano e todo o continente europeu. Uma geração injustiçada está irrompendo em revolta contra acusações abomináveis que lhe rendeu perda de direitos e humilhações quando reclamou por igualdade de fato. A situação é tão grave que eu mesmo, que sou o sujeito que denuncia isso com maior frequência que eu conheço, tenho encontrado dificuldade em escrever sobre isso em termos mais amenos. Ou o mundo ocidental procura um equilíbrio neste momento, ou poderão ser cometidos excessos que acabarão por trazer de volta daqui a alguns anos o monstro que acabamos de derrotar. É um momento que exige profunda reflexão e muito discernimento. É um momento em que temos que retomar o discurso de igualdade das mãos sujas da esquerda e impedir que a direita busque vingança promovendo retaliações ao invés de reequiparações.

Eu gostaria que a reação do homem branco heterossexual que foi tão duramente vilipendiado pelos pervertidos da esquerda nas últimas décadas fosse magnânima e provasse de maneira cabal o quanto a esquerda sempre esteve não apenas errada como profundamente mal intencionada. E gostaria de ver todas as mulheres, não-brancos e homossexuais compreenderem que a situação do homem branco heterossexual de hoje é a de quem sofreu injustiças inomináveis, tendo sua honra e seus direitos como cidadãos atacados no decorrer das últimas décadas, pois é necessário trabalharmos em conjunto para reverter os abusos e promover igualdade de fato entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, cor ou orientação sexual.

O primeiro e mais importante passo a ser tomado é remover de toda e qualquer legislação qualquer referência a sexo, raça ou orientação sexual. Toda e qualquer legislação deve simplesmente garantir direitos iguais para todos os cidadãos, não importa se são homens ou mulheres, se são brancos, pardos, negros, indígenas ou amarelos, se são heterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais, pansexuais ou assexuais. Estas coisas todas deveriam ser irrelevantes. Não poderiam jamais ter sido usadas para estabelecer direitos diferentes entre os cidadãos.

Este é um momento perfeito para promover uma grande união entre as pessoas de todos os sexos, raças e orientações sexuais para restabelecer a igualdade perante a lei em temas onde foi destruída pela esquerda e estabelecer a igualdade perante a lei em temas onde historicamente nunca houve igualdade, como o serviço militar obrigatório, a licença maternidade ou paternidade, o casamento ou união estável, a eliminação de cotas sexistas e racistas, o nível de investimento em campanhas de saúde, entre outros.

Eu sou homem, branco e heterossexual e não quero assistir uma revanche mesmo tendo sido permanentemente atacado e ofendido nas últimas duas décadas pela perversão esquerdista. Não quero que sejam restabelecidos privilégios, nem quero que conquistas sociais sejam perdidas, mas quero que os novos privilégios de “sinal invertido” sejam eliminados e quero que todas as conquistas sociais sejam universalizadas de modo absolutamente equânime entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, raça ou orientação sexual.

Quero que a Lei Maria da Penha seja revogada e substituída por uma lei de proteção universal contra a violência doméstica que proteja igualmente qualquer pessoa de qualquer agressão cometida por qualquer pessoa, porque um menininho ou adolescente ou adulto ou idoso agredido pela mãe ou pela namorada ou pela esposa ou pela filha é tão vítima quanto uma menininha agredida pela mãe ou pelo pai ou pelo irmão ou pelo namorado ou pelo marido. Não há diferença entre as vítimas e não há diferença entre os agressores. Não há razão para que uns sejam condenados de modo diferente que outros em função do sexo com que nasceram ou que adotaram nem para que uns sejam desprotegidos pela lei em função do sexo com que nasceram ou que adotaram.

Quero que a licença maternidade e a licença paternidade sejam tornadas e idênticas e que qualquer pessoa que tenha um filho tenha exatamente as mesmas garantias pelo mesmo período, isso para quem é mãe, para quem é pai e para quem adota uma criança, simplesmente porque isso é o que é justo e não se pode mais manter a barbárie de considerar a maternidade mais valiosa do que paternidade, ou a adoção por uma mulher mais valiosa do que a adoção por um homem.

Quero que o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas racistas sejam completamente revogados e jamais restabelecidos para quem quer que seja, porque não é aceitável que pessoas sejam discriminadas pela cor da pele, muito menos que a discriminação seja apresentada como uma coisa boa pelo argumento falacioso e pervertido da “discriminação positiva”, como se fosse possível discriminar alguém positivamente sem ao mesmo tempo necessariamente discriminar alguém negativamente. Basta desta hipocrisia racista.

Quero que o serviço militar seja transformado numa prestação de serviço cidadã obrigatória para todo mundo ou opcional para todo mundo, sem discriminação por sexo e também sem uma cota mínima ou máxima para preencher as vagas com gente deste ou daquele sexo. Direitos iguais não significa interesses iguais e é óbvio, muito óbvio, que sempre haverá mais interesse pelo serviço militar entre os homens do que entre as mulheres. Qual é o problema com isso? Nenhum. Os sexos devem ter direitos iguais, não devem ser forçados a ter interesses iguais.

Quero que a política reflita o real interesse dos candidatos e dos eleitores, para o que é necessário eliminar as cotas na política. Se as mulheres quiserem participar da política, elas têm todo o direito, não é necessário nem razoável que haja uma cota mínima a ser preenchida com candidatos deste ou daquele sexo. Mais uma vez, ter direitos iguais não significa ter interesses iguais, e é notório que em todas as sociedades humanas do planeta, em todas as épocas, o interesse de homens e de mulheres pela política nunca foi, não é e nunca será exatamente igual.

Quero que a lei proteja qualquer pessoa de uma violação de direitos em função de sexo, raça ou orientação sexual, não interessa se em função de homfobia, heterofobia, transfobia ou qualquer outra “fobia” (péssimo sufixo), sem que no entanto isso redunde em criminalização de opinião ou de liberdade de expressão, por mais preconceituosa e ofensiva que seja, porque o direito de pensar como se bem entende é sagrado, assim como o direito de expressar o próprio pensamento, não importa o quanto alguém não goste ou odeie isso. Esta é o fundamento mais importante de uma sociedade livre.

Quero que a lei estabeleça com todas as letras que ninguém tem o direito de não ser ofendido, sob pena de todos termos que viver calados – ou de termos que escolher “vítimas certas” e “vítimas erradas” para o exercício da ofensa e da humilhação, como a esquerda adorava fazer, chamado de “coxinha” e outras expressões ofensivas e depreciativas quem lhe interessava enfraquecer e humilhar.

Quero que a injúria deixe de ser crime, não importa qual seja a qualificadora, porque já passou da hora de deixar de cultivar a frescura. Ninguém é feito de açúcar e xingamento algum tira pedaço ou nega direitos. As pessoas precisam ser ensinadas a ter amor-próprio ao invés de se derreter em manifestações patéticas de coitadismo e retaliação judicial quando ouvem algo que não gostam ou que as ofende. Somente um verme moral derrete perante uma observação excessivamente ácida. Precisamos que as pessoas cultivem a auto-estima de modo positivo, de modo que ofensas sejam inúteis e inócuas, pouco importa se tiverem conteúdo racista, sexista, de intolerância religiosa ou o que for. A ofensa só atinge quem se importa com a opinião do ofensor. Temos que eliminar o poder de quem ofende ignorando completamente qualquer provocação ou ataque injurioso.

Quero uma sociedade de cidadãos sem privilégios de qualquer tipo, nem sociais, nem políticos, nem econômicos, nem de qualquer natureza possível ou imaginável com exceção exclusivamente da perda de direitos advinda de condenação penal. Uma sociedade de pessoas iguais perante a lei, perante umas às outras e perante o espelho, onde ninguém seja favorecido injustamente ou penalizado injustamente, sob qualquer tipo de alegação, porque a dignidade humana é igual para todos, devendo cada um arcar apenas tão somente com as consequências de suas escolhas pessoais.

Igualdade não admite discriminação perante a lei. Esta é uma obviedade que foi obscurecida nas últimas décadas, mas que precisa ser resgatada com urgência em nome tanto da justiça quanto da decência. E é uma necessidade absoluta se quisermos construir um país livre da abjeta exploração política das diferenças entre os sexos, as raças e as orientações sexuais.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/11/2016

Como conciliar o serviço público com uma posição política forte?

Pois houve quem me perguntasse: “Arthur, todo mundo conhece a tua posição política e a intensidade com que a expressas. Tu és um técnico do estado que atende diversos municípios na tua atividade profissional. Como é isso de atender um município que é administrado por um partido sobre o qual tu tens uma opinião muito negativa?” Uma ótima pergunta.

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A resposta é muito mais simples e objetiva do que você pode imaginar: eu não estou nem aí para qual é o partido do gestor com quem eu tenho que lidar. Não me faz a menor diferença se eu estou lidando com o partido que eu mais critico ou com o que eu menos critico, com o partido que está mais distante da minha ideologia pessoal ou com o que está mais próximo. E isso vale tanto para o partido do gestor do estado do qual sou funcionário quanto para o partido do gestor do município que eu devo atender.

Eu não sou funcionário desta administração ou daquela administração. Eu sou funcionário da administração. O gestor do estado não é o meu patrão, é o gerente escolhido pelo meu patrão para administrar temporariamente o estado. E o gestor do município que eu atendo não é o dono do município, é o gerente escolhido pelos donos do município. Nosso objetivo é trabalhar para promover o melhor interesse dos nossos patrões, não importa nossa opinião um sobre o outro. Quem não sabe agir assim não deveria ser nem gestor, nem funcionário público.

Se o meu relacionamento com o gestor municipal puder ser amigável, ótimo! É melhor para mim, é melhor para ele, é melhor para o desenvolvimento de nossas atividades e é melhor para os nossos patrões, o povo do estado e o povo do município. Se o gestor não pensar assim, então ele terá de mim apenas o melhor atendimento profissional possível, que é o mínimo exigível de um funcionário público, e minha boa vontade, que é um brinde que eu ofereço até mesmo para o gestor que eu mais critico no mundo. Por que isso? Porque eu sou um cara legal, ora! 😆 

Como profissional, não me cabe fazer um serviço mal feito, não me cabe ser negligente, não me cabe ser irresponsável, não me cabe fazer corpo mole, não me cabe questionar a escolha soberana do meu patrão, o povo, que escolheu este ou aquele gestor para executar esta ou aquela política. O que me cabe é atuar dentro da lei, da ética e da melhor técnica disponível.

Como cidadão é claro que eu posso criticar as escolhas dos demais cidadãos e botar a boca no trombone – mas não em horário de expediente, nem fazendo uso de qualquer recurso oficial. Isso eu faço no meu blog, no meu Facebook, no meu Twitter pessoal, no meu e-mail pessoal, no meu tempo livre. E em relação a isso não cabe reclamação alguma de quem eu atendo profissionalmente.

É claro que não há uma separação entre o profissional e o cidadão, eu sou ambos o tempo todo, mas deve haver ética, bom senso, coerência e cuidado com a qualidade na realização de qualquer atividade profissional, neste ou naquele momento, neste ou naquele contexto. E eu posso garantir a vocês: não é difícil. Eu, pelo menos, não tenho o menor problema com isso, nem nunca tive, mesmo quando estive sob as ordens de um gestor francamente hostil. O gestor passa, minha consciência fica.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 21/10/2016

A cleptocracia desce à chinelagem

Eu já tinha visto visto vagabundo roubar tênis em janelas. Camisetas em varais. Lâmpadas em fachadas de prédios para trocar por uma pedra de crack. Mas invadir um pátio para roubar o jornal do dia??? A que nível pode descer ainda a chinelagem? Vão roubar chupeta de bebê? 

jornal

Há países que têm máquinas de venda de jornal em que a gente põe uma moeda, a máquina se abre expondo uma pilha de jornais e o consumidor pega um jornal, aquele pelo qual pagou. Não é necessário ter uma máquina que exponha apenas um jornal de cada vez, porque ninguém pega mais do que um jornal.

No Brasil eu tenho que manter o portão do pátio fechado a cadeado porque a chinelagem é tão baixa que roubam meu jornal.

Aí a gente pega um FDP destes no flagra, chama a polícia, faz B.O., representa criminalmente – porque furto é crime – paga um advogado e vê o vagabundo ser defendido de graça por um defensor público e vê o processo ser encerrado por se tratar de “crime de bagatela”.

Porém, se o cidadão honesto fizer qualquer coisa a mais com o ladrão que está invadindo sua casa e furtando o que é fruto de trabalho honesto, aí o cidadão honesto será processado e condenado e pode pegar uma cana ou ter que pagar umas cestas básicas ou mesmo indenizar o ladrão. Isso se o vagabundo não voltar e matá-lo.

Ao invés de se exigir honestidade e cumprimento da lei, se exige que o cidadão honesto e cumpridor da lei se submeta ao crime ou gaste seu dinheiro em sistemas de segurança. Ou o cidadão honesto se incomoda, ou o cidadão honesto se incomoda, porque o coitadinho do ladrão tem direito de furtar sem ser penalizado.

E tem outro tipo de  FDP que acha ruim quando se usa termos como “coitadismo”.

Que conclusões se tira disso?

  1. No Brasil existe o direito de roubar.
  2. No Brasil existe a obrigação de ser humilhado e aceitar quieto quando se é roubado.
  3. O Brasil é definitivamente uma cleptocracia.
  4. A cleptocracia passou a reger cada ínfimo detalhe da vida do cidadão honesto.

Um país com uma mentalidade dessas não tem como dar certo.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 26/09/2016

A Síndrome de Mutley

Vi no Fantástico a passeata de criminosos comemorando a paz entre quadrilhas no Ceará, o que já fez despencar a taxa de homicídios em 38% na comparação entre agosto de 2015 e agosto de 2016. No Brasil, as quadrilhas criminosas até tem suas rusgas, como vimos recentemente no caso do impeachment, mas acabam se entendendo para poder continuar esfolando o cidadão honesto. E o cidadão honesto não faz nada. Põe na mão dos criminosos o poder para comandar o país e fica de mimimi porque os criminosos não fazem o que cidadãos honestos deveriam fazer.

mutley

O governo do Ceará e a PM do Ceará, obviamente, dizem que a redução do número de homicídios não tem nada a ver com  o pacto entre os criminosos, mas até aí morreu o Neves, era óbvio que o governo não ia assumir a própria incompetência e muito menos a cumplicidade com o crime organizado. É a mesma coisa em relação ao caos econômico do Brasil: a culpa é sempre dos outros, nós só fizemos coisas certas, somos quase anjos, só não deu certo porque alguém não fez o que deveria.

Isso me lembra o Dick Vigarista berrando “Mutley, faça alguma coisa!” sempre que estava se ferrando por causa de sua própria incompetência em fazer o que deveria fazer para vencer a Corrida Maluca honestamente. E ele sempre se dava mal, porque o Mutley nunca arriscava a própria pele para salvá-lo, nem se importava de fato que ele se arrebentasse.

Eu passei anos dizendo para todo mundo ao meu redor VAMOS FAZER ALGUMA COISA e as respostas que obtive em geral foram alguma versão de “aqui é Brasil, não tem jeito”, de “eu não posso, tenho outras responsabilidades” e de “faz que quando começar a dar certo eu participo”. Três versões mimimizentas da “Síndrome de Mutley”: o Brasil não dá certo porque o brasileiro não quer fazer o que é necessário fazer para o Brasil dar certo. A responsabilidade é sempre dos outros. Alguém deveria fazer alguma coisa.

De preferência o Mutley.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/09/2016

O nível das estatísticas brasileiras

Imagine você que uma determinada região do país tem apenas dois municípios. Um deles tem dez mil imóveis e o outro tem cem mil imóveis. Aí eu visito 100% dos imóveis do primeiro município e 10% dos imóveis do segundo município. Qual o percentual de imóveis da região eu visitei?

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Bem, de acordo com um certo programa governamental federal que anda por aí, eu visitei 55% dos imóveis! Afinal, 100% + 10% = 110% e 110%/2 = 55%!!!

A conta correta, obviamente, é 10.000 + 10.000 = 20.000 imóveis visitados, divididos por 110.000 imóveis totais, o que dá um total de 18,18% dos imóveis visitados.

Felizmente os dados deste programa específico já estão sendo corrigidos, mas muitas decisões administrativas, inclusive financiamentos importantes, foram tomadas com base em “estatísticas” deste nível. Outras estão sendo tomadas hoje com base em estatísticas que já estavam obsoletas há mais de quinze anos.

Vocês nem imaginam qual é o real nível de competência de nossos governos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/06/2016

Os Guerreiros da Justiça Social

A expressão Social Justice Warriors é comum em língua inglesa para descrever um certo tipo de ativista político que diz que defende a dignidade dos pobres e das minorias, quando na verdade só querem ferrar com algum grupo que elegeram como inimigo conveniente para sua luta por dinheiro e poder. Que resultados eles obtém? Normalmente quem eles acabam ferrando mesmo são justamente as pessoas que eles supostamente defendem. 

Uma grande cadeia de supermercados gaúcha costumava doar para seus funcionários e para entidades assistenciais os alimentos que estavam vencendo naquele dia.

Um belo dia, alguém teve uma diarréia depois de ter comido um destes alimentos doados.

Esta pessoa, convencida por nobres defensores da dignidade dos fracos e oprimidos pelo capitalismo malvado, processou o supermercado exigindo uma indenização por danos morais e materiais. E ganhou.

Hoje o supermercado inutiliza todos os alimentos vencidos com água sanitária e os encaminha direto ao aterro sanitário.

É proibido aos funcionários e aos gerentes doar até mesmo os alimentos que vão vencer no dia seguinte e é motivo para demissão por justa causa se um funcionário pegar para si alimentos que iriam para o lixo.

Guerreiros da Justiça Social. Gente que ajudaria muito mais os pobres e as minorias se ficasse o dia inteiro em casa, trancada no banheiro, sentada no trono, fazendo aquilo que normalmente faz na política, na economia e na cultura. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 02/06/2016 

STF rasga a Constituição e nos expõe a um risco gravíssimo

Você provavelmente não sabe, e a grande mídia só lançou a notícia em notas de rodapé, mas o Supremo Tribunal Federal acaba de anular uma cláusula pétrea da Constituição de 1988 e de colocar você e sua família em risco. Um risco gravíssimo.

polícia - pé na porta

Estou falando disto aqui:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;       (Vide Lei nº 13.105, de 2015)    (Vigência)

Pois bem… Na última quinta feira, 06/11/2015, o STF decidiu que a polícia pode entrar na casa de quem bem entender, a qualquer hora, sem mandado judicial, visando a busca de provas, bastando para isso apresentar posteriormente uma justificativa por escrito com “fundadas razões”. Sim, pode ser “ouvimos dizer que havia algo errado ali”. Não, isso não é exagero. Basta saber redigir o “ouvimos dizer” com um mínimo de formalidade e alegar que “a dica era quente” com a mesma formalidade.

No caso em tela, para usar o jargão dos advogados, a casa era de um traficante, palavra essa que ao ser citada já desliga o cérebro da maioria das pessoas e as impede de avaliar as conseqüências da aberração jurídica que o STF produziu. É nestas horas que eu dou Graças a Deus pelos leitores do meu blog. Mas eu quero avaliar duas conseqüências graves desta aberração jurídica.

A primeira, que é óbvia, é que na prática a casa deixa de ser o asilo inviolável do indivíduo. Se você percebe a gravidade da anulação desta garantia fundamental, de uma cláusula pétrea da Constituição, eu não preciso explicar. Se não percebe, não adianta eu explicar.

A segunda, que não é óbvia, é que isso é uma preparação para a volta da esquerda ao poder em 2022. Com a ampla colaboração da direita bruta e burra. Aprume-se aí na cadeira e acompanhe com atenção o raciocínio.

Todos nós sabemos que o atual governo federal está liquidado para as eleições de 2018. O PT é o partido com maior rejeição do país, rejeição esta que está aumentando, está sofrendo uma debandada de filiados, vai perder inúmeras prefeituras, não deve eleger nenhum governador e certamente não vai eleger o próximo presidente da república, além de que perderá espaço em todos os parlamentos – câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara dos deputados e senado. Isso são favas contadas e eles mesmos sabem disso.

Os movimentos sociais de esquerda – feminista, negro e gay, principalmente – estão sendo cada vez mais apedrejados nas redes sociais. Recentemente uma postagem no Twitter dizendo “Todo branco é racista. Todo homem é um estuprador em potencial. Não existe mulher hetero.” se tornou viral e alvo de críticas de todos os tipos, desde as mais engraçadas até a pura e simples constatação de que pensar assim é coisa de gente doente ou mal intencionada. As pessoas estão perdendo o medo de contrariar as perversões coitaditas e “politicamente corretas”.

Então, em pleno declínio político da esquerda, um STF majoritariamente composto por esquerdistas – seguindo o voto do relator Gilmar Mendes, um conservador de direita – aprova a possibilidade de a polícia meter o pé na porta de qualquer um a qualquer hora do dia ou da noite sem mandado judicial.

Não parece estranho que esquerdistas estejam conferindo este incrível poder às polícias justo no momento em que sabem que a direita está prestes a dominar o cenário político nacional?

Não, meu caro leitor, isso não é estranho. Isso é estratégia.

Quem é o eleitor da esquerda? Majoritariamente a população pobre e miserável.

Quem será o alvo principal do pé na porta no meio da madrugada? Majoritariamente a população pobre e miserável.

A direita truculenta, após um jejum de 16 ou 24 anos, vai aceitar de bom grado este poder e vai exagerar.

A grande mídia brasileira, chapa branca ao extremo, vai omitir ou minimizar os abusos das polícias e vai mostrar preferencialmente casos de violação com “bons resultados” da garantia constitucional que foi tornada letra morta pelo STF.

As classes rica e média, com uma minoria de eleitores, não serão muito incomodadas pelas polícias.

As classes pobre e miserável, entretanto, com a maioria absoluta dos eleitores, viverão em constante estado de medo, sofrerão abusos freqüentes e ainda serão humilhadas pela grande mídia e massacradas nas redes sociais como um bando de bandidos.

Então, na campanha de 2022, a esquerda ressurgirá com seu velho discurso de defesa das classes trabalhadoras, dos pobres, dos excluídos e dos marginalizados, humilhados e oprimidos pela polícia da direita truclenta ao longo de quatro anos, oferecendo-se como salvação nacional e única verdadeira defensora da dignidade destas classes.

E voltará ao poder podendo meter o pé na porta de qualquer um, não apenas dos pobres e miseráveis, a qualquer hora, sem mandado judicial, bastando apresentar uma desculpa furada qualquer depois do fato consumado e talvez de algum pacotinho ter sido plantado.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/11/2015

A perversão coitadista

Li em um veículo da mídia impressa que semana passada houve um “ataque racista” à atriz Thaís Araújo, poucas semanas depois de um episódio semelhante em relação à apresentadora Maria Júlia Coutinho, ambos pela internet. Um “ataque racista” pela internet? Sério? As palavras “frescura” e “perversão” me vieram à mente.

mimimi people

Um “ataque racista” foi o que aconteceu entre os Tutsis e os Hutus. Chamar ofensas de ataques é uma imensa frescura. E modificar o direito para proteger a frescura é uma inominável perversão e uma completa inversão de valores. Mas é isso que propunha o tal veículo de imprensa: “leis devem ser aprimoradas” – para tornar a proteção à frescura mais eficaz, é claro.

Os coitadistas estão vencendo uma guerra cultural. Estão tornando a vida em sociedade irrespirável, cerceando a liberdade de expressão de seus desafetos para supostamente proteger os coitadinhos incapazes de lidar com as críticas e mesmo as ofensas de quem não gosta deles. Coitadinhos dos negros, sofreram séculos de opressão racista, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhas das mulheres, sofreram séculos de opressão machista, mimimi, precisam de leis especiais que as protejam. Coitadinhos dos gays, sofreram séculos de opressão homofóbica, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhos.

Para proteger os coitadinhos, os coitadistas querem calar os “opressores históricos”. Coitadinhos são feitos de açúcar e derretem se forem ofendidos. As palavras “macaco”, “piranha” e “veado” precisam ser criminalizadas. Os opressores históricos precisam ser perseguidos, processados e punidos para deixarem de ser malvados e pararem de ofender os coitadinhos. Porque, afinal, como todo mundo sabe, a melhor maneira de educar alguém é calar essa pessoa à força, ameaçá-la com cadeia e tomar-lhe direitos.

Como eu sou a fonte de todos os males do mundo – pois sou Homem, branco e heterossexual – eu não tenho sensibilidade suficiente para compreender o terrível trauma humilhante e desestruturante que é para um coitadinho ouvir meia dúzia de palavras.

Ou talvez eu não compreenda porque eu não sou um coitadinho.

Quando alguém tenta me ofender com palavras simplesmente não consegue, porque eu tenho uma coisa que me protege disso: auto-estima. Eu não derreti quando estava muito acima do peso e alguém me chamou de gordo. Eu não derreti quando passei em três vestibulares e um concurso público por meus próprios méritos, sem cotas, e alguém me chamou de filhinho-de-papai e coxinha. Eu não preciso e não quero que a lei me proteja de ofensas, porque eu não sou feito de açúcar.

Se o preço para entender o terrível mal que meia dúzia de ofensas traz para a frágil psiquê de um coitadinho é perder a auto-estima a ponto de derreter perante meras palavras e precisar de amparo legal para não ter que ouvir o que me desestrutura – como a avestruz da fábula, que mete a cabeça num buraco para não ver o que não quer e assim se sente protegida – então eu prefiro continuar não entendendo isso.

E mais: os meus filhos também não vão entender isso. Porque, mesmo que eu tenha um filho mulato, ou do sexo feminino, ou homossexual, ele ou ela não será um coitadinho, será um ser humano com auto-estima, capaz, com uma casca grossa o suficiente para não derreter perante uma simples ofensa verbal. Porque ser um coitadinho não tem nada a ver com raça, sexo ou orientação sexual, e sim com a postura perante a vida.

O que eu mais lamento é que, enquanto eu criarei meus filhos para serem seres humanos completos, com auto-estima e capacidade, os coitadistas estão criando uma geração de verdadeiros coitadinhos. Gente que, ao invés de ter sua auto-estima elevada e suas capacidades aprimoradas, será moralmente pervertida pelo mimimi coitadista e passará sua existência inteira pedindo penico, exigindo dos outros um respeito que não tem por si mesmo e culpando os outros por sua baixa auto-estima e sua incapacidade de se tornar alguém na vida – ao invés de se tornar um cidadão ou cidadã honesto, proativo, produtivo e orgulhoso de si mesmo, que vai atrás dos seus objetivos e de sua felicidade sem se abalar com ofensas e sem se permitir humilhar por uma “proteção” tão vergonhosa quanto a de criminalizar quem fala algo que lhe é desagradável.

Essa é a ironia maior e o grande mal do coitadismo: ao invés de gerar cidadãos autônomos, capazes, produtivos e orgulhosos de si, gera cada vez mais gente mimimizenta, incapaz, dependente, intolerante e autoritária.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/11/2015

Aos servidores públicos estaduais do Rio Grande do Sul

Eu sou servidor público estadual do poder executivo no Rio Grande do Sul. Assim como todos os demais colegas, fiquei muito preocupado com a notícia de que nosso salário será novamente pago de modo parcelado, desta vez trazendo incertezas ainda maiores que as do mês passado. Isso me trará imensas dificuldades. Mesmo assim, eu não vou fazer greve. Parar de trabalhar neste momento só vai piorar a nossa situação.

Greve a vista

Eu acabo de sair de um período de dois anos de “licença para tratamento de interesses particulares”, que, como todos os colegas sabem, é uma licença não remunerada. Tirei esta licença por motivo de saúde – eu estava tão doente e tão estressado que não tinha mais condições emocionais nem sequer para enfrentar um processo administrativo para tirar uma licença-saúde.

Voltei ao trabalho ainda doente e atolado em dívidas. Passei por uma mudança para outro município. Precisei gastar muito com a saúde e com a mudança e não consegui me reequilibrar financeiramente ainda, embora esteja vivendo de modo espartano.

Para piorar a situação, a pessoa que ia me alugar uma casa não cumpriu sua palavra, eu estou morando provisoriamente em uma pousada cujos preços vão disparar no verão e não disponho de reservas para a caução de um aluguel. Se eu não receber meu salário integral, dentro de dois meses eu estarei em um município onde não conheço ninguém e não terei nem onde morar, nem onde colocar meus pertences. Portanto, eu sei muito bem o que representa contar com um dinheiro que deveria ser certo e não recebê-lo.

Apesar de todas as dificuldades por que vou passar se meu salário atrasar, eu não vou parar de trabalhar nem para protestar contra a lambança financeira que está me prejudicando, nem para pressionar por sua solução. E o motivo é muito simples: parar de trabalhar neste momento só vai piorar a nossa situação.

Pense um pouco.

Você acha que o governador Ivo Sartori não está a par da situação dos funcionários do executivo gaúcho? Ele está muito bem informado, você sabe. Ele não precisa ser informado novamente. Uma greve não servirá para este propósito.

Você acha que o governador não está tentando resolver esta situação? Ele está tentando, você sabe. Ele não precisa ser pressionado novamente. A cada dia que passa, a popularidade do governador desce e o descontentamento dos gaúchos sobe. Ele é um político, alguém que sabe que seu maior capital é sua popularidade. Ele já está lutando com todas as forças para tirar a corda do pescoço. Uma greve não fará com que ele se empenhe ainda mais em resolver o problema.

Você acha que o governador não tem consciência de que a última alternativa de que ele deveria lançar mão seria o parcelamento dos salários dos servidores? Ele tem consciência disso, você sabe. O funcionalismo representa um poder político-eleitoral de grande importância. O governador e o funcionalismo sabem que o governador e o funcionalismo sabem disso. Uma greve não fará com que surjam novas alternativas.

Então, para que serviria uma greve neste momento?

Só para duas coisas: prejudicar a população, reduzindo o acesso a serviços de que ela necessita tanto mais quanto maior a crise econômica, e piorar ainda mais a situação financeira do estado, tornando cada vem menos provável que nossos salários voltem a ser pagos em dia.

Protestemos. Vamos às ruas. Mostremos nosso descontentamento e nossa indignação com a situação do estado e do país. Cobremos do governo estadual o máximo empenho para manter nossos salários em dia. Cobremos do governo federal o não bloqueio de recursos do Rio Grande do Sul neste momento de crise. Mas sejamos conscientes e não prejudiquemos a população com paralisações e com a consequente imposição de dificuldades ainda maiores do que as que já teremos que enfrentar devido à crise política e econômica.

Que cada um de nós seja uma parte da solução, não do problema. Isso é cidadania.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/08/2015