Pela garantia do direito ao discurso de ódio

O discurso de defender “minorias” contra “discurso de ódio” não é um discurso de defesa de vulneráveis: é um discurso de dominação social usado por certas ideologias para iludir os menos capazes, obter seu apoio, alcançar o poder por via democrática e então eliminar a democracia. Quando todos os indivíduos têm seus direitos igualmente respeitados e seus deveres igualmente exigidos, acaba essa manipulação de tolos por safados totalitários que só querem dividir a sociedade para dominá-la.

Para que eu e você possamos sempre falar o que pensamos, este cara tem que ter garantido o mesmo direito, por mais que eu e você não gostemos do que ele diz.

Não existem minorias. Ninguém faz parte de algo que não existe. O Arthur é verde, você é azul, e nada disso interessa para a garantia de direitos ou a exigência de deveres. Garantindo os direitos e exigindo os deveres de todos igualmente, nenhum discurso importa. Não se corre o risco de oferecer aos governos o direito de decidir qual discurso é lícito e qual não é. Todo discurso é lícito enquanto discurso. Pouco importa que o discurso seja a aberração que for, enquanto o princípio de igualdade absoluta de direitos e deveres for mantido.

É exatamente por isso que a esquerda fala em igualdade e a primeira coisa que faz é promover leis desiguais para homens e mulheres, para brancos e negros, para heterossexuais e gays, etc.: para legitimar e tornar culturalmente hegemônica a possibilidade de legislar contra alguém em favor de outrem para obter simpatia dos aparentemente beneficiados, que não percebem ou não se importam com o fato de estarem construindo uma sociedade fascista que logo em seguida degenerará em opressão universal, como aconteceu na Venezuela.

Toda vez que um grupo consegue convencer uma sociedade que o governo deve ter o direito de estabelecer diferenças entre os cidadãos, é garantido que logo em seguir ele começará a estabelecer diferenças que garantam a sua própria sustentação no poder.

A estratégia da esquerda no Brasil é bem óbvia: quando ela fala em “defender minorias” contra “discurso de ódio”, ela escolhe as seguintes “minorias”: mulheres, que são mais da metade da população, negros e pardos, que são mais da metade da população, e gays e trans, que são notoriamente rejeitados pela direita e pelos conservadores, então não custa nada arrebanhar.

O próximo passo é demonizar alguém e culpar alguém por todas as dificuldades reais ou percebidas por todas estas pessoas. O culpado padrão, obviamente, é o homem branco heterossexual, que serve de contraponto às três “minorias” coitadinhas exploradas maltratadas “defendidas” pela esquerda. (Sendo que na verdade o homem branco heterossexual corresponde a menos de 15% da população e é a verdadeira “minoria” segundo a definição da própria esquerda, mas a esquerda não liga para coerência, só liga para manipulação emocional em busca do poder.)

O passo seguinte é criar desigualdades de propósito: Lei Maria da Penha, que cria privilégios para mulheres, Estatuto da Igualdade Racial, que cria privilégios para negros, e por aí vai. Como a criação de desigualdade pode promover a igualdade é um daqueles atos de duplipensar que muito pouca gente questiona, pois questionar não é conveniente para os beneficiados de curto prazo e não pega bem para os demais. Quem compreende e denuncia o absurdo é acusado de “discurso de ódio”.

Por que não protegeram igualmente homens e mulheres da violência doméstica? Por que não garantiram acesso a crédito justo a todas as pessoas independentemente de raça? Simples: porque o objetivo é promover a desigualdade aproveitando-se da conveniência dos menos capacitados, que vêem o benefício de curto prazo e não se importam nem com a justiça das medidas, nem com as consequências de longo prazo, como aliás faz a maioria da população.

E aí se tem a criação da hegemonia cultural de que é justo e correto criar distinções entre os cidadãos.

Quando isso acontece de modo consistente, fica fácil criar distinções entre quem tem legitimidade para exigir alguma coisa por qualquer justificativa furada e quem não tem o direito de abrir a boca não importa a justificativa. Por exemplo, isso ocorre quando eu sou acusado de “machista, racista e homofóbico” e acusado de “ter medo de perder meus privilégios” simplesmente por dizer que eu não tenho que perder minha vaga na universidade por causa de “dívida histórica” alguma, que eu não contraí e tenho o meu direito roubado sem poder reclamar. Aliás, quando eu reclamo ninguém acha que me chamar de fascista e de coxinha e que dizer que eu “não tenho empatia” é discurso de ódio. Aí vale.

Durante um tempo, esta manipulação funciona. Com o passar do tempo, o clima vai se recrudescendo. Muita gente vai se sentindo prejudicada. A atmosfera política e social começa a se tornar irrespirável, porque todo mundo não pertence a alguma destas minorias e acaba sendo prejudicado em algum momento. As pessoas começam a se sentir prejudicadas e sufocadas e são humilhadas quando reclamam. Mas aí o domínio já está bastante consolidado e começa a haver leis mais duras para “garantir os direitos das minorias”. E mais uma aqui, e mais uma ali, até que começa a haver manifestações contra de grande monta.

Este é o momento da ruptura. Esta é a hora de “proteger o povo contra a manipulação das elites” e tomar o poder “para garantir as conquistas” como foi feito na Venezuela. Um caminho que, felizmente, o Brasil conseguiu evitar a tempo com o impeachment da quadrilha criminosa que saqueou o país, aparelhou as instituições e por pouco não conseguiu dar um golpe branco igual ao de Nicolás Maduro. Foi por muito pouco. E a ameaça nem de longe foi debelada. O preço da liberdade é a eterna vigilância. 

Para que todos sempre possam dizer o que pensam, é necessário que todos eventualmente tenhamos que ouvir o que não queremos. Não se pode jamais permitir que governo algum decida qual discurso é lícito e qual não é. Para que os discursos ameaçadores nunca saiam da esfera do discurso, basta garantir direitos iguais para todos e exigir deveres iguais de todos, sem exceção, qualquer que seja.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/09/2017

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão deve ser PLENA, com exceção dos crimes de calúnia e invasão de privacidade. Ninguém pode cercear o maluco que for de dizer a maluquice que quiser.

Coisa bem diferente é permitir a ORGANIZAÇÃO dos malucos para propósitos ilícitos.

Por exemplo, não deve ser proibida a Marcha da Pedofilia. Os caras têm o direito de reivindicar liberdade de expressão até mesmo para esta idéia abjeta.

Porém, pedofilia é ilícito. Portanto, os pedófilos não podem nem praticar o ato nem se organizar para qualquer finalidade que não seja se expressar a respeito.

Galera tem que lembrar que liberdade de expressão serve EXATAMENTE para que se possa dizer o que é abjeto, ofensivo, criminoso, desagradável, abominável, indignante, absurdo, detestável, ultrajante, preconceituoso, discriminatório, violento, incivilizado.

Porque para dizer aquilo que não incomoda ninguém não é necessário garantia alguma.

E você só vai dar valor a esta garantia quando um FDP disser que VOCÊ não pode dizer algo que você pensa e que ele não quer que você possa dizer.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2017 

CNPND: a Lei da Palmada está de volta

Aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça, a famigerada Lei da Palmada se levanta do túmulo e volta a assombrar os brasileiros com o nome de “Lei Menino Bernardo”, escolhido de modo oportunista para aproveitar a comoção causada pelo homicídio de Bernardo Boldrini no RS e fazer aprovar este monstrengo que coloca as famílias em grave perigo perante governantes mal intencionados. 

kafka

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A vida e a propriedade

Toda vez que eu ouvia alguém dizer que eu não tenho o direito de meter bala num criminoso que invade minha residência porque “a vida vale mais que a propriedade” eu me tapava de nojo e indignação, sentindo claramente que isso é uma completa perversão da ética, mas não sabia explicar bem o porquê. Hoje caiu a ficha. 

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Chloe, o cachorro, o suicida e a autodeterminação

Eu não quero obrigar médico algum a atender os desejos da Chloe. Mas também não quero que ninguém impeça a Chloe de contratar um profissional devidamente qualificado para fazer a maluquice que ela bem entender. O que me preocupa em relação à Chloe é estritamente a autodeterminação dela.  Continue reading “Chloe, o cachorro, o suicida e a autodeterminação”

Chloe Jennings-White, um Marco Zygoteano da vida real

Os leitores do Pensar Não Dói devem lembrar do artigo “– Doutora, eu quero amputar meu braço esquerdo!“, no qual discutimos a questão do respeito à autodeterminação do cidadão no que concerne a seu corpo e ao acesso aos serviços de saúde. Um problema que surgiu naquela ocasião foi que o Sr. Marco Zygoteano, protagonista do episódio, era um personagem fictício. Pois bem, problema resolvido: trago aqui um caso real para debate. Continue reading “Chloe Jennings-White, um Marco Zygoteano da vida real”

Civilidade nem que seja na porrada

Eu considero correto prender as duas lésbicas que foram se beijar no meio do culto evangélico – tanto quanto considero correto prender qualquer evangélico que vá ler a Bíblia no meio da Parada Gay. O que está errado não é o beijo gay, nem a leitura da Bíblia – é ir propositadamente perturbar o outro.  Continue reading “Civilidade nem que seja na porrada”

Valerie Solanas, Zumbi dos Palmares, Adolf Hitler e Josef Stalin

Você quer saber se eu sou nazista, ou se aprovo algo do que aconteceu na antiga URSS? Faça um teste simples: pergunte-me o que eu penso de Adolf Hitler, ou de Josef Stalin, dois sujeitos que, como eu, eram homens, brancos e heterossexuais. Eu não terei o menor problema em afirmar o óbvio: ambos foram criminosos abjetos, monstros que causaram imenso sofrimento e injustiças irreparáveis. Nada neles me representa. Tenho nojo deles. Simples assim. Continue reading “Valerie Solanas, Zumbi dos Palmares, Adolf Hitler e Josef Stalin”

Racismo e sexismo em nome dos Direitos Humanos

Eu tenho vontade de esganar com minhas próprias mãos os imbecis que endossam o tipo de tese mentirosa e mal intencionada de que raça ou sexo estão ou devem estar ligadas a caráter, dignidade ou direitos. Infelizmente, devido à estupidez ou à ganância – ou a ambos – há cada vez mais gente que pratica os mais descarados racismo e sexismo em nome os Direitos Humanos e de um suposto combate ao racismo e ao sexismo. Desta vez foi um documentário que fez meu sangue ferver.  Continue reading “Racismo e sexismo em nome dos Direitos Humanos”

Mãe pede que filha viciada em crack seja esterilizada

Esta é uma polêmica interessante que surgiu no Rio Grande do Sul. Uma usuária de drogas pode ter filhos, mas não pode cuidar deles – tanto porque o ECA proíbe quanto porque neste caso ela não tem mesmo condições. A avó é sobrecarregada com a responsabilidade de criar os netos que não param de ser gerados e pede a esterilização da usuária de drogas. Qual é a solução para esse imbróglio jurídico?  Continue reading “Mãe pede que filha viciada em crack seja esterilizada”