Entenda a decisão do STF sobre Renan

A decisão do STF sobre Renan era previsível, matou quatro coelhos com uma paulada só e foi a melhor possível para o Brasil. O STF não podia nem cacifar Marco Aurélio, nem enfraquecer o instrumento jurídico da decisão liminar, nem deixar Renan sair fortalecido, nem deixar um petralha assumir a presidência do Senado. Todos estes objetivos foram atingidos.

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A Constituição e as leis são como a Bíblia: você pode justificar qualquer decisão citando o trecho que mais interessar para fundamentar aquilo que já tinha decidido previamente. O juiz e o pastor São arqueólogos de incisos e versículos. Foi isso o que permitiu a gambiara de manter Renan na presidência do Senado e impedir que ele assuma a presidência da República ao mesmo tempo. Mas esta foi uma das gambiarras melhor elaboradas que eu já vi o STF fazer.

A decisão do STF tinha quatro propósitos imediatos:

  1. Dar um tabefe no Marco Aurélio para refrear o ímpeto de ministros do STF meterem o bedelho nos assuntos internos dos outros Poderes da União, reduzindo. Obviamente, de modo circunspecto.
  2. Preservar o instrumento da decisão em caráter liminar dentro dos objetivos para os quais ele existe, especificamente como instrumento para tomada de decisões judiciais quando há periculum in mora, para que não se torne um instrumento político.
  3. Manter o presidente do Senado sob a responsabilidade e a alçada do Senado, evitando um conflito com a casa legislativa que poderia resultar em retaliações graves neste momento delicado para as instituições da República.
  4. Manter na presidência do Senado um aliado do presidente da República, evitando que um petralha fiel ao partido destituído da presidência da República pudesse impor uma agenda desestabilizadora para o país.

Nesta ordem.

Para dar um tabefe circunspecto no Marco Aurélio, a decisão do STF não podia acompanhar a decisão dele, mas também não podia simplesmente negá-la, ou estariam desmoralizando publicamente um ministro do STF. Como fizeram isso? “Concordando parcialmente” com a parte menos importante da decisão dele, começando por elogiar sua fundamentação, mas cassando seu efeito de fato.

Entenda uma coisa sobre como falam os juízes: se ele começar elogiando você, é porque você está ferrado. Se ele começar desancando você, é porque você está salvo. Os juízes sempre fazem isso para parecer que estão votando contra aquilo que gostariam de votar, para não serem acusados de estar votando de acordo com seus interesses ou simpatias. A decisão do STF sobre Renan Calheiros seguiu direitinho esta liturgia: dos nove ministros que votaram, seis começaram elogiando o ministro Marco Aurélio – exatamente aqueles que cassaram o principal efeito da liminar dele.

Para preservar o uso da liminar para os casos de periculum in mora, a decisão do STF foi fundamentada no fato de que o afastamento de Renan da presidência do Senado não servia para afastar um perigo imediato, pois, antes que Renan pudesse assumir interinamente a presidência da República, quem assumiria seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Além disso, há um julgamento em andamento sobre a matéria, que formalmente não está decidida, mesmo que seis ministros já tenham decidido do mesmo modo. Isso porque em tese os ministros do STF podem mudar seu voto enquanto o último ministro não votar.

Entenda que a decisão do SFT sobre Renan Calheiros não teve a intenção de beneficiá-lo e sim deixar claro que o instrumento jurídico utilizado – uma decisão monocrática em caráter liminar – não deve ser utilizada tanto para esta finalidade quanto para outras situações semelhantes. Em uma época de protagonismo jurídico sem precedentes na política, milhares de prefeitos e dezenas de milhares de vereadores agradecem penhorados.

Para manter o presidente do Senado sob a jurisdição do Senado, a decisão do STF só precisava não mexer na posição de Renan. Quanto a isso não havia qualquer dificuldade ou complicação.

Entenda que o legislativo faz as leis, incluindo a Constituição Federal, e que poderia “legitimamente” aprovar uma PEC que limitasse prerrogativas do STF ou mexesse em privilégios dos ministros do STF.

Para manter na presidência do Senado um aliado do presidente da República, era fundamental que Renan continuasse ocupando a posição que ocupa, porque o vice-presidente do Senado é Jorge Viana, um petralha radical que já mostrou a que veio e que já adiantou que atuará para inviabilizar o país. Aliás, sério que a direita retardada está revoltada porque o STF não derrubou um aliado de Temer para um petralha assumir a presidência do Senado?

Entenda que desta vez o STF atuou de maneira a preservar a governabilidade e evitar que o PT tacasse fogo no país para tentar culpar o governo Temer pelo caos. Muito embora seja verdade que Jorge Viana já pensou em não agarrar esta batata quente, o fato é que um petralha na presidência do Senado seria garantia de obstrução irresponsável.

A decisão do STF não revelou um propósito mediato:

Está muito enganado quem acha que Renan ganhou esta. Renan está ferrado.

Se Renan tivesse respeitado o STF, acolhido a suspensão de Marco Aurélio e entrado com um recurso, ele teria ficado apenas um dia afastado de suas prerrogativas. Talvez por arrogância, prepotência e absoluta estupidez, que lhe impediram de perceber que o plenário do STF jamais manteria uma decisão monocrática de afastar o presidente de uma casa legislativa através de uma decisão em caráter liminar, talvez por arrogância, prepotência e estupidez, que lhe impediram de avaliar corretamente o tamanho da espinha de peixe que deixou atravessada na garganta do STF por cometer crime de desobediência baseado no conhecimento de que o plenário do STF jamais manteria uma decisão monocrática de afastar o presidente de uma casa legislativa através de uma decisão em caráter liminar, Renan Calheiros afrontou o STF de um modo tal que não poderá ser deixado impune.

Não tenha dúvida, em breve o STF vai degolar Renan de maneira acachapante. Se você acha que não, então favorite este artigo e volte aqui ou quando o STF julgar o mérito da ação sobre a qual Toffoli está sentado em cima, ou quando o STF começar a julgar as outras 12 ações contra Renan que estão na gaveta, assim que for eleita a nova mesa diretora do Senado.

Resumo da ópera

A decisão do STF sobre Renan desautorizou Marco Aurélio e desestimulou novos ímpetos de intervenção monocrática, preservou o instrumento da decisão em caráter liminar, garantiu a harmonia entre os poderes e garantiu a governabilidade. Quanto à “vitória” de Renan, observe os comentários dos ministros do STF, de inúmeros juristas e da grande mídia sobre a desobediência que ele protagonizou: “ordem judicial pode ser discutida, mas tem que ser cumprida” é a frase mais ouvida em todos os telejornais de hoje.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/12/2016

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Caixa 2: um bom acordo é um acordo possível

A possibilidade de os parlamentares de nosso Congresso Nacional fazerem um grande acordo e votarem uma anistia para os crimes associados à prática de Caixa 2 nas eleições dos últimos anos está fazendo surgir análises muito interessantes sobre as possíveis linhas de ação que se abrem para tentarmos corrigir os rumos políticos e econômicos de nosso país. Uma delas é esta aqui, que recebi há alguns dias:

Tem uma regra, quando a gente aprende sobre negociação e teoria dos jogos, que diz o seguinte: numa negociação, por mais forte que seja sua posição, você precisa dar ao outro lado a alternativa de uma saída honrosa. Na prática significa que, se você pressionar demais, existe o risco iminente do outro lado simplesmente tomar uma atitude desesperada que, no final, pode não ser do seu interesse.

Tenho pensado sobre isso quando leio sobre a anistia do Caixa 2. Se a gente se distanciar um pouco e tirar a paixão da mesa, o problema não tem solução simples.

Pense: a maioria absoluta dos políticos se elegeu com Caixa 2. Outros tempos, onde essa contravenção recebia vista grossa de todos. Inclusive de nós, cidadãos. Naqueles tempos, ninguém esperava uma Lava Jato da vida. Então, se não houver anistia, não é um ou outro que cairá. Vai ser um desmanche do Congresso.

Veja, não estou dizendo que não é correta a punição. Óbvio que é. Mas do nosso lado, do lado de quem espera um país melhor, vale a pena pensar o que vai representar esse rapa. Interessa para a nação que o país mergulhe num caos institucional onde a esmagadora maioria dos políticos será acusada de uma prática criminosa? Acho que não.

Só que também não acho que a solução seja uma anistia.

Então, acho que é a hora de surgirem propostas alternativas.

Uma ideia poderia ser um programa de admissão de culpa.

Funciona assim:

Os políticos que admitirem a prática de Caixa 2 no passado, poderão terminar seus mandatos e a única punição que receberão é a inelegibilidade por oito anos.

Imagine o quanto isso economizaria em tempo e dinheiro na coleta de provas, por exemplo. Com isso, seria estabelecida uma nova ética. O próximo Congresso não teria eleitos com Caixa 2 e, em troca, não pararíamos o país numa caça às bruxas. Apenas os políticos que não aderissem ao programa estariam expostos à Lava Jato. Tenho certeza que uma meia dúzia de punições exemplares convenceriam os outros a admitirem a culpa para fugir das consequências. Porque, convenhamos, além de canalhas, são covardes.

Minha resposta inicial a esta possibilidade foi a seguinte:

É uma idéia bem interessante. Não vai rolar, porque por um lado os bandidos têm a faca e o queijo na mão e pretendem continuar livres e roubando e por outro lado os “moralizadores” estão envenenados e babando de ódio. Mas seria bem interessante analisar um compromisso desse tipo, que nos livrasse da camarilha de ladrões no Congresso e permitisse que os esforços da Polícia Federal e do Judiciário se concentrassem nos restantes. Só acho que os caras tinham que nem terminar os mandatos. Deviam cair fora imediatamente e permanecer inelegíveis até as eleições de 2026 (inclusive). Aí eu toparia totalmente.

Vamos analisar tudo isso com mais cuidado.

Caixa 2: qual o tamanho do problema?

Em primeiro lugar, vamos retomar a razoabilidade: o Congresso Nacional não vai promulgar leis que coloquem os próprios deputados e senadores na cadeia. Pelo contrário, apesar de toda a pantomima que assistimos na declaração conjunta de Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia de que não haveria a menor possibilidade de promulgar uma lei que concedesse uma anistia, o óbvio continua sendo que nenhum parlamentar que tenha cometido crimes associados a Caixa 2 de campanha vai votar qualquer coisa que possa colocá-lo na cadeia. Combinar o contrário é um acordo impossível.

Em segundo lugar, vamos relembrar que não é necessário promulgar lei alguma para que os crimes associados sejam punidos, porque lavagem de dinheiro, corrupção passiva e outros ilícitos comumente associados à prática de Caixa 2 já são crimes.

O problema que temos em mãos é justamente um Congresso Nacional com uma grande quantidade de parlamentares que praticaram Caixa 2 e outros ilícitos associados em uma época em que ninguém dava muita bola para isso. Estes parlamentares obviamente estão se sentindo ameaçados, pressionados muito além do que podem tolerar, e farão tudo o que estiver a seu alcance para evitar passar alguns anos na cadeia. Este interesse comum é muito maior do que qualquer fidelidade ideológica ou partidária. Não é algo sobre o que eles possam dizer “ah, paciência, desta vez me dei mal”. Nada disso. É algo em relação ao que eles farão todos os esforços possíveis, o que certamente não será bom para o país.

Punir alguns é mais importante que salvar milhões?

Eu acho que seria melhor para todo mundo – para nós e para eles – se concedêssemos, sim, uma anistia condicional a quem tiver praticado algum destes crimes. A minha proposta seria alguma coisa mais ou menos assim:

  1. Qualquer parlamentar ou governante ou filiado em partido político do país, de qualquer esfera, tem um prazo de noventa dias para, voluntariamente, abdicar imediatamente de seu mandato e de qualquer ligação com partido político, confessando ter praticado crimes associados à prática de Caixa 2 e dando detalhes de todas as operações.
  2. O parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão ficará inelegível e proibido de participar de quaisquer atividades ou eventos político-partidários até as eleições de 2026, inclusive.
  3. Nenhum parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão será julgado por qualquer dos crimes associados à prática de Caixa 2 que confessar, mesmo que já esteja sendo investigado.
  4. A contagem do prazo prescricional dos ilícitos confessados ficará suspensa até o dia das eleições de 2026, quando serão considerados prescritos todos os ilícitos, de modo condicional ao não cometimento de novos ilícitos no período.
  5. O cometimento de qualquer irregularidade de natureza penal, associada ou não à atividade política, desde a assinatura da confissão até o dia das eleições de 2026, revogará esta anistia, inclusive retroativamente.
  6. Não haverá reedição desta lei até pelo menos o ano de 2050.

Traduzindo: quem pisou na bola sai de cena e não incomoda mais até 2026. Quem se emendar se deu bem. Quem pisar na bola de novo vai em cana tanto pelo novo crime cometido quanto pelo antigo já confessado.

Isso nos daria um pouco mais de uma década para consertar o país sem a influência de qualquer infrator, geraria um volume de dados considerável sobre os meandros da corrupção nacional, bem maior do que a Operação Lava-Jato será capaz de produzir, com muito menos esforço, e nos pouparia de muitas manobras políticas e muitas pizzas.

Após mais de uma década fora da política, muito poucos destes infratores retornariam. O país já teria uma nova safra de políticos que teria preenchido o vácuo da atual geração. E aqueles que arriscassem, permanecessem na ativa e fossem condenados pegariam uma cana braba e serviriam de exemplo para que a nova geração não se ariscasse a cometer ilícitos.

Eu acho que isso seria um preço razoável a pagar para nos livrarmos da velha guarda corrupta e acelerar a volta do país para os trilhos do desenvolvimento econômico. O que você acha? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/11/2016

SOMOS TODOS MACACOS!

Acho patético esse mimimi de quem acha que tem o direito de não ser ofendido e tem a pretensão totalitária de calar o outro. Quem tenta calar quem o considera inferior dá razão a quem pensa assim, porque só um verme derrete perante um comentário ácido. Que me xinguem à vontade. Alguém acha que eu vou ficar com dodói na autoestima? Que vou me importar com a opinião do imbecil que tentar me ofender e conferir a algum otário o poder de fazê-lo?

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Chamaram a primeira-dama dos EUA de “macaca de salto alto”. O que deu nela para se ofender? Ela não sabe que somos todos macacos? O que ela pensa que é, um réptil? Alguém acha que uma pessoa que passou oito anos sendo alvo de todo tipo de boato venenoso e insinuação pervertida, de críticas virulentas e de comentários muito mais ofensivos está realmente com dodói porque foi chamada de macaca? Ah, tenham santa paciência, é ridículo demais para meu pobre fígado!

Eu sou um macaco. Você é um macaco. Cada ser humano que já houve, há ou haverá neste mundo é um macaco. Não faz o menor sentido ofender-se com a simples enunciação de nossa óbvia, evidente, explícita, inegável natureza! Quem tem vergonha de ser um macaco ou é um coitado com graves problemas de autoaceitação, ou está fazendo um jogo político absolutamente hipócrita para se empoderar manipulando o sentimento de pena e coitadismo dos politicamente corretos e dos bocós que caem nessa esparrela.

E vamos que me chamassem de outra coisa ofensiva. O que seria? Veado, tentando me ofender me atribuindo uma suposta homossexualidade? Como poderiam fazer isso, se eu considero lícita e respeitável qualquer sexualidade exercida sem violação de direitos de terceiros? Gordo, tentando me ofender porque eu já estive obeso e ainda estou um pouco acima do peso? Como poderiam fazer isso, se eu era gordo mesmo e sou o primeiro a reconhecer? Feio, tentando me ofender atacando minha aparência? Como poderiam fazer isso, se eu tenho espelho em casa? Mau caráter, tentando me ofender com o enxovalhamento da mais sagrada estrutura do meu ser, que eu cultivo com retidão e convicção desde sempre? Como poderiam fazer isso, se eu sei que sou um ser humano íntegro e honrado?

Não consigo imaginar como alguém possa me ofender. Deixando de confiar em mim, sabendo o valor que dou a minha palavra? Quem fizer isso é que é um idiota. Lançando acusações falsas? Por que eu me afetaria moralmente por acusações falsas? Lançando acusações verdadeiras? Por que eu me afetaria moralmente pela verdade? Simplesmente não há como ofender, humilhar ou fazer dodói moral em quem tem uma autoestima sólida e não abre espaço para se sentir atingido pela estupidez ou para a perversão de caráter de terceiros. Eu simplesmente não bebo o veneno alheio!

Se você pensa horrores de mim, o problema é seu. Se você diz horrores de mim, o direito é seu. Talvez eu meta um soco na sua cara se você fizer isso de modo particularmente indignante e ao alcance da minha mão. Talvez eu faça até mesmo algo muito pior, no momento em que me ferver o sangue. Afinal, eu sou um macaco, e não é seguro fazer palhaçada perto demais de um macaco que pode reagir com fúria. Você, que é outro macaco, deveria saber disso. Mas processar alguém por dizer besteira pela internet? Aí não é a reação de um macaco, é a reação de um verme mimimizento que precisa que os outros protejam sua “dignidade” de açúcar que derrete com qualquer cuspida, inclusive uma virtual. Ou de um canalha hipócrita tentando tirar vantagem de uma legislação intolerante e degradante.

Não seja um verme mimimizento. Se você é um ser humano, tenha dignidade e erga a cabeça perante qualquer tentativa de ofensa. Não dê poder à ideologia de criminalização do pensamento. Ninguém tem o direito de não ser ofendido, nem pode ter este direito. Isso é uma monstruosa ferramenta de opressão que tem que ser completamente desativada em qualquer sociedade civilizada. Somente os vermes e os mal intencionados se beneficiam de uma aberração destas. Não podemos permitir jamais que este tipo de perversão degradante se torne o norte de toda a sociedade.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2016

Reorganização

Estou depurando os plugins do blog e fazendo uma série de testes nos bastidores. Provavelmente vou instalar um plugin do Twitter ao final destes testes, mas só se não ficar pesado. Se alguma coisa pirar, por favor, me avisem pelo Facebook ou pelo Twitter. Agradeço antecipadamente.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/10/2016

Obrigado, Alemanha!

A Alemanha nos fez o favor de nos devolver à realidade, um favor que Chile e Colômbia, tão latinos e tão emocionalmente tíbios quanto o Brasil, não nos puderam fazer. 

Polícia detém depredadores após derrota perante Alemanha

Segue a cópia de duas reportagens, uma do jornal El País e a outra do site Boa Informação. Eu volto na seqüência. 

Dezenas de ônibus são queimados no Brasil após a derrota

Curitiba, Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Recife registram episódios de violência durante e após a goleada alemã

As principais cidades brasileiras vivenciaram episódios de violência nesta terça-feira durante e após a goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha, que marcou a eliminação do país da Copa do Mundo. Dezenas de ônibus foram incendiados e torcedores acabaram detidos por brigas e confusões, forçando as autoridades a ampliar a segurança para evitar que os casos aumentem nas próximas horas.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já afirmou que o governo federal está reforçando as medidas de segurança em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro como prevenção a manifestações mais violentas após a derrota brasileira, segundo informações da Agência Estado.

Em Belo Horizonte –local da partida– foram registrados os maiores focos de violência. A tradicional região da Savassi, reduto boêmio da capital mineira, reuniu cerca de 25.000 torcedores e inúmeras confusões. Durante o jogo, quatro pessoas foram presas e 12 ficaram feridas durante brigas na rua, de acordo com a agência France Presse. Segundo o site UOL, quatro pessoas chegaram ainda a ser expulsas do estádio do Mineirão por atitudes de violência e vandalismo.

Já em São Paulo, a partir das 19h15 ocorreram ataques a ônibus nas zonas sul, leste e norte paulistanas. Cerca de 20 coletivos teriam acabado em chamas em uma garagem, de acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo. Outros veículos do mesmo porte também teriam sido incendiados em diferentes regiões, e um, depredado na Vila Medeiros, na zona norte.

No Rio de Janeiro, também houve brigas e correria no perímetro da Fan Fest, na praia de Copacabana. O espaço da FIFA equipado com telão chega a reunir cerca de 20.000 torcedores a cada jogo do Brasil. Pessoas relataram ter visto princípios de arrastão e disputas entre os que acompanhavam o jogo no local. Segundo a polícia, seis acabaram detidos devido às confusões, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo.

Em Curitiba houve ainda depredação, mas a prefeitura afirma que foram atos de vandalismo isolados. O prefeito, Gustavo Fruet, escreveu em sua conta no Twitter: “Não se trata de nenhuma manifestação e não se pode admitir vandalismo por causa da derrota”. Em um terminal, algumas peças de um ônibus foram arrancadas e veículos de linhas municipais foram apedrejados, segundo informações da Gazeta do Povo. Houve ainda três casos de tentativa de incêndio, que acabaram controlados por populares, de acordo com a mesma fonte.

No Recife, a confusão começou antes do término da partida. Na Fan Fest da FIFA, que fica no centro da capital pernambucana, a polícia entrou com a cavalaria e usou gás lacrimogêneo para dispersar uma briga generalizada, segundo o UOL. Pessoas chegaram a ser pisoteadas, ainda de acordo com o portal, mas a organização do evento não informou sobre feridos.

Já na Fan Fest de Salvador, cujo público pode ter chegado a 50.000 pessoas nas imediações do Farol da Barra, também houve tumulto, que terminou com três homens e uma mulher detidos, segundo a mesma fonte. 

Fonte: El País

E: 

Atos de vandalismo se espalham pelo Brasil depois de goleada da Alemanha.

A humilhante derrota da seleção brasileira perante a Alemanha por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo provocou uma reação de ira em parte da população que foi expressada com ônibus incendiados, depredação do patrimônio público e privado e uma onda de assaltos em várias cidades.

Enquanto a tristeza tomava alguns lugares preparados para a celebração, como o boêmio bairro de Vila Madalena e a Fan Fest de São Paulo, de onde muitas pessoas saíram antes mesmo do final do jogo, outros pontos da maior cidade brasileira eram testemunhas de uma onda de violência.

A empresa municipal de transportes SPTrans confirmou que a garagem de uma empresa de ônibus na zona sul da cidade, próxima à represa de Guarapiranga e da estrada de M’Boi Mirim, foi atacada por desconhecidos, que atearam fogo em 15 ônibus que estavam estacionados e fora de serviço. 

O fato ocorreu meia hora depois do final da partida disputada em Belo Horizonte. A polícia informou à Agência Efe que ninguém ficou ferido no ataque.

Na Avenida Yervant Kissajikian, na região sudeste da capital paulista, um ônibus foi incendiado, enquanto no bairro Jardim Presidente Dutra, em Guarulhos, também na região metropolitana, outro veículo do transporte público foi atacado com fogo.

Próximo a Guarulhos, no bairro Sapopemba, outro ônibus foi abordado por desconhecidos, que pediram aos passageiros que saíssem e incendiaram o veículo. No bairro de São Mateus, uma loja de eletrodomésticos foi depredada e três homens e dois adolescentes foram presos pela Polícia Militar.

Em Belo Horizonte, palco da partida, o boêmio bairro de Savassi, o mais visitado por turistas nacionais e estrangeiros com uma média de 25 mil pessoas em seus bares e ruas, registrou várias confusões, que terminaram com 12 detidos.

Dentro do estádio ocorreram alguns incidentes e várias pessoas que tentaram destruir parte do patrimônio público precisaram ser retiradas do Mineirão e acompanhadas pela polícia até a saída, segundo as autoridades.

Em Salvador, a Fan Fest da Fifa, que reunia 50 mil espectadores, teve que ser suspensa por conta de uma confusão que terminou em pancadaria e em tentativa de assalto coletivo. Três homens e uma mulher acabaram sendo detidos pela polícia.

Na praia de Copacabana, uma das maiores concentrações de turistas desta Copa, três pessoas foram detidas por causar uma confusão que assustou grande parte das pessoas que saíram em pânico, correndo, sem saber o que acontecia e pensando que se tratava de um arrastão.

Em Recife, a Polícia Montada teve que interromper a Fan Fest e usar gás lacrimogêneo para dispersar uma briga entre torcedores durante a partida. Na ação, algumas pessoas acabaram pisoteadas pelos cavalos.

Finalmente, em Curitiba, 15 ônibus foram apedrejados e outro assaltado e incendiado no bairro Sítio Cercado, de acordo com a informação do Centro de Controle Operacional Urbs, que não reportou feridos durante os atos de vandalismo. 

Fonte: Boa Informação

AGL

O Brasil da Copa das Copas de repente saiu do transe do oba-oba futebolístico lobotomizante e mostrou quem é: incapaz de lidar com uma frustraçãozinha ridícula em um mero evento de entretenimento, emergiu do coma alienante em uma explosão de vandalismo, violência e criminalidade. Uma selvageria… Por causa de uma porcaria de uma partida de futebol. 

O clima emocional é de trauma nacional. Pouca gente já se deu conta da profundidade e da extensão do dano provocados pela acachapante derrota de 7×0 perante a seleção da Alemanha. (Não, não foi 7×1, porque o único gol do Brasil foi obtido por pura caridade da equipe da Alemanha, penalizada com a incompetência técnica e a miséria tática da seleção do Brasil.) 

O alcance deste evento no imaginário e na auto-imagem nacionais ainda não foi percebido. Ainda não caiu a ficha. A derrota de 1950 perante o Uruguai por 2×1 finalmente deixará de assombrar o Brasil. Ela passará a parecer uma lagartixa perto do Tyranossauro rex que representa o 7×0 perante a Alemanha. (Tá bom, foi 7×1, não vamos discutir por isso). 

O estrago foi tão grande que a maior parte do país ainda está anestesiada. Onde o efeito da anestesia já passou, a explosão de brasilidade foi intensa. Sim, brasilidade é isso que os brasileiros fizeram: acender um estopim de intolerância e brutalidade e sair arrebentando o país, depredando patrimônio público e privado, provocando brigas e agressões, cometendo assaltos e enfrentando a polícia por causa de uma frustraçãozinha ridícula em um mero evento de entretenimento.

E de repente o Brasil real voltou a ser reconhecível por dentre as brumas de ilusão da grande mídia comprometida com o lucro gerado pela prestidigitação pachequista. Ainda que isso tenha sido um breve espasmo de sinceridade e que volte a omitir a realidade, filtrar a informação e impor um quadro cor-de-rosa pintado sobre uma parede de fuligem, o que vazou é suficiente para escancarar que as súbitas e aparentes eficácia e excelência que surpreenderam os brasileiros e a mídia internacional no decorrer da Copa, em contraste com o que se previa, nada mais eram do que uma impressão falsa causada por muita alienação e maquiagem. O verdadeiro Brasil novamente emergiu do lodo em que vive e no qual há anos se atola mais e mais. 

Agora que a grande mídia já se locupletou e que o Brasil fará de qualquer modo sete jogos, esperemos que voltem ao noticiário as informações que vinha omitindo ou relegado a notinhas de rodapé, como as quatro mortes diretamente provocadas por desabamentos de Obras da Copa, duas no Itaquerão e duas no viaduto de Belo Horizonte.

Agora que o oba-oba levou um chucrute na cara, esperemos que os brasileiros passem a se preocupar mais com os assassinos que mataram operários e outros trabalhadores e menos com o jogador que machucou acidentalmente o colega com quem vai jogar no mesmo time na próxima temporada.

Sério: o que é mais importante? Investigar e apurar a responsabilidade dos contratantes, planejadores e executores de Obras da Copa Que Matam ou de jogadores que exageram numa falta em uma partida de futebol mal apitada? Analisar o quadro político nacional e os rumos errados que o Brasil tem tomado na economia ou discutir os furos no meio-de-campo de um time de futebol? Qual é a noção de prioridades dos brasileiros? 

Os partidários do governo federal – que piada – já estão esbravejando sobre o “uso político da derrota da seleção”, o que mostra que estes safados sabem muito bem que a “Copa das Copas” sempre teve um imenso viés político. Vamos tirar uma febre do resultado da manobra ouvindo atentamente o que o povo cantará quando a presidANTA entregar a taça à seleção campeã.

Ah, sim, claro… Não será o povo, será a “elite branca paulistana”, será um monte de “coxinhas”. Mas peraí… Quer dizer então que o PT gastou bilhões de reais dos cofres públicos para produzir um espetáculo de entretenimento para coxinhas se divertirem e a FIFA lucrar enquanto o povo era excluído dos estádios? (Ou é uma coisa, ou é a outra. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come – que delícia ver o feitiço virar contra o feiticeiro.) 

Precisamos agradecer à Alemanha. Perder de 1×0 não seria suficiente. Tinha que ser uma bofetada na cara para o brasileiro perder o rebolado e parar de se iludir com a História da Carochinha de que o país vai bem. Não vai. Quando o moral de todo um povo desaba e convulsiona perante uma porcaria de uma partida de futebol, é porque o país vai muito mal. Muito, muito mal. O moral do Japão não caiu tanto com duas bombas atômicas quanto o moral do Brasil caiu por causa de sete gols. Isso é ridículo. Isso é vergonhoso. Isso é desastroso. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/07/2014 

O que mais tem é filho teu que foge à luta…

Povo que não tem virtude acaba por ser escravo.  Escravo de sua incompetência. Escravo de sua preguiça. Escravo de sua covardia. Escravo de sua eterna dependência de outros para resolver seus problemas. Escravo de seu mimimi wishful thinking blábláblá tergiversação barata. Em suma, escravo de sua própria mediocridade.  Continue reading “O que mais tem é filho teu que foge à luta…”

Quase superando o Facebook…

Olha só que legal, pessoal: o Pensar Não Dói já está com Pagerank 3:

PageRank

Isso significa que o Pensar Não Dói está melhor linkado do que 30% de todos os sites da internet!!! Agora falta pouquinho para ultrapassar o Pagerank 9 do Facebook! Só mais uns trinta ou quarenta milhões de links e o Pensar Não Dói ultrapassa aquele sitezinho fuleiro do Mark Zuckerberg facinho, facinho!

Ajude, faça sua parte, divulgue o Pensar Não Dói por aí! 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 20/04/2013

Recadinho para os amigos

Para quem j’a estava achando que eu tinha batido as botas ou coisa parecida, fiquem calmos, eu ainda estou lutando com problemas de conex~ao.

E pelo visto agora com problemas de configuraç~ao de teclado tamb’em….

O que mais falt…. N~ao, ‘e melhor n~ao perguntar…