Investir na Bolsa de Valores

Investir, especular e poupar são três coisas muito diferentes entre si. Este artigo inaugura a categoria “investir” do blog Pensar Não Dói, esclarece a diferença entre os três conceitos e introduz os conceitos mais básicos sobre investir na Bolsa de Valores.

Poupar não é investir. Poupança é a mera evitação de desperdício ou retenção de alguma coisa que se tem para que se possa usá-la mais tarde. Você poupa a gasolina que tem no tanque para conseguir chegar no posto de gasolina. Você poupa o dinheiro que gastaria no cinema à tarde para poder ir a uma churrascaria à noite. Você poupa uma grana depositando um certo valor todos os meses numa caderneta de poupança para ter uma reserva financeira com alta liquidez ou para adquirir um bem daqui a algum tempo.

Especular não é investir. Especulação é a aquisição de algum bem para revender com lucro depois. Você compra um imóvel achando que ele vai subir de preço. Você compra ações na Bolsa de Valores achando que elas vão subir de preço. Você compra opções de compra de ações achando que uma ação vai subir de valor e no futuro você poderá comprá-la por um preço inferior ao do mercado e revendê-la ao preço do mercado.

Investir é colocar esforços ou recursos em uma atividade para produzir alguma coisa. Você investe horas e horas lendo para seu filho. Você investe tempo e esforço físico na academia para ficar mais forte, mais saudável, com um corpo mais bonito. Você investe uma grana comprando um carrinho de pipoca para trabalhar e sustentar sua família. E você investe na compra de ações na Bolsa de Valores, também. A diferença disso para a especulação é que você não compra para revender por um preço maior, você compra para se tornar sócio de empresas produtivas que vão dividir seus lucros com você.

O nome da parcela de lucro que as empresas das quais você se tornou sócio por ter comprado participação acionária é “dividendo”. Por isso você vai encontrar muito a expressão “investir em dividendos” entre as pessoas que compram ações na Bolsa de Valores para investir. Entre as pessoas que compram ações para especular, o valor dos dividendos pagos acaba se tornando muito mais um elemento para a análise de como especular do que um objetivo em si – mais ou menos como o cara que compra um carro usado para revender analisando somente a lataria, sabendo que há uma boa chance de revenda se o carro tiver uma boa aparência.

Perceba, entretanto, que um carro serve para nos levar de um lugar ao outro com conforto e segurança. Se você comprar um carro olhando apenas a lataria, poderá não ter problemas, mas poderá ter. E, se o carro tiver algum problema e você tentar passar a bomba adiante, poderá encontrar algum otário que o compre somente pela aparência da lataria, como você fez, ou poderá não conseguir revendê-lo, ou pelo menos não pelo mesmo preço, porque os possíveis compradores provavelmente vão examinar melhor o veículo do que você.

Investir na Bolsa de Valores é parecido.

Se você escolher bem o que comprar, será sócio de uma empresa com gestão de alta qualidade, lutando para obter lucro, que dividirá este lucro com você na proporção do número de ações que você comprar. Além disso, se a empresa se mostrar lucrativa, o preço das ações poderá subir e você estará na confortável situação de quem comprou um carro por dez e agora pode vendê-lo por doze porque apareceu mais gente querendo comprá-lo.

Se você escolher mal o que comprar, será sócio de uma empresa que terá prejuízo e perderá valor no mercado, não tendo condições de pagar dividendos a você. Além disso, o preço das ações vai cair e você estará na desconfortável situação de quem comprou um carro com uma bela lataria e que começou a queimar óleo na frente de todo mundo quando saiu a rodar.

Obviamente, esta é uma metáfora muito simplista, feita para você entender a lógica básica da coisa. Investir na Bolsa de Valores é um pouco mais complexo que isso, mas não tanto como você sempre ouviu falar. E, principalmente, investir na Bolsa de Valores é muito menos arriscado do que você em geral ouve falar.

Eu comecei a ler a respeito no último dia 09/01/2017. Hoje é 13/01/2017. Eu li durante três dias e estou escrevendo este artigo no quarto dia, antes de começar minha jornada diária de estudo da Bolsa de Valores durante as minhas férias. Nestes meros três dias, eu já entendi o funcionamento geral da Bolsa de Valores, já conheço os conceitos e o vocabulário básico, já entendi a grande diferença entre os investidores e os especuladores e já vi quem é que mais se quebra na Bolsa de Valores – quase sempre o novato que entra achando que vai ficar rico com uma fórmula mágica ou uma dica quente ou o especulador que tenta fazer uma “jogada genial” para ganhar uma bolada de uma vez só. Investidores sóbrios e consistentes, por outro lado, na média obtém um retorno bastante superior às demais aplicações disponíveis no mercado financeiro.

Apenas três dias de estudo, entretanto, com certeza não são suficientes para conhecer o assunto com a profundidade necessária para tomar a decisão de investir na Bolsa de Valores como estratégia de investimento para a vida. Eu pretendo estudar muito mais e vou apresentar a você os dois livros que eu pretendo ler muito atentamente antes de sequer chegar perto deste mercado.

O primeiro é “Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro“, elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários e disponível no Portal do Investidor. Ele contém todos os conceitos básicos para você entender o vocabulário usado na BOVESPA.

O segundo é “O investidor inteligente“, de Benjamin Graham, um investidor famoso que deu a volta por cima após a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e que é o principal guru de Warren Buffet, o investidor que frequentemente disputa com Bill Gates (dono da Microsoft) e com Carlos Slim (dono da Claro) o posto de homem mais rico do mundo.

Convido você a ler estes dois livros e vir bater um papo sobre investir na Bolsa de Valores.

Ou comente aí por que o melhor investimento do mercado não interessa a você, que eu quero entender isso.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/01/2017

OBS: não me entenda mal. Há muito o que aprender. Para quem quiser ter uma idéia da complexidade possível do tema, clique aqui e assista este vídeo. Mas saber tudo isso não é necessário para um investidor defensivo conservador (que não tenha pretensões de “superar o mercado”) com estratégia “buy & hold” (comprar e reter).