Teori Zavascki foi assassinado?

Eu não sei, você não sabe e se foi o caso ninguém jamais saberá. Mas é possível e foi muito conveniente para uma grande quantidade de corruptos poderosos. Como é que esse otário se mete num teco-teco? Teori Zavascki tinha a Lava-Jato nas mãos, não podia ter dado um mole desses. Ou vocês acham que não existe assassinato político no Brasil? Que só o que se assassina aqui são reputações?

Vou repetir para ter certeza de que você entendeu: eu não sei, você não sabe se foi o caso ninguém jamais saberá. Haverá luto oficial. O mandante, se houver, vai discursar sobre como o ministro Teori Zavascki era honesto, íntegro, capaz, defensor da democracia e do Estado de direito. Seus colegas do STF farão loas ao falecido independentemente de sua real opinião sobre ele. Os peritos serão “sutilmente” lembrados do caso Celso Daniel e vão dar um laudo de que o avião em que estava o Teori Zavascki sofreu uma pane mecânica, teve uma dor de barriga ou foi atingido por um disco voador, e a grande mídia inteira dirá “amém”, enquanto inúmeros corruptos dirão “aleluia”.

Jamais saberemos a verdade. Que até pode ter sido, sim, uma falha mecânica. Mas também pode ter sido um assassinato político. Você é perito em acidentes aeronáuticos e está lá para analisar? Não, né? Pois bem, quero apenas que você tenha bem claro em mente que a história oficial é previsível, mas não necessariamente realista, e que deve haver muita coisa que juramos que foi de um jeito e que na verdade foi de outro jeito. Ou não.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/01/2017

Atualização dia 20/01/2017: dados interessantes surgiram.

Acabar com a corrupção é fácil

Uma associação de pessoas que se dedica a práticas ilegais é uma organização criminosa. Organizações criminosas não devem ter autorização do Estado para funcionar. Portanto, que se casse todos os mandatos e se suspenda o registro naquela unidade administrativa de qualquer partido que tiver eleito pelo menos um candidato que venha a ser condenado por qualquer crime de corrupção, desvio de verba, recebimento de propina, tráfico de influência, caixa 2, etc…

Não, não é uma “punição excessiva”. Não me venha com esse papo de defensor de bandido e da corrupção. Quem defende penas que não servem para coibir os ilícitos na prática está defendendo a prática dos ilícitos. E não estou falando de “penas maiores para bandidos cruéis”, não. Estou falando de quaisquer penas em quaisquer situações. Como a falta no futebol, por exemplo.

A falta no futebol praticamente não é um ilícito a evitar, virou uma estratégia de jogo. Se o time adversário está em uma boa situação para dar início a um ataque perigoso em que não é clara a chance de gol, pode valer a pena fazer uma falta e dar tempo para seu time recuar. Não precisa nem tentar partir a perna do centroavante, basta um empurrãozinho que desequilibra. É suficiente para o ilícito valer a pena.

Em outras situações, a falta não é uma boa opção. Dentro da grande área, por exemplo. Neste caso, a falta recebe um nome diferente, “pênalti”, e um pênalti é uma punição bem mais eficaz para coibir o comportamento ilícito. Adivinhe o que aconteceria se toda falta fosse pênalti, independentemente de ser feita dentro ou fora da grande área? Quase não haveria faltas.

A corrupção hoje é punida como a falta, se é que é punida. A punição não é eficaz para coibir o ilícito. O candidato pode até perder os direitos políticos por oito anos, mas todo partido tem muitos outros corruptos para substituir o condenado e continua tendo muitos incentivos para praticar os mais variados ilícitos. É como se o sujeito que cometeu a falta dentro da grande área simplesmente tivesse que ser substituído, sem que o pênalti fosse marcado. Pode até ser benéfico para a equipe dele.

Para que a punição à corrupção seja eficaz e coíba de fato os ilícitos, o partido não pode ficar impune. E tem que sofrer uma punição pesada, que o prejudique muito no “campeonato”, para que nem sequer pense na possibilidade de praticar ou ser tolerante com a corrupção. É o partido que tem que fiscalizar furiosamente a licitude de todas as suas atividades, não o Estado.

Quando o time cai para a segunda divisão ou o partido fica suspenso e impedido de concorrer por uma única eleição que seja, perdendo todas as vagas na unidade administrativa em questão (município, estado ou união), cada vereador, cada deputado, cada senador, cada prefeito, cada governador, cada assessor parlamentar, cada secretário ou presidente de autarquia ou fundação, cada funcionário, cada cri-cri de diretório e cada filiado realmente interessado se torna um fiscal em potencial. Com uma fiscalização assim não dá para arriscar.

Digamos que o PQP tenha eleito o prefeito e cinco dos nove vereadores do município de Pindoramópolis. Seis meses depois, o vereador Zé da Pinga espinafra sua secretária e é denunciado por um esquema de venda subfaturada de cachaça para financiamento do caixa 2 de sua campanha eleitoral. As acusações são corroboradas pelos bêbados da cidade, o Ministério Público investiga, denuncia, o vereador Zé da Pinga é condenado por corrupção. Recorre, é condenado de novo em segunda instância. Tudo isso em menos de um ano, claro, afinal o Judiciário tem que ser ágil, porque a justiça falha porque tarda. E agora?

Agora o Zé da Pinga, o prefeito e os outros quatro vereadores têm seus mandatos cassados, o Zé da Pinga tem seus direitos políticos suspensos por oito anos a contar do final de seu mandato e devido à condenação do Zé da Pinga por corrupção o PQP tem seu registro suspenso em Pindoramópolis do momento da condenação até dois anos e meio após a próxima eleição municipal, o que significa que não elegerá ninguém nem poderá se reorganizar legalmente naquele município neste prazo. Isso e multa, claro.

Não proponho a extensão penal da condenação por corrupção aos demais filiados, apenas a eleitoral. Perceba que não proponho a suspensão dos direitos políticos dos outros eleitos. O jogador de futebol que comete uma falta maldosa dentro da grande área é expulso, seu time é punido com o pênalti, mas ninguém propõe dar cartão vermelho para os demais jogadores. Depois que eles levarem o gol, perderem o jogo e caírem para a segunda divisão, podem até voltar se jogarem bem.

No caso dos partidos políticos, “jogar bem” tem que ser definido tanto pela habilidade política quanto pela licitude de suas atividades. A reincidência no mesmo ilícito ou em qualquer outra forma de corrupção deve punir o partido com maior intensidade do que a primeira infração. Por exemplo, a multa pode dobrar a cada reincidência e o registro pode ser suspenso na instância imediatamente superior (no estado, se a condenação foi de um vereador ou prefeito; na união, se a condenação foi de um deputado estadual ou governador) caso a multa não seja paga até as próximas eleições.

Agora escreva para seu deputado federal ou senador sugerindo isso e observe pela reação dele se ele quer ou não combater a corrupção, moralizar a política, punir os criminosos e abrir caminho para que os honestos dominem a política daqui em diante. Só não se decepcione se ele não responder, ou se disser que sua proposta constitui uma “punição excessiva”… 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/12/2016

Os “coxinhas” não piraram

O comentário ridículo abaixo sobre os “coxinhas” mostra, para quem tiver o trabalho de pensar um pouco a respeito, o esgotamento completo de uma visão de mundo anacrônica, equivocada e sobretudo maldosa. Nem mesmo um completo débil mental é capaz de acreditar a sério que alguém vai protestar contra si mesmo. Para dizer ou concordar com uma coisa assim, há que ter uma grande dose de corrupção moral.

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A esquerda há três décadas e meia vem dizendo que o Brasil passou 500 anos sendo explorado pela “direita”, atualmente identificada com os “coxinhas”. Obviamente, “direita” ou “coxinhas” para a esquerda é “tudo que não sou eu”, mas tanto faz. Vamos dar de barbada que fosse. Pois bem, em 500 anos o Brasil nunca teve três anos seguidos de recessão, exceto quando a esquerda assumiu o poder. Nunca perdemos tantas empresas, tantos postos de trabalho, tanto dinheiro e tanto prestígio internacional quanto nos 13 anos do PT na presidência da República.

A calamidade das contas públicas chegou a tal ponto que até mesmo o PMDB, parceiro do PT nas duas últimas eleições, percebeu que o país estava indo para um buraco tão grande, tão rápido, que não seria possível esperar até 2018 para chutar a bunda da esquerda e começar a recuperar o país. O parasita precisa que o hospedeiro sobreviva para poder continuar sugando seu sangue, mas a esquerda chafurdou no sangue do hospedeiro como um vampiro sedento que não se alimentava há séculos. E os “coxinhas” foram para a rua exigir o impeachment e o fim da corrupção.

Veio o impeachment, abençoado impeachment. Veio o episódio vergonhoso do conchavo do presidente do Senado com o presidente do STF para evitar a perda dos direitos políticos da presidente da República deposta. Vieram as eleições e o povo virou “coxinhas” e deixou claro que não quer saber de nada que venha do PT, impondo-lhe uma derrota acachapante e um encolhimento de cerca de 60% nas urnas. E vieram então à tona muitas das falcatruas do período de corrupção do país pelo PT – ou talvez eu deva inventar o neologismo “corruptização” para deixar mais claro que corrupção é uma atuação transformadora.

A esquerda não se limitou a roubar como fizeram todos os outros que o precederam. Não. Todos os partidos de esquerda possuem um fetichismo pelo autoritarismo absoluto, travestido de alguma ideologia porca que é usada para enganar os incautos de que a esquerda necessita para chegar ao poder. Uma vez atingido o poder, entretanto, o que vemos é o que aconteceu em Cuba, com mais de meio século de ditadura e milhares de fuzilamentos por divergência de opinião, ou na Venezuela, com a população morrendo de fome, comendo lixo, sem itens básicos de higiene, sem medicamentos, elegendo um Congresso de oposição e tendo sua vontade negada por um ditador que se aliou a um tribunal farsesco que anula todos os atos do Poder Legislativo, ou na Coréia do Norte, com uma quadrilha sanguinária de comando hereditário que perpetra os mais abomináveis crimes contra a humanidade sem que ninguém interfira. Graças a Deus, portanto, pelos corruptos de hoje, que nos livraram de destino muito pior.

Só que eles demoraram demais.

Se a cacarecada partidária toda que virou casaca tivesse peitado a esquerda quando perceberam que ela estava indo com sede demais ao pote, se os ladrões mais experientes tivessem avisado que “não é assim que se rouba”, o país não teria sido desmanchado ao ponto que foi, não teria sido necessário cortar tão fundo para o parasita evitar a morte do hospedeiro, não teria havido tanta revolta e tanta mobilização. Por isso a mobilização continua. Por isso o povo está indo às ruas hoje.

Não se trata, portanto, de “coxinhas” protestando contra si mesmos, afirmação ridícula e despropositada que nem mesmo um quadrúpede levaria a sério. Trata-se de uma revolta legítima contra a traição a que o povo foi submetido pela esquerda e por seus aliados, que gostaram tanto do novo nível de roubalheira inaugurado pela esquerda que se lançaram a ele e se lambuzaram como nunca antes na história deste país. Trata-se do mesmíssimo sentimento que levou os “coxinhas” a realizarem a maior manifestação da história do Brasil contra o PT, da mesmíssima revolta e da mesmíssima impaciência perante o escárnio com que a classe política tem tratado a honestidade, a decência, a competência administrativa e a qualidade de vida do povo brasileiro. E contra os mesmíssimos atores.

Eu tenho cá minhas ressalvas quanto aos objetivos das manifestações de hoje, penso que é uma armadilha perigosa confiar no mesmo Judiciário que não fez nada contra a corrupção nas últimas décadas, mas compreendo sua lógica e os sentimentos por trás dela. Os “coxinhas” não piraram, o povo está simplesmente exausto de viver mal e ainda ser feito de palhaço.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/12/2016

Por uma escola sem partido político ou ideologia degenerada!

Rápido, pessoal! Compartilhem e votem a favor, porque a esquerda se mobilizou para obter votos contra e passou à frente tentando defender o “direito” de doutrinar nossos filhos com sua cartilha pervertida marxista feminazi racista politicamente correta coitadista mimimizenta! 

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Clique aqui para votar a favor da Escola Sem Partido!

E, por favor, use os botões abaixo e compartilhe este artigo nas redes sociais! No momento em que estou postando, precisamos de 15.715 votos para reverter esta enquete distorcida pela mobilização esquerdista totalmente contrária à opinião majoritária da população brasileira!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2016

Devemos à esquerda pervertida a ascensão da direita raivosa

No Brasil e no mundo estamos assistindo a ascensão da direita. Isso não se deve aos méritos da direita, que são nulos, mas aos defeitos da esquerda, que são muitos. Mais uma vez estamos assistindo o pêndulo da política oscilar de um extremo ao outro, como uma reação intolerante à intolerância do outro extremo, sem que ninguém se importe em procurar um ponto de equilíbrio harmônico e produtivo.

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Eu estou bastante incomodado com este fenômeno. Há pouco tempo atrás não era possível dizer que se era contra as cotas racistas, sexistas e coitadistas impostas pela esquerda sem que um cretino nos chamasse de racista, sexista e elitista. Hoje está ficando difícil dizer que é necessário proteger os direitos à saúde e educação universais, gratuitos e de boa qualidade sem que um cretino nos chame de esquerdista, socialista ou comunista. Só trocamos de fanatismo.

Não tenho a menor dúvida de que era imprescindível derrubar a esquerda em nosso país.

O Brasil estava se tornando uma Venezuela em um ritmo assustador nos últimos anos. Se não tivéssemos aprovado a “PEC da bengala” e chutado a guerrilheira da presidência, ela teria indicado para o STF Ministros que estariam fazendo no Brasil o que a Suprema Corte da Venezuela está fazendo por lá: anulando absolutamente tudo o que o Parlamento aprova, descaradamente, num claro jogo de cartas marcadas para sustentar a ditadura socialista de Nicolas Maduro.

O golpe branco dado contras as instituições na Venezuela pelo ditador Nicolas Maduro, sua Suprema Corte de títeres do regime e a garantia pela força da continuidade de um governo que está matando a população de fome com comandantes do exército politicamente alinhados ao ditador é uma vitrine excelente do que a esquerda faz quando chega de fato ao poder. E não pensem que basta esperar as eleições de 2019 para que Maduro seja expulso do poder pelas urnas: até lá ele e sua gangue irão inventar algum jogo de palavras para defender la revolución contra a vontade popular.

O problema é que o processo de derrubada da esquerda foi uma reação espasmódica e não uma tomada de consciência.

Sendo alvo do mesmo tipo de acusação esquerdista no Brasil, nos EUA, na Venezuela ou em qualquer lugar do mundo, é óbvio que as pessoas olham para o pior dos exemplos, percebem a caminho de quê estão se dirigindo e reagem em defesa da própria sobrevivência. Num contexto assim, qualquer inimigo da esquerda tem imensa chance de crescer em aprovação popular. Quanto mais inimigo da esquerda, melhor. E ninguém se vende mais como inimigo da esquerda do que a ala oposta do espectro ideológico, a direita, que no entanto partilha dos mesmos defeitos da esquerda em termos de falta de razoabilidade, estupidez de propostas, descaso pelo bem estar da população e intolerância ao diálogo.

Eu não canso de ficar pasmo com a facilidade com que as mesmas pessoas que acusam a esquerda de intolerância se posicionam de maneira totalmente intolerante, por exemplo em praticamente qualquer conversa nas redes sociais. No último domingo eu bloqueei um cara que se diz liberal porque, apenas porque eu disse que uma posição que ele defende está tecnicamente equivocada e que isso foi matematicamente provado pelo Prêmio Nobel John Forbes Nash Jr., o sujeito disse que eu não sou liberal, me chamou de socialista e disse que eu quero implantar uma economia planejada aos moldes de Nicolas Maduro, coisa em que, segundo ele, nem o PSOL acredita mais. Sendo que o sujeito sabe que eu defendo o ordoliberalismo!

Está ficando chato isso. A esquerda esticou tanto a corda, ofendendo e humilhando qualquer um que dissesse qualquer coisa que não fosse adesão total e incondicional a todas as suas pretensões, que a corda arrebentou e agora está todo mundo caindo no conto da direita raivosa, ignorando que a própria esquerda teve o impulso que teve nas últimas décadas graças à ascensão da direita neoliberal radical após a queda do Muro de Berlim. Pior ainda, o monstro que está surgindo desta vez é ainda pior que os neoliberais, é o monstro libertariano que prega que a simples existência do Estado é um mal e que abomina o Estado de Bem Estar Social, que é a única coisa ao redor do mundo que garantiu suficiente harmonia social para que a criminalidade fosse reduzida e o povo se sentisse seguro. Se estes depravados tomarem o poder, podemos esperar um desmonte generalizado da proteção social no mundo inteiro, com um provável retorno retumbante da esquerda ainda dentro do meu período de vida (tenho 48 anos no momento em que escrevo isso).

O inimigo não é “a esquerda”. O inimigo não é “a direita”. O inimigo é o embrutecimento que estes dois conjuntos de ideologias depravadas promovem para expandir seu domínio, jogando o tempo todo uma população desesperada por paz, segurança e qualidade de vida no colo um do outro, em fuga, porque o monstro que não está no poder sempre parece menor pior do que o monstro que está no poder.

Precisamos de paz. Precisamos de razoabilidade. Precisamos de modelos que funcionem e que já tenham sido testados, para deixar de cair nos contos de fadas e demônios que a esquerda e a direita nos empurram goela abaixo. E, para obter isso, precisamos estabelecer com clareza quem é o inimigo: a intolerância é o inimigo; o embrutecimento é o inimigo; o extremismo é o inimigo. Precisamos combater a intolerância com metatolerância. Precisamos combater o embrutecimento com ponderação. Precisamos combater o extremismo com moderação. Se falharmos em fazer isso, pode ser que um dia o pêndulo penda tanto para um dos lados que não haja mais volta.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2016

Um critério correto para deportações

Ainda é cedo para emitir qualquer opinião sólida sobre Donald Trump, mas é possível apontar um ou outro ponto nos quais ele está correto. Deportar imigrantes ilegais que cometeram crimes nos EUA é sem dúvida um destes. 

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Não quero entrar no mérito de outros pontos ou mesmo de outras deportações. Quero focar exclusivamente a deportação de criminosos. Eu não vejo como me opor a uma medida destas. Se eu pudesse identificar cada imigrante que cometeu crime no Brasil e deportá-los, eu faria o mesmo. Por que haveria querer manter em meu país alguém que não veio para cá para somar e sim para subtrair? Alguém que pode cometer violência contra mim, contra minha família ou contra meus amigos se ficasse livre e por quem eu teria que trabalhar para sustentar se fosse preso? Isso não faz o menor sentido. Neste aspecto, Donald Trump e seus apoiadores estão certos. Neste aspecto. Foco.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/11/2016

As eleições nos EUA refletem uma tendência mundial preocupante

Não me importa que tenha vencido o Donald Trump. Não me importa que tenha perdido a Hillary Clinton. Não me importa que quem tenha votado nele ou nela tenha sido esta ou aquela fatia do eleitorado. O que eu percebi nestas eleições estadunidenses foi o embrutecimento dos partidos, dos eleitores, da imprensa, da política em geral, não só no contexto dos EUA mas em todo o mundo.

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Em primeiro lugar, a disputa pela candidatura no Partido Democrata foi um sufoco para Hillary. E quem foi que lhe deu aquele sufoco? Bernie Sanders, um socialista declarado. E o mais incrível é que as previsões eram de que Sanders teria mais chance do que Hillary de vencer Trump. Considerando o quanto todos sabemos a respeito do socialismo – um regime que em qualquer de suas versões só produziu degeneração moral, miséria econômica e autoritarismo político onde quer que tenha assumido o controle de um país – é simplesmente aterrador que os EUA tenham corrido o risco de ter um socialista na presidência da República.

Em segundo lugar, a disputa pela candidatura no Partido Republicano foi baseada na desconstrução dos adversários de Trump, numa prévia macabra do que seria a campanha eleitoral, e isso foi bem sucedido dentro do próprio partido, cujos filiados preferiram a política da desconstrução desde a fase da escolha de seu candidato, demonstrando um acirramento da intolerância no coração do partido.

Em terceiro lugar, a disputa pela presidência da República foi um show de horrores, com direito a baixaria explícita, ataques pessoais, desconstrução mútua, propostas impopulares e foco muito mais na promoção da rejeição do adversário do que em um debate que nem de longe se poderia chamar de “político” em um país minimamente civilizado – e se trata do país mais poderoso do mundo, tanto na política quanto na economia e também do ponto de vista bélico.

Em quarto lugar, a imprensa se mostrou parcial, “errou” totalmente em todas as análises e nos deixa sem saber se este erro se trata principalmente de incompetência (por não saber o que estava realmente acontecendo) ou principalmente de corrupção (por saber o que estava realmente acontecendo e dizer o contrário). Qual das duas hipóteses é mais assustadora é difícil de dizer com precisão, mas eu torço muito para que tenha sido predominantemente incompetência, embora sem nenhuma convicção.

Em quinto lugar, a preferência popular foi definida contra alguém muito mais do que a favor de qualquer coisa. Não quero discutir exemplos, porque isso tiraria o foco do que eu estou dizendo, mas sublinho que isso vale tanto no sentido de que muita gente dos dois lados votou muito mais contra um candidato do que a favor do outro e muita gente dos dois lados votou contra determinados grupos sociais ao invés de a favor de propostas justas e construtivas.

Em sexto lugar, estas eleições mostraram mais uma vez que a polarização da sociedade funciona eleitoralmente cada vez melhor. Tudo virou nós contra eles. Trump passou a campanha atacando os imigrantes. A culpa de tudo é dos outros, que tomam nossos empregos e nos trazem criminalidade. Hillary, derrotada, no seu primeiro pronunciamento tratou de atacar um suposto machismo. A culpa de tudo é dos outros, que são preconceituosos e dificultam a ascensão das mulheres. Perceba: qualquer semelhança entre esta dinâmica e a campanha de xenofobia e intolerância que levou ao Brexit não é mera coincidência. É o mesmo fenômeno, trocando os mexicanos pelos poloneses e os cartéis do narcotráfico pelos extremistas islâmicos.

Em sétimo lugar, as consequências internacionais já no primeiro dia são de aprofundamento dos conflitos. A extrema-direita na França adorou a vitória da xenofobia nos EUA. A esquerda em Cuba protagonizou um espetáculo ridículo de mobilização de tropas “para enfrentar ações do inimigo”, repetindo o nome e o método da operação “Bastião” executada quando Ronald Reagan foi eleito. O governo corrupto e violento do russo Vladimir Putin e a ditadura comunista do chinês Xi Jinping acenaram com felicitações e desejo de colaboração. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu responsável por uma política linha-dura e conflitiva no Oriente Médio, declarou-se um verdadeiro amigo dos EUA e ansioso para trabalhar em conjunto para ampliar a segurança na região. Ali Khamenei, aiatolá no Irã, disse que Trump não venceu por ter sido populista, mas por ter dito a verdade. Todos os autoritários do mundo se regozijaram pela vitória de um candidato xenófobo, misógino, boquirroto e fanfarrão nos EUA.

Entre todas as reações que vi, de diversos outros países, somente a chanceler alemã Angela Merkel deixou claro que a cooperação entre seu país e os EUA depende do respeito aos Direitos Humanos sem qualquer discriminação de raça, sexo ou religião. Rodrigo Duterte, presidente das Filipinas, significativamente sublinhou a importância do Estado de Direito nas relações entre os países. As demais reações foram predominantemente protocolares.

Eu poderia continuar longamente citando indícios e exemplos do embrutecimento generalizado refletido por estas eleições nos EUA e suas repercussões mundo afora, mas a própria confecção de uma lista mais extensa do que esta no fundo também seria um exercício de embrutecimento. Os sinais estão claros o suficiente: salvo alguma reviravolta espetacular e imprevisível, estamos trilhando um caminho de acirramento de posições políticas, sociais e econômicas extremistas, de aprofundamento de conflitos e de enfraquecimento do Estado de Direito, tendo como pano de fundo o desencanto com a política devido à insuportável corrupção e aos ultrajantes escárnios da classe política para com o senso de dignidade, a qualidade de vida e as esperanças do cidadão comum, que se embrutece cada vez mais, caindo na armadilha de uma espiral de intolerância crescente que retroalimenta e agrava os problemas que o exasperam.

As eleições presidenciais americanas de 2016 são apenas o reflexo deste conjunto de fenômenos. O que é assustador é que isso tenha chegado ao ponto de contaminar os dois partidos que dominam a política do país mais poderoso e influente do mundo, que podem deixar de representar valores republicanos e democráticos (sem trocadilho com o nome dos partidos) e capitanear o mundo inteiro a uma era obscurantista numa escala sem precedentes.

Se em um passado não muito remoto o século XVIII nos trouxe os incríveis avanços do iluminismo e ficou conhecido como “O Século das Luzes”, hoje precisamos fazer um imenso esforço para que o século XXI não nos traga um panorama político, econômico e social que fique conhecido como “A Segunda Idade das Trevas”.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/11/2016

Quadrilhas criminosas especializadas em teatro político

Uma das coisas que eu considero mais fantásticas nas análises políticas que eu vejo tanto na grande mídia (“séria”, “oficial”)  quanto nas redes sociais (passionais, voluntariosas) é o absurdo pacto de hipocrisia com que são tratados indivíduos e organizações que continuam a ser tratados como se sérios e respeitáveis fossem, quando todas as evidências apontam de modo massivo e cabal na direção oposta, revelando-se um cenário de criminalidade institucionalizada para qualquer um que não insista em viver no conto de fadas da Roupa Nova do Rei.

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Vejam bem: não estou falando de ninguém em especial, nem de qualquer organização em especial, empresa, partido político, instituição pública ou ONG. Estou falando da ridícula mania de fingir que alguém é honesto e respeitável até sentença penal transitada em julgado, quando todos sabemos que é impossível que certos indivíduos, pelas coisas que dizem, pelos bens que amealham em curto espaço de tempo e por suas atitudes em geral, ou certas organizações, pelas decisões que tomam, pela maneira que agem e pelo recorrente envolvimento de inúmeras de suas lideranças em escândalos de corrupção, sejam minimamente honestos ou honrados.

Dentre todas as possibilidades, a que mais me incomoda é a figura do partido político que com grande freqüência têm membros de seu alto escalão condenados pela justiça por crimes diversos e cuja militância, ao invés de condenar os ilícitos e expulsar sumariamente os infratores, realiza atos de desagravo a criminosos, faz vaquinhas para pagar suas despesas, discursa apaixonadamente em defesa de diversos condenados por diversos crimes em diversas instâncias e acusa a Justiça em si de estar “perseguindo injustamente” seus correligionários, “criminalizando o partido” e se comportando ela própria de modo criminoso, devendo os juízes que condenam criminosos eles mesmos serem punidos e irem para a cadeia.

Entretanto, lá vejo eu na grande mídia e nas redes sociais os partidos que possuem esta prática serem tratados como partidos políticos e não como as grandes quadrilhas criminosas especializadas em teatro político que de fato são. Nós os vemos criando um programa “importantíssimo para a cidadania” ontem, quando detinham o orçamento em suas mão, e os vemos obstruindo votações e votando contra o financiamento destes programas hoje, quando o orçamento está em mãos de terceiros. Nós os vemos primeiro elogiando um parceiro para auferir o tempo de TV que aquele aporta à campanha e depois enxovalhando o parceiro que se afastou porque foi posto para escanteio depois das eleições. Nós os vemos desprezar o diálogo e impor sua agenda quando estão no poder e apelar para o sentimentalismo pueril elogiando o diálogo e a negociação quando perdem o poder.

E continuamos, após todas as evidências acachapantes de que tais partidos só se interessam pela justiça quando ela atinge os outros e só se interessam pelo diálogo quando não têm outra opção, a chamar estes farsantes de legítimos. E continuamos, após todas as evidências acachapantes de que tais partidos tomaram de assalto as instituições do Estado, aparelharam os órgãos públicos, rapinaram os cofres das administrações que detiveram e cometeram todo tipo de manobra escusa possível para evitarem que a verdade viesse à tona e a justiça fosse feita, a chamar estes criminosos de políticos.

Se um bicho pesa seis toneladas, é cinza, tem tromba preênsil, presas de marfim e vive na savana é um elefante. Não chamamos este bicho de baleia porque é pesado, de anta porque tem tromba, de lobo porque tem presas, de leão porque vive na savana ou de peixe-boi porque é cinza. Não tentamos nos enganar quanto à natureza do bicho porque uma ou outra de suas características é compatível com a descrição de um outro bicho. E não negamos que se trata do bicho que realmente é só porque uma de suas características menos relevantes eventualmente não combina com a descrição habitual do bicho – afinal de contas, um elefante albino ainda é um elefante.

Já em relação aos partidos políticos, só porque eles possuem um registro que diz que é isso que eles são, nós consideramos “excessivo” ou até mesmo “ofensivo” se alguém “generalizar” dizendo que um ou outro deles se trata na verdade de uma organização criminosa que finge ser uma instituição legítima para se apoderar do controle do Estado e de seus recursos. Nós olhamos todo o conjunto das características que eles apresentam, em especial seus crimes, incoerências, falácias e bravatas, e no entanto dizemos que eles são instituições legítimas apenas porque tecnicamente organizações criminosas não possuem CNPJ, como se fosse possível dizer que o elefante albino não é um elefante apenas porque tecnicamente os elefantes não são brancos.

Precisamos aprender a interpretar as evidências como elas são, não como os criminosos querem que interpretemos seu teatrinho.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/10/2016

Cláusula de barreira: atentado contra a democracia

Toda vez que se fala no número de partidos políticos e na existência de legendas de aluguel o tema “cláusula de barreira” volta ao debate. É uma solução fascista para tentar coibir a venda de espaço no rádio e na TV por legendas que são criadas somente para este fim ou para arrecadar dinheiro do fundo partidário. Mas a solução correta nunca é fascista.

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A solução correta para essa questão passa por três medidas.

Primeira, a extinção do fundo partidário e a proibição das doações feitas por não-filiados! Partido político não tem que ser financiado por quem não é filiado nele. Nem o não-filiado tungado por impostos para pagar por coisas nas quais não acredita, nem o não-filiado que “acredita” na causa o suficiente para dar dinheiro mas não para associar seu nome à legenda.

Segunda, o parlamentarismo! No presidencialismo, primeiro o chefe de governo se elege, depois sai correndo atrás das legendas mendigando apoio para conseguir governar, sendo chantageado e obrigado a distribuir cargos e ceder em inúmeras questões administrativas. No parlamentarismo, primeiro as legendas precisam compor uma maioria estável, depois elegem o chefe de governo de comum acordo e se responsabilizam pela qualidade de seu governo, sendo governo e maioria duramente fiscalizados pela minoria. Isso exige responsabilidade dos partidos políticos e elimina outras moedas de troca que não o apoio parlamentar efetivo e explícito, ajudando a tornar o sistema transparente.

Terceira, o voto facultativo! É um absurdo obrigar a votar quem não quer votar e nem sabe o que está fazendo ao votar. Um eleitor só deve ir às urnas se tiver convicção de que o seu voto vale o esforço de se deslocar até uma seção eleitoral para ajudar a contribuir com a escolha dos destinos do país. Isso exige dos partidos a formação de uma identidade clara e a busca do convencimento real dos eleitores, ou eles simplesmente não conferem representatividade ou legitimidade às legendas.

São medidas viáveis e que não dependem de alterações de cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Partidos auto-financiados, sem moedas de troca espúrias para corromper o jogo político, fortalecidos pela responsabilidade de sustentar o governo ou exercer oposição de fato. Com um sistema assim, o país pode ter tantos partidos quantos surgirem – a democracia sempre sairá ganhando.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/09/2016

 

Uma coisa é pensar diferente, outra coisa é defender práticas criminosas

Os “esquerdinhas paz e amor” são um bando de estúpidos. Podem ser honestos, podem ser bem intencionados, mas na prática defendem uma ideologia criminosa que gera depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político onde quer que assuma o controle. São, portanto, inimigos da paz, da justiça, da prosperidade e do bem estar humano, não importa que pensem que não são. 

Todo mundo mente - o PT é inocente

Eu escrevi o parágrafo acima no Facebook. Como era previsível, um dos meus amigos “esquerdinha paz e amor” veio dizer bobagem logo abaixo. Literalmente ele disse o seguinte:

“Quem pensa diferente de mim é bandido”
Cara, vira o disco. Aprende a argumentar decentemente.

Para quem ainda é ingênuo o suficiente para não perceber o que está por trás disso, eu esclareço: isso é idêntico ao Bandido da Luz Vermelha dizer para você “quem pensa diferente de mim é bandido”. Você daria atenção ao Bandido da Luz Vermelha defendendo sua posição com este argumento? Óbvio que não, certo? Então, por que raios você dá atenção aos Bandidos das Bandeiras Vermelhas quando eles defendem seus crimes exatamente desta maneira?

O argumento decente contra o Bandido da Luz Vermelha e os Bandidos das Bandeiras Vermelhas é exatamente o mesmo: cadeia. Você não dá credibilidade a quem defende abertamente a legalização do homicídio porque eles dizem que “pensam diferente”. Você não dá credibilidade a quem defende a implantação de ditaduras sanguinárias porque eles dizem que “pensam diferente”. Por que raios você dá credibilidade a quem defende a legalização e a implantação de tudo o que é imoral, indecente, desumano, maldoso e criminoso só porque eles dizem que “pensam diferente”?

Qual é o seu problema para entender que tudo o que a esquerda defende é pernicioso e sempre que foi implantado destruiu os ambientes em que foi implantado, causando depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político, em qualquer momento da história desde a Revolução Francesa?

Veja o caso do PT.

Os amigos do PT e defensores da mesma ideologia são Cuba, que até pouco tempo atrás matava por fuzilamento quem pensava diferente ou tentava sair da ilha para não ser escravizado pelo governo “democrático” do esquerdista Fidel Castro; Venezuela, que está em crise humanitária por desabastecimento de comida e colapso econômico total devido ao governo “democrático” do esquerdista Nicolas Maduro; Coréia do Norte, onde há relatos de terríveis violações humanitárias, inclusive de canibalismo devido à fome extrema promovida pelo governo democrático do esquerdista Kim Jong-un, este copiosamente elogiado pelo PC do B, partido aliado do PT; Líbia, que foi dominada por quatro décadas pelo ditador esquerdista Muamar Kadafi, aquele que mantinha meninos e meninas como escravos sexuais e que Lula chamou de “meu amigo, meu irmão e meu líder”; e o Estado Islâmico, que degola inocentes em frente às câmeras de TV para fazer propaganda da Jihad e que Dilma disse que precisava ser tratado com “diálogo e diplomacia”.

E, quando o PT governou este país, implantou uma cultura abjeta de coitadismo, em que o maior mérito de uma pessoa é ser um “oprimido” incapaz e pedinte do governo, lançou o país na pior crise econômica de sua história, com anos seguidos de recessão, desemprego, quebradeira de empresas e até de cidades inteiras, conflitos por todos os lados, roubalheira desenfreada e autoritarismo intolerante com deboche e escárnio sobre as vítimas, acusadas de “não quererem perder seus privilégios” quando na verdade estavam sendo roubadas e humilhadas por um bando de ladrões e canalhas.

Qual é a sua dificuldade para entender que o PT é uma quadrilha criminosa? E que seus membros e seus aliados também são todos criminosos?

Qual é a sua dificuldade para entender que qualquer um que apoie quem apoia tudo isso ou é criminoso também ou é completamente estúpido e incapaz de fazer uma leitura minimamente realista, racional e ética da realidade?

A este ponto da história do país, se você ainda apoia o PT, se você ainda fala em “golpe”, se você ainda credita à “direita” os males pelos quais passa o Brasil e a crise moral, cultural, política e econômica que atravessamos, lamento muito, mas você ou é um criminoso, ou é um estúpido.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/09/2016