Meus artigos sobre a Copa do Mundo 2014

Eis os meus quatro artigos sobre a Copa do Mundo: 

Fuleco
O motivo pelo qual ninguém nunca viu o Fuleco durante a Copa do Mundo da FIFA

Brasil, mostra a tua cara! (Sobre o que eu gostaria que acontecesse fora de campo durante esta Copa e por que isso seria bom para o Brasil.) 

Respondendo ao Estadão (Sobre o motivo pelo qual a seleção de futebol perder a Copa o quanto antes seria o melhor para o Brasil.) 

Saturação de futebol (Sobre o que estava acontecendo no Brasil real durante a Copa da Alienação.) 

Obrigado, Alemanha! (Sobre as reações de vandalismo e violência à derrota do Brasil na Copa e seu significado.)

Lista organizada a pedido de um internauta anônimo. Boa leitura! 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/07/2014 

Obrigado, Alemanha!

A Alemanha nos fez o favor de nos devolver à realidade, um favor que Chile e Colômbia, tão latinos e tão emocionalmente tíbios quanto o Brasil, não nos puderam fazer. 

Polícia detém depredadores após derrota perante Alemanha

Segue a cópia de duas reportagens, uma do jornal El País e a outra do site Boa Informação. Eu volto na seqüência. 

Dezenas de ônibus são queimados no Brasil após a derrota

Curitiba, Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Salvador e Recife registram episódios de violência durante e após a goleada alemã

As principais cidades brasileiras vivenciaram episódios de violência nesta terça-feira durante e após a goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha, que marcou a eliminação do país da Copa do Mundo. Dezenas de ônibus foram incendiados e torcedores acabaram detidos por brigas e confusões, forçando as autoridades a ampliar a segurança para evitar que os casos aumentem nas próximas horas.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já afirmou que o governo federal está reforçando as medidas de segurança em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro como prevenção a manifestações mais violentas após a derrota brasileira, segundo informações da Agência Estado.

Em Belo Horizonte –local da partida– foram registrados os maiores focos de violência. A tradicional região da Savassi, reduto boêmio da capital mineira, reuniu cerca de 25.000 torcedores e inúmeras confusões. Durante o jogo, quatro pessoas foram presas e 12 ficaram feridas durante brigas na rua, de acordo com a agência France Presse. Segundo o site UOL, quatro pessoas chegaram ainda a ser expulsas do estádio do Mineirão por atitudes de violência e vandalismo.

Já em São Paulo, a partir das 19h15 ocorreram ataques a ônibus nas zonas sul, leste e norte paulistanas. Cerca de 20 coletivos teriam acabado em chamas em uma garagem, de acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo. Outros veículos do mesmo porte também teriam sido incendiados em diferentes regiões, e um, depredado na Vila Medeiros, na zona norte.

No Rio de Janeiro, também houve brigas e correria no perímetro da Fan Fest, na praia de Copacabana. O espaço da FIFA equipado com telão chega a reunir cerca de 20.000 torcedores a cada jogo do Brasil. Pessoas relataram ter visto princípios de arrastão e disputas entre os que acompanhavam o jogo no local. Segundo a polícia, seis acabaram detidos devido às confusões, de acordo com o jornal Folha de S.Paulo.

Em Curitiba houve ainda depredação, mas a prefeitura afirma que foram atos de vandalismo isolados. O prefeito, Gustavo Fruet, escreveu em sua conta no Twitter: “Não se trata de nenhuma manifestação e não se pode admitir vandalismo por causa da derrota”. Em um terminal, algumas peças de um ônibus foram arrancadas e veículos de linhas municipais foram apedrejados, segundo informações da Gazeta do Povo. Houve ainda três casos de tentativa de incêndio, que acabaram controlados por populares, de acordo com a mesma fonte.

No Recife, a confusão começou antes do término da partida. Na Fan Fest da FIFA, que fica no centro da capital pernambucana, a polícia entrou com a cavalaria e usou gás lacrimogêneo para dispersar uma briga generalizada, segundo o UOL. Pessoas chegaram a ser pisoteadas, ainda de acordo com o portal, mas a organização do evento não informou sobre feridos.

Já na Fan Fest de Salvador, cujo público pode ter chegado a 50.000 pessoas nas imediações do Farol da Barra, também houve tumulto, que terminou com três homens e uma mulher detidos, segundo a mesma fonte. 

Fonte: El País

E: 

Atos de vandalismo se espalham pelo Brasil depois de goleada da Alemanha.

A humilhante derrota da seleção brasileira perante a Alemanha por 7 a 1 na semifinal da Copa do Mundo provocou uma reação de ira em parte da população que foi expressada com ônibus incendiados, depredação do patrimônio público e privado e uma onda de assaltos em várias cidades.

Enquanto a tristeza tomava alguns lugares preparados para a celebração, como o boêmio bairro de Vila Madalena e a Fan Fest de São Paulo, de onde muitas pessoas saíram antes mesmo do final do jogo, outros pontos da maior cidade brasileira eram testemunhas de uma onda de violência.

A empresa municipal de transportes SPTrans confirmou que a garagem de uma empresa de ônibus na zona sul da cidade, próxima à represa de Guarapiranga e da estrada de M’Boi Mirim, foi atacada por desconhecidos, que atearam fogo em 15 ônibus que estavam estacionados e fora de serviço. 

O fato ocorreu meia hora depois do final da partida disputada em Belo Horizonte. A polícia informou à Agência Efe que ninguém ficou ferido no ataque.

Na Avenida Yervant Kissajikian, na região sudeste da capital paulista, um ônibus foi incendiado, enquanto no bairro Jardim Presidente Dutra, em Guarulhos, também na região metropolitana, outro veículo do transporte público foi atacado com fogo.

Próximo a Guarulhos, no bairro Sapopemba, outro ônibus foi abordado por desconhecidos, que pediram aos passageiros que saíssem e incendiaram o veículo. No bairro de São Mateus, uma loja de eletrodomésticos foi depredada e três homens e dois adolescentes foram presos pela Polícia Militar.

Em Belo Horizonte, palco da partida, o boêmio bairro de Savassi, o mais visitado por turistas nacionais e estrangeiros com uma média de 25 mil pessoas em seus bares e ruas, registrou várias confusões, que terminaram com 12 detidos.

Dentro do estádio ocorreram alguns incidentes e várias pessoas que tentaram destruir parte do patrimônio público precisaram ser retiradas do Mineirão e acompanhadas pela polícia até a saída, segundo as autoridades.

Em Salvador, a Fan Fest da Fifa, que reunia 50 mil espectadores, teve que ser suspensa por conta de uma confusão que terminou em pancadaria e em tentativa de assalto coletivo. Três homens e uma mulher acabaram sendo detidos pela polícia.

Na praia de Copacabana, uma das maiores concentrações de turistas desta Copa, três pessoas foram detidas por causar uma confusão que assustou grande parte das pessoas que saíram em pânico, correndo, sem saber o que acontecia e pensando que se tratava de um arrastão.

Em Recife, a Polícia Montada teve que interromper a Fan Fest e usar gás lacrimogêneo para dispersar uma briga entre torcedores durante a partida. Na ação, algumas pessoas acabaram pisoteadas pelos cavalos.

Finalmente, em Curitiba, 15 ônibus foram apedrejados e outro assaltado e incendiado no bairro Sítio Cercado, de acordo com a informação do Centro de Controle Operacional Urbs, que não reportou feridos durante os atos de vandalismo. 

Fonte: Boa Informação

AGL

O Brasil da Copa das Copas de repente saiu do transe do oba-oba futebolístico lobotomizante e mostrou quem é: incapaz de lidar com uma frustraçãozinha ridícula em um mero evento de entretenimento, emergiu do coma alienante em uma explosão de vandalismo, violência e criminalidade. Uma selvageria… Por causa de uma porcaria de uma partida de futebol. 

O clima emocional é de trauma nacional. Pouca gente já se deu conta da profundidade e da extensão do dano provocados pela acachapante derrota de 7×0 perante a seleção da Alemanha. (Não, não foi 7×1, porque o único gol do Brasil foi obtido por pura caridade da equipe da Alemanha, penalizada com a incompetência técnica e a miséria tática da seleção do Brasil.) 

O alcance deste evento no imaginário e na auto-imagem nacionais ainda não foi percebido. Ainda não caiu a ficha. A derrota de 1950 perante o Uruguai por 2×1 finalmente deixará de assombrar o Brasil. Ela passará a parecer uma lagartixa perto do Tyranossauro rex que representa o 7×0 perante a Alemanha. (Tá bom, foi 7×1, não vamos discutir por isso). 

O estrago foi tão grande que a maior parte do país ainda está anestesiada. Onde o efeito da anestesia já passou, a explosão de brasilidade foi intensa. Sim, brasilidade é isso que os brasileiros fizeram: acender um estopim de intolerância e brutalidade e sair arrebentando o país, depredando patrimônio público e privado, provocando brigas e agressões, cometendo assaltos e enfrentando a polícia por causa de uma frustraçãozinha ridícula em um mero evento de entretenimento.

E de repente o Brasil real voltou a ser reconhecível por dentre as brumas de ilusão da grande mídia comprometida com o lucro gerado pela prestidigitação pachequista. Ainda que isso tenha sido um breve espasmo de sinceridade e que volte a omitir a realidade, filtrar a informação e impor um quadro cor-de-rosa pintado sobre uma parede de fuligem, o que vazou é suficiente para escancarar que as súbitas e aparentes eficácia e excelência que surpreenderam os brasileiros e a mídia internacional no decorrer da Copa, em contraste com o que se previa, nada mais eram do que uma impressão falsa causada por muita alienação e maquiagem. O verdadeiro Brasil novamente emergiu do lodo em que vive e no qual há anos se atola mais e mais. 

Agora que a grande mídia já se locupletou e que o Brasil fará de qualquer modo sete jogos, esperemos que voltem ao noticiário as informações que vinha omitindo ou relegado a notinhas de rodapé, como as quatro mortes diretamente provocadas por desabamentos de Obras da Copa, duas no Itaquerão e duas no viaduto de Belo Horizonte.

Agora que o oba-oba levou um chucrute na cara, esperemos que os brasileiros passem a se preocupar mais com os assassinos que mataram operários e outros trabalhadores e menos com o jogador que machucou acidentalmente o colega com quem vai jogar no mesmo time na próxima temporada.

Sério: o que é mais importante? Investigar e apurar a responsabilidade dos contratantes, planejadores e executores de Obras da Copa Que Matam ou de jogadores que exageram numa falta em uma partida de futebol mal apitada? Analisar o quadro político nacional e os rumos errados que o Brasil tem tomado na economia ou discutir os furos no meio-de-campo de um time de futebol? Qual é a noção de prioridades dos brasileiros? 

Os partidários do governo federal – que piada – já estão esbravejando sobre o “uso político da derrota da seleção”, o que mostra que estes safados sabem muito bem que a “Copa das Copas” sempre teve um imenso viés político. Vamos tirar uma febre do resultado da manobra ouvindo atentamente o que o povo cantará quando a presidANTA entregar a taça à seleção campeã.

Ah, sim, claro… Não será o povo, será a “elite branca paulistana”, será um monte de “coxinhas”. Mas peraí… Quer dizer então que o PT gastou bilhões de reais dos cofres públicos para produzir um espetáculo de entretenimento para coxinhas se divertirem e a FIFA lucrar enquanto o povo era excluído dos estádios? (Ou é uma coisa, ou é a outra. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come – que delícia ver o feitiço virar contra o feiticeiro.) 

Precisamos agradecer à Alemanha. Perder de 1×0 não seria suficiente. Tinha que ser uma bofetada na cara para o brasileiro perder o rebolado e parar de se iludir com a História da Carochinha de que o país vai bem. Não vai. Quando o moral de todo um povo desaba e convulsiona perante uma porcaria de uma partida de futebol, é porque o país vai muito mal. Muito, muito mal. O moral do Japão não caiu tanto com duas bombas atômicas quanto o moral do Brasil caiu por causa de sete gols. Isso é ridículo. Isso é vergonhoso. Isso é desastroso. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 09/07/2014 

Tirem a polícia dos estádios de futebol!

A polícia não pode servir como segurança privada para empresas de entretenimento com fins lucrativos. Os clubes de futebol são empresas deste tipo e precisam assumir a responsabilidade pela garantia da segurança dos freqüentadores de seus espaços, assim como qualquer estabelecimento comercial. 

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Teoria dos Jogos aplicada à alegria no futebol: uma proposta de aperfeiçoamento na contagem dos pontos

Antigamente era assim: dois pontos pela vitória, um ponto pelo empate, zero pontos pela derrota. Um jogo de soma zero. Lá pelas tantas a FIFA resolveu valorizar o jogo ofensivo, atribuiu três pontos à vitória e transformou o futebol em um jogo de soma negativa. Isso fez bem ao futebol. O que eu proponho agora é usar a mesma estratégia para acabar com os jogos-marmelada em que o empate em zero a zero favorece os dois times. Isso faria muito bem ao futebol.  Continue reading “Teoria dos Jogos aplicada à alegria no futebol: uma proposta de aperfeiçoamento na contagem dos pontos”

A solução para o Brasil é proibir o futebol

Navegando pelo Orkut e pela blogosfera eu sempre me incomodei com o fato de que artigos ou tópicos sobre determinados assuntos banais rendem discussões intermináveis enquanto propostas de debate sobre assuntos importantíssimos afundam inapelavelmente. Acho que entendi o motivo: são os “tópicos pebolim”. Explico. 

Aviso Anti-Aporrinhação: xô mau humor. Continue reading “A solução para o Brasil é proibir o futebol”

Dar importância ao que é importante

Você já viu as novas propagandas do campeonato paulista de futebol na SporTV? Numa delas, que explora a rivalidade entre Santos e São Paulo, ocorre uma alusão ao bicho que representa o SPFC (contra a vontade de seus torcedores, claro). Pois esta banalidade já está trazendo protestos da torcida do SPFC e do movimento LGBT, que acusa a propaganda de “denegrir a imagem dos homossexuais” (como se alguém conseguisse fazer isso melhor que as lideranças LGBT). Continue reading “Dar importância ao que é importante”