Você quer Sérgio Moro no STF?

A campanha “Moro no STF” foi lançada imediatamente após a morte do ministro do STF Teori Zavascki e muita gente gostou da idéia e saiu compartilhando e fazendo abaixo-assinado. Mas será que alguém parou para pensar no que acontecerá se o presidente Michel Temer fizer essa indicação?

Em primeiro lugar, Sérgio Moro aceitará a indicação e o Senado o confirmará. Nenhum juiz deixaria de aceitar, mesmo que o resultado disso fosse a queda de um novo meteoro que extinguisse a espécie humana. E o Senado jamais perderia a oportunidade de retirar da Lava-Jato sua principal força motriz. Além disso, se não aceitasse, Moro seria enxovalhado na imprensa, na blogosfera suja e nas redes sociais, seria chamado de covarde e omisso e perderia grande parte de sua popularidade e influência. Portanto, havendo a indicação, Moro no STF são favas contadas.

Em segundo lugar, Michel Temer virará herói nacional. Ele, que foi o vice de Dilma e do PT, que também foi citado em delações premiadas da Lava-Jato e que está se tornando conhecido como o presidente iô-iô: toma uma decisão, recua, toma outra decisão, recua, toma mais uma decisão, recua. Com Moro no STF por indicação sua ele “afastará todas as suspeitas” sobre si e no mínimo atrasará muito as investigações sobre si que correm na Lava-Jato. Talvez consiga sustá-las.

Em terceiro lugar, a Lava-Jato será muito enfraquecida. Sem a presença de Sérgio Moro, assuma quem assumir, mesmo que seja um clone do Moro, a Lava-Jato perderá continuidade, perderá ímpeto, perderá conhecimento agregado, perderá integração de equipe, perderá articulação. Trocar um juiz no meio de um processo imenso como a Lava-Jato é como pedir para um escritor ou um músico terminar um livro ou uma sinfonia começado por outro autor – não funciona direito.

Em quarto lugar, Sérgio Moro no STF não poderá ser relator da Lava-Jato, nem confirmar, nem revisar nenhuma das sentenças que tiver emitido na primeira instância, sendo obviamente obrigado a declarar-se impedido: não é possível que a mesma pessoa revise em última instância a decisão que proferiu em primeira instância. Quem acha que o novo ministro do STF deve automaticamente assumir os processos do ministro que sai (ou que morre) esquece disso.

E aí? Você ainda quer Sérgio Moro no STF?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/01/2017

Caixa 2: um bom acordo é um acordo possível

A possibilidade de os parlamentares de nosso Congresso Nacional fazerem um grande acordo e votarem uma anistia para os crimes associados à prática de Caixa 2 nas eleições dos últimos anos está fazendo surgir análises muito interessantes sobre as possíveis linhas de ação que se abrem para tentarmos corrigir os rumos políticos e econômicos de nosso país. Uma delas é esta aqui, que recebi há alguns dias:

Tem uma regra, quando a gente aprende sobre negociação e teoria dos jogos, que diz o seguinte: numa negociação, por mais forte que seja sua posição, você precisa dar ao outro lado a alternativa de uma saída honrosa. Na prática significa que, se você pressionar demais, existe o risco iminente do outro lado simplesmente tomar uma atitude desesperada que, no final, pode não ser do seu interesse.

Tenho pensado sobre isso quando leio sobre a anistia do Caixa 2. Se a gente se distanciar um pouco e tirar a paixão da mesa, o problema não tem solução simples.

Pense: a maioria absoluta dos políticos se elegeu com Caixa 2. Outros tempos, onde essa contravenção recebia vista grossa de todos. Inclusive de nós, cidadãos. Naqueles tempos, ninguém esperava uma Lava Jato da vida. Então, se não houver anistia, não é um ou outro que cairá. Vai ser um desmanche do Congresso.

Veja, não estou dizendo que não é correta a punição. Óbvio que é. Mas do nosso lado, do lado de quem espera um país melhor, vale a pena pensar o que vai representar esse rapa. Interessa para a nação que o país mergulhe num caos institucional onde a esmagadora maioria dos políticos será acusada de uma prática criminosa? Acho que não.

Só que também não acho que a solução seja uma anistia.

Então, acho que é a hora de surgirem propostas alternativas.

Uma ideia poderia ser um programa de admissão de culpa.

Funciona assim:

Os políticos que admitirem a prática de Caixa 2 no passado, poderão terminar seus mandatos e a única punição que receberão é a inelegibilidade por oito anos.

Imagine o quanto isso economizaria em tempo e dinheiro na coleta de provas, por exemplo. Com isso, seria estabelecida uma nova ética. O próximo Congresso não teria eleitos com Caixa 2 e, em troca, não pararíamos o país numa caça às bruxas. Apenas os políticos que não aderissem ao programa estariam expostos à Lava Jato. Tenho certeza que uma meia dúzia de punições exemplares convenceriam os outros a admitirem a culpa para fugir das consequências. Porque, convenhamos, além de canalhas, são covardes.

Minha resposta inicial a esta possibilidade foi a seguinte:

É uma idéia bem interessante. Não vai rolar, porque por um lado os bandidos têm a faca e o queijo na mão e pretendem continuar livres e roubando e por outro lado os “moralizadores” estão envenenados e babando de ódio. Mas seria bem interessante analisar um compromisso desse tipo, que nos livrasse da camarilha de ladrões no Congresso e permitisse que os esforços da Polícia Federal e do Judiciário se concentrassem nos restantes. Só acho que os caras tinham que nem terminar os mandatos. Deviam cair fora imediatamente e permanecer inelegíveis até as eleições de 2026 (inclusive). Aí eu toparia totalmente.

Vamos analisar tudo isso com mais cuidado.

Caixa 2: qual o tamanho do problema?

Em primeiro lugar, vamos retomar a razoabilidade: o Congresso Nacional não vai promulgar leis que coloquem os próprios deputados e senadores na cadeia. Pelo contrário, apesar de toda a pantomima que assistimos na declaração conjunta de Michel Temer, Renan Calheiros e Rodrigo Maia de que não haveria a menor possibilidade de promulgar uma lei que concedesse uma anistia, o óbvio continua sendo que nenhum parlamentar que tenha cometido crimes associados a Caixa 2 de campanha vai votar qualquer coisa que possa colocá-lo na cadeia. Combinar o contrário é um acordo impossível.

Em segundo lugar, vamos relembrar que não é necessário promulgar lei alguma para que os crimes associados sejam punidos, porque lavagem de dinheiro, corrupção passiva e outros ilícitos comumente associados à prática de Caixa 2 já são crimes.

O problema que temos em mãos é justamente um Congresso Nacional com uma grande quantidade de parlamentares que praticaram Caixa 2 e outros ilícitos associados em uma época em que ninguém dava muita bola para isso. Estes parlamentares obviamente estão se sentindo ameaçados, pressionados muito além do que podem tolerar, e farão tudo o que estiver a seu alcance para evitar passar alguns anos na cadeia. Este interesse comum é muito maior do que qualquer fidelidade ideológica ou partidária. Não é algo sobre o que eles possam dizer “ah, paciência, desta vez me dei mal”. Nada disso. É algo em relação ao que eles farão todos os esforços possíveis, o que certamente não será bom para o país.

Punir alguns é mais importante que salvar milhões?

Eu acho que seria melhor para todo mundo – para nós e para eles – se concedêssemos, sim, uma anistia condicional a quem tiver praticado algum destes crimes. A minha proposta seria alguma coisa mais ou menos assim:

  1. Qualquer parlamentar ou governante ou filiado em partido político do país, de qualquer esfera, tem um prazo de noventa dias para, voluntariamente, abdicar imediatamente de seu mandato e de qualquer ligação com partido político, confessando ter praticado crimes associados à prática de Caixa 2 e dando detalhes de todas as operações.
  2. O parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão ficará inelegível e proibido de participar de quaisquer atividades ou eventos político-partidários até as eleições de 2026, inclusive.
  3. Nenhum parlamentar ou governante ou filiado em partido político que fizer esta confissão será julgado por qualquer dos crimes associados à prática de Caixa 2 que confessar, mesmo que já esteja sendo investigado.
  4. A contagem do prazo prescricional dos ilícitos confessados ficará suspensa até o dia das eleições de 2026, quando serão considerados prescritos todos os ilícitos, de modo condicional ao não cometimento de novos ilícitos no período.
  5. O cometimento de qualquer irregularidade de natureza penal, associada ou não à atividade política, desde a assinatura da confissão até o dia das eleições de 2026, revogará esta anistia, inclusive retroativamente.
  6. Não haverá reedição desta lei até pelo menos o ano de 2050.

Traduzindo: quem pisou na bola sai de cena e não incomoda mais até 2026. Quem se emendar se deu bem. Quem pisar na bola de novo vai em cana tanto pelo novo crime cometido quanto pelo antigo já confessado.

Isso nos daria um pouco mais de uma década para consertar o país sem a influência de qualquer infrator, geraria um volume de dados considerável sobre os meandros da corrupção nacional, bem maior do que a Operação Lava-Jato será capaz de produzir, com muito menos esforço, e nos pouparia de muitas manobras políticas e muitas pizzas.

Após mais de uma década fora da política, muito poucos destes infratores retornariam. O país já teria uma nova safra de políticos que teria preenchido o vácuo da atual geração. E aqueles que arriscassem, permanecessem na ativa e fossem condenados pegariam uma cana braba e serviriam de exemplo para que a nova geração não se ariscasse a cometer ilícitos.

Eu acho que isso seria um preço razoável a pagar para nos livrarmos da velha guarda corrupta e acelerar a volta do país para os trilhos do desenvolvimento econômico. O que você acha? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/11/2016

Eu quero igualdade de direitos para valer

Se um grupo ideológico divide a sociedade em termos de sexo, cor e orientação sexual, criando uma situação que me coloca em risco por ser homem, branco e heterossexual, e eu não vejo a maioria das mulheres, não-brancos e homossexuais rejeitando as posições intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda, o mais razoável é que eu me deprima e aceite as teses supremacistas que me violentam ou que eu me defenda em busca de sobrevivência com todos os recursos que estiverem a meu alcance, sem me importar nem com quem está me prejudicando, nem com quem está me negligenciando?

macacos-falantes

Este tipo de raciocínio, de modo ou mais ou menos refinado, ou mais ou menos agressivo e ou mais ou menos consciente está se tornando rapidamente cada vez mais forte entre a população masculina branca heterossexual, tanto mais intensamente quanto mais a esquerda insiste em afirmar que “os homens brancos heterossexuais estão com medo de perder seus privilégios” e as mulheres, não-brancos e homossexuais se omitem em rejeitar as teses intolerantes sexistas, racistas e heterofóbicas da esquerda.

Se não houver uma ampla e imediata tomada de consciência de que a esquerda plantou – vou repetir – teses sexistas, racistas e heterofóbicas entre nós, com o objetivo de cindir a sociedade para dominá-la, a esquerda terá conseguido criar exatamente o conflito que ela afirmava querer eliminar, atingindo com êxito o objetivo de criar uma antes inexistente luta de classes para poder se vender como solução esmagando todo um grupo de pessoas acusadas de nascer do sexo errado, da cor errada e da orientação sexual errada.

Quem me acompanha no blog e nas redes sociais já deve estar de saco cheio de tanto me ver falar em embrutecimento, mas este é precisamente o ponto novamente. Estamos assistindo uma guinada à direita que tem uma grande chance de sair do controle e provocar a mera reversão do tipo de apreciação injusta que o homem branco heterossexual não pertencente à esquerda sofreu nas últimas décadas. Isso seria uma catástrofe e nos lançaria num deplorável conflito fratricida.

Este é um fenômeno que atinge não somente o Brasil, mas todo o continente americano e todo o continente europeu. Uma geração injustiçada está irrompendo em revolta contra acusações abomináveis que lhe rendeu perda de direitos e humilhações quando reclamou por igualdade de fato. A situação é tão grave que eu mesmo, que sou o sujeito que denuncia isso com maior frequência que eu conheço, tenho encontrado dificuldade em escrever sobre isso em termos mais amenos. Ou o mundo ocidental procura um equilíbrio neste momento, ou poderão ser cometidos excessos que acabarão por trazer de volta daqui a alguns anos o monstro que acabamos de derrotar. É um momento que exige profunda reflexão e muito discernimento. É um momento em que temos que retomar o discurso de igualdade das mãos sujas da esquerda e impedir que a direita busque vingança promovendo retaliações ao invés de reequiparações.

Eu gostaria que a reação do homem branco heterossexual que foi tão duramente vilipendiado pelos pervertidos da esquerda nas últimas décadas fosse magnânima e provasse de maneira cabal o quanto a esquerda sempre esteve não apenas errada como profundamente mal intencionada. E gostaria de ver todas as mulheres, não-brancos e homossexuais compreenderem que a situação do homem branco heterossexual de hoje é a de quem sofreu injustiças inomináveis, tendo sua honra e seus direitos como cidadãos atacados no decorrer das últimas décadas, pois é necessário trabalharmos em conjunto para reverter os abusos e promover igualdade de fato entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, cor ou orientação sexual.

O primeiro e mais importante passo a ser tomado é remover de toda e qualquer legislação qualquer referência a sexo, raça ou orientação sexual. Toda e qualquer legislação deve simplesmente garantir direitos iguais para todos os cidadãos, não importa se são homens ou mulheres, se são brancos, pardos, negros, indígenas ou amarelos, se são heterossexuais, homossexuais, transexuais, bissexuais, pansexuais ou assexuais. Estas coisas todas deveriam ser irrelevantes. Não poderiam jamais ter sido usadas para estabelecer direitos diferentes entre os cidadãos.

Este é um momento perfeito para promover uma grande união entre as pessoas de todos os sexos, raças e orientações sexuais para restabelecer a igualdade perante a lei em temas onde foi destruída pela esquerda e estabelecer a igualdade perante a lei em temas onde historicamente nunca houve igualdade, como o serviço militar obrigatório, a licença maternidade ou paternidade, o casamento ou união estável, a eliminação de cotas sexistas e racistas, o nível de investimento em campanhas de saúde, entre outros.

Eu sou homem, branco e heterossexual e não quero assistir uma revanche mesmo tendo sido permanentemente atacado e ofendido nas últimas duas décadas pela perversão esquerdista. Não quero que sejam restabelecidos privilégios, nem quero que conquistas sociais sejam perdidas, mas quero que os novos privilégios de “sinal invertido” sejam eliminados e quero que todas as conquistas sociais sejam universalizadas de modo absolutamente equânime entre todos os cidadãos, independentemente de sexo, raça ou orientação sexual.

Quero que a Lei Maria da Penha seja revogada e substituída por uma lei de proteção universal contra a violência doméstica que proteja igualmente qualquer pessoa de qualquer agressão cometida por qualquer pessoa, porque um menininho ou adolescente ou adulto ou idoso agredido pela mãe ou pela namorada ou pela esposa ou pela filha é tão vítima quanto uma menininha agredida pela mãe ou pelo pai ou pelo irmão ou pelo namorado ou pelo marido. Não há diferença entre as vítimas e não há diferença entre os agressores. Não há razão para que uns sejam condenados de modo diferente que outros em função do sexo com que nasceram ou que adotaram nem para que uns sejam desprotegidos pela lei em função do sexo com que nasceram ou que adotaram.

Quero que a licença maternidade e a licença paternidade sejam tornadas e idênticas e que qualquer pessoa que tenha um filho tenha exatamente as mesmas garantias pelo mesmo período, isso para quem é mãe, para quem é pai e para quem adota uma criança, simplesmente porque isso é o que é justo e não se pode mais manter a barbárie de considerar a maternidade mais valiosa do que paternidade, ou a adoção por uma mulher mais valiosa do que a adoção por um homem.

Quero que o Estatuto da Igualdade Racial e as cotas racistas sejam completamente revogados e jamais restabelecidos para quem quer que seja, porque não é aceitável que pessoas sejam discriminadas pela cor da pele, muito menos que a discriminação seja apresentada como uma coisa boa pelo argumento falacioso e pervertido da “discriminação positiva”, como se fosse possível discriminar alguém positivamente sem ao mesmo tempo necessariamente discriminar alguém negativamente. Basta desta hipocrisia racista.

Quero que o serviço militar seja transformado numa prestação de serviço cidadã obrigatória para todo mundo ou opcional para todo mundo, sem discriminação por sexo e também sem uma cota mínima ou máxima para preencher as vagas com gente deste ou daquele sexo. Direitos iguais não significa interesses iguais e é óbvio, muito óbvio, que sempre haverá mais interesse pelo serviço militar entre os homens do que entre as mulheres. Qual é o problema com isso? Nenhum. Os sexos devem ter direitos iguais, não devem ser forçados a ter interesses iguais.

Quero que a política reflita o real interesse dos candidatos e dos eleitores, para o que é necessário eliminar as cotas na política. Se as mulheres quiserem participar da política, elas têm todo o direito, não é necessário nem razoável que haja uma cota mínima a ser preenchida com candidatos deste ou daquele sexo. Mais uma vez, ter direitos iguais não significa ter interesses iguais, e é notório que em todas as sociedades humanas do planeta, em todas as épocas, o interesse de homens e de mulheres pela política nunca foi, não é e nunca será exatamente igual.

Quero que a lei proteja qualquer pessoa de uma violação de direitos em função de sexo, raça ou orientação sexual, não interessa se em função de homfobia, heterofobia, transfobia ou qualquer outra “fobia” (péssimo sufixo), sem que no entanto isso redunde em criminalização de opinião ou de liberdade de expressão, por mais preconceituosa e ofensiva que seja, porque o direito de pensar como se bem entende é sagrado, assim como o direito de expressar o próprio pensamento, não importa o quanto alguém não goste ou odeie isso. Esta é o fundamento mais importante de uma sociedade livre.

Quero que a lei estabeleça com todas as letras que ninguém tem o direito de não ser ofendido, sob pena de todos termos que viver calados – ou de termos que escolher “vítimas certas” e “vítimas erradas” para o exercício da ofensa e da humilhação, como a esquerda adorava fazer, chamado de “coxinha” e outras expressões ofensivas e depreciativas quem lhe interessava enfraquecer e humilhar.

Quero que a injúria deixe de ser crime, não importa qual seja a qualificadora, porque já passou da hora de deixar de cultivar a frescura. Ninguém é feito de açúcar e xingamento algum tira pedaço ou nega direitos. As pessoas precisam ser ensinadas a ter amor-próprio ao invés de se derreter em manifestações patéticas de coitadismo e retaliação judicial quando ouvem algo que não gostam ou que as ofende. Somente um verme moral derrete perante uma observação excessivamente ácida. Precisamos que as pessoas cultivem a auto-estima de modo positivo, de modo que ofensas sejam inúteis e inócuas, pouco importa se tiverem conteúdo racista, sexista, de intolerância religiosa ou o que for. A ofensa só atinge quem se importa com a opinião do ofensor. Temos que eliminar o poder de quem ofende ignorando completamente qualquer provocação ou ataque injurioso.

Quero uma sociedade de cidadãos sem privilégios de qualquer tipo, nem sociais, nem políticos, nem econômicos, nem de qualquer natureza possível ou imaginável com exceção exclusivamente da perda de direitos advinda de condenação penal. Uma sociedade de pessoas iguais perante a lei, perante umas às outras e perante o espelho, onde ninguém seja favorecido injustamente ou penalizado injustamente, sob qualquer tipo de alegação, porque a dignidade humana é igual para todos, devendo cada um arcar apenas tão somente com as consequências de suas escolhas pessoais.

Igualdade não admite discriminação perante a lei. Esta é uma obviedade que foi obscurecida nas últimas décadas, mas que precisa ser resgatada com urgência em nome tanto da justiça quanto da decência. E é uma necessidade absoluta se quisermos construir um país livre da abjeta exploração política das diferenças entre os sexos, as raças e as orientações sexuais.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/11/2016

STF rasga a Constituição e nos expõe a um risco gravíssimo

Você provavelmente não sabe, e a grande mídia só lançou a notícia em notas de rodapé, mas o Supremo Tribunal Federal acaba de anular uma cláusula pétrea da Constituição de 1988 e de colocar você e sua família em risco. Um risco gravíssimo.

polícia - pé na porta

Estou falando disto aqui:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;       (Vide Lei nº 13.105, de 2015)    (Vigência)

Pois bem… Na última quinta feira, 06/11/2015, o STF decidiu que a polícia pode entrar na casa de quem bem entender, a qualquer hora, sem mandado judicial, visando a busca de provas, bastando para isso apresentar posteriormente uma justificativa por escrito com “fundadas razões”. Sim, pode ser “ouvimos dizer que havia algo errado ali”. Não, isso não é exagero. Basta saber redigir o “ouvimos dizer” com um mínimo de formalidade e alegar que “a dica era quente” com a mesma formalidade.

No caso em tela, para usar o jargão dos advogados, a casa era de um traficante, palavra essa que ao ser citada já desliga o cérebro da maioria das pessoas e as impede de avaliar as conseqüências da aberração jurídica que o STF produziu. É nestas horas que eu dou Graças a Deus pelos leitores do meu blog. Mas eu quero avaliar duas conseqüências graves desta aberração jurídica.

A primeira, que é óbvia, é que na prática a casa deixa de ser o asilo inviolável do indivíduo. Se você percebe a gravidade da anulação desta garantia fundamental, de uma cláusula pétrea da Constituição, eu não preciso explicar. Se não percebe, não adianta eu explicar.

A segunda, que não é óbvia, é que isso é uma preparação para a volta da esquerda ao poder em 2022. Com a ampla colaboração da direita bruta e burra. Aprume-se aí na cadeira e acompanhe com atenção o raciocínio.

Todos nós sabemos que o atual governo federal está liquidado para as eleições de 2018. O PT é o partido com maior rejeição do país, rejeição esta que está aumentando, está sofrendo uma debandada de filiados, vai perder inúmeras prefeituras, não deve eleger nenhum governador e certamente não vai eleger o próximo presidente da república, além de que perderá espaço em todos os parlamentos – câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara dos deputados e senado. Isso são favas contadas e eles mesmos sabem disso.

Os movimentos sociais de esquerda – feminista, negro e gay, principalmente – estão sendo cada vez mais apedrejados nas redes sociais. Recentemente uma postagem no Twitter dizendo “Todo branco é racista. Todo homem é um estuprador em potencial. Não existe mulher hetero.” se tornou viral e alvo de críticas de todos os tipos, desde as mais engraçadas até a pura e simples constatação de que pensar assim é coisa de gente doente ou mal intencionada. As pessoas estão perdendo o medo de contrariar as perversões coitaditas e “politicamente corretas”.

Então, em pleno declínio político da esquerda, um STF majoritariamente composto por esquerdistas – seguindo o voto do relator Gilmar Mendes, um conservador de direita – aprova a possibilidade de a polícia meter o pé na porta de qualquer um a qualquer hora do dia ou da noite sem mandado judicial.

Não parece estranho que esquerdistas estejam conferindo este incrível poder às polícias justo no momento em que sabem que a direita está prestes a dominar o cenário político nacional?

Não, meu caro leitor, isso não é estranho. Isso é estratégia.

Quem é o eleitor da esquerda? Majoritariamente a população pobre e miserável.

Quem será o alvo principal do pé na porta no meio da madrugada? Majoritariamente a população pobre e miserável.

A direita truculenta, após um jejum de 16 ou 24 anos, vai aceitar de bom grado este poder e vai exagerar.

A grande mídia brasileira, chapa branca ao extremo, vai omitir ou minimizar os abusos das polícias e vai mostrar preferencialmente casos de violação com “bons resultados” da garantia constitucional que foi tornada letra morta pelo STF.

As classes rica e média, com uma minoria de eleitores, não serão muito incomodadas pelas polícias.

As classes pobre e miserável, entretanto, com a maioria absoluta dos eleitores, viverão em constante estado de medo, sofrerão abusos freqüentes e ainda serão humilhadas pela grande mídia e massacradas nas redes sociais como um bando de bandidos.

Então, na campanha de 2022, a esquerda ressurgirá com seu velho discurso de defesa das classes trabalhadoras, dos pobres, dos excluídos e dos marginalizados, humilhados e oprimidos pela polícia da direita truclenta ao longo de quatro anos, oferecendo-se como salvação nacional e única verdadeira defensora da dignidade destas classes.

E voltará ao poder podendo meter o pé na porta de qualquer um, não apenas dos pobres e miseráveis, a qualquer hora, sem mandado judicial, bastando apresentar uma desculpa furada qualquer depois do fato consumado e talvez de algum pacotinho ter sido plantado.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/11/2015

Como a Claro trata o cliente – parte 4: cliente é lixo

Se você é cliente da Claro ou da NET, deveria ler este artigo para saber como a Claro me tratou depois de mais de uma década como cliente. Um dia talvez chegue a sua vez de ser tratado do mesmo modo. 

Claro02

Eu passei por várias mudanças de endereço nos últmos meses. Mudança é uma coisa que bagunça a rotina. No meio da última mudança, entre inúmeras preocupações e coisas por fazer, eu esqueci de pagar a fatura da internet. Descobri isso quando a internet foi cortada, claro.

Alguns dias depois fui à loja da Claro pegar uma segunda via da conta para colocar tudo em dia. Cheguei no caixa, falei que queria uma segunda via da conta e a Claro, pelo funcionário do caixa, pediu o meu CPF e imprimiu uma nova conta.

Eu ia pagar a conta em uma lotérica, mas a Claro me disse que eu poderia pagar ali no caixa mesmo. Para não ter que pegar outra fila, paguei ali mesmo. E a Claro me disse que no máximo em 24 horas, provavelmente muito antes, minha internet estaria no ar.

Passaram-se 24 horas e nada.

Então liguei para o atendimento da Claro, aquele mesmo do qual já falei aqui, aqui e aqui. A Claro me disse, por sua atendente, que o pagamento não havia entrado no sistema ainda.

“- Mas eu fiz o pagamento dentro da própria loja da Claro! Quer dizer que a Claro não informou para si mesma que já recebeu o pagamento?” 

“- Senhor, não há nenhum procedimento que possamos estar realizando para religar a sua internet agora. O senhor terá que esperar o pagamento entrar no sistema.” 

Passaram-se 36 horas e nada. 

Liguei de novo. 

“- Senhor, o seu pagamento ainda não entrou no sistema.” 

Passaram-se 48 horas e nada.

E aí voltei à loja da Claro.

Lá eu descobri que o pagamento que eu havia efetuado, cujo comprovante estava em minhas mãos, não havia sido o da fatura em atraso, mas um suposto resíduo de uma banda larga que eu tinha em 2012 – exatamente aquele caso que me deixou quatro horas e meia sendo enrolado e gerou os três primeiros artigos da série que se encerra com o presente artigo. 

Ou seja, eu pedi uma segunda via da fatura atual e a Claro me deu uma fatura referente a uma falha de processamento dela no cancelamento de uma banda larga de anos atrás. 

Aí eu disse para a Claro: OK, então, agora que vocês já sabem qual foi o erro que cometeram, estornem esse valor cobrado indevidamente, utilizem este valor para pagar a minha fatura atrasada e religuem minha internet imediatamente. 

O que a Claro me disse? Que naquele momento não poderia fazer isso. Que teria que relatar o problema para um comitê sei lá eu de onde e que em cinco dias úteis eu teria uma resposta. Enquanto isso, eu que me dane se eu estou sem internet por causa da incompetência dela. 

Surpreendentemente, ao invés de ter que esperar cinco dias úteis, eu recebi a resposta no dia seguinte – hoje. A Claro me ligou no sábado de manhã, me acordando num dos dois únicos dias da semana em que eu posso dormir até mais tarde, de um número confidencial, sem fornecer um número de protocolo, e eu ainda sonolento atendi a chamada, violando sem querer minha própria regra de nunca atender números confidenciais. 

E o que a Claro me informou? Que não tem registro do cancelamento daquela banda larga de 2012, portanto não tem como estornar o valor pago. 

Eu tentei argumentar: 

“- Peraí, eu continuei cliente da Claro por mais dois anos, não havia nenhuma pendência!” 

“- Senhor, nós não encontramos nenhum registro de cancelamento da sua banda larga de 2012, portanto não há como estornar aquele pagamento.” 

“- Bom, se vocês não encontraram o registro do que foi feito dentro do quiosque de vocês mesmos, então vocês cometeram dois erros!” 

“- Senhor, eu já informei o que tinha que informar. A Claro agradece a sua atenção, tenha um bom dia!” 

E a Claro desligou o telefone na minha cara

Ou seja, a Claro me tomou um dinheiro que eu não lhe devia, através de um ardil maldoso, pouco me interessa se por incompetência ou por má fé, usou de uma alegação que eu não tenho como conferir e que na verdade não passa ou de um segundo erro, ou de má fé, e bateu o telefone na minha cara enquanto eu tentava argumentar, me tratando como lixo. 

E eu que vá me queixar para o bispo, claro

Se a Claro fosse uma empresa decente – e não é – ela poderia ter simplesmente dito o seguinte: 

“- Senhor, nós lamentamos o inconveniente. O senhor é nosso cliente há mais de uma década e nós temos o máximo interesse em mantê-lo como cliente. Nós já religamos a sua internet, corrigimos o problema em nosso sistema e geramos uma nova fatura, que pode ser paga dentro dos próximos dez dias.” 

Se a Claro tivesse agido com esta decência, eu continuaria sendo um cliente satisfeito por muitos anos, dando lucro à operadora por muitos anos, falando bem da operadora por muitos anos. Mas não… A Claro fez questão de ser chinelona. Os R$ 94 (noventa e quatro reais) que ela me tomou cobrando indevidamente uma fatura de 2012 que jamais deveria ter existido foram o atestado de chinelagem mais vergonhoso que uma empresa de grande porte poderia emitir. Graças a sua visão medíocre e a essa conduta porca e mal educada, a Claro perdeu um cliente e tem agora um inimigo que jamais a perdoará. 

Diz uma antiga pesquisa feita pelo ramo hoteleiro que um cliente satisfeito conta em média para quatro pessoas que foi bem atendido e que um cliente insatisfeito conta em média para onze pessoas que foi mal atendido. Pois aqui estou eu contando para quatrocentos leitores por dia que a Claro me atendeu muito, muito, muito mal. 

Mas isso não é tudo. 

Eu não vou me contentar em fazer progaganda contra para mais onze ou quatrocentas pessoas. 

Eu vou é tirar pelo menos mais onze clientes da Claro. 

PROMOÇÃO “ESCURO” 

Estou oferecendo de graça onze chips pré-pagos de outras operadoras, um para cada uma das primeiras onze pessoas que quebrarem os seus chips pré-pagos da Claro na minha frente e prometerem nunca mais usar os serviços da Claro. 

Está vendo isso, Claro maldita? Não é pela migalha dos R$ 94, seus chinelões. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/10/2014 

CNPND: a Lei da Palmada está de volta

Aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça, a famigerada Lei da Palmada se levanta do túmulo e volta a assombrar os brasileiros com o nome de “Lei Menino Bernardo”, escolhido de modo oportunista para aproveitar a comoção causada pelo homicídio de Bernardo Boldrini no RS e fazer aprovar este monstrengo que coloca as famílias em grave perigo perante governantes mal intencionados. 

kafka

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A vida e a propriedade

Toda vez que eu ouvia alguém dizer que eu não tenho o direito de meter bala num criminoso que invade minha residência porque “a vida vale mais que a propriedade” eu me tapava de nojo e indignação, sentindo claramente que isso é uma completa perversão da ética, mas não sabia explicar bem o porquê. Hoje caiu a ficha. 

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Linchamento vira desculpa para controle tirânico da internet

Um site divulga um retrato falado de uma suposta suspeita de um suposto crime e alerta que pode ser um boato. Alguém acha uma pessoa parecida com o retrato falado, reúne um bando de criminosos e juntos espancam essa pessoa até a morte. E um advogado pede o indiciamento do administrador do site por homicídio triplamente qualificado e propõe uma “lei para punir o mau uso das redes sociais” por causa disso. 

Linchamento

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