A liberdade impossível

Sempre que você quiser saber se alguém que diz defender a liberdade realmente defende a liberdade, você só precisa verificar se essa pessoa defende a dissociação entre liberdade e responsabilidade. Sempre que isso acontecer, você estará diante de um fascista travestido de libertário.

fascismo

A dissociação entre liberdade e responsabilidade é o fato de alguém não ser responsabilizado por suas decisões ou por seus atos ou de alguém ser responsabilizado pelas decisões ou pelos atos de terceiros. 

Se alguém defende a liberdade de usar drogas recreativas, mas considera justo que o estado de intoxicação seja uma atenuante no caso de cometer algum crime ou mesmo algum acidente com vítimas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

Se alguém defende a liberdade de se proteger dos riscos trazidos pelo uso de drogas recreativas por terceiros, mas considera justo não proteger nem regulamentar a liberdade destes terceiros de usar drogas sem prejudicar ninguém, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

Se alguém defende a liberdade de fazer sexo quando, como e com quem bem entender, mas considera justo assassinar o inocente gerado em uma de suas relações sexuais, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

Se alguém defende a liberdade de acesso universal a universidades, empresas ou cargos públicos, mas considera justo que pessoas que se capacitaram mais sejam alijadas das vagas em benefício de pessoas que se capacitaram menos, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

Se alguém defende a liberdade de fazer greve, mas considera justo que o patrão seja obrigado a garantir os empregos e pagar os salários dos grevistas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

Se alguém defende a liberdade de cobrar o preço que quiser por seu produto ou serviço, mas considera justo recorrer à proteção do Estado para impedir que um concorrente que ofereça um produto melhor ou mais barato domine o seu mercado, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

A lista é imensa. Há muita gente por aí que diz que defende a liberdade, mas que só defende a liberdade que lhe interessa, ou de quem lhe interessa, seja por motivos políticos, econômicos, religiosos ou outros. Fique atento: estas pessoas (ou grupos) são fascistas travestidos de libertários. Eles podem parecer defender uma liberdade que lhe é cara hoje, mas vão tomar a sua liberdade amanhã.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2015 

Resposta do leitor: casamento gay

Pessoas boas naturalmente fazem coisas boas. Pessoas más naturalmente fazem coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más, normalmente é necessário alguma crença irracional e estúpida. O texto no quadro abaixo é de um amigo meu no Facebook em resposta ao artigo Pergunta ao leitor: casamento gay. Os grifos são meus. 

Fanáticos são inimigos da cidadania

Gente, estou deixando de resharear automaticamente os posts do Pensar Não Dói.

Embora eu seja amigo do autor, que considero uma pessoa razoavelmente inteligente e competente para muitas coisas, para outras ele apresenta uma visão preconceituosa e tacanha a que eu não tenho sempre tempo de oferecer o devido contraponto aqui (e, por óbvio, também não posso deixar a timeline servir de palanque para causas incivilizatórias). 

O motivo próximo para a decisão foi o post a respeito do casamento gay, onde o querido Arthur Golgo Lucas, com o jeito debochado que lhe é peculiar, repete os mais rasteiros lugares-comuns do lobby homossexual. É até indigno de uma pessoa alfabetizada como ele escrever um post naqueles termos, com quatro linhas fanfarrônicas, mas enfim… Como eu nem sempre tenho condições de comprar todas as polêmicas fúteis que se me aparecem nas redes sociais, prefiro me resguardar e deixar a meu alvitre escolher as em que vou me bater – ao invés de deixar ao NetworkedBlogs o papel de fazer isso automaticamente por mim. 

Quem sentir falta dos textos, não deixe de seguir diretamente o seu autor na página citada acima. 

Segundo meu amigo, sou ao mesmo tempo inteligente e tacanho. Segundo meu amigo, eu, que defendo intransigentemente os Direitos Humanos nos moldes originais, conforme a DUDH, defendo causas incivilizatórias. Segundo meu amigo, eu, que sou competente para muitas coisas, escrevi um texto indigno de uma pessoa alfabetizada. Segundo meu amigo, o texto que o incomodou tanto que ele deixou de compartilhar os artigos do Pensar Não Dói é uma polêmica fútil. 

Observe duas coisas, leitor: primeira, que o texto do meu amigo é bem esquizofrênico; segunda, que em nenhum momento meu amigo responde a pergunta feita no artigo original, limitando-se à adjetivação vazia. Eu acho isso lamentável, mas não estranho. É isso que eu quero analisar aqui.

Em primeiro lugar, ele disse que a minha visão é preconceituosa e tacanha, mas a posição que eu assumi implicitamente no artigo anterior e explicitamente neste artigo é a defesa da cidadania plena para todas as pessoas, independentemente de orientação sexual – ou de qualquer outro fator. Vamos deixar isso bem claro e bem definido: eu defendo a cidadania plena para todos mesmo, o que inclui os gays, lésbicas, transgêneros, o meu amigo, os bandidos, os criminosos, os estupradores, os torturadores, os assassinos, a Madre Teresa de Calcutá, Adolf Hitler, Mahatma Gandhi, Pinochet, Stálin, Stroessner, os Castro, o papa, o traficante da esquina, o raio que o parta, sem preconceito de espécie alguma, sem distinção de espécie alguma. Enquanto um indivíduo não violar algum direito de terceiros, nenhuma limitação a sua cidadania pode ser imposta e não deveria ser nem sequer sugerida, porque isso é a base da civilização. Julgue o leitor se minha visão é preconceituosa e tacanha.

Em segundo lugar, ele disse que a causa que eu defendi é incivilizatória, mas, como eu afirmei no parágrafo acima, minha posição é fundamentada e balizada em um modelo civilizatório em que ninguém tem direitos limitados ou tolhidos de qualquer modo a não ser que viole direitos de terceiros. E, no caso de alguém violar direitos de terceiros, eu defendo que o modo como devemos tratar estes indivíduos seja exatamente o modo como cada um de nós gostaria de ser tratado caso fosse acusado de modo injusto ou falso de ter violado algum direito de terceiros. Mais profundamente, devemos considerar a hipótese de recebermos uma condenação injusta – que é algo que infelizmente às vezes acontece mesmo nos mais perfeitos sistemas judiciários – e estabelecer para todos os tratamentos que gostaríamos de receber caso nos encontrássemos pessoalmente nesta situação. Por exemplo, se você for falsamente acusado de ser um torturador homicida e injustamente condenado, você não quer pena de morte, você não quer prisão perpétua, você não quer maus tratos, você quer uma pena de privação de liberdade em que você tem a oportunidade de trabalhar, de estudar e de provar ao Poder Judiciário o mais rápido possível que já está em condições de retornar ao convívio social. Julgue o leitor se eu defendo causas incivilizatórias.

Em terceiro lugar, ele disse que meu artigo anterior é indigno de uma pessoa alfabetizada, mas naquelas quatro linhas “fanfarrônicas” eu explicitei uma problemática de modo claro e preciso, que ele entendeu muito bem e no entanto não foi capaz de rebater senão com adjetivações vazias, sem apresentar um único argumento em contrário à posição que eu defendi. Sim, ele disse que não o fez porque não quis, porque tem o direito de escolher as causas pelas quais se bate. É uma meia verdade. A outra metade é que, para contra-argumentar, ele precisaria fundamentar seus argumentos – e ele não tem como fazer isso sem deixar claro que sua posição é baseada em uma crença irracional e estúpida. Para ser preciso, a crença de que um ser onisciente, onipotente e bondoso, capaz de criar um universo com a complexidade do nosso, engravidou de si mesmo uma virgem, sacrificou seu avatar humano a si mesmo para aplacar sua própria ira e exaltar sua própria glória, deixou instruções universais e atemporais codificadas por alguns safados que exploravam a fé de povos ignorantes no meio de um deserto há dois mil anos atrás e que uma destas instruções era que ninguém pode se relacionar com alguém do mesmo sexo ou será ressuscitado para ser torturado por queimaduras intoleráveis por toda a eternidade em nome do amor deste ser onisciente, onipotente e bondoso. Julgue o leitor se sou eu quem precisa de alfabetização e um pouquinho de aula de ciências.

Em quarto lugar, ele disse que não respondeu porque esta é uma polêmica fútil, mas se incomodou tanto com a polêmica fútil que decidiu parar de compartilhar os artigos do meu blog. Não estou reclamando que ele deixou de compartilhar os artigos, que fique bem claro, pois isso é direito dele e ele recomendou a seus amigos que sigam o Pensar Não Dói diretamente, indicando o link para fazê-lo. Julgue o leitor se a questão que eu propus é realmente uma polêmica fútil. 

Meu amigo, que eu conheço há uma década, desde o segundo ano de existência do Orkut, sempre me pareceu ser uma pessoa inteligente e decente. De fato, eu acredito que esta seja a essência da personalidade dele. Infelizmente, devido à doutrinação em uma crença irracional e estúpida, uma pessoa que de outra forma provavelmente seria um iluminista, capaz de raciocinar por conta própria e de defender posições sensatas e bondosas, tornou-se um intolerante, uma força do mal, um inimigo da cidadania, cuja atuação no mundo visa impor restrições aos direitos de pessoas inocentes cuja sexualidade ele se julga no direito de não aprovar, como se ele tivesse legitimidade para agir como legislador, promotor de justiça, juiz, júri e carrasco em nome de Deus. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/06/2015 

As evidências e os iludidos

Esse pessoal que está falando em “golpismo dos ricos contra os pobres”, das duas, uma: ou são os canalhas que lucram com a roubalheira, ou são os iludidos que não são capazes de diferenciar um colibri de um rinoceronte nem que eles sentem no seu colo. 

Burrinho precisa de carinho

Dos canalhas é o que se espera. Mas o que me irrita nos iludidos é a profunda, abissal, absoluta incapacidade deles de identificar evidências e interpretá-las de modo realista e razoável mesmo quando elas são esfregadas em seus focinhos. 

Todas as agremiações religiosas e políticas se aproveitam do mesmíssimo fenômeno. Por exemplo: 

Um grupo diz que um judeu morto há dois mil anos vai voltar a cavalo do céu casando terremotos com o toque de trombetas para ressuscitar bilhões de cadáveres decompostos e lançar a maioria na tortura eterna em um lago de fogo que nunca se apaga em nome do Amor de Deus.

Evidências favoráveis: há um livro e um pessoal que dizem que é assim.

Evidências em contrário: toda a ciência do mundo e o mais elementar senso de realidade.  

Outro grupo diz que ficar de quatro e bater com a cabeça no chão cinco vezes por dia virado para o leste, vestir as mulheres com sacos de batatas e explodir ônibus cheios de crianças vai produzir um paraíso de mel, ambrosia e 72 virgens para serem estupradas por toda a eternidade.

Evidências favoráveis: há um livro e um pessoal que dizem que é assim.

Evidências em contrário: toda a ciência do mundo e o mais elementar senso de realidade.

E outro grupo diz que todos os males do universo foram gerados por aqueles que governaram antes dele, que veio restaurar a ética na política (quando na verdade promoveu os piores escândalos de corrupção da história recente do país), que foi perseguido politicamente pelo STF (quando na verdade ele mesmo indicou a maioria dos membros do tribunal), que governa em benefício dos pobres (quando na verdade os pobres continuam tão ou mais pobres do que estavam há doze anos), que promove distribuição de renda (quando na verdade só distribui uma esmola eleitoreira sem contrapartida que não permite qualquer emancipação), que promove justiça social (quando na verdade cria divisões e mais divisões na sociedade como estratégia para promover o conflito e angariar o apoio de iludidos e fanáticos), que investiga irregularidades sem transigir (quando na verdade é o próprio perpetrador das irregularidades e já teve vários membros condenados por crimes diversos) e por aí vai.

Evidências favoráveis: há alguns escritos e um pessoal que dizem que é assim.

Evidências em contrário: todas as experiências no mundo com essa ideologia (que, sem exceção, levaram à tirania política, à miséria econômica e à degeneração moral), a comparação entre a realidade econômica, a segurança e as liberdades no Brasil no final de 2002 e no início de 2015, os índices sempre crescentes de criminalidade e violência. os inúmeros episódios de corrupção envolvendo o governo federal e seus aliados, as quantias bilionárias comprovadamente desviadas dos cofres públicos durante este governo, a onipresença de mentiras e descaramento ofensivo em qualquer pronunciamento de qualquer membro ou apoiador do governo… E o mais elementar senso de realidade.

Apesar das óbvias evidências em contrário nos três casos, há bilhões de supostos seres mais inteligentes do planeta que acreditam fanaticamente num besteirol qualquer destes e se lançam em massa nos braços dos espertalhões que os exploram. 

Eu fico pensando em qual terá sido a característica evolutiva do maldito macaco falante que lhe trouxe benefícios no passado mas que agora degenerou em tamanha incapacidade de identificar as evidências e interpretar o mundo em que vive de modo realista e razoável. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/03/2015 

Teoria da Evolução versus religião

Volta e meia eu leio ataques de religiosos à Teoria da Evolução e a Charles Darwin, normalmente afirmando que a Teoria da Evolução não tem evidências, que é apenas mais uma crença ou religião e que “se você veio do macaco, o problema é seu, porque eu vim de Deus”. #sóquenão 

árvore filogenética

A Teoria da Evolução é uma das mais bem estabelecidas e importantes teorias científicas já produzidas. A Teoria da Evolução é tão bem estabelecida e importante que é a teoria unificadora das ciências biológicas e da saúde (e outras ciências derivadas que não vou citar agora para não gerar polêmica e desviar o assunto, mas futuramente podemos discutir isso).

Afirmar que não existem evidências da evolução só tem duas explicações: ou ignorância, ou má fé. O nível de evidência da Teoria da Evolução é monumental. Temos desde seqüências fósseis até linhas filogenéticas de DNA produzidas por estudos taxonômicos altamente refinados por análise multivariada e análise de cluster feitas por supercomputadores. Tudo isso longamente revisado e criticado por uma comunidade científica das mais qualificadas e atuantes (porque, embora as noções gerais da evolução sejam simples, os detalhes são muito complexos, e o assunto é apaixonante).

Os religiosos sempre tentam desqualificar a ciência como apenas mais uma religião, o que não deixa de ser uma ironia hilária. Mas eu não discuto mais com eles. Francamente, não há muito o que discutir com alguém que acredita que um judeu morto há dois mil anos era filho de uma virgem com o próprio criador do universo, que também era ele mesmo, e que ressuscitou, subiu aos céus pelas próprias forças, está vivo em algum lugar há todo este tempo e vai voltar do céu a cavalo, junto com quatro cavaleiros que vão causar terremotos tocando trombetas e ressuscitar bilhões de cadáveres decompostos só para lançá-los em um lago de fogo eterno para sofrerem por toda a eternidade as dores excruciantes e imitigáveis de queimaduras terríveis e constantes em nome do amor de Deus.

Fala sério, quem acredita NISSO tem alguma credibilidade para questionar as supostas inconsistências de uma teoria científica muito bem estabelecida, ou para questionar a suposta falta de *evidências* de qualquer coisa? 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 31/12/2014

(*) Originalmente postado aqui

Parábola do Bom Travesti

Este é o ensinamento original. Busque o entendimento. 

jesus-ensinando

Parábola do Bom Travesti

Jesus Cristo / Rubem Alves

E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?” E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira”. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.” Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo…” Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!” O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!” e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.” Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou: “Quem foi o próximo do homem ferido?”

 

Reflexão sobre o discurso e a prática da fé (com especial enfoque na fé cristã)

Meu amigo Alyson Vilela comentou assim no Facebook a notícia do terceiro homicídio cometido por um cristão fervoroso: “não é a crença que leva a fazer o bem ou o mal“. Eu quase concordo com ele: não é aquilo em que as pessoas dizem que acreditam ou em que elas pensam que acreditam que as leva a fazer o bem ou o mal. 

Peixe - símbolo cristão
Como símbolo cristão, a palavra grega para peixe, ichthys, era dividida como segue: / (Je­sus); ch (Cristo); th (de Deus); y (Filho); s (Salva­dor). A frase grega, por inteiro, era: Ieosous Christós Theou hyiós, Soter, ou seja: Jesus Cris­to, Filho de Deus, Salvador.

Continue reading “Reflexão sobre o discurso e a prática da fé (com especial enfoque na fé cristã)”

Vivemos em um mundo cartesiano-newtoniano

Você lembra de René Descartes e de Isaac Newton? Aqueles cujas teorias foram “demolidas” pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein? Pois é, não engula essa história. O fato é que nós continuamos vivendo em um universo perfeitamente cartesiano-newtoniano. 

rene descartes e isaac newton

Continue reading “Vivemos em um mundo cartesiano-newtoniano”

Uma tese sobre Olavo de Carvalho

É por gosto ou é por necessidade que o Olavo de Carvalho desce ao nível do cientificamente pornográfico e do vocabulário chulo? Minha tese: é por estratégia de defesa. Olavão sinaliza para todos os interlocutores honestos mas incautos o suficiente para chamá-lo para um debate sério: “não cometam essa estupidez!”. Assim ninguém passa vergonha. 

Olavo de Carvalho Falando

Continue reading “Uma tese sobre Olavo de Carvalho”