A dieta paleolítica de baixo carboidrato é perigosa?

Volta e meia alguém me diz que a dieta que eu faço é “desequilibrada”, que vai me fazer mal e que eu preciso voltar a comer de acordo com os conselhos dos médicos, nutricionistas e educadores físicos que nos mandam reduzir a carne vermelha, evitar as gorduras saturadas, comer cereais integrais, óleos “saudáveis” de soja, canola, milho e girassol, substituir a manteiga por margarina e ingerir 60% das calorias na forma de carboidratos. Será?

CHURRASCO-PICANHA-E-SALADA

Eu passei 26 anos doente, obeso, deprimido, tive onze diverticulites, estava com uma indicação para colectomia, fiquei diabético, minha glicemia chegou a 195 num exame de doze horas em jejum e minha hemoglobina glicada estava em 9,8 (equivalente à glicemia média de 212), meus triglicerídeos estavam nas alturas, minha Proteína C Reativa estava em 0,63 (alto risco cardíaco) cheguei a ficar incapacitado para o trabalho por cerca de dois anos… E aí abandonei as orientações que os médicos, nutricionistas e educadores físicos me deram durante todo este tempo e me joguei em uma dieta paleolítica de baixo carboidrato radical, sem tomar medicamentos nem fazer exercícios, contra todos os conselhos de médicos, nutricionistas, educadores físicos, amigos e familiares.

Eu fiz exatamente o contrário do que recomendam os médicos, nutricionistas e educadores físicos: eliminei os cereais da minha vida, eliminei os óleos de soja, canola, milho e girassol, eliminei  a margarina, cortei quase completamente os carboidratos da minha dieta e passei a me entupir de carne vermelha gorda, cheia de gordura saturada, meia dúzia de ovos todos os dias, tudo assado ou frito na banha de porco, mais uma saladinha verde com óleo de oliva, meio tomate e meio limãozinho e eventualmente um punhado de nozes ou castanhas-do-Pará.

Resultado: emagreci 25 kg, curei minha depressão, nunca mais tive diverticulites (exceto nas duas únicas vezes em que furei a dieta e comi derivados do trigo), não fiz e não vou fazer a colectomia, minha glicemia está permanentemente entre 70 e 100, minha hemoglobina glicada despencou para menos de 5,5, meus triglicerídeos desabaram, minha Proteína C Reativa caiu a zero (baixíssimo risco cardíaco) e nunca estive tão bem de saúde, tanto que estou ótimo no trabalho e depois de tudo isso comecei até a fazer musculação.

Ah, sim… Meu colesterol total aumentou um pouquinho. Oh! Céus! Vou morrer a qualquer momento! 😛

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/09/2016

Ministério da Saúde lança campanha cientificamente ERRADA

O Ministério da Saúde lançou uma campanha que vai adoecer, mutilar e matar milhões de pessoas. Ele está oferecendo informações nutricionais ERRADAS que vão causar o aumento da prevalência da obesidade, da diabetes, da depressão, das doenças vasculares, dos infartos, dos AVCs, das cardiopatias, das neuropatias e de outras doenças degenerativas. É um completo absurdo, que contraria totalmente a melhor evidência científica produzida no planeta sobre a proporção adequada de macronutrientes na dieta humana. 

Carboidrato Faz Bem - Campanha Criminosa do Ministério da SaúdeFonte

Em primeiro lugar, “a energia que o corpo precisa para funcionar bem” não deve vir de carboidratos, deve vir da gordura. O ser humano não evoluiu comendo grandes quantidades de carboidratos, não tem capacidade metabólica para lidar com quantidades muito superiores a 150 g de carboidratos por dia e sofre danos metabólicos quando exposto a grandes quantidades de carboidratos por períodos prolongados. A alimentação que faz bem impõe restrições. É o excesso de consumo de carboidratos que nos deixa gordos e é o excesso de consumo de carboidratos que nos torna diabéticos. Além disso, o excesso de consumo de carboidratos está associado a doenças vasculares e neurodegenerativas.

A base evolutiva disso é óbvia: o ser humanos foi caçador-coletor por mais de 3.200.000 anos, que é a idade de  Lucy, a Australopithecus afarensis homenageada na música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds e que durante muitas décadas foi considerada o mais antigo fóssil humano encontrado. A tribo de Lucy já era caçadora-coletora. E caçadores-coletores evoluem comendo principalmente o produto da caça, ou seja, proteína animal e gordura animal, e secundariamente ou complementarmente o produto da coleta, ou seja, vegetais folhosos verdes, frutinhas silvestres com baixo teor de açúcar, nozes e castanhas. Raízes e tubérculos devem necessariamente ser raros na dieta de um organismo originalmente arborícola como o ser humano.

Em segundo lugar, além de “estimular a energia vital” ser um vocabulário de alquimista e não de cientista, se essa informação divulgada pelo Ministério da Saúde estivesse correta, uma pessoa que não comesse carboidratos deveria passar mal ou até morrer por falta de energia ou pelo mal funcionamento do sistema nervoso central, e aqui estou eu – que não como carboidratos desde dezembro de 2014 – a cada dia mais saudável e bem disposto. Mas não sou somente eu quem ficou mais saudável com uma dieta com pouco carboidrato e muita gordura, que é a proporção adequada de ingestão destes nutrientes para a espécie humana. Os pacientes de todos os estudos clínicos de alto nível citados abaixo também.

  1. Shai I, et al. Weight loss with a low-carbohydrate, mediterranean, or low-fat diet. N Engl J Med 2008;359(3);229–41.
  2. Gardner CD, et al. Comparison of the Atkins, Zone, Ornish, and learn Diets for Change in Weight and Related Risk Factors Among Overweight Premenopausal Women. The a to z Weight Loss Study: A Randomized Trial. JAMA. 2007;297:969–977.
  3. Brehm BJ, et al. A Randomized Trial Comparing a Very Low Carbohydrate Diet and a Calorie-Restricted Low Fat Diet on Body Weight and Cardiovascular Risk Factors in Healthy Women. J Clin Endocrinol Metab 2003;88:1617–1623.
  4. Samaha FF, et al. A Low-Carbohydrate as Compared with a Low-Fat Diet in Severe Obesity. N Engl J Med 2003;348:2074–81.
  5. Sondike SB, et al. Effects of a low-carbohydrate diet on weight loss and cardiovascular risk factor in overweight adolescents. J Pediatr. 2003 Mar;142(3):253–8.
  6. Aude YW, et al. The National Cholesterol Education Program Diet vs a Diet Lower in Carbohydrates and Higher in Protein and Monounsaturated Fat. A Randomized Trial. Arch Intern Med. 2004;164:2141–2146.
  7. Volek JS, et al. Comparison of energy-restricted very low-carbohydrate and low-fat diets on weight loss and body composition in overweight men and women. Nutrition & Metabolism 2004, 1:13.
  8. Yancy WS Jr, et al. A Low-Carbohydrate, Ketogenic Diet versus a Low-Fat Diet To Treat Obesity and Hyperlipidemia. A Randomized, Controlled Trial. Ann Intern Med. 2004;140:769–777.
  9. Nichols-Richardsson SM, et al. Perceived Hunger Is Lower and Weight Loss Is Greater in Overweight Premenopausal Women Consuming a Low-Carbohydrate/High- Protein vs High-Carbohydrate/Low-Fat Diet. J Am Diet Assoc. 2005;105:1433–1437.
  10. Krebs NF, et al. Efficacy and Safety of a High Protein, Low Carbohydrate Diet for Weight Loss in Severely Obese Adolescents. J Pediatr 2010;157:252-8.
  11. Summer SS, et al. Adiponectin Changes in Relation to the Macronutrient Composition of a Weight-Loss Diet. Obesity (Silver Spring). 2011 Mar 31. [Epub ahead of print]
  12. Halyburton AK, et al. Low- and high-carbohydrate weight-loss diets have similar effects on mood but not cognitive performance. Am J Clin Nutr 2007;86:580–7.
  13. Dyson PA, et al. A low-carbohydrate diet is more effective in reducing body weight than healthy eating in both diabetic and non-diabetic subjects. Diabet Med. 2007 Dec;24(12):1430-5.
  14. Keogh JB, et al. Effects of weight loss from a very-low-carbohydrate diet on endothelial function and markers of cardiovascular disease risk in subjects with abdominal obesity. Am J Clin Nutr 2008;87:567–76.
  15. Volek JS, et al. Carbohydrate Restriction has a More Favorable Impact on the Metabolic Syndrome than a Low Fat Diet. Lipids 2009;44:297–309.
  16. Partsalaki I, et al. Metabolic impact of a ketogenic diet compared to a hypocaloric diet in obese children and adolescents. J Pediatr Endocrinol Metab. 2012;25(7-8):697-704.
  17. Daly ME, et al. Short-term effects of severe dietary carbohydrate-restriction advice in Type 2 diabetes–a randomized controlled trial. Diabet Med. 2006 Jan;23(1):15–20.
  18. Westman EC, et al. The effect of a low-carbohydrate, ketogenic diet versus a low- glycemic index diet on glycemic control in type 2 diabetes mellitus. Nutr. Metab (Lond.)2008 Dec 19;5:36.

Se você quiser ficar saudável e reduzir as chances de desenvolver qualquer uma das doenças citadas neste artigo, você não pode comer de acordo com a erradíssima e totalmente anti-científica “pirâmide alimentar”. Não confie em argumentos de autoridade de qualquer profissional ou instituição, consulte diretamente as fontes científicas de melhor qualidade e faça aquilo que diz a ciência com mais alto nível de evidência disponível. Comece pelos dezoito artigos listados acima.

O Ministério da Saúde deveria fazer o dever de casa e estudar aquilo que a melhor ciência do planeta diz antes de lançar uma campanha daninha dessas. A “pirâmide alimentar” é cientificamente errada e isso já é sabido há muito tempo por quem conhece a biologia evolutiva humana e/ou acompanha as publicações científicas com seriedade e responsabilidade. Sugerir o consumo de carboidratos para uma população que já tem uma alta prevalência de obesidade, diabetes, doenças vasculares, cardiopatias, neuropatias e outras doenças degenerativas como a população brasileira tem é pior do que uma irresponsabilidade, é uma terrível maldade.

A dieta mais adequada para a saúde humana ficou conhecida como dieta paleolítica de baixo carboidrato. É isso que faz bem à saúde humana e é deste modo que você deve se alimentar. Há toda uma “blogosfera paleo” que habitualmente divulga as informações científicas adequadas já selecionadas segundo os melhores critérios de qualidade e nível de evidência científica e muita informação disponível gratuitamente na PUBMED para quem souber o que é ciência de alto nível de evidência e quiser fazer sua própria busca.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/09/2016 

A evolução e a dieta dos médicos e nutricionistas

Muita gente se pergunta o que afinal deve comer para ter uma boa saúde. Este artigo responde isso de modo bem claro e objetivo, com base na evolução biológica humana, conhecimento que obviamente todo médico e todo nutricionista responsável e com boa formação científica domina com perfeição e sabe aplicar com maestria ao prescrever uma dieta saudável para um ser humano.

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P: Por que uma vaca deve comer grama e não carne?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais das vacas comeram grama e não carne. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, as proto-vacas que melhor digeriam e melhor metabolizavam grama tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente as vacas foram se tornando mais capazes de digerir grama e não outros alimentos. É por isso que as vacas de hoje estão adaptadas a comer grama e não carne.

P: Por que um leão deve comer carne e não grama?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos leões comeram carne e não grama. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-leões que melhor digeriam e melhor metabolizavam carne tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os leões foram se tornando mais capazes de digerir carne e não outros alimentos. É por isso que os leões de hoje estão adaptados a comer carne e não grama.

P: Por que um ser humano comer cinco a nove porções de cereais, pães, tubérculos, raízes e massas, quatro a cinco porções de hortaliças, três a cinco porções de frutas, três porções de leite e derivados, uma porção de leguminosas e apenas uma ou duas porções de carnes e ovos por dia, mantendo ao mínimo o consumo de gorduras e sendo aceitável a mesma quantidade de açúcar, de preferência fazendo uma refeição a cada três horas, e não a maior quantidade possível de carne de caça, ovos, peixes e uma pequena quantidade de folhas verdes e frutinhas silvestres, fazendo o menor número de refeições possível por dia?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos seres humanos consultavam médicos e nutricionistas que lhes diziam que comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar é que era saudável e não comer aquilo que estava disponível no ambiente selvagem de modo irregular e bastante espaçado. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-humanos que melhor digeriam e melhor metabolizavam uma refeição a cada três horas com coisas como granola, pão integral, suflê de batata, macarrão à carbonara, tofu, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, gelatina sabor abacaxi, duas bolachinhas recheadas e um suco de laranja geladinho tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os seres humanos foram se tornando mais capazes de digerir a inteligente dieta recomendada pelos médicos trogloditas e nutricionistas das cavernas e não outros alimentos. É por isso que os seres humanos de hoje estão adaptados a comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar e não o menor número de refeições possível por dia de acordo com aquilo que eu e outros irresponsáveis alucinados como eu recomendamos e que se chama dieta paleolítica de baixo carboidrato.

Hein?

Você acha que há algo errado com o raciocínio acima?

Não pode ser.

Os médicos e nutricionistas recomendam isso. É óbvio que, como estes profissionais são todos muito responsáveis e profundos conhecedores da biologia humana, o ser humano só pode ter evoluído comendo de três em três horas pão integral, granola, arroz e feijão, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, suflê de batatas, gelatina sabor abacaxi e chazinho com adoçante para ajudar a fazer a digestão.

Você não acha que os médicos e nutricionistas seriam tão ignorantes sobre a biologia evolutiva humana a ponto de recomendarem uma dieta para a qual o ser humano não está adaptado, né? Afinal de contas, eles estudaram para isso! E são os responsáveis pela sua saúde!

Claro, se o ser humano tiver evoluído comendo algo diferente e você seguir o que os médicos e nutricionistas recomendam, então você pode acabar tão saudável quanto uma vaca alimentada com churrasco ou um leão alimentado com salada. Mas você não corre esse risco. Todo mundo sabe que já existia pão integral, tofu, gelatina sabor abacaxi e adoçante no paleolítico. Todo mundo sabe que médicos, nutricionistas, a indústria de alimentos e a indústria farmacêutica são absolutamente competentes, isentos de interesse financeiro e só pensam no que é melhor para a sua saúde. Pare de pensar bobagem.

Tire estas minhocas da cabeça e vá comer um pãozinho integral com margarina e um chazinho com sucralose.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 02/09/2016

Você sabe qual é a causa da obesidade?

A causa da obesidade não é o sedentarismo. A causa da obesidade não é o consumo de “calorias”. A causa da obesidade é o consumo de CARBOIDRATOS, tanto pior quanto maior a quantidade e/ou o índice glicêmico. Açúcar não é alimento, é veneno saboroso. Amido também. 

obesidade

Refrigerante é água com açúcar, gás e aromatizante. Causa, sim, obesidade. Não por ser “caloria vazia”, mas por ser carboidrato – a substância que estimula a produção de insulina, o hormônio que joga o açúcar para dentro das células e impede a gordura de sair de dentro das células.

Pão é uma bomba de carboidratos (além de ter glúten, que aumenta a permeabilidade intestinal de 100% dos seres humanos e aumenta o nível de inflamação sistêmica, que danifica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infartos, AVCs (derrames), tromboses e outros danos, além de aumentar a chance de doenças auto-imunes, mas este artigo é sobre carboidratos). Massa é uma bomba de carboidratos (e também tem glúten). Qualquer doce ou salgadinho é uma bomba de carboidratos. Batata é uma bomba de carboidratos.

Frutas não são tão inocentes como se pensa. As mais vendidas são verdadeiros doces que dão em árvores. Foram tão modificadas por seleção artificial para conter mais açúcar que são verdadeiras bombas de carboidratos.

Se você quer ou precisa emagrecer, precisa cortar os carboidratos da dieta. Não adianta fazer exercícios. Não adianta cortar as gorduras. Tem que cortar os carboidratos (e os óleos vegetais de soja, milho, girassol e canola, que também são obesogênicos e causam outros problemas de saúde, como um grande aumento da vulnerabilidade ao câncer, mas, de novo, este artigo é sobre obesidade e carboidratos).

Para emagrecer e cuidar de sua saúde, faça uma dieta paleolítica de baixo carboidrato.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/11/2015

Brunch light

Volta e meia alguém me pergunta o que é que eu como, porque não consegue imaginar como é que alguém consegue se alimentar sem glúten, sem óleos vegetais extraídos quimicamente e com quase nada de carboidratos. OK, aqui está um exemplo – meu café-da-manhã-e-almoço de hoje. 

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Uma omelete com quatro ovos caipiras e 250 g de carne de segunda moída, frita na banha de porco, com sal a gosto.

Uma salada na motosserra com alface, tomate, brócolis, mais dois ovos caipiras cozidos, regada com óleo de oliva, o suco de um limão, uma colher de sopa de pimenta e duas de orégano.

E um copo de água gelada. Tudo muito light.

Coma low carb paleo e venha para O Lado Saudável da Força. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/11/2015

A revolta dos que não estão nem aí

Hoje recebi pelo Facebook o compartilhamento de uma reportagem da Folha de São Paulo tão absurdamente falaciosa e abjeta que conseguiu me tirar do sério. Vamos à reportagem, depois eu volto com a segunda versão do meu artigo, já que a primeira, escrita pelo meu fígado, é impublicável.

Etanolamina

Decisão da Justiça abre precedente para charlatanismo na medicina

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

É compreensível que doentes terminais de câncer recorram a promessas milagrosas de cura, mas é temerário quando o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro endosse essa busca insana e obrigue o Estado a fornecer tais “poções mágicas”.

O caso em questão é a decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em liberar o fornecimento da fosfoetanolamina sintética, substância produzida experimentalmente na USP, mas que nunca passou por testes clínicos e muito menos tem o aval da agência reguladora (Anvisa).

A decisão foi acatada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que antes havia suspendido liminares que autorizavam a entrega da substância. Uma das justificativas do desembargador José Renato Nalini é a de que “não se pode ignorar os relatos de pacientes que apontam melhora no quadro clínico.”

Vamos então liberar tudo o que as pessoas relatam como substâncias capazes de curar o câncer? O cogumelo do sol? O bicarbonato de sódio? O suco de babosa? A folha de graviola?

Vamos rasgar os manuais de ética em pesquisa, passar por cima de todas etapas que envolvem o desenvolvimento, a aprovação e a comercialização de um novo medicamento? Vamos fechar as agências regulatórias?

Do ponto de vista jurídico, o caso tem uma contraposição de princípios fundamentais, como bem lembrou Nalini: de um lado está o resguardo da legalidade e da segurança dos remédios, do outro a necessidade de proteção do direito à saúde.

Em relação à fosfoetanolamina, prevaleceu o direito de o paciente ter acesso a uma substância sem respaldo algum da medicina baseada em evidência. Abriu-se aí um perigoso precedente para o charlatanismo.

Estima-se que a quantia de dinheiro gasto no mundo só com o charlatanismo oncológico passe de US$ 1 bilhão.

O desejo de cura para o câncer leva muitas pessoas a procurarem tratamentos não convencionais, a retardarem ou até desistirem dos tratamentos convencionais.

Foi o que ocorreu com o empresário Steve Jobs, fundador da Apple, que retardou a cirurgia do câncer de pâncreas para aderir a um tratamento com ervas, o que teria agravado o seu quadro.

Estimativa da ASCO (American Society of Clinical Oncology) mostra que cerca de 80% dos pacientes com câncer recorrem a tratamentos alternativos. A sociedade é enfática: não há nenhum indício de que esses tratamentos contribuam para a regressão ou a cura do câncer.

Além de não contribuir para a melhora, terapias alternativas podem interferir nos resultados das terapias-padrão. Muitas dessas substâncias são metabolizadas no fígado e podem alterar a absorção de quimioterápicos, sua eficácia e a eliminação.

É verdade que há compostos com atividades antitumorais bem demonstradas em laboratório, mas existe um longo caminho para serem usados na prática clínica.

São necessários testes laboratoriais e em humanos, com diferentes tipos de tumores e cenários clínicos controlados. E os resultados comparados aos de drogas existentes. Caso sejam mais eficientes, o laboratório pede o registro às agências reguladoras. Nada disso foi feito no caso da fosfoetanolamina.

O oncologista Drauzio Varella costuma dizer: “Se um dia você ouvir que foi encontrada a cura do câncer, não leve a sério”. O problema é quando a Justiça o leva.

Fonte: Folha de São Paulo.

AGL

Voltei. Com “ASCO”, mas voltei.

A reportagem é uma peça abjeta de hipocrisia e sensacionalismo barato.

Primeiro porque esta decisão da justiça não é uma súmula vinculante. É uma decisão exatamente do tipo que se espera que a justiça profira, atuando em um momento de dúvida e impasse para garantir um bem maior – a saúde dos pacientes, que relatavam em uníssono uma melhora significativa com a utilização da fosfoetanolamina – em detrimento de um bem menor – a burocracia emperrada que não se importa se pessoas que estavam alegando melhoras sensíveis vão voltar a desenvolver uma doença que causa grande sofrimento e em geral péssimos desfechos.

Segundo porque a reportagem desrespeita e procura deslegitimar os depoimentos dos principais interessados na questão, tratando os pacientes como imbecis iludidos por uma pajelança ao invés de tratá-os como pessoas que já experimentaram a substância e relatam efeitos impossíveis de serem obtidos por efeito placebo ou qualquer tipo de wishful thinking. Um dos relatos é de uma senhora desenganada, em estado terminal, incapacitada, totalmente dependente de cuidados, que precisava tomar morfina de três em três horas, e com o uso da fosfoetanolamina voltou a ter autonomia para banhar-se, trocar de roupa e cozinhar sozinha e ficou nove dias sem tomar morfina sem sentir dor. Se este relato for verdadeiro, esta reportagem é criminosa. Se for falso, é apenas péssimo jornalismo, porque um relato assim excepcional jamais poderia deixar de ser verificado.

Terceiro porque o que mais tem por aí é charlatanismo, legal ou ilegal, e eu não vejo os mesmos atores que estão reclamando disso se pronunciarem contra as picaretagens. Homeopatia é água suja sem princípio ativo nenhum, tudo que um homeopata faz é manipular o efeito placebo, e no entanto é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica e consumida avidamente por milhões de iludidos que a defendem com unhas e dentes porque se sentem bem – mas muita gente deixa de procurar tratamentos solidamente fundamentados em ciência de boa qualidade e tem doenças agravadas porque confia na homeopatia. Diabetes tipo 2 é totalmente curável com uma dieta de baixíssimo carboidrato, e no entanto os endocrinologistas e nutricionistas recomendam uma alimentação com 60% das calorias vindas de carboidratos e até mesmo o uso de insulina, algo que o diabético tipo 2 já tem em excesso no corpo e que causa inúmeros danos metabólicos nas altas concentrações necessárias para reduzir a glicemia se não for adotada uma dieta de baixíssimo carboidrato. Cadê as manifestações de indignação contra estes absurdos que causam milhões de vítimas por parte dos mesmos que estão esbravejando por causa da garantia de fornecimento da etanolamina a um punhado de pacientes desesperados, muitos deles terminais?

Há muito mais gente defendendo os interesses dos laboratórios em ter a propriedade da patente da fosfoetanolamina “para não correr riscos financeiros de investir no desenvolvimento do medicamento e depois não recuperar seu investimento” ou o “correto segimento dos protocolos” do que gente defendendo aguerridamente a saúde dos pacientes.

Eu vejo pedidos de liminares dos pacientes desesperados para obter a substância que os está fazendo recuperar a saúde e pedidos de liminares de quem não quer mais fornecer a substância independentemente do que os pacientes estejam dizendo.

Mas onde estão as propostas de instituições de pesquisa ou de laboratórios comerciais para realizarem estudos adequados o mais rápido possível, seja para que o impasse seja desfeito de uma vez e inúmeras vidas possam ser salvas, seja para que não haja mais falsas esperanças?

E onde estão as propostas de contratos decentes de licenciamento ao dono da patente, assumindo o compromisso de produzir da fosfoetanolamina em larga escala se a substância demonstrar ter de fato propriedades terapêuticas, para acabar logo com o impasse e salvar vidas?

Tudo o que vejo é a defesa de todo o tipo de interesse menos a mitigação do sofrimento e a possível cura dos doentes.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/10/2015

Princípios e prática de uma dieta paleolítica de baixo carboidrato

Vivemos em uma época estranha, em que muitas pessoas se preocupam em obter uma nutrição saudável e poucas pessoas conseguem acesso à informação adequada para atingir este objetivo, ficando perdidas em um mar de informações inadequadas e até mesmo perigosas. Este artigo resume de modo simples e direto a melhor informação científica disponível sobre como se alimentar para promover a saúde e a boa disposição e evitar doenças como a obesidade, a diabetes, a hipertensão, a aterosclerose, o infarto do miocárdio, a depressão, o declínio cognitivo e diversas doenças intestinais, vasculares e crônico-degenerativas.

1. Princípio paleo: o ser humano evoluiu por vários milhões de anos como caçador-coletor, portanto, está adaptado a alimentar-se dos produtos da caça e da coleta disponíveis ao longo do período paleolítico, anterior à revolução neolítica, à revolução verde e à revolução industrial.

2. Princípio low-carb: o ser humano não é capaz de sintetizar certos aminoácidos e certos ácidos graxos, devendo ingeri-los obrigatoriamente, mas é capaz de sintetizar todos os carboidratos necessários a seu metabolismo, portanto, não tem necessidade de ingerir carboidratos e tem uma capacidade limitada de metabolizar os carboidratos ingeridos (com variabilidade interpessoal).

3. Princípio integrativo: uma dieta que inclua somente alimentos para os quais o ser humano está adaptado, nas proporções e freqüências de ingestão com que o corpo humano é capaz de metabolizá-los, será necessariamente uma dieta saudável, enquanto que uma dieta que inclua elementos novos do ponto de vista evolutivo ou em quantidades inadequadas do ponto de vista metabólico será provavelmente uma dieta insalubre.

Produtos de caça e coleta são carnes integrais de todos os tipos, ovos e certos vegetais. As proporções ótimas destes alimentos são de 15% a 25% das calorias da dieta na forma de proteína e uma quantidade não superior a 150 gramas de carboidratos por dia, sendo tanto melhor quanto menor for o índice glicêmico destes carboidratos. E a freqüência de ingestão é baixa e irregular, porque ao longo da evolução humana a disponibilidade dos alimentos quase sempre foi baixa e irregular. Estas informações são suficientes para compor uma dieta saudável, como na foto abaixo.

Comida de verdade

Coma carnes integrais livremente – de gado bovino, de porco, de aves, de peixes, de frutos do mar, de répteis e outras de sua preferência, como escargot e até mesmo insetos – incluindo vísceras como coração, fígado, rins, moela e intestinos, sem retirar a pele e a gordura associadas e sem selecionar carnes magras. Coma chuleta de gado, “músculo” ou ossobuco (incluindo o tutano dos ossos), pernil de porco com toda a gordura, frango com pele, peixes e ovos na quantidade que desejar, sem contar calorias e sem se preocupar com o colesterol, até ficar saciado.

Coma saladas verdes livremente – alface, espinafre, brócolis, couve-flor, repolho, rúcula, agrião, radiche (se for folha verde vale), pepino, azeitona, aspargo, pimentão – e complemente com tomate, cebola, salsa, cebolinha, hortelã, orégano, alho, pimenta e outros temperos de horta.

Coma abacate, limão, coco e frutas vermelhas como morango, mirtilo (blueberry), framboesa, amoras e pitanga quase livremente. “Quase” significa “sem excessos”. Mas atenção: a maçã, embora seja vermelha, é uma exceção e deve ser consumida com moderação.

Coma frutas moderadamente ou muito pouco, evitando as mais comercializadas, em especial a laranja e a banana. Isso que hoje em dia chamamos de “frutas” são praticamente “doces que dão em árvores”, tamanha é a quantidade de açúcar que elas contém. As frutas modernas sofreram uma intensa seleção artificial pela agricultura, devido à alta palatabilidade do açúcar, e portanto não são saudáveis como se apregoa. As frutas disponíveis durante a evolução humana eram todas frutas silvestres com baixo conteúdo de açúcar e disponibilidade apenas sazonal. Além disso, as frutas contém frutose, um tipo de açúcar especialmente danoso à saúde quando consumido acima de oito gramas por dia. A frutose é metabolizada no fígado e pode causar esteatose hepática e resistência à insulina, que é a causa metabólica do diabetes tipo 2.

Coma nozes, castanhas, amêndoas e avelãs eventual e moderadamente. Mas coma.

Há uma discussão interessante quanto a uma suposta exceção para o princípio paleo: o leite e os laticínios. Para quem não precisa emagrecer, não é diabético e não é intolerante à lactose, em geral o leite não traz malefícios, desde que consumido moderadamente, porque afinal de contas lactose é açúcar. Quanto aos iogurtes, beba somente iogurte natural sem adição de açúcar, porque todos os iogurtes com sabor de fruta contém grandes quantidades de açúcar. Quanto aos queijos, prefira os mais duros e amarelos, como queijo lanche ou parmesão, mas consuma-os com moderação, porque as proteínas dos laticínios estão entre as mais insulinogênicas. A recomendação de preferir queijos brancos e “leves”, como a ricota, está simplesmente errada.

Não coma cereais – refinados ou integrais – como trigo (o pior vilão), soja, cevada, centeio, aveia, malte ou qualquer alimento que contenha glúten. Ao contrário do que é dito por aí, o glúten não faz mal apenas para quem é celíaco ou “sensível ao glúten”. O glúten tem uma proteína, a gliadina, que em contato com a proteína zonulina, presente no intestino de todos os seres humanos, aumenta a permeabilidade intestinal. Isso faz com que toxinas bacterianas e partes de proteínas semi-digeridas entrem na corrente sanguínea, aumentando o nível de inflamação de fundo, o que causa danos vasculares (e aterosclerose, trombose, infarto, AVC) e doenças auto-imunes, como o diabetes tipo 1. Além disso, os cereais possuem alto conteúdo de carboidrato com altos índices glicêmicos. Infelizmente, isso implica abdicar de pães, massas, pizzas, lasagnas, cachorros-quentes, x-burguers, empanados, salgadinhos, bolachas, a maior parte das marcas de chocolate e diversos outros alimentos deliciosos porém não saudáveis que compõem a maior parte do que é oferecido nos supermercados hoje em dia. E sim, isso inclui a cerveja e qualquer coisa preparada à milanesa.

Não coma leguminosas – qualquer coisa que dê em vagens – como o feijão e a “vagem”. As leguminosas possuem antinutrientes, que são substâncias que dificultam a absorção dos nutrientes de que precisamos, e podem causar doenças auto-imunes. Embora a chance de causar doenças auto-imunes não seja muito elevada, ela existe. Quem quer ser o “sortudo” a receber o “prêmio”?

Não coma – nem beba – açúcares ou adoçantes, seja na forma de doces, bolos e tortas ou de refrigerantes e sucos de fruta. Não faz diferença se um é industrializado e o outro é natural: um copo de suco de laranja contém tanto açúcar quanto um copo de refrigerante e ambos causam o mesmo impacto em nosso organismo. Já os adoçantes podem produzir resistência à insulina.

Não coma batata, ou coma muito raramente. Comer batata inglesa é pior em termos de ingestão de caboidratos do que comer açúcar direto do açucareiro: enquanto o índice glicêmico da sacarose (açúcar de mesa) é 65, o índice glicêmico da batata inglesa é de 85. A batata-doce não fica muito atrás, com um índice glicêmico de 77.

Fuja da margarina e dos óleos de soja, canola, milho e girassol. Ao contrário do que tem sido dito por aí, estes produtos não são saudáveis e já foi demonstrado que podem ativar genes com ação obesogênica e diabetogênica. Substitua a margarina pela manteiga e cozinhe com a boa e velha banha de porco que a vovó usava, com óleo de coco ou com azeite de dendê (óleo de palma), pois todos eles são termorresistentes e podem ser usados até mesmo para fazer frituras. Abuse do óleo de oliva frio, como tempero de saladas.

Fuja dos alimentos processados. Nenhum deles esteve presente durante a evolução humana e quase todos eles contém açúcar em quantidades assombrosas, mesmo que não tenham gosto doce. Além disso, eles quase sempre contém corantes, aromatizantes, flavorizantes, espessantes, emulsificantes, estabilizantes, conservantes e outros “antes” cujos efeitos no organismo humano estão longe de terem sido bem estudados. Comida de verdade não tem rótulo, como na foto abaixo.

Comida de mentira

Finalmente, esqueça aquela loucura de comer de três em três horas e passe a fazer apenas duas refeições por dia, no máximo três. Quem precisa comer de três em três horas é quem come errado, com excesso de carboidratos, o que força o pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina, o hormônio que joga o açúcar para dentro das células e impede que a gordura saia das células adiposas – o que nos engorda, nos deixa resistentes à insulina, hipertensos e deprimidos, além de promover uma série de doenças crônico-degenerativas. Quem segue uma dieta paleolítica de baixo carboidrato passa muitas horas sem sentir fome, pois seu organismo se habitua a queimar gordura e não carboidratos como combustível principal – que é o que sempre aconteceu ao longo da evolução humana, quando a obesidade, a diabetes, a hipertensão, a depressão e as doenças crônico-degenerativas eram condições muito raras.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/09/2015

“Ortorexia”? A estupidez não tem limites!

Você se preocupa com a qualidade da sua alimentação, só come comida saudável e prefere ficar algumas horas em jejum a comer porcaria quando está fora de casa? Cuidado! Segundo os “profissionais de saúde”, você sofre de um “distúrbio de comportamento alimentar” e pode sofrer de anemias e avitaminoses se insitir em comer apenas alimentos saudáveis e evitar porcarias! HAHAHAHA!!! A estupidez não tem mesmo limites!

Sério, gente. Este é o verbete da Wikipédia sobre a suposta “ortorexia”:

Ortorexia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O termo ortorexia é de origem grega – “orthós” significa correto e “orexsis”, fome – e foi criado pelo médico americano Steven Bratman, autor do livro Health Food Junkies (algo como Viciados em Comida Saudável)[1] Segundo ele, quem apresenta o problema possui uma fixação por alimentação saudável e chega a gastar horas pensando no assunto. Apesar de a ortorexia ser reconhecida pelos profissionais de saúde como um distúrbio de comportamento alimentar, o termo ainda não é usado como diagnóstico no DSM-IV.[2]

Índice

Obsessão por normas

Para conseguir manter uma dieta que considera correta, o ortoréxico inicia uma busca obsessiva por regras alimentares. Qualquer item considerado “impuro” (como aqueles que contêm corantes, conservantes, pesticidas, gorduras trans, excesso de sal ou açúcar e outros componentes) é excluído da alimentação. Na maioria das vezes até a forma de preparo e os utensílios usados fazem parte das preocupações de quem tem ortorexia.

Informações distorcidas

Os conceitos usados pelos ortoréxicos são, na maioria das vezes, baseados em informações verdadeiras (por exemplo: não é errado pensar que o uso exagerado de sal faz mal à saúde). O problema é que aplicam esses conhecimentos de forma exagerada, fazendo com que a dieta tome conta de sua vida. Quando estão fora de casa, por exemplo, muitos indivíduos preferem ficar em jejum a ingerir algum alimento considerado impuro.

Prejuízos para o portador

Por se submeter a diversas restrições, chegando até a excluir determinados grupos alimentares da dieta, o portador de ortorexia corre sérios riscos de apresentar deficiência de algum nutriente essencial ao bom funcionamento do organismo. Disfunções como anemia e avitaminose são exemplos de problemas de saúde que podem ser desenvolvidos em decorrência da fixação por alimentos saudáveis.

Outro dano inevitável causado pela ortorexia é o isolamento social. Como é muito difícil encontrar quem compartilhe dos mesmos hábitos, o portador do distúrbio prefere faltar a compromissos que envolvam comida – como um almoço em família – a ter que justificar suas escolhas ou ser tachado de neurótico. Muitas vezes, também deixa de realizar algumas atividades para que possa se dedicar com mais afinco à descoberta de novas preparações e combinações alimentares.

Tratamento

Como a ortorexia não é um transtorno alimentar reconhecido, não há um tratamento específico para o quadro. Geralmente, indica-se a combinação de terapia nutricional e psicoterapia para ajudar o paciente a desmistificar os conceitos estabelecidos sobre dieta saudável. Assim, espera-se alterar os padrões alimentares sem prejudicar a autoestima do paciente.

Ver também

http://nutricy.com/ortorexia-quando-alimentacao-equilibrada-vira-uma-obsessao/

http://www.ambulim.org.br

http://www.proata.cepp.org.br

Notas e referências

AGL

Na boa, pessoal, o Pensar Não Dói muda de orientação aqui e agora. Esta foi a gota d’água. Vivemos realmente em um mundo de imbecis sem salvação. Cuidado com a estrtura da frase: eu não disse “um mundo sem salvação”, eu disse “imbecis sem salvação”. Depois de saber que “profissionais de saúde” consideram que exigir alimentos saudáveis e negar-se a comer porcarias que fazem mal à saúde é um “distúrbio de comportamento alimentar”, não tenho mais como ter respeito pelo Urko. Chutei o pau da barraca.

Urko, vá plantar batatas transgênicas com agrotóxicos! E coma tudo frito em óleo de soja!

Eu sou um “ortoréxico” com muito orgulho do meu “distúrbio de comportamento alimentar”.

Não como nada que contenha cereais, especialmente o trigo, porque a espécie humana não está adaptada ao glúten, que causa diversos danos metabólicos para qualquer pessoa, independentemente de ser ou não “sensível ao glúten”, e porque qualquer coisa feita com farinha vira uma bomba de açúcar no sangue. Isso significa que não como pão, massa, pizza, x-burguer, cachorro quente, arroz, feijão, milho, aveia, cevada, granola, etc.

Não como nada em restaurantes e lancherias, porque os óleos que eles usam para cozinhar – soja, canola, milho e girassol – são puro veneno. Também não admito que estes venenos ou qualquer coisa preparada com eles entrem em minha casa. O ser humano não evoluiu ingerindo estas substâncias e já há estudos preliminares com camundongos que mostram que o óleo de soja é mais obesogênico e diabetogênico que o próprio açúcar.

Não como frutas, porque são cheias de açúcar, especialmente de frutose, o açúcar do mal. Dou uma mordidinha aqui, outra ali. Também não bebo refrigerante, nem suco de fruta, porque ambos são bombas de açúcar. Parei até de beber leite, o que há menos de um ano eu consideraria inimaginável, não porque seja intolerante à lactose – não sou – mas porque lactose é açúcar.

Não me importo em ser “anti-social”: se vou a uma festa, e já fui a várias depois de vestir a carapuça de troglodita radical, não aceito nada que me oferecem: salgados, doces, bolos, tortas, etc. Não adianta me oferecer um simples halls, ou um chiclete “sem açúcar”, que eu não aceito, porque os rótulos de “sem açúcar” são mentirosos: eles contém substâncias que não são legalmente catalogadas como açúcares, mas que se transformam em açúcar ao serem digeridas. (Verifique: manitol, maltitol, sorbitol e xilitol são classificados como “edulcorantes” e “espessantes”, mas são açúcares. E é óbvio que a indústria que produz estas porcarias não se importa de mentir e induzir os diabéticos a ingerirerm açúcares.)

E sou radicalíssimo: prefiro passar 24 horas em jejum absoluto a dar uma única mordida em uma fatia de pão com margarina.

Eu só como carnes, peixes, aves, ovos, saladas, nozes, castanhas, avelãs e água. Uma vez que outra eu tomo um ou dois goles de iogurte natural, ou meia barrinha de 15 g de chocolate sem glúten com mais de 85% de cacau, ou dois ou três moranguinhos com nata, ou meio abacate puro. Se preciso ficar muito tempo fora de casa, levo comigo uma lata de atum ao natural e uma fatia de queijo, ou um ovo cozido e um punhado de nozes.

Nunca estive tão bem de saúde e tão bem disposto nos últimos 27 anos.

Desde quando descobri que estava diabético, pesquisei “dieta para diabéticos” no Google e encontrei uma absurda quase-unanimidade de informações erradas dadas por médicos e nutricionistas, que orientavam e orientam seus pobres coitados pacientes diabéticos a se entupirem de carboidratos, eu entrei em pânico pensando em quanta gente teve, tem e terá sua vida destruída pela estupidez do Urko. Quando descobri a definição de “ortorexia”, porém, eu relaxei. O mundo é uma selva. Salve-se quem puder.

Eu não vou deixar de tentar salvar o mundo, é claro. Isso está no meu DNA. Estou assumindo responsabilidades profissionais pesadíssimas, tentando proteger a saúde de milhares de pessoas, coisa que eu não preciso fazer, mas quero fazer. Vou me incomodar um monte tentando convencer “profissionais de saúde” teimosos que não aceitam se atualizar cientificamente a saírem de suas zonas de conforto e passarem a prescrever dietas saudáveis segundo o que diz a ciência da nutrição de melhor qualidade produzida no planeta. Na verdade eu vou muito além disso, pois vou fazer trabalho voluntário para disponibilizar esta informação também ao público leigo.

O que eu não vou mais fazer é me importar e muito menos me estressar com resistências e críticas. Não dá. Alguém que diz que exigir alimentos saudáveis e negar-se a comer porcarias que fazem mal à saúde é um “distúrbio de comportamento alimentar” que pode causar anemias e avitaminoses não merece crédito algum. Eu não tenho por que me sentir atingido pelas resistências e críticas de “profissionais da saúde” que propagam uma estupidez destas, eu só lamento pelas vítimas que eles vão desgraçar com seus conceitos absurdos, especialmente pelas crianças.

Felizmente, hoje já existe muita gente boa trabalhando firme para divulgar a informação correta, com sólida fundamentação científica. Quem tiver capacidade para superar a “falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem” encontrará a informação correta e fará bom uso dela, assim como eu fiz.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 12/09/2015

Chamamento aos profissionais da saúde para um debate

Em O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan, consta a citação de um trecho traduzido de The ethics of belief, de William K. Clifford, que reproduzo (com algumas correções) logo abaixo. Leia com atenção. Depois eu volto. 

carl-sagan-o-mundo-assombrado-pelos-demonios

Um proprietário de navios estava prestes a mandar para o mar um navio de emigrantes. Ele sabia que o navio estava velho, e nem fora muito bem construído; que vira muitos mares e climas, e com frequência necessitara de reparos. Dúvidas de que possivelmente não estivesse em condiıes de navegar lhe haviam sido sugeridas. Essas dúvidas lhe oprimiam a mente e o deixavam infeliz. Ele chegou a pensar que o navio talvez tivesse de ser totalmente examinado e reequipado, ainda que isso lhe custasse grandes despesas.

No entanto, antes que a embarcação partisse, ele conseguiu superar essas reflexões melancólicas. Disse para si mesmo que o navio passara por muitas viagens e resistira a muitas tempestades em segurança, que era infundado supor que não voltaria a salvo também dessa viagem. Ele confiaria na Providência, que não podia deixar de proteger todas essas famílias infelizes que estavam abandonando a sua terra natal em busca de dias melhores em outro lugar. Tiraria de sua cabeça todas as suspeitas mesquinhas sobre a honestidade dos construtores e empreiteiros.

Dessa forma, ele adquiriu uma convicção sincera e confortável de que o seu navio era totalmente seguro e capaz de resistir às intempéries; assistiu sua partida de coração leve e cheio de votos bondosos para o sucesso dos exilados naquele que seria o seu estranho novo lar; e embolsou o dinheiro do seguro, quando o navio afundou no meio do oceano, sem contar histórias a ninguém.

O que devemos dizer desse homem? Sem dúvida, o seguinte: que ele foi de fato culpado da morte desses homens. Admite-se que ele acreditava sinceramente nas boas condições de seu navio; mas a sinceridade de sua convicção não o ajuda de modo algum, porque ele não tinha o direito de não acreditar na evidência que estava diante de si. Não adquirira a sua opinião conquistando-a honestamente pela investigação paciente, mas reprimindo as suas dúvidas…

William K. Clifford, The ethics of belief (1874)

AGL

Voltei.

Pergunto: o que se pode dizer de um profissional da saúde que tem em mãos o mesmo tipo de responsabilidade e poder de decisão que o dono do navio da história acima? Se houver a menor chance de que suas convicções estejam equivocadas – por exemplo, se houver alguém que alegue ter evidências de alto nível que provem que suas convicções estão equivocadas – terá o profissional da saúde o direito de não examinar as novas evidências ou de não acreditar nelas? Ou, agindo assim, ele se tornará de fato culpado por todo o sofrimento e por todo o desfecho negativo que vier a sofrer qualquer um de seus pacientes, por mais que ele confie sinceramente que está fazendo o melhor que pode? 

Respondo: pelos mesmos motivos pelos quais o dono daquele navio não tinha o direito de lançá-lo ao mar sem uma profunda e adequada verificação de seu estado, especialmente no caso de alguém o haver informado de um possível defeito ou mau funcionamento, eu penso que um profissional da saúde não tem o direito de não fazer constantemente uma verificação profunda e adequada na mais recente e qualificada informação publicada sobre seu ramo de atuação e muito menos de ignorar as evidências científicas de mais alto nível disponíveis. 

Dito isso… 

Eu afirmo que há evidências fortes de que as orientações nutricionais tradicionais, baseadas na pirâmide alimentar, estão erradas e causam malefícios à saúde humana. 

Eu afirmo que há evidências fortes de que uma dieta paleolítica de baixíssimo carboidrato é a orientação nutricional mais adequada para o tratamento da síndrome metabólica, da obesidade, da diabetes, da hipertensão, do risco cardíaco e de outras enfermidades como o TDAH, a depressão e o mal de Alzheimer, além de diversas outras condições crônico-degenerativas. 

Eu afirmo que as evidências que citei são de alta qualidade, que muitas delas estão amplamente disponíveis a custo zero e que eu estou disposto a ajudar qualquer profissional da saúde e qualquer leigo interessado em cuidar melhor de sua saúde a localizar, avaliar e debater algumas destas evidências. 

Assim sendo, convido todos os leitores, especialmente os profissionais da saúde, a divulgar este artigo nas redes sociais, a ler e avaliar com atenção e profundidade as evidências científicas sobre a dieta paleolítica e sobre as dietas de baixo carboidrato e a participar deste debate aqui na caixa de comentários do Pensar Não Dói (não nas redes sociais, porque lá os tópicos “afundam” e se tornam inacessíveis muito rapidamente). 

Sugiro em primeiro lugar a leitura do artigo Meta-análise comprova: dieta paleolítica é a mais saudável

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/08/2015 

Um mundo de Fábios Robertos

Você é marceneiro. Trabalha com um serrote. Um belo dia eu caio de pára-quedas a seu lado e digo: “Meu amigo, eu não sou marceneiro, mas descobri que existe uma coisa chamada serra circular. Ela permite que você trabalhe muito mais rápido, com muito maior precisão de corte e com muito menos esforço. Eu aprendi a usar este equipamento e gostaria de ensinar você a usá-lo também, pois será muito útil para você e para seus clientes. Estou disposto a fazer isso de graça. O que você me diz?” 

serrote

Acredite se quiser, amigo leitor, isso é o que eu estou dizendo há um mês para diversos profissionais – de outra área, não da marcenaria – e todos estão respondendo que eles aprenderam a trabalhar com serrote, logo, a minha “serra circular” não funciona. “Lógica” interessante, não? 

Além disso, quando eu insisto dizendo que sei que eles aprenderam a trabalhar com serrote, mas que o mundo evoluiu e agora existe a serra circular, um equipamento novo que funciona muito melhor que o serrote, eles se mostram ofendidos e afirmam que não é verdade. Eu mostro um móvel que construí, eu mostro os móveis que outros marceneiros construíram, eu mostro o manual do usuário da serra circular, mas eles mal olham e já torcem o nariz. Impossível não lembrar do Fábio Roberto.

A situação não é, porém, perfeitamente análoga. No caso do marceneiro, se ele não quiser trabalhar com a serra circular, o pior que pode acontecer é construir um móvel torto ou com um acabamento inferior ao que poderia ser feito com um equipamento mais adequado. Não há sofrimento, risco de mutilação ou morte para o cliente do marceneiro que insiste em usar o serrote. Pa bo ente me pala bas. 

E aqui estou eu, preocupadíssimo com os clientes destes “marceneiros”, quebrando a cabeça, tentando convencer alguém da marcenaria de que eu não estou louco, que o velho serrote já está obsoleto e que a tal da serra circular não somente funciona muito bem como é o equipamento mais adequado para os objetivos da marcenaria. Absurdamente, eles só querem saber do serrote. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2015