Quando a verdade não interessa para a ciência

Os cientistas não fazem ciência num vácuo histórico ou cultural. Tem gente que não consegue publicar artigos que relatam experimentos bem feitos porque o resultado do experimento é inaceitável para os revisores, mesmo que esteja correto. Aliás, muitos cientistas não conseguem nem sequer o financiamento para realizar certos estudos “inaceitáveis”. Eu mesmo já passei por isso!

Baseado sendo preparado

Uma vez uma conhecida minha quis fazer um doutorado sobre a influência da maconha fumada pela gestante no desenvolvimento cognitivo da criança. Eu bolei um delineamento experimental quádruplo-cego fantástico, o melhor que eu já bolei na vida, no qual nem os bioquímicos, nem os médicos, nem os professores, nem a própria pesquisadora saberiam que dados corresponderiam a que mães e a que crianças antes, durante e nem mesmo depois da análise dos dados. A minha proposta era que ela apresentasse a tese sem saber qual dos tratamentos era fumante e qual dos tratamentos era não fumante e que a banca avaliasse a tese e desse a nota final dela e concedesse o grau de doutor também sem saber qual tratamento era qual e só depois de ela receber o grau nós abriríamos um envelope que conteria a chave para identificar qual era cada tratamento, de modo que seria absolutamente impossível qualquer interferência ideológica em qualquer etapa do estudo.

A idéia foi rejeitada não tanto por ser tão ousada mas por existir o risco de provar de maneira cabal que fumar maconha durante a gravidez pudesse fazer bem para o desenvolvimento cognitivo da criança.

É.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/09/2016

A dieta paleolítica de baixo carboidrato é perigosa?

Volta e meia alguém me diz que a dieta que eu faço é “desequilibrada”, que vai me fazer mal e que eu preciso voltar a comer de acordo com os conselhos dos médicos, nutricionistas e educadores físicos que nos mandam reduzir a carne vermelha, evitar as gorduras saturadas, comer cereais integrais, óleos “saudáveis” de soja, canola, milho e girassol, substituir a manteiga por margarina e ingerir 60% das calorias na forma de carboidratos. Será?

CHURRASCO-PICANHA-E-SALADA

Eu passei 26 anos doente, obeso, deprimido, tive onze diverticulites, estava com uma indicação para colectomia, fiquei diabético, minha glicemia chegou a 195 num exame de doze horas em jejum e minha hemoglobina glicada estava em 9,8 (equivalente à glicemia média de 212), meus triglicerídeos estavam nas alturas, minha Proteína C Reativa estava em 0,63 (alto risco cardíaco) cheguei a ficar incapacitado para o trabalho por cerca de dois anos… E aí abandonei as orientações que os médicos, nutricionistas e educadores físicos me deram durante todo este tempo e me joguei em uma dieta paleolítica de baixo carboidrato radical, sem tomar medicamentos nem fazer exercícios, contra todos os conselhos de médicos, nutricionistas, educadores físicos, amigos e familiares.

Eu fiz exatamente o contrário do que recomendam os médicos, nutricionistas e educadores físicos: eliminei os cereais da minha vida, eliminei os óleos de soja, canola, milho e girassol, eliminei  a margarina, cortei quase completamente os carboidratos da minha dieta e passei a me entupir de carne vermelha gorda, cheia de gordura saturada, meia dúzia de ovos todos os dias, tudo assado ou frito na banha de porco, mais uma saladinha verde com óleo de oliva, meio tomate e meio limãozinho e eventualmente um punhado de nozes ou castanhas-do-Pará.

Resultado: emagreci 25 kg, curei minha depressão, nunca mais tive diverticulites (exceto nas duas únicas vezes em que furei a dieta e comi derivados do trigo), não fiz e não vou fazer a colectomia, minha glicemia está permanentemente entre 70 e 100, minha hemoglobina glicada despencou para menos de 5,5, meus triglicerídeos desabaram, minha Proteína C Reativa caiu a zero (baixíssimo risco cardíaco) e nunca estive tão bem de saúde, tanto que estou ótimo no trabalho e depois de tudo isso comecei até a fazer musculação.

Ah, sim… Meu colesterol total aumentou um pouquinho. Oh! Céus! Vou morrer a qualquer momento! 😛

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/09/2016

Ministério da Saúde lança campanha cientificamente ERRADA

O Ministério da Saúde lançou uma campanha que vai adoecer, mutilar e matar milhões de pessoas. Ele está oferecendo informações nutricionais ERRADAS que vão causar o aumento da prevalência da obesidade, da diabetes, da depressão, das doenças vasculares, dos infartos, dos AVCs, das cardiopatias, das neuropatias e de outras doenças degenerativas. É um completo absurdo, que contraria totalmente a melhor evidência científica produzida no planeta sobre a proporção adequada de macronutrientes na dieta humana. 

Carboidrato Faz Bem - Campanha Criminosa do Ministério da SaúdeFonte

Em primeiro lugar, “a energia que o corpo precisa para funcionar bem” não deve vir de carboidratos, deve vir da gordura. O ser humano não evoluiu comendo grandes quantidades de carboidratos, não tem capacidade metabólica para lidar com quantidades muito superiores a 150 g de carboidratos por dia e sofre danos metabólicos quando exposto a grandes quantidades de carboidratos por períodos prolongados. A alimentação que faz bem impõe restrições. É o excesso de consumo de carboidratos que nos deixa gordos e é o excesso de consumo de carboidratos que nos torna diabéticos. Além disso, o excesso de consumo de carboidratos está associado a doenças vasculares e neurodegenerativas.

A base evolutiva disso é óbvia: o ser humanos foi caçador-coletor por mais de 3.200.000 anos, que é a idade de  Lucy, a Australopithecus afarensis homenageada na música dos Beatles Lucy in the Sky with Diamonds e que durante muitas décadas foi considerada o mais antigo fóssil humano encontrado. A tribo de Lucy já era caçadora-coletora. E caçadores-coletores evoluem comendo principalmente o produto da caça, ou seja, proteína animal e gordura animal, e secundariamente ou complementarmente o produto da coleta, ou seja, vegetais folhosos verdes, frutinhas silvestres com baixo teor de açúcar, nozes e castanhas. Raízes e tubérculos devem necessariamente ser raros na dieta de um organismo originalmente arborícola como o ser humano.

Em segundo lugar, além de “estimular a energia vital” ser um vocabulário de alquimista e não de cientista, se essa informação divulgada pelo Ministério da Saúde estivesse correta, uma pessoa que não comesse carboidratos deveria passar mal ou até morrer por falta de energia ou pelo mal funcionamento do sistema nervoso central, e aqui estou eu – que não como carboidratos desde dezembro de 2014 – a cada dia mais saudável e bem disposto. Mas não sou somente eu quem ficou mais saudável com uma dieta com pouco carboidrato e muita gordura, que é a proporção adequada de ingestão destes nutrientes para a espécie humana. Os pacientes de todos os estudos clínicos de alto nível citados abaixo também.

  1. Shai I, et al. Weight loss with a low-carbohydrate, mediterranean, or low-fat diet. N Engl J Med 2008;359(3);229–41.
  2. Gardner CD, et al. Comparison of the Atkins, Zone, Ornish, and learn Diets for Change in Weight and Related Risk Factors Among Overweight Premenopausal Women. The a to z Weight Loss Study: A Randomized Trial. JAMA. 2007;297:969–977.
  3. Brehm BJ, et al. A Randomized Trial Comparing a Very Low Carbohydrate Diet and a Calorie-Restricted Low Fat Diet on Body Weight and Cardiovascular Risk Factors in Healthy Women. J Clin Endocrinol Metab 2003;88:1617–1623.
  4. Samaha FF, et al. A Low-Carbohydrate as Compared with a Low-Fat Diet in Severe Obesity. N Engl J Med 2003;348:2074–81.
  5. Sondike SB, et al. Effects of a low-carbohydrate diet on weight loss and cardiovascular risk factor in overweight adolescents. J Pediatr. 2003 Mar;142(3):253–8.
  6. Aude YW, et al. The National Cholesterol Education Program Diet vs a Diet Lower in Carbohydrates and Higher in Protein and Monounsaturated Fat. A Randomized Trial. Arch Intern Med. 2004;164:2141–2146.
  7. Volek JS, et al. Comparison of energy-restricted very low-carbohydrate and low-fat diets on weight loss and body composition in overweight men and women. Nutrition & Metabolism 2004, 1:13.
  8. Yancy WS Jr, et al. A Low-Carbohydrate, Ketogenic Diet versus a Low-Fat Diet To Treat Obesity and Hyperlipidemia. A Randomized, Controlled Trial. Ann Intern Med. 2004;140:769–777.
  9. Nichols-Richardsson SM, et al. Perceived Hunger Is Lower and Weight Loss Is Greater in Overweight Premenopausal Women Consuming a Low-Carbohydrate/High- Protein vs High-Carbohydrate/Low-Fat Diet. J Am Diet Assoc. 2005;105:1433–1437.
  10. Krebs NF, et al. Efficacy and Safety of a High Protein, Low Carbohydrate Diet for Weight Loss in Severely Obese Adolescents. J Pediatr 2010;157:252-8.
  11. Summer SS, et al. Adiponectin Changes in Relation to the Macronutrient Composition of a Weight-Loss Diet. Obesity (Silver Spring). 2011 Mar 31. [Epub ahead of print]
  12. Halyburton AK, et al. Low- and high-carbohydrate weight-loss diets have similar effects on mood but not cognitive performance. Am J Clin Nutr 2007;86:580–7.
  13. Dyson PA, et al. A low-carbohydrate diet is more effective in reducing body weight than healthy eating in both diabetic and non-diabetic subjects. Diabet Med. 2007 Dec;24(12):1430-5.
  14. Keogh JB, et al. Effects of weight loss from a very-low-carbohydrate diet on endothelial function and markers of cardiovascular disease risk in subjects with abdominal obesity. Am J Clin Nutr 2008;87:567–76.
  15. Volek JS, et al. Carbohydrate Restriction has a More Favorable Impact on the Metabolic Syndrome than a Low Fat Diet. Lipids 2009;44:297–309.
  16. Partsalaki I, et al. Metabolic impact of a ketogenic diet compared to a hypocaloric diet in obese children and adolescents. J Pediatr Endocrinol Metab. 2012;25(7-8):697-704.
  17. Daly ME, et al. Short-term effects of severe dietary carbohydrate-restriction advice in Type 2 diabetes–a randomized controlled trial. Diabet Med. 2006 Jan;23(1):15–20.
  18. Westman EC, et al. The effect of a low-carbohydrate, ketogenic diet versus a low- glycemic index diet on glycemic control in type 2 diabetes mellitus. Nutr. Metab (Lond.)2008 Dec 19;5:36.

Se você quiser ficar saudável e reduzir as chances de desenvolver qualquer uma das doenças citadas neste artigo, você não pode comer de acordo com a erradíssima e totalmente anti-científica “pirâmide alimentar”. Não confie em argumentos de autoridade de qualquer profissional ou instituição, consulte diretamente as fontes científicas de melhor qualidade e faça aquilo que diz a ciência com mais alto nível de evidência disponível. Comece pelos dezoito artigos listados acima.

O Ministério da Saúde deveria fazer o dever de casa e estudar aquilo que a melhor ciência do planeta diz antes de lançar uma campanha daninha dessas. A “pirâmide alimentar” é cientificamente errada e isso já é sabido há muito tempo por quem conhece a biologia evolutiva humana e/ou acompanha as publicações científicas com seriedade e responsabilidade. Sugerir o consumo de carboidratos para uma população que já tem uma alta prevalência de obesidade, diabetes, doenças vasculares, cardiopatias, neuropatias e outras doenças degenerativas como a população brasileira tem é pior do que uma irresponsabilidade, é uma terrível maldade.

A dieta mais adequada para a saúde humana ficou conhecida como dieta paleolítica de baixo carboidrato. É isso que faz bem à saúde humana e é deste modo que você deve se alimentar. Há toda uma “blogosfera paleo” que habitualmente divulga as informações científicas adequadas já selecionadas segundo os melhores critérios de qualidade e nível de evidência científica e muita informação disponível gratuitamente na PUBMED para quem souber o que é ciência de alto nível de evidência e quiser fazer sua própria busca.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/09/2016 

Cláusula de barreira: atentado contra a democracia

Toda vez que se fala no número de partidos políticos e na existência de legendas de aluguel o tema “cláusula de barreira” volta ao debate. É uma solução fascista para tentar coibir a venda de espaço no rádio e na TV por legendas que são criadas somente para este fim ou para arrecadar dinheiro do fundo partidário. Mas a solução correta nunca é fascista.

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A solução correta para essa questão passa por três medidas.

Primeira, a extinção do fundo partidário e a proibição das doações feitas por não-filiados! Partido político não tem que ser financiado por quem não é filiado nele. Nem o não-filiado tungado por impostos para pagar por coisas nas quais não acredita, nem o não-filiado que “acredita” na causa o suficiente para dar dinheiro mas não para associar seu nome à legenda.

Segunda, o parlamentarismo! No presidencialismo, primeiro o chefe de governo se elege, depois sai correndo atrás das legendas mendigando apoio para conseguir governar, sendo chantageado e obrigado a distribuir cargos e ceder em inúmeras questões administrativas. No parlamentarismo, primeiro as legendas precisam compor uma maioria estável, depois elegem o chefe de governo de comum acordo e se responsabilizam pela qualidade de seu governo, sendo governo e maioria duramente fiscalizados pela minoria. Isso exige responsabilidade dos partidos políticos e elimina outras moedas de troca que não o apoio parlamentar efetivo e explícito, ajudando a tornar o sistema transparente.

Terceira, o voto facultativo! É um absurdo obrigar a votar quem não quer votar e nem sabe o que está fazendo ao votar. Um eleitor só deve ir às urnas se tiver convicção de que o seu voto vale o esforço de se deslocar até uma seção eleitoral para ajudar a contribuir com a escolha dos destinos do país. Isso exige dos partidos a formação de uma identidade clara e a busca do convencimento real dos eleitores, ou eles simplesmente não conferem representatividade ou legitimidade às legendas.

São medidas viáveis e que não dependem de alterações de cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Partidos auto-financiados, sem moedas de troca espúrias para corromper o jogo político, fortalecidos pela responsabilidade de sustentar o governo ou exercer oposição de fato. Com um sistema assim, o país pode ter tantos partidos quantos surgirem – a democracia sempre sairá ganhando.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/09/2016

 

Faceblogando (2)

Algum tempo atrás eu prometi que ia começar a “Faceblogar”. Relutei, fiquei um tempo afastado do blog, voltei, decidi tentar cumprir o prometido. Ao invés de fazer certas postagens curtas no Facebook, onde em princípio é mais natural postá-las, vou tentar fazer algumas destas postagens aqui no blog. Afinal, de qualquer modo elas serão publicadas no Facebook. Mas atenção: esta é a última tentativa de reativar o Pensar Não Dói. 

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Tomei esta decisão sabendo que isso vai reduzir a densidade tradicional do blog. É uma pena, mas é necessário, ou o blog vai morrer de vez. Já está na UTI desde o ano passado. Esteve em coma profundo por seis meses. Voltou a respirar sem aparelhos, mas no mês passado esteve em coma de novo. É óbvio que um ciclo se encerrou.

Esta será minha última tentativa de manter o Pensar Não Dói vivo. Não tenho certeza se deveria fazer isso, mas decidi fazer por desencargo de consciência, para não ter remorso por não ter tentado de tudo. Se não houver movimento nos comentários, não terei motivo para continuar a blogar. Só quem escreve um blog e não vê movimento algum sabe como é isso.

Vejam bem: não estou reclamando. Mada disso. É apenas um conjunto de constatações bem óbvias. Já publiquei mais de 700 artigos sobre os mais diversos assuntos. Chega uma hora em que um blog assim diverso não tem como prosperar sem uma equipe editorial, e eu sou a “equipe do eu sozinho” do Pensar Não Dói. Isso faz o interesse do público se reduzir, o que por sua vez desestimula o blogueiro, até que chega uma hora em que o blog na prática não é mais atuante. O Pensar Não Dói já está nesta fase. A presente tentativa pode mudar as coisas ou não. Sem stress.

Ou este projeto decola novamente, ou precisa ser encerrado para me liberar para novos projetos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/09/2016

Uma coisa é pensar diferente, outra coisa é defender práticas criminosas

Os “esquerdinhas paz e amor” são um bando de estúpidos. Podem ser honestos, podem ser bem intencionados, mas na prática defendem uma ideologia criminosa que gera depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político onde quer que assuma o controle. São, portanto, inimigos da paz, da justiça, da prosperidade e do bem estar humano, não importa que pensem que não são. 

Todo mundo mente - o PT é inocente

Eu escrevi o parágrafo acima no Facebook. Como era previsível, um dos meus amigos “esquerdinha paz e amor” veio dizer bobagem logo abaixo. Literalmente ele disse o seguinte:

“Quem pensa diferente de mim é bandido”
Cara, vira o disco. Aprende a argumentar decentemente.

Para quem ainda é ingênuo o suficiente para não perceber o que está por trás disso, eu esclareço: isso é idêntico ao Bandido da Luz Vermelha dizer para você “quem pensa diferente de mim é bandido”. Você daria atenção ao Bandido da Luz Vermelha defendendo sua posição com este argumento? Óbvio que não, certo? Então, por que raios você dá atenção aos Bandidos das Bandeiras Vermelhas quando eles defendem seus crimes exatamente desta maneira?

O argumento decente contra o Bandido da Luz Vermelha e os Bandidos das Bandeiras Vermelhas é exatamente o mesmo: cadeia. Você não dá credibilidade a quem defende abertamente a legalização do homicídio porque eles dizem que “pensam diferente”. Você não dá credibilidade a quem defende a implantação de ditaduras sanguinárias porque eles dizem que “pensam diferente”. Por que raios você dá credibilidade a quem defende a legalização e a implantação de tudo o que é imoral, indecente, desumano, maldoso e criminoso só porque eles dizem que “pensam diferente”?

Qual é o seu problema para entender que tudo o que a esquerda defende é pernicioso e sempre que foi implantado destruiu os ambientes em que foi implantado, causando depravação moral, mediocridade cultural, falência econômica e autoritarismo político, em qualquer momento da história desde a Revolução Francesa?

Veja o caso do PT.

Os amigos do PT e defensores da mesma ideologia são Cuba, que até pouco tempo atrás matava por fuzilamento quem pensava diferente ou tentava sair da ilha para não ser escravizado pelo governo “democrático” do esquerdista Fidel Castro; Venezuela, que está em crise humanitária por desabastecimento de comida e colapso econômico total devido ao governo “democrático” do esquerdista Nicolas Maduro; Coréia do Norte, onde há relatos de terríveis violações humanitárias, inclusive de canibalismo devido à fome extrema promovida pelo governo democrático do esquerdista Kim Jong-un, este copiosamente elogiado pelo PC do B, partido aliado do PT; Líbia, que foi dominada por quatro décadas pelo ditador esquerdista Muamar Kadafi, aquele que mantinha meninos e meninas como escravos sexuais e que Lula chamou de “meu amigo, meu irmão e meu líder”; e o Estado Islâmico, que degola inocentes em frente às câmeras de TV para fazer propaganda da Jihad e que Dilma disse que precisava ser tratado com “diálogo e diplomacia”.

E, quando o PT governou este país, implantou uma cultura abjeta de coitadismo, em que o maior mérito de uma pessoa é ser um “oprimido” incapaz e pedinte do governo, lançou o país na pior crise econômica de sua história, com anos seguidos de recessão, desemprego, quebradeira de empresas e até de cidades inteiras, conflitos por todos os lados, roubalheira desenfreada e autoritarismo intolerante com deboche e escárnio sobre as vítimas, acusadas de “não quererem perder seus privilégios” quando na verdade estavam sendo roubadas e humilhadas por um bando de ladrões e canalhas.

Qual é a sua dificuldade para entender que o PT é uma quadrilha criminosa? E que seus membros e seus aliados também são todos criminosos?

Qual é a sua dificuldade para entender que qualquer um que apoie quem apoia tudo isso ou é criminoso também ou é completamente estúpido e incapaz de fazer uma leitura minimamente realista, racional e ética da realidade?

A este ponto da história do país, se você ainda apoia o PT, se você ainda fala em “golpe”, se você ainda credita à “direita” os males pelos quais passa o Brasil e a crise moral, cultural, política e econômica que atravessamos, lamento muito, mas você ou é um criminoso, ou é um estúpido.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 06/09/2016

A evolução e a dieta dos médicos e nutricionistas

Muita gente se pergunta o que afinal deve comer para ter uma boa saúde. Este artigo responde isso de modo bem claro e objetivo, com base na evolução biológica humana, conhecimento que obviamente todo médico e todo nutricionista responsável e com boa formação científica domina com perfeição e sabe aplicar com maestria ao prescrever uma dieta saudável para um ser humano.

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P: Por que uma vaca deve comer grama e não carne?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais das vacas comeram grama e não carne. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, as proto-vacas que melhor digeriam e melhor metabolizavam grama tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente as vacas foram se tornando mais capazes de digerir grama e não outros alimentos. É por isso que as vacas de hoje estão adaptadas a comer grama e não carne.

P: Por que um leão deve comer carne e não grama?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos leões comeram carne e não grama. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-leões que melhor digeriam e melhor metabolizavam carne tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os leões foram se tornando mais capazes de digerir carne e não outros alimentos. É por isso que os leões de hoje estão adaptados a comer carne e não grama.

P: Por que um ser humano comer cinco a nove porções de cereais, pães, tubérculos, raízes e massas, quatro a cinco porções de hortaliças, três a cinco porções de frutas, três porções de leite e derivados, uma porção de leguminosas e apenas uma ou duas porções de carnes e ovos por dia, mantendo ao mínimo o consumo de gorduras e sendo aceitável a mesma quantidade de açúcar, de preferência fazendo uma refeição a cada três horas, e não a maior quantidade possível de carne de caça, ovos, peixes e uma pequena quantidade de folhas verdes e frutinhas silvestres, fazendo o menor número de refeições possível por dia?

R: Porque há mais de três milhões de anos todos os ancestrais dos seres humanos consultavam médicos e nutricionistas que lhes diziam que comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar é que era saudável e não comer aquilo que estava disponível no ambiente selvagem de modo irregular e bastante espaçado. Devido à seleção natural, ao longo de todo o período paleolítico, os proto-humanos que melhor digeriam e melhor metabolizavam uma refeição a cada três horas com coisas como granola, pão integral, suflê de batata, macarrão à carbonara, tofu, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, gelatina sabor abacaxi, duas bolachinhas recheadas e um suco de laranja geladinho tinham melhor saúde, vigor, capacidade reprodutiva e longevidade, deixaram maior número de descendentes férteis e com isso gradualmente os seres humanos foram se tornando mais capazes de digerir a inteligente dieta recomendada pelos médicos trogloditas e nutricionistas das cavernas e não outros alimentos. É por isso que os seres humanos de hoje estão adaptados a comer de três em três horas de acordo com a pirâmide alimentar e não o menor número de refeições possível por dia de acordo com aquilo que eu e outros irresponsáveis alucinados como eu recomendamos e que se chama dieta paleolítica de baixo carboidrato.

Hein?

Você acha que há algo errado com o raciocínio acima?

Não pode ser.

Os médicos e nutricionistas recomendam isso. É óbvio que, como estes profissionais são todos muito responsáveis e profundos conhecedores da biologia humana, o ser humano só pode ter evoluído comendo de três em três horas pão integral, granola, arroz e feijão, peitinho de frango feito sem gordura no microondas, suflê de batatas, gelatina sabor abacaxi e chazinho com adoçante para ajudar a fazer a digestão.

Você não acha que os médicos e nutricionistas seriam tão ignorantes sobre a biologia evolutiva humana a ponto de recomendarem uma dieta para a qual o ser humano não está adaptado, né? Afinal de contas, eles estudaram para isso! E são os responsáveis pela sua saúde!

Claro, se o ser humano tiver evoluído comendo algo diferente e você seguir o que os médicos e nutricionistas recomendam, então você pode acabar tão saudável quanto uma vaca alimentada com churrasco ou um leão alimentado com salada. Mas você não corre esse risco. Todo mundo sabe que já existia pão integral, tofu, gelatina sabor abacaxi e adoçante no paleolítico. Todo mundo sabe que médicos, nutricionistas, a indústria de alimentos e a indústria farmacêutica são absolutamente competentes, isentos de interesse financeiro e só pensam no que é melhor para a sua saúde. Pare de pensar bobagem.

Tire estas minhocas da cabeça e vá comer um pãozinho integral com margarina e um chazinho com sucralose.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 02/09/2016

Caminhões matam pessoas. Armas salvam vidas

Quando dizemos que veículos automotores matam muito mais do que armas de fogo, os desarmamentistas dizem que veículos automotores não devem ser proibidos porque não foram feitos para matar e armas de fogo devem ser proibidas porque foram feitas para matar. Desta vez, porém, um terrorista matou dezenas de pessoas e feriu centenas atropelando-as com um caminhão e foi parado a tiros com armas de fogo. O que dizem os desarmamentistas a respeito? Nada. Estão calados, fingindo que sua tese estúpida não foi pulverizada por aquele terrorista. Mas ela foi pulverizada. 

Caminhão crivado de balas

O terrorista do caminhão nos fez o favor de demonstrar – ao custo de algumas centenas de vidas destruídas – aquilo que, se não houvesse tanto macaco falante retardado no mundo, já deveria ser óbvio há muito tempo: não existe esse maniqueísmo ridículo inventado pelos desarmamentistas para sustentar sua tese estúpida. O uso de objetos não se prende a supostas finalidades definidas. Gente má usa veículos automotores para matar inocentes e gente boa usa armas de fogo para meter bala na cara de gente má que mata inocentes. E muito menos gente teria morrido se uma massa crítica de cidadãos honestos e adequadamente treinados estivesse armada naquele dia e metesse bala no caminhão assim que ele começasse a atropelar as pessoas.

Eu precisava fazer um registro do óbvio, para não deixar passar e em branco, e estava com saudade de chamar a tese desarmamentista de estúpida. Ambos os objetivos foram cumpridos. Have a nice day. Bang.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2016 

OBS: é, eu não ando com muita paciência para me repetir.

Política meritocrática e democracia negativa

Entre todas as propostas de reforma política possíveis para o Brasil, há uma que eu considero que seria a mais produtiva, eficaz e indolor para a nossa realidade. Não vai acontecer, porque mudaria completamente o perfil dos políticos eleitos e portanto os atuais políticos jamais aprovariam esta proposta, mas vou descrevê-la para nos divertirmos com o debate.

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A coisa toda é extremamente simples. Seriam necessárias apenas duas pequenas mudanças na legislação e toda a dinâmica política do país seria alterada profundamente em um intenso efeito borboleta.

Filtros meritocráticos

Haveria dois filtros distintos, um filtro fraco para o Poder Legislativo e um filtro forte para o poder Executivo.

O filtro do Poder Legislativo seria meramente um filtro de experiência: todo interessado em construir uma carreira política teria que começar como vereador. Para poder disputar um mandato de deputado estadual, teria que ter concluído no mínimo um mandato de vereador primeiro. Para poder disputar um mandato de deputado federal, teria que ter concluído no mínimo um mandato de deputado estadual primeiro. E, para poder disputar um mandato de senador, teria que ter concluído no mínimo um mandato como deputado federal E um mandato como prefeito de uma cidade com segundo turno ou dois mandatos quaisquer no poder executivo.

O filtro do Poder Executivo seria um filtro mais meritocrático: todo interessado em concorrer a um mandato de prefeito teria que ter concluído no mínimo um mandato como vereador. Para poder concorrer a um mandato de governador, teria que se destacar como um dos 10% melhores prefeitos de seu estado no último mandato de prefeitos (sendo garantida a participação dos três melhores prefeitos de cada estado no caso dos estados com menos de trinta municípios). E, para concorrer a um mandato de presidente da República, teria que se destacar como um dos cinco melhores governadores no último mandato de governadores.

Como definiríamos quem são os 10% melhores prefeitos e os 5 melhores governadores? Com critérios objetivos implacáveis. Teria que ser construído um índice numérico, como por exemplo o crescimento relativo da média harmônica dos índices normalizados dos indicadores de saúde, educação, moradia, saneamento, transporte e segurança dos municípios de duas categorias, com e sem segundo turno, sendo garantidos 5% das vagas para cada categoria. Ou algum outro critério igualmente mensurável e auditável, segundo os interesses do país. O índice também poderia ser aprimorado ao longo do tempo, conforme as necessidades do país mudem. O fundamental é que o índice seja igual para todos os prefeitos e governadores do país.

Pareceu complicado? Não é: concorreria a um cargo mais alto no Poder Legislativo só quem já tivesse experiência e no Poder Executivo só quem já tivesse demonstrado ter a mais alta competência administrativa comparada com seus pares. Entre os qualificados, o povo continuaria a ter ampla liberdade de escolha. O método apenas reduziria o ímpeto dos aventureiros puxadores de voto nas eleições proporcionais e tiraria do caminho os populistas mais convincentes porém menos capazes nas eleições majoritárias.

Democracia negativa

Esta parte é ainda mais simples: todo membro do Poder Executivo pode ser deposto a qualquer momento pela maioria absoluta (50% + 1) de qualquer casa parlamentar da mesma esfera, ou por recall obrigatório realizado de dois em dois anos juntamente com as eleições ordinárias, pelo simples motivo de “insatisfação”, obviamente sem perda de direitos políticos neste caso. Se o Brasil tivesse esta regra, o estelionato eleitoral praticado nas eleições de 2014 teria feito com que a candidata reeleita nem sequer assumisse o segundo mandato, tendo sido deposta duas semanas após as eleições. O Brasil teria sido poupado do sangramento de muitos bilhões de dólares e já estaria em franca recuperação.

Uma alternativa extra de democracia negativa seria a possibilidade de a população civil exigir um recall com um número razoável de assinaturas, nem tão baixo que tivéssemos um recall a cada seis meses, nem tão alto que fosse necessário a coordenação de um movimento político de escala nacional e um ano de coleta de assinaturas para conseguir chamar o recall.

Obviamente, os parlamentos não precisariam e não deveriam ter limites de tempo para chamar votações para depor o chefe do Poder Executivo: uma votação destas poderia ocorrer até mesmo diariamente e demoraria só um minuto, não seria nada que atrapalhasse a rotina dos parlamentos. Para não haver surpresas a la Brexit, tudo o que seria necessário seria exigir a validação da deposição numa segunda votação após uma semana de debates.

Observe que em qualquer dos casos pode haver um período de debates prévio mas não é necessário haver um fato jurídico para a deposição do chefe do Poder Executivo. Basta a insatisfação da maioria absoluta (50% + 1) de uma casa parlamentar ou da população.

Simplicidade e praticidade

Esta proposta poderia ser implementada com uma única lei com meia dúzia de artigos, sem alterar absolutamente mais nada na legislação nacional, na estrutura dos partidos, no funcionamento ou no relacionamento entre os Poderes da União, enfim, sem trauma algum. Só daria trabalho definir o índice numérico para filtrar as candidaturas ao Poder Executivo. A fiscalização e auditoria do índice seria livre para os partidos políticos e para a sociedade civil organizada, o que significa que partidos, sindicatos e federações de indústria e comércio fiscalizariam e auditariam vorazmente cada detalhe, garantindo o bom funcionamento do sistema e impulsionando uma disputa verdadeiramente meritocrática que catapultaria a política brasileira a um patamar de qualidade inédito.

Como eu disse no início, não vai acontecer, mas eu escrevi o artigo porque acho que será divertido debater a idéia.

Opine.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/07/2016