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  • REVOLUÇÃO ILUMINISTA

    Iluminismo

    "O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo". (Immanuel Kant)

    O embrutecimento político é a derrota da civilização

    Só para variar, houve quem pervertesse completamente o que eu disse no meu artigo anterior, Tragédia na França: a culpa é da própria Europa. OK, voltemos ao tema. Eu tratei basicamente de duas coisas: primeira, que a civilização ocidental – da qual a Europa é o berço e um dos dois melhores exemplos, o outro sendo a América do Norte – está pagando um preço altíssimo por perverter os conceitos que a sustentam; segunda, a estupidez do desarmamento da população honesta e a cultura de coitadismo da qual decorre esta aberração.

    Vida de centrista

    São valores básicos da civilização ocidental a democracia, a liberdade individual, o progresso científico-tecnológico, a primazia dos Direitos Humanos e a justiça social, entre outros. As duas forças embrutecedoras da política pós-Revolução Francesa – a direita e a esquerda – detestaram o artigo porque nele eu bato em uma ferida de cada uma.

    A direita não gostou porque eu disse que a culpa pelo embrutecimento terrorista é da falta de compaixão e solidariedade pelo sofrimento de grandes populações deixadas à própria sorte e à mercê de “governos” opressores que massacram “seus” povos. A direita odeia ser cobrada por compaixão e solidariedade, valores de que ela desdenha alegando algo que é bem representado pelo ditado “quem não tem competência não se estabeleça” – ou “cada um que se vire”.

    A esquerda não gostou porque eu disse que o empoderamento do indivíduo, inclusive para o uso de força letal para garantir sua segurança, é uma necessidade urgente e uma condição sine qua non para o convívio pacífico e harmônico em sociedade – paz e harmonia essas baseadas na capacidade de defesa do cidadão, não no Estado-papai que “protege” e domina o cidadão em todas as esferas de sua vida, o que a esquerda indubitavelmente sempre deseja fazer.

    Mas a verdade é que não se constrói um mundo pacífico sem compaixão, solidariedade e capacidade de retaliação letal contra bandidos amplamente distribuída entre a população. E entre estes bandidos se incluem criminosos comuns, terroristas e qualquer governo que abuse de suas prerrogativas. Aliás, é por isso que o governo não tem que saber quem tem armas e quem não tem, nem quantas. Só o que o governo tem que saber é quem está habilitado a portá-las em via pública, pelo mesmo motivo que precisa saber quem está habilitado a dirigir um veículo automotor.

    Todavia, de um modo nefasto, direita e esquerda se aliam para provocar o embrutecimento da política e o afastamento do cidadão médio da cuidadosa avaliação destes imperativos e da ponderação na política.

    Eu disse com todas as letras que a culpa pelos ataques terroristas na França é da própria Europa. E eu sustento esta afirmação. Foi a falta de compaixão e solidariedade pelos povos que estavam sob domínio de ditaduras laicas ou religiosas e a fuga à responsabilidade pela sorte de milhões de inocentes massacrados que permitiu a expansão e a exportação de ideologias autoritárias e do terrorismo. Nenhum regime que submete inocentes à força é confiável. Alguns deles, ao se fortalecerem, se tornarão expansionistas. Aí estão a história do nazismo, do comunismo, do cristianismo e do islamismo para provar, cada um dos quatro com seu próprio deus único. Em um momento ou em outro, de um modo ou de outro, todos eles se tornaram expansionistas e massacraram muita gente.

    Eu com todas as letras que o desarmamento da população honesta é uma estupidez coitadista que faz parte de um sistema de (des)educação que pretende emascular, acovardar e incapacitar o indivíduo a fazer uso de força – inclusive de força letal – para defender sua própria vida, sua família e sua propriedade. Aí está a história de todos os massacres em universidades americanas e de atentados terroristas na Europa para provar, cada um dos dois tipos de ataque com seu próprio método de explorar a incapacidade de reação da população honesta desarmada e a incapacidade do Estado de proteger seus cidadãos, seja com serviços de inteligência, seja com policiamento ostensivo, seja com que método for.

    E eu também disse que não se pode sequer sonhar com uma sociedade livre de criminosos, fanáticos, intolerantes e insegurança. É algo com que teremos de conviver enquanto formos macacos falantes. Mas podemos minimizar muito os danos e construir uma sociedade agradável e segura de viver se – e somente se – deixarmos de dar ouvidos às ideologias pervertidas que sustentam o descaso para com o sofrimento do próximo, independentemente de fronteiras artificiais, e o mimimi coitadista e covarde de quem quer lavar as mãos e terceirizar a garantia de sua segurança para outros macacos falantes, uma expectativa irreal que mais uma vez foi demonstrada como tal.

    O afastamento do centro na política é sempre embrutecedor. A terceirização obrigatória da segurança pessoal é sempre irrealista e inviável, por mais que seja útil contar com instituições que minimizem nossos riscos. Enquanto estas duas coisas não forem adequadamente compreendidas, não teremos paz, nem harmonia, nem segurança.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2015

    Tragédia na França: a culpa é da própria Europa

    Milhões de pessoas foram e estão sendo massacradas na África e no Oriente Médio nas últimas décadas. O que a Europa fez para evitar estes massacres? Muito pouco ou quase nada. “Não é com a gente.” Centenas de pessoas foram mortas ou feridas por um punhado de terroristas. Quantas podiam se defender? Nenhuma. Estavam todas desarmadas, confiando no papai Estado para protegê-las. Descaso e coitadismo paralisante, eis as causas da tragédia.

    Massacre na França

    Ouvimos por tempo demais os pervertidos que dizem que intervir e derrubar ditaduras sanguinárias é uma violação ao princípio da autodeterminação dos povos. Levamos longe demais a mentira de que cidadãos honestos e bem educados se tornam criminosos apenas pelo fato de terem uma arma nas mãos. Produzimos uma civilização de avestruzes que metem a cabeça em um buraco quando seres humanos são massacrados no país ou na favela ao lado e de covardes omissos que querem pagar para que outros coloquem suas vidas em risco para protegê-los.

    Uma civilização que não defende toda e qualquer vida inocente acima de qualquer alegação pervertida sobre “soberania” é uma civilização doente. Quem precisa de proteção não são os governos sanguinários, são as pessoas inocentes que eles dominam e massacram. Onde estava a Europa quando milhões de pessoas estavam sendo submetidas a atrocidades na Síria, na Líbia, no Sudão, na Somália? O que fizeram os países do berço da civilização para socorrer seus irmãos miseráveis, humilhados, submetidos, torturados e mortos além de votar moções na ONU e manter comércio com os ditadores que os oprimiam?

    Agora a barbárie que nunca combateram adequadamente ataca dentro de sua própria casa.

    A Europa não é uma vítima inocente da sexta-feira 13 sangrenta, assim como os Estados Unidos da América não são uma vítima inocente do onze de setembro – um ataque promovido por terroristas que os EUA mesmos armaram e treinaram. Não se lava as mãos perante a injustiça, porque as mãos continuam sujas e um dia a injustiça cresce de tal modo que atinge “quem importa”. Que se dane se a Al Qaeda está subjugando e massacrando inocentes, porque está sendo conveniente para os interesses do Tio Sam? O onze de setembro é a conseqüência. Que se dane se os sírios estão sendo massacrados, porque não é o nosso povo? Os ataques da sexta-feira 13 sangrenta na França são a conseqüência. O descaso para com o sofrimento dos outros fortalece os promotores do sofrimento e universaliza a barbárie.

    E o que dizer dos mortos na casa de shows Bataclan? Três ou quatro terroristas mataram mais de setenta pessoas. Passaram quinze longos minutos matando as vítimas uma a uma. Recarregaram as armas pelo menos três vezes. Que as primeiras quatro ou cinco pessoas tenham sido mortas sem conseguirem se defender é absolutamente compreensível, mas o que fez com que mais de seis dezenas de pessoas ficassem passivas à espera da morte senão uma educação emasculante, acovardante e incapacitante que faz com que ninguém reaja nem mesmo perante a morte certa? Se todos os presentes partissem para cima dos assassinos nem que fosse a socos e pontapés, muito menos gente teria morrido e muito menos ataques desse tipo aconteceriam no futuro.

    Não se trata de um conflito entre a barbárie e a civilização, mas de um conflito entre duas barbáries. De um lado a barbárie da intolerância, do outro lado a barbárie do descaso e do coitadismo paralisante. Enquanto isso continuar, ninguém viverá em paz, ninguém estará em segurança, ninguém terá liberdade.

    Precisamos abandonar o discurso canalha de que o sofrimento de inocentes para além de uma fronteira convencionada não é problema nosso. Sabemos que há ditaduras sanguinárias que massacram povos inteiros e promovem atrocidades monstruosas – como na Coréia do Norte – e nada fazemos além de votar moções ou impor barreiras comerciais. Há quem chegue à extrema perversão de afirmar que é necessário “diálogo e diplomacia” para lidar com terroristas bárbaros que degolam inocentes à faca em frente às câmeras de TV para fazer propaganda de suas ideologias insanas para conquistar adeptos. Isso não pode ser tolerado. Quem oprime ou massacra pessoas inocentes é criminoso e quem tolera ou justifica isso é pervertido e monstruoso. Nada disso é condizente com o que deveria se chamar “civilização”.

    Precisamos abandonar o discurso covarde de que pagamos impostos para que as instituições nos defendam. Sabemos que as instituições são compostas tão somente por outras pessoas e estas não são mais interessadas em salvar as nossas vidas do que nós mesmos, nem são capazes de fazer isso – como ficou absolutamente evidente nesta tragédia acontecida na França. A inteligência anti-terrorismo não foi capaz de prever os atentados e a polícia não foi capaz de proteger ninguém quando eles ocorreram. Mas o que é pior é que as pessoas chacinadas pelos terroristas não somente não estavam armadas para se defenderem como também não estavam mentalmente capacitadas a se defenderem – tanto é que foram chacinadas mesmo estando em muitíssimo maior número. Se educássemos nossos cidadãos para radicalmente não tolerar a intolerância, a maioria destas pessoas estaria viva.

    Precisamos parar de arar e adubar o solo para os intolerantes plantarem suas ideologias. A miséria é a água parada para o mosquito do extremismo político ou religioso. Gente que estuda, trabalha, tem casa própria, carro próprio, passa o verão no litoral, tem um bom nível cultural e vê sentido para a vida dificilmente se torna extremista. Gente cuja maior preocupação é regar o jardim dificilmente amarra explosivos na cintura e massacra dezenas de inocentes.

    Criminosos sempre houve e sempre haverá. Fanáticos sempre houve e sempre haverá. Intolerantes sempre houve e sempre haverá. Insegurança sempre houve e sempre haverá. Mas nós podemos parar de produzir estas coisas corrigindo a rota do desenvolvimento da civilização ocidental. Podemos reduzir imensamente o sofrimento, os conflitos e as injustiças se assim o decidirmos, mas isso só será possível se a civilização ocidental assumir uma identidade coerente e vigorosa. Se deixar de de dar ouvidos aos pervertidos. Se deixar de engolir ideologias de descaso e de dependência. Se investir em seus cidadãos para que se tornem metatolerantes e autônomos. Se investir também na metatolerância e na autonomia para além de suas fronteiras.

    Não há garantias. Mas há necessidade de coragem e determinação.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 14/11/2015

    STF rasga a Constituição e nos expõe a um risco gravíssimo

    Você provavelmente não sabe, e a grande mídia só lançou a notícia em notas de rodapé, mas o Supremo Tribunal Federal acaba de anular uma cláusula pétrea da Constituição de 1988 e de colocar você e sua família em risco. Um risco gravíssimo.

    polícia - pé na porta

    Estou falando disto aqui:

    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

    XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;       (Vide Lei nº 13.105, de 2015)    (Vigência)

    Pois bem… Na última quinta feira, 06/11/2015, o STF decidiu que a polícia pode entrar na casa de quem bem entender, a qualquer hora, sem mandado judicial, visando a busca de provas, bastando para isso apresentar posteriormente uma justificativa por escrito com “fundadas razões”. Sim, pode ser “ouvimos dizer que havia algo errado ali”. Não, isso não é exagero. Basta saber redigir o “ouvimos dizer” com um mínimo de formalidade e alegar que “a dica era quente” com a mesma formalidade.

    No caso em tela, para usar o jargão dos advogados, a casa era de um traficante, palavra essa que ao ser citada já desliga o cérebro da maioria das pessoas e as impede de avaliar as conseqüências da aberração jurídica que o STF produziu. É nestas horas que eu dou Graças a Deus pelos leitores do meu blog. Mas eu quero avaliar duas conseqüências graves desta aberração jurídica.

    A primeira, que é óbvia, é que na prática a casa deixa de ser o asilo inviolável do indivíduo. Se você percebe a gravidade da anulação desta garantia fundamental, de uma cláusula pétrea da Constituição, eu não preciso explicar. Se não percebe, não adianta eu explicar.

    A segunda, que não é óbvia, é que isso é uma preparação para a volta da esquerda ao poder em 2022. Com a ampla colaboração da direita bruta e burra. Aprume-se aí na cadeira e acompanhe com atenção o raciocínio.

    Todos nós sabemos que o atual governo federal está liquidado para as eleições de 2018. O PT é o partido com maior rejeição do país, rejeição esta que está aumentando, está sofrendo uma debandada de filiados, vai perder inúmeras prefeituras, não deve eleger nenhum governador e certamente não vai eleger o próximo presidente da república, além de que perderá espaço em todos os parlamentos – câmaras de vereadores, assembléias legislativas, câmara dos deputados e senado. Isso são favas contadas e eles mesmos sabem disso.

    Os movimentos sociais de esquerda – feminista, negro e gay, principalmente – estão sendo cada vez mais apedrejados nas redes sociais. Recentemente uma postagem no Twitter dizendo “Todo branco é racista. Todo homem é um estuprador em potencial. Não existe mulher hetero.” se tornou viral e alvo de críticas de todos os tipos, desde as mais engraçadas até a pura e simples constatação de que pensar assim é coisa de gente doente ou mal intencionada. As pessoas estão perdendo o medo de contrariar as perversões coitaditas e “politicamente corretas”.

    Então, em pleno declínio político da esquerda, um STF majoritariamente composto por esquerdistas – seguindo o voto do relator Gilmar Mendes, um conservador de direita – aprova a possibilidade de a polícia meter o pé na porta de qualquer um a qualquer hora do dia ou da noite sem mandado judicial.

    Não parece estranho que esquerdistas estejam conferindo este incrível poder às polícias justo no momento em que sabem que a direita está prestes a dominar o cenário político nacional?

    Não, meu caro leitor, isso não é estranho. Isso é estratégia.

    Quem é o eleitor da esquerda? Majoritariamente a população pobre e miserável.

    Quem será o alvo principal do pé na porta no meio da madrugada? Majoritariamente a população pobre e miserável.

    A direita truculenta, após um jejum de 16 ou 24 anos, vai aceitar de bom grado este poder e vai exagerar.

    A grande mídia brasileira, chapa branca ao extremo, vai omitir ou minimizar os abusos das polícias e vai mostrar preferencialmente casos de violação com “bons resultados” da garantia constitucional que foi tornada letra morta pelo STF.

    As classes rica e média, com uma minoria de eleitores, não serão muito incomodadas pelas polícias.

    As classes pobre e miserável, entretanto, com a maioria absoluta dos eleitores, viverão em constante estado de medo, sofrerão abusos freqüentes e ainda serão humilhadas pela grande mídia e massacradas nas redes sociais como um bando de bandidos.

    Então, na campanha de 2022, a esquerda ressurgirá com seu velho discurso de defesa das classes trabalhadoras, dos pobres, dos excluídos e dos marginalizados, humilhados e oprimidos pela polícia da direita truclenta ao longo de quatro anos, oferecendo-se como salvação nacional e única verdadeira defensora da dignidade destas classes.

    E voltará ao poder podendo meter o pé na porta de qualquer um, não apenas dos pobres e miseráveis, a qualquer hora, sem mandado judicial, bastando apresentar uma desculpa furada qualquer depois do fato consumado e talvez de algum pacotinho ter sido plantado.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/11/2015

    A perversão coitadista

    Li em um veículo da mídia impressa que semana passada houve um “ataque racista” à atriz Thaís Araújo, poucas semanas depois de um episódio semelhante em relação à apresentadora Maria Júlia Coutinho, ambos pela internet. Um “ataque racista” pela internet? Sério? As palavras “frescura” e “perversão” me vieram à mente.

    mimimi people

    Um “ataque racista” foi o que aconteceu entre os Tutsis e os Hutus. Chamar ofensas de ataques é uma imensa frescura. E modificar o direito para proteger a frescura é uma inominável perversão e uma completa inversão de valores. Mas é isso que propunha o tal veículo de imprensa: “leis devem ser aprimoradas” – para tornar a proteção à frescura mais eficaz, é claro.

    Os coitadistas estão vencendo uma guerra cultural. Estão tornando a vida em sociedade irrespirável, cerceando a liberdade de expressão de seus desafetos para supostamente proteger os coitadinhos incapazes de lidar com as críticas e mesmo as ofensas de quem não gosta deles. Coitadinhos dos negros, sofreram séculos de opressão racista, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhas das mulheres, sofreram séculos de opressão machista, mimimi, precisam de leis especiais que as protejam. Coitadinhos dos gays, sofreram séculos de opressão homofóbica, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhos.

    Para proteger os coitadinhos, os coitadistas querem calar os “opressores históricos”. Coitadinhos são feitos de açúcar e derretem se forem ofendidos. As palavras “macaco”, “piranha” e “veado” precisam ser criminalizadas. Os opressores históricos precisam ser perseguidos, processados e punidos para deixarem de ser malvados e pararem de ofender os coitadinhos. Porque, afinal, como todo mundo sabe, a melhor maneira de educar alguém é calar essa pessoa à força, ameaçá-la com cadeia e tomar-lhe direitos.

    Como eu sou a fonte de todos os males do mundo – pois sou Homem, branco e heterossexual – eu não tenho sensibilidade suficiente para compreender o terrível trauma humilhante e desestruturante que é para um coitadinho ouvir meia dúzia de palavras.

    Ou talvez eu não compreenda porque eu não sou um coitadinho.

    Quando alguém tenta me ofender com palavras simplesmente não consegue, porque eu tenho uma coisa que me protege disso: auto-estima. Eu não derreti quando estava muito acima do peso e alguém me chamou de gordo. Eu não derreti quando passei em três vestibulares e um concurso público por meus próprios méritos, sem cotas, e alguém me chamou de filhinho-de-papai e coxinha. Eu não preciso e não quero que a lei me proteja de ofensas, porque eu não sou feito de açúcar.

    Se o preço para entender o terrível mal que meia dúzia de ofensas traz para a frágil psiquê de um coitadinho é perder a auto-estima a ponto de derreter perante meras palavras e precisar de amparo legal para não ter que ouvir o que me desestrutura – como a avestruz da fábula, que mete a cabeça num buraco para não ver o que não quer e assim se sente protegida – então eu prefiro continuar não entendendo isso.

    E mais: os meus filhos também não vão entender isso. Porque, mesmo que eu tenha um filho mulato, ou do sexo feminino, ou homossexual, ele ou ela não será um coitadinho, será um ser humano com auto-estima, capaz, com uma casca grossa o suficiente para não derreter perante uma simples ofensa verbal. Porque ser um coitadinho não tem nada a ver com raça, sexo ou orientação sexual, e sim com a postura perante a vida.

    O que eu mais lamento é que, enquanto eu criarei meus filhos para serem seres humanos completos, com auto-estima e capacidade, os coitadistas estão criando uma geração de verdadeiros coitadinhos. Gente que, ao invés de ter sua auto-estima elevada e suas capacidades aprimoradas, será moralmente pervertida pelo mimimi coitadista e passará sua existência inteira pedindo penico, exigindo dos outros um respeito que não tem por si mesmo e culpando os outros por sua baixa auto-estima e sua incapacidade de se tornar alguém na vida – ao invés de se tornar um cidadão ou cidadã honesto, proativo, produtivo e orgulhoso de si mesmo, que vai atrás dos seus objetivos e de sua felicidade sem se abalar com ofensas e sem se permitir humilhar por uma “proteção” tão vergonhosa quanto a de criminalizar quem fala algo que lhe é desagradável.

    Essa é a ironia maior e o grande mal do coitadismo: ao invés de gerar cidadãos autônomos, capazes, produtivos e orgulhosos de si, gera cada vez mais gente mimimizenta, incapaz, dependente, intolerante e autoritária.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/11/2015

    Desafio matemático

    Encontre o número que completa a sequência 0, 3, 7, 13, 20, 28, 36, x e explique como o encontrou. 

    Atualização a 11/11/2015:

    Se ninguém conseguiu até agora é porque o problema é monstruosamente mais difícil do que eu imaginei ao bolar a seqüência. Portanto, vou dar duas dicas que talvez ajudem.

    1) A solução envolve duas sequências matemáticas distintas.

    2) A seqüencia segue assim: 0, 3, 7, 13, 20, 28, 36, x, 47, 45, 32, 0, -96, -393, -449…

    Dedução óbvia: 36 < x < 47. E um susto: não era uma seqüência sempre crescente. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/11/2015

    Você sabe qual é a causa da obesidade?

    A causa da obesidade não é o sedentarismo. A causa da obesidade não é o consumo de “calorias”. A causa da obesidade é o consumo de CARBOIDRATOS, tanto pior quanto maior a quantidade e/ou o índice glicêmico. Açúcar não é alimento, é veneno saboroso. Amido também. 

    obesidade

    Refrigerante é água com açúcar, gás e aromatizante. Causa, sim, obesidade. Não por ser “caloria vazia”, mas por ser carboidrato – a substância que estimula a produção de insulina, o hormônio que joga o açúcar para dentro das células e impede a gordura de sair de dentro das células.

    Pão é uma bomba de carboidratos (além de ter glúten, que aumenta a permeabilidade intestinal de 100% dos seres humanos e aumenta o nível de inflamação sistêmica, que danifica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de infartos, AVCs (derrames), tromboses e outros danos, além de aumentar a chance de doenças auto-imunes, mas este artigo é sobre carboidratos). Massa é uma bomba de carboidratos (e também tem glúten). Qualquer doce ou salgadinho é uma bomba de carboidratos. Batata é uma bomba de carboidratos.

    Frutas não são tão inocentes como se pensa. As mais vendidas são verdadeiros doces que dão em árvores. Foram tão modificadas por seleção artificial para conter mais açúcar que são verdadeiras bombas de carboidratos.

    Se você quer ou precisa emagrecer, precisa cortar os carboidratos da dieta. Não adianta fazer exercícios. Não adianta cortar as gorduras. Tem que cortar os carboidratos (e os óleos vegetais de soja, milho, girassol e canola, que também são obesogênicos e causam outros problemas de saúde, como um grande aumento da vulnerabilidade ao câncer, mas, de novo, este artigo é sobre obesidade e carboidratos).

    Para emagrecer e cuidar de sua saúde, faça uma dieta paleolítica de baixo carboidrato.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/11/2015

    Faceblogando

    Desde que eu escrevi o artigo O Brasil é um pântano, em maio de 2014, eu tenho atualizado muito pouco o Pensar Não Dói. Acho que pouca gente percebeu que isso se deve mais ou menos ao mesmo tipo de questionamento que fiz em relação às mitocôndrias, ribossomos e retículos endoplamáticos. Mas…

    facebook_like_thumb

    Eu tenho sido bastante ativo no Facebook nas últimas duas ou três semanas. Houve bons debates, várias pessoas me adicionaram, foi divertido. Então parei para pensar por que não tenho postado um pouco mais no Pensar Não Dói se tem sido tão fácil postar no Facebook. E acho que a explicação é simples: perfeccionismo.

    Sem mais delongas, e já para começar a fazer um teste para voltar a movimentar o blog, fica decidido que vou dar uma faceblogada por aqui: postagens mais curtas, freqüentes e despretenciosas. Como esta.

    Lógico, entremeadas com artigos mais profundos. No panic.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/11/2015

    Brunch light

    Volta e meia alguém me pergunta o que é que eu como, porque não consegue imaginar como é que alguém consegue se alimentar sem glúten, sem óleos vegetais extraídos quimicamente e com quase nada de carboidratos. OK, aqui está um exemplo – meu café-da-manhã-e-almoço de hoje. 

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    Uma omelete com quatro ovos caipiras e 250 g de carne de segunda moída, frita na banha de porco, com sal a gosto.

    Uma salada na motosserra com alface, tomate, brócolis, mais dois ovos caipiras cozidos, regada com óleo de oliva, o suco de um limão, uma colher de sopa de pimenta e duas de orégano.

    E um copo de água gelada. Tudo muito light.

    Coma low carb paleo e venha para O Lado Saudável da Força. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/11/2015

    A revolta dos que não estão nem aí

    Hoje recebi pelo Facebook o compartilhamento de uma reportagem da Folha de São Paulo tão absurdamente falaciosa e abjeta que conseguiu me tirar do sério. Vamos à reportagem, depois eu volto com a segunda versão do meu artigo, já que a primeira, escrita pelo meu fígado, é impublicável.

    Etanolamina

    Decisão da Justiça abre precedente para charlatanismo na medicina

    CLÁUDIA COLLUCCI
    DE SÃO PAULO

    É compreensível que doentes terminais de câncer recorram a promessas milagrosas de cura, mas é temerário quando o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro endosse essa busca insana e obrigue o Estado a fornecer tais “poções mágicas”.

    O caso em questão é a decisão do ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em liberar o fornecimento da fosfoetanolamina sintética, substância produzida experimentalmente na USP, mas que nunca passou por testes clínicos e muito menos tem o aval da agência reguladora (Anvisa).

    A decisão foi acatada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que antes havia suspendido liminares que autorizavam a entrega da substância. Uma das justificativas do desembargador José Renato Nalini é a de que “não se pode ignorar os relatos de pacientes que apontam melhora no quadro clínico.”

    Vamos então liberar tudo o que as pessoas relatam como substâncias capazes de curar o câncer? O cogumelo do sol? O bicarbonato de sódio? O suco de babosa? A folha de graviola?

    Vamos rasgar os manuais de ética em pesquisa, passar por cima de todas etapas que envolvem o desenvolvimento, a aprovação e a comercialização de um novo medicamento? Vamos fechar as agências regulatórias?

    Do ponto de vista jurídico, o caso tem uma contraposição de princípios fundamentais, como bem lembrou Nalini: de um lado está o resguardo da legalidade e da segurança dos remédios, do outro a necessidade de proteção do direito à saúde.

    Em relação à fosfoetanolamina, prevaleceu o direito de o paciente ter acesso a uma substância sem respaldo algum da medicina baseada em evidência. Abriu-se aí um perigoso precedente para o charlatanismo.

    Estima-se que a quantia de dinheiro gasto no mundo só com o charlatanismo oncológico passe de US$ 1 bilhão.

    O desejo de cura para o câncer leva muitas pessoas a procurarem tratamentos não convencionais, a retardarem ou até desistirem dos tratamentos convencionais.

    Foi o que ocorreu com o empresário Steve Jobs, fundador da Apple, que retardou a cirurgia do câncer de pâncreas para aderir a um tratamento com ervas, o que teria agravado o seu quadro.

    Estimativa da ASCO (American Society of Clinical Oncology) mostra que cerca de 80% dos pacientes com câncer recorrem a tratamentos alternativos. A sociedade é enfática: não há nenhum indício de que esses tratamentos contribuam para a regressão ou a cura do câncer.

    Além de não contribuir para a melhora, terapias alternativas podem interferir nos resultados das terapias-padrão. Muitas dessas substâncias são metabolizadas no fígado e podem alterar a absorção de quimioterápicos, sua eficácia e a eliminação.

    É verdade que há compostos com atividades antitumorais bem demonstradas em laboratório, mas existe um longo caminho para serem usados na prática clínica.

    São necessários testes laboratoriais e em humanos, com diferentes tipos de tumores e cenários clínicos controlados. E os resultados comparados aos de drogas existentes. Caso sejam mais eficientes, o laboratório pede o registro às agências reguladoras. Nada disso foi feito no caso da fosfoetanolamina.

    O oncologista Drauzio Varella costuma dizer: “Se um dia você ouvir que foi encontrada a cura do câncer, não leve a sério”. O problema é quando a Justiça o leva.

    Fonte: Folha de São Paulo.

    AGL

    Voltei. Com “ASCO”, mas voltei.

    A reportagem é uma peça abjeta de hipocrisia e sensacionalismo barato.

    Primeiro porque esta decisão da justiça não é uma súmula vinculante. É uma decisão exatamente do tipo que se espera que a justiça profira, atuando em um momento de dúvida e impasse para garantir um bem maior – a saúde dos pacientes, que relatavam em uníssono uma melhora significativa com a utilização da fosfoetanolamina – em detrimento de um bem menor – a burocracia emperrada que não se importa se pessoas que estavam alegando melhoras sensíveis vão voltar a desenvolver uma doença que causa grande sofrimento e em geral péssimos desfechos.

    Segundo porque a reportagem desrespeita e procura deslegitimar os depoimentos dos principais interessados na questão, tratando os pacientes como imbecis iludidos por uma pajelança ao invés de tratá-os como pessoas que já experimentaram a substância e relatam efeitos impossíveis de serem obtidos por efeito placebo ou qualquer tipo de wishful thinking. Um dos relatos é de uma senhora desenganada, em estado terminal, incapacitada, totalmente dependente de cuidados, que precisava tomar morfina de três em três horas, e com o uso da fosfoetanolamina voltou a ter autonomia para banhar-se, trocar de roupa e cozinhar sozinha e ficou nove dias sem tomar morfina sem sentir dor. Se este relato for verdadeiro, esta reportagem é criminosa. Se for falso, é apenas péssimo jornalismo, porque um relato assim excepcional jamais poderia deixar de ser verificado.

    Terceiro porque o que mais tem por aí é charlatanismo, legal ou ilegal, e eu não vejo os mesmos atores que estão reclamando disso se pronunciarem contra as picaretagens. Homeopatia é água suja sem princípio ativo nenhum, tudo que um homeopata faz é manipular o efeito placebo, e no entanto é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina como especialidade médica e consumida avidamente por milhões de iludidos que a defendem com unhas e dentes porque se sentem bem – mas muita gente deixa de procurar tratamentos solidamente fundamentados em ciência de boa qualidade e tem doenças agravadas porque confia na homeopatia. Diabetes tipo 2 é totalmente curável com uma dieta de baixíssimo carboidrato, e no entanto os endocrinologistas e nutricionistas recomendam uma alimentação com 60% das calorias vindas de carboidratos e até mesmo o uso de insulina, algo que o diabético tipo 2 já tem em excesso no corpo e que causa inúmeros danos metabólicos nas altas concentrações necessárias para reduzir a glicemia se não for adotada uma dieta de baixíssimo carboidrato. Cadê as manifestações de indignação contra estes absurdos que causam milhões de vítimas por parte dos mesmos que estão esbravejando por causa da garantia de fornecimento da etanolamina a um punhado de pacientes desesperados, muitos deles terminais?

    Há muito mais gente defendendo os interesses dos laboratórios em ter a propriedade da patente da fosfoetanolamina “para não correr riscos financeiros de investir no desenvolvimento do medicamento e depois não recuperar seu investimento” ou o “correto segimento dos protocolos” do que gente defendendo aguerridamente a saúde dos pacientes.

    Eu vejo pedidos de liminares dos pacientes desesperados para obter a substância que os está fazendo recuperar a saúde e pedidos de liminares de quem não quer mais fornecer a substância independentemente do que os pacientes estejam dizendo.

    Mas onde estão as propostas de instituições de pesquisa ou de laboratórios comerciais para realizarem estudos adequados o mais rápido possível, seja para que o impasse seja desfeito de uma vez e inúmeras vidas possam ser salvas, seja para que não haja mais falsas esperanças?

    E onde estão as propostas de contratos decentes de licenciamento ao dono da patente, assumindo o compromisso de produzir da fosfoetanolamina em larga escala se a substância demonstrar ter de fato propriedades terapêuticas, para acabar logo com o impasse e salvar vidas?

    Tudo o que vejo é a defesa de todo o tipo de interesse menos a mitigação do sofrimento e a possível cura dos doentes.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/10/2015

    Quatro livros para você ler

    São quatro livros sobre Ordoliberalismo e Economia Social de Mercado. Estão nos arquivos do grupo Revolução Iluminista. Se você não faz parte do grupo, basta solicitar ingresso e baixar os livros. Boa leitura! 

    Put-this-on-your-calendarEm poucos dias vou lançar um novo blog, sobre política e economia (os livros citados são uma prévia da linha). O domínio já está registrado, mas ainda estou estudando a identidade visual. Quando estiver no ar, avisarei por aqui. Aguardem.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/10/2015