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  • REVOLUÇÃO ILUMINISTA

    Iluminismo

    "O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo". (Immanuel Kant)

    Aos servidores públicos estaduais do Rio Grande do Sul

    Eu sou servidor público estadual do poder executivo no Rio Grande do Sul. Assim como todos os demais colegas, fiquei muito preocupado com a notícia de que nosso salário será novamente pago de modo parcelado, desta vez trazendo incertezas ainda maiores que as do mês passado. Isso me trará imensas dificuldades. Mesmo assim, eu não vou fazer greve. Parar de trabalhar neste momento só vai piorar a nossa situação.

    Greve a vista

    Eu acabo de sair de um período de dois anos de “licença para tratamento de interesses particulares”, que, como todos os colegas sabem, é uma licença não remunerada. Tirei esta licença por motivo de saúde – eu estava tão doente e tão estressado que não tinha mais condições emocionais nem sequer para enfrentar um processo administrativo para tirar uma licença-saúde.

    Voltei ao trabalho ainda doente e atolado em dívidas. Passei por uma mudança para outro município. Precisei gastar muito com a saúde e com a mudança e não consegui me reequilibrar financeiramente ainda, embora esteja vivendo de modo espartano.

    Para piorar a situação, a pessoa que ia me alugar uma casa não cumpriu sua palavra, eu estou morando provisoriamente em uma pousada cujos preços vão disparar no verão e não disponho de reservas para a caução de um aluguel. Se eu não receber meu salário integral, dentro de dois meses eu estarei em um município onde não conheço ninguém e não terei nem onde morar, nem onde colocar meus pertences. Portanto, eu sei muito bem o que representa contar com um dinheiro que deveria ser certo e não recebê-lo.

    Apesar de todas as dificuldades por que vou passar se meu salário atrasar, eu não vou parar de trabalhar nem para protestar contra a lambança financeira que está me prejudicando, nem para pressionar por sua solução. E o motivo é muito simples: parar de trabalhar neste momento só vai piorar a nossa situação.

    Pense um pouco.

    Você acha que o governador Ivo Sartori não está a par da situação dos funcionários do executivo gaúcho? Ele está muito bem informado, você sabe. Ele não precisa ser informado novamente. Uma greve não servirá para este propósito.

    Você acha que o governador não está tentando resolver esta situação? Ele está tentando, você sabe. Ele não precisa ser pressionado novamente. A cada dia que passa, a popularidade do governador desce e o descontentamento dos gaúchos sobe. Ele é um político, alguém que sabe que seu maior capital é sua popularidade. Ele já está lutando com todas as forças para tirar a corda do pescoço. Uma greve não fará com que ele se empenhe ainda mais em resolver o problema.

    Você acha que o governador não tem consciência de que a última alternativa de que ele deveria lançar mão seria o parcelamento dos salários dos servidores? Ele tem consciência disso, você sabe. O funcionalismo representa um poder político-eleitoral de grande importância. O governador e o funcionalismo sabem que o governador e o funcionalismo sabem disso. Uma greve não fará com que surjam novas alternativas.

    Então, para que serviria uma greve neste momento?

    Só para duas coisas: prejudicar a população, reduzindo o acesso a serviços de que ela necessita tanto mais quanto maior a crise econômica, e piorar ainda mais a situação financeira do estado, tornando cada vem menos provável que nossos salários voltem a ser pagos em dia.

    Protestemos. Vamos às ruas. Mostremos nosso descontentamento e nossa indignação com a situação do estado e do país. Cobremos do governo estadual o máximo empenho para manter nossos salários em dia. Cobremos do governo federal o não congelamento das contas do Rio Grande do Sul neste momento de crise. Mas sejamos conscientes e não prejudiquemos a população com paralisações e com a consequente imposição de dificuldades ainda maiores do que as que já teremos que enfrentar devido à crise política e econômica.

    Que cada um de nós seja uma parte da solução, não do problema. Isso é cidadania.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/08/2015

    Chamamento aos profissionais da saúde para um debate

    Em O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan, consta a citação de um trecho traduzido de The ethics of belief, de William K. Clifford, que reproduzo (com algumas correções) logo abaixo. Leia com atenção. Depois eu volto. 

    carl-sagan-o-mundo-assombrado-pelos-demonios

    Um proprietário de navios estava prestes a mandar para o mar um navio de emigrantes. Ele sabia que o navio estava velho, e nem fora muito bem construído; que vira muitos mares e climas, e com frequência necessitara de reparos. Dúvidas de que possivelmente não estivesse em condiıes de navegar lhe haviam sido sugeridas. Essas dúvidas lhe oprimiam a mente e o deixavam infeliz. Ele chegou a pensar que o navio talvez tivesse de ser totalmente examinado e reequipado, ainda que isso lhe custasse grandes despesas.

    No entanto, antes que a embarcação partisse, ele conseguiu superar essas reflexões melancólicas. Disse para si mesmo que o navio passara por muitas viagens e resistira a muitas tempestades em segurança, que era infundado supor que não voltaria a salvo também dessa viagem. Ele confiaria na Providência, que não podia deixar de proteger todas essas famílias infelizes que estavam abandonando a sua terra natal em busca de dias melhores em outro lugar. Tiraria de sua cabeça todas as suspeitas mesquinhas sobre a honestidade dos construtores e empreiteiros.

    Dessa forma, ele adquiriu uma convicção sincera e confortável de que o seu navio era totalmente seguro e capaz de resistir às intempéries; assistiu sua partida de coração leve e cheio de votos bondosos para o sucesso dos exilados naquele que seria o seu estranho novo lar; e embolsou o dinheiro do seguro, quando o navio afundou no meio do oceano, sem contar histórias a ninguém.

    O que devemos dizer desse homem? Sem dúvida, o seguinte: que ele foi de fato culpado da morte desses homens. Admite-se que ele acreditava sinceramente nas boas condições de seu navio; mas a sinceridade de sua convicção não o ajuda de modo algum, porque ele não tinha o direito de não acreditar na evidência que estava diante de si. Não adquirira a sua opinião conquistando-a honestamente pela investigação paciente, mas reprimindo as suas dúvidas…

    William K. Clifford, The ethics of belief (1874)

    AGL

    Voltei.

    Pergunto: o que se pode dizer de um profissional da saúde que tem em mãos o mesmo tipo de responsabilidade e poder de decisão que o dono do navio da história acima? Se houver a menor chance de que suas convicções estejam equivocadas – por exemplo, se houver alguém que alegue ter evidências de alto nível que provem que suas convicções estão equivocadas – terá o profissional da saúde o direito de não examinar as novas evidências ou de não acreditar nelas? Ou, agindo assim, ele se tornará de fato culpado por todo o sofrimento e por todo o desfecho negativo que vier a sofrer qualquer um de seus pacientes, por mais que ele confie sinceramente que está fazendo o melhor que pode? 

    Respondo: pelos mesmos motivos pelos quais o dono daquele navio não tinha o direito de lançá-lo ao mar sem uma profunda e adequada verificação de seu estado, especialmente no caso de alguém o haver informado de um possível defeito ou mau funcionamento, eu penso que um profissional da saúde não tem o direito de não fazer constantemente uma verificação profunda e adequada na mais recente e qualificada informação publicada sobre seu ramo de atuação e muito menos de ignorar as evidências científicas de mais alto nível disponíveis. 

    Dito isso… 

    Eu afirmo que há evidências fortes de que as orientações nutricionais tradicionais, baseadas na pirâmide alimentar, estão erradas e causam malefícios à saúde humana. 

    Eu afirmo que há evidências fortes de que uma dieta paleolítica de baixíssimo carboidrato é a orientação nutricional mais adequada para o tratamento da síndrome metabólica, da obesidade, da diabetes, da hipertensão, do risco cardíaco e de outras enfermidades como o TDAH, a depressão e o mal de Alzheimer, além de diversas outras condições crônico-degenerativas. 

    Eu afirmo que as evidências que citei são de alta qualidade, que muitas delas estão amplamente disponíveis a custo zero e que eu estou disposto a ajudar qualquer profissional da saúde e qualquer leigo interessado em cuidar melhor de sua saúde a localizar, avaliar e debater algumas destas evidências. 

    Assim sendo, convido todos os leitores, especialmente os profissionais da saúde, a divulgar este artigo nas redes sociais, a ler e avaliar com atenção e profundidade as evidências científicas sobre a dieta paleolítica e sobre as dietas de baixo carboidrato e a participar deste debate aqui na caixa de comentários do Pensar Não Dói (não nas redes sociais, porque lá os tópicos “afundam” e se tornam inacessíveis muito rapidamente). 

    Sugiro em primeiro lugar a leitura do artigo Meta-análise comprova: dieta paleolítica é a mais saudável

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/08/2015 

    Um mundo de Fábios Robertos

    Você é marceneiro. Trabalha com um serrote. Um belo dia eu caio de pára-quedas a seu lado e digo: “Meu amigo, eu não sou marceneiro, mas descobri que existe uma coisa chamada serra circular. Ela permite que você trabalhe muito mais rápido, com muito maior precisão de corte e com muito menos esforço. Eu aprendi a usar este equipamento e gostaria de ensinar você a usá-lo também, pois será muito útil para você e para seus clientes. Estou disposto a fazer isso de graça. O que você me diz?” 

    serrote

    Acredite se quiser, amigo leitor, isso é o que eu estou dizendo há um mês para diversos profissionais – de outra área, não da marcenaria – e todos estão respondendo que eles aprenderam a trabalhar com serrote, logo, a minha “serra circular” não funciona. “Lógica” interessante, não? 

    Além disso, quando eu insisto dizendo que sei que eles aprenderam a trabalhar com serrote, mas que o mundo evoluiu e agora existe a serra circular, um equipamento novo que funciona muito melhor que o serrote, eles se mostram ofendidos e afirmam que não é verdade. Eu mostro um móvel que construí, eu mostro os móveis que outros marceneiros construíram, eu mostro o manual do usuário da serra circular, mas eles mal olham e já torcem o nariz. Impossível não lembrar do Fábio Roberto.

    A situação não é, porém, perfeitamente análoga. No caso do marceneiro, se ele não quiser trabalhar com a serra circular, o pior que pode acontecer é construir um móvel torto ou com um acabamento inferior ao que poderia ser feito com um equipamento mais adequado. Não há sofrimento, risco de mutilação ou morte para o cliente do marceneiro que insiste em usar o serrote. Pa bo ente me pala bas. 

    E aqui estou eu, preocupadíssimo com os clientes destes “marceneiros”, quebrando a cabeça, tentando convencer alguém da marcenaria de que eu não estou louco, que o velho serrote já está obsoleto e que a tal da serra circular não somente funciona muito bem como é o equipamento mais adequado para os objetivos da marcenaria. Absurdamente, eles só querem saber do serrote. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/08/2015 

    Aviso aos leitores

    Hoje tornei indisponíveis uns vinte e poucos artigos do Pensar Não Dói. Esta decisão foi tomada de modo absolutamente espontâneo e voluntário, em nome do bem estar de terceiros. Pelos mesmos motivos, não prestarei esclarecimentos em público. Lamento o inconveniente. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/08/2015 

    Oportunidades e atitudes

    Um mendigo morador de rua me abordou tentando me vender uma pulseira supostamente de ouro que ele teria encontrado pelo chão por apenas R$ 5,00. Eu paguei R$ 25,00, a pulseira era só uma bijuteria de cobre e eu acho que fiz um ótimo negócio, tanto que a estou usando até hoje. Ele jogou fora a melhor oportunidade da vida dele. 

    Oportunidade
    O absurdo dos absurdos é que esta história está me incomodando há semanas, não por eu ter pago muito mais do que a pulseirinha valia, mas porque eu sei que o coitado deve ter se achado muito esperto por me tirar R$ 20,00 a mais do que imaginava possível, enquanto eu estava disposto a oferecer a ele uma casa para morar com o mesmo conforto que eu, segurança alimentar e a oportunidade de se reerguer na vida de modo honesto, digno e seguro.

    Fábio Roberto (nome verdadeiro) aproximou-se da janela de meu carro pedindo licença e fazendo uso de um vocabulário refinado e de boa articulação verbal: “não pense o senhor que eu seja uma pessoa de má conduta”. Aquilo chamou minha atenção. Ali estava uma pessoa que era um pouco mais do que parecia. Mas eu estava passeando com meus amigos, fazendo uma despedida, porque me mudaria de cidade na semana seguinte. Não era um momento em que eu estivesse disposto a ouvir uma conversa fiada cujo objetivo, estava óbvio, era me tomar dinheiro. E não deu noutra.

    “Eu achei essa pulseirinha no chão lá na Calçada da Fama (local de Porto Alegre freqüentado por um público de alto poder aquisitivo) e queria só R$ 5,00 nela porque estou sem nenhum dinheiro.”

    Para me livrar dele o mais rápido possível, resolvi comprar logo a porcaria do badulaque inútil que ele estava me oferecendo. Peguei R$ 5,00 do bolso, estendi para ele e coloquei a pulseirinha pendurada no retrovisor. Mas eu devo ter feito uma evidente cara de “O que eu faço para me livrar desse cara o mais rápido possível? Já sei! Compro a pulseirinha!”, porque ele percebeu e comentou, deixando perceber que havia se sentido humilhado por meu gesto. A bofetada me fez acordar e então eu dei atenção àquele mendigo de vocabulário refinado, boa articulação verbal e algum senso de dignidade.

    Ele contou uma longa história, que eu ouvi com atenção e interesse genuínos e agora conto a você.

    Fábio Roberto é natural de uma cidade do interior gaúcho, onde vivia com sua esposa, que havia sido sua primeira namorada, e os filhos do casal. Largou a escola e começou a trabalhar aos doze anos de idade, estimulado pelo pai, que lhe dizia que a escola da vida lhe ensinaria muito mais do que a escola dos livros. Proféticas palavras, mas não do modo como você está pensando agora.

    Bem disposto e dedicado, o jovem aprendiz foi trabalhar no ramo da construção e manutenção de casas, tornando-se um profissional gabaritado em instalações elétricas, hidráulicas, colocação de azulejos e acabamentos em geral, com mais de 35 anos de experiência na área. Saiu da pobreza e construiu um padrão de vida de classe média para sua família com esta atividade. Tinha prazeres simples: futebol, cerveja e uma sinuquinha com os amigos. Era dedicado à família e diz que sempre foi 100% fiel à esposa. Mas um dia descobriu que havia contraído o HIV.

    Duvido que exista maneira mais cruel de descobrir uma traição: através de um laudo laboratorial positivo para uma doença sem cura que você, sendo 100% fiel a sua parceira, só pode ter contraído por via sexual. Dela. Que também só tinha tido você como namorado.

    A esta altura da narrativa fiquei realmente impressionado com a decisão que ele tomou: saiu de casa, com medo de que tivesse uma crise de raiva e fizesse alguma besteira da qual pudesse se arrepender. Foi para a casa do irmão esfriar a cabeça.

    Na casa do irmão, o segundo choque: a cunhada, desinformada e preconceituosa, com medo de contrair o HIV pelo simples convívio no mesmo ambiente, objeta sua permanência. E então ele se retira da casa do irmão, sai da cidade e se torna morador de rua.

    Após três anos vivendo na rua, sob o sol, a chuva, o calor, o frio e muitas vezes tendo que revirar lixo para encontrar o que comer, Fábio Roberto se aproxima da janela do meu carro, me vende uma pulseirinha, me conta esta história triste e diz que só continua nesta situação porque ninguém lhe dá uma oportunidade. Diz que, quando descobrem que ele é morador de rua, não lhe dão emprego, e assim o condenam a ser morador de rua para sempre.

    Não foi só isso que ele falou, é claro. Rolou também um papo filosófico sobre ele sempre ter feito tudo certo e ter acontecido tudo aquilo com ele. Segundo seu próprio relato, ele sempre demonstrou estoicismo e firmeza de princípios. Realmente parecia uma pessoa que, apesar de ter passado por grandes injustiças, tinha seus valores e não se deixava contaminar.

    Minha amiga, que estava no carro ouvindo a conversa e que precisa fazer uma reforma em casa, perguntou se ele toparia fazer o serviço, mas que isso só poderia ser feito dali a um mês ou dois. Até lá ela não teria condições de ajudar, mas ela achava que ele merecia a chance – e ela é do tipo que conhece bem as pessoas.

    Eu, que me preparava para viajar de mudança para outra cidade, pensando em aprender justamente o tipo de trabalho no qual ele se dizia gabaritado, tendo em vista a impressão geral que tive dele após uma longa conversa com muitos detalhes dos quais a maioria eu hoje certamente já esqueci, pensei o seguinte: “Eu posso alugar uma casa que tenha outra nos fundos, ou uma edícula, dar um teto para esse sujeito, segurança alimentar e um emprego. Aprendo com ele o que quero, deixo o cara bem encaminhado, deixo para ele a empresa com toda a clientela e me mando para a Europa.”

    Percebendo que a avaliação de minha amiga e a minha eram semelhantes quanto ao sujeito, eu tomei coragem e fiz mesmo a proposta: “Tchê, eu vou me mudar de cidade. Se tu topares ir para onde vou, eu te dou a oportunidade que tu dizes estar procurando. Eu te dou um lugar para morar, um emprego com carteira assinada e depois que aprender teu ofício eu te deixo de graça a empresa com toda a clientela e vou embora. Topas?”

    No início ele não acreditou. Custou para aceitar que minha amiga e eu estávamos falando sério. Mas acabou se convencendo e parece que percebeu que estava com uma oportunidade real em mãos pela primeira vez em muitos anos. Topou, é claro.

    Ficamos conversando mais um pouco e ele perguntou onde podia comprar um cachorro-quente-morte-lenta qualquer naquele horário. Aí eu tirei mais R$ 20,00 do bolso, dei para ele e disse: “na quadra aqui ao lado tu encontras uma refeição muito melhor, vai lá, come o que tu quiseres e volta aqui para a gente continuar conversando e combinar os detalhes de nosso acordo”.

    Ele saiu todo sorridente e entusiasmado, dizendo que ia comer carne, arroz e feijão, que estava muito feliz e que logo voltaria para dar início a uma vida nova.

    Mas nunca voltou.

    Nem naquele dia, nem nos dias seguintes, nem nunca mais. E ele sabia onde e como nos encontrar nos dias seguintes se quisesse.

    Quando ele estava se afastando, porém, eu peguei a pulseirinha que ele havia me vendido, coloquei no pulso e falei para meus amigos: “Esta correntinha vai servir para eu me lembrar da lição que eu vou aprender hoje. Vamos ver o que o Fábio Roberto vai me ensinar.”

    E o que o Fábio Roberto me ensinou é que ele não está naquela situação porque ninguém dá uma oportunidade para ele, mas porque ele ou não pôde aproveitar a oportunidade porque mentiu sobre suas habilidades, ou não teve coragem de sair de sua zona de conforto. É um perdedor consolidado.

    A correntinha está no meu pulso até hoje. Tem sido uma lembrança constante para eu ficar atento às oportunidades, ser sincero para comigo mesmo quanto a minhas habilidades e ter coragem para sair de minha zona de conforto quando um projeto parece valer a pena. E também tem sido uma lembrança para observar muito mais as atitudes que as palavras das pessoas, porque é isso que mostra o que cada uma é de fato e o que se pode realmente esperar delas. Valeu cada centavo daqueles R$ 25,00.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/07/2015 (publicado em 14/08/2015)

    Meta-análise comprova: dieta paleolítica é a mais saudável

    A vingança é um prato que se come frio. Ou frito na banha de porco. :-) Para quem duvidou do que eu disse sobre a dieta paleolítica de muito baixo carboidrato que estou fazendo desde 1°/12/2014, para quem disse que eu não tinha base para fazer as afirmações que fiz, para quem disse que a dieta não era saudável, eis aqui o abstract da primeira meta-análise de uma revisão sistemática de estudos clínicos randomizados (nível 1 de evidência) que comprova tudo o que eu disse sobre a dieta. 

    Homem das Cavernas

    Paleolithic nutrition for metabolic syndrome: systematic review and meta-analysis

    Eric W ManheimerEsther J van ZuurenZbys Fedorowicz, and Hanno Pijl

    Abstract

    Background: Paleolithic nutrition, which has attracted substantial public attention lately because of its putative health benefits, differs radically from dietary patterns currently recommended in guidelines, particularly in terms of its recommendation to exclude grains, dairy, and nutritional products of industry.

    Objective: We evaluated whether a Paleolithic nutritional pattern improves risk factors for chronic disease more than do other dietary interventions.

    Design: We conducted a systematic review of randomized controlled trials (RCTs) that compared the Paleolithic nutritional pattern with any other dietary pattern in participants with one or more of the 5 components of metabolic syndrome. Two reviewers independently extracted study data and assessed risk of bias. Outcome data were extracted from the first measurement time point (≤6 mo). A random-effects model was used to estimate the average intervention effect. The quality of the evidence was rated with the use of the Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation approach.

    Results: Four RCTs that involved 159 participants were included. The 4 control diets were based on distinct national nutrition guidelines but were broadly similar. Paleolithic nutrition resulted in greater short-term improvements than did the control diets (random-effects model) for waist circumference (mean difference: −2.38 cm; 95% CI: −4.73, −0.04 cm), triglycerides (−0.40 mmol/L; 95% CI: −0.76, −0.04 mmol/L), systolic blood pressure (−3.64 mm Hg; 95% CI: −7.36, 0.08 mm Hg), diastolic blood pressure (−2.48 mm Hg; 95% CI: −4.98, 0.02 mm Hg), HDL cholesterol (0.12 mmol/L; 95% CI: −0.03, 0.28 mmol/L), and fasting blood sugar (−0.16 mmol/L; 95% CI: −0.44, 0.11 mmol/L). The quality of the evidence for each of the 5 metabolic components was moderate. The home-delivery (n = 1) and dietary recommendation (n = 3) RCTs showed similar effects with the exception of greater improvements in triglycerides relative to the control with the home delivery. None of the RCTs evaluated an improvement in quality of life.

    Conclusions: The Paleolithic diet resulted in greater short-term improvements on metabolic syndrome components than did guideline-based control diets. The available data warrant additional evaluations of the health benefits of Paleolithic nutrition. This trial was registered at PROSPERO (www.crd.york.ac.uk/PROSPERO) as CRD42014015119. 

    Link do original aqui.

    Agora leia ou releia o que eu escrevi , sabendo que está tudo 100% correto, e cuide de sua saúde: 

    1) Dieta para matar diabéticos

    2) Corrigindo a dieta para matar diabéticos

    3) Como comer para emagrecer e para curar a diabetes

    Boa sorte! 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br –  14/08/2015

    A verdadeira descrição do fim do mundo

    Você quer saber como será o fim do universo? Prepare o seu coração… Pras coisas que eu vou contar… 

     

    M81_M82

    Cada galáxia do universo está se afastando de todas as demais em velocidade crescente. Com o passar do tempo, esta aceleração fará com que as galáxias estejam se afastando umas das outras em velocidades assintoticamente cada vez mais próximas à velocidade da luz. 

    Segundo a Teoria da Relatividade, a velocidade da luz é insuperável. A conseqüência disso será o afastamento entre as galáxias a uma velocidade insuperável. Portanto, chegará o momento em que absolutamente nada – nem mesmo a luz – que saia de uma galáxia jamais alcançará outra galáxia. 

    Isso provocará o completo isolamento de todas as galáxias entre si, de tal modo que uma suposta civilização que porventura floresça em qualquer uma delas após este isolamento olhará para o céu e verá somente as estrelas da própria galáxia… E mais nada. Nunca.

    Esta suposta civilização jamais saberá sequer que existem outras galáxias no universo. Seus melhores físicos e astrônomos dirão que o universo é composto por um determinado conjunto de estrelas após o qual se estende um vazio infinito. Ela não poderá nem sequer descobrir o Big Bang. Mistérios que nós já resolvemos serão imperscrutáveis para ela, por mais avançada que seja. 

    Cada galáxia individual, por sua vez, sofrerá o inescapável efeito da entropia. Algumas poucas novas estrelas serão formadas a partir dos destroços da explosão de algumas supernovas, mas ao final todas suas estrelas vão se extinguir, uma a uma, emitindo cada fóton possível e então esfriando até que a temperatura de tudo nela se aproxime também assintoticamente do zero absoluto. 

    O universo então será totalmente constituído destes túmulos solitários e congelados de toda a vida e de toda a matéria que já existiu, que nunca jamais serão descobertos por qualquer explorador, para todo o sempre afastando-se vertiginosamente uns dos outros em meio ao mais absoluto silêncio e escuridão. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 12/08/2015 

    Política e ética profissional do funcionalismo público

    O servidor público concursado é um cidadão como qualquer outro e tem todo o direito de ter uma posição política e de expressá-la livremente, mas ao exercer suas funções ele deve obediência ao gestor escolhido por seu patrão – o povo cujos impostos pagam o seu salário – independentemente de sua concordância ou discordância quanto às políticas implementadas pelo gestor legitimamente eleito. Quem não tem esta capacidade não deveria ser funcionário público. 

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    Observe que este artigo não está na categoria “política” e sim na categoria “cidadania”. Ele surgiu a partir de uma pergunta que recebi ontem: “como você pode trabalhar para o sucesso de um partido do qual você discorda?”

    Bem… Esta é a maneira errada de ver esta questão. O servidor público concursado não trabalha para o sucesso de um partido, mas para o sucesso da administração. Não desta ou daquela administração, mas da administração. E é assim que tem que ser, porque é para isso que o seu patrão paga o seu salário. O patrão do funcionário público não é o atual governo de sua cidade, estado ou país, é o povo. O governo é apenas o gestor que o povo escolhe para administrar o Estado – seja em nível municipal, estadual ou federal.

    Ressalvado o caso óbvio da ordem ilegal, não faz o menor sentido, não é ético e não promove a cidadania desobedecer o gestor legitimamente eleito e muito menos sabotá-lo. Ao agir assim, o servidor público está privando o seu patrão, o povo, de avaliar corretamente as políticas do gestor que escolheu. Isso pode ser interessante para quem não está realmente interessado em cidadania, mas este é o blog de um iluminista – e um iluminista jamais pode tutelar a consciência de terceiros, sob pena de aniquilar a razão de ser de sua própria filosofia.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/08/2015 

    A liberdade impossível

    Sempre que você quiser saber se alguém que diz defender a liberdade realmente defende a liberdade, você só precisa verificar se essa pessoa defende a dissociação entre liberdade e responsabilidade. Sempre que isso acontecer, você estará diante de um fascista travestido de libertário.

    fascismo

    A dissociação entre liberdade e responsabilidade é o fato de alguém não ser responsabilizado por suas decisões ou por seus atos ou de alguém ser responsabilizado pelas decisões ou pelos atos de terceiros. 

    Se alguém defende a liberdade de usar drogas recreativas, mas considera justo que o estado de intoxicação seja uma atenuante no caso de cometer algum crime ou mesmo algum acidente com vítimas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de se proteger dos riscos trazidos pelo uso de drogas recreativas por terceiros, mas considera justo não proteger nem regulamentar a liberdade destes terceiros de usar drogas sem prejudicar ninguém, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de fazer sexo quando, como e com quem bem entender, mas considera justo assassinar o inocente gerado em uma de suas relações sexuais, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de acesso universal a universidades, empresas ou cargos públicos, mas considera justo que pessoas que se capacitaram mais sejam alijadas das vagas em benefício de pessoas que se capacitaram menos, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de fazer greve, mas considera justo que o patrão seja obrigado a garantir os empregos e pagar os salários dos grevistas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de cobrar o preço que quiser por seu produto ou serviço, mas considera justo recorrer à proteção do Estado para impedir que um concorrente que ofereça um produto melhor ou mais barato domine o seu mercado, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    A lista é imensa. Há muita gente por aí que diz que defende a liberdade, mas que só defende a liberdade que lhe interessa, ou de quem lhe interessa, seja por motivos políticos, econômicos, religiosos ou outros. Fique atento: estas pessoas (ou grupos) são fascistas travestidos de libertários. Eles podem parecer defender uma liberdade que lhe é cara hoje, mas vão tomar a sua liberdade amanhã.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2015 

    What’s Really Warming the World?

    Skeptics of manmade climate change offer various natural causes to explain why the Earth has warmed 1.4 degrees Fahrenheit since 1880. But can these account for the planet’s rising temperature? Scroll down to see show how much different factors, both natural and industrial, contribute to global warming, based on findings from NASA’s Goddard Institute for Space Studies. Clique no texto em inglês para acessar o artigo. (Obrigado pela dica, Gerson.)