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  • REVOLUÇÃO ILUMINISTA

    Iluminismo

    "O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo". (Immanuel Kant)

    A liberdade impossível

    Sempre que você quiser saber se alguém que diz defender a liberdade realmente defende a liberdade, você só precisa verificar se essa pessoa defende a dissociação entre liberdade e responsabilidade. Sempre que isso acontecer, você estará diante de um fascista travestido de libertário.

    fascismo

    A dissociação entre liberdade e responsabilidade é o fato de alguém não ser responsabilizado por suas decisões ou por seus atos ou de alguém ser responsabilizado pelas decisões ou pelos atos de terceiros. 

    Se alguém defende a liberdade de usar drogas recreativas, mas considera justo que o estado de intoxicação seja uma atenuante no caso de cometer algum crime ou mesmo algum acidente com vítimas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de se proteger dos riscos trazidos pelo uso de drogas recreativas por terceiros, mas considera justo não proteger nem regulamentar a liberdade destes terceiros de usar drogas sem prejudicar ninguém, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de fazer sexo quando, como e com quem bem entender, mas considera justo assassinar o inocente gerado em uma de suas relações sexuais, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de acesso universal a universidades, empresas ou cargos públicos, mas considera justo que pessoas que se capacitaram mais sejam alijadas das vagas em benefício de pessoas que se capacitaram menos, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de fazer greve, mas considera justo que o patrão seja obrigado a garantir os empregos e pagar os salários dos grevistas, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    Se alguém defende a liberdade de cobrar o preço que quiser por seu produto ou serviço, mas considera justo recorrer à proteção do Estado para impedir que um concorrente que ofereça um produto melhor ou mais barato domine o seu mercado, então esse alguém não é um libertário, é um fascista travestido de libertário.

    A lista é imensa. Há muita gente por aí que diz que defende a liberdade, mas que só defende a liberdade que lhe interessa, ou de quem lhe interessa, seja por motivos políticos, econômicos, religiosos ou outros. Fique atento: estas pessoas (ou grupos) são fascistas travestidos de libertários. Eles podem parecer defender uma liberdade que lhe é cara hoje, mas vão tomar a sua liberdade amanhã.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 25/07/2015 

    What’s Really Warming the World?

    Skeptics of manmade climate change offer various natural causes to explain why the Earth has warmed 1.4 degrees Fahrenheit since 1880. But can these account for the planet’s rising temperature? Scroll down to see show how much different factors, both natural and industrial, contribute to global warming, based on findings from NASA’s Goddard Institute for Space Studies. Clique no texto em inglês para acessar o artigo. (Obrigado pela dica, Gerson.) 

    Diário de um imigrante (1)

    A série “diário de um imigrante” tem por objetivo trocar experiências com outras pessoas que também mudaram recentemente de cidade em busca de melhor qualidade de vida ou simplesmente outro estilo de vida. Se você também se lançou ou pretende se lançar nesta aventura, compartilhe suas experiências na caixa de comentários aqui do blog.

    Dono do camelo também estava infectado

    Cá estou eu, numa noite de sexta-feira (17/07/2015), sentado na cama de uma pousada, com o notebook sobre as pernas, um teclado auxiliar no colo e um mouse sobre um mouse pad emborrachado com uma tabela periódica desenhada, ainda aturdido com a nova realidade que está se desenhando em minha vida. Aconteceu tanta coisa nos últimos dias que eu preciso pegar fôlego antes de contar. Bem, vamos lá.

    Na sexta-feira anterior eu assinei a ciência no meu processo de “remoção”. Não sei por que isso não se chama “transferência”, mas o funcionalismo público tem todo um vocabulário esquisito. Por exemplo, todo mundo entenderia algo chamado “licença luto”, mas se morrer um parente de um funcionário público a licença a que ele tem direito na verdade se chama “licença nojo”. Além de horrível, é incompreensível, mas é assim que é. Do mesmo modo, “transferência” no funcionalismo público se chama “remoção”. No meu caso, remoção de uma cidade de 1.350.000 habitantes para uma cidade com 35.000 habitantes.

    Para que vocês imaginem como foi minha mudança, é necessária a seguinte informação:

    Choveu toda a sexta-feira.

    Choveu todo o sábado.

    Choveu todo o domingo.

    Choveu toda a segunda-feira.

    Choveu toda a terça-feira.

    Choveu toda a quarta-feira.

    Choveu toda a quinta-feira.

    Choveu toda a sexta-feira.

    E aqui estou eu escrevendo pela primeira vez depois da mudança, na sexta-feira à noite de uma semana inteira de chuva, num quarto de pousada de uma cidade totalmente desconhecida que está embaixo d’água.

    Porém, como diria nosso amigo Jack, “vamos por partes”.

    A primeira coisa que fiz foi ligar para meus pais e informar “ok, a remoção saiu, agora entra a confusão”. Proféticas palavras.

    Eu pretendia fazer minha mudança somente no final de semana seguinte, mas fui informado – em cima da hora, como costuma ser – que não disporia deste tempo. Então, tive que modificar meus planos e meter uma casa inteira dentro de um Fiat Palio em apenas uma tarde. Não tirei uma foto do resultado para não ser perseguido pela Skynet por maus tratos ao coitado do carro.

    Com o carro lotado, saímos em viagem eu e minha mãe. Era uma viagem de apenas 200 km, em uma estrada que eu conheço bem e pela qual eu já passei mais de duzentas vezes nos últimos anos, o que poderia dar errado? Descobrimos em 30 km. A luz da bateria acendeu, o carro começou a perder potência e logo em seguida parou. Pelos sintomas, a bateria estava morta.

    Lição número um: sempre tenha diversos números de socorro no celular, para todo tipo de evento, desde uma falha do automóvel até uma chave de casa perdida. Táxi 24 horas, farmácia 24 horas, chaveiro 24 horas, tudo o que puder imaginar. Há muito espaço na memória de seu celular. Seja prevenido.

    Bem, eu fui escoteiro. O lema original do escotismo não é “sempre alerta”, isso é uma tradução porca. O lema original é “be prepared”, cuja tradução correta é “esteja preparado”. Eu estava. Além do serviço multiassistência da Vivo (procure “multiassistência” no site da Vivo, vale a pena), eu tinha o número do SOS Rodovia no meu celular há anos. Liguei e em poucos minutos chegou um reboque. Mais uns poucos minutos e ele nos largou em uma oficina mecânica. Então, com uma eficiência brasileiríssima, em “apenas” cinco horas e por “apenas” R$ 600,00 o alternador inteiro foi trocado por outro alternador usado e sem garantia alguma e eu pude seguir viagem.

    Lição número dois: nunca estamos preparados o suficiente. Se você não tiver um curso de mecânica e eletricidade de automóveis, esteja preparado para esperar horas e pagar os olhos da cara por um conserto pelo simples fato de seu carro pifar em um momento complicado.

    Depois de sete horas, vencemos os 200 km e chegamos à nova cidade onde vou morar. Uma cidade de interior onde eu estive apenas uma vez, há 34 anos atrás, onde portanto eu não conhecia nada e onde não havia uma viva alma na rua para pedir informações devido ao avançado da hora. Ou melhor, havia um taxista, mas as informações que ele me passou estavam completamente erradas. Acabei dando três voltas pelo bairro, sempre passando por ele novamente, sempre ouvindo uma nova explicação e sempre terminando no mesmo lugar, até que desisti de falar com ele e tratei de confiar nos meus instintos.

    Já falei algo sobre “estar preparado”? Pois é, eu havia navegado o suficiente pelo Google Maps na semana anterior para conseguir encontrar a pousada sozinho. Acontece que a pousada estava diferente das fotos do Google Maps, que não estava atualizado, então eu tive que me guiar pela memória que tinha dos prédios ao redor. Reconheci o muro de um colégio aqui, a entrada de um beco ali, dei uma volta na quadra e logo em seguida estávamos em frente à pousada.

    O problema agora era que o dinheiro do aluguel da pousada havia sido gasto com a troca do alternador. Se eu não conseguisse fazer um novo acordo com o dono da pousada, não me restaria outra alternativa a não ser bater de pousada em pousada tentando conseguir uma hospedagem de emergência ou dirigir os 200 km de volta. Felizmente o dono da pousada foi camarada, entendeu a situação e entramos em acordo facilmente. Vou ficar o primeiro mês inteiro aqui.

    Lição número três: diga a verdade. Pessoas com experiência no comércio farejam de longe quem está falando a verdade e quem está mentindo. Ninguém dura muito tempo no comércio comprando terrenos na lua.

    Resolvido o problema da estadia, era hora de me apresentar para o trabalho. Devo comentar mais sobre isso nos artigos vindouros. O “divertido” foi que, ao final do dia, enquanto eu estava procurando um supermercado, bateram no meu carro! Foi um daqueles acidentes ridículos: eu vinha a 20 ou 30 km/h em uma avenida cujo trânsito estava todo nesta velocidade, parei em frente a uma faixa de pedestres e blam!, o carro de trás bateu em mim.

    O motorista era um guri de 19 anos, estava absolutamente aterrorizado, em pânico mesmo, e se ofereceu imediatamente para pagar o prejuízo. Ele estava se comportando de modo muito estranho, olhando desconfiado para os lados, parecendo pensar no que fazer para sair logo daquela situação.

    Sabe quando a gente percebe que tem algo errado? O guri disse que tinha carteira, que tudo no carro estava legal, que só não queria incomodar o pai, que tinha acabado de passar por uma cirurgia… Mas ele estava aterrorizado demais para ser só isso. Pensei em todo tipo de possibilidade: que ele tivesse bebido, que o carro fosse roubado, sei lá. Decidi conversar um pouco para ver onde estava me metendo e o guri sussurrou entre dentes, cabisbaixo, sem perceber que e estava ouvindo, uma frase que esclareceu tudo: “o pai vai me matar”.

    Fiquei com pena. Eu estava pensando que o guri tinha alguma culpa grave no cartório, mas ele só tinha mesmo cometido uma distração e provavelmente tinha um pai muito severo. O resultado foi que eu, a vítima do acidente, acabei tendo que acalmar o causador do acidente. Aí foi a minha vez de ser compreensivo e de fazer um acordo confiando na palavra do outro. E ele também cumpriu a parte dele.

    Aliás, se por acaso ele ler este artigo, quero deixar registrado que o nosso acordo foi bom para os dois lados. Eu teria que devolver R$ 15,00 (quinze reais), mas acho que o meu tempo perdido na oficina e a evitação da bronca dele valem bem mais do que isso. Ficamos numa boa.

    Então, após uma semana embaixo d’água, um carro estragado na viagem, uma chegada de noite em uma cidade desconhecida e vazia, um novo acordo com o dono da pousada e uma batida no carro, devo finalmente começar meu verdadeiro projeto, que é desenvolver habilidades que me permitam sobreviver sem depender do serviço público.

    Eu costumo dizer o seguinte: “Emigrar é fácil. Imigrar é que é difícil.” Pense bem: para emigrar basta sair de onde se está. Para imigrar é necessário desenvolver uma série de habilidades e preencher uma série de requisitos que nos permitam permanecer em um local novo, desconhecido, desafiante, que nos oferece tanto novas oportunidades quanto diversos obstáculos.

    Meu objetivo é me capacitar para me tornar um imigrante de sucesso – nesta cidade ou em qualquer outra, neste país ou em qualquer outro. Por isso quero trocar idéias com quem já fez ou pensa fazer o mesmo. Se este é seu caso, por favor, comente aqui no blog e me adicione no Facebook. Temos muito o que conversar.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/07/2015

    O planeta dos macacos não é uma metáfora

    A série original de O Planeta dos Macacos é talvez o filme de Hollywood que nos brindou com as melhores metáforas de análise da psiquê humana e das mazelas sociais e políticas de nosso planeta. As personalidades dos macacos dos filmes são na verdade arquétipos humanos muito refinados. E, lamento dizer, o General Urko é o representante supremo da mentalidade predominante na Terra. 

    urko

    “Humano bom é humano morto!” – frase mais famosa do General Urko.

    No filme original, o nome deste personagem era Ursus, porém, como ele é um macaco e como “Ursus” parece com “urso”, na tradução o nome dele foi mudado para Urko. O que corrobora a minha tese do parágrafo de abertura. 

    Se o filme original continha excelentes metáforas, entretanto, a realidade é um tanto mais cruel que o filme. Você sabe, #SomosTodosMacacos. Isso não é uma metáfora. Somos Todos Macacos mesmo. Macacos falantes, mas macacos. Literalmente. Somos todos macacos e somos a espécie dominante do planeta. Então, este é o planeta dos macacos. Também literalmente. 

    Assim sendo, como podemos ignorar nossa própria natureza biológica em praticamente todos os assuntos da mais alta relevância psicológica, social, política, econômica e sanitária? Bem, você já sabe: é mais uma urkice entre tantas outras. De agora em diante provavelmente você vai ler esta expressão mais vezes aqui no Pensar Não Dói. 

    Minha tese é que a humanidade não tem jeito enquanto não jogar na lata do lixo da história todas as ditas “humanidades”, da psicologia à política, da sociologia à economia, de Adam Smith a Freud, de Marx a Focault, de Rosseau a Maquiavel, de Olavão à grande pensadora Valesca Popozuda, e construir tudo de novo com o alicerce solidamente fundamentado na biologia evolutiva, na ecologia, na etologia, na primatologia e na ética, em Darwin, em Popper e em Kant. Os macacos iluministas modernos provavelmente concordarão. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 12/07/2015 

    As coisas simples nem sempre são fáceis

    Desde que eu escrevi o artigo “uma pequena mudança no blog“, eu escrevi e reescrevi cinco vezes o artigo com o qual eu iria inaugurar a nova fase. Não é que o assunto fosse difícil de tratar. O problema foi que, em todas as tentativas, eu infringi a decisão tomada no artigo “iluminismo versus embrutecimento“, algo que eu não quero fazer a não ser que seja muito necessário, por mais que eu esteja no terreno mais alto. 

    High_ground

    Algo que eu não quero fazer a não ser que seja muito necessário, por mais que eu esteja no terreno mais alto.

    No tempo do Orkut, devido aos meu interesses da época, eu criei uma comunidade chamada Religião, Ciência e Política. Relendo o artigo “iluminismo versus embrutecimento“, eu me lembrei da descrição daquela comunidade e decidi resgatá-la do Orkut. Acho que você vai sacar o motivo quando ler a descrição dela: 

    Religião, Ciência e Política 

    A Religião explica o mundo pela fé. 
    A Ciência explica o mundo pela razão. 
    A Política controla o mundo. 

    Se você quiser convencer o outro que sua religião é verdadeira, precisa viver de maneira tão absolutamente santificada, irradiar tanta paz, felicidade e contentamento, que os outros venham lhe perguntar como alcançou este patamar; somente então deve explicar como obteve tal Graça. 

    Se você quiser convencer o outro que sua afirmação é verdadeira, precisa argumentar de modo tão lógico, coerente e baseado em dados cientificamente válidos, que os outros venham lhe perguntar quais os fundamentos de seus argumentos; somente então deve explicar como obteve tal Conhecimento. 

    Se você quiser influir positivamente no destino da sociedade e do planeta, precisa participar na vida social e política de modo tão estimulante, construtivo e agregador, que os outros venham lhe perguntar como contribuir; somente então deve explicar como obteve tal Habilidade. 

    Hoje eu acrescentaria um parágrafo sobre a economia:

    Economia

    Se você quiser produzir segurança material e conforto para a sociedade, precisa produzir abundância de modo tão eficaz, socialmente benéfico e ecologicamente sustentável, que os outros venham lhe perguntar como produziu tanta riqueza; somente então deve explicar como obteve tal Capacidade. 

    O fator fundamental nesta análise, entretanto, é a lógica de somente oferecer algo para quem já está interessado naquilo. Nada de bater na porta das pessoas na manhã de domingo perguntando se elas têm um tempo para conhecer Jesus. Nada de discutir biologia evolutiva com quem acha que a Terra tem cerca de seis mil anos e que não reconhece que não passa de um macaco falante. Nada de explicar a importância da organização e da mobilização em torno de um ideal para quem só se interessa por futebol e novela. Nada de oferecer lanche grátis para quem não demonstra interesse em se qualificar para obter melhor qualidade de vida. E nada de escrever para quem não está interessado na visão de mundo ou nos argumentos do autor. 

    Eu sou um iluminista, um radical de centro, um vanguardista. Porém, quando eu comecei a escrever aquele artigo pela sexta vez, eu percebi que não estava escrevendo para iluministas, centristas e vanguardistas. No fundo eu estava escrevendo focado inconscientemente em ser lido ou pelos inimigos destas posições, para tentar incomodá-los, ou pelos que a desconhecem, para tentar convencê-los, conforme a versão do artigo. É muito difícil evitar isso, pelo mesmo motivo que torna muito difícil debater um assunto com quem concorda plenamente conosco.

    Talvez eu deva me concentrar mais apenas em me manter no terreno mais alto. O resto será conseqüência. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/07/2015 

     

    Uma pequena mudança no blog

    Os primeiros cinco anos do blog foram muito intensos. Nos últimos doze meses, todavia, os rascunhos se acumularam e as postagens diminuíram de freqüência. Isso é sinal de que algo precisa mudar se eu quiser manter o blog funcionando. Suponho ter encontrado uma fórmula razoável.

    Uma pequena mudança

    Eu achava que minha queda de produção se devia à depressão que me acometeu nos anos de 2012 a 2014, mas percebi que não: primeiro porque a minha produção até a metade de 2014 foi intensa, segundo porque desde o início de 2015 minha produção não aumentou apesar de eu ter me recuperado muito bem graças à dieta paleolítica de baixo carboidrato (e agora pretendo atingir um patamar superior de vitalidade e disposição com um tipo de exercício físico “maluco” que todo mundo está dizendo que vai me matar, assim como disseram que a minha dieta “maluca” ia me matar, mas isso é assunto para outro artigo).

    Se minha queda de produção não teve correlação com minha saúde, então qual seria o problema? Parei para pensar no que poderia estar me afetando e lembrei de conferir a data de um certo artigo. Bingo.

    A real é esta: muito da energia que eu tinha para escrever se devia à esperança de construir um projeto político iluminista para o Brasil. Quando caiu a ficha de uma vez por todas que um projeto político iluminista nacional não tem a menor chance de progredir no Brasil, uma imensa república de bananas, subdesenvolvida e totalmente dominada por mentalidades obscurantistas e corrupção, o desânimo me venceu.

    Por sorte eu sou biólogo.

    Eu não deixei de acreditar no iluminismo, eu deixei de acreditar em um projeto político iluminista para o Brasil. Há uma grande diferença entre uma coisa e outra. Macacos iluministas continuam a ser interessantes e representam uma ilha de sanidade em meio a um oceano de macacos obscurantistas. 😉

    Além disso, nossa velha amiga seleção natural vai resolver o problema, de um jeito ou de outro. Considerando o desastroso panorama cultural do Brasil, ser iluminista hoje se resume a pouco mais que ser um sobrevivente. Pelo menos até que eu tenha um novo surto de salvação de mundo, é isso que eu pretendo fazer.

    Isso nos traz de volta ao problema da produção do blog.

    Eu sou um iluminista. E eu gosto de política. Seria impossível contrariar minha natureza e passar a tratar de futilidades no blog. Portanto, eu vou continuar escrevendo bastante sobre política – mas vou mudar a estratégia. Para que o blog volte a um nível mais interessante de atividade, vou acrescentar uma boa pitada de colunismo político ao Pensar Não Dói.

    Vejam bem: o Pensar Não Dói nunca foi, não é e nunca será um blog sobre política. Política é apenas o assunto sobre o qual eu mais escrevo. E isso vai continuar assim. A diferença é que o Pensar Não Dói só tratava da política obscurantista mundana como exceção, preferindo ater-se ao debate de princípios, e agora eu pretendo escrever um pouco mais sobre atualidades da política.

    A maioria dos artigos do Pensar Não Dói era relativamente atemporal. A partir daqui, uma proporção maior acabará por ficar datada, mas eu espero que isso me permita manter o blog ativo ao mesmo tempo em que escrevo os artigos do estilo tradicional com mais tranquilidade, sem pressa para publicar só porque o blog está há dias sem artigos novos. Acho que é um preço pequeno a pagar para revitalizar o blog.

    Palpites?

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/07/2015

    Seis anos de blog

    Hoje o Pensar Não Dói completa seis anos de atividade. Contando com esta, foram 795 postagens, mais três que foram excluídas, e há 380 rascunhos pendentes, dos quais provavelmente 10% ainda serão publicados. O blog já mudou de nome, voltou ao original, mudou de layout, mudou de plugins, mudou de objetivo e fez seu autor mudar também.

    Darwinito

    Seis anos de exposição pública não passam impunes. (Se contarmos também o tempo de Orkut e Facebook, são dez anos.) Muito embora eu seja um cabeça-dura, é impossível não mudar de idéia sobre alguns temas quando se está aberto ao aprendizado e se interage com tanta gente. E, ao contrário do que dizem as pesquisas, que mostram que quanto mais alguém freqüenta as redes sociais, mais frustrado, infeliz e agressivo se torna, eu fui um ponto fora da curva e tive um grande sucesso em conhecer gente legal, fazer amizades e amadurecer. Por este lado, apesar de uma ou outra perda, o balanço foi muito positivo.

    Por outro lado, o blog fracassou fragorosamente em um de seus objetivos: eu sempre quis organizar alguma atividade política a partir deste espaço. No início não estava claro qual seria, depois me decidi por tentar organizar um partido iluminista, então percebi que o interesse nisso é ínfimo e finalmente decidi não ficar dando murro em ponta de faca. Infelizmente, isso me desanimou bastante para escrever.

    Muito embora eu tenha decidido manter o blog – afinal, eu sou um cabeça-dura – eu ainda não sei bem em que direção desenvolvê-lo. Eu tinha a intenção de definir isso neste artigo, pensei alguns dias nisso, mas percebi que era desnecessário e seria precipitado. O que eu tenho certeza é que pretendo manter o blog ativo, embora ainda não possa me comprometer com uma maior freqüência de postagens. 

    Por enquanto, meu mais sincero muito obrigado a todos que me fizeram e me fazem companhia neste espaço. Tem sido um privilégio inestimável receber as curtidas, os comentários e as pedradas de todos os que leram algum artigo e voltaram em outro dia para ler mais um. Sempre que alguém volta e torna a comentar eu fico imensamente feliz por ter criado este espaço.

    Feliz Aniversário para o Darwinito e para todos nós.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/06/2015 

    Atualização no mesmo dia:

    HAHAHAHAHAHAHA!!! Descobri uma coincidência incrível! 

    Vejam que outro blog também faz aniversário em 24 de junho! 😛 

    Informação trazida pelo Gerson B. 

    Fórmula Humpf

    Existe coisa mais chata que assistir um campeonato de Fórmula 1 que antes mesmo de começar já tinha o campeão (Hamilton), o vice-campeão (Rosberg) e o terceiro colocado (Vettel) definidos? Se a F-1 não mudar logo, vai perder muito público e ainda mais dinheiro. 

    Emerson-Fittipaldi-Lotus-1972

    Este é o Emerson Fittipaldi em sua very old fashioned Lotus de 1972. Coloquei essa foto aqui só porque ela fica bonita na chamada do artigo no Facebook. :-)

    Eu não sou um grande fã da Fórmula 1, mas sou um nerd de personalidade competitiva, então sempre curti o desenvolvimento tecnológico e gosto de assistir disputas francas e emocionantes. Nenhuma destas coisas está presente na F-1 de hoje. Os sites e blogs especializados em F-1 apontam as mais variadas causas para isso, mas a minha explicação predileta diz respeito à origem de Jean Todd, o chefão da FIA: o cara é um ex-co-piloto de rally

    Se você não sacou qual a importância de o chefão da FIA ser um ex-co-piloto de rally, vou explicar isso com dois exemplos simples: as regras sobre o fluxo de combustíveis e a qualidade dos pneus. 

    A regra do fluxo de combustíveis é a seguinte: em um determinado sensor cuja instalação foi tornada obrigatória, não pode passar mais de uma determinada quantidade de combustível em um determinado período de tempo, a qualquer momento da corrida. Os valores em si são irrelevantes. 

    A regra da qualidade dos pneus é a seguinte: há tipos de pneus diferentes, cada equipe é obrigada a usar pelo menos dois tipos diferentes em cada corrida e a qualidade de todos os tipos é previamente determinada, fazendo com que as equipes tenham que lidar com diversos pneus que se esfarelam facilmente. 

    Aí eu pergunto: o que o fã de Fórmula 1 quer? 

    Quer gritar ASSSULÉÉÉRA AÍÍÍRTONNN?

    Ou quer gritar ECONOMIZA SETE VÍRGULA QUATRO MILILITROS DE GASOLINA, ROSBEEERG? 

    Quer assistir uma disputa acirrada, com ultrapassagens ousadas e muita perícia?

    Ou quer assistir seu piloto predileto ganhar ou perder posições porque os carros estão com os pneus se desmanchando e uma equipe ou outra fez um “emocionante” cálculo para determinar o melhor momento para trocar o pneu médio pelo macio? 

    Pois é. 

    Para quem teve sua formação no automobilismo como co-piloto de rally, modular o estilo de pilotagem para respeitar o limite da taxa de consumo de combustível provavelmente seja emocionante. Ou talvez calcular a melhor estratégia de troca de pneus seja emocionante. Sério, eu sou um nerd, eu reconheço que isso deve ser muito emocionante para algumas pessoas – mas não para o público da Fórmula 1.

    Se o Jean Todd não sabe, eu conto a real para ele: o público da Fórmula 1 quer ver velocidade, ultrapassagens ousadas e perícia nas manobras. Se quisesse ver economia de recursos e cálculos, assistiria rally, não F-1. 

    Dito isso, creio que é fácil dar umas sugestõezinhas para evitar que a Fórmula 1 acabe com menos audiência que o campeonato de carrinho de rolimã do meu bairro. Eis aqui três delas: 

    1) Desregulamentar quase tudo. Nada de determinar qual será a potência do motor, o número de cilindros, os detalhes aerodinâmicos, os tipos de pneus, o limite de fluxo de combustível e a estrutura da rebimboca da parafuseta. Determinem a volumetria do tanque em cerca de dois terços do necessário para completar a corrida e equalizem o peso dos pilotos. Ponto. 

    OBS: “Equalizar o peso dos pilotos” é o seguinte: todos os pilotos devem pesar, digamos, 100 kg. Como nenhum deles pesa tudo isso, deve-se acrescentar peso complementar sob o assento de cada piloto de modo a completar 100 kg. Afinal, queremos ver disputa de habilidade, não de magreza ou de nanismo. 

    No início haveria uma grande confusão, o que seria divertido, mas em duas ou três temporadas provavelmente todas as equipes convergiriam para um motor V-10 com uma cilindrada de cerca de 3.0 e um carro com excelente aerodinâmica, que é o que já se demonstrou ser o melhor e mais emocionante. A partir daí, teríamos novamente uma disputa franca, em alto nível, sem o atual fedor de bode na sala. 

    2) Proibir a recuperação de potência. Não porque não seja uma boa idéia desenvolver mecanismos de recuperação de potência, mas porque a Fórmula 1 não é o ambiente adequado para fazer isso. Palavra de nerd que manja um pouco de Teoria do Caos

    A relação entre os inúmeros componentes responsáveis pela produção de potência, pela recuperação de potência e pelo reaproveitamento de potência é tão complexa, mas tão complexa, mas tão complexa, que obter o melhor ajuste deixa de ser uma questão de capacitação técnica e passa a ser uma questão de sorte. Eu não consigo imaginar um fator mais frustrante e desestimulante do que esse. Isso é péssimo para qualquer esporte e ainda pior para um esporte tão caro. 

    3) Parar de mudar o regulamento toda hora e de introduzir gambiarras desastrosas como controle de fluxo de combustível, redução da qualidade dos pneus e limitações aerodinâmicas para “evitar hegemonias”.

    Não é a hegemonia que estraga o esporte, mas a ausência de disputa. O melhor piloto e a melhor equipe devem vencer tantas vezes quantas conseguirem vencer. Mas a disputa pode ser aumentada sem a indecente introdução de obstáculos planejados para frustrar especificamente a equipe que melhor fez exatamente aquilo que deveria fazer.

    Ao invés de inventar gambiarras para quebrar artificialmente a hegemonia de um piloto ou de uma equipe específica, basta e é muito mais ético introduzir uma regra de achatamento de vantagens que seja sempre igual para todos. Você vai entender isso direitinho com o exemplo a seguir. 

    Imagine que, a cada ponto conquistado no campeonato, seja acrescentado um peso de 150 g no carro. 

    Tabela de pontos e pesos acrescidos

    Perceba que essa regra é igual para todos, não altera nenhum componente ou vantagem específica de qualquer piloto, carro ou equipe, mas achata as vantagens obtidas ao longo do campeonato, dificultando que uma equipe dispare de modo inalcançável na tabela. Tão logo outra equipe se aproxime na tabela, entretanto, ela também vê seu avanço dificultado pela mesma regra, restabelecendo a diferença. Isso aumenta a disputa sem interferir no resultado final. 

    Eu não digo que a Fórmula 1 deva adotar essa regra específica, que pode ou não cair no agrado dos fãs, mas que a linha de pensamento deveria ser a seguinte: primeiro, competir pelos critérios corretos, respeitando a vocação do esporte; segundo, ao invés de intervir de modo casuísta e oportunista, mudando as regras com o objetivo de alterar artificialmente os resultados, violando a meritocracia e a própria razão de ser do investimento no esporte, deveria ser procurado um modo negociado e ético de valorizar o espetáculo e aumentar a disputa – para que nenhum fã fique decepcionado, nenhum piloto frustrado, nenhuma equipe desmotivada e nenhum investidor ressabiado.

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 14/06/2015

    Resposta do leitor: casamento gay

    Pessoas boas naturalmente fazem coisas boas. Pessoas más naturalmente fazem coisas más. Mas para que pessoas boas façam coisas más, normalmente é necessário alguma crença irracional e estúpida. O texto no quadro abaixo é de um amigo meu no Facebook em resposta ao artigo Pergunta ao leitor: casamento gay. Os grifos são meus. 

    Fanáticos são inimigos da cidadania

    Gente, estou deixando de resharear automaticamente os posts do Pensar Não Dói.

    Embora eu seja amigo do autor, que considero uma pessoa razoavelmente inteligente e competente para muitas coisas, para outras ele apresenta uma visão preconceituosa e tacanha a que eu não tenho sempre tempo de oferecer o devido contraponto aqui (e, por óbvio, também não posso deixar a timeline servir de palanque para causas incivilizatórias). 

    O motivo próximo para a decisão foi o post a respeito do casamento gay, onde o querido Arthur Golgo Lucas, com o jeito debochado que lhe é peculiar, repete os mais rasteiros lugares-comuns do lobby homossexual. É até indigno de uma pessoa alfabetizada como ele escrever um post naqueles termos, com quatro linhas fanfarrônicas, mas enfim… Como eu nem sempre tenho condições de comprar todas as polêmicas fúteis que se me aparecem nas redes sociais, prefiro me resguardar e deixar a meu alvitre escolher as em que vou me bater – ao invés de deixar ao NetworkedBlogs o papel de fazer isso automaticamente por mim. 

    Quem sentir falta dos textos, não deixe de seguir diretamente o seu autor na página citada acima. 

    Segundo meu amigo, sou ao mesmo tempo inteligente e tacanho. Segundo meu amigo, eu, que defendo intransigentemente os Direitos Humanos nos moldes originais, conforme a DUDH, defendo causas incivilizatórias. Segundo meu amigo, eu, que sou competente para muitas coisas, escrevi um texto indigno de uma pessoa alfabetizada. Segundo meu amigo, o texto que o incomodou tanto que ele deixou de compartilhar os artigos do Pensar Não Dói é uma polêmica fútil. 

    Observe duas coisas, leitor: primeira, que o texto do meu amigo é bem esquizofrênico; segunda, que em nenhum momento meu amigo responde a pergunta feita no artigo original, limitando-se à adjetivação vazia. Eu acho isso lamentável, mas não estranho. É isso que eu quero analisar aqui.

    Em primeiro lugar, ele disse que a minha visão é preconceituosa e tacanha, mas a posição que eu assumi implicitamente no artigo anterior e explicitamente neste artigo é a defesa da cidadania plena para todas as pessoas, independentemente de orientação sexual – ou de qualquer outro fator. Vamos deixar isso bem claro e bem definido: eu defendo a cidadania plena para todos mesmo, o que inclui os gays, lésbicas, transgêneros, o meu amigo, os bandidos, os criminosos, os estupradores, os torturadores, os assassinos, a Madre Teresa de Calcutá, Adolf Hitler, Mahatma Gandhi, Pinochet, Stálin, Stroessner, os Castro, o papa, o traficante da esquina, o raio que o parta, sem preconceito de espécie alguma, sem distinção de espécie alguma. Enquanto um indivíduo não violar algum direito de terceiros, nenhuma limitação a sua cidadania pode ser imposta e não deveria ser nem sequer sugerida, porque isso é a base da civilização. Julgue o leitor se minha visão é preconceituosa e tacanha.

    Em segundo lugar, ele disse que a causa que eu defendi é incivilizatória, mas, como eu afirmei no parágrafo acima, minha posição é fundamentada e balizada em um modelo civilizatório em que ninguém tem direitos limitados ou tolhidos de qualquer modo a não ser que viole direitos de terceiros. E, no caso de alguém violar direitos de terceiros, eu defendo que o modo como devemos tratar estes indivíduos seja exatamente o modo como cada um de nós gostaria de ser tratado caso fosse acusado de modo injusto ou falso de ter violado algum direito de terceiros. Mais profundamente, devemos considerar a hipótese de recebermos uma condenação injusta – que é algo que infelizmente às vezes acontece mesmo nos mais perfeitos sistemas judiciários – e estabelecer para todos os tratamentos que gostaríamos de receber caso nos encontrássemos pessoalmente nesta situação. Por exemplo, se você for falsamente acusado de ser um torturador homicida e injustamente condenado, você não quer pena de morte, você não quer prisão perpétua, você não quer maus tratos, você quer uma pena de privação de liberdade em que você tem a oportunidade de trabalhar, de estudar e de provar ao Poder Judiciário o mais rápido possível que já está em condições de retornar ao convívio social. Julgue o leitor se eu defendo causas incivilizatórias.

    Em terceiro lugar, ele disse que meu artigo anterior é indigno de uma pessoa alfabetizada, mas naquelas quatro linhas “fanfarrônicas” eu explicitei uma problemática de modo claro e preciso, que ele entendeu muito bem e no entanto não foi capaz de rebater senão com adjetivações vazias, sem apresentar um único argumento em contrário à posição que eu defendi. Sim, ele disse que não o fez porque não quis, porque tem o direito de escolher as causas pelas quais se bate. É uma meia verdade. A outra metade é que, para contra-argumentar, ele precisaria fundamentar seus argumentos – e ele não tem como fazer isso sem deixar claro que sua posição é baseada em uma crença irracional e estúpida. Para ser preciso, a crença de que um ser onisciente, onipotente e bondoso, capaz de criar um universo com a complexidade do nosso, engravidou de si mesmo uma virgem, sacrificou seu avatar humano a si mesmo para aplacar sua própria ira e exaltar sua própria glória, deixou instruções universais e atemporais codificadas por alguns safados que exploravam a fé de povos ignorantes no meio de um deserto há dois mil anos atrás e que uma destas instruções era que ninguém pode se relacionar com alguém do mesmo sexo ou será ressuscitado para ser torturado por queimaduras intoleráveis por toda a eternidade em nome do amor deste ser onisciente, onipotente e bondoso. Julgue o leitor se sou eu quem precisa de alfabetização e um pouquinho de aula de ciências.

    Em quarto lugar, ele disse que não respondeu porque esta é uma polêmica fútil, mas se incomodou tanto com a polêmica fútil que decidiu parar de compartilhar os artigos do meu blog. Não estou reclamando que ele deixou de compartilhar os artigos, que fique bem claro, pois isso é direito dele e ele recomendou a seus amigos que sigam o Pensar Não Dói diretamente, indicando o link para fazê-lo. Julgue o leitor se a questão que eu propus é realmente uma polêmica fútil. 

    Meu amigo, que eu conheço há uma década, desde o segundo ano de existência do Orkut, sempre me pareceu ser uma pessoa inteligente e decente. De fato, eu acredito que esta seja a essência da personalidade dele. Infelizmente, devido à doutrinação em uma crença irracional e estúpida, uma pessoa que de outra forma provavelmente seria um iluminista, capaz de raciocinar por conta própria e de defender posições sensatas e bondosas, tornou-se um intolerante, uma força do mal, um inimigo da cidadania, cuja atuação no mundo visa impor restrições aos direitos de pessoas inocentes cuja sexualidade ele se julga no direito de não aprovar, como se ele tivesse legitimidade para agir como legislador, promotor de justiça, juiz, júri e carrasco em nome de Deus. 

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/06/2015 

    Pergunta ao leitor: casamento gay

    Por favor, alguém me explique: como é que o casamento gay ameaça a família? Se o Estado reconhecer a união do meu vizinho gay com o namorado dele, eles vão comemorar esfaqueando a minha esposa e meus filhos, é isso? Ou talvez os gays só possam se casar se assinarem os documentos com sangue removido da hipófise de heterossexuais abatidos com balas de prata? Não sei, não estou entendendo isso. 

    Bolo de casamento gay

    Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 03/06/2015