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Faltando apenas dez dias para o segundo turno das eleições presidenciais de 2014, uma amiga me perguntou: “Arthur, o que é que tem a ver esse teu papo de rankings de países e as amizades do PT com este ou aquele país com as eleições no Brasil? Explica aí, que eu quero entender.” Eu prometi responder com um artigo no blog. Aqui está ele. 

urna-eletronica-mao

Em primeiro lugar, diga-me o seguinte, meu caro leitor: se você quisesse encontrar um pingüim, você iria procurar no Saara ou na Antártida? E se você quisesse localizar um camelo, você iria procurar na Antártida ou no Saara?

Do mesmo modo, se você quisesse encontrar tâmaras, você seguiria um pingüim ou um camelo? E, se o seu objetivo fosse localizar krill, você seguiria um camelo ou um pingüim?

Se você chegasse em casa e encontrasse seu filho de 16 anos conversando alegremente com o Fernandinho Beiramar, o Marcola e o Bandido da Luz Vermelha, você ficaria tranquilo ou preocupado?

Mas se os parceiros do diálogo entusiasmado de seu filho fossem Albert Einstein, Charles Darwin e Linus Pauling, você ficaria preocupado ou tranquilo?

Fato: observar o sistema dentro do qual um elemento está inserido e os demais elementos do sistema com os quais ele se relaciona diz muito a respeito deste elemento.

“Tá, Arthur. E onde entram o PT, a Dinamarca e a Venezuela nessa história?”

Bem, a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia, a Holanda, a Bélgica, Luxemburgo, a Suíça, a Islândia, a Alemanha,  a Áustria, a Austrália, a Nova Zelândia, o Canadá e Singapura costumam se revezar nas primeiras posições de todos os rankings começados com as palavras “os melhores países do mundo para…”, nas primeiras posições do ranking de corrupção percebida da Transparência Internacional, que lista mais de 170 países, do menos corrupto ao mais corrupto, e nas primeiras posições do ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. 

Mas você não vê o governo do PT conversando prioritariamente com nenhum destes países.

Você não vê o governo do PT declarar que admira estes grandes vencedores em todos os rankings de qualidade de vida, de liberdade e de honestidade.

E você não vê o governo do PT imitar as fórmulas de sucesso destes países ou procurar aprender com eles.

Nada disso.

O que você vê é o governo do PT conversando prioritariamente com a ditadura comunista de Cuba, que fuzila quem tenta fugir do país; com a ditadura comunista da Venezuela, que fez faltar até mesmo papel higiênico no país e que comanda milícias assassinas contra seu próprio povo; com a ditadura comunista da China, que mata dissidentes e obriga as famílias deles a pagarem a bala usada na execução; com a ditadura teocrática do Irã, que massacrou a tiros sua população quando esta protestou contra uma eleição fraudada; com a ditadura dos petrodólares da Líbia, cujo ditador mantinha escravas e escravos sexuais e matava qualquer um de quem ele desconfiasse; e com o PC do B, um partido que lançou um manifesto de apoio à ditadura comunista da Coréia do Norte, que comete terríveis crimes contra a humanidade, como a prisão e tortura até a morte de toda a família de qualquer cidadão acusado de traição, ou seja, qualquer pessoa que a ditadura quiser eliminar, por qualquer motivo.

Você vê o governo do PT e sua militância declararem que admiram estas ditaduras e que sob estas ditaduras existe alta qualidade de vida, muita liberdade e governos honestos e legítimos. 

E você vê o governo do PT declarar que é necessário “diálogo e diplomacia” para lidar com o Estado Islâmico, um grupo criminoso e terrorista que degola jornalistas, conquista territórios pela força das armas, brutaliza as populações dominadas, impõe a Sharia (lei islâmica) e exige que todas as mulheres sejam sexualmente mutiladas, com o que o PT eleva criminosos terroristas ao nível de interlocutores respeitáveis para um Estado Nacional como o Brasil, ao mesmo tempo em que procura criminalizar meras piadas e ofensas verbais.

Entenda isso: pouco importa o discurso do PT. Nenhum mentiroso diz que é mentiroso, todos eles juram que só falam a verdade. Nenhum ditador diz que é um ditador, todos eles juram que são democratas interessados apenas no bem do povo. Nenhum estelionatário diz que vai ferrar você em benefício exclusivo dele, todos eles juram que são seus amigos até o momento em que desaparecem deixando um grande prejuízo em suas mãos. 

A prática política do PT é clara: o PT ignora ou critica tudo que há de melhor no mundo e procura e elogia tudo que há de pior no mundo; o PT abomina os países com maior liberdade e qualidade de vida no mundo e admira as ditaduras que mais escravizam e massacram seus povos; o PT procura ridicularizar e calar humoristas, jornalistas e qualquer um que dele discorde e defende usar “diálogo e diplomacia” para lidar com criminosos e terroristas.

Isso é uma clara demonstração pública de caráter.

Isso é uma clara demonstração pública de intenções.

Isso é uma clara demonstração pública do projeto real do PT.

Por favor, compreenda: acusações ridículas como “o PSDB quebrou o Brasil três vezes” ou “você construiu um aeroporto para beneficiar seu tio”, como as que Dilma vive lançando contra Aécio, são mero diversionismo. Não é isso o que importa.

O que realmente importa é o horrível e abominável projeto de Estado e de sociedade que o PT planeja implantar, independentemente de seus membros serem corruptos ou não. Pelo contrário, quem acha que uma Luciana Genro, uma Heloísa Helena e um Eduardo Suplicy são mais honestos que um Lula, um José Dirceu, um José Genoíno e um Delúbio Soares descobriria do pior jeito que preferiria mil vezes viver em um país gerenciado pelos petistas mensaleiros a viver em um país gerenciado pelos petistas esquerdistas ideológicos sérios e convictos. É um projeto tão tirânico e tão degradante que sua versão corrupta é muito mais respirável do que sua versão honesta. 

Estas pessoas que dizem se identificar com o sofrimento dos pobres e se indignar com a exploração capitalista e blá-blá-blá luta de classes blá-blá-blá criminalização dos movimentos sociais blá-blá-blá coxinha blá-blá-blá Whiskas Sachê em sua maioria é completamente iludida, incapazes de perceber que, se todos os amigos dos seus amigos são ditadores ladrões que dominam e massacram seus povos, então seu amigo não tem boa índole, porque se identifica e vive na companhia de quem não tem boa índole. Se o cara a sua direita é um camelo, o cara a sua esquerda é um camelo, o cara a sua frente é um camelo e o cara atrás de você é um camelo, sinto muito, mas você não é um pingüim, por mais que tente me convencer do contrário. 

No caso do PT, os caras à direita são o Fidel e o Raul Castro, da Cuba que fuzila quem tenta fugir do país; o cara à esquerda é o Nicolas Maduro, da Venezuela que comanda milícias assassinas contra seu próprio povo; o cara à frente é o Xi Jinping, da China que mata dissidentes e obriga as famílias deles a pagarem a bala usada na execução; e o cara atrás é o Mahmoud Ahmadinejad, do Irã que massacrou a tiros sua população quando esta protestou contra uma eleição fraudada. A Dilma pensa parecido com estes caras, não com a Ângela Merkel, presidente da Alemanha, ou com algum dos presidentes dos melhores países do mundo para se viver. É para um regime semelhante aos de seus amigos e parceiros ideológicos que a Dilma e o PT irão nos levar, não para um regime de liberdade e alta qualidade de vida. 

Portanto, caríssimo leitor, não se engane. Veja além do “mimimi, você é gorda”, “mimimi, você é narigudo” entre Aécio e Dilma. Aeroportos, estádios de futebol, meu estado isso, o seu governo aquilo, tudo isso é diversionismo de um lado e de outro, fruto da necessidade de disputar os votos de uma imensa população de eleitores que não compreendem que o que realmente está em disputa é um projeto de Estado e de sociedade. De um lado temos a Dilma e o PT, que estão alinhados com tudo que há de pior no mundo e que portanto representam a pior escolha. E do outro lado temos Aécio e o PSDB, que são única alternativa que sobrou no segundo turno das eleições presidenciais de 2014 para nos livrar do pior

Vamos deixar uma coisa bem clara: eu não sou tucano, nem acho que o governo Aécio será como eu gostaria. Mas no cenário atual eu ficarei muito contente em tirar do horizonte a possibilidade de transformar o Brasil em um inferno como Cuba, Venezuela, China, Irã, Líbia ou Coréia do Norte. Lembre-se disso no dia 26/10/2014.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 17/10/2014 

MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS DE ECONOMIA

Este texto é um manifesto de um grupo de 164 professores universitários de Economia, ligados a diversas instituições no Brasil e no exterior. O nosso objetivo é desconstruir um dos inúmeros argumentos falaciosos ventilados na campanha eleitoral.

1) Não há, no momento, uma crise internacional generalizada.

Alguns de nossos pares na América Latina, uma região bastante sensível a turbulências na economia mundial, estão em franca expansão econômica.

Projeta-se, por exemplo, que a Colômbia cresça 4,8% em 2014, com inflação de 2,8%. Já a economia peruana deve crescer 3,6%, com inflação de 3,2%. O México deve crescer 2,4%, com inflação de 3,9%. (1)

No Brasil, teremos crescimento próximo de zero com a inflação próxima de 6,5%. (1)

Entre as 38 economias com estatísticas de crescimento do PIB disponíveis no sítio da OCDE, apenas Brasil, Argentina, Islândia e Itália encontram-se em recessão. (2)

Como todos os países fazem parte da mesma economia global, não pode haver crise internacional generalizada apenas para alguns.

É emblemático que, dentre os países da América do Sul, apenas Argentina e Venezuela devem crescer menos que o Brasil em 2014. (1) 

2) Neste cenário de baixo crescimento e inflação alta, a semente do desemprego está plantada. E os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas estão em risco.

3) O atual governo tenta se eximir de qualquer responsabilidade pelo nosso desempenho econômico pífio e culpa a crise internacional. Entretanto, como a realidade dos fatos mostra que não há crise internacional generalizada, a explicação só pode ser outra.

4) Em grande parte, atribuímos o desempenho medíocre da economia brasileira e a perspectiva de retrocesso nas conquistas sociais às políticas econômicas equivocadas do atual governo.

5) O atual governo ressuscitou os fantasmas da inflação e da instabilidade macroeconômica.

Uma política monetária inadequada gerou a suspeita de intervenções de cunho político no Banco Central, que foi fatal para sua credibilidade.

A utilização recorrente de truques contábeis destruiu a confiança na política fiscal.

Esta combinação de políticas monetária e fiscal opacas e inadequadas gerou um cenário macroeconômico extremamente adverso, com inflação alta e crescimento baixo.

6) O governo Dilma amedrontou os investimentos.

Houve mudanças constantes e inesperadas de regras, como alterações arbitrárias de alíquotas de impostos.
Diante desta instabilidade das regras do jogo, a desconfiança aumentou e o horizonte dos empresários encurtou.
O acesso privilegiado aos órgãos governamentais passou a ser uma atividade mais lucrativa que o planejamento e investimento de longo prazo.

7) A mudança das regras do jogo não afetou apenas a iniciativa privada.

O excesso de intervencionismo nas empresas estatais, como o represamento artificial dos preços de energia e gasolina, minou a capacidade de investimento dessas empresas.

Por conta de empreendimentos questionáveis do ponto de vista econômico, a capacidade de investimento da Petrobrás foi comprometida.

8) O atual governo expandiu a oferta de crédito subsidiado de forma discricionária e irresponsável.

A distribuição arbitrária de crédito subsidiado produz distorções na alocação de recursos do país e contribui para o baixo crescimento econômico.

Os subsídios envolvidos geram altos custos fiscais que o atual governo tenta esconder com malabarismos e truques contábeis. Estes expedientes destruíram a confiança nas estatísticas fiscais do país.

Os recursos gastos na forma de subsídios injustificados poderiam ser utilizados para ampliar programas sociais e investimentos públicos em educação, saúde e infra-estrutura.

O Brasil precisa continuar avançando na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, com melhor distribuição de renda.

Além de deletéria para o desenvolvimento do país, a política de distribuição arbitrária de crédito subsidiado para grandes grupos econômicos é concentradora de renda.

No ambiente econômico do Brasil de hoje, os frutos de um novo empreendimento podem ser facilmente corroídos por mudanças inesperadas nas regras do jogo, pela alta inflação e pelo baixo crescimento econômico. Portanto, não é surpreendente que o investimento tenha colapsado. Sem investimento, o Brasil jamais retomará o seu caminho para o desenvolvimento. E sem desenvolvimento, os avanços sociais obtidos com muito sacrifício ao longo das últimas décadas sofrerão retrocessos.

O Brasil tem sérios desafios pela frente e para enfrentá-los precisamos de um debate transparente e intelectualmente honesto. Ao usar de sua propaganda eleitoral e exposição na mídia para colocar a culpa pelo fraco desempenho econômico recente na conjuntura internacional, se eximindo da sua responsabilidade por escolhas equivocadas de políticas econômicas, o atual governo recorre a argumentos falaciosos.

 

14 de outubro de 2014

 

Fontes:

(1) Dados retirados do World Economic Outlook, FMI, Outubro de 2014.

(2) Dados retirados do sítio da OCDE (http://stats.oecd.org/). Recessão definida como variação negativa do PIB real dessazonalizado nos últimos 2 trimestres com dados disponíveis.

Assinam (em ordem alfabética) os professores abaixo:

Nome Titulação, Instituição Afiliação atual

(1) Ademar Romeiro PhD, EHESS Unicamp
(2) Adriana Bruscato Bortoluzzo Doutor, IME/USP Insper
(3) Afonso Henriques Borges Ferreira PhD, New School Ibmec MG
(4) Alan André Borges da Costa Mestre, UFMG UFOP
(5) Alan Moreira PhD, Chicago Yale University
(6) Alberto Salvo PhD, LSE National University of Singapore
(7) Alesandra de Araújo Benevides Mestre, CAEN/UFC UFC
(8) Ana Beatriz Galvão PhD, Warwick University of Warwick
(9) Anderson Mutter Teixeira Doutor, UnB FACE/UFG
(10) André Carraro Doutor, PPGE/UFRGS PPGOM/UFPel
(11) André da Cunha Bastos Mestre, USP UFG
(12) André Portela Souza PhD, Cornell EESP/FGV
(13) Antonio F. Galvao PhD, Illinois University of Iowa
(14) Antônio Márcio Buainain Doutor, Unicamp Unicamp
(15) Ari Francisco de Araujo Junior Mestre, UFMG Ibmec MG
(16) Arilda Teixeira Doutor, UFRJ Fucape
(17) Arilton Teixeira PhD, Minnesota Fucape
(18) Armando Gomes PhD, Harvard Washington University in St Louis
(19) Aureo de Paula PhD, Princeton University College London e EESP/FGV
(20) Bernardo de Vasconcellos Guimarães PhD, Yale EESP/FGV
(21) Bernardo Soares Blum PhD, UCLA University of Toronto
(22) Braz Ministério de Camargo PhD, UPenn EESP/FGV
(23) Bruno Cara Giovannetti PhD, Columbia FEA/USP
(24) Bruno Cesar Aurichio Ledo Doutor, EPGE/FGV FEA/USP-RP
(25) Bruno Ferman PhD, MIT EESP/FGV
(26) Bruno Funchal Doutor, EPGE/FGV Fucape
(27) Camila F. S. Campos PhD, Yale Insper
(28) Carolina Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(29) Carlos Eduardo Goncalves Doutor, USP FEA/USP
(30) Carlos Eugênio Ellery Lustosa da Costa PhD, Chicago EPGE/FGV
(31) Carlos Viana de Carvalho PhD, Princeton PUC-Rio
(32) Cecilia Machado PhD, Columbia EPGE/FGV
(33) Cézar Augusto Ramos Santos PhD, UPenn EPGE/FGV
(34) Cristian Huse PhD, LSE Stockholm School of Economics
(35) Christiano Arrigoni Coelho Doutor, PUC-Rio Ibmec RJ
(36) Christiano Modesto Penna Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(37) Cristina Terra PhD, Princeton Université de Cergy-Pontoise
(38) Claudio Djissey Shikida Doutor, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(39) Claudio Ferraz PhD, Berkeley PUC-Rio
(40) Claudio Ribeiro de Lucinda Doutor, EAESP/FGV FEA/USP-RP
(41) Cleyzer Adrian da Cunha Doutor, UFV FACE/UFG
(42) Daniel Barboza Guimarães Doutor, CAEN/UFC UFC
(43) Daniel Bernardo Soares Ferreira PhD, Chicago London School of Economics
(44) Daniel de Abreu Pereira Uhr Doutor, UnB UFPel
(45) Daniel Gottlieb PhD, MIT University of Pennsylvania
(46) Daniel Monte PhD, Yale EESP/FGV
(47) Daniel Oliveira Cajueiro Doutor, ITA UnB
(48) Daniel Ribeiro Carvalho PhD, Harvard University of Southern California
(49) David Turchick Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(50) Eduardo Augusto de Souza-Rodrigues PhD, Yale University of Toronto
(51) Eduardo Correia de Souza Doutor, UFRJ Insper
(52) Eduardo Faingold PhD, UPenn Yale University
(53) Eduardo Fonseca Mendes PhD, Northwestern University of New South Wales
(54) Eduardo Zilberman PhD, NYU PUC-Rio
(55) Elano Ferreira Arruda Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(56) Emanuel Ornelas PhD, Wisconsin-Madison London School of Economics e EESP/FGV
(57) Emerson Marinho Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(58) Emilson Caputo Delfino Silva PhD, Illinois University of Alberta
(59) Fábio Massaúd Caetano Doutor, PPGE/UFRGS UFPel
(60) Fabio Miessi PhD, LSE FEA/USP
(61) Fabio Orfali Mestre, USP Insper
(62) Felipe Garcia Ribeiro Doutor, EESP/FGV UFPel
(63) Fernando Botelho PhD, Princeton FEA/USP
(64) Fernando Vendramel Ferreira PhD, Berkeley University of Pennsylvania
(65) Flávia Lúcia Chein Feres Doutor, Cedeplar/UFMG PPGEA/UFJF
(66) Francisco Junqueira Moreira da Costa PhD, LSE EPGE/FGV
(67) Gabriel de Abreu Madeira PhD, Chicago FEA/USP
(68) George Henrique de Moura Cunha Doutor, UnB UCB
(69) Geraldo Biasoto Jr Doutor, IE/Unicamp IE/Unicamp
(70) Gil Riella PhD, NYU UnB
(71) Gisele Ferreira Tiryaki  PhD, George Mason UFBA
(72) Gregorio Caetano PhD, Berkeley University of Rochester
(73) Guilherme Hamdan Gontijo Mestre, PPGE/UFRGS Ibmec MG
(74) Guilherme Irffi Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(75) Gustavo Manso PhD, Stanford University of California, Berkeley
(76) Gustavo Mauricio Gonzaga PhD, Berkeley PUC-Rio
(77) Gustavo Ramos Sampaio PhD, Illinois UFPE
(78) Heitor Almeida PhD, Chicago University of Illinois at Urbana-Champaign
(79) Helder Ferreira de Mendonça Doutor, UFRJ UFF
(80) Jair Andrade Araujo Doutor, CAEN/UFC MAER/UFC
(81) João Manoel Pinho de Mello PhD, Stanford Insper
(82) João Victor Issler PhD, San Diego EPGE/FGV
(83) José A. Rodrigues-Neto PhD, Wisconsin Australian National University
(84) José Coelho Matos Filho Doutor, UnB UFC
(85) José Guilherme de Lara Resende PhD, Chicago UnB
(86) José Maria Ferreira Jardim da Silveira Doutor, Unicamp Unicamp
(87) Juliana Inhasz Doutor, FEA/USP Insper
(88) Juliana Terreiro Salomao PhD, Stanford University of Minessota
(89) Juliano Junqueira Assunção Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(90) Klenio de Souza Barbosa PhD, Toulouse EESP/FGV
(91) Leandro Rocco PhD, Illinois UFC
(92) Leonardo Rezende PhD, Stanford PUC-Rio
(93) Lucas Maestri PhD, Yale EPGE/FGV
(94) Luciana Yeung Luk Tai Doutor, EESP/FGV Insper
(95) Luciano I. de Castro Doutor, IMPA University of Iowa
(96) Luis Henrique Bertolino Braido PhD, Chicago EPGE/FGV
(97) Marcel Scharth PhD, VU University Amsterdam University of New South Wales
(98) Marcelo Arbex  PhD, Illinois University of Windsor
(99) Marcelo Cunha Medeiros Doutor, PUC-Rio PUC-Rio
(100) Marcelo de Albuquerque e Mello PhD, Illinois Ibmec RJ
(101) Marcelo de Castro Callado PhD, University of Cologne UFC
(102) Marcelo de Oliveira Passos Doutor, UFPR UFPel
(103) Marcelo Eduardo Alves da Silva PhD, UNC Chapel Hill UFPE
(104) Marcelo Fernandes PhD, Université Libre de Bruxelles EESP/FGV e Queen Mary University of London
(105) Marcelo Rodrigues dos Santos Doutor, EPGE/FGV Insper
(106) Marcelo Savino Portugal PhD, Warwick UFRGS
(107) Marcio Gomes Pinto Garcia PhD, Stanford PUC-Rio
(108) Márcio Veras Corrêa Doutor, Universidade Técnica de Lisboa CAEN/UFC
(109) Marco Bonomo PhD, Princeton Insper
(110) Marcos Costa Holanda PhD, Illinois CAEN/UFC
(111) Marina Mendes Tavares PhD, Minnesota ITAM, Mexico
(112) Mauricio Benegas Doutor, CAEN/UFC CAEN/UFC
(113) Maurício Soares Bugarin PhD, Illinois UnB
(114) Mauro Rodrigues Doutor, UCLA FEA/USP
(115) Marco Aurélio Bittencourt Doutor, UnB UCB
(116) Naercio Aquino Menezes Filho PhD, University of London Insper e FEA/USP
(117) Natalia Piqueira PhD, Princeton University of Houston
(118) Nathalie Gimenes Sanches PhD, Queen Mary University of London FEA/USP
(119) Nelson Camanho da Costa Neto PhD, LSE Catolica Lisbon School of Business & Economics
(120) Nelson Seixas dos Santos Doutor, USP PPGE/UFRGS
(121) Osvaldo Candido da Silva Filho Doutor, UFRGS UCB
(122) Paulo Natenzon PhD, Princeton Washington University in St Louis
(123) Paulo Rogério Faustino Matos Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(124) Pedro A. C. Saffi PhD, London Business School University of Cambridge
(125) Pedro Cavalcanti Ferreira PhD, UPenn EPGE/FGV
(126) Pedro H. Albuquerque PhD, Wisconsin-Madison KEDGE Business School
(127) Pedro Hemsley PhD, Toulouse UERJ
(128) Peri Agostinho da Silva Junior PhD, Illinois Kansas State University
(129) Pery Francisco Assis Shikida Doutor, ESALQ/USP Unioeste
(130) Pricila Maziero PhD, Minnesota University of Pennsylvania
(131) Priscila Casari Doutor, ESALQ/USP UFG
(132) Rafael B. Barbosa Doutor, CAEN/UFC Sobral/UFC
(133) Rafael de Vasconcelos Xavier Ferreira Doutor, EPGE/FGV FEA/USP
(134) Rafael Dix Carneiro PhD, Princeton Duke University
(135) Rafael Lopes de Melo PhD, Yale University of Chicago
(136) Regis Augusto Ely Doutor, UnB UFPel
(137) Renata Narita PhD, UCL FEA/USP
(138) Renato Dias de Brito Gomes PhD, Northwestern Université de Toulouse
(139) Renato Fragelli Cardoso Doutor, EPGE/FGV EPGE/FGV
(140) Ricardo A. de Castro Pereira Doutor, EPGE/FGV CAEN/UFC
(141) Ricardo D. O. Brito Doutor, EPGE/FGV Insper
(142) Ricardo de Abreu Madeira PhD, BU FEA/USP
(143) Rinaldo Barcia Fonseca Doutor, Unicamp Unicamp
(144) Roberto Ellery Jr Doutor, UnB UnB
(145) Rodrigo de Losso da Silveira Bueno PhD, Chicago FEA/USP
(146) Rodrigo Lanna Franco da Silveira Doutor, USP IE/Unicamp
(147) Rodrigo Moita PhD, Illinois Insper
(148) Rodrigo Nobre Fernandez Doutor, UFRGS UFPel
(149) Rodrigo R. Soares PhD, Chicago EESP/FGV
(150) Rogério Mazali PhD, Tulane University UCB
(151) Rogério Moreira de Siqueira Mestre, CAEN/UFC UFC
(152) Romero Cavalcanti Barreto da Rocha Doutor, PUC-Rio UFRJ
(153) Ronald Otto Hillbrecht PhD, Illinois PPGE/UFRGS
(154) Rozane Bezerra de Siqueira PhD, UCL UFPE
(155) Ruy Monteiro Ribeiro PhD, Chicago PUC-Rio
(156) Sabino da Silva Porto Júnior Doutor, PPGE/UFRGS UFRGS
(157) Thiago de Oliveira Souza PhD, University of London Southern Denmark University
(158) Tiago V. de V. Cavalcanti PhD, Illinois University of Cambridge
(159) Tiago Couto Berriel PhD, Princeton PUC-Rio
(160) Vander Mendes Lucas PhD, Université Catholique de Louvain UnB
(161) Vinicius Carrasco PhD, Stanford PUC-Rio
(162) Vitor Borges Monteiro Doutor, CAEN/UFC FEAAC/UFC
(163) Vitor Hugo Miro Couto Silva Mestre, CAEN/UFC UFC
(164) Walter Novaes Filho PhD, MIT PUC-Rio

O prazo para aderir a este manifesto se encerrou às 16h do dia 14 de outubro de 2014. Agradecemos as manifestações de apoio e encorajamos a divulgação deste manifesto.

Contato: manifestoprofecon@gmail.com 

Original: https://sites.google.com/site/manifestoeconomistas/

Transporte individual ou transporte coletivo?

Meu amigo Emerson Amélio compartilhou no Facebook a imagem que ilustra este artigo. Eu já escrevi sobre isso antes, mas acho que cabe voltar ao tema. Eu ABOMINO o transporte coletivo no Brasil. Por quê? Porque é um lixo.

Transporte coletivo

Com meu carro eu saio de casa na hora que eu bem entendo, vou para onde eu bem entendo e volto quando eu quiser. Com o transporte coletivo eu só posso sair de casa na hora que passa o coletivo, só posso ir para onde o coletivo me leva e tenho hora para voltar.

Com meu carro eu viajo sentado, com a temperatura interna que eu escolher para meu veículo, no maior conforto, em silêncio ou ouvindo a música que eu escolher. Com o transporte coletivo eu posso ter que viajar em pé, apertado como uma sardinha numa lata, com algum fedorento tocando funk num celular esganiçado a meu lado.

Com meu carro eu posso ir ao supermercado, encher o porta-malas, trazer as compras em segurança para casa e descarregar tudo com calma e segurança. Com o transporte coletivo eu só posso comprar aquilo que puder carregar com as mãos, tenho que levar tudo no colo e atravessar o coletivo com tudo na mão, com dificuldade e incomodando os outros, podendo ainda ter algum item furtado no processo.

Liberdade, conforto, praticidade e segurança. Em todos estes itens o automóvel particular supera o transporte coletivo. Por isso as pessoas preferem ter um carro.

E como os governos no Brasil tratam essa questão? Para forçar o uso de transporte coletivo, ao invés de melhorar o transporte coletivo, eles tratam de encarecer e dificultar o transporte individual. Ou seja, ao invés de oferecer uma solução melhor, para que o cidadão passe a preferir o transporte coletivo, os governos tratam de piorar a solução que o cidadão prefere para que ela se torne insuportável e insustentável.

Se os governos implantassem bons sistemas de transporte coletivo, não seria necessário inventar pedágios, áreas de estacionamento rotativo pagas em vias públicas, rodízio de placas e tantas outras gambiarras para tomar dinheiro do cidadão e infernizar sua vida. A escolha pelo melhor método de transporte é natural. O fato de todo mundo preferir o automóvel particular somente atesta como nossos governos são incompetentes – ou safados, porque quase todas as “soluções” passam por encarecer artificialmente o transporte individual. 

Então, a julgar especificamente pelo sistema de transporte preferido, país desenvolvido não é aquele onde quem quer que seja usa o transporte coletivo. País desenvolvido é aquele em que o governo oferece soluções tão boas de transporte que o cidadão não enfrenta problemas de transporte, nem precisa ficar discutindo “o que as pessoas deveriam fazer”, por terem diversas opções que lhes garantem liberdade, conforto, praticidade e segurança sem criar problemas para terceiros ou para o funcionamento do sistema de transporte como um todo. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/10/2014 

O que um indivíduo bom pode produzir em associação com um grupo mau?

Este esclarecimento foi postado originalmente no Facebook, como metáfora para “um bom candidato em um mau partido”. Todo mundo que “vota na pessoa, não no partido” deveria ler. 

A ovelha branca

Você sabe como é que o tráfico de drogas e armas domina uma favela? Às vezes é pela sedução, às vezes é pela persuasão, às vezes é pela ameaça, às vezes é pela força. Quando os chefes são uns brucutus, eles vão direto pela força. Quando os chefes são um pouco mais esclarecidos, eles vão tentando dominar usando estas estratégias na ordem em que eu as citei. Custa muito menos pagar uns medicamentos pro filho asmático da Dona Maria do que gastar latim explicando pra Dona Maria a geopolítica do morro. Custa muito menos explicar a geopolítica do morro do que deixar claro pra Dona Maria que bugio que muito ronca está pedindo chumbo. E custa muito menos esclarecer esta realidade “ecológica” do que meter porrada ou tiro na Dona Maria. 

Quando uma quadrilha que domina um território possui alguns elementos que fazem “relações públicas” para seduzir as Donas Marias, os conflitos com os moradores diminuem, deixam de ocorrer crimes contra os moradores, a polícia aparece menos, os clientes circulam sem medo, as crianças podem jogar bola na rua até de noite sem correr risco algum… E a população chega a ter a mais profunda convicção de que o tráfico é uma força benigna, que lhes trouxe segurança, respeito e amor-próprio. 

Quanto mais “honestos” e “confiáveis” são os relações-públicas da quadrilha, melhor ela se estabelece. Ingenuidade é acreditar que um sujeito que faz isso, por mais bem intencionado que seja, e de fato o sujeito pode ser ele próprio um ingênuo bem intencionado, esteja fazendo algum benefício real e de longo prazo para a população que não integra a quadrilha. Muito antes pelo contrário, ele só está reforçando o sucesso dos verdadeiros objetivos do grupo. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 06/10/2014 

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SIMPLES-02

7. Clique no link “Syndication” na coluna da esquerda.

SIMPLES-03

O NetworkedBlogs vai pedir algumas permissões.

8. Clique em “Grant Permissions” e depois dê OK para tudo que ele pedir.

SIMPLES-04

Depois de dar as permissões, você tem que mandar o NetworkedBlogs fazer o que você acabou de permitir que ele faça. Ignore quando ele disser “Done” (“pronto”). Ele diz isso antes da hora. Siga as instruções até o fim, ou não vai funcionar. 

9. Selecione o Pensar Não Dói na caixa de diálogo “Choose a blog to syndicate”. 

10. Clique em “Add Facebook Target”. 

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O NetworkedBlogs ainda vai pedir mais uma confirmação. 

11. Clique em “Add”

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Agora sim está pronto!

12. Verifique se deu tudo certo. Clique em “Close”, depois clique em “Publish Test Post” e finalmente clique em “Click to View” para ver o resultado em sua Linha do Tempo. Se não aparecer uma postagem com o link para o blog em sua Linha do Tempo, é porque alguma coisa deu errado e é necessário refazer todo o percurso.  

Muito obrigado por divulgar o Pensar Não Dói! 

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Avisos:

1) Ninguém concorda com 100% do que outra pessoa pensa. É 100% certo que às vezes eu vou escrever algo de que você discorda. Quando isso acontecer, você pode simplesmente comentar “desta vez eu discordo do Arthur” ou pode deletar o artigo de sua Linha do Tempo. Por mim, tudo bem. Mesmo. 

2) Se alguém em sua Linha do Tempo reclamar dos meus artigos, você pode dizer que os divulga automaticamente porque é meu amigo, ou porque em geral os considera interessantes, ainda que discorde de vários deles, e que quem não quiser ler os meus artigos só precisa não clicar neles. 

3) Se você quiser deixar de compartilhar automaticamente os artigos do Pensar Não Dói, tudo o que precisa fazer é abrir seu Facebook em uma outra janela ou aba, depois voltar e clicar aqui e então clicar em “Remove” na janela ou aba que será aberta. É muito mais fácil desfazer do que fazer. 

4) Este artigo será republicado a cada dez artigos publicados. Divulgar Não Dói. ;-)

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 06/10/2014 

Breve divagação sobre a confiabilidade do conhecimento no discurso não acadêmico

Se para toda afirmação tivéssemos que trazer citações revisadas por pares da academia, mal sobraria 0,001% da blogosfera e de todas as conversações imagináveis. Esse não é o nível de rigor padrão, esse é o nível de rigor da academia, que tem propósitos bem específicos e que representa (ou deveria representar) a vanguarda do conhecimento válido. 

Jesus Cristo citação

Uma vez que o conhecimento de vanguarda tenha sido validado, ele é assimilado pelo senso comum, em cascata, das classes intelectualmente mais refinadas para baixo, eventualmente sofrendo distorções pelo caminho. Por isso a confiabilidade do conhecimento no discurso – e não somente a clareza – costuma ter uma forte correlação com a articulação do interlocutor, desde que haja honestidade intelectual. 

Em um círculo de interlocutores com um bom grau de articulação, a confiabilidade do conhecimento costuma ser aferida diagonalmente, através da avaliação da coerência do discurso, sendo eventualmente reforçada com citações quando a coerência do discurso não é percebida como suficiente para a confirmação do conteúdo, o que ocorre com freqüência quando alguém apresenta alegações estranhas ao senso comum daquele círculo de interlocutores. Este processo costuma funcionar bem, dado que em geral existe uma grande intersecção entre os conhecimentos de diversos interlocutores que compartilham de uma cultura comum. Repetindo: desde que haja honestidade intelectual. 

Normalmente está disponível um passo anterior à busca de citações que resolve a maioria das divergências conceituais: o próprio diálogo sobre os conceitos, ou o estabelecimento de uma fonte fiável para ambos os interlocutores para sincronizar os conceitos – papel em geral muito bem exercido pelos dicionários melhor conceituados, ou, no mundo da internet, eventualmente pela Wikipédia, por um site de universidade famosa ou por um site de um portal de notícias de grande porte. Na maioria das vezes isso é suficiente. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 04/10/2014

Nova mudança

Toda vez que eu me mudo eu deixo o blog uma semana ou duas parado. Não gosto de fazer isso, mas é natural, eu preciso de um tempo de aclimatação para voltar a escrever. O notebook acaba sendo a última coisa que sai das caixas. Desta vez não foi diferente, mas tudo já está de volta ao normal. 

ACME

Mudei de cidade de novo porque o projeto que fui desenvolver não deu certo. Estava tudo muito bem planejado, eu devia estar produzindo mariscos na Enseada de Brito, mas as limitações que me foram impostas eram inaceitáveis. Depois de ter vivido acampado por dois anos, de ter me estressado a níveis estratosféricos, de ter sido hospitalizado em função de problemas de saúde decorrentes do stress e de ter desistido do meu emprego para ir produzir mariscos, ter que ou morar em uma barraca ou alugar uma casa a três quilômetros do local de produção e arrebentar o carro todos os dias em uma estrada ruim eram condições intoleráveis. 

Eu planejei e acalentei este sonho por sete anos, abandonei toda uma vida e minha única fonte de renda para tocar este projeto e em três ocasiões distintas meu sócio me disse que eu “queria as coisas rápido demais” e que “primeiro a gente toca a produção, depois, conforme os resultados, a gente vê como fica a tua situação aqui”. Peraí! No mínimo mais um ano acampado e vivendo mal para então “quem sabe”  poder começar a viver sem desconforto??? Não, sinto muito, mas eu mereço mais do que isso. Depois a gente vê como fica esse acordo, vê o que dá pra repactuar, mas eu não larguei toda a minha vida para viver pior do que estava, nem mesmo por um único dia. 

O lugar onde eu morei durante este ano e meio não era onde eu queria estar, portanto. Nunca foi. Este tempo foi suportável apenas porque estava morando com meus pais e tinha uns poucos bons amigos em volta. Mas não era um ambiente estimulante e não oferecia quaisquer oportunidades econômicas. Um mini-pântano, um lugar estagnado. Não dava para ficar lá. 

Se eu não podia estar onde eu queria estar e tinha que ficar onde não queria ficar, era hora de mudar de rumo de novo. Uma nova mudança, um novo local de trabalho, um novo projeto de vida.

Milagres não existem, nós é que temos que fazer as coisas acontecerem. E isso requer ousadia e determinação. Não se pode ter medo de se livrar do que não está funcionando e de enfrentar novos desafios. E foi isso que eu decidi fazer.

De volta à vida. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 1°/10/2014 

Educação e honestidade intelectual

Você lembra do artigo “Metatolerância“? Pois bem, caiu a ficha aqui que aquela tabela-verdade pode ser muito útil aqui no blog. Eu deveria seguir meus próprios conselhos, certo? 

Olhe o que esse cara postou no artigo Os custos da cultura do Brasil (já deletei o comentário lá):

Educação é bom e preserva o comentário

Veja bem: um sujeito anônimo já chega chamando o autor do blog de ignorante (o que é falta de educação) e lança a afirmação maldosa “quanta dificuldade para entender que instituição financeira não é bagunça” (o que é falta de honestidade intelectual). 

Você mesmo pode verificar: em que momento eu falei qualquer coisa que possa ser confundida com “bagunça”? Leia aquele artigo e volte aqui. 

[Pausa para a leitura do artigo Os custos da cultura do Brasil.] 

Leu? Não tem nada lá que sugira que eu queira “bagunça”, certo? Muito antes pelo contrário, eu reclamei da cultura de bagunça, de falta de planejamento, de ineficiência e de gambiarra do Brasil. E no entanto o troll anônimo maldosamente tentou fazer parecer como se eu fosse um simples baderneiro incapaz de aceitar regras supostamenterazoáveis. Além de grosseiro, ele foi nitidamente mal intencionado. 

O problema é que tem muita gente desavisada por aí que morde esse tipo de isca – ou finge morder. Aí o interlocutor honesto fica na defensiva, o mal intencionado se diverte distorcendo tudo e lançando acusações sem o menor compromisso com a verdade, a claque do mal intencionado dá suporte ao estratagema e os desavisados acabam dando razão a quem não tem. Hoje em dia isso é um padrão recorrente e muito freqüente. 

Se o interlocutor honesto se preocupa em explicar tudo direitinho, para ter certeza de que não será mal compreendido, está ralado. Simplesmente não é possível: o arsenal de perversões de um interlocutor mal intencionado é inesgotável, todo safado na internet tem sua claque e o desavisado dificilmente percebe a tramóia ou aceita o alerta. Portanto, não adianta nem tentar. 

Então… O que fazer? 

Bem, no início deste artigo eu disse que eu deveria seguir meus próprios conselhos e é isso que eu pretendo fazer. Para o azar dos trolls, uma vez eu escrevi um artigo intitulado “Civilidade nem que seja na porrada“. Vou ter que mostrar que acredito no que escrevo e deletar os comentários em que detectar falta de educação ou falta de honestidade intelectual, como o que ilustra este artigo. 

Será esta a solução ideal? Não, eu acredito que não. Eu preferiria mil vezes jamais ter que deletar um comentário, até mesmo para não correr o risco de interpretar errado o que alguém disse e deletar um comentário legítimo, o que certamente vai acontecer uma vez ou outra. Mas este é o problema de viver em um ambiente de fracasso: nada funciona como deveria – e há um preço a pagar por isso, até mesmo (ou principalmente) ao se defender a boa educação e a honestidade intelectual. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 19/09/2014 

A satanização do setor privado

Você é empreendedor? Empresário? Trabalhador assalariado? Dependente de trabalhadores assalariados? Pois então deveria ler com atenção este editorial da RBS, publicado em Zero Hora e no Diário Catarinense em 15/09/2014. Os meus comentários seguem mais abaixo. 

devil

A satanização do setor privado

Os ataques à livre-iniciativa, como se os interesses de quem produz não convergissem com os da sociedade, apenas confundem o debate de ideias na campanha eleitoral.

Na tentativa de atacar ideias e propostas dos adversários, parte da propaganda eleitoral vem apresentando, de forma depreciativa, o que seria a representação de executivos, empresários e banqueiros contrários aos interesses do país. São ataques articulados pela campanha do PT, que provocam natural desconforto entre quem empreende. O setor empresarial não é, no Brasil e em lugar algum em que prevaleça a livre competição, inimigo da população. É uma visão não só equivocada, mas eticamente condenável, sob qualquer aspecto, por tentar induzir ao erro de que a iniciativa privada estaria em desacordo com demandas e expectativas da sociedade.

Esperava-se que tal visão estivesse há muito superada. O setor produtivo se submete, nas democracias, às regras da competição e, se cometer desvios de conduta, é penalizado por leis e normas reguladoras presentes em todas as atividades. Atribuir aos empresários uma antipatia por programas sociais, como insinua a propaganda petista, é um desserviço ao esclarecimento das propostas dos candidatos e uma contribuição aos que apostam na confusão como tática de campanha.

É no mínimo estranho que, em uma das propagandas, crítica à proposta do PSB para um Banco Central independente, apareçam pessoas que seriam banqueiros sorrindo, ao mesmo tempo em que um locutor afirma que a ideia representa uma ameaça aos trabalhadores. Em outro comercial, sobre a controvérsia em torno do pré-sal, executivos apertam-se as mãos, porque isso representaria corte de R$ 1,3 trilhão da área da saúde.

Acusações sem base na racionalidade repetem-se a cada eleição, mas não podem ser vistas com naturalidade. Não é razoável que um partido insinue, sem contestação, que pessoas ligadas ao setor produtivo e mesmo à área financeira tenham interesses desconectados do contexto nacional. É óbvio que cada atividade tem suas peculiaridades e que empreender significa almejar resultados econômicos. Se não fosse assim, não haveria produção, emprego, renda, impostos e compartilhamento de ganhos sociais.

A tentativa de satanizar o lucro é tão anacrônica quanto a que, em décadas passadas, defendia o fim da concorrência pela estatização da produção e dos serviços. A evolução da democracia brasileira poderia dispensar esse tipo de argumento, especialmente num momento em que o governo se esforça para acalmar os empresários, diante da queda do nível de confiança dos setores industrial e do comércio e da frustração de expectativas. 

Fonte: Zero Hora, Diário Catarinense(Os grifos são meus.)

AGL

O editorial da RBS é “polticamente correto” em demasia e acaba não deixando claro aquilo que deveria: o PT, finalmente ameaçado por um adversário com chances eleitorais após uma década enfrentando apenas picolés de chuchu, está finalmente voltando a mostrar verdadeira cara, botando suas garras socialistas/comunistas para fora e declarando seu ódio ideológico à livre iniciativa e ao empreendedorismo, como era no princípio, agora e sempre. 

Um país cujo governo demoniza o setor privado é um país destinado à miséria. Miséria cultural, porque o povo se torna inimigo dos geradores de riquezas; miséria econômica, porque sob tal cultura somente os piores tubarões se mantém no mercado; miséria moral, porque “em casa onde não há pão, todos brigam e ninguém tem razão”; e miséria política, que reforça o ciclo de degradação geral, porque, para controlar uma população em franca decadência cultural, econômica e moral, é necessário cada vez mais mentiras e abusos. 

O processo pelo qual o Brasil está passando é muito semelhante ao que aconteceu na Venezuela. Tanto Hugo Chávez quanto Lula se elegeram com um discurso populista, demonizaram o setor privado e implementaram políticas econômicas coitadistas e cleptocráticas. E tanto Nicolas Maduro quanto Dilma se elegeram à sombra do “grande líder” e viram o resultado real das políticas desastrosas implementadas por seus partidos produzirem seus legítimos frutos – verdadeiros desastres.

Venezuela e Brasil enfrentam recessão econômica, redução da produção, aumento do desemprego e aumento da inflação. Lá e aqui os governos debocharam das manifestações populares de descontentamento e seus asseclas fizeram todo o possível para deslegitimar os manifestantes. A única diferença é que o Brasil é muito maior que a Venezuela e portanto tem uma inércia econômica muito maior antes que a corrosão das bases da economia e a corrupção endêmica produzam aqui os mesmos efeitos que produziram lá, onde faltam até mesmo papel higiênico e margarina nos supermercados. 

O governo da Venezuela, depois de demonizar, sobretaxar, obstaculizar, super-regulamentar e ofender de todos os modos possíveis e imagináveis o setor privado da economia, agora reclama que há desabastecimento e impõe controle de consumo, proibindo que o mesmo cidadão compre as quantidades que deseja dos produtos que estão desaparecendo das prateleiras. Mas quem haveria de querer empreender em um ambiente político tão francamente hostil ao empreendedor? 

O governo do Brasil, amigo do governo da Venezuela, amigo de todas as ditaduras do planeta, coligado com partidos socialistas e comunistas e abrigo de toda pseudo-intelectualidade marxista que acha lindo dizer que odeia a classe média, está agora mostrando, na campanha eleitoral, que possui a mesma matiz ideológica de seus amigos e que odeia igualmente a iniciativa privada, geradora de riquezas e de empregos. Quem age do mesmo modo pretende obter resultados diferentes? 

É óbvio que o setor privado precisa ser regulamentado e que a instituição legítima para promover esta regulamentação é o Estado, que representa o conjunto de todos os cidadãos de uma jurisdição territorial. Porém, quando um governo demoniza abertamente o setor privado, como faz o governo do PT, podemos ter certeza de que toda regulamentação que esse governo venha a produzir não terá por objetivo promover o desenvolvimento e o progresso, mas a submissão a seus delírios ideológicos e desmandos cleptocráticos. 

Manter o PT no governo é uma garantia de fracasso para o Brasil. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 16/09/2014 

Pausa para o exorcismo

O autor deste blog comunica aos amigos e leitores que estará fora do ar (o autor, não o blog) durante este final de semana para o exorcismo dos Demônios da Imbecilidade. 

Dogbert

Esta medida drástica se fez necessária devido à incauta exposição seqüencial do autor ao Banco do Brasil e ao DETRAN em um período inferior a 48h. 

A toxicidade da imbecilidade foi tão grande que o fígado do autor quase saiu pela boca para escrever um artigo no blog. Como medida de segurança, para manter o blog com classificação “livre para todas as idades”, o autor decidiu vestir uma camisa-de-força e uma mordaça e está ditando este artigo em Código Morse para uma secretária: rosnado longo, rosnado curto, rosnado curto, rosnado longo… 

Assim que o autor parar de babar bile, voltaremos com nossa programação anormal. Enquanto isso, tomara que chova enxofre. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 12/09/2014