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Do estupro ao linchamento

Toda esta celeuma em função do caso Mariana Ferrer acabou levando, quem diria, à demissão do Rodrigo Constantino da Jovem Pan e da Record e a um verdadeiro linchamento virtual do sujeito. Aproveito a ocasião para trazer uma reflexão a este abandonado blog.

1. Quem está dizendo que ele fez “apologia à violência contra a mulher” está dizendo bobagem. Não foi isso o que ele disse e não passou nem perto disso. O problema foi outro, bem grave, que eu comento no item 3. Mas fique atento, porque o item 5 é o ponto central deste artigo e é muito mais importante.

2. Eu reuni as falas dele de dois sites:

No UOL tem este trecho: “Se minha filha chegar em casa, isola [ele bate na madeira]… Mas se a minha filha chegar em casa –e eu dou boa educação para que isso não aconteça, mas a gente nunca controla tudo–, se ela chegar em casa um dia dizendo: ‘Pai, fui para uma festinha, ah, fui estuprada’. [Eu perguntaria]: ‘Me dá as circunstâncias’. ‘Ah, fui para uma festinha, eu e três amigas, tinha 18 homens, nós bebemos muito e eu estava ficando com dois caras, e eu acabei dormindo lá e eu fui abusada’.” (link)

Na IstoÉ tem este trecho: ““Ela vai ficar de castigo feio, eu não vou denunciar um cara desses para a polícia, eu vou dar esporro na minha filha, que alguma coisa ali ela errou feio e eu devo ter errado… Para ela agir assim!”, declarou o jornalista. Rodrigo continua: “É um comportamento absolutamente condenável, só que a gente não pode falar mais essas coisas hoje em dia. Existe mulher decente também ou piranha. Não existe a ideia de mulher decente? As feministas querem que não [exista a ideia]”, diz.” (link)

Então, claramente não houve “apologia à violência contra a mulher”, porque ele nem sequer estava falando a respeito do ato cometido pelo abusador, ele estava comentando o que ele considera ser o erro de quem se coloca na situação que ele descreve – uma situação de promiscuidade e vulnerabilidade que ele considera que deve ser evitada.

3. O problema maior da declaração do Rodrigo Constantino, e isso deveria ser óbvio, não é o fato de ele reprovar o comportamento promíscuo e a sujeição voluntária a situações de vulnerabilidade facilmente evitáveis. O problema é que, ao dizer que “eu não vou denunciar um cara desses para a polícia, eu vou dar esporro na minha filha, que alguma coisa ali ela errou feio” é que ele retira a responsabilidade do crime da pessoa que cometeu o abuso para colocar na pessoa que sofreu o abuso! E isso, convenhamos, além de injusto e juridicamente incorreto, é patético!

É óbvio que todos temos que tomar cuidado para não nos colocarmos em situações de vulnerabilidade. Você sai sozinho a pé, com dinheiro na mão, abanando aos quatro ventos, em locais ermos onde sabidamente existe alta criminalidade? Não, né? Você nem sequer dirige sem cinto de segurança, porque sabe que precisa se proteger tanto dos acidentes quanto das multas. Você toma medidas de segurança todos os dias, desde amarrar o cadarço dos tênis até usar máscara para se proteger do SARS-CoV-2. Você sabe que não adianta dizer para o vírus que você “tem o direito constitucional à saúde”, porque o vírus não está nem aí para os seus direitos – assim como os agressores, os ladrões, os abusadores sexuais, os homicidas e todo tipo de criminosos não estão nem aí para os seus direitos. Você sabe que precisa tomar cuidado.

Se você sabe tudo isso, você compreende perfeitamente que o problema da fala do Rodrigo Constantino não é a parte em que ele diz que, naquele exemplo hipotético, a filha dele não deveria se expor a tamanho risco. Isso é óbvio: ela não deveria, mesmo, porque ali pode ter alguém com COVID-19, ali pode ter algum ladrão, ali pode ter um abusador sexual e ali pode ter um assassino. O exemplo critica uma mancada – e essa mancada não tem nada a ver com moralidade e sim com falta de senso de segurança, com uma falha grave em sua estratégia de autopreservação. O problema da fala do Rodrigo Constantino foi a aberração de retirar a responsabilidade do crime do perpetrador e colocar a responsabilidade do crime na vítima.

4. Esta não é uma reflexão sobre moralidade, nem pode ser levada para este lado. Além de intolerante, essa postura seria contraproducente, porque desviaria as pessoas dos verdadeiros tópicos sobre os quais deveríamos estar discutindo: autopreservação, correta atribuição de responsabilidade pela própria segurança, correta atribuição de responsabilidade pela perpetração de crimes, racionalidade e razoabilidade das análises e legitimidade da atuação dos agentes públicos, que precisam, sim, ser responsabilizados por suas atitudes no exercício de suas atividades.

Se a pessoa daquele exemplo hipotético tivesse feito tudo o que o Rodrigo Constantino disse, porém com um segurança contratado para ficar sóbrio e garantir a segurança dela e dos bens dela, eu diria: OK, agora podem discutir o aspecto moral, pois ela está segura.

Se o Rodrigo Constantino naquele exemplo hipotético tivesse condenado veementemente o abusador, independentemente da questão da moralidade da vítima, eu diria: OK, agora podem discutir o aspecto moral, pois a responsabilidade quanto ao crime está clara e corretamente atribuída ao perpetrador, não à vítima.

5. Desgraçadamente, porém, quando rola um assunto desse tipo – assuntos que eu chamo de “desligadores de cérebro” – todo mundo para de pensar, para de raciocinar, para de ouvir, para tudo, e desembesta feito manada na direção de algum linchamento. E linchamentos, como a história tristemente mostra, muitas vezes cometem barbáries ainda piores que os crimes originais… Tanto contra culpados quanto contra inocentes.

Não interessa se o linchamento é do perpetrador de um crime bárbaro, de um canalha que se vendeu no exercício da profissão, de um imbecil que disse alguma coisa estúpida numa entrevista ou de um inocente hipotético que estava no lugar errado, na hora errada, ou foi confundido com alguém, ou foi mal compreendido. Tanto faz. O que interessa é que hoje em dia existe uma tendência abjeta de retorno aos linchamentos – factuais, profissionais, sociais ou morais – e essa aberração precisa ter fim o quanto antes. Temos que promover o exercício da razão e da sensatez, porque elas são as únicas coisas que nos protegem da nossa própria barbárie. E, você pode ter absoluta certeza, um ambiente de barbárie uma hora se volta contra cada um de nós, independentemente da atitude original de cada um.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 05/11/2020

P. S.: Só para deixar bem claro, já que teve quem questionasse… A minha opinião sobre o Rodrigo Constantino é muito ruim. O Rodrigo Constantino tem se estragado ano após ano, assumindo posições desumanas e abjetas tanto em relação à economia quanto em relação aos costumes. Minha análise se divide em dois momentos. No primeiro momento, procura separar a parte do discurso dele que é óbvia (quando ele diz que a filha deve ter cuidado consigo mesmo) da parte do discurso dele que é ideologicamente pervertida e voltada para atiçar sua pior plateia (quando ele diz que não denunciaria o abusador). No segundo momento, procura chamar a atenção para a necessidade de usar a razão e a sensatez perante qualquer acontecimento com forte conteúdo emocional, pois estamos em uma época em que gente demais acha que a primeira emoção que sente é suficiente para determinar com precisão tudo o que aconteceu no mundo, julgar com correção e até executar sua própria sentença com suas próprias mãos. Tenha discernimento. Pensar Não Dói.

Carne vermelha faz bem à saúde

Carne vermelha é o alimento mais saudável que existe para os seres humanos. Nós evoluímos comendo isso há cerca de um milhão de anos, muito antes de sermos humanos.

Quando a floresta africana se perdeu e deu lugar ao deserto do Saara e às savanas subsaarianas, a espécie ancestral à humana teve que descer das árvores, onde comia frutos silvestres e caçava pequenos animais, entre eles aves e seus ovos, e desenvolver o bipedalismo e a habilidade de utilizar bastões para espancar as hienas e roubar a carniça que elas comiam. Há vários vestígios fósseis de ossos roídos tanto pela dentição das hienas quanto pela dentição humana que comprovam isso. E necessariamente a última mordida foi humana, pois as hienas devoram os ossos até o fim.

Ao longo do tempo, os bastões foram aperfeiçoados e surgiram as lanças. As lanças foram a única ferramenta utilizada pelo ser humano por centenas de milhares de anos, sem que haja registro de qualquer instrumento de escavação, ou cestas trançadas, ou mochilas de pele, nada que permitisse escavar raízes com alto conteúdo de amido ou transportar ou estocar uma quantidade de frutos maior do que a que poderia ser carregada nas mãos. Isso indica claramente que a alimentação humana foi carne vermelha suplementada eventualmente por frutos silvestres durante a quase totalidade da evolução humana. E foi a descoberta e domínio do fogo que permitiu assar a carne e com isso estocar a carne por mais tempo, reduzir a quantidade de doenças parasitárias e aumentar a biodisponibilidade das proteínas de alta qualidade necessárias para fazer funcionar e evoluir um cérebro tão complexo quanto o humano.

Portanto, ao contrário do que dizem os vegetarianos, os veganos e a maioria dos nutricionistas e dos médicos, simplesmente não é possível nem razoável que carne vermelha faça mal à saúde humana. Pelo contrário, ela é nosso melhor alimento e deveria ser nosso principal alimento.

Cereais integrais ou refinados e amido só entraram na dieta humana nos últimos dez a seis mil anos, conforme a região, com a invenção da agricultura, e os registros arqueológicos mostram que isso causou grande mortandade por doenças novas, queda da estatura média, enfraquecimento dos ossos, um imenso aumento da quantidade de cáries e da perda de dentes e uma significativa redução da expectativa média de vida para os indivíduos que chegavam à idade adulta.

Você quer se tornar mais saudável? Coma mais carne vermelha, mais peixes e frutos do mar, mais frutos silvestres com baixo índice glicêmico (o que exclui direto banana, laranja e maçã) e elimine os cereais, integrais ou refinados, as raízes, tubérculos e amidos (sim, isso inclui batata, aipim, arroz e feijão) e nem sequer chegue perto de açúcar, farinhas de qualquer tipo, óleos de soja, milho, girassol e canola e muito menos margarina. Para beber, água.

E não, eu não estou interessado se você vai gostar ou não vai gostar da informação. A informação correta é esta. Você come o que bem entender e você é o responsável por sua saúde. Se você quiser ouvir profissionais indulgentes com seus desejos e que dizem que “você pode comer tudo o que quiser, desde que moderadamente”, para ter um aval profissional para arrebentar sua saúde e reduzir sua longevidade em nome da sua conveniência, do seu paladar e de sua autocondescendência, é uma escolha totalmente sua.

Eu sou um cientista, não sou um autor de livrinhos de auto-enganação, nem dependo de deixar meus clientes contentes porém iludidos para que eles voltem a consultar comigo quando seus problemas de saúde continuarem ou se agravarem. Eu lhe contei o que a melhor ciência sabe. Você decide no que ou em quem acreditar e o que fazer da sua vida.

Boa sorte.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/08/2018.

Um novo recomeço

Hoje faço uma breve retrospectiva geral do blog. Anuncio que tornei indisponíveis TODOS os artigos publicados de 24/09/2009 a 05/04/2018. Isso tem uma razão: o blog estava parado e eu estou planejando um novo recomeço para breve. Não tenho uma data específica ainda. Mas lanço como registro um último artigo ao estilo antigo, só para matar a saudade. Quem sabe o que virá no próximo recomeço? Não perca os próximos episódios… Uma hora destas.


Desde 24/06/2009, o blog chegou em seus melhores momentos a ter uma média de mais de três mil visualizações diárias e picos de mais de cinco mil visualizações em um único dia, tendo a maior parte de seus melhores artigos sido escrita de improviso em uma sentada só, normalmente após às 22:00 e muitas vezes varando a madrugada. Foi uma época maravilhosa.

A partir do artigo “O Brasil é um pântano”, publicado em 21/05/2014, no auge do maior surto de intolerância e criminalidade institucional que empesteou nosso país por 13 anos e ainda surtirá nefastos efeitos por no mínimo outra década e meia, o blog passou a refletir o desgaste do autor. A qualidade e a frequência das postagens caiu. Foi uma época angustiante.

Finalmente, no início de 2016, o blog parou de receber atualizações por sete meses, numa tentativa de recuperar o fôlego para retomar seu caminho. Não foi suficiente. O clima de ódio, deboche, abuso e degradação generalizada da política nacional levou o autor à completa exaustão. Não havia mais debate nem troca de ideias no país, pois os arautos da chafurda moral que tomou contadas instituições e da cultura brasileira, que já vinha irrespirável desde a abjeta campanha eleitoral de 2014, acirraram de tal maneira o cultivo da depravação, do ódio e do conflito irracional no Brasil que nenhum prazer restou em tentar exercer uma atividade intelectual lúcida em público, se é que isso era possível sob o clima reinante de abominável escárnio pelo mais elementar bom senso, decência, razoabilidade e coerência.

No dia 15/01/2017, com o artigo “Passando a régua”, convencendo-se finalmente de que estava por demais indignado e talvez próximo de perder o controle emocional devido ao constante bombardeio de provocações dos MAV da vida e de ataques repugnantes que invadiam todo e qualquer espaço virtual em busca da conquista da hegemonia cultural da mais depravada ideologia que já governou este país, ou de sua nêmesis igualmente perniciosa, o autor declarou que a partir dali o blog receberia apenas atualizações eventuais. E assim o blog andou aproximadamente mais um ano, como um walking dead, até que as atualizações se tornaram tão esparsas que foi forçoso reconhecer que o blog já não existia e não tornaria a se reerguer em seu formato original.

O autor, entretanto, deve ser uma das mais teimosas criaturas que respiram sobre este planeta. Não desistirei jamais de cultivar com todas as minhas forças os valores iluministas. Não admito a condução do meu país à degradação moral, à miséria econômica e à opressão política pelos canalhas cujos adequados epítetos exigiriam linguagem chula demais para ser posta por escrito, sendo cabíveis apenas nos mais exaltados momentos da linguagem oral, quando o sangue ferve nas artérias de quem não tolera a perversão de conceitos carísssimos como ética, democracia e justiça. Não desistirei de purgar de meus próprios sentimentos o embrutecimento a que fui submetido e do qual fui impregnado pelo ambiente de pestilência ativamente cultivado por ativistas virtuais e milhares de idiotas úteis incapazes de perceber que estavam sendo manipulados para cavar o buraco que leva ao inferno no qual seriam triturados.

O obscurantismo se combate com o esclarecimento e tenho a mais profunda convicção de que cada um de nós possui uma centelha inapagável e indestrutível de dignidade, racionalidade e capacidade de contribuir para a retomada do bom combate, da reparação do mal, da reedificação da ordem e do cultivo da liberdade, do bom e do belo. E estou convicto também de que é responsabilidade de cada um de nós contribuir com as forças de que dispusermos para que o ambiente em que vivemos deixe de ser esta constante e insuportável exaltação do conflito e da animosidade e volte a ser saudável, próspero, harmônico e agradável, que é o que todos desejamos para nossas vidas.

Aprendamos por um lado com Mahatma Gandhi, negando-nos a colaborar com o inimigo, e por outro com Thomas Jefferson, que muito sabiamente esculpiu na história a noção de que “o preço da liberdade é a eterna vigilância“. É imperativo que abandonemos a tendência de “deixar para lá” quando os arautos da intolerância de todas as crenças ou ideologias plantam ventos, pois logo adiante colheremos tempestades por culpa de nossa preguiça, covardia ou completa estupidez por tolerar o intolerável sob a medíocre desculpa de que não se pode agir com intolerância contra o intolerante sob o risco de tornar-se igual à ele. Tolerar o intolerável é que torna alguém igual ou pior que o intolerante convicto.

METATOLERÂNCIA é nosso objetivo: ser tolerantes com os tolerantes e intolerantes com os intolerantes, para que ninguém imponha sua intolerância sobre nós. Urge aprender que o mérito das ações de curto prazo deve ser avaliado em função de suas consequências de longo prazo e que o mérito de ações isoladas deve ser avaliado em função de suas consequências sistêmicas. A democracia, a retidão e a paz devem aniquilar seus inimigos, impiedosa e implacavelmente, sob pena de voluntária autodestruição, seja por lamentável ingenuidade, seja por detestável pusilanimidade.

Não é fácil a tarefa das pessoas de bem. Não é fácil cultivar flores quando incendiários invadem nossos campos dia e noite e buscam incessantemente nos levar à desistência pela exaustão. Porém, permitir-se fraquejar, procrastinar ou relativizar o valor da própria autopreservação nesta declaradíssima guerra entre a leveza que desejamos e a brutalidade que nos impõem equivale à mais completa aniquilação de tudo o que nos é mais caro, porque os nossos inimigos são vigilantes, incansáveis e inescrupulosos. Quando um não quer, dois não brigam, mas um apanha. Enquanto eles existirem, o preço de nossa liberdade, de nossa harmonia, de nossa paz e de nosso bem estar é a eterna vigilância e o combate mais fulminantemente obliterador possível e imaginável das pretensões dos que tentam baixar nosso nível de ética ou de moralidade um milímetro que seja, porque amanhã haverá outro milímetro, e depois de amanhã mais um, até que as Fossas Marianas não serão profundas o suficiente para enterrar as gigantescas consequências de nossa vergonhosa complacência com o mal e o Atacama não será seco o suficiente para se comparar com nossa sede de um socorro que nunca virá. Nosso destino ou está em nossas mãos, ou está nas mãos daqueles que permitirmos que nos dominem.

Destroy the Sith we must. Omissão é suicídio, inocência é impossível, contemporização é pacto faustiano. O justo, sóbrio, decente, seguro e desejável não é um equilíbrio entre as forças da luz e as forças das trevas, mas o triunfo inequívoco da luz sobre as trevas. O direito de pensar diferente não justifica o pensar criminoso, ou maldoso, ou inconsequente, nem agir deste modo, nem justificar este modo de pensar ou agir.

Sabendo de tudo isso, nenhuma outra alternativa nos resta senão a decência, o cultivo ativo do bem, a vigilância e o implacável combate à intolerância e à perversão do que nos é digno, saudável e desejável. Você pode até tentar se iludir de que não está em guerra, mas esta opção não lhe é dada quando alguém declara guerra contra sua liberdade, sua segurança, seu bem estar, sua dignidade.

É isso o que me move a me reerguer e a utilizar as únicas armas de que disponho – as palavras e o exemplo de obstinada persistência – para chamar os amigos e todas as pessoas de boa vontade e que desejam viver em liberdade e com bem estar para abrir os olhos para nossa realidade, para compreender como de fato funciona o mundo a nossa volta e para nos organizarmos de todas as maneiras dignas possíveis para cooperar para que não sejamos nem ameaçados, nem submetidos, mas que possamos florescer sob a mais plena luz do Sol.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br –  06/04/2018

Metatolerância: teoria e prática

Metatolerância é o exercício coerente e consequente da tolerância para com a tolerância e da intolerância para com a intolerância, em busca de um mundo mais tolerante, saudável e harmônico. Sua prática requer discernimento, coragem e honestidade intelectual, mas sobretudo firmeza e implacabilidade, porque os intolerantes as possuem de sobra e os tolerantes não as possuem em suficiência.

METATOLERÂNCIA

Desde quando formulei o conceito de metatolerância, eu sabia que ele era simples, mas não era fácil. Custei para perceber o motivo, porém. Foram necessários cerca de 28 meses para que eu me desse conta de que para um intolerante é fácil fingir tolerância para com os tolerantes até o momento em que estrategicamente lhe seja benéfico abandonar o fingimento, mas para um tolerante é muito difícil exercer a intolerância contra os intolerantes a qualquer momento. Nos dois últimos dias, entretanto, caiu a ficha. Contarei o que houve. 

Anteontem um amigo (agora ex-amigo) teve um surto de estupidez fascista no Facebook. Estava lá vociferando que manifestações pacíficas eram inúteis para modificar o status quo, que era necessário apelar para a desestabilização e até para a violência, etc. Quando eu vi aquilo, dito de maneira histérica e ridícula, eu caí na risada e entrei na discussão para zoar com o sujeito. Não me incomodei em nada, porque não tinha o menor respeito pelas bobagens que ele estava dizendo.

Ontem, depois de ele me ofender, me ameaçar de espancamento, empalamento em praça pública e sei lá mais o que, eu percebi que tudo aquilo era realmente a sério – ou, se não era, a brincadeira estava longe demais. A discussão desde sempre foi uma baixaria, com troca de ofensas de ambos os lados, mas até então eu estava levando na brincadeira e achando graça. Afinal, tudo o que ele dizia era tão estapafúrdio, tão cheio de clichês esquerdistas abjetos e absurdos, que eu não tinha como levar a sério. Para mim era só uma guerra de torta. Naquele momento, entretanto, eu percebi que tinha tomado a intolerância dele por deboche, caiu a ficha do quanto ele estava perturbado e avisei o sujeito: “cara, tu estás doente”. Obviamente, foi inútil.

Hoje a coisa continuou e o cara continuou a lançar ataques pessoais. Eu respondi mantendo o foco na situação do Brasil, que foi roubado e falido pelo partido dele. Citei as condenações por corrupção e as imensas cifras já recuperadas, coisa que seria impossível caso não tivesse havido a corrupção e o roubo. A resposta dele invariavelmente foi me chamar de coxinha, idiota, palhaço, dizer que amigos meus falam de mim pelas costas (defeito meu ou deles?), que eu não entendo nada de antropologia, sociologia e história (leitores antigos rindo neste momento) e que Stalin matou foi pouco.

Block neste momento.

Não, eu não fiquei irritado. Eu perdi a última gota de respeito que ainda tinha pelo sujeito.

O interessante é que também na tarde de hoje já havia acontecido outro episódio em que eu bloqueei alguém com quem estava discutindo sobre política na página de um amigo em comum. Sabem aquele sujeito que, desde o primeiro momento em que a gente lê, a gente percebe que vai ter que aturar um chato de galochas com blá-blá-blá pernóstico, pedante, citando pensadores como se fossem autoridade científica e nos acusando de falácia ao mesmo tempo? Pois bem, eu respirei fundo e encarei. O problema é que a cada postagem ele lançava uma farpa pessoal. E, lá pelas tantas, o cara me chamou de comunista.

Block neste momento.

Não, eu não fiquei irritado. Eu perdi a última gota de respeito que ainda tinha pelo sujeito.

Foi a partir deste duplo bloqueio de hoje que eu percebi qual é a maior dificuldade do exercício da metatolerância: para uma pessoa tolerante e com convicções éticas, é muito difícil ser devidamente intolerante com os intolerantes porque guardamos respeito por todo ser humano até um limite que ultrapassa muito o razoável. O sujeito mostra uma vez que é intolerante, a gente releva. O sujeito mostra duas vezes que é intolerante, a gente releva. O sujeito mostra dez vezes que é intolerante, a gente releva. Na centésima vez que o sujeito mostra que é intolerante, finalmente a ficha cai, a gente não releva, reage… E o intolerante nos acusa de intolerância! E nós nos sentimos mal por isso!

A chave do exercício da metatolerância é perder o respeito por quem mostra que não merece respeito.

Uma vez que eu perdi o respeito por ambos estes interlocutores, um intolerante de esquerda e um intolerante de direita, eu simplesmente não senti qualquer constrangimento por bloquear os dois sem avisar ou sem dar qualquer explicação. No caso do que eu não conhecia, eu não tive paciência para explicar nada. No caso do que era meu amigo, eu até pensei em escrever algo, eu até esperei alguns segundos porque ele estava escrevendo alguma coisa, mas logo me dei conta de que seria bobagem. Seria fraqueza. Eu estaria me preocupando com os sentimentos de alguém que já havia ameaçado me agredir e que dizia que eu tinha que ser empalado em praça pública. Ridículo. Gente como estes dois caras não merece nem minha compaixão, nem minha raiva, só merece meu desprezo. E foi isso que eu dei a eles, deletando-os do meu universo sem remorso.

O engraçado ou tragicômico nisso tudo é que eu vivo aconselhando que “quando uma pessoa te mostrar aquilo que ela realmente é, acredita logo na primeira vez”, mas tenho uma certa dificuldade para fazer isso de primeira, muito por medo de haver algum mal entendido. Isso e um certo sentimentalismo têm feito com que eu seja tolerante demais com os intolerantes, o que não é bom. Tolerar os intolerantes os fortalece, permite por mais tempo que eles espalhem seu veneno, gerem mal estar e promovam o embrutecimento de que gostam e no qual prosperam.

Pelo bem tanto de nossa saúde emocional como de nossa segurança social, precisamos ser mais metatolerantes: tolerar os tolerantes e não tolerar os intolerantes. Mesmo. E isso fica muito mais fácil quando entendemos que perder o respeito por alguém não significa que temos que desrespeitar este alguém e sim que não temos que respeitar este alguém. Por exemplo, deletando a pessoa de nosso universo, para que não tenhamos que lidar com sua toxicidade, ou seu vampirismo emocional. Por exemplo, não nos preocupando com o que ela pode dizer de nós após a deletarmos de nossa vida. Por exemplo, sendo mais saudável e mais feliz na total ausência dela, ou mesmo de sua lembrança.

A partir de hoje, estarei bem mais tranquilo e à vontade para ser implacável no exercício da metatolerância.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/12/2016

METATOLERÂNCIA

Não seja tolerante, seja metatolerante. Ser indiscriminadamente tolerante é contraproducente, pois aumenta a intolerância. Ser indiscriminadamente tolerante não é sabedoria, é comodismo e fuga de responsabilidade. 

METATOLERÂNCIA

Se você deseja ser coerente em sua ação no mundo, tem que agir de modo lógico. Guiar-se por wishful thinking e fórmulas prontas que não exigem discernimento e entendimento das conseqüências imediatas e mediatas de seus atos é um método perfeito para produzir o oposto do que você quer. 

Se você deseja que o mundo se torne mais tolerante, é necessário ser intolerante com a intolerância. Isso tem que ser compreendido em profundidade. Para buscar esta compreensão, vamos fazer um exercício intelectual. 

Vamos imaginar quatro cenários hipotéticos, correspondentes às quatro linhas da tabela-verdade da metatolerância, em cada um dos quais a Skynet envia alguns milhares de Exterminadores do Futuro programados para derrubar o governo e instalar a oposição no governo. 

Cenário 1

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo bem, não se mete. 

Cenário 2

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é tolerante. Olha em volta, está tudo mal, dialoga… 

Cenário 3

Os Teletubbies são o governo mundial. Os Predadores são oposição. 

O governo promove cidadania, planta flores e cria coelhinhos. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Teletubbies, empossa os Predadores. 

Cenário 4

Os Predadores são o governo mundial. Os Teletubbies são oposição. 

O governo usa os humanos como alimento para criar Aliens. 

A Skynet é intolerante. Extermina os Predadores, empossa os Teletubbies. 

Análise

No cenário 1, os humanos estão bem e continuam bem. 

No cenário 2, os humanos estão mal e continuam mal. 

No cenário 3, os humanos estão bem e ficam mal. 

No cenário 4, os humanos estão mal e ficam bem. 

Isso acontece porque, em relação à tolerância e à intolerância, ser tolerante mantém a tendência, enquanto ser intolerante inverte a tendência. 

Adotar uma postura indiscriminadamente tolerante, portanto, não leva a um aumento da tolerância, mas a simples manutenção do status quo

Adotar uma postura indiscriminadamente intolerante, por outro lado, leva à desestruturação do sistema, porque nega constantemente o status quo e produz intensa permanente instabilidade. 

Conclusão

A única postura que permite perseguir um objetivo em relação ao nível de tolerância de um sistema é a metatolerância, ou seja, a definição do objetivo de aumentar a tolerância do sistema e a conseqüente adoção da postura adequada segundo a tabela-verdade da metatolerância: ser tolerante com os tolerantes e intolerante com os intolerantes

Todavia, metatolerância requer discernimento para identificar se as posições são tolerantes ou intolerantes e reagir de modo coerente e conseqüente, coragem para combater implacavelmente a intolerância e resistir tanto às acusações ingênuas quanto às mal intencionadas quanto a seus reais propósitos e honestidade intelectual para não justificar a omissão e o imobilismo de conveniência como se fossem tolerância nem agir de modo abusivo alegando falsamente que o interlocutor ou o adversário é que são intolerantes. 

É simples, mas eu nunca disse que era fácil. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 22/08/2014 

Outro texto sobre metatolerância, com exemplos reais: clique aqui.

Entenda meu “tom apocalíptico” sobre o aquecimento global e a desestabilização climática

Se o seu filho pequeno se soltar de sua mão e correr para o meio da rua, você vai dizer docemente “meu querido e amado filhinho, por favor volte para a segurança da calçada, porque sobre a pista de rolamento existe uma grande probabilidade de um veículo automotor inadvertidamente colidir contigo e provocar danos de relativa gravidade a fatais”? Ou você vai gritar “Fulano, olha o carro! Já pra cá!” a plenos pulmões? Se você entende que a suposta ponderação da primeira hipótese é perniciosa e que a segunda hipótese não é histérica e sim realista, então já pegou o espírito da coisa.

Terra passando mal Continue reading “Entenda meu “tom apocalíptico” sobre o aquecimento global e a desestabilização climática”

Somente os ricos e os paranóicos sobreviverão!

A humanidade maneja a economia do mesmo modo que o bonequinho que ilustra meu blog maneja o serrote. A única diferença é que o bonequinho só pode prejudicar a si mesmo. Tudo no panorama político e cultural indica que as medidas necessárias para evitar um colapso climático não serão implementadas até que seja amplamente ultrapassado o ponto sem retorno. As previsões tradicionais sugerem que bilhões morrerão em função de catástrofes ambientais, mas existe um cenário alternativo ainda mais tenebroso.

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Como erradicar a dengue e a febre amarela urbanas!

Os principais métodos de combate hoje utilizados contra a dengue e a febre amarela são ineficazes. Algumas trazem o risco de produzir vítimas no processo de tentar proteger a saúde das pessoas. Outras podem causar grandes impactos ambientais. É lastimável que se insista em estratégias ineficazes ou que tragam riscos desnecessários quando há alternativas tecnológicas eficazes e seguras que poderiam resolver o problema sem riscos – ainda que pareçam um tanto exóticas. 

mosquito

Vejamos quais são as estratégias tradicionais e por que elas não são as mais recomendáveis.

Campanhas de erradicação dos focos de reprodução dos mosquitos não funcionam. Por dois motivos:

1°) Nenhuma campanha de conscientização é 100% eficiente. Sempre haverá residências em que os focos de reprodução dos mosquitos não serão eliminados. Portanto, acreditar que a mobilização popular ajudará a resolver esse problema é pura ilusão.

2°) Nem todo foco de reprodução de mosquitos é acessível ou gerenciável. Portanto, mesmo que 100% da população fosse “conscientizada” isso não se refletiria em ação eficaz.

Campanhas de erradicação dos mosquitos com uso de inseticida não funcionam. Por dois motivos:

1°) Populações de insetos adquirem resistência a venenos rapidamente. Portanto, inseticidas não podem ser a base de nenhum programa contínuo de controle populacional de insetos.

2°) A aplicação de venenos sobre as cidades traria riscos à saúde humana e vitimaria inúmeras outras espécies, destruindo o equilíbrio ecológico de grandes regiões. Portanto, haveria o risco de promover o surgimento de outras pragas.

Campanhas de vacinação não são livres de riscos e não são totalmente eficazes em curto prazo. Por dois motivos:

1°) Nenhuma campanha de conscientização é 100% eficiente. Sempre haverá quem não queira se vacinar, ou não dê importância ao tema, ou não se vacine por qualquer outro motivo. Portanto, a curva de erradicação é lenta.

2°) Vacinas podem trazer agravos à saúde de um pequeno percentual da população vacinada e podem ser problemáticas para pacientes imunossuprimidos e imunodeficientes. Portanto, se pudermos evitar confiar apenas em estratégias de vacinação, devemos fazê-lo.

A solução não deve depender de conscientização, não deve usar venenos e deve evitar confiar apenas em vacinas se possível. Existe solução assim? Existe.

Fábricas de Mosquitos

Leiam com atenção: esta é uma estratégia eficaz e sem riscos.

O melhor modo de acabar com a dengue e a febre amarela urbanas é produzir em grande quantidade mosquitos machos estéreis e liberá-los nas cidades.

Entenda por que e como funciona este método:

1°) O mosquito que pica os seres humanos é sempre uma fêmea fecundada.

2°) A fêmea acasala somente com um macho e enquanto tiver esperma dele armazenado ela não copula com outro.

3°) Quando a fêmea acasala com um macho estéril, ela põe ovos inviáveis.

4°) Existem técnicas para produzir somente mosquitos machos em grande quantidade em laboratório.

5°) Existem técnicas para esterilizar os mosquitos machos sem no entanto matá-los.

6°) Liberar mosquitos machos estéreis em grande quantidade nas zonas urbanas promoverá uma grande competição destes com os machos férteis do ambiente.

7°) Uma grande proporção de fêmeas irá copular com machos estéreis e deixar de produzir descendentes, reduzindo drasticamente a população de mosquitos já no prazo de uma geração após o início do uso do método, ou seja, em um mês.

8°) Mantendo constante a produção e liberação de machos estéreis no ambiente, a cada geração o contingente de machos estéreis representará um percentual maior em relação à população de mosquitos da região, promovendo uma redução ainda mais drástica.

9°) Como os machos não picam, não ocorre nenhum incômodo em função deste método, nem tampouco qualquer risco.

10°) Como o método não atua sobre as doenças e sim sobre os vetores das doenças, em poucas gerações de mosquitos – em poucos meses – é possível praticamente erradicar de uma só vez a dengue, a febre amarela e qualquer outra doença transmitida pelo mosquito, além de eliminar o incômodo dos mosquitos nas cidades.

Querem erradicar a dengue e a febre amarela urbanas?

Basta instalar Fábricas de Mosquitos das espécies vetores (Aedes aegypti e Aedes albopictus) e distribuir milhões de mosquitos machos estéreis pelas cidades. 

Atualização a 03/05/2014

Os mosquitos do gênero Culex transmitem a filariose, diversas arboviroses e outras doenças, além de causarem grande incômodo. Vale a pena colocá-los na linha de produção também. 

Arthur Golgo Lucas – arthur.bio.br – 25/06/2009