O macaco falante se adapta

Adaptação biológica explica muito melhor o destino de um país que consciência, engajamento e trabalho duro. Cooperação em grande escala para consertar um país é uma visão voluntarista tão equivocada quanto a idéia de que para fazer dieta basta força de vontade. A adequada compreensão da biologia por trás do processo é fundamental.

O desconhecimento da biologia por trás da maioria absoluta dos processos políticos e econômicos é típico de um ambiente cultural dominado pelas maluquices anticientíficas chamadas de “ciências humanas”. Bilhões de pessoas compartilham a ilusão de estes processos são total ou principalmente “culturais” ou “socialmente determinados”, mas não é assim que o mundo funciona. Quando se trata de grandes populações, não é a consciência que funciona. Não é o engajamento que funciona. Não é o trabalho duro que funciona. 

O que funciona é a seleção natural. 

Na Antártida, quem tem sucesso é o pinguim. No Saara, quem tem sucesso é o camelo. Cada animal se adapta a seu meio. Não há como ser diferente. O pinguim não tem como se manter hidratado num deserto de areia e o camelo não tem como se manter aquecido num deserto de gelo. Cada um deles desenvolveu uma estratégia de sobrevivência que lhe traz sucesso em um ambiente específico e não em outro, com estruturas e habilidades que são úteis em um ambiente específico e não em outro.

Do mesmo modo, em se tratando do macaco falante – uma espécie cuja estratégia de adaptação é uma inteligência que lhe permite se adaptar aos mais variados ambientes – o que ocorre é que, em um país com um certo ambiente institucional, quem tem sucesso é um tipo de macaco falante, com um tipo de caráter e um tipo de comportamento, e, em um país com outro ambiente institucional, quem tem sucesso é outro tipo de macaco falante, com outro tipo de caráter e outro tipo de comportamento. Compare a Alemanha ou a Noruega com o Brasil ou a Venezuela. Que tipo de macaco falante prospera melhor em cada um destes ambientes?

O macaco falante se adapta a seu ambiente institucional de um modo diferente de como o pinguim e o camelo se adaptam a seus ambientes físicos. A grande diferença entre o macaco falante, os pinguins e os camelos é que o macaco falante tem uma estratégia de adaptação que depende da inteligência, não da fisiologia, o que lhe permite se adaptar a uma grande variedade de ambientes, inclusive a ambientes que mudam muito rapidamente. E isso é uma ótima notícia, porque significa que é possível consertar um país muito mais rápido do que a maioria imagina.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha estava completamente arruinada, com suas cidades, estradas, usinas de energia e parques industriais destruídos pelos bombardeios dos aliados. Estava sem recursos humanos, pois grande parte da população em idade e condições de trabalhar havia sido morta. Estava sem recursos financeiros ou materiais e com uma dívida de guerra imensa. As prateleiras das lojas e mercados que ainda existiam estavam vazias e o mercado negro havia se tornado o padrão. A corrupção era imensa. Então, em junho de 1948 Ludwig Erhard implementa a reforma monetária e lança as bases da Economia Social de Mercado alemã. Ocorre um curto período de conflitos e ajustes e já em 1952 a Alemanha se torna superavitária, tendo uma elevação média de salários de 80% na primeira década e um crescimento econômico médio de 8% ao ano até 1966, quando atinge o extremamente bem sucedido Estado de Bem Estar Social que perdura até hoje. O Ordoliberalismo tirou a Alemanha do fundo do poço das ruínas do pós-guerra em três anos e a ergueu ao topo do mundo em apenas 18 anos.

Quais foram os segredos do “Milagre Econômico Alemão”? Um ambiente institucional saudável, com uma filosofia que regula tanto a produtividade econômica quanto a proteção social de modo coerente com seus objetivos.

Do lado da produção econômica, uma regulamentação forte porém desburocratizada, sem entraves desnecessários, que traz segurança jurídica e favorece o empreendedor honesto, competente e responsável e não o picareta capaz de obter facilidades através de estratégias ilícitas, o incompetente que busca proteção contra a competição ou o irresponsável que acha que tem o direito de ser melhor cuidado pelo Estado do que toma conta de si mesmo.

Do lado da proteção social, um forte investimento em educação e capacitação profissional, com programas de assistência social que garantem um nível de segurança e conforto dignos para os hipossuficientes, mas que prioriza e estimula a autossuficiência.

Esta é a lição que devemos aprender.

Precisamos construir, monitorar e manter um ambiente: 

Onde o mais honesto tenha maior facilidade de adaptação que o menos honesto.

Onde o mais competente tenha maior facilidade de adaptação que o menos competente.

Onde o mais responsável tenha maior facilidade de adaptação que o menos responsável.

Onde o tipo de caráter que consideramos decente e o tipo de comportamento que consideramos edificante sejam os mais úteis e mais admirados.

Onde há dignidade para todos, mas não há incentivos para o parasitismo.

E então deixar a seleção natural agir. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 18/03/2017 

Eu e o macaco falante

 

Volta e meia eu passo pelo macaco falante e lá está ele esfaqueando a própria perna, gemendo de dor e reclamando de como a vida é ruim para ele.

Então eu chego para o macaco falante e digo:

– Urko, para deixar de sentir dor, basta deixar de esfaquear a própria perna!

E o macaco falante responde contrariado:

– Quem você pensa que é para dizer o que eu devo ou não devo fazer?

Ou:

– Isso é a sua opinião! Você não pode querer impor sua opinião sobre os outros!

Ou:

– Isso é coisa coisa de quem odeia preto e pobre andando de avião!

Ou:

– Imposto é roubo!

E continua esfaqueando a própria perna.

No dia seguinte, lá está o macaco falante, mancando, com uma ferida infeccionada na perna, gemendo de dor.

Então eu digo:

– Eu te disse! Eu te disse! Eu te disse!

E o macaco falante responde:

– Tá vendo?! Isso é culpa sua! Você botou mau olhado! 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/03/2017

Um desabafo, uma decisão, um olhar para o futuro

Este artigo tem por objetivo servir como ponto de inflexão não apenas para a trajetória do blog Pensar Não Dói, mas para toda a minha trajetória na internet. Eu fiz muitas tentativas de corrigir a rota em meio a um grande stress pessoal e uma crescente insatisfação com a qualidade das interações que tenho obtido no meio virtual e nenhuma deu certo. Mais de uma vez eu achei que tinha encontrado um equilíbrio e no entanto saí do prumo. Minha saúde está em risco, então medidas drásticas são necessárias.

No dia 27/02/2016 eu escrevi o seguinte no Facebook:

DESABAFO

Tá difícil. Tá muito difícil.

Eu participo de uns poucos grupos de debates no Facebook. Um deles é a recriação de uma antiga comunidade do Orkut em que rola um bate-boca constante e ácido entre esquerdistas e direitistas. Como eu compartilhava os artigos do blog com frequência por lá, um ou outro se tornou leitor do meu blog.

Pois eu compartilhei lá o status em que eu questionava a estupidez da nova “lei anti-terrorismo” que define que o *mesmíssimo* ato é terrorismo se o perpetrador for ligado à Al Qaeda e não é terrorismo se o perpetrador for ligado ao MST.

Nisso veio um esquerdopata com aquele mimimi pervertido dizendo que “o MST não invade, o MST ocupa” e outras canalhices. E eu perdi a paciência e entrei com os dois pés na garganta do sujeito. Chumbo trocado: canalha pra lá, imbecil pra cá, palhaço pra lá.

Só algumas horas depois eu fui perceber que era um antigo leitor do blog que fazia tempo que não dava as caras por lá. Chato isso.

Tudo bem, o sujeito já havia abandonado o blog faz tempo, com certeza viu inúmeras postagens minhas no grupo, nunca comentou e nunca me adicionou. Na primeira vez que comentou algo, foi para exaltar o exército ilegal do PT. Não perdi nada.

O problema real foi eu ter perdido a paciência. Está difícil lidar com tanta perversão ideológica ultimamente.

O que me incomoda, obviamente, não é a divergência de idéias. É a perversão das idéias e dos argumentos. É o asco que dá ao ver a indecência virar tanto objetivo quanto método.

É uma besta defendendo a Dilma aqui e me chamando de coxinha se eu questiono, é outra besta defendendo Bolsonaro ali e me chamando de comunista se eu questiono…

É uma besta defendendo o Sakamoto, dizendo que ostentação deveria ser crime, é outra besta defendendo o Olavão, dizendo que o Obama é comunista…

É tanto retardamento e tanta polarização entre duas quadrupedices pseudo-antagônicas que se retroalimentam mutuamente como num moto-perpétuo que eu não tenho mais prazer em lançar bons debates, sabendo que tudo será arrastado para a lama da ignorância e da intolerância por essas mentes obliteradas.

O pior de tudo é que tenho amigos de longa data, pessoas que eu prezo, entre as amebas lobotomizadas dos dois lados. Gente que tem um lado bom e honesto e que no entanto defende causas que transformam meu mundo num inferno e que produziriam atrocidades se não fossem combatidas.

E são impermeáveis à razão e me acusam exatamente do que são.

Eu ainda não sei bem o que fazer, mas já entrei no processo de avaliação para tomar alguma decisão – que provavelmente terá que ser drástica e brutal, já que não é uma opção dialogar com racionalidade e razoabilidade e muito menos permitir a estes intolerantes e defensores do indefensável que continuem me embrutecendo.

Estou chegando ao limite.

–//–

Ontem, 27/02/2017, eu escrevi o seguinte no Facebook:

DECISÃO

Bem, eu cheguei ao limite. Passei mais um ano me estressando depois de escrever isso, até que num momento de raiva bloqueei justamente uma pessoa que me ajudava a divulgar meu blog por causa de um comentário estúpido.

Foi ótimo ter relido isso justo hoje. Minha decisão está tomada. Vou manter o “recesso parcial” que decidi fazer por um tempo (já definido) e então voltarei a postar com maior intensidade. E não vai haver espaço para defesas da direita e da esquerda na minha linha do tempo.

Nada de marxismo. Nada de feminismo. Nada de anarco-capitalismo. Nada de defesa do Lula. Nada de defesa do Bolsonaro. Nada de defesa do Olavo de Carvalho. Nada de falar em socialismo democrático. Nada de falar em intervenção militar constitucional.

Não quero saber destas bobagens na minha linha do tempo. Não comentem isso aqui.

Se quiserem falar sobre isso comigo em suas linhas do tempo ou em algum grupo de discussão, então me chamem com uma mensagem, não na postagem principal, que aparece na minha linha do tempo. Não vou aprovar a postagem destas coisas no meu espaço pessoal.

SE eu aceitar discutir isso noutro lugar, não vou poder reclamar. Na minha linha do tempo estes assuntos não entram mais. Minha saúde está acima de quaisquer outras considerações.

–//–

VISÃO DE MUNDO

No dia 31/10/2013, depois de muitos anos de análise, eu cheguei a uma terrível conclusão: só existem três tipos de pessoas quanto à estrutura de pensamento lógico.

O primeiro tipo são as pessoas que partem das evidências, usam o raciocínio lógico e chegam a conclusões coerentes com as evidências e com a lógica. 

O segundo tipo são as pessoas que partem das conclusões que desejam estabelecer e então selecionam somente os fatos que lhe interessam e distorcem a lógica o quanto for necessário para sustentar suas afirmações. Este tipo de pessoa é indistinguível do mau caráter.

O terceiro tipo são as pessoas que partem de qualquer lugar e não chegam a lugar nenhum, ou porque são incapazes de reconhecer evidências, ou porque possuem falhas incapacitantes na estrutura de raciocínio lógico, ou ambos. Este tipo de pessoa é indistinguível do estúpido.

E o terrível é que muitas vezes o segundo tipo é indistinguível do terceiro.

Eu não sei se as todas as pessoas do segundo tipo são mesmo gente de mau caráter, nem sei se todas as pessoas do terceiro tipo são mesmo gente estúpida, nem pretendo torturar mais meus pobres neurônios tentando distinguir o segundo tipo do terceiro tipo.

O que me interessa a partir de hoje é dedicar meu tempo e minhas energias exclusivamente a pessoas do primeiro tipo. Mas tem mais uma coisa muito, muito, muito importante.

Eu não sou um juiz de direito penal em atividade 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eu não sou obrigado a conferir presunção de inocência a ninguém. Eu estou tentando superar um stress imenso, pretendo proteger minha saúde de modo implacável e isso está muito acima de levar em consideração que a intenção de alguém que postou no meu Facebook ou no meu blog algo que parece uma provocação ou um ataque ou qualquer coisa que pareça mal intencionada talvez não seja má.

Se eu postei isso aqui para você ler, você já sabe que está desarmando uma bomba-relógio.

Eu não quero e não vou me estressar.

Grato pela compreensão.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/02/2017

Por que abandonei o ensino

Foram três grandes motivos: porque o salário era e continua sendo uma porcaria, porque eu não acreditava e continuo não acreditando na utilidade dos currículos e porque eu constatei que as relações humanas e profissionais no ambiente escolar ou acadêmico mudariam muito e para muito pior. É sobre este último item que quero falar agora.

Sou bom em sala de aula. Mas não em um ambiente de coitadismo institucionalizado em que qualquer desvio do politicamente correto é ofensivo e vira alvo de patrulhamento intolerante.

Eu jogava giz nos alunos. Jogava até o apagador. Peguei aluno pelo pescoço e o arrastei até a classe para fazê-lo ficar quieto. Sentei no colo de alunos e alunas. Fazia guerra de giz. Só não tacava fogo na sala por pouco. E no entanto mantinha a disciplina, exigia bom comportamento e atenção às aulas. As turmas gostavam de mim. Alunos e alunas me procuravam para estudar e para obter conselhos pessoais.

Hoje em dia nada disso é possível.

Uma vez estávamos no meio de uma guerra de giz e bolinhas de papel, com trincheiras feitas com classes e tudo o mais, e o diretor da escola entrou porta adentro.

Eu gritei “O inimigo está invadindo a sala! Fogo nele!” e joguei giz no cara. E choveu giz e bolinha de papel nele, que teve que recuar. 😳

Quando ele saiu da sala, gritei “Expulsamos o inimigo! Vitória!” e rolou uma grande ovação de vitória. 😝

Aí eu saí no corredor e falei “General, se o senhor tiver algum comunicado a fazer a meu exército, eu posso propor um armistício!” 😜

E ele voltou e não tocou no assunto, tratou de dizer o que veio dizer e caiu fora. Todo mundo se borrando quando caiu a ficha que tinham atirado giz no diretor. Mas não rolou nenhum stress.

Você pode imaginar uma cena dessas no ambiente mimimizento abjeto de hoje?

Obviamente eu não fazia essa zona toda hora. Nesse nível foi só essa vez.

A maioria das minhas aulas era séria, mas de bom humor. Eu não fazia palhaçada planejada, como esses animadores de sala de aula de hoje em dia. Eu sou professor, não palhaço, não cheerleader.

Eu apenas não reprimia momentos naturais de descontração e não dava muita bola para o risco de algum imbecil bancar o ofendidinho ou denunciar uma “agressão” porque joguei um giz na testa dele.

Bons tempos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 28/02/2017

Publicado originalmente no Facebook em  28/02/2016.

Atualização em 28/02/2018

Os outros dois motivos pelos quais abandonei o ensino foram igualmente importantes. Não se pode ter um bom ambiente de ensino se o professor não se orgulha da utilidade da disciplina que está lecionando para a vida do aluno – a não ser que ele seja um medíocre ou um psicopata, e em nenhum destes casos eu chamaria o resultado de “bom ambiente de ensino”. E não se pode ter um bom ambiente de ensino com um professor cujo salário não depende do quanto ele se esforça para o bom cumprimento de sua tarefa – o que é o caso em todo o ensino público, onde os salários dos professores não têm nada a ver com seu desempenho em sala de aula, e na maior parte do ensino privado, porque o salário em si em geral não muda conforme o desempenho em sala de aula, o que muda é a empregabilidade dos professores.

 

Um programa de TV para concorrer com o BBB!

Tive uma idéia genial! Será um sucesso! Vou ficar rico! Vou lançar um programa de TV para concorrer com o BBB que vai estourar a boca do balão, roubar toda a audiência da Globo e me deixar milionário! Não tem pra mais ninguém, o programa vai se chamar PPP e será o maior sucesso da TV brasileira! 

PPP significa Programa Para Pensadores. Será um talk show com dicas de economia doméstica, poupança, empreendedorismo e investimento. Terá entrevistados de alto nível, gente de sucesso no mundo dos negócios e que ensinará como desenvolver a disciplina necessária para poupar dinheiro ao invés de gastar com bobagens e dará dicas de como tornar pequenas empresas melhor gerenciadas e mais lucrativas, além de comentar as oportunidades de investimento na Bolsa de Valores e como funciona o home broker (comércio de ações feito a partir de casa).

Para diversificar, teremos entrevistados que orientarão os telespectadores quanto à nutrição paleolítica, os exercícios de alta intensidade mais eficazes para o desenvolvimento muscular e o condicionamento cardiorrespiratório, as ervas que possuem estudos científicos que comprovam que possuem benefícios à saúde na forma de chás ou temperos e as técnicas de leitura e exercícios matemáticos que mais contribuem para a agilidade mental e a memorização a longo prazo. Sem esquecer, é claro, de um quadro interessantíssimo de divulgação de ciência e tecnologia, que ninguém é de ferro e um pouco de diversão sempre faz bem.

Era o programa que faltava na TV brasileira! Basta de falta de oportunidades de aprendizado do que é realmente útil para o nosso bolso, a nossa saúde e o nosso desenvolvimento intelectual! Não será nem necessário fazer propaganda! O povo vai comentar o programa na parada do ônibus, na fila do banco e nos corredores do supermercado:

– Menina, você viu que fantástica aquela dica de portfólio com ações do setor de transmissão de energia?

– Maravilhosa! Vou vender meu carro para converter tudo em ações do setor elétrico! Aquela planilha de custo de oportunidade de aquisição de um automóvel e seus custos de manutenção versus o custo de transporte terceirizado com aplicação do excedente no mercado mobiliário foi incrível! Vou anunciar o carro esta semana mesmo!

– Sério? E o que você vai fazer com com a sua garagem, que você acabou de ampliar?

– Vou implantar uma estufa aquapônica, querida! Um consórcio de produção de hortaliças e peixes herbívoros para produzir alimento de alta qualidade biológica, a um custo ínfimo, é uma oportunidade que não dá para deixar passar!

– Pois eu dou o maior apoio! A minha estufa aquapônica já está madura e a produção está excelente. Depois que passei a comer peixes toda a semana, aumentando minha ingestâo de ômega-3 natural, nunca mais tomei anti-inflamatórios e estou sentindo melhorias sensíveis na minha memória.

– E o seu Protocolo Tabata, você já está conseguindo fazer os oito sprints completos?

– Não, mas estou quase! Já consigo chegar no sétimo sprint! Faço duas vezes por semana, sempre lembrando que as fibras musculares tipo 1 consomem muito menos energia que as fibras 2a, 2b e 2x, portanto é necessário promover um stress miofibrilar profundo com depleção de glicogênio para promover o desenvolvimento destas fibras.

– Você tem toda razão. Está no caminho certo. Mas veja, querida, o gerente de conta chamou a sua ficha.

– Beijos, querida! Vou lá encerrar minha conta de poupança e transferir tudo para a conta de investimentos.

Sem dúvida alguma, o PPP será um sucesso total! Mal vejo a hora de começar as gravações! Alguém aí se candidata a ajudar a ler as milhares de cartas e e-mail que chegarão com dúvidas e sugestões de pauta? Certamente vou precisar de ajuda. A Globo que se cuide. O BBB está com as horas contadas. Um povo prafrentex como o brasileiro jamais vai deixar passar uma oportunidade tão boa!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 24/01/2017

A solução para o problema dos presídios brasileiros

Acho que você sabe qual é a solução para o problema dos presídios brasileiros. Pelo menos para mim, a solução é tão óbvia, mas tão óbvia, mas tão óbvia, que eu fiquei em dúvida se deveria escrever este artigo. Afinal, só vou poder dizer o óbvio. Mas vamos lá, que neste país o óbvio precisa ser dito e mesmo assim dificilmente é entendido… 

Em primeiro lugar, um presídio planejado para receber no máximo 250 presos tem que receber no máximo 250 presos, não pode receber 600. Não é óbvio? Quem na face da Terra não sabe que a superlotação é a mãe de todos os problemas de qualquer presídio?

Em segundo lugar, não tem que haver presídios com capacidade para mais do que uns 250 presos. Não é um número absoluto, é um número razoável. Quanto maior a unidade prisional, mais difícil é de gerenciar seus sistemas de segurança e mais grave é qualquer problema que aconteça.

Em terceiro lugar, o Código Penal brasileiro prevê detenção para alguns crimes e reclusão para outros crimes. Os critérios para esta diferenciação são técnicos: dizem respeito à gravidade dos crimes cometidos e de certo modo à periculosidade do preso. Portanto, os presos precisam ser divididos em detentos e reclusos e precisam ser fisicamente separados segundo esta classificação e segundo outras sub-classificações que já vou explicar. E “separados” significa “em presídios separados”, não podem ficar na mesma unidade.

Em quarto lugar, novatos e reincidentes não devem ser colocados no mesmo presídio. Os presídios precisam ser locais não somente de cumprimento de pena mas de redução da probabilidade de que o preso volte a cometer crimes quando sair de lá. Uma sociedade que não se importa com a qualidade de vida dos presidiários, dos serviços prisionais e das estratégias de ressocialização e preparação para o reingresso do preso no mercado de trabalho está literalmente promovendo uma escola do crime em cada um de seus presídios. 

Em quinto lugar, membros de facções rivais não podem ser colocados nos mesmos presídios. Só um alienígena não sabe que a principal causa de massacres nos presídios hoje em dia é guerra entre facções rivais. Não se pode confiar em uns poucos muros ou grades para evitar estas carnificinas, é necessário uma distância que inviabilize o conflito completamente.

Em sexto lugar, as celas devem ser individuais. Cada preso tem que ter a tranquilidade de poder dormir sem medo de ser esfaqueado durante a noite por não ter se unido a uma das facções que permanentemente tentam assumir o controle dos presídios e crescer cooptando novos presos – muitos dos quais se unem às facções pelo simples medo de morrer de um modo bem ruim.Além disso, celas individuais deixam o sujeito que não quer estudar nem trabalhar sozinho o dia inteiro, o que é um forte estímulo para que o preso se engaje nestas atividades.

Em sétimo lugar, todo preso deve ter a oportunidade de estudar e de trabalhar dentro dos presídios. Não somente a oportunidade, mas um estímulo bem razoável. Por exemplo, certas regalias no que diz respeito ao conforto da cela, ao tempo de banho de sol, à prática de esportes, à diversidade na alimentação, ao acesso a oportunidades de lazer e outros podem ser condicionados ao bom comportamento, estudo e trabalho nos presídios. Obviamente, isso não significa que os presos que se negarem a estudar e a trabalhar devam ser maltratados. Nada disso. Simplesmente devem ter um “kit básico” decente de prisão, mas sem as regalias reservadas a quem se esforçar por ter bom comportamento, estudar e trabalhar.

Em oitavo lugar, e aqui eu finalmente começo a dizer coisas que não são tão óbvias, os presos não devem confraternizar entre si sem supervisão. Cada detento ou recluso deve ter privacidade nos presídios para dormir e para usar o banheiro sozinho e em paz, mas nunca conviver com os demais presos de sua unidade sem supervisão. Essa supervisão pode ser pessoal ou eletrônica, mas tem que ser permanente e muito eficaz. Por exemplo, pode ser feita com câmeras ambientais e colares com gravadores que só precisariam ser vestidos nos momentos de interação com os outros presos. Não quer se submeter ao uso do colar durante o banho de sol ou o futebol? Tudo bem, camarada, fica na tua cela. Sozinho.

Em nono lugar, o preso tem que receber um bom exemplo por parte do corpo funcional dos presídios. Não é qualquer pessoa que pode ser agente prisional. É necessário que sejam pessoas comprometidas de fato com a ressocialização dos presos, que os tratem com educação e formalidade sem ser artificiais, que saibam ser disciplinadas antes de tentar disciplinar os presos, que tenham o tempo todo em mente que sua função não é punir os presos – isso é feito pela privação de liberdade – e sim reduzir as chances de que eles voltem a cometer crimes quando não estiverem mais presos.

Em décimo e último lugar, os presídios precisam ser comparados com outros presídios do mesmo país e de outros países para avaliar suas condições físicas, suas características de funcionamento, seus graus de reincidência, suas taxas de incidentes e outros parâmetros importantes para o sucesso da missão dos presídios – afastar o preso da sociedade por um tempo e prepará-lo para retornar à sociedade de modo que não cometa novos delitos e se torne um cidadão respeitável e produtivo.

Acho que falei somente o óbvio nos sete primeiros itens e o quase óbvio nos últimos três itens. Gerenciar presídios não é um assunto complicado. Não é nem sequer um assunto difícil. Basta ter os objetivos corretos e pensar com bom senso. Não se reduz a criminalidade com truculência, violência, humilhações ou maus tratos. Pelo contrário, isso estimula o agravamento da criminalidade, vitimando não somente os presos, mas a toda a sociedade.

Os presídios pioram com a superlotação. Os presos precisam ser adequadamente separados. Os novatos pioram em contato com os reincidentes. Os independentes pioram em contato com as facções. Os inofensivos pioram em contato com os violentos. As facções pioram em contato umas com as outras. O sistema todo piora se gerenciado por pessoas que não se importam em oferecer um bom exemplo para os presos, dos diretores dos presídios aos agentes penitenciários da linha-de-frente. Os presídios precisam ser bons centros educacionais, porque deles depende nossa segurança depois que os presos cumprem suas penas e retornam à sociedade. São princípios bem simples e fáceis de implementar se os gestores públicos quiserem e decidirem fazer a coisa certa do jeito certo. E aí entra a sua parte neste assunto.

O que você está dizendo nas redes sociais ou nos almoços em família sobre os massacres ocorridos nos presídios do norte do país? Você está ajudando a reduzir a histeria e a trazer esclarecimento e entendimento sobre a questão dos presídios? Em que tipo de candidato você está votando? Você já escreveu alguma coisa sobre a questão dos presídios para algum político em que você tenha votado? Sua contribuição pode ser pequena, mas que seja positiva.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/01/2017

Você quer Sérgio Moro no STF?

A campanha “Moro no STF” foi lançada imediatamente após a morte do ministro do STF Teori Zavascki e muita gente gostou da idéia e saiu compartilhando e fazendo abaixo-assinado. Mas será que alguém parou para pensar no que acontecerá se o presidente Michel Temer fizer essa indicação?

Em primeiro lugar, Sérgio Moro aceitará a indicação e o Senado o confirmará. Nenhum juiz deixaria de aceitar, mesmo que o resultado disso fosse a queda de um novo meteoro que extinguisse a espécie humana. E o Senado jamais perderia a oportunidade de retirar da Lava-Jato sua principal força motriz. Além disso, se não aceitasse, Moro seria enxovalhado na imprensa, na blogosfera suja e nas redes sociais, seria chamado de covarde e omisso e perderia grande parte de sua popularidade e influência. Portanto, havendo a indicação, Moro no STF são favas contadas.

Em segundo lugar, Michel Temer virará herói nacional. Ele, que foi o vice de Dilma e do PT, que também foi citado em delações premiadas da Lava-Jato e que está se tornando conhecido como o presidente iô-iô: toma uma decisão, recua, toma outra decisão, recua, toma mais uma decisão, recua. Com Moro no STF por indicação sua ele “afastará todas as suspeitas” sobre si e no mínimo atrasará muito as investigações sobre si que correm na Lava-Jato. Talvez consiga sustá-las.

Em terceiro lugar, a Lava-Jato será muito enfraquecida. Sem a presença de Sérgio Moro, assuma quem assumir, mesmo que seja um clone do Moro, a Lava-Jato perderá continuidade, perderá ímpeto, perderá conhecimento agregado, perderá integração de equipe, perderá articulação. Trocar um juiz no meio de um processo imenso como a Lava-Jato é como pedir para um escritor ou um músico terminar um livro ou uma sinfonia começado por outro autor – não funciona direito.

Em quarto lugar, Sérgio Moro no STF não poderá ser relator da Lava-Jato, nem confirmar, nem revisar nenhuma das sentenças que tiver emitido na primeira instância, sendo obviamente obrigado a declarar-se impedido: não é possível que a mesma pessoa revise em última instância a decisão que proferiu em primeira instância. Quem acha que o novo ministro do STF deve automaticamente assumir os processos do ministro que sai (ou que morre) esquece disso.

E aí? Você ainda quer Sérgio Moro no STF?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/01/2017

Teori Zavascki foi assassinado?

Eu não sei, você não sabe e se foi o caso ninguém jamais saberá. Mas é possível e foi muito conveniente para uma grande quantidade de corruptos poderosos. Como é que esse otário se mete num teco-teco? Teori Zavascki tinha a Lava-Jato nas mãos, não podia ter dado um mole desses. Ou vocês acham que não existe assassinato político no Brasil? Que só o que se assassina aqui são reputações?

Vou repetir para ter certeza de que você entendeu: eu não sei, você não sabe se foi o caso ninguém jamais saberá. Haverá luto oficial. O mandante, se houver, vai discursar sobre como o ministro Teori Zavascki era honesto, íntegro, capaz, defensor da democracia e do Estado de direito. Seus colegas do STF farão loas ao falecido independentemente de sua real opinião sobre ele. Os peritos serão “sutilmente” lembrados do caso Celso Daniel e vão dar um laudo de que o avião em que estava o Teori Zavascki sofreu uma pane mecânica, teve uma dor de barriga ou foi atingido por um disco voador, e a grande mídia inteira dirá “amém”, enquanto inúmeros corruptos dirão “aleluia”.

Jamais saberemos a verdade. Que até pode ter sido, sim, uma falha mecânica. Mas também pode ter sido um assassinato político. Você é perito em acidentes aeronáuticos e está lá para analisar? Não, né? Pois bem, quero apenas que você tenha bem claro em mente que a história oficial é previsível, mas não necessariamente realista, e que deve haver muita coisa que juramos que foi de um jeito e que na verdade foi de outro jeito. Ou não.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/01/2017

Atualização dia 20/01/2017: dados interessantes surgiram.

Passando a régua

Foram sete anos e meio de blog, com uma parada de sete meses no primeiro semestre do ano passado, porque eu teria um infarto ou um derrame se blogasse durante o impeachment, mas a verdade é que desde o artigo “O Brasil é um pântano” o blog estava agonizando. Todas as tentativas de reanimar o blog de lá para cá perderam o fôlego rapidamente. Eu simplesmente não estava mais no pique. É hora de passar a régua, fazer um balanço e me lançar em outros projetos.

Eu não decidi matar o blog, mas também não devo alimentá-lo com muita frequência por um tempo. Eu fiz amizades maravilhosas através do blog e não pretendo destruir estas lembranças nem me desfazer deste espaço, o Pensar Não Dói vai continuar no ar e eventualmente eu vou publicar algum artigo, mas eu estou mudando muito minha cabeça e o blog vai acompanhar esta mudança – que eu ainda não sei bem para que lado será. O que eu sei é que como está não pode ficar.

Eu perguntei em duas redes sociais – Twitter e Facebook – se as pessoas salvariam uma criança de um estupro se pudessem ou se deixariam a criança ser estuprada alegando que o estuprador tem livre arbítrio. Várias pessoas respondem e se estabelece uma discussão sobre moralidade. Aí alguém se dá conta de que a pergunta é absurda e pergunta qual é o coelho na cartola. Então eu explico que todo mundo que respondeu sabe que um estupro de criança é um imenso absurdo e que é uma imoralidade permitir que isso aconteça, mas que quando se questiona a moralidade deste suposto Deus Todo Poderoso e Todo Bondade ninguém admite que ou o suposto Deus não é poderoso ou não é nem bom nem decente, porque supostamente ele pode evitar o estupro de crianças mas evidentemente não o faz. E o que acontece? Começam a falar em respeito às crenças, em fé, em sei lá mais o quê, mas não são capazes de entender ou de admitir que o que tinham acabado de reconhecer implica necessariamente que este suposto Deus não é como eles dizem que é. O macaco falante simplesmente não tem a menor lógica, a menor coerência, o menor compromisso com a verdade, nem mesmo entende o assunto ou enfrenta diretamente o problema que se apresenta.

No Facebook eu fui expulso dos três maiores grupos de discussão sobre diabetes porque comecei a divulgar o que diz a melhor ciência do mundo a respeito da fisiologia envolvida – e o que essa ciência diz é que as atuais orientações sobre diabetes estão completamente erradas, como aliás todas as orientações nutricionais tradicionais que você conhece. Pouca gente pode entender o quanto aquilo me fez mal, o desespero que eu senti por ter meu acesso às pessoas que poderiam se beneficiar do meu conhecimento bloqueado por um imbecil sem nenhum conhecimento científico nem qualquer disposição para se alfabetizar em ciência, nutrição e fisiologia. Teve uma cretina dez ou quinze anos mais jovem que eu que postou uma foto mordendo um chocolate antes de me expulsar. Eu sei que ela será enterrada antes de mim, mas isso não é um consolo, é a própria razão do meu sofrimento, porque eu sei como evitar isso e não consigo fazer a própria beneficiária entender isso, aquela besta irracional.

No trabalho eu estou vendo claramente que as epidemias de zika, dengue e chikungunya estão avançando sobre o país, disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti. Existia um programa chamado PNCD (Programa Nacional de Controle da Dengue) que foi substituído pelo PNEM (Programa Nacional de Enfrentamento à Microcefalia) por causa do surto de microcefalia que acometeu o Brasil. O PEVCA (Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes) reflete as orientações destes programas e orienta e supervisiona os municípios para implantarem as diretrizes do programa. O problema é que o método não funciona, a população não está nem aí, não colabora e não adianta questionar isso com os gestores e os técnicos, mostrar as falhas, apresentar sugestões técnicas, escrever para meio mundo, queimar meu filme totalmente em tudo quanto é reunião… Nada muda. Essa adesão acrítica às orientações do Ministério da Saúde está me deixando doente. Eu tenho pesadelos com gente morrendo sangrando por todos os poros e com crianças com microcefalia, sei o que precisa ser feito para conter estas epidemias e não tenho poder para isso nem encontro eco nos interlocutores que têm ou deveriam ter.

Eu poderia citar mais alguns exemplos, como ter sido bloqueado num destes aplicativos de relacionamentos por uma garota cuja aparência eu elogiei, que não tinha nenhum texto no perfil, somente fotos, e que teve uma crise de estupidez dizendo que está cansada de ser julgada apenas pela aparência. Não me entendam mal, eu não me senti rejeitado, eu ri demais da estupidez dela, mas no contexto em que estou escrevendo espero que fique claro que isso foi mais uma mostra do quanto tem sido difícil e desagradável lidar com o macaco falante. Eu preciso proteger minha saúde física e mental.

Então, no último dia 08/01/2017, eu baixei os dois livros que citei no artigo anterior. Não me lembro como foi que eu tropecei de novo no assunto Bolsa de Valores, sobre o qual eu já havia me interessado em 2015 e que não pude estudar em 2016 porque precisava me dedicar a estudar outras coisas devido a uma mudança radical na minha atividade profissional. Comecei a ler artigos de revistas e de portais de investimento, a assistir aulas, palestras e depoimentos no YouTube, até que me decidi: vou me dedicar a isso, por dois bons motivos.

O primeiro é que eu não estou suficientemente recuperado e forte para me dedicar a uma segunda atividade profissional. Eu não somente não tenho nem idéia do que eu poderia tentar fazer neste momento de crise econômica, mas eu teria que abrir uma empresa, enfrentar uma burocracia enorme, lidar com fiscais, alugar um local, contratar gente, adquirir equipamentos, fazer propaganda, trabalhar um turno extra inteiro e correr todos os riscos de um empreendimento novo em época de crise, sendo que eu não poderia estar presente durante um turno inteiro para colocar a empresa nos trilhos do jeito que eu quero. Isso seria muito pesado para mim neste momento e eu não posso arriscar ter um colapso de saúde no meio do processo.

O segundo é que eu não preciso depender de nenhum macaco falante para me dedicar a investir na Bolsa de Valores. Eu não preciso explicar nada para ninguém. Eu não preciso pedir nada para ninguém. Eu não preciso ouvir a opinião de ninguém. Eu não preciso justificar decisão nenhuma para ninguém. Eu não preciso contar com a colaboração de ninguém. Eu não preciso me estressar com o macaco falante. Posso fazer tudo sozinho e ninguém precisa ficar sabendo se eu estou indo bem ou me ferrando, se ganhei dinheiro ou se perdi dinheiro, se escolhi um investimento certo ou se dei uma mancada enorme, se os critérios que usei foram razoáveis ou se foram uma aposta alucinada. Nada. Nenhuma aporrinhação. Depende só de mim.

A necessidade, a oportunidade e o alívio conspiraram na mesma direção. E eu vou dar uma guinada na minha vida.

Meu primeiro artigo de 2017 havia sido sobre radicalizar princípios e ações. Estou cumprindo.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/01/2017

Investir na Bolsa de Valores

Investir, especular e poupar são três coisas muito diferentes entre si. Este artigo inaugura a categoria “investir” do blog Pensar Não Dói, esclarece a diferença entre os três conceitos e introduz os conceitos mais básicos sobre investir na Bolsa de Valores.

Poupar não é investir. Poupança é a mera evitação de desperdício ou retenção de alguma coisa que se tem para que se possa usá-la mais tarde. Você poupa a gasolina que tem no tanque para conseguir chegar no posto de gasolina. Você poupa o dinheiro que gastaria no cinema à tarde para poder ir a uma churrascaria à noite. Você poupa uma grana depositando um certo valor todos os meses numa caderneta de poupança para ter uma reserva financeira com alta liquidez ou para adquirir um bem daqui a algum tempo.

Especular não é investir. Especulação é a aquisição de algum bem para revender com lucro depois. Você compra um imóvel achando que ele vai subir de preço. Você compra ações na Bolsa de Valores achando que elas vão subir de preço. Você compra opções de compra de ações achando que uma ação vai subir de valor e no futuro você poderá comprá-la por um preço inferior ao do mercado e revendê-la ao preço do mercado.

Investir é colocar esforços ou recursos em uma atividade para produzir alguma coisa. Você investe horas e horas lendo para seu filho. Você investe tempo e esforço físico na academia para ficar mais forte, mais saudável, com um corpo mais bonito. Você investe uma grana comprando um carrinho de pipoca para trabalhar e sustentar sua família. E você investe na compra de ações na Bolsa de Valores, também. A diferença disso para a especulação é que você não compra para revender por um preço maior, você compra para se tornar sócio de empresas produtivas que vão dividir seus lucros com você.

O nome da parcela de lucro que as empresas das quais você se tornou sócio por ter comprado participação acionária é “dividendo”. Por isso você vai encontrar muito a expressão “investir em dividendos” entre as pessoas que compram ações na Bolsa de Valores para investir. Entre as pessoas que compram ações para especular, o valor dos dividendos pagos acaba se tornando muito mais um elemento para a análise de como especular do que um objetivo em si – mais ou menos como o cara que compra um carro usado para revender analisando somente a lataria, sabendo que há uma boa chance de revenda se o carro tiver uma boa aparência.

Perceba, entretanto, que um carro serve para nos levar de um lugar ao outro com conforto e segurança. Se você comprar um carro olhando apenas a lataria, poderá não ter problemas, mas poderá ter. E, se o carro tiver algum problema e você tentar passar a bomba adiante, poderá encontrar algum otário que o compre somente pela aparência da lataria, como você fez, ou poderá não conseguir revendê-lo, ou pelo menos não pelo mesmo preço, porque os possíveis compradores provavelmente vão examinar melhor o veículo do que você.

Investir na Bolsa de Valores é parecido.

Se você escolher bem o que comprar, será sócio de uma empresa com gestão de alta qualidade, lutando para obter lucro, que dividirá este lucro com você na proporção do número de ações que você comprar. Além disso, se a empresa se mostrar lucrativa, o preço das ações poderá subir e você estará na confortável situação de quem comprou um carro por dez e agora pode vendê-lo por doze porque apareceu mais gente querendo comprá-lo.

Se você escolher mal o que comprar, será sócio de uma empresa que terá prejuízo e perderá valor no mercado, não tendo condições de pagar dividendos a você. Além disso, o preço das ações vai cair e você estará na desconfortável situação de quem comprou um carro com uma bela lataria e que começou a queimar óleo na frente de todo mundo quando saiu a rodar.

Obviamente, esta é uma metáfora muito simplista, feita para você entender a lógica básica da coisa. Investir na Bolsa de Valores é um pouco mais complexo que isso, mas não tanto como você sempre ouviu falar. E, principalmente, investir na Bolsa de Valores é muito menos arriscado do que você em geral ouve falar.

Eu comecei a ler a respeito no último dia 09/01/2017. Hoje é 13/01/2017. Eu li durante três dias e estou escrevendo este artigo no quarto dia, antes de começar minha jornada diária de estudo da Bolsa de Valores durante as minhas férias. Nestes meros três dias, eu já entendi o funcionamento geral da Bolsa de Valores, já conheço os conceitos e o vocabulário básico, já entendi a grande diferença entre os investidores e os especuladores e já vi quem é que mais se quebra na Bolsa de Valores – quase sempre o novato que entra achando que vai ficar rico com uma fórmula mágica ou uma dica quente ou o especulador que tenta fazer uma “jogada genial” para ganhar uma bolada de uma vez só. Investidores sóbrios e consistentes, por outro lado, na média obtém um retorno bastante superior às demais aplicações disponíveis no mercado financeiro.

Apenas três dias de estudo, entretanto, com certeza não são suficientes para conhecer o assunto com a profundidade necessária para tomar a decisão de investir na Bolsa de Valores como estratégia de investimento para a vida. Eu pretendo estudar muito mais e vou apresentar a você os dois livros que eu pretendo ler muito atentamente antes de sequer chegar perto deste mercado.

O primeiro é “Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro“, elaborado pela Comissão de Valores Mobiliários e disponível no Portal do Investidor. Ele contém todos os conceitos básicos para você entender o vocabulário usado na BOVESPA.

O segundo é “O investidor inteligente“, de Benjamin Graham, um investidor famoso que deu a volta por cima após a quebra da Bolsa de Valores de 1929 e que é o principal guru de Warren Buffet, o investidor que frequentemente disputa com Bill Gates (dono da Microsoft) e com Carlos Slim (dono da Claro) o posto de homem mais rico do mundo.

Convido você a ler estes dois livros e vir bater um papo sobre investir na Bolsa de Valores.

Ou comente aí por que o melhor investimento do mercado não interessa a você, que eu quero entender isso.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 13/01/2017

OBS: não me entenda mal. Há muito o que aprender. Para quem quiser ter uma idéia da complexidade possível do tema, clique aqui e assista este vídeo. Mas saber tudo isso não é necessário para um investidor defensivo conservador (que não tenha pretensões de “superar o mercado”) com estratégia “buy & hold” (comprar e reter).