Cláusula de barreira: atentado contra a democracia

Toda vez que se fala no número de partidos políticos e na existência de legendas de aluguel o tema “cláusula de barreira” volta ao debate. É uma solução fascista para tentar coibir a venda de espaço no rádio e na TV por legendas que são criadas somente para este fim ou para arrecadar dinheiro do fundo partidário. Mas a solução correta nunca é fascista.

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A solução correta para essa questão passa por três medidas.

Primeira, a extinção do fundo partidário e a proibição das doações feitas por não-filiados! Partido político não tem que ser financiado por quem não é filiado nele. Nem o não-filiado tungado por impostos para pagar por coisas nas quais não acredita, nem o não-filiado que “acredita” na causa o suficiente para dar dinheiro mas não para associar seu nome à legenda.

Segunda, o parlamentarismo! No presidencialismo, primeiro o chefe de governo se elege, depois sai correndo atrás das legendas mendigando apoio para conseguir governar, sendo chantageado e obrigado a distribuir cargos e ceder em inúmeras questões administrativas. No parlamentarismo, primeiro as legendas precisam compor uma maioria estável, depois elegem o chefe de governo de comum acordo e se responsabilizam pela qualidade de seu governo, sendo governo e maioria duramente fiscalizados pela minoria. Isso exige responsabilidade dos partidos políticos e elimina outras moedas de troca que não o apoio parlamentar efetivo e explícito, ajudando a tornar o sistema transparente.

Terceira, o voto facultativo! É um absurdo obrigar a votar quem não quer votar e nem sabe o que está fazendo ao votar. Um eleitor só deve ir às urnas se tiver convicção de que o seu voto vale o esforço de se deslocar até uma seção eleitoral para ajudar a contribuir com a escolha dos destinos do país. Isso exige dos partidos a formação de uma identidade clara e a busca do convencimento real dos eleitores, ou eles simplesmente não conferem representatividade ou legitimidade às legendas.

São medidas viáveis e que não dependem de alterações de cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988. Partidos auto-financiados, sem moedas de troca espúrias para corromper o jogo político, fortalecidos pela responsabilidade de sustentar o governo ou exercer oposição de fato. Com um sistema assim, o país pode ter tantos partidos quantos surgirem – a democracia sempre sairá ganhando.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 09/09/2016

 

Demitido por questionar ideologia esquerdista no Facebook

Segundo a Zero Hora: “O ilustrador Allan Goldman, que já desenhou histórias do Superman para a DC Comics, foi afastado da Chiaroscuro Studios, estúdio através do qual prestava serviços para editoras norte-americanas, após publicar um comentário sobre a jovem de 16 anos que foi estuprada no Rio de Janeiro em sua página pessoal no Facebook. No post, o ilustrador questionava a possibilidade da aplicação do que chamou “ideologia de gênero” no caso.

2002-2007 Dionisio Codama Sao Paulo, Brasil http://aimore.net http://aimore.org

O que o cara disse foi exatamente o seguinte:

“O que acontece se os 30 estupradores da menina alegaram que são mulheres?

Segundo a ideologia de gênero dos esquerdistas, uma pessoa é o que sente, e sua biologia não importa. A sociedade é obrigada a aceitar essa decisão, senão é fascismo!

Como a justiça irá julgar o caso de uma mulher que foi violentada por 30 outras mulheres?” 

Ou seja: o cara não falou que houve ou que não houve um estupro, não duvidou da palavra da vítima, não disse que a vítima é culpada pelo estupro, na verdade ele nem sequer falou do estupro!

O que ele fez foi, no contexto da discussão deste caso, questionar a ideologia de gênero da esquerda e dizer que seria um absurdo se os trinta estupradores se declarassem mulheres. Foi por isso que ele foi demitido.

Obviamente, a nota que os esquerdistas lançaram no Facebook para justificar a demissão do artista fez parecer que o sujeito estava atacando as mulheres, banalizando a violência, dando suporte à “cultura de estupro” e negando outros blá-blá-blás esquerdistas: 

“Aos nossos fãs e amigos,

O mais recente caso de violência contra a mulher nos encheu de tristeza e indignação.

Cabe a nós defender, valorizar e apoiar as mulheres, a comunidade LGBT e todas as minorias e causas que representam uma luta pela justiça, liberdade e igualdade, que entendemos como questões que são mais profundas que a simples polarização política.

A apologia e banalização da violência e da discriminação não cabem mais na sociedade e tampouco em nossa empresa.

Por esse motivo e à luz dos recentes acontecimentos que acabam de chegar ao nosso conhecimento, decidimos encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis.

#NãoÀCulturaDoEstupro e que nossa sociedade seja cada vez mais justa, igualitária e inclusiva.

Direção e artistas da Chiaroscuro Studios”

O que tem essa a nota a ver com o que o artista demitido disse? NADA.

Ele questionou a ideologia de gênero.

A editora falou claramente que decidiu demitir os artistas não alinhados com sua ideologia.

O que fica absolutamente evidente pela leitura da declaração do Allan Goldman e da nota da Chiaroscuro Studios é que a verdadeira razão da demissão foi, sim, “a simples polarização política”. 

Este artigo foi escrito para deixar isso bem claro: a esquerda não somente tem o menor problema de demitir uma pessoa e deixá-la sem sustento apenas porque ela discorda das ideologias da esquerda como considera isso uma justificativa tão aceitável que manifesta publicamente esta posição. E, obviamente, centenas de esquerdistas comentaram a nota da editora dando seu apoio.

Eis alguns exemplos de comentários de internautas:

“Ninguém censurou nada, bando de bolsomínion lixo. A empresa é privada e ela contrata quem ela quiser, engulam o choro.”

“Parabéns a Chiaroscuro! liberdade de expressão não é liberdade de ofensa e de racismo, machismo e homofobia. Não confundam. O Brasil foi o último país a acabar com a escravidão, a aprovar o casamento gay, a aprovar o divórcio. E os mesmos que ontem reivindicavam o direito de escravizar homens, de estuprar mulheres e de punir homossexuais hoje reivindicam a liberdade de expressão como se fosse liberdade de fazer o que der na telha. O século XXI chegou! já era hora! Seja muito bem-vindo!”

“Gostaria de dizer que essa decisão foi muito sóbria da parte de vocês. Espero que essa postura sirva como exemplo para pessoas que, como esse rapaz, não se dão conta de que esse tipo de comentário e postura compactua sim com uma cultura que mata muitas pessoas ainda hoje. Sendo assim, fico feliz em ver que se posicionaram a favor da inclusão e igualdade, e contra a toda essa violência. Muito bom!”

“Parabens à empresa. Existem coisas com as quais não da mesmo para ter tolerância. Liberdade de expressão só vai até onde começam a estuprar, matar, humilhar.”

“Parabéns! Importantíssimo lutar contra a cultura do estupro.”

“Parabéns! Vcs arrasaram na decisão!!!!!”

“Parabéns!Ganharam um admirador!”

“Apoio incondicionalmente a decisão de vocês! Nem super herói suporta fascistas. Aliás, eles lutam contra fascistas!”

“Parabéns pela posição contundente e pela decisão corajosa! Machista, facistas, não passarão!!!”

Para os esquerdistas, ideologia é motivo justo e suficiente para demissão. 

Muito obrigado por me ensinarem isso tão claramente, esquerdistas. Eu gostei especialmente daquela que disse “Ninguém censurou nada, bando de bolsomínion lixo. A empresa é privada e ela contrata quem ela quiser, engulam o choro.” Vou me lembrar disso quando abrir minha empresa. 

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 29/05/2016 

Invasões partidárias – como proteger os partidos e preservar a democracia

Repito: a ingenuidade na política é uma fórmula garantida de fracasso. No artigo anterior eu mostrei como uma “democracia total em todos os níveis” destrói a democracia. Neste vou mostrar como uma estrutura aparentemente não democrática na verdade pode ser a última linha de defesa da democracia. 

Conselho Jedi
Ao longo do artigo você vai sacar o que essa imagem do Conselho Jedi está fazendo aqui.

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Invasões partidárias – como usar a democracia para destruir a democracia

A ingenuidade na política é uma fórmula garantida de fracasso. Discutindo a formação de um novo partido com alguns amigos, eles exigiram uma “democracia total em todos os níveis” como condição para participar – e muito democraticamente não quiseram nem sequer ouvir a explicação de por que isso não funciona

demos

 

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Por que sempre dá zebra na política

Você quer saber como é possível que mesmo após 2.500 anos do surgimento da democracia nenhuma sociedade democrática no planeta jamais produziu espontaneamente um Estado capaz de estabelecer leis plenamente justas, um sistema econômico estável e abundante e uma cultura em que a autonomia individual e a harmonia social são ambas valorizadas e equilibradas? Eu explico. 

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Ditadura da maioria NÃO É democracia

Tem muita gente confundindo “ditadura da maioria” com “democracia”. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, entretanto. Difícil é trazer de volta à razão quem, motivado pela conveniência de pertencer à maioria em alguma causa, ignora que em inúmeras outras causas pode ser minoria e portanto esmagado pelos próprios argumentos. Continue reading “Ditadura da maioria NÃO É democracia”

Carteira Nacional de Habilitação Eleitoral – CNHE

Recentemente eu postei um artigo sobre alguém que incendiou a própria casa tentando espantar uma perereca no qual afirmei que “as mesmas criaturas que ateiam fogo em suas casas para espantar pererecas decidem a minha vida e a sua vida, porque elegem os governantes deste país com os mesmos critérios e a mesma sagacidade com que espantam pererecas”. No debate surgiu uma pergunta cuja resposta merece um artigo específico: “o que você exatamente propõe pra decidir quem vota ou não”. Eis o artigo. 

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A democracia já deu o que tinha que dar!

A democracia surgiu na Grécia, quando os cidadãos se reuniam em praça pública para deliberar sobre a administração da cidade. Mas cidadãos eram apenas os indivíduos do sexo masculino, possuidores de terras e escravos, descendentes de outros cidadãos. Era um sistema sexista, elitista, escravocrata e hereditário, que privilegiava uma minoria poderosa em detrimento da maioria do povo. E continua assim. Está na hora de abrir os olhos e deixar para trás este sistema problemático e obsoleto. Continue reading “A democracia já deu o que tinha que dar!”