Vermilândia – um país de covardes

Aqui não é a Macacolândia, é a Vermilândia – um país de covardes. Meu pai foi assaltado hoje à tarde. No centro de Porto Alegre, com CENTENAS de pessoas ao redor. Ele estava olhando a vitrine de uma loja com minha mãe quando um canalha o agrediu pelas costas e outro enfiou a mão no bolso dele e roubou todo o dinheiro que ele carregava. Ambos tem mais de setenta anos. VÁRIAS pessoas viram tudo o que aconteceu e NINGUÉM esboçou qualquer reação. Eram apenas DOIS covardes agredindo pessoas de idade no meio de centenas de pessoas que se ACHAM cidadãs e não fizeram NADA. Os vermes que se omitiram são ainda mais covardes do que os ladrões.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/06/2017

Provas não constantes na petição inicial

Du-vi-do que a aberração alegada pelos jagunços de Temer no TSE seja sequer imaginável sem lautas gargalhadas no meio jurídico de qualquer país sério. Apresentarei uma descrição sucinta do que significa excluir as provas não constantes na petição inicial. 

O Ministério Público propõe uma ação criminal por homicídio contra um fulano. Na inicial, apresenta uma faca suja de sangue da vítima, um motivo bastante plausível para o assassinato, meia dúzia de depoimentos incriminadores e um laudo técnico indicando que a faca foi empunhada por um canhoto no momento em que desferiu os ferimentos fatais na vítima, sendo que o suspeito é canhoto.

O processo é aberto, é ouvida a acusação, são ouvidas as alegações da defesa, depoimentos são tomados. Lá pelas tantas, surge um vídeo em full HD com imagem nítida e cristalina e áudio alto e claro que mostra o assassino esfaqueando a vítima com requintes de violência e crueldade enquanto gargalha, conta vantagem e se certifica da morte da vítima com visível satisfação.

Então, quatro dos sete juízes, com a visível intenção de absolver o réu obviamente culpado, em franca contradição com as fundamentações por eles mesmo utilizadas em outros julgamentos recentes, alegam que não se pode apreciar provas não constantes na petição inicial e que os demais indícios não são suficientes para condenar o réu.

É isso o que está rolando no TSE no julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 08/06/2017

Você quer Sérgio Moro no STF?

A campanha “Moro no STF” foi lançada imediatamente após a morte do ministro do STF Teori Zavascki e muita gente gostou da idéia e saiu compartilhando e fazendo abaixo-assinado. Mas será que alguém parou para pensar no que acontecerá se o presidente Michel Temer fizer essa indicação?

Em primeiro lugar, Sérgio Moro aceitará a indicação e o Senado o confirmará. Nenhum juiz deixaria de aceitar, mesmo que o resultado disso fosse a queda de um novo meteoro que extinguisse a espécie humana. E o Senado jamais perderia a oportunidade de retirar da Lava-Jato sua principal força motriz. Além disso, se não aceitasse, Moro seria enxovalhado na imprensa, na blogosfera suja e nas redes sociais, seria chamado de covarde e omisso e perderia grande parte de sua popularidade e influência. Portanto, havendo a indicação, Moro no STF são favas contadas.

Em segundo lugar, Michel Temer virará herói nacional. Ele, que foi o vice de Dilma e do PT, que também foi citado em delações premiadas da Lava-Jato e que está se tornando conhecido como o presidente iô-iô: toma uma decisão, recua, toma outra decisão, recua, toma mais uma decisão, recua. Com Moro no STF por indicação sua ele “afastará todas as suspeitas” sobre si e no mínimo atrasará muito as investigações sobre si que correm na Lava-Jato. Talvez consiga sustá-las.

Em terceiro lugar, a Lava-Jato será muito enfraquecida. Sem a presença de Sérgio Moro, assuma quem assumir, mesmo que seja um clone do Moro, a Lava-Jato perderá continuidade, perderá ímpeto, perderá conhecimento agregado, perderá integração de equipe, perderá articulação. Trocar um juiz no meio de um processo imenso como a Lava-Jato é como pedir para um escritor ou um músico terminar um livro ou uma sinfonia começado por outro autor – não funciona direito.

Em quarto lugar, Sérgio Moro no STF não poderá ser relator da Lava-Jato, nem confirmar, nem revisar nenhuma das sentenças que tiver emitido na primeira instância, sendo obviamente obrigado a declarar-se impedido: não é possível que a mesma pessoa revise em última instância a decisão que proferiu em primeira instância. Quem acha que o novo ministro do STF deve automaticamente assumir os processos do ministro que sai (ou que morre) esquece disso.

E aí? Você ainda quer Sérgio Moro no STF?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/01/2017

Teori Zavascki foi assassinado?

Eu não sei, você não sabe e se foi o caso ninguém jamais saberá. Mas é possível e foi muito conveniente para uma grande quantidade de corruptos poderosos. Como é que esse otário se mete num teco-teco? Teori Zavascki tinha a Lava-Jato nas mãos, não podia ter dado um mole desses. Ou vocês acham que não existe assassinato político no Brasil? Que só o que se assassina aqui são reputações?

Vou repetir para ter certeza de que você entendeu: eu não sei, você não sabe se foi o caso ninguém jamais saberá. Haverá luto oficial. O mandante, se houver, vai discursar sobre como o ministro Teori Zavascki era honesto, íntegro, capaz, defensor da democracia e do Estado de direito. Seus colegas do STF farão loas ao falecido independentemente de sua real opinião sobre ele. Os peritos serão “sutilmente” lembrados do caso Celso Daniel e vão dar um laudo de que o avião em que estava o Teori Zavascki sofreu uma pane mecânica, teve uma dor de barriga ou foi atingido por um disco voador, e a grande mídia inteira dirá “amém”, enquanto inúmeros corruptos dirão “aleluia”.

Jamais saberemos a verdade. Que até pode ter sido, sim, uma falha mecânica. Mas também pode ter sido um assassinato político. Você é perito em acidentes aeronáuticos e está lá para analisar? Não, né? Pois bem, quero apenas que você tenha bem claro em mente que a história oficial é previsível, mas não necessariamente realista, e que deve haver muita coisa que juramos que foi de um jeito e que na verdade foi de outro jeito. Ou não.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 19/01/2017

Atualização dia 20/01/2017: dados interessantes surgiram.

Conjuntura

O esporte nacional não é o futebol, é reclamar e achar que “alguém” tem que fazer alguma coisa. O povo ou vai aceitar passivamente que os caras que os roubaram tomem seus direitos e seu dinheiro para tapar o rombo que criaram, ou em algum momento vai explodir em violência uns contra os outros, sem focar em quem deveria ser o verdadeiro alvo.

O tragicômico nessa história é que isso estava evidente desde a época do Mensalão. Se tivessem metido o Lula na cadeia em 2005, junto com toda a corja de bandidos que se vendeu, e anulado todos os atos legislativos da época, como era o certo a fazer, o Brasil teria tomado outro rumo de desenvolvimento. Porém, temos aqui a cultura de que “a justiça tem que ser sóbria, não pode ser exagerada”…

Quanto ao rumo econômico do Brasil, só poderia ser pior se continuasse na mão do PT. A receita de recuperação escolhida é tão desastrosa que até o FMI não a defende mais. Ela faz a recuperação demorar mais e torna mais difícil e sofrida a vida do povo neste período. Sendo que existe um método *muito* melhor, muito bem testado, muito rápido e eficaz para promover o desenvolvimento econômico: bastaria imitar o que a Alemanha fez logo após a Segunda Guerra Mundial. Pesquise “ordoliberalismo” e “economia social de mercado”.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/01/2017

O brasileiro estraga tudo

Compartilhei recentemente um vídeo do Black Pigeon Speaks (eu sei, eu sei, altamente controverso) sobre a relação entre o recato sexual feminino e a estabilidade social. Hoje o perfil de uma tal de “Sociedade da Pílula Vermelha”, de onde eu nem tinha me dado conta que havia compartilhado o vídeo, curtiu minha postagem. Então eu fui lá ver o que era essa página. E encontrei na primeira postagem a pergunta contida na imagem abaixo.

E esta foi a resposta (chula) da tal Sociedade da Pílula Vermelha. Leia rapidinho essa porcaria ou pule de uma vez para o que eu escrevo logo abaixo assim que você perceber o nível da resposta:

“Esse é um ponto que tenho que destacar mais nas postagens aqui na página. O homem comum, viciado em extremos sensoriais não está pronto para viver em paz. Ele anseia pela discussão, pela raiva, pelo sofrimento e pela dor. É como um corno sadomasoquista que não consegue viver sem ser enrabado pela vida.
Como você pode ter deixado seu relacionamento chegar a esse ponto? Pelo seu relato é evidente que você perdeu uma bela e honrada dama.
Vamos analisar o relato da sua amada e ver que faz todo o sentido…
Ela relata que torceu o seu belo pezinho, algo totalmente dentro da normalidade. Outra coisa completamente normal é três pessoas largarem o que estavam fazendo para acompanhar a colega que torceu o pé em um atendimento médico. Até aí tudo bem, não há motivos pra crer que ela não foi sozinha com o macho e que ela não inventou a presença dessas outras 2 colegas para que você não desconfiasse que ela estava a caminho do açougue para ser abatida. Afinal, todos nós sabemos que mulheres são seres angelicais, que não mentem e nem mesmo sentem tesão em mentir para o namoradinho quando estão indo para o motel com outro homem. Você não deve dar bola pro fato do amigo dela ser exatamente o cara que você não vai com a cara, é uma mera coincidência.
Após uma noite árdua no hospital é lógico que as garotas estariam com fome e iriam querer se nutrir, não é mesmo? Quem sabe um salame? Hehehe! Depois é hora de colocar algum carboidrato pra dentro (ou apenas ela, pois quem sabe sua namorada é esquizofrênica e as amigas não existam, não a julgue). Enquanto o salam, ops, quer dizer, hehehe, a batata entra, a mesma te liga preocupada que você a esteja esperando como um bobinho apaixonado, lhe relata a orgia gastronômica e que você deve esperar uma ligação da mesma (abre o olho, boi bandido).
Após extrapolar o horário combinado em mais de 2 horas (o tempo passa rápido nos dias de hoje, sem problemas aqui), você, enfurecido por ciúmes injustificados (afinal sua bela amada jamais mentiria pra você) começa a entrar em modo de fúria, encorajado por devaneios onde sua bela amada participa de uma orgia helênica com o Ricardão.
Se você fosse uma homem esclarecido e tivesse feito o dever de casa tomando a pílula vermelha, você teria cagado e andado, estaria nessa hora já dormindo tranquilo sabendo que a sua namorada é só mais uma e que provavelmente não houve problema algum, que na verdade ela estava com a piroca do Ricardão em uma mão e na outra com o celular relatando as mentiras pra você. Mas não, você peca pela falta de confiança, mesmo a realidade estando esfregada na sua cara, você insiste em deturpá-la, insiste que nada ocorre, que tudo está dentro da normalidade.
Repare que é exatamente por isso que as brigas acontecem: você se apaixonou e foi jogado em um inferno emocional. Enquanto um homem seguro de si e com auto-controle emocional estaria cagando, pois tem ciência de que as mulheres mentem da maneira mais descarada.
Se você tivesse agido de maneira controlada, nem que fosse por míseros 2 minutos, apenas o suficiente pra dizer que não aceitaria aquele tipo de mentira e que estava terminando o relacionamento, a imund… digo, donzela, estaria em 10 minutos na sua casa implorando pra chupar o seu saco. Mas não, você se apaixonou e os papéis se inverteram: você homem virou a mulher da relação, emotivo, passional, cheio de ciúmes!
O pior é que você ainda deu trela pra escutar as historinhas de que demoraram duas horas pra levar as “amigas” em casa. Onde é que se demora 2 horas pra levar alguém embora as 22 horas? Realmente, o congestionamento no trânsito as 22 horas é algo brutal e que exige muita paciência, não é mesmo?
Para fechar com chave de ouro você fez exatamente o que sua amada queria: perdeu completamente o controle e começou a despejar xingamentos. Game over. Agora ela tem as condições pra inverter o jogo e jogar a culpa em você. Ela passou a noite toda chupando danone, comendo salame, colocando batata pra dentro, passeando de carro e ainda teve a sobremesa de acabar com o sub-homem que lhe estava sugando a beleza.
Desculpe ser ríspido, mas é isso que você é: um sub-homem. Você deixou que ela te controlasse o tempo todo. O horário que teria que ligar, a história que teve que engolir, o salame que ela teve de comer e a inversão de culpa. Você está no último estágio do fracasso como homem.
Para finalizar e mostrar a sua total inaptidão como macho, você ainda pergunta se exagerou. Não meu caro, você não exagerou. Você foi apenas controlado, você não tomou as rédeas de seu relacionamento, você não tomou as rédeas de sua vida, você não consegue nem mesmo interpretar uma história furada como essa que eu, em apenas 1 minuto lendo já sabia que estava cheia de furos.
Você deixou que sua vida fosse controlada por uma mulher e mulheres, dada sua natureza emocional, não têm capacidade pra gerir grandes coisas, ainda mais um relacionamento.
Você falhou em tudo o que relatou e continuará a falhar, pois não importa o que aconteça, você estará fadado a uma avalanche de sentimentos incontrolados, que nós aqui denominamos extremos sensoriais.
Pena é o que me resta ter de você. Diga adeus a sua masculinidade, ela está extinta.”

Eu fiquei aqui pensando se valia a pena comentar isso e decidi que havia um comentário que valia a pena fazer.

O brasileiro estraga tudo.

É impressionante.

O foco do vídeo que eu compartilhei era a relação entre o recato sexual feminino e a estabilidade social. O autor é conservador, eu sou liberal, mas isso não impede que eu reconheça que a base do argumento dele estava correta. uma correlação entre uma coisa e outra e muito provavelmente a relação é de fato causal como o autor daquele vídeo alega, em algum grau. A base biológica do argumento está correta, as implicações antropológicas são consistentes e as implicações políticas são altamente plausíveis.

Agora assista o vídeo do Black PIgeon Speaks, observe o linguajar com que o autor trata a questão no vídeo, observe o linguajar com que eu trato a questão no parágrafo imediatamente anterior e compare com o texto em azul que você leu mais acima.

O brasileiro estraga tudo. Como pode?

Poxa, o cara está divulgando um vídeo controverso, mas bem argumentado, que nem vem ao caso agora se está correto ou não – o fato é que o tema foi tratado com seriedade e sobriedade. E aí, na página dele, o que ele tem a dizer é um monte de grosserias obtusas que com certeza o autor do vídeo que ele divulgou rechaçaria!

Eu não entendo como pode isso. Sério, o cara nem deve ter entendido o vídeo, deve ter achado que o vídeo corroborava os preconceitos dele e compartilhado sem o menor cuidado. E o pior é que provavelmente o público dele vai entender a mesma coisa que ele, que o autor do vídeo não disse nem quis dizer.

Pára o Brasil que eu quero descer!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/12/2016

Entenda a decisão do STF sobre Renan

A decisão do STF sobre Renan era previsível, matou quatro coelhos com uma paulada só e foi a melhor possível para o Brasil. O STF não podia nem cacifar Marco Aurélio, nem enfraquecer o instrumento jurídico da decisão liminar, nem deixar Renan sair fortalecido, nem deixar um petralha assumir a presidência do Senado. Todos estes objetivos foram atingidos.

renan-calheiros-e-marco-aurelio-de-melo

A Constituição e as leis são como a Bíblia: você pode justificar qualquer decisão citando o trecho que mais interessar para fundamentar aquilo que já tinha decidido previamente. O juiz e o pastor São arqueólogos de incisos e versículos. Foi isso o que permitiu a gambiara de manter Renan na presidência do Senado e impedir que ele assuma a presidência da República ao mesmo tempo. Mas esta foi uma das gambiarras melhor elaboradas que eu já vi o STF fazer.

A decisão do STF tinha quatro propósitos imediatos:

  1. Dar um tabefe no Marco Aurélio para refrear o ímpeto de ministros do STF meterem o bedelho nos assuntos internos dos outros Poderes da União, reduzindo. Obviamente, de modo circunspecto.
  2. Preservar o instrumento da decisão em caráter liminar dentro dos objetivos para os quais ele existe, especificamente como instrumento para tomada de decisões judiciais quando há periculum in mora, para que não se torne um instrumento político.
  3. Manter o presidente do Senado sob a responsabilidade e a alçada do Senado, evitando um conflito com a casa legislativa que poderia resultar em retaliações graves neste momento delicado para as instituições da República.
  4. Manter na presidência do Senado um aliado do presidente da República, evitando que um petralha fiel ao partido destituído da presidência da República pudesse impor uma agenda desestabilizadora para o país.

Nesta ordem.

Para dar um tabefe circunspecto no Marco Aurélio, a decisão do STF não podia acompanhar a decisão dele, mas também não podia simplesmente negá-la, ou estariam desmoralizando publicamente um ministro do STF. Como fizeram isso? “Concordando parcialmente” com a parte menos importante da decisão dele, começando por elogiar sua fundamentação, mas cassando seu efeito de fato.

Entenda uma coisa sobre como falam os juízes: se ele começar elogiando você, é porque você está ferrado. Se ele começar desancando você, é porque você está salvo. Os juízes sempre fazem isso para parecer que estão votando contra aquilo que gostariam de votar, para não serem acusados de estar votando de acordo com seus interesses ou simpatias. A decisão do STF sobre Renan Calheiros seguiu direitinho esta liturgia: dos nove ministros que votaram, seis começaram elogiando o ministro Marco Aurélio – exatamente aqueles que cassaram o principal efeito da liminar dele.

Para preservar o uso da liminar para os casos de periculum in mora, a decisão do STF foi fundamentada no fato de que o afastamento de Renan da presidência do Senado não servia para afastar um perigo imediato, pois, antes que Renan pudesse assumir interinamente a presidência da República, quem assumiria seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Além disso, há um julgamento em andamento sobre a matéria, que formalmente não está decidida, mesmo que seis ministros já tenham decidido do mesmo modo. Isso porque em tese os ministros do STF podem mudar seu voto enquanto o último ministro não votar.

Entenda que a decisão do SFT sobre Renan Calheiros não teve a intenção de beneficiá-lo e sim deixar claro que o instrumento jurídico utilizado – uma decisão monocrática em caráter liminar – não deve ser utilizada tanto para esta finalidade quanto para outras situações semelhantes. Em uma época de protagonismo jurídico sem precedentes na política, milhares de prefeitos e dezenas de milhares de vereadores agradecem penhorados.

Para manter o presidente do Senado sob a jurisdição do Senado, a decisão do STF só precisava não mexer na posição de Renan. Quanto a isso não havia qualquer dificuldade ou complicação.

Entenda que o legislativo faz as leis, incluindo a Constituição Federal, e que poderia “legitimamente” aprovar uma PEC que limitasse prerrogativas do STF ou mexesse em privilégios dos ministros do STF.

Para manter na presidência do Senado um aliado do presidente da República, era fundamental que Renan continuasse ocupando a posição que ocupa, porque o vice-presidente do Senado é Jorge Viana, um petralha radical que já mostrou a que veio e que já adiantou que atuará para inviabilizar o país. Aliás, sério que a direita retardada está revoltada porque o STF não derrubou um aliado de Temer para um petralha assumir a presidência do Senado?

Entenda que desta vez o STF atuou de maneira a preservar a governabilidade e evitar que o PT tacasse fogo no país para tentar culpar o governo Temer pelo caos. Muito embora seja verdade que Jorge Viana já pensou em não agarrar esta batata quente, o fato é que um petralha na presidência do Senado seria garantia de obstrução irresponsável.

A decisão do STF não revelou um propósito mediato:

Está muito enganado quem acha que Renan ganhou esta. Renan está ferrado.

Se Renan tivesse respeitado o STF, acolhido a suspensão de Marco Aurélio e entrado com um recurso, ele teria ficado apenas um dia afastado de suas prerrogativas. Talvez por arrogância, prepotência e absoluta estupidez, que lhe impediram de perceber que o plenário do STF jamais manteria uma decisão monocrática de afastar o presidente de uma casa legislativa através de uma decisão em caráter liminar, talvez por arrogância, prepotência e estupidez, que lhe impediram de avaliar corretamente o tamanho da espinha de peixe que deixou atravessada na garganta do STF por cometer crime de desobediência baseado no conhecimento de que o plenário do STF jamais manteria uma decisão monocrática de afastar o presidente de uma casa legislativa através de uma decisão em caráter liminar, Renan Calheiros afrontou o STF de um modo tal que não poderá ser deixado impune.

Não tenha dúvida, em breve o STF vai degolar Renan de maneira acachapante. Se você acha que não, então favorite este artigo e volte aqui ou quando o STF julgar o mérito da ação sobre a qual Toffoli está sentado em cima, ou quando o STF começar a julgar as outras 12 ações contra Renan que estão na gaveta, assim que for eleita a nova mesa diretora do Senado.

Resumo da ópera

A decisão do STF sobre Renan desautorizou Marco Aurélio e desestimulou novos ímpetos de intervenção monocrática, preservou o instrumento da decisão em caráter liminar, garantiu a harmonia entre os poderes e garantiu a governabilidade. Quanto à “vitória” de Renan, observe os comentários dos ministros do STF, de inúmeros juristas e da grande mídia sobre a desobediência que ele protagonizou: “ordem judicial pode ser discutida, mas tem que ser cumprida” é a frase mais ouvida em todos os telejornais de hoje.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 07/12/2016

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Os “coxinhas” não piraram

O comentário ridículo abaixo sobre os “coxinhas” mostra, para quem tiver o trabalho de pensar um pouco a respeito, o esgotamento completo de uma visão de mundo anacrônica, equivocada e sobretudo maldosa. Nem mesmo um completo débil mental é capaz de acreditar a sério que alguém vai protestar contra si mesmo. Para dizer ou concordar com uma coisa assim, há que ter uma grande dose de corrupção moral.

protestar-contra-si-mesmo

A esquerda há três décadas e meia vem dizendo que o Brasil passou 500 anos sendo explorado pela “direita”, atualmente identificada com os “coxinhas”. Obviamente, “direita” ou “coxinhas” para a esquerda é “tudo que não sou eu”, mas tanto faz. Vamos dar de barbada que fosse. Pois bem, em 500 anos o Brasil nunca teve três anos seguidos de recessão, exceto quando a esquerda assumiu o poder. Nunca perdemos tantas empresas, tantos postos de trabalho, tanto dinheiro e tanto prestígio internacional quanto nos 13 anos do PT na presidência da República.

A calamidade das contas públicas chegou a tal ponto que até mesmo o PMDB, parceiro do PT nas duas últimas eleições, percebeu que o país estava indo para um buraco tão grande, tão rápido, que não seria possível esperar até 2018 para chutar a bunda da esquerda e começar a recuperar o país. O parasita precisa que o hospedeiro sobreviva para poder continuar sugando seu sangue, mas a esquerda chafurdou no sangue do hospedeiro como um vampiro sedento que não se alimentava há séculos. E os “coxinhas” foram para a rua exigir o impeachment e o fim da corrupção.

Veio o impeachment, abençoado impeachment. Veio o episódio vergonhoso do conchavo do presidente do Senado com o presidente do STF para evitar a perda dos direitos políticos da presidente da República deposta. Vieram as eleições e o povo virou “coxinhas” e deixou claro que não quer saber de nada que venha do PT, impondo-lhe uma derrota acachapante e um encolhimento de cerca de 60% nas urnas. E vieram então à tona muitas das falcatruas do período de corrupção do país pelo PT – ou talvez eu deva inventar o neologismo “corruptização” para deixar mais claro que corrupção é uma atuação transformadora.

A esquerda não se limitou a roubar como fizeram todos os outros que o precederam. Não. Todos os partidos de esquerda possuem um fetichismo pelo autoritarismo absoluto, travestido de alguma ideologia porca que é usada para enganar os incautos de que a esquerda necessita para chegar ao poder. Uma vez atingido o poder, entretanto, o que vemos é o que aconteceu em Cuba, com mais de meio século de ditadura e milhares de fuzilamentos por divergência de opinião, ou na Venezuela, com a população morrendo de fome, comendo lixo, sem itens básicos de higiene, sem medicamentos, elegendo um Congresso de oposição e tendo sua vontade negada por um ditador que se aliou a um tribunal farsesco que anula todos os atos do Poder Legislativo, ou na Coréia do Norte, com uma quadrilha sanguinária de comando hereditário que perpetra os mais abomináveis crimes contra a humanidade sem que ninguém interfira. Graças a Deus, portanto, pelos corruptos de hoje, que nos livraram de destino muito pior.

Só que eles demoraram demais.

Se a cacarecada partidária toda que virou casaca tivesse peitado a esquerda quando perceberam que ela estava indo com sede demais ao pote, se os ladrões mais experientes tivessem avisado que “não é assim que se rouba”, o país não teria sido desmanchado ao ponto que foi, não teria sido necessário cortar tão fundo para o parasita evitar a morte do hospedeiro, não teria havido tanta revolta e tanta mobilização. Por isso a mobilização continua. Por isso o povo está indo às ruas hoje.

Não se trata, portanto, de “coxinhas” protestando contra si mesmos, afirmação ridícula e despropositada que nem mesmo um quadrúpede levaria a sério. Trata-se de uma revolta legítima contra a traição a que o povo foi submetido pela esquerda e por seus aliados, que gostaram tanto do novo nível de roubalheira inaugurado pela esquerda que se lançaram a ele e se lambuzaram como nunca antes na história deste país. Trata-se do mesmíssimo sentimento que levou os “coxinhas” a realizarem a maior manifestação da história do Brasil contra o PT, da mesmíssima revolta e da mesmíssima impaciência perante o escárnio com que a classe política tem tratado a honestidade, a decência, a competência administrativa e a qualidade de vida do povo brasileiro. E contra os mesmíssimos atores.

Eu tenho cá minhas ressalvas quanto aos objetivos das manifestações de hoje, penso que é uma armadilha perigosa confiar no mesmo Judiciário que não fez nada contra a corrupção nas últimas décadas, mas compreendo sua lógica e os sentimentos por trás dela. Os “coxinhas” não piraram, o povo está simplesmente exausto de viver mal e ainda ser feito de palhaço.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 04/12/2016

A escola não tem que formar cidadãos. A escola tem que ensinar a matéria

Hoje às 11:00 deve entrar em debate no Senado Federal o Projeto de Lei 193/2016, que que inclui na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional o programa Escola sem Partido. Em tempos de sequestro do ensino em todas as esferas – fundamental, médio e superior – por militantes políticos que chamam doutrinação ideológica de pensamento crítico e cooptação partidária de vulneráveis exercício da cidadania, este projeto de lei é extremamente bem-vindo. 

escola-sem-partido

A escola não tem que “formar cidadãos”. Isso é uma balela criada por doutrinadores marxistas para justificar a cooptação de nossos jovens para as ideologias políticas que destruíram nosso país ao longo dos últimos treze anos e que acabaram de ser amplamente rejeitadas pelas urnas em nosso país, nos EUA e em grande parte da Europa.

A escola tem que ensinar a matéria de cada disciplina: ler, escrever, falar uma língua estrangeira, desenvolver o pensamento lógico-matemático, somar, subtrair, multiplicar, dividir, fazer regra-de-três, saber calcular os juros de um cartão de crédito, o que é uma alimentação saudável, exercícios físicos saudáveis, tocar um instrumento musical, noções de história e geografia, uso de ferramentas, manutenção de uma residência, construção de um móvel, conserto de um chuveiro, cálculo de um circuito com a espessura correta dos fios e aterramento, programação de computadores, procedimento para recorrer ao tribunal especial cível, economia doméstica com finalidade de investimento, abrir uma empresa, investir na bolsa de valores a longo prazo, etc. Coisas úteis de fato para a vida prática do indivíduo na realidade presente, não segundo a ideologia de gênero, a luta de classes ou a teoria esquerdopata do raio que o parta.

OBS: para quem achar que estou com um “viés à direita” ao dizer o que eu disse no parágrafo anterior, afirmo desde já que a doutrinação de besteirol direitopata aos moldes de “quem não tem competência não se estabeleça”, “objetivismo moral”, “princípio da não agressão”, “imposto é roubo” e outros lixos é igualmente inaceitável, mas que em toda minha vida acadêmica não vi um único caso de doutrinação deste tipo em sala de aula para menores de idade. A tática de lavagem cerebral de vulneráveis, até onde pude constatar, tem sido tipicamente usada pelos marxistas e outros esquerdistas. Perguntem a Luís Felipe Pondé, filósofo de direita assumido, se ele tem notícia de escolas ou departamentos universitários que apresentem um quadro balanceado de filósofos ou sociólogos de todos os matizes ideológicos em sala de aula, ou se o que ele recebe são milhares de notícias de gente sendo perseguida em sala de aula por não concordar com os dogmas da esquerda.

A formação da cidadania não se dá pela doutrinação ideológica do aluno, mas pela sua capacitação intelectual e operacional no mundo moderno. Tornar-se cidadão não é decorar uma cartilha política e passar a impor um padrão de pensamento e ação política em busca de um ideal de sociedade, é saber se virar com sagacidade, ética e competência no mundo real, construindo na sua vida cotidiana um ambiente de sucesso.

De tudo isso que afirmo decorre naturalmente que é imprescindível realizar uma reforma profunda nos currículos escolares. Disciplinas que parecem ser engrandecedoras e cuja presença nos currículos parece razoável – como filosofia e sociologia – há muito se tornaram meros espaços de doutrinação ideológica. Disciplinas que deveriam servir para que os alunos compreendam como nossa civilização se desenvolveu e qual a estrutura e funcionamento do mundo atual – como história e geografia – há muito se tornaram ferramentas de distorção da realidade. Só há uma visão de mundo sendo apresentada para todos os nossos jovens em sala de aula e é a visão de mundo que leva grupelhos aparelhados a invadirem escolas e prejudicarem quem quer estudar, quem quer trabalhar, quem quer votar e quem quer ver o país avançar. É preciso eliminar este viés para podermos nos concentrar novamente na questão curricular, que é essencial.

O projeto não é perfeito. Esta é a descrição apresentada pela Agência Senado

O projeto defende a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado; o pluralismo de ideias no ambiente acadêmico; a liberdade de aprender e de ensinar; a liberdade de consciência e de crença; o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado; a educação e informação do estudante quanto aos direitos compreendidos em sua liberdade de consciência e de crença; e o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.

O projeto estabelece que o  poder público não se imiscuirá na opção sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer, precipitar ou direcionar o natural amadurecimento e desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação da teoria ou ideologia de gênero. (…)

Também deve ficar explícita a proibição de propaganda político-partidária em sala de aula e a incitação a manifestações. O projeto estabelece ainda prevê que o professor – ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas – apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.

Estou extremamente preocupado com este absurdo de impor um desenvolvimento de personalidade vinculado à identidade biológica de gênero, porque isso é uma violência contra os gays, lésbicas e transexuais, mas concordo totalmente que não se deve tolerar a malfadada teoria de gênero que considera o gênero uma “construção social”. É fundamental eliminar o ranço intolerante que permite a violência psicológica contra o aluno homossexual ou transexual para que o projeto possa cumprir sua finalidade de nos livrar do ranço esquerdista sem nos fazer retroceder na garantia dos direitos e liberdades individuais que devem pautar um país civilizado que respeita todos os seus cidadãos. Este item precisa ser erradicado, porque consiste exatamente no mesmo abuso autoritário e intolerante que a esquerda sempre cometeu. Não é razoável que simplesmente passemos a cometer os abusos opostos.

Se queremos uma escola sem partido, que seja uma escola sem partido de esquerda e sem partido de direita. Que seja uma escola voltada para o engrandecimento intelectual e a capacitação técnica do cidadão. Que seja uma escola que respeite cada indivíduo em sua essência, sem tentar impor este ou aquele princípio de moralidade ou postura política, que são coisas que cabem ao desenvolvimento cultural de uma sociedade, não à doutrinação em sala de aula. Que a sala de aula ensine o respeito a todo o indivíduo que não causa mal a terceiros e pronto, sem impor nem proibir este ou aquele tipo de pensamento político, religioso ou sexual. Se não é papel da escola impor uma direção, também não é papel da escola impor a outra.

Também não se pode permitir que o projeto sirva de porta de entrada para a introdução de pseudo-ciências no currículo escolar em função da necessidade de apresentar “as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes” e com isso trazer o criacionismo, a astrologia, a terapia quântica ou alguma outra balela pseudo-científica para a sala de aula. Isso não está em foco agora, mas é 100% garantido que algum safado vá tentar fazer isso caso o projeto seja aprovado.

Vivemos em tempos difíceis. Os principais grupos em luta pelo poder e pela hegemonia cultural em nossa sociedade não são ingênuos e se aproveitam de qualquer oportunidade para forçar a expansão de suas agendas ideológicas. Se quisermos garantir um mínimo de sanidade para nosso futuro próximo, precisamos ficar muito atentos e fazer toda a pressão que for possível fazer para que a razoabilidade e o bom senso prevaleçam.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 16/11/2016

Por uma escola sem partido político ou ideologia degenerada!

Rápido, pessoal! Compartilhem e votem a favor, porque a esquerda se mobilizou para obter votos contra e passou à frente tentando defender o “direito” de doutrinar nossos filhos com sua cartilha pervertida marxista feminazi racista politicamente correta coitadista mimimizenta! 

escola-sem-partido

Clique aqui para votar a favor da Escola Sem Partido!

E, por favor, use os botões abaixo e compartilhe este artigo nas redes sociais! No momento em que estou postando, precisamos de 15.715 votos para reverter esta enquete distorcida pela mobilização esquerdista totalmente contrária à opinião majoritária da população brasileira!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2016