Banheiro unissex versus banheiros separados

Banheiro unissex é um banheiro que todo mundo pode usar, igual ao que todo mundo tem em casa. Nenhuma novidade. E no banheiro de casa temos muito mais privacidade do que nos incivilizados banheiros públicos separados, com suas portas cortadas e paredes que não chegam até o teto.

Banheiro adaptado para cadeirantes faz todo o sentido. É uma questão de acessibilidade. Mas banheiros separados por sexo, por intersexo e por mudança de sexo são ridículos.

Banheiros separados para atender igualmente bem toda a diversidade de públicos existentes vai exigir mais quantos banheiros?

Um para homens.

Um para mulheres.

Um para transomens.

Um para transmulheres.

Vai ter divisão entre transexuais transgenitalizadas e não transgenitalizadas?

Vai ter banheiro para cadeirantes homens, cadeirantes mulheres e cadeirantes trans?

E para cegos, vão fazer banheiros adaptados também?

E quando for um cadeirante transexual cego não transgenitalizado? Vai no banheiro dos cadeirantes, dos cegos, dos transexuais subcategoria não transgenitalizados ou num banheiro específico para quem pertence a duas categorias distintas? Ou três? Ou mais?

Quem vai decidir qual categoria é justo atender e qual categoria pode ser desatendida em função da praticidade ou dos custos ou da conveniência?

Quem for construir uma pizzaria vai ter que pedir financiamento do BNDES para construir um pavilhão de banheiros.

E até achar o seu banheiro o/a/x coitado/a/x já se mijou perna abaixo. Talvez na cadeira.

Francamente, sejamos civilizados. Banheiro unissex com cabines realmente privadas é o que todos temos em casa. Façamos o mesmo em todos os lugares. A única diferença será que as pias e espelhos não ficarão dentro da mesma peça das cabines, mas numa ante-sala comum. Qual é o problema disso?

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 31/08/2017

OBS: rolou uma discussão interessante no Facebook sobre este assunto.

O problema do Brasil é o brasileiro

Você acha que o problema do Brasil é a Constrituição de 1988? É o Congresso Nacional corrupto? É o presidente da República incompetente com uma política recessiva? É o STF que não julga nunca seus processos ou o TSE que protagoniza farsas absolvendo criminosos alegando defesa da democracia? Nada disso. Todos estes são casos particulares de um mal muito maior. 

Ontem eu combinei com dois colegas que sairia com eles para visitar um município. No início eu não tinha certeza se iria e um deles me disse para “mandar um Whats” até determinado horário da noite. Eu respondi imediatamente: “Não. Eu vou decidir isso agora à tarde.” Uma hora e pouco depois eu decidi e falei: “Eu vou.” Quando ele saiu, ao final do expediente, eu confirmei: “Eu vou.” Pedi uma folha de deslocamento para o outro e fiz cópia.

Hoje, seis minutos antes do horário de saída combinado, eu mandei um torpedo para cada um dizendo: “Dá um toque quando sair da Regional.” Ninguém respondeu, nem apareceu. Quando eu liguei, já estavam no município em questão e disseram que eu tinha ficado de avisar pelo Whatsapp se iria, e, como eu não avisei, não passaram aqui para me pegar.

Quando eu estava indo para o meu local de trabalho, quebrou uma peça do câmbio do meu carro. Tive que fazer a manobra para estacionar empurrando o carro, porque a marcha-a-ré não engatava. Falei com meu pai e pedi para ele levar o carro à oficina durante a tarde. O mecânico trocou a tal peça. Na hora de buscar o carro, meu pai teve que ficar meia hora esperando porque havia dois carros estacionados de tal modo que impediam o meu de sair de dentro da oficina.

Quanto à peça trocada, nunca antes eu dirigi um carro com uma palanca de câmbio tão dura. Não sei o que o mecânico fez, mas a desculpa para a palanca de câmbio ter ficado dura daquele jeito é que a peça é nova. Alguém aí já dirigiu um carro zero com uma palanca de câmbio tão dura que o Incrível Hulk teria que fazer força para trocar as marchas? Pois é, “isso é normal”.

No meio deste dia maravilhoso, eu acabei me atrasando para ir à loja da minha operadora de celular para substituir um chip que preciso substituir. Cheguei em cima do horário, o atendente me viu estacionando o carro e trancou a porta da loja a chave. Fiz um sinal para ele, ele abriu a porta, perguntei se ele poderia só me substituir um chip, porque eu precisaria dele à noite. Não podia, claro. “A loja já fechou.” Eu sei que fechou, eu o vi fechando. Não é essa a questão. Não dá para me quebrar o galho e me atender enquanto dois outros clientes estavam sendo atendidos ainda? É só cadastrar um chip, demora menos de dois minutos. Não, não dá.

Finalmente, quando eu estava voltando para casa, um caminhão me ulrapassou numa velocidade muito acima do permitido na via, num local onde é proibido ultrapassar, me deu uma fechada para voltar para a pista e eu tive que frear mais rápido que o Flash para não ser abalroado ou jogado para fora da pista. Além disso, o caminhão estava com uma sinaleira queimada e sem luz na placa.

O que é que tudo isso tem em comum?

Em todos e em cada um dos casos, ninguém se importa com o outro.

O descaso para com o próximo é característica marcante da cultura do brasileiro.

E é este descaso, de todos e em todas as escalas, que produz o país em que vivemos.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 10/08/2017 

Vermilândia – um país de covardes

Aqui não é a Macacolândia, é a Vermilândia – um país de covardes. Meu pai foi assaltado hoje à tarde. No centro de Porto Alegre, com CENTENAS de pessoas ao redor. Ele estava olhando a vitrine de uma loja com minha mãe quando um canalha o agrediu pelas costas e outro enfiou a mão no bolso dele e roubou todo o dinheiro que ele carregava. Ambos tem mais de setenta anos. VÁRIAS pessoas viram tudo o que aconteceu e NINGUÉM esboçou qualquer reação. Eram apenas DOIS covardes agredindo pessoas de idade no meio de centenas de pessoas que se ACHAM cidadãs e não fizeram NADA. Os vermes que se omitiram são ainda mais covardes do que os ladrões.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 23/06/2017

O brasileiro estraga tudo

Compartilhei recentemente um vídeo do Black Pigeon Speaks (eu sei, eu sei, altamente controverso) sobre a relação entre o recato sexual feminino e a estabilidade social. Hoje o perfil de uma tal de “Sociedade da Pílula Vermelha”, de onde eu nem tinha me dado conta que havia compartilhado o vídeo, curtiu minha postagem. Então eu fui lá ver o que era essa página. E encontrei na primeira postagem a pergunta contida na imagem abaixo.

E esta foi a resposta (chula) da tal Sociedade da Pílula Vermelha. Leia rapidinho essa porcaria ou pule de uma vez para o que eu escrevo logo abaixo assim que você perceber o nível da resposta:

“Esse é um ponto que tenho que destacar mais nas postagens aqui na página. O homem comum, viciado em extremos sensoriais não está pronto para viver em paz. Ele anseia pela discussão, pela raiva, pelo sofrimento e pela dor. É como um corno sadomasoquista que não consegue viver sem ser enrabado pela vida.
Como você pode ter deixado seu relacionamento chegar a esse ponto? Pelo seu relato é evidente que você perdeu uma bela e honrada dama.
Vamos analisar o relato da sua amada e ver que faz todo o sentido…
Ela relata que torceu o seu belo pezinho, algo totalmente dentro da normalidade. Outra coisa completamente normal é três pessoas largarem o que estavam fazendo para acompanhar a colega que torceu o pé em um atendimento médico. Até aí tudo bem, não há motivos pra crer que ela não foi sozinha com o macho e que ela não inventou a presença dessas outras 2 colegas para que você não desconfiasse que ela estava a caminho do açougue para ser abatida. Afinal, todos nós sabemos que mulheres são seres angelicais, que não mentem e nem mesmo sentem tesão em mentir para o namoradinho quando estão indo para o motel com outro homem. Você não deve dar bola pro fato do amigo dela ser exatamente o cara que você não vai com a cara, é uma mera coincidência.
Após uma noite árdua no hospital é lógico que as garotas estariam com fome e iriam querer se nutrir, não é mesmo? Quem sabe um salame? Hehehe! Depois é hora de colocar algum carboidrato pra dentro (ou apenas ela, pois quem sabe sua namorada é esquizofrênica e as amigas não existam, não a julgue). Enquanto o salam, ops, quer dizer, hehehe, a batata entra, a mesma te liga preocupada que você a esteja esperando como um bobinho apaixonado, lhe relata a orgia gastronômica e que você deve esperar uma ligação da mesma (abre o olho, boi bandido).
Após extrapolar o horário combinado em mais de 2 horas (o tempo passa rápido nos dias de hoje, sem problemas aqui), você, enfurecido por ciúmes injustificados (afinal sua bela amada jamais mentiria pra você) começa a entrar em modo de fúria, encorajado por devaneios onde sua bela amada participa de uma orgia helênica com o Ricardão.
Se você fosse uma homem esclarecido e tivesse feito o dever de casa tomando a pílula vermelha, você teria cagado e andado, estaria nessa hora já dormindo tranquilo sabendo que a sua namorada é só mais uma e que provavelmente não houve problema algum, que na verdade ela estava com a piroca do Ricardão em uma mão e na outra com o celular relatando as mentiras pra você. Mas não, você peca pela falta de confiança, mesmo a realidade estando esfregada na sua cara, você insiste em deturpá-la, insiste que nada ocorre, que tudo está dentro da normalidade.
Repare que é exatamente por isso que as brigas acontecem: você se apaixonou e foi jogado em um inferno emocional. Enquanto um homem seguro de si e com auto-controle emocional estaria cagando, pois tem ciência de que as mulheres mentem da maneira mais descarada.
Se você tivesse agido de maneira controlada, nem que fosse por míseros 2 minutos, apenas o suficiente pra dizer que não aceitaria aquele tipo de mentira e que estava terminando o relacionamento, a imund… digo, donzela, estaria em 10 minutos na sua casa implorando pra chupar o seu saco. Mas não, você se apaixonou e os papéis se inverteram: você homem virou a mulher da relação, emotivo, passional, cheio de ciúmes!
O pior é que você ainda deu trela pra escutar as historinhas de que demoraram duas horas pra levar as “amigas” em casa. Onde é que se demora 2 horas pra levar alguém embora as 22 horas? Realmente, o congestionamento no trânsito as 22 horas é algo brutal e que exige muita paciência, não é mesmo?
Para fechar com chave de ouro você fez exatamente o que sua amada queria: perdeu completamente o controle e começou a despejar xingamentos. Game over. Agora ela tem as condições pra inverter o jogo e jogar a culpa em você. Ela passou a noite toda chupando danone, comendo salame, colocando batata pra dentro, passeando de carro e ainda teve a sobremesa de acabar com o sub-homem que lhe estava sugando a beleza.
Desculpe ser ríspido, mas é isso que você é: um sub-homem. Você deixou que ela te controlasse o tempo todo. O horário que teria que ligar, a história que teve que engolir, o salame que ela teve de comer e a inversão de culpa. Você está no último estágio do fracasso como homem.
Para finalizar e mostrar a sua total inaptidão como macho, você ainda pergunta se exagerou. Não meu caro, você não exagerou. Você foi apenas controlado, você não tomou as rédeas de seu relacionamento, você não tomou as rédeas de sua vida, você não consegue nem mesmo interpretar uma história furada como essa que eu, em apenas 1 minuto lendo já sabia que estava cheia de furos.
Você deixou que sua vida fosse controlada por uma mulher e mulheres, dada sua natureza emocional, não têm capacidade pra gerir grandes coisas, ainda mais um relacionamento.
Você falhou em tudo o que relatou e continuará a falhar, pois não importa o que aconteça, você estará fadado a uma avalanche de sentimentos incontrolados, que nós aqui denominamos extremos sensoriais.
Pena é o que me resta ter de você. Diga adeus a sua masculinidade, ela está extinta.”

Eu fiquei aqui pensando se valia a pena comentar isso e decidi que havia um comentário que valia a pena fazer.

O brasileiro estraga tudo.

É impressionante.

O foco do vídeo que eu compartilhei era a relação entre o recato sexual feminino e a estabilidade social. O autor é conservador, eu sou liberal, mas isso não impede que eu reconheça que a base do argumento dele estava correta. uma correlação entre uma coisa e outra e muito provavelmente a relação é de fato causal como o autor daquele vídeo alega, em algum grau. A base biológica do argumento está correta, as implicações antropológicas são consistentes e as implicações políticas são altamente plausíveis.

Agora assista o vídeo do Black PIgeon Speaks, observe o linguajar com que o autor trata a questão no vídeo, observe o linguajar com que eu trato a questão no parágrafo imediatamente anterior e compare com o texto em azul que você leu mais acima.

O brasileiro estraga tudo. Como pode?

Poxa, o cara está divulgando um vídeo controverso, mas bem argumentado, que nem vem ao caso agora se está correto ou não – o fato é que o tema foi tratado com seriedade e sobriedade. E aí, na página dele, o que ele tem a dizer é um monte de grosserias obtusas que com certeza o autor do vídeo que ele divulgou rechaçaria!

Eu não entendo como pode isso. Sério, o cara nem deve ter entendido o vídeo, deve ter achado que o vídeo corroborava os preconceitos dele e compartilhado sem o menor cuidado. E o pior é que provavelmente o público dele vai entender a mesma coisa que ele, que o autor do vídeo não disse nem quis dizer.

Pára o Brasil que eu quero descer!

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 22/12/2016

Quando a verdade não interessa para a ciência

Os cientistas não fazem ciência num vácuo histórico ou cultural. Tem gente que não consegue publicar artigos que relatam experimentos bem feitos porque o resultado do experimento é inaceitável para os revisores, mesmo que esteja correto. Aliás, muitos cientistas não conseguem nem sequer o financiamento para realizar certos estudos “inaceitáveis”. Eu mesmo já passei por isso!

Baseado sendo preparado

Uma vez uma conhecida minha quis fazer um doutorado sobre a influência da maconha fumada pela gestante no desenvolvimento cognitivo da criança. Eu bolei um delineamento experimental quádruplo-cego fantástico, o melhor que eu já bolei na vida, no qual nem os bioquímicos, nem os médicos, nem os professores, nem a própria pesquisadora saberiam que dados corresponderiam a que mães e a que crianças antes, durante e nem mesmo depois da análise dos dados. A minha proposta era que ela apresentasse a tese sem saber qual dos tratamentos era fumante e qual dos tratamentos era não fumante e que a banca avaliasse a tese e desse a nota final dela e concedesse o grau de doutor também sem saber qual tratamento era qual e só depois de ela receber o grau nós abriríamos um envelope que conteria a chave para identificar qual era cada tratamento, de modo que seria absolutamente impossível qualquer interferência ideológica em qualquer etapa do estudo.

A idéia foi rejeitada não tanto por ser tão ousada mas por existir o risco de provar de maneira cabal que fumar maconha durante a gravidez pudesse fazer bem para o desenvolvimento cognitivo da criança.

É.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 20/09/2016

Qualidade Suficiente

Todo mundo sabe que a burocracia e a corrupção são dois grandes entraves para a criação de um ambiente de sucesso sócio-econômico, mas pouca gente leva em consideração o quanto é daninha a falta daquele tanto de qualidade que obviamente poderia ser melhorado, mas que não o é porque o consumidor compra o produto assim mesmo, do jeito que está, porque tem “qualidade suficiente”. 

Pipoca

A qualidade suficiente tem exemplos por todo o lado. Ninguém deixa de comprar um automóvel porque não há um lugar para colocar o guarda-chuva molhado em dias de chuva – e a indústria automobilística não se preocupa em resolver este problema porque o consumidor sempre compra algum carro assim mesmo. Ninguém deixa de comprar pipoca na praça porque não são oferecidos guardanapos para tirar o óleo das mãos depois do consumo – e os pipoqueiros não se preocupam em resolver este problema porque o consumidor sempre compra pipoca assim mesmo. Há exemplos para todos os bolsos.

A má notícia é que este problema veio para ficar. Ou pelo menos para ficar por muito tempo, porque o macaco falante médio se contenta com a qualidade suficiente. Se ele tiver que pagar R$ 200,00 de diferença entre dois carros iguais em tudo menos na presença de uma incrivelmente bem bolada solução para o guarda-chuva molhado, o macaco falante médio em geral irá “economizar” menos de 1% do valor do veículo e comprar a versão mais barata. Se ele tiver que pagar R$ 0,25 de diferença entre o saco de pipocas com guardanapos e sem guardanapos, o macaco falante médio em geral vai pedir o troco, lamber as mãos e secar na roupa.

É natural que seja assim. O macaco falante médio é um beta ou um ômega. O ômega dificilmente compra carro, mas compra pipoca, pega ônibus comendo pipoca e deixa tudo melecado com a gordura da pipoca. E o outro ômega não deixa de pegar ônibus melecado com gordura de pipoca, nem reclama disso, porque ônibus melecado com gordura de pipoca tem qualidade suficiente para o ômega. Quem reclama ou pega o lotação em busca de higiene é o beta. O alfa vai de carro. Sem meleca de gordura de pipoca e sem reclamação.

Aceitar a qualidade suficiente é o que leva o macaco falante médio a resolver tudo com gambiarras. O hoje extinto Bom-Bril na antena da televisão é um ícone da qualidade suficiente. Seu sucessor não tão óbvio é o computador com programa antivírus. Pense bem: um sistema operacional tem que ser seguro de fábrica. Ter que instalar um segundo programa para evitar que o primeiro programa não seja invadido por um terceiro programa é uma baita gambiarra. (Aposto que você não tinha percebido isso. E aposto que você não vai trocar seu Windows por um Linux por isso, nem sequer passar a rodar seu Windows como uma máquina virtual dentro de um Linux. Na verdade, eu aposto que você nem sabe o que é isso. É natural. Todo mundo se contenta com qualidade suficiente em alguma área.)

O grande problema da qualidade suficiente é a sinergia. O pneu tem qualidade suficiente. A suspensão do carro tem qualidade suficiente. O asfalto tem qualidade suficiente. E o resultado é que o seu carro volta e meia acaba numa borracharia ou mecânica de beira de estrada. Nem vou falar da pipoca. (Argh.) Já o seu computador volta e meia trava e de vez em quando você perde uma parte do que estava fazendo.

O custo disso? Bilhões e bilhões de dólares, muito tempo de vida desperdiçado, muito sofrimento e até mortes. Afinal, o cinto de segurança tem qualidade suficiente, o atendimento hospitalar tem qualidade suficiente, a fiscalização do poder público tem qualidade suficiente, a vida tem qualidade suficiente.

E vai continuar assim, porque a cidadania do macaco falante também tem qualidade suficiente.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 03/07/2016

O que significa o recuo de Temer no caso MinC?

Resuminho: o Brasil por muito tempo teve o MEC, Ministério da Educação e Cultura; as pastas foram separadas no governo de José Sarney; o presidente Michel Temer refundiu as pastas; os artistas tiveram um piripaque e saíram difamando o Brasil pelo mundo; Temer recuou e recriou o Ministério da Cultura. A pergunta sobre a qual #PensarNãoDói é: o que significa isso no atual cenário político?

Ocupa MinC

A resposta não é óbvia. Por um lado, isso pode indicar fraqueza de Temer; por outro lado, isso pode indicar uma avaliação estratégica para evitar desgaste comprando uma briga de longo prazo com uma classe artística ideologicamente comprometida com seus adversários políticos, com alta visibilidade e grande capacidade de mobilizar multidões contra o governo.

Se o recuo foi mera demonstração de fraqueza, estamos ferrados. Um governante que já na primeira semana recuasse em medidas anunciadas sob holofotes internacionais por não querer se incomodar com cantores, atores e cineastas em meio a um déficit orçamentário de R$ 170.000.000.000,00 e onze milhões de desempregados não chegaria ao final do primeiro ano de governo. Eu prefiro acreditar que não seja assim. Espero não estar me enganando.

Se o recuo foi estratégico, ótimo! Um governante capaz de se adaptar rapidamente e de tomar decisões estratégicas difíceis em pouco tempo será muito bem-vindo ao país. Se Temer optou pelo recuo numa questão pouco relevante para poder se concentrar naquilo que realmente importa, é sinal de que teremos finalmente um governo que saberá atuar com prioridades claras. Esperemos que seja assim na maior parte das vezes.

Em qualquer dos casos, a medida terá um efeito colateral negativo para o qual Temer terá que se preparar. O PT e a esquerda em geral certamente não vão elogiar o presidente por sua sensatez e disposição democrática, eles vão aproveitar o recuo de Temer para criticá-lo ainda mais e para mobilizar suas bases alegando que “basta pressionar que o golpista cede” e coisas do tipo.

Este episódio pode vir a nos mostrar uma característica positiva do presidente da República, mas de qualquer modo terá sido um erro que custará ao governo críticas, desgaste e acirramento de ânimos e obstinação de seus adversários. Temer precisa de uma assessoria para assuntos estratégicos melhor.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 21/04/2016 

Textos recomendados de outras fontes:

Temer decide recriar Ministério da Cultura; ministro assume na terça

Ter Ministério da Cultura é fruto de mentalidade patriarcal, burocrática e centralizadora, diz ex-diretor do Masp

Menos da metade dos países desenvolvidos do mundo têm Ministério da Cultura específico

O embrutecimento político é a derrota da civilização

Só para variar, houve quem pervertesse completamente o que eu disse no meu artigo anterior, Tragédia na França: a culpa é da própria Europa. OK, voltemos ao tema. Eu tratei basicamente de duas coisas: primeira, que a civilização ocidental – da qual a Europa é o berço e um dos dois melhores exemplos, o outro sendo a América do Norte – está pagando um preço altíssimo por perverter os conceitos que a sustentam; segunda, a estupidez do desarmamento da população honesta e a cultura de coitadismo da qual decorre esta aberração.

Vida de centrista

São valores básicos da civilização ocidental a democracia, a liberdade individual, o progresso científico-tecnológico, a primazia dos Direitos Humanos e a justiça social, entre outros. As duas forças embrutecedoras da política pós-Revolução Francesa – a direita e a esquerda – detestaram o artigo porque nele eu bato em uma ferida de cada uma.

A direita não gostou porque eu disse que a culpa pelo embrutecimento terrorista é da falta de compaixão e solidariedade pelo sofrimento de grandes populações deixadas à própria sorte e à mercê de “governos” opressores que massacram “seus” povos. A direita odeia ser cobrada por compaixão e solidariedade, valores de que ela desdenha alegando algo que é bem representado pelo ditado “quem não tem competência não se estabeleça” – ou “cada um que se vire”.

A esquerda não gostou porque eu disse que o empoderamento do indivíduo, inclusive para o uso de força letal para garantir sua segurança, é uma necessidade urgente e uma condição sine qua non para o convívio pacífico e harmônico em sociedade – paz e harmonia essas baseadas na capacidade de defesa do cidadão, não no Estado-papai que “protege” e domina o cidadão em todas as esferas de sua vida, o que a esquerda indubitavelmente sempre deseja fazer.

Mas a verdade é que não se constrói um mundo pacífico sem compaixão, solidariedade e capacidade de retaliação letal contra bandidos amplamente distribuída entre a população. E entre estes bandidos se incluem criminosos comuns, terroristas e qualquer governo que abuse de suas prerrogativas. Aliás, é por isso que o governo não tem que saber quem tem armas e quem não tem, nem quantas. Só o que o governo tem que saber é quem está habilitado a portá-las em via pública, pelo mesmo motivo que precisa saber quem está habilitado a dirigir um veículo automotor.

Todavia, de um modo nefasto, direita e esquerda se aliam para provocar o embrutecimento da política e o afastamento do cidadão médio da cuidadosa avaliação destes imperativos e da ponderação na política.

Eu disse com todas as letras que a culpa pelos ataques terroristas na França é da própria Europa. E eu sustento esta afirmação. Foi a falta de compaixão e solidariedade pelos povos que estavam sob domínio de ditaduras laicas ou religiosas e a fuga à responsabilidade pela sorte de milhões de inocentes massacrados que permitiu a expansão e a exportação de ideologias autoritárias e do terrorismo. Nenhum regime que submete inocentes à força é confiável. Alguns deles, ao se fortalecerem, se tornarão expansionistas. Aí estão a história do nazismo, do comunismo, do cristianismo e do islamismo para provar, cada um dos quatro com seu próprio deus único. Em um momento ou em outro, de um modo ou de outro, todos eles se tornaram expansionistas e massacraram muita gente.

Eu disse com todas as letras que o desarmamento da população honesta é uma estupidez coitadista que faz parte de um sistema de (des)educação que pretende emascular, acovardar e incapacitar o indivíduo a fazer uso de força – inclusive de força letal – para defender sua própria vida, sua família e sua propriedade. Aí está a história de todos os massacres em universidades americanas e de atentados terroristas na Europa para provar, cada um dos dois tipos de ataque com seu próprio método de explorar a incapacidade de reação da população honesta desarmada e a incapacidade do Estado de proteger seus cidadãos, seja com serviços de inteligência, seja com policiamento ostensivo, seja com que método for.

E eu também disse que não se pode sequer sonhar com uma sociedade livre de criminosos, fanáticos, intolerantes e insegurança. É algo com que teremos de conviver enquanto formos macacos falantes. Mas podemos minimizar muito os danos e construir uma sociedade agradável e segura de viver se – e somente se – deixarmos de dar ouvidos às ideologias pervertidas que sustentam o descaso para com o sofrimento do próximo, independentemente de fronteiras artificiais, e o mimimi coitadista e covarde de quem quer lavar as mãos e terceirizar a garantia de sua segurança para outros macacos falantes, uma expectativa irreal que mais uma vez foi demonstrada como tal.

O afastamento do centro na política é sempre embrutecedor. A terceirização obrigatória da segurança pessoal é sempre irrealista e inviável, por mais que seja útil contar com instituições que minimizem nossos riscos. Enquanto estas duas coisas não forem adequadamente compreendidas, não teremos paz, nem harmonia, nem segurança.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 15/11/2015

Tragédia na França: a culpa é da própria Europa

Milhões de pessoas foram e estão sendo massacradas na África e no Oriente Médio nas últimas décadas. O que a Europa fez para evitar estes massacres? Muito pouco ou quase nada. “Não é com a gente.” Centenas de pessoas foram mortas ou feridas por um punhado de terroristas. Quantas podiam se defender? Nenhuma. Estavam todas desarmadas, confiando no papai Estado para protegê-las. Descaso e coitadismo paralisante, eis as causas da tragédia.

Massacre na França

Ouvimos por tempo demais os pervertidos que dizem que intervir e derrubar ditaduras sanguinárias é uma violação ao princípio da autodeterminação dos povos. Levamos longe demais a mentira de que cidadãos honestos e bem educados se tornam criminosos apenas pelo fato de terem uma arma nas mãos. Produzimos uma civilização de avestruzes que metem a cabeça em um buraco quando seres humanos são massacrados no país ou na favela ao lado e de covardes omissos que querem pagar para que outros coloquem suas vidas em risco para protegê-los.

Uma civilização que não defende toda e qualquer vida inocente acima de qualquer alegação pervertida sobre “soberania” é uma civilização doente. Quem precisa de proteção não são os governos sanguinários, são as pessoas inocentes que eles dominam e massacram. Onde estava a Europa quando milhões de pessoas estavam sendo submetidas a atrocidades na Síria, na Líbia, no Sudão, na Somália? O que fizeram os países do berço da civilização para socorrer seus irmãos miseráveis, humilhados, submetidos, torturados e mortos além de votar moções na ONU e manter comércio com os ditadores que os oprimiam?

Agora a barbárie que nunca combateram adequadamente ataca dentro de sua própria casa.

A Europa não é uma vítima inocente da sexta-feira 13 sangrenta, assim como os Estados Unidos da América não são uma vítima inocente do onze de setembro – um ataque promovido por terroristas que os EUA mesmos armaram e treinaram. Não se lava as mãos perante a injustiça, porque as mãos continuam sujas e um dia a injustiça cresce de tal modo que atinge “quem importa”. Que se dane se a Al Qaeda está subjugando e massacrando inocentes, porque está sendo conveniente para os interesses do Tio Sam? O onze de setembro é a conseqüência. Que se dane se os sírios estão sendo massacrados, porque não é o nosso povo? Os ataques da sexta-feira 13 sangrenta na França são a conseqüência. O descaso para com o sofrimento dos outros fortalece os promotores do sofrimento e universaliza a barbárie.

E o que dizer dos mortos na casa de shows Bataclan? Três ou quatro terroristas mataram mais de setenta pessoas. Passaram quinze longos minutos matando as vítimas uma a uma. Recarregaram as armas pelo menos três vezes. Que as primeiras quatro ou cinco pessoas tenham sido mortas sem conseguirem se defender é absolutamente compreensível, mas o que fez com que mais de seis dezenas de pessoas ficassem passivas à espera da morte senão uma educação emasculante, acovardante e incapacitante que faz com que ninguém reaja nem mesmo perante a morte certa? Se todos os presentes partissem para cima dos assassinos nem que fosse a socos e pontapés, muito menos gente teria morrido e muito menos ataques desse tipo aconteceriam no futuro.

Não se trata de um conflito entre a barbárie e a civilização, mas de um conflito entre duas barbáries. De um lado a barbárie da intolerância, do outro lado a barbárie do descaso e do coitadismo paralisante. Enquanto isso continuar, ninguém viverá em paz, ninguém estará em segurança, ninguém terá liberdade.

Precisamos abandonar o discurso canalha de que o sofrimento de inocentes para além de uma fronteira convencionada não é problema nosso. Sabemos que há ditaduras sanguinárias que massacram povos inteiros e promovem atrocidades monstruosas – como na Coréia do Norte – e nada fazemos além de votar moções ou impor barreiras comerciais. Há quem chegue à extrema perversão de afirmar que é necessário “diálogo e diplomacia” para lidar com terroristas bárbaros que degolam inocentes à faca em frente às câmeras de TV para fazer propaganda de suas ideologias insanas para conquistar adeptos. Isso não pode ser tolerado. Quem oprime ou massacra pessoas inocentes é criminoso e quem tolera ou justifica isso é pervertido e monstruoso. Nada disso é condizente com o que deveria se chamar “civilização”.

Precisamos abandonar o discurso covarde de que pagamos impostos para que as instituições nos defendam. Sabemos que as instituições são compostas tão somente por outras pessoas e estas não são mais interessadas em salvar as nossas vidas do que nós mesmos, nem são capazes de fazer isso – como ficou absolutamente evidente nesta tragédia acontecida na França. A inteligência anti-terrorismo não foi capaz de prever os atentados e a polícia não foi capaz de proteger ninguém quando eles ocorreram. Mas o que é pior é que as pessoas chacinadas pelos terroristas não somente não estavam armadas para se defenderem como também não estavam mentalmente capacitadas a se defenderem – tanto é que foram chacinadas mesmo estando em muitíssimo maior número. Se educássemos nossos cidadãos para radicalmente não tolerar a intolerância, a maioria destas pessoas estaria viva.

Precisamos parar de arar e adubar o solo para os intolerantes plantarem suas ideologias. A miséria é a água parada para o mosquito do extremismo político ou religioso. Gente que estuda, trabalha, tem casa própria, carro próprio, passa o verão no litoral, tem um bom nível cultural e vê sentido para a vida dificilmente se torna extremista. Gente cuja maior preocupação é regar o jardim dificilmente amarra explosivos na cintura e massacra dezenas de inocentes.

Criminosos sempre houve e sempre haverá. Fanáticos sempre houve e sempre haverá. Intolerantes sempre houve e sempre haverá. Insegurança sempre houve e sempre haverá. Mas nós podemos parar de produzir estas coisas corrigindo a rota do desenvolvimento da civilização ocidental. Podemos reduzir imensamente o sofrimento, os conflitos e as injustiças se assim o decidirmos, mas isso só será possível se a civilização ocidental assumir uma identidade coerente e vigorosa. Se deixar de de dar ouvidos aos pervertidos. Se deixar de engolir ideologias de descaso e de dependência. Se investir em seus cidadãos para que se tornem metatolerantes e autônomos. Se investir também na metatolerância e na autonomia para além de suas fronteiras.

Não há garantias. Mas há necessidade de coragem e determinação.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 14/11/2015

A perversão coitadista

Li em um veículo da mídia impressa que semana passada houve um “ataque racista” à atriz Thaís Araújo, poucas semanas depois de um episódio semelhante em relação à apresentadora Maria Júlia Coutinho, ambos pela internet. Um “ataque racista” pela internet? Sério? As palavras “frescura” e “perversão” me vieram à mente.

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Um “ataque racista” foi o que aconteceu entre os Tutsis e os Hutus. Chamar ofensas de ataques é uma imensa frescura. E modificar o direito para proteger a frescura é uma inominável perversão e uma completa inversão de valores. Mas é isso que propunha o tal veículo de imprensa: “leis devem ser aprimoradas” – para tornar a proteção à frescura mais eficaz, é claro.

Os coitadistas estão vencendo uma guerra cultural. Estão tornando a vida em sociedade irrespirável, cerceando a liberdade de expressão de seus desafetos para supostamente proteger os coitadinhos incapazes de lidar com as críticas e mesmo as ofensas de quem não gosta deles. Coitadinhos dos negros, sofreram séculos de opressão racista, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhas das mulheres, sofreram séculos de opressão machista, mimimi, precisam de leis especiais que as protejam. Coitadinhos dos gays, sofreram séculos de opressão homofóbica, mimimi, precisam de leis especiais que os protejam. Coitadinhos.

Para proteger os coitadinhos, os coitadistas querem calar os “opressores históricos”. Coitadinhos são feitos de açúcar e derretem se forem ofendidos. As palavras “macaco”, “piranha” e “veado” precisam ser criminalizadas. Os opressores históricos precisam ser perseguidos, processados e punidos para deixarem de ser malvados e pararem de ofender os coitadinhos. Porque, afinal, como todo mundo sabe, a melhor maneira de educar alguém é calar essa pessoa à força, ameaçá-la com cadeia e tomar-lhe direitos.

Como eu sou a fonte de todos os males do mundo – pois sou Homem, branco e heterossexual – eu não tenho sensibilidade suficiente para compreender o terrível trauma humilhante e desestruturante que é para um coitadinho ouvir meia dúzia de palavras.

Ou talvez eu não compreenda porque eu não sou um coitadinho.

Quando alguém tenta me ofender com palavras simplesmente não consegue, porque eu tenho uma coisa que me protege disso: auto-estima. Eu não derreti quando estava muito acima do peso e alguém me chamou de gordo. Eu não derreti quando passei em três vestibulares e um concurso público por meus próprios méritos, sem cotas, e alguém me chamou de filhinho-de-papai e coxinha. Eu não preciso e não quero que a lei me proteja de ofensas, porque eu não sou feito de açúcar.

Se o preço para entender o terrível mal que meia dúzia de ofensas traz para a frágil psiquê de um coitadinho é perder a auto-estima a ponto de derreter perante meras palavras e precisar de amparo legal para não ter que ouvir o que me desestrutura – como a avestruz da fábula, que mete a cabeça num buraco para não ver o que não quer e assim se sente protegida – então eu prefiro continuar não entendendo isso.

E mais: os meus filhos também não vão entender isso. Porque, mesmo que eu tenha um filho mulato, ou do sexo feminino, ou homossexual, ele ou ela não será um coitadinho, será um ser humano com auto-estima, capaz, com uma casca grossa o suficiente para não derreter perante uma simples ofensa verbal. Porque ser um coitadinho não tem nada a ver com raça, sexo ou orientação sexual, e sim com a postura perante a vida.

O que eu mais lamento é que, enquanto eu criarei meus filhos para serem seres humanos completos, com auto-estima e capacidade, os coitadistas estão criando uma geração de verdadeiros coitadinhos. Gente que, ao invés de ter sua auto-estima elevada e suas capacidades aprimoradas, será moralmente pervertida pelo mimimi coitadista e passará sua existência inteira pedindo penico, exigindo dos outros um respeito que não tem por si mesmo e culpando os outros por sua baixa auto-estima e sua incapacidade de se tornar alguém na vida – ao invés de se tornar um cidadão ou cidadã honesto, proativo, produtivo e orgulhoso de si mesmo, que vai atrás dos seus objetivos e de sua felicidade sem se abalar com ofensas e sem se permitir humilhar por uma “proteção” tão vergonhosa quanto a de criminalizar quem fala algo que lhe é desagradável.

Essa é a ironia maior e o grande mal do coitadismo: ao invés de gerar cidadãos autônomos, capazes, produtivos e orgulhosos de si, gera cada vez mais gente mimimizenta, incapaz, dependente, intolerante e autoritária.

Arthur Golgo Lucas – www.arthur.bio.br – 11/11/2015